para controle da mastite e melhora da qualidade do leite

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1 Björn Qvarfordt Técnico habilitado realizando manutenção preventiva no equipamento de ordenha Medidas práticas para controle da mastite e melhora da qualidade do leite Por: Renata Travaglini Gonçalves especialista em qualidade do leite (De Laval) 24_Animal Business-Brasil

2 Produzir leite de qualidade é desejo tanto dos produtores quanto dos laticínios pois resulta em maior rendimento dos derivados lácteos e mais lucro por litro de leite produzido. A origem do leite deve ser de animais saudáveis e a qualidade deve ser preservada da ordenha na fazenda ao beneficiamento no laticínio. Obtendo um leite de qualidade e garantindo sua manutenção na ordenha e armazenamento na fazenda, preservamos boa parte da qualidade da matéria-prima que chegará à mesa do consumidor. Os três pilares A qualidade do leite produzido é avaliada por três pilares: a Contagem de Células Somáticas - CCS; a Contagem Bacteriana Total - CBT; e o teor de sólidos do leite. É considerado de qualidade alta um leite com baixos índices de CCS e CBT, com alto teor de sólidos. Desta forma, para obter baixos os índices de CCS e CBT devemos manter animais saudáveis no rebanho, garantir a retirada do leite de forma higiênica e a manutenção da sua qualidade pelo resfriamento imediato após ordenha. Inclusive temos em vigor a Instrução Normativa IN-62 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, MAPA, que determina os limites máximos aceitáveis desses índices de qualidade para cada região do Brasil. Controle na fazenda Para garantir a qualidade do leite, é necessário estabelecer alguns pontos de controle na fazenda, tais como: controle efetivo da mastite no rebanho; implementar boas práticas de ordenha; assegurar a manutenção preventiva e a limpeza correta dos equipamentos e tanque; e garantir o resfriamento adequado do leite. Mastite A mastite é uma doença multifatorial que causa os maiores prejuízos à produção de leite. Seu controle tem como objetivo a eliminação de infecções do rebanho, devendo ser feito de diferentes formas: por tratamento da vaca seca; descarte de animais crônicos; identificação e tratamento imediato de casos clínicos; e redução de novas infecções. A prevenção de novos casos de mastite é fundamental para a qualidade do leite e através da adoção de manejo de ordenha adequado e manutenção dos equipamentos já é possível evitar novas infecções da glândula mamária das vacas. Além destas medidas, deve-se atentar também para a redução da entrada de vacas com mastite contagiosa na fazenda, adotando medidas de biossegurança, para evitar que os novos animais sejam fontes de infecção para o restante do rebanho. Biossegurança A adoção de medidas de biossegurança irá reduzir o risco de entrada de agentes causadores de mastite em rebanhos livres do problema ou reduzir sua disseminação entre as vacas. Assim, a introdução de novos animais para aumento ou reposição do plantel exige alguns cuidados, como avaliação quanto à ocorrência de doenças infecciosas mais comuns na região, solicitação ao vendedor de comprovação de vacinações, registros de ocorrência de doenças e tratamentos, ou a colocação dos novos animais em quarentena, a fim de evitar a introdução destes novos agentes que poderão causar surtos de mastite no rebanho. Para implementar as boas práticas de ordenha e ter sucesso é preciso antes de tudo orientar os ordenhadores, explicando seu papel chave na manutenção da qualidade do leite. O principio básico de uma ordenha eficiente é ordenhar tetos limpos e secos. Além disso, a adoção de uma rotina eficiente possibilita a identificação de infecções existentes e prevenção de novos casos de mastite. Durante a ordenha, é preciso seguir alguns passos: teste da caneca; pré-dip; secagem dos tetos; colocação e retirada correta dos conjuntos de ordenha e pós-dip. O teste da caneca possibilita a identificação de casos de mastite clínica, alertando para a anotação e controle destes casos e tratamento destes animais com orientação do médico veterinário. Animal Business-Brasil_25

3 para a ordenha. O tempo e o estímulo são fundamentais para a ordenha completa do leite aproveitando o pico de oxitocina. A oxitocina, hormônio que estimula a liberação do leite, só age em animais livres de estresse e por um período de tempo, em torno de seis a oito minutos. Assim, os animais devem ser conduzidos de forma tranquila para a ordenha e bem estimulados através da realização do teste da caneca, do pré-dip, e da secagem dos tetos, que são pontos que auxiliam na estimulação dos animais. Björn Qvarfordt Realização de teste da caneca durante rotina de ordenha A realização do pré-dip permite ordenhar tetos limpos e desinfetados, eliminando as bactérias presentes nos tetos e prevenindo novos casos de mastite ambiental. Além disto, auxilia na redução da contagem bacteriana do tanque de resfriamento e auxilia na estimulação dos animais para a ordenha. A secagem dos tetos e a colocação dos conjuntos de ordenha de forma apropriada evita deslizamentos de teteiras, entrada de ar, perda de vácuo, diminuição da eficiência de ordenha e lesões aos tetos das vacas. A correta retirada dos conjuntos evita sobreordenha e lesões ao teto. O pós-dip é apontado como a medida isolada mais importante no controle da mastite contagiosa. Tempo & estímulo Além de seguir os passos da rotina de ordenha, é preciso atentar para o tempo que estes animais esperam para serem ordenhados e se estão bem estimulados e tranquilos Filtração Como parte da rotina é de extrema importância o uso de filtros de leite de qualidade e a troca ao final de cada ordenha. Os filtros de leite devem ser específicos para o equipamento e certificados para uso em contato com o leite. A filtragem do leite maximiza sua qualidade e valor, além de proteger o equipamento de ordenha e o tanque de resfriamento contra partículas estranhas. Refletindo em mais qualidade do leite e maior rentabilidade ao produtor. Além disso, o filtro pode ser um ótimo termômetro de como está a rotina pré-ordenha. Se estiver muito sujo ou com grumos, pus ou filete de sangue, indica que o teste da caneca, para detecção de casos clínicos de mastite, e que o pré-dip, para higienização dos tetos, não estão sendo realizados de maneira apropriada. Manutenção do equipamento Para ordenha completa e eficiente, e ainda para manutenção da saúde dos tetos dos animais, é fundamental que o equipamento esteja funcionando adequadamente. Além da manutenção preventiva e periódica, devemos atentar para a higienização completa dos equipamentos e tanques de ordenha. Por isso, é muito importante a realização das revisões preventivas conforme recomendação do fabricante. Algumas partes do equipamento, tais como as teteiras, estão em contato direto com a vaca, por isso devem ser trocadas a cada ordenhas ou seis meses, o que vier primeiro, para prevenir mastite e prejuízos à saúde dos tetos dos animais. Para uma manutenção preventiva eficiente, é necessária tanto a substituição das peças sobre- 26_Animal Business-Brasil

4 É muito importante a realização das revisões preventivas do equipamento, conforme as recomendações do fabricante -usadas por peças novas e originais, como também a aferição do desempenho do equipamento, com ferramentas específicas que seguem parâmetros internacionais, lembrando que somente um técnico habilitado e treinado pela empresa fabricante terá capacidade de regular o equipamento de ordenha adequadamente. Higienização Além das revisões periódicas, o equipamento e tanque precisam ser higienizados corretamente. A higienização deve ser feita imediatamente após a ordenha ou retirada de leite do tanque, e compreende uma série de etapas para remoção completa dos resíduos de leite e o controle da multiplicação bacteriana. Para a limpeza adequada aconselha-se o uso de detergentes apropriados e de qualidade. Eles irão garantir a higienização sem agredir as partes e peças do equipamento. Importante ressaltar que não só o detergente é responsável pela eficiência de limpeza. Outros fatores são igualmente importantes, como a água em quantidade suficiente e qualidade - a água para limpeza deve ser potável; o tempo de circulação e a temperatura das soluções de limpeza; a ação mecânica seja pela turbulência na limpeza de equipamentos canalizados ou por meio da escovação na limpeza manual; a ação química dos detergentes; e a realização A limpeza e a higienização precisam ser feitas por pessoal treinado e com equipamento e produtos adequados. DeLaval Animal Business-Brasil_27

5 Após cada etapa da limpeza o equipamento deve ser bem drenado para a remoção de toda a solução (produtos) da tubulação. Björn Qvarfordt Os recursos da informática são cada vez mais usados para produzir leite de qualidade. das etapas completas para remoção de todos os resíduos do leite. Para iniciar a limpeza é preciso enxaguar com água morna, em torno dos 45 C, sem circular, até que esta água residual saia com aspecto límpido do equipamento. Em seguida é preciso preparar uma solução com detergente alcalino clorado, em temperatura em torno dos 75 C, e circular por dez minutos, sendo que a temperatura de saída da solução deve estar acima dos 40 C. Esta etapa irá remover os resíduos de gordura e proteína do leite que ficaram aderidos na superfície do equipamento. A temperatura de entrada e saída da solução é muito importante, pois garante a solubilização da gordura e assim a eficiência da limpeza. O terceiro passo é um enxágue, sem circular, com água em temperatura ambiente, capaz de remover qualquer resíduo de detergente da etapa anterior. Na sequência deve-se realizar a etapa de limpeza ácida, com solução preparada com detergente ácido e água em temperatura ambiente. Circular esta solução por 10 minutos antes de descartá-la. Após a circulação da solução de detergente ácido não é preciso enxaguar. Assim o ph da tubulação fica mais ácido, o que inibe a multiplicação bacteriana. A etapa ácida deve ser feita em toda limpeza para remoção pontual dos resíduos de mineral do leite que ficaram aderidos na tubulação, evitando a formação de pedra no leite. Antes da próxima ordenha recomenda-se a realização da sanitização com sanitizante específico para ordenha. Esta medida auxilia na redução da contagem bacteriana total do leite do tanque. Lembrando que após cada etapa de limpeza o equipamento deve ser bem drenado para remoção de toda a solução da tubulação e partes do equipamento. Além disso, o equipamento deve estar bem regulado para garantir a eficiência da limpeza. Melhorar a qualidade do leite é sempre um desafio, é preciso mapear os problemas, identificar os pontos de melhoria, encontrar as soluções que melhor se adéquam à realidade da fazenda e conscientizar produtores, ordenhadores e todos envolvidos na produção de leite para colocá-las em prática. Desta forma, todos na cadeia leiteira se beneficiam desde o produtor ao consumidor. Adotando medidas de biossegurança, ordenhando animais saudáveis através de uma rotina eficaz, com equipamento bem mantido e higienizado, garantimos a manutenção da qualidade do leite, a produtividade e a rentabilidade ao produtor, o alto rendimento de derivados lácteos ao laticínio e o padrão de qualidade para o consumidor. 28_Animal Business-Brasil

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