O FAZER E O SABER NA OBRA DE JOSÉ HONÓRIO RODRIGUES: UM MODELO DE ANÁLISE HISTORIOGRÁFICA

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1 O FAZER E O SABER NA OBRA DE JOSÉ HONÓRIO RODRIGUES: UM MODELO DE ANÁLISE HISTORIOGRÁFICA

2 na obra de José Honório Rodrigues: um modelo de análise historiográfica. 1º vol. Tese de doutoramento em História apresentada ao Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, em São Paulo 1976

3 Ana Maria Camargo de Almeida José Honório Rodrigues Laura Maia de Figueiredo Rosemeire Horsch A meus pais e irmãos.

4 ÍNDICE GERAL I - O modelo e sua razão de ser A - Histórico do trabalho B - Introdução metodológica C - Modelo de análise historiográfica a - A análise historiográfica no Brasil b - Modelo de análise c - Conceitos utilizados na descrição da obra como documento II - A obra como documento A - Bibliometria a - Justificativa da periodização b - Os documentos: classificação e produção c - Lei de dispersão d - Colégio invisível e - Frente de pesquisa, rede de relações científicas e relevância B - Referências cruzadas III - A obra e seu conteúdo A - Categorização quanto ao conteúdo a - Obras informativas b - Obras formativas c - Obras interpretativas B - A evolução dos conceitos a - Da descrição à análise b - História participante c - A filosofia do compromisso C - Universo cultural IV - A prática da História no Brasil contemporâneo A - na obra de José Honório Rodrigues a - As características da obra b - B - A produção do conhecimento histórico no Brasil a - O desenvolvimento do conhecimento histórico b - O autor em seu momento c - As condições da produção V - O acervo cultural A - Apresentação do levantamento bibliográfico a - Justificativa b - Bibliografias brasileiras de autor c - Normas de apresentação do levantamento bibliográfico B - Roteiro cronológico C - Obras de José Honório Rodrigues D - Repercussão das obras E - Índices a - Índice de obras b - Índice onomástico c - Índice de periódicos VI - Obras citadas

5 I - O MODELO E SUA RAZÃO DE SER

6 A. HISTÓRICO DO TRABALHO A origem e formulação deste trabalho está intimamente ligada à nossa formação profissional, somando a experiência adquirida no Centro de Documentação Histórica da FAPESP, atual Setor de Documentação Histórica do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, com a de professora de Metodologia da História, Teoria da História e Historiografia, na mesma instituição. A escolha do tema da pesquisa decorreu da necessidade que sentimos de pensar teoricamente o trabalho de pesquisa histórica, em nível de pesquisa pública, no Setor de Documentação. O autor brasileiro que primeiro defendeu a pesquisa pública, esclarecendo sua área e conceituando-a claramente, foi José Honório Rodrigues, em , e assim decidimos averiguar de que maneira utilizou esse conceito, enquanto diretor de instituições históricas. O nosso objetivo era por tanto estudar sua atuação neste setor específico. Contudo, ao entrarmos em contato com o autor para proceder ao levantamento prévio das obras editadas, que constituiriam o acervo documental do trabalho e seriam objeto de consulta obrigatória, vimo-nos diante de uma produção historiográfica numerosa e variada. Abandonamos então a idéia primeira de um pequeno estudo sobre o conceito de pesquisa pública e preocupamo-nos com a organização do arquivo cedido pelo autor sem qualquer dificuldade, propondonos fazer um levantamento biobibliográfico da produção historio gráfica de José Honório Rodrigues e um estudo de sua repercussão. Uma vez obtidos os dados, depois de efetuada a arrumação do acervo documental, deparamos com vários problemas, que só poderiam ser contornados e abandonados se nos mantivéssemos na simples atividade de um levantamento biobibliográfico. Tal atitude nega ria a outra vertente de nossa formação e implicaria no abandono de uma de nossas idéias mais firmes acerca do trabalho de historiador: a de que a pesquisa histórica se realiza em dois níveis paralelos, o da prática e o da teorização sobre essa prática. Se nos recusássemos a enfrentar os problemas surgidos, se não refletíssemos críticamente sobre nossa ação na prática, não nos restaria outro caminho senão o do abandono da profissão, pois estaríamos agindo desonestamente amputando uma parte fundamental de nossa atividade intelectual. Da reflexão sobre os problemas encontrados no acervo documental, ou por ele sugeridos, nasceu o trabalho que ora apresentamos e que inclui em seu corpo as questões teóricas (cap. I), as análises propostas sobre a obra (cap. II e III), as conclusões sobre a prática do historiador no Brasil contemporâneo (cap. IV) e finalmente o acervo documental que permitiu as citadas reflexões (cap. V), com a relação das obras citadas 2 (cap. VI). B. INTRODUÇÃO METODOLÓGICA A História, como todo e qualquer campo do saber, possui um setor fundamental para sua compreensão - o que estuda o processo de evolução do conhecimento histórico, ou seja, a história da História. Só a partir da delimitação do citado setor e que poderemos corrigir as perspectivas anti-históricas, tão freqüentes e recorrentes, prejudiciais ao desenvolvimento da ciência e à sua aceitação pela sociedade. Deste modo torna-se possível, através de tal delimitação, estabelecer uma nítida diferenciação entre filosofia da história, teoria da história e metodologia da história. 3 1 A pesquisa histórica no Brasil, p. 2O e 21. Vide 2 o vol., Cap. V, parte C, num As citações estão feitas de acordo com BELLOTTO, Heloisa Liberalli - Normalização do uso de referencias bibliográficas e de notas de rodapé na apresentação de bibliografias e monografias. São Paulo, Instituto de Estudos Brasileiros - Universidade de São Paulo, p. mimeo. 3 Filosofia da história e entendida como a preocupação com o devir, com o sentido do processo vivido pela Humanidade. Teoria é uma polissemia empregada indistintamente como filosofia, metodologia, idéias orientadoras, interpretações post-factum, generalizações empíricas, etc.; aqui, particularmente, é utilizada no sentido de localização e análise dos conceitos genéricos em ciências humanas e reflexão sobre problemas do saber em história, isto e, do conhecimento histórico ao nível da epistemologia.

7 A história da história é a área de conhecimento que se dedica ao estudo da produção histórica ou historiografia 4, da prática do historiador, visando permitir o conhecimento das teorias da história, concretamente, através de um arquivo - o corpus das histórias possibilitando o estudo do discurso do historiador e a separação entre o fazer e o saber. O estudo da produção histórica pode ser feito tanto por assunto, como por período histórico ou por autor, merecendo em cada uma dessas formas um tratamento diferente. Em nosso caso, o trabalho foi feito a partir de um autor, cujas obras formam o acervo documental, o corpus através do qual nos propusemos estudar o discurso de um historiador, procurando separar o fazer e o saber, contribuindo assim para a compreensão do trabalho do historiador e da evolução do conhecimento histórico no Brasil. A proposta de tratar a produção histórica co mo um arquivo fornecedor do acervo documental já em 1955 era apresentada por H. Butterfield 5, que aconselhava serem os livros de história tratados como arquivo morto de uma instituição, para que fosse possível apreender não o que estava errado, mas o que os historiadores pensavam 6. Para ele, a história da produção histórica não deveria ter como preocupação fundamental o arrolamento de historiadores e obras, agrupados em escolas ou movimentos, pois isso a transformaria numa crônica desconexa. O historiador, como criatura histórica, deveria ser analisado dentro da história, inserido no desenvolvimento dos estudos históricos, que por sua vez sofrem o condicionamento do momento histórico. A história da história é entendida por ele como procedimento analítico, centralizado em pontos estratégicos, que deve trazer ao nível da consciência os fatores ocultos da interpretação histórica. Incluiria deste modo não só a história dos pensadores individuais, como a história de estabelecimentos, instituições, órgãos de ensino, etc. 7 Entretanto, quando procuramos alguns estudos sobre historiadores, suas obras e seu pensamento, encontramos uma realidade totalmente diversa da que seria teoricamente correta. A análise historiográfica sofre ainda de biografismo agudo, no sentido de que qualquer que tenha sido a intenção inicial do autor, na metade do caminho transforma-se em biografia, contendo sempre a vida, a obra e as contribuições do historiador em causa, completamente desligado de seu contexto cultural. Metodologia da história é a área que se dedica ao estudo do fazer na história, procurando o genérico das ciências humanas e o específico da obra histórica. 4 Historiografia aqui não será usada no sentido crociano, que corresponderia em nossa terminologia a Historia. 5 Butterfield, Herbert - Man on his past; the study of history of historical scholarship. Cambridge, University Press, P. XI-XVII. 6 Op. cit., p Op, cit., p

8 As obras mais recentes da análise historiográfica, como as de Reizóv 8 e Ehrard e Palmade 9 não retomam as posições clássicas da história da história, de Aulard 10 e Sainte-Beuve 11 mas também não atingem o nível das análises feitas sobre autores e suas obras nocampo da crítica literária, com Barthes 12 e Starobinski 13. Em Portugal a situação e semelhante, recaindo a análise historiográfica no mesmo esquema biográfico, como acontece no estudo feito por Magalhães Godinho 14 sobre Duarte Leite, que consta dos tópicos: biografia, bibliografia, evolução e estado atual de algumas questões, e balanço de uma obra. A profundidade da análise feita das contribuições de Duarte Leite a historiografia portuguesa dos descobrimentos não cobre o esquema citado. Nos Ensaios de Antonio Sérgio 15 encontramos outro tipo de análise, a crítica política por ele denominada de crítica de caráter pedagógico-social - aos partidários de dois autores portugueses. Sua posição é clara: desde que uma obra tenha repercussões sociais é possível de ser analisada em função tanto do intuito de seu autor como das interpretações dadas por leitores influentes. Portanto, o nível da crítica e determinado pelas relações do escritor com o público e pela reação do publico diante da obra. Obra é considerada fato social que interessa profundamente à história quando as conclusões extrai das de sua leitura são diversas das pretendidas pelo autor. Antonio Sérgio apresenta duas contribuições importantes, para o estudo de obras: a primeira é que o que determina o gênero de uma investigação ou crítica não e nunca o objeto sobre o qual se exerce o exame, mas o ponto de vista sob o qual se estuda. Digamos ainda (e talvez melhor) que e, sim, a natureza do particular problema que a propósito do objeto decidimos por. 16 A segunda, é mostrar como através de sua proposição crítica há a possibilidade de se atingir a mentalidade reinante (no seu caso específico, a portuguesa) do momento em que vive. 17 No Brasil a preocupação com a análise historiográfica é recente e, na verdade, encontramos os estudos biográficos dominando o campo da história. Por esse motivo, selecionamos apenas alguns trabalhos recentes sobre historiadores, sem a preocupação de exaurir a totalidade das obras. 8 Reizóv, B. - L'historiographie romantique française, O. Moscou, Ed. en langues étrangères, s.d. 8O5 p. 9 Ehrard, Jean et Palmade, Guy P. - L'histoire. Paris, Armand Colin (1965). 4O6 p.. 10 Aulard, A. - Taine, historien de la révolution française. Paris, Armand Colin, 19O7. P Sobre Taine escreveu o seguinte: Eis algumas observações que surgem em nosso espírito quando se lêem os escritos históricos de Taine. Possuía uma espécie de orgulho da inteligência, que o impedia de decidir-se a ignorar, duvidar, ou, se o preferem, tinha um horror natural à ignorância, à dúvida. Necessitava saber, estar seguro, afirmar. Improvisava então uma certeza, e a rapidez da improvisação é a causa de seus erros. Amava a glória literária, amava-a sobretudo. Seu principal objetivo, talvez sem o perceber, era espantar o leitor, fazer-se admirar pelo leitor. Quando anunciava uma espécie de concepção científica da história, na verdade é uma espécie de concepção literária que aplica a qualquer material... A verdade histórica é sacrificada, a cada instante, às necessidades da arte. 11 Conforme Jacques Bainville, para Sainte-Beuve do de detalhe biográfico nasce a explicação dos grandes acontecimentos. Bainville, Jacques Preface. In: Sainte-Beuve, C-A. Quelques figures de l histoire. Paris, Jule Tallandier, P. XI. 12 Barthes, Roland Michelet par lui-même. (Paris), Ed. du Seuil (1969). 189 p.. 13 Starobinski, Jean Montesquieu par lui-même. (Paris), Ed. du Seuil (1967). 191 p.. 14 Godinho, Vitorino Magalhães - Duarte Leite e a evolução dos estudos de história dos descobrimentos. In Leite, D. - História dos descobrimentos. Colectanea de esparsos. Lisboa, Cosmos, 1958/196O. P Sérgio, Antonio Prefácio da segunda edição. In: Ensaios. Tomo I. Lisboa, Livr. Sá da Costa (1971). P Op. cit., p Op. cit., p

9 Os autores que receberam mais atenção dos estudiosos foram Oliveira Viana 18 e Oliveira Lima 19, que por poso foram selecionados para análise das obras. Nesses estudos o modelo tradicional domina: vida, obra, algumas contribuições feitas pelo autor, às vezes acrescidas de detalhes pitorescos, correspondência pessoal, ilustrações, etc.. Escreve-se muito sobre as pessoas, mas o conhecimento de suas vidas não enriquece a compreensão da obra, não insere a personalidade retratada em seu momento histórico. Elogios são distribuídos, influências reconhecidas, discípulos nomeados e aí finda a contribuição dada ao conhecimento histórico. Como as obras de cunho histórico não satisfaziam as necessidades que sentíamos, procuramos em campos afins informações e técnicas que permitissem a concretização de uma análise historiográfica nos moldes a que nos propúnhamos. A consulta à obra de Dante Moreira Leite 20 enriqueceu nossa concepção sobre análises ao nível da ideologia; principalmente ao sexto capítulo, que pro põe que a análise intuitiva, obtida pela análise do conteúdo, seja comparada com a análise quantitativa das informações obtidas 21 Em termos de procura de quantificação sobre vida intelectual encontramos, também, a obra recente de Luis Antonio Machado Neto 22 em que a chamada sociologia do conhecimento é concebida como o estudo empírico das relações causais entre a vida social e o conhecimento. O estudo sobre a sociologia da vida intelectual, analisada empiricamente e quantificada, foi feito utilizando os critérios de explicaçãocompreensão apenas em categorias pré-fixadas e predefinidas, através da exploração de estudos biográficos, memórias, obras correlatas sobre vida intelectual, literatura e instituições acadêmicas. A hipótese geral é sobre a vida intelectual no Brasil, com hipóteses específicas sobre ecologia, meios de subsistência, níveis de educação formal, condições políticas da vida intelectual, público leitor, e estrutura da República das Letras e respectivas vigências. 23 Entretanto, em nenhuma das obras consulta das conseguimos encontrar um modelo preciso de análise, o que nos forçou a estender a busca para outros campos. Como a maioria dos estudos que se pretendem historiográficos recaem em biografismo, tentamos per correr o caminho inverso: verificar como o estudo biográfico tem sido feito no campo literário; em outras palavras, perceber qual o conceitual usado pelos críticos literários. A crítica literária, em termos universitários, propõe a análise literária da obra, que pode ser associada à análise de interpretação realizada em História, pois ambas visam a compreensão do pensamento profundo do autor do texto. 24 Assim, a nosso ver, uma visão rápida dos conceitos utilizados em crítica literária permite uma nova abordagem da obra de história, pois nela os conceitos tradicionais foram superados Torres, V. - Oliveira Viana (sua vida e posição nos estudos brasileiros de sociologia). Rio de Janeiro, Freitas Bastos, p. 19 Centenário de Oliveira Lima - 25-XII-1867/25-XII Rio de Janeiro, Ministério das Relações Exteriores Comissão de estudos dos textos da história do Brasil, p. Freyre, G. - Oliveira Lima, Dom Quixote gordo. Recife, Imprensa Universitária da U.F. de Pernambuco, p. Macedo, N. Dias de - Bibliografia de Manuel de Oliveira Lima. Com estudo biográfico e cronologia. Recife, Arquivo Publico, p. 20 Leite, D. Moreira - O caráter nacional brasileiro. História de uma ideologia. São Paulo, Pioneira (1969). 339p. 21 Método de análise das ideologias, op. cit., p. 13O Machado Neto, L.A. - Estrutura social da república das letras (sociologia da vida intelectual brasileira 187O-193O). São Paulo, Grijalbo-USP, p. 23 Introdução metodológica, op. cit., cap. I, p. 11-3O. 24 Glenisson, J. - Introdução aos estudos históricos. São Paulo, Difusão Européia do Livro, P

10 Com efeito, concepção tradicional conceitua a obra crítica como arte. 25 Por esta conceituação a crítica é caracterizada como conhecimento prático, com regras ordenadas segundo o uso da realidade dada empiricamente, formulando regras gerais, com valor aproximado, médio, que não colocam em destaque a necessidade verdadeira. Críticos são técnicos do gosto, que não se enganam quando procuram fixar a realidade média, mas que no geral estão sempre enganados - porque seu trabalho não produz saber. O uso de regras indica atividade normativa e aproximativa, contraditória, incapaz de justificar-se porque suas normas são externas e não interiorizadas. A arte crítica aplica princípios exteriores a si própria, desconhecendo a racionalidade destes. Por isso, trata seu objeto literatura como produto de consumo, que é preparado, dirigido, orientado, para o uso do que considera realidade dada, empiricamente proposta, surgindo devido à criação, que é vista como fato misterioso e inexplicável. Na verdade, propõe regras de consumo. Para a arte crítica, a crítica literária tem por objeto o estudo das obras literárias, o que indica a concepção empírica de que o conhecimento leva à realidade, sendo reabsorvido por esta após interpretá-la. Isto nos indica que a crítica não e vista como uma finalidade, por não ter razão de existir em si mesma. Existem três correntes na crítica tradicional: a empírica, a normativa e a interpretativa - todas elas fundamentadas na concepção de que a obra necessita da crítica, que é retificadora do trabalho do escritor, estando instalada no texto e participando dele. A corrente empírica trata a obra, objeto da empresa crítica, como dado de fato, assimilável ao olhar que a inspeciona. O ato critico serve de intermediário: recebe, descreve e assimila a obra. Cabe ao julgamento critico, dependente de seu objeto, reproduzi-lo, imitá-lo e seguí-lo em suas linhas mais evidentes, facilitando o único deslocamento que a obra faz, até ser consumida. O livro retém a obra provisoriamente até que, pelo olhar crítico, atinja a consciência clara e atenta de seus prováveis leitores. A corrente normativa concebe a crítica a partir do desejo de transformar a realidade, de ajustá-la a uma norma ideal. A realidade reflete essa norma com falhas, inversões ou restrições, e deve ser corrigida e revista conforme esta. O trabalho critico é o de indicar outra possibilidade, colocar outras coisas no lugar do que foi proposto na obra, trazendo o conhecimento verdadeiro, determinando o falso e o denunciando. A recusa em admitir o caráter definitivo da obra acaba levando à destruição desta, sob forma de juízos de valor, baseados em modelo independente da obra. O relato não é importante em si, pois a leitura deve levar à descoberta do modelo, que é o objeto oculto da narração. A corrente interpretativa acredita na existência da verdade, oculta ou exterior à obra, que se constitui em um enigma, sendo tarefa do critico sua decifração. Assim, a obra fica situada em um espaço dotado pela crítica de profundidade, denunciando o caráter enganador dela, e criando a suposição da presença de sentido único em torno do qual ela se agrupa, estabelecendo uma relação de interioridade entre elas (obra e crítica), sendo papel do comentário interpretativo instalar-se na obra e revelar seu segredo. A concepção tradicional de crítica como arte ultrapassou os limites da crítica literária e pode ser encontrada em análises historiográficas, principalmente nas que se dedicam ao estudo de autores. Entretanto, se no campo da crítica literária houve a superação dessa concepção em favor da que coloca a crítica como processo de conhecimento científico 26 tal não ocorreu na análise historiográfica. A crítica como processo de conhecimento científico é considerada como uma forma de saber, com um objeto, o que lhe dá um estatuto próprio, fora dos limites do campo literário. O objeto não vem antes nem depois do saber, e produzido por este, porque conhecer e construir um saber, que acrescenta à realidade algo e da qual fala alguma coisa de novo. O conhecimento rigoroso não pode ser empírico e deve colocar-se a uma distância que, limitando o domínio inicial, faz dele um objeto mensurável - o objeto do saber. O saber é autônomo, possuindo sua própria dimensão, e podendo produzir, isto é, transformar a realidade tal como lhe é dada. E um trabalho como matéria, meio e produto. O saber possui um discurso próprio, diferente daquele do objeto ao qual se 25 Cf. Macherey, P. - Pour une théorie de la production littéraire. Paris, François Maspero, P Idem, ibidem.

11 aplica, em forma e conteúdo, porque o que se pode dizer da obra com conhecimento de causa não se confunde com o que a obra diz de si própria. Para a identificação da forma de conhecimento e necessário ver quais as condições que tornaram possíveis o aparecimento do saber, isto é, formular a questão fundamental, que dá sentido às suas respostas. A questão não é um dado, simples, mas apresenta-se constituída de vários termos ligados de modo a produzir um problema necessariamente complexo. Ao se instituir uma questão, pode-se iniciar a descrição de uma história real. A questão é condição básica porque é o verdadeiro programa de investigação histórica, é o princípio sem o qual o processo não será conhecido. E objeto teórico, com complexidade real, porque a questão crítica é complexa. Uma crítica racional fundamenta-se na questão: quais são as leis da produção literária? A obra e vista como uma espécie de fato teórico porque é fixada é ela mesma e nenhuma outra. A obra é vista como produto de trabalho e de arte. E produto de um artesão que não fabrica os materiais com que trabalha, isto é, o escritor não pode criar do nada uma forma completamente escolhida, produzindo obras determinadas. Sendo a obra produto de um processo real, complexo, contém em si diferentes níveis, com diversidade que deve ser preservada por uma forma de necessidade que é representada por uma lógica. A estrutura da obra é entendida como o que permite pensar o tipo de necessidade da qual surge a obra, fazendo com que ela seja o que é por razões determinadas. A obra possui uma linguagem própria, resultante do uso particular que o escritor faz das palavras e que vai ser sua própria norma. Linguagem não é o objeto, mas suscita-o, dando-lhe a ordem de verdade com a qual se relaciona. A linguagem é autônoma, tecendo as palavras e com elas criando as relações de um texto. O escritor constrói a obra e, ao mesmo tempo, o seu horizonte. O ato do escritor origina um objeto e constitui as normas de apreciação com as quais o objeto pode ser relacionado. Assim é que os livros tem o poder de criar um mundo próprio, cuja linguagem não pode ser confrontada com normas externas ou ser regulamentada por elas. O texto contem uma verdade que só ele pode dar, pois a obra deve ter sentido para ter sua validade e verossimilhança admitidas, na medida em que o objeto encontrado na leitura não é real. Possuindo uma verdade própria, contida nele, o texto não pode ser julgado por nenhum elemento externo, o que seria uma deformação arbitrária. No centro de um livro joga-se a tarefa de uma modificação, que e o que deve ser explicado. Portanto, conhecer as condições de uma produção é colocar à mostra o processo real de sua construção: como a obra é composta por elementos, cuja diversidade lhe dá consistência, implicando em transformação. A obra é colocada como centro de interesse, porque sua autonomia é dada por si própria ao construir seus limites, só podendo ser compreendida por normas que estão na obra. Entretanto, na, encontra em si mesma os meios de elaboração, não podendo ser estudada como totalidade. Sua existência é dada pela relação que tem com uma parte da história da produção literária, que lhe transmite os instrumentos essenciais de trabalho. Ao estudar a obra, além da realidade técnica, deve-se identificar o sistema de produção que utiliza, cabendo ao critico mostrar como é construída a partir da incompatibilidade de diversos sentidos, que e o laço sólido com que se liga à sociedade. A explicação da obra leva sempre a uma realidade complexa, da qual não se deve deixar escapar os múltiplos sentidos. A razão do processo da obra está além e seus componentes; a obra, só pode ser teorizada depois de reconhecida como complexa, determinada, explicada e descentralizada. Procurando verificar como se aplica ao estudo de uma obra literária o conceito de crítica como processo de conhecimento, escolhemos algumas obras recentes, nas quais preocupamo-nos exclusivamente com examinar os modelos de análise utilizados.

12 Os modelos de análise literária que se baseiam na concepção subjetiva da obra como universo fechado, com assimilação feita a partir dela própria, embora sejam muito ricos em termos decontribuições não nos interessam aqui, o mesmo ocorrendo com as análises estruturalistas e estilísticas. 27 Um autor cujo modelo de análise chamou nossa atenção foi Auerbach 28 que nunca se afasta da historicidade do texto e que utiliza o círculo hermenêutico como processo de análise, sem perder de vista a representação da realidade. Em Lucien Goldmann encontramos simultaneamente a análise concretizada e o modelo teórico utilizado. 29 Conceitua a criação literária como elemento da mesma natureza que outros setores do comportamento humano, explicado como uma tentativa de dar resposta significativa a uma situação particular, criando equilíbrio entre o sujeito da ação e o objeto sobre o qual ela se exerce, o mundo. Essa tendência possui caráter falível e provisório, porque o equilíbrio entre as estruturas mentais do sujeito e o mundo leva a uma situação em que o comportamento dos homens muda o mundo criando um novo equilíbrio. A realidade humana é vista como uma constante desestruturação de estruturas antigas e estruturação de novas totalidades, sendo o estudo científico dos fatos humanos um esforço de esclarecimento desses processos. Em análise literária o sujeito real do pensamento e da ação e a coletividade, entendida como rede complexa de relações inter-individuais, de natureza específica e com lugar particular aos indivíduos. O indivíduo não pode ser o sujeito real da criação cultural porque não é possível estabelecer relação entre o autor e a obra, em vista da complexidade da estrutura psicológica individual. A coletividade como sujeito real permite a apreensão das ligações internas, que se relacionam com as unidades coletivas, cuja estruturação é de compreensão mais fácil. Unidades coletivas são redes entrelaçadas de relações inter-individuais, com a complexidade psicológica dos indivíduos que pertencem a diversos grupos, e agem sobre a consciência individual, criando uma estrutura única. As relações entre obra e criador, visto como intermediário do grupo social, são tão complexas quanto os elementos de obra e seu todo. Colocando a coletividade como sujeito real da ação, as relações entre grupo social e obra são resolvidas, pelo fato da criação literária ter caráter coletivo, já que as estruturas do universo da obra são idênticas às estruturações mentais do grupo social. O problema do conteúdo é de domínio exclusivo do autor. Os grupos sociais constituem um processo de estruturação que organiza na consciência de seus membros as tendências como resposta aos problemas de relacionamento com a natureza e outros grupos. Essas tendências são categorias mentais, visão do mundo, consciência coletiva - elemento constitutivo da obra, embora não seja o único. Como a obra literária é criação da coletividade, representada por grupos sociais, há a necessidade de localizar esses grupos, para o estabelecimento das relações entre o grupo e a obra. Grupos sociais são entendidos como classes sociais quando possuem função na produção, relações sociais com outro grupo e visão de mundo, que pode ser ao nível da consciência possível - quando o grupo possui noção do mundo que o cerca como 27 Citamos como obras destes tipos as de: Richard, J.P. Introduction In: - L'univers imaginaire de Mallarme. Paris, Ed. du Seuil (1961) P Rousset, J.- Pour une lecture des formes. In: - Formes et signification. Essais sur les structures littéraires de Corneille à Claudel. Paris, Lib. José Corti (1969). P XXVI. Spitzer, L. - Linguistics and literary history. Essays in stylistics. Nova York, Russel & Russel Inc., p.. Todorov, T. Estruturalismo e poética. São Paulo, Cultrix (1971). 122p.. 28 Auerbach, R. Mimesis. A representação da realidade na literatura ocidental. São Paulo, Perspectiva USP (1971), 496 p.. 29 Goldmann, L. - O método estruturalista genético na história da literatura. In: - Sociologia do romance. Rio de Janeiro, Paz e Terra (1967). P Idem - As grandes leis da estrutura. In: - Ciências humanas e filosofia. Que é a Sociologia? São Paulo, Difusão Européia do Livro (1967). P. 71-1O3. Idem - Expressão e forma. op, cit., p. 1O3-11O. Idem - O conceito de estrutura significativa em história da cultura. In: - Usos e sentidos do termo estrutura nas ciências humanas. Coord. Roger Bastide. São Paulo, USP-Herder, P Idem - O todo e as partes. In: - Dialética e cultura. Rio de Janeiro, Paz e Terra (1967). P

13 totalidade, ideal de reestruturação da sociedade -, e ao nível da consciência real - quando o grupo sofre interferência da realidade empírica sobre a visão do mundo. Para Goldmann as obras culturais são estruturas significativas coerentes, isto é, são dotadas de coerência interna, considerada como o conjunto de relações necessárias entre os diversos elementos que a compõem, conteúdo e forma. Estruturas são o produto de resultado autônomo de equilíbrio, que devem ser procuradas em cada obra. Estruturas significativas são realidade e norma porque definem simultaneamente o motor real e a objetividade da totalidade - sociedade humana que inclui obra e pesquisador. Elas são a essência dos movimentos ideológicos, sociais, políticos e econômicos, permitindo atingir a coerência e a organização interna das obras culturais, que são ligadas a esses movimentos. Essa inserção de estrutura em estrutura, sempre mais ampla, até atingir a totalidade, que por sua vez explica as próprias estruturas, pode ser considerada uma derivação do circulo hermenêutico, onde o todo e as partes se explicam simultaneamente, dentro da totalidade. Mas a existência de um modelo permite sua aplicabilidade pura e simples? Nossa resposta deve ser claramente negativa. Mesmo partindo da aproximação dos conceitos de análise literária e de análise historiográfica não é possível uma utilização direta sem maiores reflexões. Reflexões essas que devem ser feitas a partir do que se entende por modelo, qual a sua finalidade e sobre que realidade deve ser aplicado. Conceituamos modelo como mecanismo de pensamento que, reproduzindo a realidade - objeto estudado, em construção lógica, permite o conhecimento dela; como criação do homem, sofre interação constante entre sujeito e objeto, decorrendo daí sua mobilidade. Em nosso caso específico, precisamos de uma construção lógica que nos permita conhecer como a obra de história se concretiza, pois esclarecendo seus níveis de elaboração poderemos teorizar sobre ela. Mas a obra de história que nos dará esses elementos está inserida numa realidade cultural temporalmente datada, contendo em si dupla escritura: a que faz parte do instrumental científico e aquela que se coloca em nível literário. A inexistência de linguagem específica da história com o uso conseqüente da língua literária corrente poderia nos levar a tentar uma aproximação de modelo, e forçar a transposição do modelo estruturalista genético para a análise historiográfica. Nesse caso perderíamos a priori, a especifidade do trabalho histórico e historiográfico. Mais ainda, a utilização de um determinado modelo deve corresponder obrigatoriamente ao uso de determinadas informações, forçando-nos a verificar sua existência. Ao nos propormos o estudo da obra de um historiador brasileiro contemporâneo, eliminamos a possibilidade de utilização do modelo já citado, pois, ainda não está feito o estudo do universo sociocultural contemporâneo brasileiro, dado necessário e fundamental. Tendo em vista tais circunstâncias sentimo-nos forçados a construir um modelo próprio para a análise historiográfica de um autor brasileiro contemporâneo, José Honório Rodrigues. C - MODELO DE ANÁLISE HISTORIOGRÁFICA a - Análise historiográfica no Brasil Em termos de estudos historiográficos realizados no Brasil, devemos inicialmente considerar as dificuldades que cercam sua concretização, antes de criticar forma e conteúdo. O ataque ao biografismo é a saída fácil diante do que foi feito, mas, na verdade, representa fuga, uma ação escapista. recusando a tomada de contato com a realidade cultural nacional Os historiadores que se propuseram fazer historia da história brasileira enfrentaram dois problemas que, de um modo ou outro, marcaram suas obras. O primeiro deles é o da inexistência de instrumentos de trabalho que permitam a localização da produção historiográfica. A falta de bibliografias, catálogos e

14 repertórios especializados em História 30, obriga o estudioso a utilizar os dados existentes nas bibliografias correntes e literárias, que são restritas na atenção dispensada aos estudos históricos. 31 A ele cabe a localização dos dados de seu interesse, dispersos e desorganizados nos arquivos, bibliotecas, coleções particulares de documentos e museus. A coleta aleatória acaba não permitindo o conhecimento global da produção intelectual da época, nem do todo da produção, especialmente daquela publicada em periódicos, para não falar das condições de produção, publico leitor, etc.. Estas dificuldades explicam o desenvolvimento da análise historiográfica brasileira por assunto, período de crise, momento significativo, enfim, temas limitados temporalmente, cuja produção historiográfica é facilmente localizada. Assim, os principais autores e tendências são analisados, não influindo no todo a possível existência de autores não conhecidos ou não localizados. Sem os dados conscientemente integrados na produção cultural nacional, incompletos quase sempre, os trabalhos propostos tornam-se tentativa de, contribuição à, isto os que se propõem científicos e sérios; os restantes são meras apologias, panegíricos, somatória de referencias elogiosas, etc.. O segundo problema é o da inexistência de conceitos e técnicas de análise, testadas na realidade cultural nacional. Este fato explica a constante retomada da análise historiográfica e sua estagnação, desde que foi lançada como elemento necessário para a compreensão do complexo cultural brasileiro. Sabemos, também, que é vital para o desenvolvimento dos estudos históricos a análise historiográfica, tanto de tema como de autor, visando ao conhecimento dos fenômenos culturais que marcaram as concepções de história no Brasil. Até o presente momento três vias foram propostas na prática da história da história brasileira, quanto ao estudo de autores. A primeira, mais antiga e tradicional, apresenta a vida da pessoa em questão, produção conhecida, participação em instituições e eventos culturais, temperada com anedotas e recordações delicadas. 32 A variação, igualmente tradicional, é o ataque destrutivo e mórbido, denegrindo vida, obra e participação do autor na história cultural do Brasil. 33 A segunda delas foi proposta por José Honório Rodrigues em suas obras de história da história brasileira, especialmente nos estudos feitos sobre Capistrano de Abreu. Até o momento fez a edição das obras dele 34, da Correspondência 35 e vários estudos publicados sob forma de artigos. 36 Entretanto, não apresentou ainda em publicação uma análise que unisse os dados, dando uma visão integral da obra de história de Capistrano de Abreu e ultrapassando o que até então se havia feito neste campo. 30 A publicação recente do Instituto de Estudos Brasileiros da obra de Moraes, Rubens Borba de Bibliografia colonial brasileira. São Paulo, Instituto de Estudos Brasileiros - USP, p., e exceção, e não regra. 31 Vide Carpeaux, Otto Maria - Pequena bibliografia crítica da literatura brasileira. 3a. ed. (Rio de Janeiro), Ed. Letras e Artes (1964). 335 p. 32 Freyre, Gilberto - op. cit 33 Magalhães Junior, Raimundo - Rui, o homem e o mito, 2a. ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, p. 34 Vide V, parte C, no 695 e 879. Quando este trabalho estava em fase final de redação lançou a edição das Obras completas, em 7 volumes.(vol. II). 35 Vide V, parte C, no 693, 725, 749 e 759.(vol. II). 36 Vide V, parte C, no 9, 5OO, 5O1, 594, 6O6, 6O7, 6O8, 6O9, 61O, 611, 612, 613, 614, 625, 632, 782, 787 e 914. (vol. II)

15 A terceira possibilidade de análise historiográfica foi apresentada por Nilo Odália em no estudo sobre o pensamento brasileiro, enfocando Francisco Adolfo de Varnhagen. Não temos notícia do desenrolar do estudo, nem das dificuldades encontradas, embora o autor em questão seja privilegiado em termos de instrumentos de trabalho, estando editadas sua Bibliografia 38 e Correspondência 39 A demora na publicação do resultado da tarefa assumida talvez esteja na dificuldade de formalização do universo sociocultural da época e do autor, condição exigida pelo modelo, mas de elaboração extremamente difícil pela dispersão dos dados. A quem quer que se proponha fazer a história da história do Brasil, em termos de autor, os obstáculos existentes são os mesmos e tornam a tarefa lenta e espinhosa. Todos se encontram diante do mesmo dilema: como fazer a análise historiográfica? Em nosso caso específico, sentimos necessidade de elaborar um modelo. Esta criação de modelo não deve ser entendida como a única possibilidade de fazer análise de autor na história da história. Ao contrário, com sua apresentação queremos chamar atenção para problemas existentes e despertar interesse pela elaboração e aplicação de novos modelos. b - Modelo de Análise A palavra modelo significa, como dissemos anteriormente, um mecanismo de pensamento logicamente estruturado que permite o conhecimento de um certo objeto. Sabemos claramente que a construção de um modelo, na medida em que ele é teorização e explanação do trabalho realizado, portanto reflexão metodológica, realiza-se paralelamente as pesquisas sobre o objeto em foco. Na verdade, como coloca Starobinski 40 é bem uma legitimação a posteriori, um enunciado de princípios que deve explicitar e ordenar as regras tacitamente observadas na prática. Não existe independentemente da prática e sua colocação no início do trabalho é apenas a manutenção de uma forma de apresentação. A reflexão metodológica acompanha o trabalho, esclarece-o, instrui-se por ele, retifica-o em seu desenvolvimento, mas sua tarefa conclui-se ao ser formulada, pois só pode ser colocada conceitualmente no momento em que o trabalho está concluído, sendo portanto possível, neste instante, a reflexão sobre os fins e a codificação dos meios de análise. No nosso caso, o modelo de análise historiográfica tem como finalidade o conhecimento do modo de produção de uma obra de história. A análise da obra de história torna possível a formulação dos conceitos específicos que regem a produção histórica, permitindo a distinção entre o fazer e o saber, isto e, entre a metodologia e a teoria da história. Para que isto se concretize, a obra de história, objeto de estudo na história da história, deve ser vista como um arquivo, e o historiador, como criatura histórica, deve ser inserido no desenvolvimento dos estudos históricos. 41 A obra de história é o resultado de um modo de produção cultural, em determinado momento histórico, com a linguagem da época e o instrumental específico do historiador. 37 Odália, Nilo - Modelo de aplicação do método estruturalista genético à análise da historiografia nacional. In: Anais do VI Simpósio Nacional dos Professores Universitários de História, Goiânia, 5 a 12 set São Paulo, Revista de História, V.2, p Fontes, Armando Ortega - Bibliografia de Varnhagen. Rio de Janeiro, Ministério das Relações Exteriores - Comissão de estudo dos textos da História do Brasil, p. ativa. 39 Lessa, Clado Ribeiro de Correspondência ativa. Francisco Adolfo de Varnhagen. Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro - Ministério de Educação e Cultura, O1 p. 40 Starobinski, Jean - La relation critique. Essai. In: L'oeil vivant II. Paris, Gallimard, s.d. P Butterfield, Herbert - op. cit.

16 A análise historiográfica, na medida em que se coloca como esclarecedora dos modos de produção, está se classificando como área de saber, independente de seu objeto. Ela não propõe a explicação, interpretação ou avaliação dos méritos da obra. Ao contrário, dispõe-se externamente ao objeto, visando o progresso do conhecimento. 42 O objeto da análise é a obra em si, como centro de interesse. Nesse momento não estamos declarando a validez de qualquer leitura. Para nós, a obra de história não deve ser retirada da série cronológica a que pertence, pois ela é esclarecida pelo seu momento histórico. 43 Toda obra contem em seu interior a história e a obra de história contém em si a história em dupla mediação: na medida que trata da própria história e é resultado de ação de um ser histórico em linguagem, conceitos e instrumental. Portanto, para sua compreensão, necessita a informação da história, para redução da distância. A proposta de estudar a obra em si não é a negação da história, e sim recusa à montagem de texto que confirmem as informações correntes ou supostas sobre a época; à análise biográfica psicológica; ao arrolamento de contribuições importantes, etc. Estamos plenamente conscientes de que o historiador da história coloca a compreensão da obra em seu momento, e não no original - aquele em que foi escrita. Dai nossa certeza de que o trabalho ora apresentado, como os já realizados, é provisório, passível de erros e criticável em forma e conteúdo. Utilizamos para a análise duas concepções opostas de obra, que levaram a dois tipos de descrição. No primeiro deles, a obra de história é descri ta como documento. Ao que sabemos, até hoje, nao foi feito nenhum estudo em história da história em que fossem usadas as técnicas de descrição da Documentação. Propomos ai a verificação da possibilidade de emprego de conceitos, leis e técnicas da cita da área, em nosso campo específico de trabalho. Partimos da formulação de Butterfield 44 a qual propunha que obras de história fossem tratadas como arquivo. De acordo com esta idéia, o início do trabalho seria a específicação do acervo a ser manuseado, pois ele é formado pelas obras de história que vão ser objeto de estudo, sejam elas referentes a um tema ou a um autor. Em nosso caso, o acervo documental é estruturado em torno dos dados a respeito da vida profissional do autor em foco, relação das obras de sua autoria e informações sobre repercussão de suas obras. 45 O tratamento dado ao material coletado foi o usual em Documentação. Procuramos, na medida do possível, ordenar o conteúdo pelas normas correntes no campo. Por isso, a apresentação é feita em forma de levantamento biobibliográfico, embora saibamos que apenas a relação das obras do autor é realmente uma bibliografia. 46 A partir da estruturação do acervo documental pudemos fazer a descriçâo do objeto, documento, se gundo os conceitos correntes em Documentação. 47 No segundo tipo de descrição, procuramos retornar aos conceitos usuais em história; separamos as obras quanto ao conteúdo; selecionamos os textos básicos para uma crítica interna e reconstituímos o universo cultural do autor, através do estudo das citações bibliográficas em suas obras. 42 Macherey, Pierre - op. cit. 43 Roger, Jacques - Lecture des textes et histoire des idées. In: Poulet, Georges, ed. - Les chemins actuels de la critique. Paris, Union Genérale d'editions, P Butterfield, Herbert - op. cit. 45 Vide 2o vol., capítulo V - O acervo documental, p. 4 a 474. A localização dos capítulos neste trabalho não obedece à ordem lógica de elaboração, mas sim à ordem formal e tradicional de apresentação de tese. 46 Cf. Malclès, Louise-Noelle - La bibliographie. Paris, Presses Universitaires de France, P Vide adiante, c - Conceitos utilizados na descrição da obra como documento, p. 51 e segs.

17 Em um capítulo final juntamos as conclusões sobre o autor estudado e procuramos mostrar na estruturação de sua obra a maneira como foi produzida, permitindo a separação entre o fazer e o saber. c - Conceitos utilizados na descrição da obra como documento. Documentação E um termo criado por Paul Otlet 48 em 1934, para um novo campo de conhecimento, que tem por objeto o documento. A palavra documento, segundo ele, inclui em si todos os elementos que servem para indicar ou reproduzir um pensamento, independentemente da forma escolhida para o transmitir. O nome convenciona do para expressar documento de qualquer espécie é livro, entendido em seu duplo aspecto: como obra humana, resultado do trabalho intelectual, e como objeto criado pela civilização e capaz de agir sobre ela. Otlet propôs o nome de Bibliologia à área que trata específicamente do livro como documento, englobando o conjunto sistemático de dados relativos à produção, conservação, circulação e utilização de escritos e documentos de todas as espécies e formas. A quantificação dos elementos dos livros recebeu o nome de Bibliometria. Atualmente, denomina-se Bibliometria o estudo quantitativo dos documentos, englobando-se todas as espécies de produção que transmitem o pensamento humano. No mesmo ano de 1934, o inglês Bradford explicitou pela primeira vez a lei da dispersão na literatura, publicada em 1948 no capítulo O caos documentário 49 Esta lei hoje é chamada Lei de Bradford. De acordo com suas pesquisas, a literatura de um assunto específico não está concentrada, isto é, os artigos especializados são publicados em periódicos não especializados em maior quantidade e menor número do que em revistas especializadas. Isto quer dizer que há um maior número de revistas a serem consultadas em menor relação com o conteúdo do campo e número de artigo. Ordenando-se os periódicos por zona de produtividade decrescente, no que se refere a documentos de assunto específico, o número de periódicos aumenta por zona, enquanto a produtividade diminui, em progressão aritmética O conjunto de periódicos age como uma família de gerações sucessivas, cujo parentesco diminui, sendo cada geração maior que a precedente e os constantes de cada uma produzindo inversamente ao seu grau de afastamento. Estes dados podem ser transformados em logaritmos e em curvas de produtividade, resultando que o conjunto de dados sobre um determinado assunto, deixando de lado os produzidos pelo primeiro grupo de grandes produtores, é proporcional ao logaritmo do número de produtores em causa, quando estes forem arranjados na ordem de produtividade respectiva. Os estudos bibliométricos preocupam-se basicamente em estudar a Lei de Bradford e as que lhe são similares ou decorrentes. Apesar das perspectivas de pesquisa abertas por Otlet e Bradford, a Documentação sofreu um período de estagnação, no qual os especialistas estavam mais preocupados em debater os problemas de nomenclatura e exercício profissional do que em concretizar áreas de trabalho. Só no período posterior à Segunda Guerra Mundial, o rápido desenvolvimento industrial e tecnológico causou o crescimento de setores de documentação em empresas americanas e européias, com a finalidade de aproveitamento máximo das descobertas científicas no menor espaço de tempo possível. A elas não interessava o debate para saber quem era documentalista: se o bibliotecário especializado ou o especialista treinado em documentação. Queriam montar e fazer funcionar um setor dinâmico, destinado a recolher informações especializadas externas e transmiti-las no mínimo de tempo possível ao cientista ou administrador, poupando trabalho e leituras desnecessárias a ambos, selecionando previamente o material de interesse da empresa. 48 Otlet, Paul - Traite de documentation. Bruxelas, Ed. Mundaneu, P Bradford, S.C. - The documentary chaos. In: Documentation. 2nd ed. Londres, Crosby Sockwood & Son Ltd., P

18 Em algumas delas o computador passou a ser usado para acelerar o processo de informação científica, e surgiram sistemas de informação, localizados em universidades americanas, com publicações de Resumos, Índices ou Abstracts, ordenados por computador. As exigências da informação compacta e concentrada repercutiram no campo da Documentação, já então chamada por alguns de Ciência da Informação ou Informática. 50 Os estudos bibliométricos tornaram-se necessários para o conhecimento das leis que regem a produção, conservação, circulação e utilização dos documentos, até então empiricamente formuladas. A partir de 196O númerosos estudos foram feitos para testar matematicamente as leis bibliométricas, formulando e esclarecendo conceitos como o de relevância, frente de pesquisa, colégio invisível, elitismo, rede de informações e crescimento exponencial do campo científico. Alguns estudos atingiram tal complexidade de formulação que são classificados em Ciência da Ciência e não mais em Documentação. 51 Pelo desenvolvimento dos estudos bibliométricos, ligados às necessidades de empresas e grandes instituições científicas, verificamos que em sua maioria foram feitos no campo das ciências exatas e da Medicina. Entretanto, tal fato não implica na impossibilidade de sua utilização em outras áreas de produção intelectual, pois Saracevic 52 considera-os pertinentes na literatura humanística, e Goffman e Warren 53 propuseram a aplicação na bibliografia de autores individuais. Assim, ao propormos o tratamento de documento a obra de história, estamos testando a validade dos estudos bibliométricos numa área de produção intelectual que até o momento ignora as leis que a regem, e simultaneamente esclarecendo aspectos da prática do historiador brasileiro contemporâneo. II- A OBRA COMO DOCUMENTO A - BIBLIOMETRIA A existência de estudos bibliométricos no Brasil data da criação do curso de mestrado em Biblioteconomia e Documentação, promovido pelo Instituto Brasileiros de Bibliografia e Documentação e Universidade Federal do Rio de Janeiro. Antes da fundação do IBBD em 197O, não temos notícias de estudos especializados em Documentação no Brasil, e mesmo agora poucos são os publicados. Apenas quatro estudos o foram, três dos quais são dissertações de mestrado, respectivamente sobre frente de pesquisa 54 distribuição da literatura geológica 55 e comportamento bibliométrico da língua portuguesa 56. O único estudo que escapa a esta categoria é o que foi feito para a Biblioteca Nacional Zaher, Célia Ribeiro e Gomes, Hagar Espanha - Da bibliografia à ciência da informação: um histórico e uma informação. Ciência da Informação, Rio de Janeiro, 1(1):5-7, Braga, Gilda Maria - Informação, ciência, política científica: o pensamento de Derek de Solla Price. Ciência da Informação, Rio de Janeiro, 3(2): , Saracevic, Tekfo - The concept of relevance. In: -, ed.. Introduction to information science. Nova Iorque, Bowker, 197O. P Goffman, William and Warren, Kenneth S. - Dispersion of papers among journals based on a mathematical analysis of two diverse medical literature. Nature, 221(5187):12O5-12O7, 19 mar Braga, Gilda Maria - Relações bibliométricas entre a frente de pesquisa (research front) e as revisões da literatura: estudo aplicado à Ciência da Informação. Ciência da Informação, Rio de Janeiro, 2(1): 9-26, Figueiredo, Laura Maria de - distribuição da literatura geológica brasileira: estudo bibliométrico. Ciência da Informação, Rio de Janeiro, 2(1):27-4O, Maria, Elza Lima e Silva - Comportamento bibliométrico da língua portuguesa como veículo de representação da informação. Ciência da Informação, Rio de Janeiro, 2(2):99-138, Braga, Gilda Maria - Projeto de microfilmagem de jornais da Biblioteca Nacional: aspecto bibliométrico. Ciência da Informação, Rio de Janeiro, 2(2) : , 1973.

19 Baseados na literatura específica sobre Documentação, nossa primeira atitude foi a de selecionar os estudos que poderiam ser realizados com os ele mentos que possuímos. Isto nos levou ao abandono dos estudos sobre ciclo de criação 58 e crescimento exponencial da literatura 59, que exigiriam dados complexos sobre o todo da criação intelectual brasileira, para posteriormente inserirmos o autor em questão no contexto geral. Assim, partindo do acervo documental delimitado - as obras de/sobre José Honório Rodrigues, e com os conceitos bibliométricos selecionados - lei de dispersão, colégio invisível, frente de pesquisa, rede de relações científicas e relevância, pudemos estabelecer uma hipótese geral e várias secundárias, que procuraremos demonstrar nas várias etapas do trabalho. A hipótese geral é de que os documentos produzidos por um historiador estão submetidos as mesmas leis que regem a produção de documentos técnicos e científicos, com variações decorrentes da própria especificidade do trabalho em História. a - Justificativa da periodização O estudo da produção de/sobre José Honório Rodrigues apresenta um problema que deve ser claramente colocado, para que os limites da descrição bibliométrica não sejam ultrapassados. O problema é o da produção do citado autor estar em curso de realização e não ser uma obra encerrada, acabada. Sabemos que o autor continua produzindo artigos, livros e resenhas. Como então propomos o estudo dela? A nosso ver, o fato de estar produzindo plenamente não invalida uma proposta de estudo, pois a obra já possui duração e continuidade que permitem o estudo bibliométrico 60 e nítida estruturação, tanto em sua construção quanto em relação aos conceitos que a regem. 61 Pela duração da produção 40 anos (1936/ 1975), podemos estabelecer o relacionamento entre ela e suas condições de elaboração, embora o corte temporal tenha sido feito arbitrariamente, em função de nossas necessidades. Ressalvamos que os valores numéricos virão a ser alterados - quando a obra estiver concluída, mas as conclusões parciais e gerais não o serão. b - Os documentos: classificação e produção. Em nosso estudo chamamos de documento as publicações feitas pelo autor ou acerca dele e sua obra. Cada documento recebeu um número, denominado número de entrada, que corresponde a seu número de publicação, e é com o total dos documentos que vamos trabalhar ao nível bibliométrico, abstraindo sua forma e conteúdo. Os documentos podem ser separados em dois grupos, de acordo com o veículo em que foram editados: publicações autônomas e publicações periódicas. Publicações autônomas são aquelas encerradas em si mesmas, sem continuidade, não importando sua forma física. Publicações periódicas são as que possuem continuidade, mesmo que sofram interrupções ou sejam irregulares, sob qualquer aspecto. O critério é a continuidade da publicação, não a sua regularidade. Entre 1936 e 1975 a produção do autor em questão foi de 1O53 documentos 62 '. Conforme podemos verificar olhando o Quadro 1, a continuidade não obrigou a uma regularidade, mas em termos quantitativos dizemos que a produção segue uma curva de distribuição, quando a computamos por 1O anos, no Gráfico Zoltowski, Victor - Les cycles de la création in tellectuelle et artistique. L'Année Sociologique, Paris, 3 ème serie: 163-2O6, Price, Derek J. de Solla - Little science, big science. Nova Iorque, Columbia University Press, 1963, apud Saracevic, Tekfo, ed. - Introduction to information science. Nova Iorque, Bowker, 197O. P Cf. Goffman and Warren - op. cit. 8. Vide capítulo III. 61 Vide capítulo III. 62 Incluímos os documentos constantes do Capítulo V, parte C, P 47 a 26O mais os da Errata, p 492.

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