Hotelaria e Desenvolvimento Local: trabalho no Ceará contemporâneo.

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1 IV Reunião Equatorial de Antropologia e XIII Reunião de Antropólogos do Norte e Nordeste 04 a 07 de agosto de 20, Fortaleza-Ceará. Grupo de Trabalho: Turismo, populações locais e meio ambiente. Sessão III Patrimônio material e imaterial, turismo em espaços urbanos Hotelaria e Desenvolvimento Local: trabalho no Ceará contemporâneo. Autor: Cairo Cézar Braga de Sousa; Universidade Estadual do Ceará. Co-autor: José Clerton de Oliveira Martins; Universidade Estadual do Ceará.

2 Hotelaria e Desenvolvimento Local: trabalho no Ceará contemporâneo. Resumo: Quando o turista resolve viajar muitos fatores são levados em consideração, como o clima da destinação turística, seus atrativos naturais, culturais, históricos, a qualidade dos seus serviços, entre outros. O turismo na contemporaneidade assumi papel de grande relevância no contexto econômico, social e natural nas destinações. No caso do Ceará, já representa, segundo a Secretaria de Turismo do Estado do Ceará-SETUR(202), 0, 8% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado.No que diz respeito a qualidade desses serviços fala-se da hotelaria, elo de grande importância na cadeia produtiva do Turismo, objeto do nosso estudo neste artigo. Essa pesquisa exploratória foi realizada na cidade de Fortaleza/Ce, e apresenta o mercado hoteleiro, com sua demanda e oferta. A pesquisa tem caráter descritivo diante da investigação proposta para o alcance do objetivo, que é descrever o mercado hoteleiro na cidade de Fortaleza nos dias de hoje, e para isso utilizouse de uma abordagem quali-quantitativa, tendo como método a utilização de dados disponibilizados pela Secretaria de Turismo do Estado do Ceará- SETUR-Ce. O sucesso almejado depende mais do que simplesmente de um ambiente natural preservado, mas também, e não isoladamente, de uma boa estratégia de promoção, infraestrutura adequada de recepção e emissão, serviços e produtos de qualidade, percepção sobre a expectativa individualizada do seu cliente, entendimento sobre o papel social individualizado na venda do produto turístico, seja ele, o natural, o tangível, o intangível, ou simplesmente mas não menos importante, da capacidade de oferecer uma experiência positivamente inesquecível. Palavras chaves: Hotelaria; demanda; oferta; Contemporaneidade.

3 Introdução. A atividade turística gera vários impactos econômicos, contribuindo com parte da produção e da renda nacional, distribuição de renda e crescimento econômico. Gerando ainda, segundo Santos e Kadota (202), Impactos econômicos em âmbitos específicos do sistema econômico, como taxa de desemprego, taxa de juros, o balanço de pagamento, a taxa de câmbio, inflação, entre outros. Como fenômeno social, ressalta Barretto (2007) o turismo abrange o mundo inteiro, do ponto de vista geográfico, e todos os grupos e camadas sociais. Isso, segundo ainda a autora, graças a internacionalização das economias e da cultura, assim como as facilidades de comunicação e transporte. O turismo gera ainda impacto em diversos outros setores da economia, o que chamamos de efeito multiplicador do turismo, que consiste, segundo Acerenza e Barretto apud Barreto (2007), em um modelo teórico de distribuição da renda de um país entre os diferentes setores da sua economia. Percebe-se com isso a importância econômica do fenômeno turístico na economia de um país. Entretanto, para que consigamos oferecer um produto e/ou destino turístico é necessário que tenhamos atenção com todos os elos que compõe a cadeia produtiva do turismo, onde, entre eles, está o objeto de estudo desse artigo: a hospedagem. Como definição para o fenômeno opta-se por utilizar-se um caráter mais holístico no processo, e adota-se a trazida por Jafari apud Beni, onde turismo é: O estudo do homem longe do seu local de residência, da indústria que satisfaz suas necessidades, e dos impactos que ambos, ele e a industria, geram sobre os ambientes físicos, econômico e sociocultural da área receptora. (Beni, 2007, pag. 7) A pesquisa tem caráter descritivo diante da investigação proposta para o alcance do objetivo, que é descrever o mercado hoteleiro na cidade de

4 Fortaleza nos dias de hoje, e para isso utilizou-se de uma abordagem quantitativa, tendo como método a utilização de dados já disponibilizados pela Secretaria de Turismo do Estado do Ceará-SETUR-Ce. O Turismo no Ceará. O Estado do Ceará apresenta um crescimento constante no que diz respeito a demanda turística no Estado, e assumi cada vez mais, papel de destaque no cenário Nacional e Internacional. A Secretaria de Turismo do Ceará- SETUR aponta um crescimento de 27,9% no aumento de turistas em relação com ao ano de 995, passando de para em 20, conforme tabela abaixo: Tabela. Demanda Turística Via Fortaleza. TOTAL NACIONAL INTERNACIONAL PARTICIPAÇÃO ANOS Turistas Índices Turistas Índices Turistas Índices (%) , , ,0 5, , , ,6 5, , , ,2 5, , , ,8 6, , , ,6 6, , , ,7 8, , ,5 72,894 45,9 0, , , ,, , , ,2 2, , , ,9 4, , , ,8, , , ,9,0

5 , , ,2 2, , , , 0, , , ,4 8, , , , 8, , , ,9 7,7 Fonte: SETUR (202) A tabela também segmenta os dados em relação a demanda de turistas nacionais e turistas estrangeiros. No que diz respeito ao turismo doméstico ou nacional, é percebido um aumento de 26, 2 % em relação ao mesmo período de tempo, e de turistas estrangeiros ou demanda internacional, verifica-se um aumento de 477, 9 %, passando de um pouco mais de 8 mil turistas em 995 para mais de 220 mil turistas em 20. Tais dados sevem de indicadores para investidores, e desenvolvimento de políticas públicas de fomento ao turismo. O turismo tem um impacto bem relevante no Produto Interno Bruto do Estado, sendo responsável por exatos 0,8% de todas a riquezas produzidas, segundo a SETUR e apresentado na tabela abaixo: Tabela. Receita Turística e Impacto sobre o PIB: 995/20. Discriminação Gasto Percapita/dia(R$) 4,25 9,84 2.Permanência Média (Dias) 2,0 0,8.Gasto Percapita(R$) 495,00.50, 4.Demanda Turística via Fortaleza Receita Turística Direta (R$ milhões) 77, Renda Gerada (R$ milhões) 505, 7.4,40

6 7. PIB (R$ milhões) Impacto Sobre do PIB (%) 4,0 0,8 Fonte SETUR (202). Percebe-se, através da tabela, que em quase todos os itens tivemos um aumento em relação ao ano de 995, somente no item permanência média em dias houve uma pequena diminuição, entretanto, pelo aumento do gasto per capto a representação no PIB aumentou em mais de 200% no intervalo de tempo, passando de 4% em 995 para 0, 8% em 20. Beni(2008) defende que a melhor maneira de se estudar o mercado turístico segmentando-o, decompondo a população em grupos homogênios, levando em consideração suas motivações, e outros fatores. Entre as vantagens da segmentação está a economia de escala para as empresas turísticas, aumento da concorrência no mercado já que se conhece a necessidade do consumidor a ser conquistado e/ou fidelizado, e favorece ainda a criação de políticas de preços e propagandas direcionadas. Quando falamos em segmentação turística, temos como principal meio para segmentar o mercado a motivação da viagem. No Ceará, quando se fala em motivação da viagem, temos dados disponível dos anos de 995 a 200, conforme tabela abaixo: Tabela. Demanda Turística Via Fortaleza segundo a motivação: 995/200. Anos Lazer Eventos Negócios Outros Total (%) 75,0 2,0 20,0,0 00, (%) 66,0 6, 24,7,2 00,0

7 (%) 8,5 5,6 0,5 0,4 00, (%) 66,7 8, 2,2 2,0 00,0 Fonte: SETUR (202). Os dados apresentados anteriormente mostram de maneira mais genérica essa segmentação, salientando que as mesmas podem apresentar subdivisões. A motivação de lazer é a mais representativa de todos, responsável por de 66, 7% dos turistas que vem ao Ceará via Fortaleza, seguida por turismo de negócios com 2,2%, turismo de eventos 8,%, e outros. O Estado do Ceará apresenta inúmeras vantagens que garantem um alta competitividade no mercado do turismo, entre eles estão a curto período de chuva, a localização geográfica, a receptividade da população, os ventos, a extensão da sua orla marítima, etc. Contextualizando historicamente a Hotelaria no Brasil. Os meios de hospedagem são, segundo Lohmann e Netto (2008) são acomodações turísticas utilizadas para pernoitar fora o seu ambiente usual de convivência. Podem ser de dois tipos: as comerciais, que cobram para que se possa usufruir da acomodação, e as não comerciais, as que não cobram. Para fins acadêmicos nos retratamos apenas ao meios de hospedagem comerciais. Campos (2005) diferencia a ocupação brasileira, no período de colonização, da ocupação Norte America. A ocupação no Brasil caracterizou-se pela vinda de homens sozinhos em busca de riqueza rápida. Com isso acredita-se que, pela visão extrativista da época, o comércio era mal organizado e os aglomerados urbanos tinham um caráter provisório. Nisso era

8 uma característica da época a hospedagem em casa de amigos e/ou famílias moradoras da região, atrasando o processo de surgimento dos meios de hospedagem. Nos aglomerados maiores, as casas religiosas começam a oferecer hospedagem a baixo custo, e surgem também, no mesmo período, as pensões. Segundo ainda Campos (2005), na metade do século XVII, aproximadamente, surge a primeira grande hospedaria, que veio abrigar a Real Academia dos Guardas-Marinha desde a chegada da família real até 89. Somente no final do século XVIII podemos dizer que o Brasil começa a desenvolver a hospedagem comercial, sendo o Estado do Rio de Janeiro o precursor desse desenvolvimento, já possuindo entre 8 e 5 casas de pastos. Somente na segunda metade do século XIX começam a ser erguidos as primeiras construções que tinham como finalidade o funcionamento como estabelecimento de hospedagem. Ressalva-se que o crescimento da hotelaria estava atrelado ao traçado das ferrovias. No recente desenvolvimento do setor hoteleiro no Brasil, alguns pesquisadores, segundo Caon (2008), apontam como marco histórico a criação dos grandes cassinos nos moldes daqueles já existentes no exterior, o que acontece em meados da década de 90, o que gerou a implantação de grandes hotéis associados a esses cassinos, principalmente nas grandes capitais e nas estâncias hidrominerais do país. Porém, alguns anos depois, exatamente em 946, com a proibição dos jogos de azar, a maioria desses hotéis fecharam suas portas juntamente com os cassinos, entendendo que muitos deles funcionavam como verdadeiros anexos. Na década seguinte, ainda segundo Caon (2008), a década de 970 caracterizou-se por um crescimento acelerado no setor hoteleiro, motivado principalmente pelo forte desenvolvimento da infraestrutura dos transportes, principalmente os aéreos e rodoviários. Outros estímulos também estiveram presentes na mesma época, como a criação de órgãos governamentais específicos, como o Instituto Brasileiro de Turismo, hoje EMBRATUR, e o

9 aumento de linhas de financiamento para o desenvolvimento do setor hoteleiro, incentivos fiscais, entre outros, o que viabilizava a implantação de diversos projetos nos segmentos de turismo e hotelaria. Essas novas políticas de crédito e atuação do governo propiciou um rápido crescimento, e possibilitou às empresas hoteleiras da época dobrar a sua capacidade, enquanto outras de origem internacional aqui também se instalaram (Caon, 2008, pag.02). Ainda na década de 70, percebe-se no país a instalação dos primeiros grandes hotéis voltados simultaneamente para o turismo de negócio e lazer. Instalam-se também grandes cadeias hoteleiras internacionais, atraída pelo mercado crescente, em ascensão e que já comportava esse tipo de empreendimento. Foi no ano de 972 que a rede Hilton inaugurou o São Paulo Hilton, marcando a mudança no sentido de uma administração profissionalizada na hotelaria brasileira. Na mesma categoria, surgem o Sheraton e o Méridien no Rio de Janeiro, enquanto grupos como a francesa Accor, a espanhola Meliá e o Club Mediterranée, no mesmo período, iniciam uma forte consolidação de suas respectivas marcas, enquanto pelo interior do país e no litoral do Nordeste surgem inúmeras construções de hotéis independentes como o Hotel Jatiúca, em Maceió. (CAON, 2008, pág. 2). Na década seguinte, o país passa por um crise econômica, o que influencia diretamente no setor hoteleiro com a queda da demanda, afastando investidores no setor, e além disso, houve o fim dos financiamentos a longo prazo e de incentivos fiscais direcionados ao setor hoteleiro. Na década de 90, devido principalmente a atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social- BNDES, com a criação de um linha de crédito direcionada a construção de novos hotéis, o pais volta a crescer nesse segmento, podendo-se visualizar muitas unidades hoteleiras surgindo em todo o território nacional. Com a estabilidade econômica no país, advinda, entre outras coisas, da implantação do Plano Real, o setor continua a crescer, surgindo ainda mais investidores. Essa década reflete um dos períodos de maior expansão da

10 oferta da indústria hoteleira (Caon, 2008, pag.0). Recolocando o país no interesse internacional. Na atualidade a hotelaria continua a assumir papel de destaque na geração de receita, emprego e renda para as regiões. Segundo dados da Associação Brasileira da Industria de Hotéis-ABIH (2008), o parque hoteleiro nacional dispõe de aproximadamente 25 mil meios de hospedagem, gerando 550 mil empregos diretos e outros 500 mil indiretos, com uma oferta média de de apartamentos em todo o país, e um faturamento médio de R$ 2 bilhões ao ano. A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo, FIPE-USP (2006), apresenta dados relevantes para a compreensão do setor hoteleiro nacional e da sua importância econômica, tendo como base a geração de efeitos multiplicadores, diretos e indiretos, produção, renda e emprego da atividade hoteleira no Brasil. A pesquisa aponta que o setor de hospedagem é responsável, direta e indiretamente, pela geração de cerca de 0,5% das riquezas do País, e 0,45% dos empregos, cerca de postos de trabalho. Independente da discrepância entre alguns valores, percebe-se a importância econômica do setor para o país, no que diz respeito a geração de renda e criação de postos de trabalho. Quantificando a Hotelaria no Ceará. No Ceará a hotelaria tem grande importância no desenvolvimento local dos municípios, sendo responsável pela geração de emprego e renda nas regiões, principalmente as regiões consideradas turísticas. É apresentado a seguir o mapeamento da oferta de meios de hospedagem no Estado do Ceará. Tabela. Oferta hoteleira nos municípios turísticos do Ceará: dezembro de 20. Região MH Uhs Leitos Região MH Uhs Leitos Fortaleza Cariri Fortaleza Assaré Ibiapaba Araripe 8 6

11 . Carnaubal 2. Croatá. Ibiapina 4. Ipú 5. Guaraciaba do Norte 6. São Benedito 7. Tianguá 8. Ubajara 9. Viçosa do Ceará Aurora 4. Barbalha 5. Campos Sales 6. Crato 7. Jardim 8. Juazeiro do Norte 9. Missão Velha 0. Nova Olinda. Santana do Cariri Litoral Oeste Maciço de Baturité Acaraú 2. Amontada. Caucaia 4. Itapajé 5. Itapipoca 6. Itarema 7. Paracuru 8. Paraipaba 9. Pentecoste 0. S. Gonçalo do Amar.. Tejuçuoca 2. Trairí. Uruburetama Aratuba 2. Baturité. Barreira 4. Guaiúba 5. Guaramiranga 6. Itapiúna 7. Maranguape 8. Mulungu 9. Pacatuba 0. Pacoti. Palmácia 2. Redenção Banabuiú 2. Canindé. Itatira 4. Pedra Branca 5. Quixadá 6. Quixeramobim 7. Senador Pompeu Litoral Leste Sertão Central Aquiraz 2. Aracati. Beberibe 4. Cascavel 5. Fortim 6. Icapuí , Litoral Extremo Oeste Barroquinha 2. Bela Cruz. Camocim 4. Cruz 5. Granja 6. Jijoca de Jericoacoara Vale do Jaguaribe Jaguaribara 2. Jaguaribe. Limoeiro do Norte 4. Morada Nova 5. Pereiro 6. Russas Vale do Salgado Cedro 2. Icó. Iguatu 4. Lavras da Mangabeira 5. Orós 6. Várzea Alegre Vale do Acaraú Massapê 2. Meruoca. Sobral Sertão dos Inhamuns Aiuaba 2. Crateús. Ipaporanga 4. Poranga Total Geral Municípios (M) 85 MH.029 Relações MH/M 2,9 UHs 67 Fonte: SETUR (202) Leitos (L) Uhs 26.4 Leitos (L) 828 UH/M 5 A tabela acima apresenta um panorama geral dos meios de hospedagem no Estado do Ceará, onde 85 municípios foram pesquisados, totalizando 029

12 meios de hospedagem, com 264 unidades habitacionais (UH s) e leitos. Para unidades habitacionais utilizaremos a definição disponível no Regulamento Geral do Meios de Hospedagem, disponível no site do Ministério do Turismo, que diz, no seu artigo 4º que uma unidade habitacional-uh é o espaço, atingível a partir das áreas principais de circulação comuns do estabelecimento, destinado a utilização pelo hospede, para o seu bem-estar, higiene e repouso. O regulamento ainda tipifica as UH s em quartos, que é a unidade habitacional constituída no mínimo, de quarto de dormir de uso exclusivo do hóspede, com local apropriado para a guarda de roupas e objetos pessoais ; em apartamento que unidade habitacional constituída, no mínimo, de quarto de dormir de uso exclusivo do hóspede, com local apropriado para a guarda de roupas e objetos pessoais, serviço de banheiro privativo ; e finalmente a suíte, que é uma unidade habitacional especial constituída de apartamento(...), acrescido de uma sala de estar. Com isso temos os três tipos de unidades habitacionais definidos pelo Regulamento Geral de Meios de Hospedagem. Fortaleza é responsável pelo maior número de meios de hospedagem ofertados, assim como também pelo maior número de unidades habitacionais e leitos disponibilizados, seguido pelos municípios do litoral oeste do Estado, com 96 meios de hospedagem, 545 unidades habitacionais, 905 leitos; e pelo litoral leste com 86 meios de hospedagem, 740 unidades habitacionais e 007 leitos. A oferta de acomodações em Fortaleza e nos litorais leste e oeste representa bem a condição das regiões como as principais receptoras de turismo no Estado. Chama ainda a atenção, nos dados apresentados pela Secretaria de Turismo do Ceará-SETUR (202), o Estado possui uma média de 2,9% de meios de hospedagem e 5 unidades habitacionais para cada município pesquisado, sendo que a média de unidades habitacionais e leitos para os meios de hospedagem é de 67 e 828 respectivamente.

13 O litoral extremo oeste e a região do Cariri aparecem do 4º e 5º lugar respectivamente na oferta de meios de hospedagem, o que demonstra a diversificação regional na oferta de equipamentos hoteleiros no Estado. Fortaleza, conforme dados apresentados pela Secretaria de Turismo do Estado-SETUR-Ce, apresenta um número considerável de meios de hospedagem e oferta de unidades habitacionais e leitos. Mercado hoteleiro em Fortaleza Coriolano (2007, pag.2) expõe os meios de hospedagem como tendo grande importância na oferta de um lugar como produto turístico. Em Fortaleza esse meios de hospedagem também assumem papel de destaque na construção da cidade como um produto turístico. A oferta turística de Fortaleza é apresentada com dados retirados da Secretaria de Turismo do Estado do Ceará. Tabela. Oferta hoteleira de Fortaleza Anos Hotéis Pousadas Flats Albergues Rede Hoteleira MH UHs Leitos MH UHs Leitos MH UHs Leitos MH UHs Leitos MH UHs Leitos Fonte: SETUR (202) Tendo como referência os anos de 2000 à 20 e as tipologias dos meios de hospedagem: Hotéis, Pousadas, Flats e Albergues, a tabela nos remete ao aumento na oferta de hotéis de albergues na cidade de Fortaleza, passando

14 de 88 para 99, e de para 06 respectivamente. Apresenta-se ainda uma diminuição na oferta de pousadas e flats, passando de 99 para 72 pousadas, e de 27 para 2 flats. No contexto geral da oferta hoteleira percebemos uma diminuição de 5 meios de hospedagem no período, antes ofertando 25 e no ano de 20, apenas 200. Apesar dessa diminuição na oferta no número de meios de hospedagem temos um aumento no número de unidades habitacionais- UH s e de leitos. Esse aumento nas unidades habitacionais e leitos deve-se ao aumento do número de hotéis que na sua estrutura dispõe de uma maior oferta de quarto, normalmente, em relação aos outros meios de hospedagem. A tabela a seguir apresenta dados referentes a demanda turística e a Oferta hoteleira mensal na cidade de Fortaleza, tendo como anos de referencia 200 e 20. Tabela. Demanda turística e oferta hoteleira mensal de fortaleza 200/20 Meses Demanda e Oferta Hoteleira de Fortaleza Demanda Turística via Fortaleza Desembarques Passageiros Demanda Hoteleira Oferta de UHs Taxa Ocupação (%) Var (%) Var (%) Var (%) Var (%) Var (%) Jan , ,2 8,6 84,5, , ,9 Fev , ,9 66,5 67,7, , , Mar , , 6, 6,6 0, , ,9 Abr , ,2 5,2 60,5, , ,5 Mai , , 5, 54,2 6, , ,9 Jun , , 56,9 58,7, , ,0 Jul , ,0 79, 8,2 2, , , Ago , , 64,9 66,, , ,8 Set , , 69,5 69,8 0, , ,6 Out , ,4 70,8 7,0 0, , ,2 Nov , ,4 69,5 69,0-0, , ,8

15 Dez , ,4 68,8 65,2-5, , ,9 Total , ,2 66,4 67,6, , ,4 Fonte: SETUR (202) Em relação à demanda hoteleiro tivemos em 20, pessoas que ficaram hospedados em meios de hospedagem na cidade, apresentando um aumento de 6,9% em relação ao mesmo período de 200, onde o número foi Já quando falamos em oferta de unidades habitacionais em 20 tivemos uma média 0.556, número também superior, em 0,2%, ao ano de 200 onde a média foi 0.59 unidades habitacionais disponibilizadas. Em relação a Taxa de ocupação hoteleira em Fortaleza, o ano de 20 apresentou um percentual de 67,6%, superior em,8% ao mesmo período de 200, onde esse percentual foi de 66,4%. Em ambos os anos, as maiores médias na taxa de ocupação aconteceram nos meses de janeiro e julho, respectivamente, assim como a menor foi no mês de maio também em ambos os anos. Considerações Finais. O turismo no Ceará está em constante crescimento em busca da sua consolidação como destinação turística, seja no turismo doméstico, seja no turismo internacional, com isso Fortaleza, principal portal de entrada do estado assume papel de destaque nesse processo de consolidação. O turismo já é responsável por 0,8 % do de todas as riquezas produzidas no Estado, ou seja, pelo seu Produto Interno Bruto-PIB, devendo, diante disso ser visto como oportunidade de desenvolvimento local, geração de renda e emprego para a região. Apesar dos números expressivo em relação a hotelaria em Fortaleza devemos estar atentos a outros fatores que contribuem para a consolidação da cidade como destino turístico. Parafraseando Aguiar; Martins; Cardoso (200), aspectos como a hospitalidade, no seu sentido amplo, devem se levados em

16 consideração para que a má qualidade do desempenho das pessoas e/ou das organizações, e consequente percepção de má qualidade pelo hospede/turista não aconteça. O sucesso almejado depende mais do que simplesmente de um ambiente natural preservado, mas também, e não isoladamente, de uma boa estratégia de promoção, infraestrutura adequada de recepção e emissão, serviços e produtos de qualidade, percepção sobre a expectativa individualizada do seu cliente, entendimento sobre o papel social individualizado na venda do produto turístico, seja ele, o natural, o tangível, o intangível, ou simplesmente, mas não menos importante da capacidade de oferecer uma experiência positivamente inesquecível. Referencias bibliográficas. BENI, Mário Carlos. Análise estrutural do Turismo. São Paulo: Editora Senac São Paulo, CAMPOS, José Ruy Veloso. Introdução ao universo da hospitalidade. Campinas, São Paulo: Papirus, ( Série hospitalidade). CAON, Mauro. Gestão estratégica de serviços de hotelaria. São Paulo: editora Atlas, LOHMANN, Guilherme, NETTO, Alexandre Panosso. Teoria do Turismo: conceitos, modelos e sistemas. São Paulo: Aleph, (Série Turismo). NETTO, Alexandre Panosso & TRIGO, Luiz Gonzaga Godói. Cenários do turismo brasileiro. São Paulo: Aleph, VIERA, Elenara Viera de. Qualidade em serviços hoteleiros: a satisfação do cliente é função de todos. Caxias do Sul, RS: Educs: Santos, Glauber Eduardo de oliveira; Kadota, Décio katsushigue. Economia do Turismo. São Paulo: Aleph, 202. Série Turismo.

17 Aguiar, Maria de Fátima; Martins, José Clerton de Oliveira; Cardoso, Gleudson Passos. Reflexões sobre a hospitalidade no Contexto Turístico.Turismo: Visão e Ação. Volume 5-nº 0. Set/ Sites pesquisados ( acesso em 06/0/20) ( acesso em 06/0/20) ( acesso em 06/0/20)

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