Agradecimentos. Obrigada Gabriela Lopes

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1 Agradecimentos Na realização deste trabalho muitas foram as pessoas que me ajudaram e sem as quais esta missão teria sido sem dúvida muito mais difícil. A todas elas, as quais seria fastidioso aqui enunciar, a minha profunda gratidão. Algumas delas pelo apoio especial e permanente que me prestaram ao longo deste trabalho quero agradecer de uma forma particular, não podendo deixar de expressar a minha sentida gratidão: Ao Professor Eduardo Luís Cardoso, meu Orientador, pela sua paciência, sabedoria e objectividade, essenciais nas tomadas de decisão que sempre temos que fazer num projecto desta natureza, pela partilha da sua visão, dos seus conhecimentos e da sua experiência. Ao Professor António Andrade, pela sua permanente disponibilidade para ajudar, pela sua constante motivação, que se manifestou de forma mais sistemática na parte curricular do Mestrado. Aos meus colegas de mestrado, destacando de forma singular, a Rosa Pereira, a Ana Reis e o Nuno Fernandes, por todo o apoio, ajuda e incentivo durante todo o trajecto que percorremos juntos. Aos meus colegas e amigos da Escola Secundária de Águas Santas, por toda a ajuda, paciência e incentivo, nos momentos de algum desânimo, destacando a Susana Santos por toda a paciência, ajuda e colaboração na elaboração deste estudo. À minha família e amigos, em particular à minha Mãe e ao meu irmão, por serem uma fonte inesgotável de confiança, pela compreensão, pelo apoio e incentivo. Aos meus três filhos, Catarina, Filipa e Henrique, pelo precioso tempo, muito tempo, que lhes roubei ao longo destes anos, mas foi no tempo que perdi, que mais ganhei e onde encontrei a maior motivação para a realização deste estudo. E finalmente à minha Avó por sempre me ter proporcionado as condições necessárias para estudar. A ela, que sempre soube estimular em mim a vontade de aprender, com muito carinho e reconhecimento, lhe dedico postumamente este trabalho. Obrigada Gabriela Lopes Escola Secundária de Águas Santas I

2 Resumo A Sociedade da Informação e do Conhecimento é uma realidade que já faz parte da vida quotidiana, que começa agora a invadir as escolas... É uma realidade a aposta da Autarquia da Maia conjuntamente com as escolas do Concelho num projecto MaiaDigital, Área da Educação. Apresenta-se o Portal da Educação da Escola Secundária de Águas Santas, uma ferramenta de trabalho, consulta e comunicação que pode modificar a forma de actuar desta comunidade escolar. As suas funcionalidades e potencialidades são alvo de uma análise, sob a perspectiva dos seus diferentes utilizadores docentes, alunos, encarregados de educação e auxiliares de acção educativa. São sugeridas formas de potencializar o Portal da Educação, através da sua implementação, não só no processo ensino-aprendizagem (colocando em prática a aprendizagem colaborativa) mas também alterando rotinas no que diz respeito à comunicação entre os diferentes elementos da comunidade educativa. A implementação deste projecto na Escola Secundária de Águas Santas, bem como as mudanças que conjuntamente aconteceram com o decorrer do projecto foram alvo de observação, registo e análise neste estudo. Descrever o percurso efectuado desde a elaboração do projecto até ao fim da sua execução na ESÁS, as alterações na infra-estrutura de comunicação da escolae o software instalado, bem como identificar factores facilitadores e inibidores do processo, são objectivos deste estudo. O Portal da Educação é já uma realidade no Concelho da Maia. No que à ESÁS diz respeito parece ser necessária uma maior promoção, informação e utilização por parte da gestão da Escola para que as Tecnologias da Informação e Comunicação façam o mais rapidamente possível, parte do quotidiano da comunidade escolar, de todos os seus elementos, que estejam presentes em todos os seus procedimentos. É um desafio que importa ganhar, se a ESÁS não o fizer agora, estará apenas a adiar uma realidade inevitável. Escola Secundária de Águas Santas II

3 Abstract The Society of Information and Knowledge is a reality that is already part on daily life and is also becoming part of school life. The Project - MaiaDigital / Área da Educação is a goal that Maia municipality, together with the local schools, wants to achive. Portal da Educação (Educations Site) of Águas Santas Secondary School represents an important work, search and communication tool that is sure to change the school community acts and interacts. Its varied users teachers and other school staffs, students and parents analyse under their perspectives its functions and potentialities, so that a wider implementation can be reached. Portal da Educação can be not only a new and innovative aid in teaching procedures and learning process (promoting a cooperative learning) but can also change radically routines as far as the internal flux of information is concerned. The implementation of this Project at Águas Santas Secondary School and the changes that occurred from the moment it started, were observed, registered and analysed in this study, that also intend to describe the whole process from the beginning till it was finally experimented in the field. To identify the infra-structures and the software installed and finally to identify factors that might the process faster and easier, are also purposes of this study. Portal da Educação is already a reality in Maia, in Águas Santas, though, it seen that requires a better promotion so that the I.C.T s can really be part of daily life of the school community as fast as possible. This is a challenger which is important to win, and if ESÁS loses the opportunity, it is just delaying an inevitable reality. Escola Secundária de Águas Santas III

4 Índice Agradecimentos...I Resumo...II Abstract...III Índice... IV Índice de Figuras... VIII Índice de Tabelas... IX Siglas Utilizadas... X ENQUADRAMENTO TEÓRICO Sociedade da Informação e do Conhecimento Alguns Programas Europeus na Área da Educação, com recurso ao uso das Tecnologias de Informação e Comunicação SÓCRATES European Schools Project etwinning As Tecnologias da Informação e Comunicação no Ensino Básico e Secundário Português Programas Projecto MINERVA Programa Nónio Século XXI CRIE Equipa de Missão Computadores, Redes e Internet na Escola O que a Tecnologia Pode Mudar na Escola no Processo Ensino Aprendizagem Comunidades Virtuais Aprendizagem Colaborativa Factores de Influência na Adopção de TIC na Escola Caracterização do Projecto MaiaDigital O Projecto na sua Globalidade MaiaDigital Área da Educação METODOLOGIA UTILIZADA NO PROCESSO DE INVESTIGAÇÃO Principios Metodologicos...46 Avalaição do Projecto Maia Digital na Escola Secundária de Águas Santas IV

5 2. Caracterização e Condições de Realização do Estudo Estudo de Caso Protocolo do Estudo de Caso Recolha de Dados para o Estudo de Caso Instrumentos Utilizados Entrevista Recolha Documental Listagem de Documentos Recolhidos para a Realização do Estudo: Observação Participante Diário de Campo Análise e Interpetação do Material Recolhido Entrevistas, Observações, Recolha Documental Estruturação dos Dados RESULTADOS O Projecto MaiaDigital na Escola Secundária de Águas Santas Apresentação da Escola Processo de implementação do Projecto MaiaDigital na ESÁS Percurso temporal da implementação do Projecto MaiaDigital na ESÁS Infra-estrutura de Tecnologias de Informação e Comunicação Rede de Comunicação Equipamento Informático PORBASE Catwin Módulo de Catalogação UserWin Módulo de Gestão de Empréstimo Pacwin Módulo de Pesquisa Pacweb Módulo de Pesquisa para a Internet SIGE Módulo Servidor de Acessos Módulo Onde estás? Posto de Venda KiosK Módulo Refeitório Portal da Educação O Portal da Educação da Escola Secundária de Águas Santas Área Pública Página Inicial da ESÁS no Portal da Educação Área privada Escola Secundária de Águas Santas V

6 6.5. Área Privada para Docentes Área Privada para Alunos Área Privada para Encarregados de Educação Área Privada para Auxiliares de Acção Educativa DISCUSSÃO DOS RESULTADOS O Projecto na sua Generalidade Processo de Implementação Infra-estrutura de Tecnologias de Informação e Comunicação Software Portal da Educação Docentes Alunos Encarregados de Educação Mudanças verificadas on-line na vida escolar considerando diferentes intervenientes Docente Director de Turma Aluno Serviços Administrativos CONCLUSÕES Análise Crítica do Estudo Realizado Conclusões do Estudo Realizado Factores Inibidores Factores Facilitadores Recomendações Perspectivas Futuras BIBLIOGRAFIA ANEXOS Apresentação do Enquadramento da Entrevista Registo de Entrevista Escola Secundária de Águas Santas VI

7 Notas de Entrevista Guião Temático da Entrevista Semi-Estruturada Guião Temático da Entrevista Semi-Estruturada Carta de Pedido de autorizaão para a realização do estudo/ identificação da Escola Escola Secundária de Águas Santas VII

8 Índice de Figuras Figura 1 - Síntese dos principais indicadores...9 Figura 2 - Número de alunos por computador e computador com ligação à Internet no ensino público, por tipo de estabelecimento...10 Figura 3 - Quadro elaborado com base em Ferreira (2005)...15 Figura 4 - Mapa do Concelho da Maia...58 Figura 5 - Infra-estrutura da rede na ESÁS em Figura 6 - Infra-estrutura da rede na ESÁS em 2004 (Abril)...65 Figura 7 - Infra-estrutura da rede na ESÁS em Figura 8 - Estrutura do SIGE...73 Figura 9 - Menu do Kiosk...75 Figura 10 - Aluno a consultar Kiosk...75 Figura 11 Página de Abertura do Portal da Educação...78 Figura 12 Página de Acesso às Escolas do Ensino Secundário...79 Figura 13 - Página Inicial da Escola Secundária de Águas Santas...79 Figura 14 Estrutura da Área Privada do Portal da Educação...80 Figura 15 Página de Abertura da Área Privada Site Escola...81 Figura 16 - Menu lateral esquerdo da Página de Abertura da Área Privada...82 Figura 17 Página da Área Privada de um Docente da ESÁS Área da Escola...83 Figura 18 - Lista de Documentos ao dispor do Docente...84 Figura 19 Alguns dos Alertas Disponiveis...85 Figura 20 - Fórum Geral Docentes...86 Figura 21 - Estrutura do Site do Aluno...89 Figura 22 - Página da Área Privada Aluno da ESÁS Área da Escola...90 Figura 23 - Menu de Navegação Lateral Área Privada Aluno...91 Figura 24 Página da Área Privada de um Encarregado de Educação Figura 25 Acesso da E.E. aos Sites dos Docentes do seu Educando...93 Figura 26 Acesso do E.E. aos Sites das Disciplinas em que o seu Educando está inscrito...93 Figura 27 Página da Área Privada de um Auxiliar de Acção Educativa da ESÁS Avalaição do Projecto Maia Digital na Escola Secundária de Águas Santas VIII

9 Índice de Tabelas Tabela 1 - Entrevistas a Docentes...52 Tabela 2 - Entrevistas a Alunos...52 Tabela 3 - Entrevistas a Auxiliares de Acção Educativa...52 Tabela 4 Descrição dos Pavilhões da ESÁS...59 Tabela 5 - Material informático 2002/ Tabela 6 Tarefas disponibilizadas on-line antes e após o MaiaDigital para o Docente Tabela 7 Tarefas disponibilizadas on-line antes e após o MaiaDigital para o Director de Turma Tabela 8 Tarefas disponibilizadas on-line antes e após o MaiaDigital para o aluno Tabela 9 Tarefas disponibilizadas on-line antes e após o MaiaDigital para os Serviços Administrativos Avalaição do Projecto Maia Digital na Escola Secundária de Águas Santas IX

10 Siglas Utilizadas AEISMAI Associação de Estudantes do Instituto Superior da Maia BN Biblioteca Nacional CMC Comunicação Mediada por Computador CRIE Equipa de Missão Computadores, Redes e Internet na Escola EB1 Escola Pública do 1º Ciclo do Ensino Básico ESÁS Escola Secundária de Águas Santas GIASE Gabinete de Informação e Avaliação do Sistema Educativo HTML HyperText Markup Language Linguagem de Formatação de Hipertexto HTTP HyperText Transfer Protocol - Protocolo de Transferência de Hipertexto IES Instituições de Ensino Superior ISMAI Instituto Superior da Maia MINERVA Meios Informáticos no Ensino: Racionalização, Valorização, Actualização MSI Missão para a Sociedade da Informação PALOP Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa SIGE Sistema Integrado de Gestão Escolar TIC Tecnologias da Informação e Comunicação UMIC Unidade de Missão Inovação Conhecimento WSS Windows SharePoint Server Avalaição do Projecto Maia Digital na Escola Secundária de Águas Santas X

11 ENQUADRAMENTO TEÓRICO

12 Enquadramento Teórico 1. Sociedade da Informação e do Conhecimento As sociedades não perdem o seu lastro histórico; o desejo da Sociedade da Informação e do Conhecimento não faz uma sociedade nova: é antes a renovação de um ideal antigo, a proclamação de uma liberdade desejada, a fome de modernidade e de justiça, como se, de repente, as possibilidades técnicas tornassem insuportáveis os entraves burocráticos, a sufocação autoritária, a privação de informação e de saber (MCT, 1997). Em muitos documentos oficiais (MCES, 2004; MSI, 1997; UMIC, 2003) reconhece-se que a Sociedade da Informação pode contribuir para a melhoria do bem-estar dos cidadãos, em virtude de facilitar a construção de um Estado mais aberto, a inovação no ensino e na formação profissional, o acesso ao saber, o desenvolvimento de novas actividades económicas e o aumento da oferta de emprego com níveis de qualificação profissionais mais elevados, entre outros contributos positivos. No entanto, não se ignoram a existência de barreiras de acesso à Sociedade da Informação, de natureza económica, educacional e cultural, assim como os riscos de que importantes camadas da população fiquem excluídas dos seus benefícios, em consequência do fenómeno da info-exclusão. As tecnologias da informação e das comunicações são já parte integrante do nosso quotidiano. Invadiram as nossas casas, locais de trabalho e de lazer. Oferecem instrumentos úteis para as comunicações pessoais e de trabalho, para o processamento de textos e de informação sistematizada, para acesso a bases de dados e à informação distribuída nas redes electrónicas digitais, para além de se encontrarem integradas em numerosos equipamentos do dia-a-dia, em casa, no escritório, na fábrica, nos transportes, na educação e na saúde. A Sociedade da Informação não pertence a um futuro distante. Assume uma importância crescente na vida colectiva actual e introduz uma nova dimensão no modelo das sociedades modernas. É fácil encontrar referências (MSI, 1997; UMIC, 2005; XVIIGoverno, 2005) em que o acesso à informação e ao conhecimento se tornou um factor chave na mudança das estruturas económicas e sociais, que é essencial enquanto garante de Escola Secundária de Águas Santas 2

13 Enquadramento Teórico infoexclusão e coesão social e territorial e tornou-se fundamental para o crescimento económico, contribuindo decisivamente para o aumento da produtividade e competitividade das economias nacionais. O papel fundamental do desenvolvimento da Sociedade da Informação para a construção de uma Economia baseada no Conhecimento é hoje em dia amplamente reconhecido pelos diferentes Governos. Estratégias e planos de acção nacionais neste domínio têm vindo a ser definidos e implementados por todo o mundo. Em Portugal, o Plano de Acção para a Sociedade da Informação, o Plano de Acção para o Governo Electrónico e a Iniciativa Nacional para a Banda Larga e mais recentemente o plano Ligar Portugal consubstanciam a forte aposta do Estado Português na construção da Sociedade do Conhecimento. Todas estas estratégias e planos de acção, traçaram um conjunto de objectivos ambiciosos, que pretenderam contribuir não apenas para Portugal superar rapidamente o seu atraso nesta área, mas igualmente para integrar o grupo dos países europeus líderes no cumprimento dos objectivos definidos na Estratégia de Lisboa. O Conselho Europeu, (U.E., 2002) realizado em Lisboa a 23/24 de Março de 2000, estabeleceu o objectivo ambicioso de tornar a Europa a economia mais competitiva e dinâmica do mundo. Considerou que a Europa necessita com urgência de explorar rapidamente as oportunidades da nova economia, nomeadamente a Internet. Em 2000, a União Europeia adoptou o Plano de Acção eeurope 2002, que elegeu como linha de orientação estratégica a massificação do acesso e da utilização da Internet na União Europeia, condição essencial para a construção da Sociedade da Informação. O eeurope 2002 permitiu alcançar objectivos importantes na maior parte dos países da União Europeia. No entanto, a União Europeia reconheceu que a conectividade em si não era um activo representativo do aumento da qualidade de vida e da produtividade no espaço europeu. É neste contexto que surge o eeurope 2005, implicando uma deslocação dos objectivos da política europeia para a Sociedade da Informação. A prioridade do eeurope 2005 (MSI, 1997) incidiu sobre a conversão da conectividade em Escola Secundária de Águas Santas 3

14 Enquadramento Teórico actividades económicas, num ambiente favorável ao investimento privado, à criação de emprego e ao aumento da produtividade, focalizado em quatro áreas de actuação: Administração Pública em Linha, Ensino em Linha, Saúde em Linha e Negócios Electrónicos. O eeurope 2005 visava o estabelecimento de um círculo virtuoso entre os factores de estímulo à oferta (essencialmente, disponibilidade de Banda Larga) e os factores de estímulo à procura (essencialmente, novos serviços, conteúdos e aplicações multimédia), numa interdependência activa. Adicionalmente, o eeurope 2005 assenta numa filosofia de actuação centrada na Banda Larga e na convergência de tecnologias de acesso, permitindo um acesso multiplataforma. Em 2004 é lançado o projecto FUTURO 2010 Programa Operacional Sociedade do Conhecimento, visando medidas de estímulo à criação de uma verdadeira Sociedade baseada no Conhecimento, à concretização da Iniciativa Nacional para o Crescimento, à capacitação científica e tecnológica, congregando um conjunto de iniciativas nas áreas da Ciência, da Sociedade da Informação, da Cultura, da Educação, da Defesa, da Segurança, da Saúde e da modernização da Administração Pública. O conhecimento adquirido com as novas tecnologias e processos é motor de crescimento, competitividade, gerador de novos empregos e de ambiente melhorado. Contudo, o conhecimento tem de ser tratado como parte da envolvente mais vasta em que crescem e operam os vários actores, quer entidades públicas, quer privadas. Assim, dotar os indivíduos de competências adequadas é essencial para contornar riscos de exclusão e melhorar a coesão. O novo desafio da competitividade reside hoje no estabelecimento de pontes entre o conhecimento e o mercado e na criação de uma envolvente adequada à inovação no domínio das Tecnologias da Informação e Comunicação. No documento Linhas Gerais Estratégicas Eixos Prioritários, FUTURO 2010 Programa Operacional da Sociedade do Conhecimento (MCES, 2004) é referido que a persistência de fenómenos como a informalidade, a ineficiência dos sistemas burocráticos ou a resistência à incorporação de tecnologias e metodologias inovadoras nos sistemas produtivos e administrativos, exigem, ainda, apesar do esforço desenvolvido nas últimas décadas, uma maior aposta na Escola Secundária de Águas Santas 4

15 Enquadramento Teórico formação e no investimento nas novas tecnologias e que importa prosseguir. Assim, o investimento estratégico na aprendizagem, na formação e na capacitação científica e tecnológica deve ser definido de forma acrescida sob a óptica da empregabilidade. Para a Unidade de Missão Inovação e Conhecimento (UMIC, 2003), a Sociedade da Informação é uma sociedade onde a componente da informação e do conhecimento desempenha um papel nuclear em todos os tipos de actividade humana em consequência do desenvolvimento da tecnologia digital, e da Internet em particular, induzindo novas formas de organização da economia e da sociedade. Portugal não é alheio a todas estas transformações. Fazendo parte da Europa, tentando estar na linha da frente no desenvolvimento da Sociedade da Informação, estamos a sentir impactos deste novo evento. O desenvolvimento da Sociedade da Informação, através do seu impacto estruturante na Sociedade Portuguesa, está a ajudar a superar os grandes desafios que Portugal defronta, funcionando como uma alavanca das capacidades nacionais. Para Portugal conseguir atingir as metas propostas na Estratégia de Lisboa, torna-se essencial apostar na generalização das tecnologias de informação e comunicação, com o objectivo de possibilitar a todos os portugueses o acesso à Sociedade da Informação, independentemente da sua condição social, étnica ou cultural, procurando também projectar a cultura e língua portuguesa a nível universal. Embora muitos dos documentos editados até agora (M.E., 2004; MCTES, 2004; MSI, 1997; O.S.I.C., 2004/2005; UMIC, 2005) realcem que o nosso País está com um grande atraso relativamente ao que foi inicialmente previsto, existe um plano que permitirá, se executado, colocar Portugal ao nível da maioria dos Países Europeus no desenvolvimento da Sociedade de Informação. A iniciativa Ligar Portugal é um dos vectores estratégicos do Plano Tecnológico do XVII Governo, alargando o âmbito de intervenção do Estado na mobilização da Sociedade de Informação, direccionando o esforço público e privado para Escola Secundária de Águas Santas 5

16 Enquadramento Teórico consolidar ou reforçar iniciativas em curso, preencher lacunas, e promover a inovação e a criação de novos produtos e serviços (C.N.E.L., 2005). A generalização do acesso à Internet e às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) é crítica para o desenvolvimento da sociedade portuguesa. Implica a ampla apropriação social destas tecnologias nos vários sectores de actividade, o combate à info-exclusão, a exploração de novos produtos e serviços, o desenvolvimento das capacidades de investigação e formação em domínios emergentes, e um mercado nacional de telecomunicações mais competitivo. Justifica-se para isso uma nova acção política de mobilização para a Sociedade de Informação em Portugal, que simultaneamente responda aos desafios colocados pela recente iniciativa i2010 Sociedade de Informação Europeia para o Crescimento e Emprego da Comissão Europeia. Em 2005, o Programa do XVII Governo aprovado pela Assembleia da República no final de Março aponta para progressos insuficientes e sublinha uma evolução débil no esforço de mobilização da sociedade de informação em Portugal, nomeadamente quando analisado num contexto internacional. O programa indica assim a necessidade de reorientar o esforço público de forma a garantir a mobilização de uma base social de apoio muito mais alargada que permita uma mais rápida apropriação social e económica das TIC como vector de desenvolvimento do País. A iniciativa Ligar Portugal vem responder a este desafio, direccionando o esforço público e privado para consolidar ou reforçar iniciativas em curso, preencher lacunas, e promover a inovação e a criação de novos produtos e serviços, de modo a assegurar os seguintes objectivos: Promover uma cidadania moderna, informada, consciente e actuante, para a qual o uso das TIC é um instrumento normal de acesso à informação, à educação, ao trabalho cooperativo, e à discussão pública; Garantir a competitividade do mercado nacional de telecomunicações, em especial no que se refere aos seus custos para os cidadãos e empresas, e à disponibilização generalizada de serviços avançados de qualidade, assegurando a existência de condições efectivas de concorrência ao nível das melhores práticas europeias; Escola Secundária de Águas Santas 6

17 Enquadramento Teórico Assegurar a transparência da Administração Pública em todos os seus actos, e a simplicidade e eficiência das suas relações com cidadãos e empresas; Promover a utilização crescente das TIC pelo tecido empresarial, apoiando as empresas na sua modernização, enquanto condição indispensável à sua competitividade internacional, assim como assegurar o desenvolvimento de novas empresas de base tecnológica, nomeadamente de software; Estimular o desenvolvimento científico e tecnológico, promovendo actividades de Investigação e desenvolvimento em colaboração internacional. O sucesso da iniciativa Ligar Portugal dependerá em larga medida da criação e utilização de novos serviços e conteúdos, via Internet, transversais a múltiplos sectores da sociedade, com impacto directo na qualidade de vida e no trabalho dos cidadãos. Entre as múltiplas áreas a explorar (XVIIGoverno, 2005), como particularmente apropriadas a beneficiar de um aproveitamento intenso das TIC, salientam-se a título de ilustração: A modernização e abertura do ambiente escolar, providenciando ambientes de trabalho virtuais para os estudantes, documentos de apoio em formato electrónico, e sistemas de acompanhamento dos alunos por pais e docentes assim como a participação sistemática em projectos de colaboração em rede com entidades externas. Em especial será promovida a generalização do dossier individual electrónico (portfolio) do estudante que termina a escolaridade obrigatória, onde se registarão todos os seus trabalhos mais relevantes, se comprovarão as práticas relevantes adquiridas nos diferentes domínios (artístico, científico, tecnológico, desportivo e outros) e se demonstrará o uso efectivo das tecnologias de informação e comunicação nas diversas disciplinas escolares. A modernização da Administração Pública, em especial simplificando o acesso dos cidadãos aos serviços públicos e eliminando a necessidade de deslocações evitáveis; Escola Secundária de Águas Santas 7

18 Enquadramento Teórico A distribuição de informação de interesse público, designadamente sobre riscos públicos, ambiente, segurança alimentar, saúde, ou segurança interna. A sistematização de rotinas de monitorização e acompanhamento, de uma forma que permita corrigir políticas e actualizar acções. O desenvolvimento da Sociedade da Informação e do Conhecimento é uma responsabilidade que deve ser assumida por todos os portugueses, nomeadamente os agentes sociais de maior destaque. A implementação da Sociedade da Informação e do Conhecimento não é um processo virtual nem compartimentado. Necessita da colaboração estreita e articulada de toda a sociedade. O Relatório de Execução 2004 (MCTES) relativo ao Programa Operacional da Sociedade do Conhecimento refere que no global, a aposta na educação não será um desafio fácil para o nosso país uma vez que nos encontramos bastante atrás dos outros países em termos das metas definidas no eeurope 2002, verificável no baixo número de computadores (ligados e não ligados à Internet) por 100 alunos nos vários níveis de ensino, e na baixa utilização de computadores e da Internet pelos docentes nos vários níveis de ensino. Acresce ainda o facto de o nível da iliteracia básica e digital na sociedade portuguesa ser dos mais altos a nível europeu e os níveis de educação escolar e superior serem baixos, o que, aliado a limitações financeiras das famílias em causa dificulta a percepção da utilidade das TIC. Caldas (2004b) afirma que o avanço de uma sociedade está fortemente ligado ao nível de desenvolvimento dos novos meios de informação e comunicação. O digital é, no momento, de grande importância para o desenvolvimento das sociedades ditas modernas e para os avanços da região, do país e do mundo. Pode dizer-se que quem não aderir agora a esta nova era ficará a marcar passo, sem andar para a frente. É por isso, urgente que se dê mais atenção a este meio de comunicação e informação de futuro a Internet. Escola Secundária de Águas Santas 8

19 Enquadramento Teórico As escolas estão a realizar um esforço para que a Sociedade da Informação e do Conhecimento seja uma realidade na sua vida quotidiana. Dados disponibilizados pelo GIASE relativos ano escolar 2004/2005 (O.S.I.C., 2004/2005) demonstram isso mesmo. O número de computadores disponíveis, bem como aqueles que dispõem de ligação à internet tem aumentado de forma significativa, quando analisamos os dados disponíveis. Figura 1 - Síntese dos principais indicadores Nota (O.S.I.C., 2004/2005, p. 4) Estamos a entrar no seio de uma nova era, a era digital. O digital, acompanhado das mais modernas e interactivas tecnologias multimédia, está a assumir um papel cada vez mais importante para o desenvolvimento das sociedades modernas. O digital já faz parte do futuro...é o futuro. Nas escolas, nas instituições públicas e privadas, em casa, é o digital que marca o progresso (Caldas, 2004a). Para entrar devidamente e sem grandes percalços nesta nova fase da vivência da nossa sociedade torna-se fundamental investir nas Novas tecnologias de Informação e Comunicação. Em todas as áreas, mas tal como afirma Caldas (2005), é fundamental, senão imprescindível apostar no investimento das Tecnologias da Informação e da Comunicação no domínio da Educação. Em todos os diferentes níveis de ensino, na sua vertente de infra-estruturas como Escola Secundária de Águas Santas 9

20 Enquadramento Teórico também e, principalmente, em formação e qualificação dos diversos actores relevantes. A nova geração de cidadãos é e deverá ser uma geração que nasceu com estas modernas tecnologias, e por conseguinte uma geração Educada Tecnologicamente. Figura 2 - Número de alunos por computador e computador com ligação à Internet no ensino público, por tipo de estabelecimento Nota (O.S.I.C., 2004/2005, p. 10) Podemos verificar que em Portugal, pela análise da figura 2 que o número de computadores disponíveis por aluno vai aumentando de forma significativa com o aumento do nível de escolaridade. As escolas secundárias/profissionais dispõem de um maior número de computadores disponíveis por aluno. A Internet deve estar acessível e ao dispor de todos, não só como instrumento de lazer, mas sim como instrumento de trabalho. É no âmbito do desenvolvimento de serviços, nomeadamente no desenrolar de processos, que tudo passa a ser mais facilitado e mais célere. As potencialidades da Internet são inúmeras, gerando outras tantas possibilidades. E é deste pressuposto que devem partir os docentes, os alunos e outras entidades e individualidades da nossa sociedade, de modo a que se possa aprender mais e ganhar uma maior motivação relativamente às novas Escola Secundária de Águas Santas 10

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