PLANO DE SAÚDE MENTAL PARA O CONCELHO DE BRAGA

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1 PLANO DE SAÚDE MENTAL PARA O CONCELHO DE BRAGA Grupo Coordenador: Dr. Mário Freitas (Médico de Saúde Pública; UOSP/ Centro de Saúde de Braga) Dra. Joana Marques (Médica Int. Comp. Saúde Pública) Dra. Paula Caramelo (Câmara Municipal de Braga) Dra. Rita Tinoco Bobone (Departamento de Psiquiatria do Hospital de São Marcos) Enquadramento Internacional Na década passada assistiu-se a uma consciencialização global acerca do impacto causado pelas doenças mentais no que diz respeito à prevalência, severidade, incapacidade e mortalidade. Segundo o estudo da carga global de doenças (Murray e Lopez, 1996), as patologias neuropsiquiátricas estarão, em 2010, entre as primeiras 4 principais causas de gastos de recursos com a saúde, nos países desenvolvidos. Em Janeiro de 2005, a Organização Mundial de Saúde promoveu uma conferência em Helsínquia, que resultou numa declaração de saúde mental e num plano de acção para a saúde mental. Em Outubro de 2005, no Luxemburgo, tomou lugar uma Conferência Ministerial, tendo a Comissão Europeia, em Março de 2006, editado o Livro Verde para a Saúde Mental, cujos objectivos eram o início de um processo de consulta em saúde mental e a promoção da saúde mental na região europeia. Na sequência daquela conferência, decorreu um processo de consulta aos Estados-Membros que incluiu 3 reuniões temáticas, respectivamente, sobre promoção da saúde mental e prevenção da doença mental; inclusão social e direitos fundamentais em saúde mental; informação, dados e conhecimento em saúde mental, nas quais Portugal foi representado através da Direcção de Serviços de Psiquiatria e Saúde Mental da Direcção-Geral da Saúde (DGS). O processo de consulta 1

2 terminou em Maio e, posteriormente, será apresentada, pela Comissão Europeia, uma estratégia em saúde mental para a União Europeia. Enquadramento Nacional Em 1996, o governo português aprovou a um Plano Nacional para a Saúde Mental, cujos objectivos principais eram a elaboração de nova legislação no campo da saúde mental, desenvolvimento duma rede nacional de serviços locais de saúde mental, substituição gradual de hospitais psiquiátricos por serviços comunitários e por departamentos de psiquiatria e saúde mental em hospitais gerais, e desenvolvimento de reabilitação psicossocial. Em 1998, uma nova Lei da Saúde Mental foi ratificada. Concomitantemente, outra legislação relativa à colaboração do sector da saúde com serviços sociais e Organizações Não Governamentais (ONG) para o desenvolvimento de programas de reabilitação psicossocial foi aprovada. Mais recentemente, foi criado o Conselho Nacional de Saúde Mental, aguardando-se a criação de semelhantes Conselhos Regionais. Os Serviços de Saúde Mental Locais constituem actualmente a base dos cuidados de saúde mental especializados, sendo cada um deles responsável por uma população de cerca de habitantes. A estruturação destes serviços está na dependência das Administrações Regionais de Saúde (ARS), que possuem um Grupo de Coordenação de Saúde Mental. Existem serviços de psiquiatria geral de adultos, de psiquiatria da infância e da adolescência e Centros Regionais de Alcoologia. Os cuidados às pessoas com problemas de toxicodependência, no que se refere a drogas ilícitas, estão a cargo de um serviço autónomo, distinto da Saúde Mental, o Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT), que dispõe de uma rede de Centros de Atendimento a Toxicodependentes (CAT). Estima-se que a prevalência de perturbações psiquiátricas na população geral ronde os 30%, sendo aproximadamente de 12% a de perturbações psiquiátricas graves. Em 2001, o terceiro Censo Psiquiátrico, realizado em todas as instituições, públicas e privada, a nível nacional, apontou uma predominância de depressões na consulta externa, alterações associadas ao 2

3 consumo de álcool na urgência, e esquizofrenia no internamento. A depressão pode atingir 20% da população, tendendo a aumentar, e é a primeira causa de incapacidade, na carga global de doenças, nos países desenvolvidos. Em conjunto com a esquizofrenia, é responsável por 60% dos suicídios. Apesar das baixas taxas de suicídio em relação ao resto da Europa, particularmente na população de idade inferior a 65 anos, existem em Portugal elevados números se se combinarem suicídio e causas de morte violenta e indeterminada. Estima-se que para cada suicídio consumado existam 40 parasuicídios, se nos reportarmos exclusivamente aos casos observados nos serviços de urgência. Actualmente, a tendência da mortalidade por suicídio e ferimentos auto-infligidos parece ser decrescente. No Censo Psiquiátrico de 2001, a esquizofrenia foi, no conjunto dos internamentos, das consultas e das urgências, a patologia mais frequente, sendo a principal causa de internamento e a terceira nas consultas. A demora média dos internamentos com diagnóstico de esquizofrenia foi, no ano de 2002, de 35,4 dias, segundo os Grupos de Diagnóstico Homogéneos (GDH) referentes a departamentos e serviços de psiquiatria. Relativamente à prevalência de stress, não existem dados a nível nacional que nos permitam avaliar directamente a dimensão deste problema, mas sabe-se que, relativamente ao resto da Europa, as mulheres portuguesas consomem três vezes mais medicamentos indutores do sono. Segundo estudos internacionais, as perturbações emocionais e comportamentais das crianças e adolescentes têm uma prevalência elevada, variando entre 15 e 20%. Estas perturbações conduzem a comportamentos de risco absentismo escolar, uso de álcool e drogas, actos suicidários e comportamentos delinquentes e são causa de incapacidade tais como atrasos e perturbações do desenvolvimento, e défices cognitivos e psicossociais, problemas que tendem a manter-se e agravar-se na idade adulta. Há situações de exclusão social que resultam de doenças psiquiátricas, bem como do consumo excessivo e/ou dependência de álcool e drogas, nomeadamente nos semabrigo, grupo em que a prevalência de perturbações psiquiátricas é superior a 90%. Estes doentes acorrem pouco aos serviços de saúde que, por sua vez, demonstram uma reduzida capacidade para ir ao encontro dos indivíduos excluídos. Os problemas ligados ao álcool apresentam comorbilidade com vários problemas de saúde mental, nomeadamente perturbações depressivas, 3

4 perturbações da ansiedade, esquizofrenia, perturbações da personalidade, e outros. Existe também comorbilidade nos problemas ligados ao álcool e consumo de outras substâncias, quer na doença actual, quer nos antecedentes pessoais dos indivíduos afectados. As estimativas apontam para a existência de, pelo menos, indivíduos com síndrome de dependência do álcool e indivíduos com síndrome de abuso do álcool, em Portugal. Sendo a estimativa do número de alcoólicos 8 vezes superior à estimativa do número de toxicodependentes, verifica-se que existe uma desproporção entre a dimensão das estruturas existentes para o tratamento de abuso e dependência de álcool, insuficientes para as necessidades encontradas, e as estruturas existentes para o tratamento de abuso e dependência de drogas ilegais. 4

5 Objectivos do Plano para o Concelho de Braga 1. Promover e intensificar a pesquisa no campo da saúde mental 2. Desenvolver estratégias para que seja possível a determinação de indicadores no campo da saúde mental (incidência, prevalência, morbilidade, mortalidade, incapacidade) 3. Desenvolver estratégias para que seja possível a avaliação da prevalência do stress 4. Contribuir, no âmbito da saúde mental e do stress, para o Programa Nacional de Intervenção Integrada sobre Determinantes da Saúde Relacionados com Estilos de Vida. 5. Aumentar a disseminação da informação existente no campo da saúde mental 6. Aprofundar e disseminar conhecimentos sobre factores de risco para a saúde mental 7. Desenvolver estratégias para influenciar os tomadores de decisões, alertando-os para a importância da saúde mental 8. Manter e intensificar a colaboração entre os sectores da saúde e da justiça (cuidados de saúde mental na prisão, tratamento compulsivo de doentes psiquiátricos, etc) 9. Manter e intensificar a colaboração entre os sectores da saúde e da educação (programas de prevenção e cessação do consumo e dependência de álcool, tabaco e outros tóxicos; sinalização de crianças e adolescentes com distúrbios mentais, etc) 10. Desenvolver protocolos de cooperação para a actuação junto de crianças e jovens nas escolas e na Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ), nas situações previstas 11. Desenvolver estratégias de forma a que seja possível uma sinalização e orientação eficiente de crianças e adolescentes com perturbações emocionais e comportamentais 12. Desenvolver estratégias de forma a que seja possível uma sinalização e orientação eficiente de pessoas com doença mental em situação de exclusão social 5

6 13. Promover a articulação entre o Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental (DPSM) do Hospital de São Marcos (HSM) e o Centro de Saúde de Braga (CSB) 14. Desenvolver programas de promoção de saúde mental, valorizando a importância da mesma, 15. Desenvolver programas de prevenção de depressão e suicídio 16. Combater a estigmatização, a discriminação e o desrespeito pelos doentes mentais 17. Promover a desinstitucionalização e reabilitação de doentes psiquiátricos de evolução prolongada, através da criação de medidas e gestão de recursos para uma alternativa à hospitalização 18. Estabelecer parcerias com serviços sociais e ONG para a criação de infraestruturas e serviços que permitam a reinserção dos doentes mentais na comunidade 19. Criar serviços para o tratamento de doentes que abusem e dependam de álcool 20. Promover a alocação de recursos para serviços comunitários, de forma a que seja possível o tratamento e reabilitação de doentes psiquiátricos nestes 21. Desenvolver projectos de reabilitação psicossocial, como treino vocacional, unidades de reinserção profissional, centros de dia, unidades residenciais, unidades de vida para doentes crónicos mais dependentes, serviços de apoio domiciliário, e programas psico-educacionais para doentes e familiares 22. Motivar os profissionais a trabalhar no seio da comunidade 23. Difundir conhecimentos pelas várias categorias profissionais sobre saúde mental e atitudes e comportamentos a adoptar face a indivíduos com doenças mentais 24. Difundir, junto da comunidade e profissionais envolvidos, quais as entidades disponíveis para o tratamento e reinserção de doentes mentais e toxicodependentes 25. Incentivar o desenvolvimento de equipas multidisciplinares para prestar cuidados na área da infância e adolescência 26. Encorajar actividades conjuntas entre os prestadores de cuidados a doentes mentais, nomeadamente psiquiatras, médicos de família, terapeutas ocupacionais, de reabilitação e de desabituação de toxicodependências, etc. 6

7 27. Formar os profissionais da área da saúde e outros sectores envolvidos (como os prestadores de cuidados informais), para que sejam capazes de actuar na promoção da saúde mental e detectar precocemente casos de doença existente na comunidade 28. Promover a saúde mental nos locais de trabalho. 29. Envolver a comunidade na reabilitação dos doentes mentais 30. Intervir junto dos grupos de risco, visando a prevenção de perturbações e a manutenção da saúde mental 31. Criar e dinamizar um Gabinete de Intervenção em Situações de Emergência (GISE). Fontes:? Direcção-Geral da Saúde? European Public Health Association? Organização Mundial de Saúde 7

8 Estruturação dos objectivos em Eixos Eixo / Programa Sub-Programa Objectivos incluídos Parcerias Investigação 1, 2 e 3 Formação e Informação Intervenção 5, 6, 7, 16, 22, 23, 24 e 27 24: ACAPO, Rede Social e Ministério Álcool 19 Comunidade de Inserção Em articulação 8, 9, 10, 11, 12, 13, 17, intersectorial 18, 20 e 26 12: Rede Social / GT Formas de pob Global 4, 14, 28 e 29 Grupos vulneráveis e 15 e 30 de risco Infância e 25 adolescência ATENA Serviços e respostas 21 e 31 31: COMPC e U.M. (Escola de Ciênc e Instituto de Educação e Psicologia Assinalado a vermelho: Prioridade para

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