ISSN Trabalho no Governo Lula: avanços e contradições José Dari Krein Anselmo Luis dos Santos Bartira Tardelli Nunes Fev.

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1 ISSN Trabalho no 201 avanços José e Dari contradições Governo Krein Lula: Anselmo Bartira Tardelli Luis dos Nunes Santos Fev. 2012

2 Trabalho avanços no e contradições Governo Lula: Anselmo Bartira Luis José Tardelli dos Dari Santos Nunes Krein 123 Resumo O Governo relações após presente artigo faz uma análise das principais mudanças institucionais ocorridas nas relações de trabalho no foram Lula. Parte-se da hipótese de que tese hegemônica existente nos anos 1990 de flexibilização melhorias de trabalho foi perdendo força com a melhora dos indicadores do mercado de trabalho, especialmente mercado Muitas medidas pontuais, tanto no sentido flexibilização como regulação pública do trabalho, trabalho, introduzidas, sem que realizasse uma reforma trabalhista substantiva nos anos Apesar das privilegiando na estrutura ocupacional e nos rendimentos, vários aspectos característicos da flexibilidade 1990; de trabalho históricos e introduzidos a partir dos anos 1990, implicações na regulação social do que ainda persistem realidade brasileira. A análise no sentido defender essa perspectiva é feita flexibilização, três aspectos complementares, tratados em diferentes seções: 1) o debate teórico advindo dos anos Palavras são 2) contra o chave: levantamento mas a Flexibilização; flexibilização; por outros das medidas fatores. 3) Reforma a melhora institucionais trabalhista; indicadores do Governo Governo do Lula; Lula, mercado Mercado divididas de trabalho, de entre trabalho. as que que não são é favoráveis explicada pela e as This hypothesis Abstrat Labour in the Lula Government: progress and contradictions flexibilization paper analyzes the main institutional changes labor relations in the Lula government. It starts with the that the existing hegemonic theory the 1990 of labor relations flexibility was losing strength with labor improvement in labor market indicators, especially after Many points measures, both in the sense remain and labour public regulation are introduced, without its realization of a substantive labor reform in complementary 2000s. Despite improvements the occupational structure and income, several characteristics aspects of survey market flexibility - historical and introduced from the 1990s - with implications for labour regulation, still that in the Brazilian reality. The analysis order to defend this approach made focusing three flexibilizations, aspects, treated in different sections: 1) the theoretical debate arising from Nineties years 2) a Keywords: are of against the Flexibilization; institutional but flexibility, by other arrangements Labour factors. 3) the reform; improvement of Lula s the Lula Governement; in government, labor market Labour divided indicators, market. between which those is that not are explained favorable by and the do de Estudos Centro (2) (1) Social e do Trabalho, Professor do de da Unicamp, Diretor e Pesquisador (3) de Sindicais Economista, Doutor Estudos em e Sindicais de Economia, graduada e de pelo Professor Economia do Trabalho Instituto do do de Instituto (Cesit), Trabalho Economia de (Cesit), Economia do Instituto da Unicamp, de Economia Diretor-adjunto da Unicamp. e Pesquisador Centro Texto do Instituto para da Unicamp. Discussão. de Economia IE/UNICAMP, da Unicamp. Campinas, n. 201, fev

3 Introdução José Dari Krein / Anselmo Luis dos Santos / Bartira Tardelli Nunes trabalho teria Na plataforma de governo do candidato Lula, em 2002, aparecem três propostas na de área um da a função regulação diálogo para 40 de redesenhar horas tripartite do trabalho: semanais; entre o sistema 1) valorização os 3) criação agentes de organização do sociais Fórum salário sindical (empregadores Nacional mínimo; e trabalhista 2) redução Trabalho e trabalhadores) no da país, (FNT), jornada a partir que de e implementada representantes do Estado. incorporando As outras A duas política a a inflação propostas, partir de valorização passada, de apesar acrescida de Ela do iniciativas estabelece salário do desempenho governamentais, mínimo um modo foi a PIB de única não elevação de tiveram dois das anos três do seu anteriores. resultados propostas valor, aprovada esperados. Em relação à jornada, houve, em 2009, um compromisso do Executivo Federal, votada junto projeto às de centrais na lei Comissão estabelecendo sindicais, Trabalho de a encaminhar jornada Câmara máxima para dos a em deputados, apreciação 40 horas mas do semanais. Congresso não tem previsão A Nacional redução de um ser foi reforma no O sindical plenário Fórum e foi não e no instalado avançou Senado em Federal. na 2003 proposição e concentrou-se de uma reforma na elaboração trabalhista. de O uma FNT proposta chegou de a sindicais encaminhar, como resultado de suas discussões, um Projeto Emenda Constitucional e um inviabilizou Projeto Lei, que está parado desde 2005 no Congresso Nacional. O nível de dissenso foi resultou, muito grande, entre e pela a fazendo sua outros equipe tramitação aspectos, com de que coordenação no a Congresso proposta lei de do reconhecimento final Nacional. Ministério fosse defendida A do articulação das Trabalho centrais, por somente em e com Emprego, torno duas o repasse do centrais Fórum o que de na parte texto. uma situação da Outras contribuição portarias existente, sindical do incorporando MTE obrigatória foram as promulgadas, centrais a elas, e o as que que confederações não foram é objeto na perspectiva paralelas de análise (não-oficiais) de no legitimar presente decorrer estrutura legal. Atualmente, o tema da reforma sindical está fora agenda política. contraditórios desde os Apesar anos dos em das anos relação duas Ou de seja, proposições à mandato há flexibilização medidas do não que presidente terem fortalecem direitos, sido Lula. efetivadas, a que tese Alterações da a flexibilização mudanças tendência que indicam ocorreram predominante e outras sinais que no que tendem presente melhora a reforçar a perspectiva de ampliar a regulação pública do trabalho. Na hipótese redefinir tímida, dos texto, Texto para Discussão. o papel ocorrida indicadores a tese do da flexibilização, mercado de por trabalho, meio da e alteração houve uma legal, certa foi inflexão perdendo política, força ainda IE/UNICAMP, Estado, a partir o da crise do mensalão e da eleição de 2006, que começa a Campinas, que fica n. mais 201, evidente fev nas respostas à crise de 2008/2009. A 2

4 elevação Trabalho no Governo Lula: avanços e contradições contratação agenda flexibilizadora da taxa rotatividade, continua persistindo o aumento e avançando da jornada em de alguns trabalho, aspectos, a ampliação tais como a legais, atípica e o avanço remuneração variável. coletiva das A determinação regulação social do trabalho não ocorre somente por mudanças trabalhadores. pois existem outros dois espaços de normatização a serem considerados: negociação contexto relações e poder discricionário trabalho, especialmente empregador de um estabelecer mercado de forma trabalho unilateral desfavorável os aspectos aos agenda Apesar de considerar que importantes mudanças ocorreram pela alteração do foi artigo é fazer de organização um balanço econômico da lógica das e do mudanças trabalho legais nos últimos e institucionais. anos, o enfoque A hipótese do presente é que a teórico, O flexibilizadora, no âmbito legislativo e das políticas, continuou muito presente, mas levassem perdendo espaço no segundo mandato do presidente Lula e especialmente na crise. mudanças artigo está estruturado da seguinte forma. Na primeira parte, a partir do referencial medidas pretende-se mostrar que houve uma tendência predominante de proposições que trabalho. à flexibilização do mercado de trabalho a partir dos anos 90. As principais legislativas no Na e efetivadas período iniciativas segunda ( ) após parte, reforçavam 2003 a é partir que a essa ampliação reafirmam desse tese. Portanto, referencial, ou e não as que da a referência flexibilização identificam-se contrapõe para das a a as tendência relações análise mudanças das de economia. flexibilização. vai Na perdendo terceira, será força feita nos uma anos análise, recentes, buscando com a explorar melhora a dos hipótese indicadores de que do a 1 mercado de trabalho e com uma certa redefinição papel do Estado na condução da ganharam As posições teóricas sobre a regulação do trabalho existência correntes, No expressão de contexto altas taxas para da década explicar desemprego os 1990, problemas novas e de informalidade do teses mercado no campo de e trabalho da os regulação baixos brasileiro, salários. do trabalho como Duas a composição relações (legislação com perspectivas distintas, advogam a necessidade de uma flexibilização das preponderante trabalhistas, desregulamentando o arcabouço de proteção assegurado pelo Estado descentralizada e papel das instituições públicas) fortalecendo um processo de auto- idéia dos conflitos da relação entre capital e trabalho, definindo um papel mais verdade, é a às no de negociações âmbito que o enfraquecimento da empresa. coletivas, Uma que da terceira regulação preferencialmente vertente pública é de do devem crítica trabalho às ocorrer anteriores, significaria, de forma cuja na Texto do uma maior precarização do mercado trabalho brasileiro. um Estado padrão Cabe para Discussão. e da previamente enfatizar negociação que a desregulamentação é compreendida como um enfraquecimento IE/UNICAMP, existente coletiva Campinas, na n. normatização 201, regulação fev pública das relações do mercado de trabalho, de fragilizando trabalho e 3

5 fortalecendo empregador José Dari Krein / Anselmo Luis dos Santos / Bartira Tardelli Nunes contratação uma regulação privada, nos âmbitos do mercado e do poder discricionário do visam de estabelecer de forma discricionária e unilateral as condições uso, por instituições e remuneração do trabalho. É um processo que não se limita à redefinição das dos anos utilizar a dar 90 o públicas (Galvão, um termo caráter flexibilização ou 2007; mais à eliminação Nunes, flexível 2010). para de às relações leis, caracterizar mas de também trabalho as tendências envolve e, assim, a predominantes criação ganha força novas, a opção partir que desregulamentação do flexibilização Há três meios pelos quais tal flexibilização das relações de trabalho pode ocorrer. A flexibilização heterônoma realiza-se pela via da intervenção do Estado, através incluir e/ou da criação de leis, que levam à ampliação da margem de liberdade a empregador em determinar as condições de manejo da força de trabalho. Já a unilateral, manutenção a contraprestação pela do denominada parte número empregadora, de alguma postos autônoma de garantia, de trabalho. regras ocorre por mais E parte através a terceira flexíveis, da empresa, de forma negociação e ocorre aos diz respeito trabalhadores, normalmente coletiva, à imposição e como pode em 2000, contexto desfavorável aos trabalhadores (Krein, 2007). contrapor Desse modo, o presente artigo busca analisar alterações legais ocorridas nos evidenciando tendo à tendência como critério de flexibilização a referência que se as começa medidas a ganhar contribuíram expressão para a fortalecer partir dos ou anos 1.1 As Na posições terceira mudanças parte no do mercado texto de será trabalho retomada e no a papel discussão do Estado. para discutir a hipótese, As posições pró são flexibilização baseadas em no pressupostos debate brasileiro distintos, dos anos tendem a responsabilizar a caráter regulação existente no mercado de trabalho pelos seus problemas, e resvalam para uma Zylberstajn, concepção definidores nitidamente em das entre que características outros, os ajustado incentivos e aos existentes encontra preceitos para no respaldo comportamentos mercado neoliberalismo nas de posições trabalho. dos é das indivíduos A expressa primeira principais por racionais posição, Pastore entidades com são e trabalho, Mundial institucionalidade empresariais e a OMC. partir do país existente da A e segunda, de visão importantes no de país com que como organismos bases há uma responsável teóricas flexibilidade multilaterais, novo-keynesianos, pelos problemas perversa tais como para do aponta o FMI, mercado ganhos para Banco de a mercado produtividade. Na primeira posição, a questão central é a excessiva regulação estatal, que engessa o mercado Texto para (4) (s) de Discussão. Curiosamente, de trabalho trabalho Brasileiro e inibe a negociação entre empregados e empregadores, não IE/UNICAMP, duas (Pastore, posições Campinas, 1994; apresentam Camargo; n. 201, a edição Amadeo, fev ). livros com títulos muito parecidos: flexibilização do(s) 4

6 Trabalho no Governo Lula: avanços e contradições remuneração, especificidades rigidez permitindo, se dá assim, em a das dois contratação que diferentes sentidos. esses e a regiões, ajustem despedida, setores os aspectos aos e movimentos empresas. das relações A instáveis explicação de da trabalho, economia de tal como elevada e às a produção detalhismo, direta O primeiro pontua que a legislação trabalhista seria dotada de um excessivo informalidade entre das o as empresas que, partes e por de praticamente desemprego. reflexo, às variações tornaria impossível, da O segundo demanda, a contratação argumento além forçando formal de tornar é muito relativo direção mais onerosa do aos lenta aumento encargos a e adaptação a negociação das sociais, taxas da que seriam muito altos e rígidos, devido ao fato de suas alíquotas serem compulsórias, empresas, determinadas em lei, e, portanto, inegociáveis. Assim, encargos pouco flexíveis e de grande Esse magnitude competição não permitiriam interna e internacional às empresas e, fazer ao rápidos representarem ajustes um às novas custo e muito instáveis elevado condições para trabalho. enquanto sistema juntamente significariam, rígido à de baixa por contratação outro produtividade lado, e conseqüentes remuneração do trabalho baixos no dificultaria Brasil salários elevaria a para contratação o os custo trabalhadores. unitário formal, legislações essa corrente, A solução trabalhista seria para a e da os previdenciária, flexibilização problemas de já dos nosso que contratos essa mercado medida de de trabalho, é vista como buscando então condição apresentada simplificar necessária por as que para de formal empregos, se aumentar baseie de trabalho. ao na a produtividade desobstruir negociação Defende os o direta estímulo e canais a competitividade entre de a trabalhadores entrada uma forma e das reentrada de empresas, e regulação empregadores dos trabalhadores e das para relações dentro fomentar das no de a mercado próprias trabalho criação exercida firmas, com base na cooperação entre essas duas categorias, devendo o papel do Estado dos de Justiça apenas do por assegurar Trabalho meio da o na conciliação funcionamento resolução ou de arbitragem conflitos do mercado. entre privada, E as também partes, com se o passando objetivo reduziria de essa a que interferência função a resolução a ser da que conflitos internos ocorra de forma mais rápida e eficiente. de partindo o problema A segunda central visão do teórica, mercado expressa de trabalho por Amadeo, brasileiro Camargo não é relativo e Urani à geração (1996), de defende postos vínculos para trabalho, mas é sim um problema relacionado à contratação de mão-de-obra. Busca, desses. dessa idéia, mostrar como há, no Brasil, uma institucionalidade que cria incentivos acabam a Assim, celebração Texto para sendo entre Discussão. caracterizados empresas apesar de contratos e país trabalhadores, de trabalho não estimularia curto prazo; grandes o que, gastos ao com acarretar o treinamento poucos IE/UNICAMP, por conseguir Campinas, apresentarem criar grande quantidade de postos de trabalho, esses n. 201, fev. baixa produtividade e reduzidos salários. 5

7 José Dari Krein / Anselmo Luis dos Santos / Bartira Tardelli Nunes seria historicamente Ao contrário flexível da posição tanto anterior, em relação acredita-se ao salário que o real, mercado também de trabalho tem brasileiro baixo nível já previdência médio, eles com quanto ao emprego. A flexibilidade quanto ao salário real é devida ao fato de que nominal variam acompanhando as conjunturas econômicas. Isso porque os custos não-salariais emprego a mão-de-obra, como, por exemplo, o tempo não trabalhado e a contribuição à existência social, e que são calculados como sendo de aproximadamente 90% do salário desemprego dos de refere e trabalhadores, alto pela índice alta à admissão taxa de variam de rotatividade criação e demissão proporcionalmente da empregos mão-de-obra, trabalhadores, observados a ele. com E que a no relativamente flexibilidade pode Brasil. ser evidenciada em baixa relação taxa pela ao de firmas regulação E tais características seriam conseqüência tanto fato de os custos de demissão e (FGTS) admissão serem baixos quanto do modo como estão organizadas as instituições de mercado de trabalho, que não estimulam a criação de fortes vínculos unindo a demissão gratificações e gerariam empregados. para pela receber incentivos despedida. O seguro-desemprego ganho a contratos Esses no presente, elementos trabalho e o ainda Fundo podem mais curto de fazer se Garantia prazo, a com economia pois que por o representam Tempo e trabalhador a taxa de de Serviço criação formas deseje conjunto de empregos estiverem em fase crescimento acelerado. atores incentivaria, A base de tal argumentação é a premissa de que o sistema de regulação significa um agentes de regras que, através de incentivos e penalidades, induz certo comportamento nos ganhos. envolvidos. racionais desse que A modo, institucionalidade escolhem os trabalhadores entre diferentes existente a forçarem alternativas no País a demissão para visando regular em à tal o maximização mercado contexto, de já trabalho que de seus são necessidade um existente, De acordo com essa vertente, a flexibilidade existente é inadequada, frente à profissional, fator negativo: seriam, de o aumento que em dado reflete média, da que em competitividade os de baixos contratos curto salários prazo, de das trabalho, para empresas há pouco os estimulados trabalhadores no incentivo país, e pela decorre e para problemas institucionalidade a dessa qualificação situação para o institucionalidade aumento produtividade das empresas. construção efetivação A proposta apresentada como solução, então, é a da desregulamentação da lócus existente, por meio da criação de mecanismos que conseguissem induzir à das de um vínculo mais duradouro entre empregadores e empregados, com a Texto deveriam próprias negociação para Discussão. ser, de firmas, destarte, contratos entre através de trabalhadores trabalho de longo e empregadores, prazo. Defende-se, da Justiça também, do Trabalho a transferência para o nível do IE/UNICAMP, internalizados de contratos Campinas, e coletivos. Os mecanismos de solução de conflitos n. a Justiça 201, fev Trabalho esvaziada. 6

8 Trabalho no Governo Lula: avanços e contradições novo-keynesiana Dessa forma, essas propostas para a resolução dos problemas estruturais do mercado apontar de trabalho, como o baixo nível salarial e as pequenas taxas de produtividade, seguem uma trabalho. linha de estruturação acaba diferente por se da aproximar realizada da por visão Pastore, neoliberal, mas, na exposta verdade, primeiramente, a vertente de base ao 1.2 A posição na direção da desregulamentação do mercado e da flexibilização das relações de Da terceira crítica vertente, no debate crítica da década às idéias de 1990 anteriores, fazem parte pensamentos detrimento expressos, por exemplo, por Galvão (2007), Krein (2007), Uriarte (2001), Cardoso Jr (2007) no e flexibilização, Santos mercado (2006). da de regulação trabalho. entendida Apesar de pública como centrarem das o fortalecimento relações suas análises de trabalho, em da aspectos auto-regulação gera precariedade diferentes, pelo mostram e mercado insegurança que em a as prática esperavam, medidas desde Suas principalmente aqui análises a década efetivadas partem de 1980 em fracassaram da relação nos percepção países ao de em centrais, de elevar seus que não o as objetivos nível medidas obtiveram de emprego. de de corrigir os flexibilização, resultados E também problemas que postas no delas Brasil, em do se contrário desemprego e da informalidade. trabalhista que Para essa vertente crítica, o mercado de trabalho brasileiro não seria rígido, ao acordo do que argumenta Pastore (1994). Apesar existência de uma extensa legislação contratação as empresas com que assegura sempre mudanças diversos tiveram na conjuntura liberdade direitos, a para peculiaridade econômica. fazer ajustes A de nosso remuneração, nas relações sistema de de as emprego, regulação formas de é que tempo podem e a definição das funções são flexíveis, há grande facilidade em despedir e o verdade, parte de ser trabalho direitos expressiva absolutizados trabalhistas apresenta que para relativa é observar classificado (tais flexibilidade. como o custo como férias, total encargos E, décimo por do outro trabalho. sociais terceiro lado, por Santos salário Pastore encargos (2006) e o (1997) sociais Fundo considera é, não na pautaria Garantia por Tempo de Serviço). trabalho, vinculados Portanto, nesses durante aspectos. a a explicação década O aumento de para 1990 os do problemas e início desemprego dos mercado anos e a desorganização 2000, trabalho na verdade brasileiro mercado estariam não de se do contexto ajustes Texto desemprego, realizados à baixo dinâmica macroeconômica desfavorável observada no período. Em para Discussão. da na crescimento da demanda, e reestruturação produtiva das empresas, os IE/UNICAMP, queda economia dos brasileira penalizaram os trabalhadores, através do aumento Campinas, seus rendimentos n. 201, fev e da maior insegurança que trouxeram ao 7

9 José Dari Krein / Anselmo Luis dos Santos / Bartira Tardelli Nunes de e mercado previdenciários, relações trabalho. emprego como Houve disfarçadas, é o caso o aumento dos cujos estágios da contratos informalidade, e contratação não contemplam da como terceirização pessoa os direitos jurídica. e a proliferação trabalhistas medidas maior desenvolvimento A resolução flexibilização do problema econômico. e de desregulamentação desemprego Dado o baixo passa, das nível relações então, dos salários pela de trabalho, necessidade no Brasil, com o de promover intuito alcançar onde diminuir o custo do trabalho, visando a possibilitar às empresas um aumento de sua negociações competitividade, significaria, acordo com essa corrente, retirar mecanismos de produtividade. proteção o desequilíbrio social resultem dos trabalhadores, entre em as aumento força os dos direitos da empregadores participação e benefícios e dos a a dos trabalhadores eles empregados assegurados, nos impede em ganhos um que país de as principalmente nos regulação A tese da necessidade flexibilização do mercado de trabalho brasileiro, pautada sobre nas idéias defendidas pela vertente base neoliberal, tornou-se hegemônica avançou anos 90, exercendo uma enorme pressão para uma alteração substantiva no padrão de Mas trabalho com a introdução de um modelo em que o negociado prevaleceria foram o legislado; proposta essa que chegou a ser votada na Câmara dos Deputados, mas não expressivos no Senado Federal, dada a coincidência sua tramitação com a eleição de remuneração mesmo não ocorrendo uma reforma global do arcabouço legal, importantes alterações (Krein, realizadas 2007; em variável, Oliveira, aspectos por das 2002; um contratações conjunto centrais Galvão, da 2007). de atípicas relação medidas e de da pontuais, emprego, flexibilização cujos tais efeitos da como, jornada foram o de avanço bastante trabalho da da para dos queda indicadores No dos início rendimentos do dos mercado anos do 2000, de trabalho. trabalho, a questão Ao particularmente mesmo estava tempo, colocada com no um a Brasil, evolução contexto agravada do de desemprego crise, pela é eleito piora e mercado qual nacional a há Presidência uma de e de trabalho. enorme enfrentar da expectativa República os problemas um de como candidato concretos abordar que existente os vem temas do no movimento colocados País e, particularmente, na sindical agenda e sobre política no o uma 2 As mudanças institucionais no Governo Lula seguiram mercado posição A ora análise a clara direção das em mudanças relação flexibilização, à legais reforma ora período trabalhista, a de fortalecimento Lula sendo mostra que que da as o regulação governo medidas não pública realizadas tomou do (FNT), Texto para em O de Discussão. tema que trabalho. houve ganhou IE/UNICAMP, uma evidência separação Campinas, com entre n. a 201, criação, a fev. reforma em 2003, sindical do e Fórum a trabalhista. Nacional A do primeira Trabalho foi 8

10 síntese Trabalho no Governo Lula: avanços e contradições sindical, priorizada, participação e sendo objeto de um grande esforço, chegou-se a produzir um documento conseguiu (concretizado em uma PEC e um Projeto de Lei) sobre modelo de organização negociação negociação coletiva e formas de solução dos conflitos. Entretanto, apesar da mobilizações das principais entidades sindicais de trabalhadores e empregadores, não se existente concretizar uma proposta de reforma modelo de organização sindical e sindicatos no de coletiva país. base, difusas parte Mobilizações das Os expressiva forças pretensos que das agregavam consensos entidades contrapunham empresariais, no a estrutura Fórum à alteração não associações resistiram da oficial, legislação de profissionais milhares às diversas sindical de sinais uma da área do direito do trabalho e forças mais à esquerda do sindicalismo brasileiro5. pelo Quanto à reforma trabalhista, objeto de nossa análise, o governo Lula não formulou estava proposta única e abrangente para nortear a ação pública tratamento do tema. Os muitas Executivo contraditórios Federal ficam ao mais Congresso evidentes Nacional. nas medidas Por um concretas lado, a que agenda foram da encaminhadas flexibilização aspectos muito presente nas propostas, como pode ser observado no Quadro 1. Por outro, reforma medidas Podemos foram destacar no sentido algumas oposto medidas a tal lógica flexibilizadoras, (Quadro 2). cujos efeitos alteraram iniciativa da relação emprego. A nova Lei Falências e de Recuperação Judicial, ela que resultou em perda nos direitos dos empregados, oferece maior proteção aos eficácia créditos viria da ao e foi às medida proporcionar justificada instituições não tem como maiores financeiras, comprovação, uma garantias alternativa em mas aos detrimento para bancos ela desregulamenta reduzir nos a seus direitos taxa empréstimos. de um juros, dos direito trabalhadores. acreditando No até entanto existente que A a estabelecer previdenciário privilegiar A Emenda o fim o pagamento da serviço Constitucional integralidade do público, passivo e n. da afetando trabalhista paridade, 41/2003 direitos realizou ao em fixar caso dos o profundas limite servidores falência a da alterações ativos percebido empresa. e inativos no a título sistema ao estabelecida proventos aposentadoria acordo com o teto do regime geral do INSS. Além disso, presentes introduziu a cobrança previdenciária para os inativos; determinou a criação de fundos de espaço pensões complementares para os servidores que tem uma remuneração maior que desestimula pelo teto do regime geral e, ainda, aumentou o limite de idade. São medidas aposentadoria. para na agenda a instituição neoliberal, de fundos pois estão de pensões voltadas privados. para fragilizar Em síntese, o Estado reduz e abrir direitos, maior atividades Já a de regulamentação o transporte emprego público rodoviário trabalho e cria de intelectual cargas obstáculos (Lei a para nova /2005 os regulação servidores e para Lei conseguirem o /2007) trabalho em a Texto para (5) Para Discussão. dimensionar IE/UNICAMP, as diferenças, Campinas, conferir Cesit/Sebrae n. 201, fev. (2005) e Horn (2006). 9

11 estimulam a relação José de Dari emprego Krein / Anselmo disfarçada6 Luis dos Santos nessas / Bartira atividades, Tardelli Nunes tendo como efeito um às enfraquecimento relações de garantias e de direitos trabalhistas resultante da transformação de As empresas O de Programa natureza que contratem trabalhista Nacional jovens7, de Primeiro relações por meio Emprego comerciais do Fundo (PNPE) (Campos, de Amparo concede 2008). ao incentivos Trabalhador financeiros (FAT). PNPE. determinado, não características substituição desde de flexibilizadoras que trabalhadores, por um período sendo Programa mínimo limitado estão de 12 em na meses permissão 20% e do na total simples de contratação os recomendação contratados por prazo pelo da Nesse sentido, apesar de a motivação programa ser o estímulo à contratação de resultados jovens, classificado pois como esse é parte o segmento da concepção que apresenta de flexibilização, maior nível pois de utiliza desemprego, a redução ele de pode custos ser e prazo, incentivos fiscais como motivadores para a contratação. O programa não alcançou os curta duração, que Outra esperados, possibilita medida até 2 meses, pois ao produtor já caráter sem existe necessidade flexibilizante rural um mercado pessoa de assinatura física é de o contrato trabalho contratar na de bastante Carteira trabalhador assalariado flexível de Trabalho, rural para no de serviços País. podendo pequeno presente ser feita por meio contrato escrito. É um contrato a termo, que não prevê o pagamento comissões verbas indenizatórias No Super simples, no seu término. amplia-se a simplificação das rotinas trabalhistas da legislação princípio na instituída em As novidades flexibilizadoras são legitimação das punição. produção Uma de da extrajudiciais provas fiscalização outra novidade, para detectar pedagógica, solução que a não fraude tem conflitos trabalhista. um que caráter prioriza individuais flexibilizador, Além a orientação disso, e a continua maior é a em possibilidade dificuldade detrimento insistindo das no na à MPE trabalho. serviços formarem que Ela tenham visa consórcios reduzir maior custos, efetividade para atendimento mas pode na criação ajudar das de a exigências condições estruturar, de de junto segurança trabalho com mais órgãos e medicina apropriadas públicos, do realizado saúde (6) por e Na à meio segurança relação de de um emprego contrato do trabalho disfarçada de trabalho. (Krein; estão presentes A relação Biavaschi, as de características emprego 2011). clássica, do trabalho geralmente, assalariado, apresenta mas o vínculo as seguintes não é ensino características: 1)a própria pessoa é quem presta o serviço; 2) exerce uma atividade não-eventual; 3) recebe um pagamento pela membros da execução fundamental (7) dessa Jovens do serviço. atividade; com ou médio, idade 4) exerce cursos entre a 16 de atividade e educação 24 anos, sob de que ordens jovens estejam de e outrem, adultos, matriculados sujeito ou que e a tenham freqüentando horário concluído e a outras regularmente o regras ensino que estabelecimento médio definem e que a forma sejam de coletivas; de famílias com renda mensal per capita de até 1/2 (meio) salário mínimo, incluídas nesta média eventuais serviços subvenções férias, posse Texto para de (8) acréscimo segurança econômicas As do principais livro de questões programas previstas congêneres na área e similares. do trabalho são: dispensa de afixação de quadro de trabalho, anotação de Discussão. do de e medicina inspeção do trabalho, empregar e matricular aprendiz em cursos e comunicar a concessão de férias IE/UNICAMP, 3 ao art. do trabalho. 58 da Campinas, CLT; previsão n. 201, de fev. uma fiscalização orientadora"; e formação de consórcios para 10

12 Trabalho no Governo Lula: avanços e contradições tempo regulamentação trabalhadores O governo estabeleceu uma negociação com as entidades patronais e de coletiva ratifica entre do a o empresa(s) realizada trabalho comércio aos no para e governo o domingos sindicato regulamentar FHC, para de trabalhadores, (1) o trabalho comércio ao instituir aos e desde a coloca domingos. obrigatoriedade que limites observada A medida maiores a negociação ao legislação do mesmo que a trabalho domingo anterior municipal; não (2) mês. estava ao A garantir prevista medida está ao a exigência menos lista entre 2 da domingos as negociação que flexibilizam, de coletiva folga pois no e a mês.na legitima folga mínima regulamentação a utilização era de 1 significado aos domingos pelos empregadores do comércio varejista. domésticos, trabalhadores Além disso, o governo perdeu uma grande oportunidade de igualar o estatuto especificamente domésticos ao dos demais trabalhadores. Apesar da Lei /2006 ter contribuição um avanço de direitos relação aos que antes existiam para os empregados justa o veto presidente a importantes aspectos aprovados no Congresso inferior. causa mensal levou o artigo os de trabalhadores 8% que ao FGTS tornava domésticos e também obrigatório a a multa continuarem o recolhimento, de 40%, com no caso um pelo padrão de empregador, demissões direitos sem da Principais medidas flexibilizadoras Quadro das relações 1 de trabalho ( ) 1º Crédito (Lei n /2003) consignado Autoriza a concessão de empréstimos, pelos bancos, a empregados e aposentados, mediante o desconto salarial a ser processado pelo empregador ou Previdência /04, Social. A inovação afronta o princípio da intangibilidade salarial. regulamentada Emprego /03 e pelo Concede Decreto 5.199/04 contratação 12 meses. incentivos de Recomenda jovens fiscais por que prazo para as as determinado, empresas empresas devem que desde contratam evitar que a por substituição jovens, um período permitindo de mínimo a Reforma trabalhadores. Limita a 20% do seu quadro pessoal os contratados pelo previdenciária programa (EC n. 41/2003) Extingue partir limite da a ser publicação o regime percebido de da previdência a EC, título com o pública proventos fim da para integralidade os aposentadoria, servidores e da públicos paridade, de acordo admitidos fixação com a Nova teto do regime geral INSS, e determinação de que fossem instituídos fundos Falências pensão. Também taxou os inativos, aumentou o limite de idade e fixou Recuperação condições mais duras para o servidor alcançar a aposentadoria (Lei n. Lei /2005) de e da Judicial A devidos limite Ao CLT estabelece que, na falência, a totalidade salários e indenizações recuperação aos trabalhadores seriam créditos privilegiados; mas a nova lei reduz o trabalhistas de preferência crédito trabalhista para o valor 150 salários mínimos. demais contrário que ocorria no regime anterior, com a nova lei, no caso falida, judicial da firma, os empregados deixam de receber seus créditos não durante um ano e passam a discutir sua forma de pagamento com Texto para Discussão. IE/UNICAMP, trabalhista. está não credores, obrigada há mais nem a sucessão Assembléia a permanecer trabalhista, Geral; com e, os de na empregados modo venda que dos a nem empresa ativos a pagar da arrematante sociedade a dívida Campinas, n. 201, fev Continua... 11

13 Quadro José Dari Krein / Anselmo Luis dos Santos / Bartira Tardelli Nunes Super 1 Continuação LC 123/2006 Simples, As Trabalho ficha micro de registros;de em e suas pequenas dependências; matricular empresas aprendizes de continuam anotar as nos férias dispensadas cursos dos de empregados Serviços de: fixar Nacionais no quadro livro ou de Nova Aprendizagem; da posse Livro de Inspeção do Trabalho; de comunicar a o entidade fiscalizadora quanto à concessão de férias coletivas. Perante a Justiça do atividades Trabalho, o empregador poderá fazer-se substituir por representante legal. intelectual trabalho regulação em de cunho para Estabelece (Lei n /2005) assalariado, materialmente das que, mesmo apresentando todos elementos que delineiam um empreendimento regras trabalhistas a concebida pessoa tomador como física para quanto uma o que para das pessoa presta o civis prestador jurídica. serviços e comerciais. Passa-se, serviços intelectuais assim, há Tanto redução do pode para campo dos ser o Empregados tributos, mas o último deixa contar com os direitos laborais. domésticos Garante (Lei n /2006) higiene obrigatoriedade 30 dias a aos estabilidade e a vedação empregados FGTS, provisória a descontos a multa domésticos. à rescisória por empregada fornecimento Entretanto, grávida, 40%, de o férias alimentação, salário o presidente anuais família remuneradas vestuário e vetou o seguro ou O desemprego, com o argumento de que poderia contribuir o aumento da atividades informalidade e o desemprego. Com isso, o veto presidente impediu a transporte equiparação integral com os direitos dos trabalhadores amparados pela CLT. de trabalho em (Lei cargas n /2007) rodoviário de Considera que não há vínculo de emprego, mas apenas relações de natureza Intervalo comercial, entre o motorista transportador de cargas e a empresa do referido setor, intrajornada pelo fato de se exigir do trabalhador que ele seja proprietário do veículo de carga. n. Essa categoria perde os direitos trabalhistas. Trabalho comerciários 42 MTE/2007) (Portaria Autoriza a redução do intervalo intrajornada por meio de negociação coletiva de domingos trabalho, dando prevalência ao negociado sobre o legislado. (Lei n /2007) dos aos Ratifica o trabalho aos domingos para os comerciários. Mas colocou dois limites: contrato a permissão de trabalho em feriados e domingos nas atividades do comércio passa trabalhador por convenção coletiva, desde que observada a legislação municipal; e a garantia pequeno de folga de 2 domingos no mês. (Lei n /2008) de prazo rural por Autoriza Trabalho, serão pagos a para diretamente contratação serviços ao de trabalhador, curta empregados duração mediante (até rurais 2 meses). adição sem registro à Os remuneração direitos na Carteira trabalhistas acordada. de trabalhadores Elaboração: Nunes (2010) com modificações. emprego flexibilização Assim, podemos perceber que, mesmo durante um governo identificado com os no e um contexto de dinamização da economia com crescimento do nível (pessoa formal, foram aprovadas muitas medidas que reforçam a lógica do processo de legislação governo jurídica, ordinária. Lula, em micro aspectos não é e pensada pequenas relação como empresas, de uma emprego. jovens), E, geral, segundo e realizada mas Galvão sim por para (2010), meio públicos de a flexibilização, mudanças específicos na Texto para Discussão. IE/UNICAMP, Campinas, n. 201, fev

14 Trabalho no Governo Lula: avanços e contradições flexibilização, pública Mas também foram realizadas iniciativas que vão contra a lógica anterior de por foram resultando na defesa dos direitos trabalhistas e na ampliação da regulação que do trabalho. Com exceção salário mínimo, as medidas de impacto não Receita meio previa pela dos a ampliação prevalência vetos e da da retirada regulação negociado de pauta trabalho, sobre de projetos o legislado, mas as que Congresso o veto evitaram à Emenda Nacional, maior nº flexibilização tais 3 da como Super o Câmara O e dos o projeto cancelamento Deputados que previa em dos 2001 subsídios prevalência e foi para encaminhado a negociado contratação em sobre por regime prazo o legislado de determinado. urgência foi aprovado ao Senado que Federal, mas não tramitou pela resistência dos movimentos dos trabalhadores e pelo receio proposta dos das eleições. senadores o tema Quando de se desgastarem Lula assumiu com a presidência a aprovação retirou de uma o caráter medida de impopular urgência, nas justificando vésperas A e a chamada seria sua tramitação discutido Emenda no Fórum Senado 3 é uma Nacional também inclusão não do Trabalho. voltou aprovada a ocorrer. O pelo FNT Congresso não chegou Nacional a debater na a no legislação empresas uma julgamento matéria que de estabeleciam de criou exclusiva uma a reclamatória, Super competência uma Receita, relação poderia em do judiciário emprego estimular Ela disfarçada, trabalhista. proibia a propagação o sob auditor Na da a prática, alegação contratação fiscal dada de de multar a que como demora seria PJ as valorização (Pessoa Jurídica), que é uma realidade muito presente no mercado de trabalho brasileiro do e 2009; No sentido movimento salário de ampliar mínimo; de aumento a a regulação ampliação da formalização pública do seguro do mercado desemprego emprego; trabalho no a nova decorrer vão regulamentação a da política crise de papel estágio; e o estímulo para inclusão do autônomo na seguridade social. rendimentos dos A política de valorização do salário mínimo foi a medida mais importante pelo seu de na estruturação mercado de trabalho, no combate à pobreza e na melhora dos salário dos trabalhadores com menores salários, dos aposentados e dos beneficiários elevação Benefícios de Prestação Continuada. Ela responsável por parte expressiva da melhora categorias indicadores mínimo. das remunerações sobre O salário distribuição mínimo de base pessoal também e influencia de é renda extremamente as e tem negociações relação importante com dos o pisos para aumento determinar salariais real das do a trabalhadores profissionais. Texto da estágio escola, Já coloca para Discussão. prever a dos ampliação limites uma setores econômicos do seguro desemprego mais atingidos para pela 7 crise meses de 2008/2009. foi instituída E para nova lei os IE/UNICAMP, jornada ao seu desvirtuamento, ao vincular o estágio ao projeto pedagógico Campinas, limite n. 201, 6 horas fev diárias, introduzir férias, limitar a duração 13

15 José Dari Krein / Anselmo Luis dos Santos / Bartira Tardelli Nunes em no máximo a 2 anos, estabelecer uma cotas de 10% para deficientes, prever a remuneração Individual, estágios não-obrigatórios. contribuição é assegurada A outra MEI, social a condição iniciativa que ao INSS, possibilita de sujeito que o que amplia ao do lhe sistema autônomo garante a proteção de não seguridade ou a o social formalização empreendedor social. foi o do sua individual Micro atividade, empreendedor recolher mas lhe a emprego Além disso, as instituições públicas que tem a função garantir a efetividade da fiscalização Público aplicação dos direitos trabalhistas (Justiça do Trabalho, Sistema de Fiscalização e Ministério Apesar do Trabalho), contribuíram para explicar, dentre outras razões, o crescimento do empregadores formal acima do nível de criação de novas ocupações, por meio de suas ações de permite e interpretação aplicação do arcabouço legal vigente (Baltar et al., 2008). aumentar disso, a tendência prevalecente em suas ações é a de estimular a conciliação entre alta ilegalidade às a sua empresas e no competitividade empregados trabalho. utilizar e a não no estratégia a mercado, aplicação de o irrefutável não que, cumprir entre outros dos a direitos. legislação fatores, É ajuda uma como situação a explicar forma que de a Retirada Quadro 2 do Medidas realizadas no governo Lula que vão contra a tendência de flexibilização trabalho ( ) 134/01) Projeto do Lei Senado (PLC Retirado legislado. do Projeto projeto aprovado lei que na Câmara previa a dos prevalência deputados e do estava negociado em regime sobre de Adoção urgência no Senado Federal. O projeto permitia que a legislação trabalhista Política pudesse ser alterada pela vontade autônoma das partes Mínimo de (2005) Salário uma A política de valorização salário mínimo prevê um reajuste acordo com o Estágio INPC do ano anterior acrescido de um aumento real correspondente à variação do (Lei PIB aprovada de 2 anos Congresso anteriores. Nacional A política está sendo aplicada, mas ainda não foi Veto n /2008) Regulamentação do estágio, buscando criar algumas regras para a sua adoção, tais Super à Receita Emenda 3 da como Veto multar presidencial o as limite empresas jornada à Emenda que de estabeleciam 6 horas 3 da diárias Super uma e Receita, o relação pagamento que de emprego proibia de férias. o disfarçada. auditor fiscal Na Seguro prática burla a legislação estimular do a propagação trabalho. da contratação como PJ (Pessoa Jurídica), que Cancelamento subsídios Desemprego Ampliação das parcelas de seguro desemprego para 7 meses aos setores mais contratação atingidos pela crise econômica de 2008/2009 Texto determinado, para por para Discussão dos prazo Eliminação cancelamento criada IE/UNICAMP, 9.601/1998). para dos estimular de incentivos subsídios a adoção para nas contribuições a contratação da contratação sociais. por prazo por Era determinado prazo uma medida determinado por provisória meio (lei do Campinas, n. 201, fev Continua... 14

16 Quadro Revogação portaria 2865/1995 Continuação Trabalho no Governo Lula: avanços e contradições Pagamento A revogação da portaria do MTE que impedia a fiscalização dos auditores das maternidade cláusulas constantes dos contratos coletivos de trabalho Período da licença Cancelamento das alterações da licença maternidade feitas em 1999, que experiência estabeleciam o pagamento do salário maternidade diretamente pelo INSS e não (Lei ) de mais Proíbe pelo que empregador, o período de que experiência depois exigido ressarcido. seja maior de 6 meses. Elaboração: Micro Individual 2009 Empreendedor (MEI), Nunes (2010) Reduz empreendedor com modificações. o valor individual. da contribuição previdenciária do autônomo ou do micro estruturais Portanto, há movimentos contraditórios que mostram possibilidades de algum pública avanço aprofundar na regulação pública trabalhista, mas continua havendo um movimento que tende a empregadores a flexibilização do trabalho. Insere-se a lógica determinada pelas mudanças mais flexibilização e de fortalecer um avança em capitalismo determinar com soluções a globalizado terceirização, autônomas, as condições e financeirizado, a com subcontratação, de aumento uso tendendo remuneração do a poder contratação a fragilizar discricionário do como trabalho. a regulação pessoa dos A tendência jurídica, a permanência alta ilegalidade, informalidade e rotatividade (Baltar et al., 2010). aspectos remuneração Apesar de relacionados ampliação melhor da aos flexibilização desempenho elementos das do centrais mercado relações da de de relação trabalho, de continuou em emprego: muitos avançando, aspectos, avanço em da a e energético) Em relação variável, mostra à que remuneração, da houve jornada avanço flexível estudo da e remuneração realizado formas de contratação. variável dois importantes no período setores de crescimento (bancários incremento econômico Lucros e Resultados entre 2005 (PLR) e 2009 cresceu (Tavares, mais 2010). do que O o valor salário pago médio sob a forma o valor de da Participação folha bruta nos de mostra pagamento. mesmo Por exemplo, o salário médio cresceu, entre 2005 e 2009, 54,6% e a PLR o variável. tempo pesquisa foi um de do 114% processo DIEESE nos de bancários, (2011), recuperação como e um salarial pode incremento ser por observado meio mais da acentuado na negociação Tabela 1. da coletiva, Ou remuneração seja, como há ao jornada intensificação Texto tempo para de Em entre relação os assalariados à jornada formais, de trabalho conforme neste Gráfico período, 1, além a flexibilidade de um pequeno avançou avanço tanto na Discussão. trabalho do ritmo de trabalho quanto na sofisticação dos mecanismos de controle do IE/UNICAMP, e de separação Campinas, (cada n. vez 201, mais fev tênue) entre o tempo de trabalho e o tempo 15

17 de José Dari Krein / Anselmo Luis dos Santos / Bartira Tardelli Nunes são (Krein, não bastante trabalho. comuns Os acordos nos setores de banco mais de estruturados horas e outras do ponto formas de vista compensação econômico da e sindical jornada Evolução 2007). Média de 39,5 40,5 41,5 42,5 43,5 Horas Semanais da jornada de trabalho por tamanho Gráfico de estabelecimento, 1 setor urbano privado, Brasil Até De Além de a a Fonte: E RAIS/MTE. quanto às formas de contratação, houve uma pequena queda proporcional nas experiência contratações a termo. Apesar de prevalecer amplamente a contratação por prazo flexibilidade o indeterminado, ela embute dois mecanismos de fácil ajuste flexilizadores para as empresas: emprego vínculo emprego pode ser facilmente rompido pelo empregador e a título de outros estatutário já o está trabalhador incluída no setor no pode público. próprio ser Essas contrato dispensado características por prazo sem diversos indeterminado, contribuem direitos. para com explicar, Portanto, exceção entre do a regulação fatores, Cabe também a crescente notar rotatividade, que, apesar cuja das taxa medidas mensal efetivadas situa-se pelo torno governo, de 4% o ao padrão mês. de Essa defesa 2008/2009 já de existência do ampliação mercado evidenciou da grandes flexibilização trabalho forma flexibilidades brasileiro cristalina ficou já restrita tal apresenta pode fato, a ser poucos sendo alto notada grau que intelectuais no de o debate documento flexibilidade. e foi atores tímido intitulado sociais. A crise e a leis através Recomendações para as Negociações na Crise, do Departamento Sindical da Fiesp, que amenizar defendeu que negociação a melhor direta maneira entre de empresas enfrentar e sindicatos. efeitos Não crise seria sobre necessário emprego criar novas seria adicional mais flexíveis já que há mecanismos previstos na constituição brasileira que podem dos as pressões de aumento do desemprego. Esses mecanismos jurídicos foram: banco de horas, que dispensa o pagamento do Texto Amparo contrato trabalhadores; para ao de Discussão. Trabalhador de horas trabalho licença extras; com férias remunerada, coletivas, em cuja que não data se de paga ocorrência os encargos não depende férias; da suspensão anuência IE/UNICAMP, (FAT) a Campinas, e bolsa a redução de qualificação profissional a ser paga pelo Fundo de n. 201, da fev. jornada de trabalho com redução salarial. 16

18 novos Trabalho no Governo Lula: avanços e contradições a mínimo regulamentação temas Por fim, e perspectivas a da melhora terceirização, que dos estão indicadores a em manutenção debate, no tais mercado como da política de a redução trabalho de valorização da recolocou jornada de na do trabalho, agenda salário crescimento 3 Crescimento e a recuperação do emprego, dos salários dos e ampliação salários e da da proteção formalização: social. a importância do começa e das políticas públicas e o enfraquecimento ideológico da flexibilização impactos O a se quadro modificar ainda de modestos desestruturação significativamente no primeiro do e mercado mandato, de forma e que consistente das de relações forma a progressiva partir de trabalho de 2004, e cumulativa no embora Brasil poder econômico, aumento foram amplificados emprego, as políticas no redução segundo públicas do mandato desemprego, e a prática do Governo sindical melhoria foram Lula. padrão A construindo medida ocupacional, que um o contexto crescimento elevação do de sentido evidente, redução no compra plano concreto, do salário que mínimo tudo isso e recuperação foi possível prescindindo dos salários, da ficou flexibilização, cada vez ou mais da contexto de Mais do de eliminação forte já baixíssimo elevação que de isso: direitos custo a emprego elevação dos trabalhadores. trabalho, formal, salário ou jogou ainda mínimo por de terra medidas e dos argumentos salários que caminhassem e as geral, teses num dos no e economistas tempo, salário ortodoxos-liberais e os novos keynesianos. Esses sustentaram durante muito dos especialmente nos anos 90 e na primeira metade dos anos 2000, que a elevação na elevação flexibilização vínculos mínimo da e informalidade. para e seus das a relações melhoria impactos O das sobre caminho trabalho, relações a estrutura para na de a redução trabalho, salarial geração nessa de provocariam custo empregos, perspectiva do trabalho redução para ortodoxa, a por formalização meio emprego estaria das negativos reduções de encargos sociais e de direitos dos trabalhadores. de O alcance de taxas mais elevadas de crescimento econômico foi decisivo para que o anos mercado trabalho 90. e O provocados as e sucesso hegemonia relações de pelo de do muitas trabalho processo pensamento políticas melhorassem de reestruturação neoliberal, públicas gradativamente, dominantes e da produtiva, prática no revertendo flexibilização sindical Brasil desde estava, vários das o início em aspectos relações certa dos empregos, medida, também associado aos impactos do crescimento econômico: no primeiro caso, por empresas, financiamento; meio dos impactos crescimento sobre a arrecadação tributária que poderiam ampliar seu trabalhadores. redução no segundo desemprego, caso, pelos melhoria impactos do situação crescimento econômico-financeira sobre a geração das de Texto assim, que contribuem para melhorar as condições das negociações coletivas para os conservadorismo para a O Discussão. opção quadro de no econômico herdado pelo Governo Lula era realmente precário e, ainda IE/UNICAMP, primeiro política Campinas, macroeconômica mandato, n. tanto 201, fev do que Governo se refere Lula à política guiou-se fiscal pelo e ainda extremo mais 17

19 vulnerabilidade José Dari Krein / Anselmo Luis dos Santos / Bartira Tardelli Nunes encaminhadas em relação á ao política externa Parlamento monetária, e também inflação diante se crescente. assentaram, de um Além em cenário geral, disso, nos elevada fundamentos as primeiras dívida neoliberais; reformas pública, ociosa de um reforma previdência, nova Lei de Falências etc. Entretanto, favorecidas por um cenário apresentar expressivo quadro em um diversos interno aumento vigoroso segmentos marcado da e sustentado demanda por produtivos, taxa internacional ritmo de surpreendentemente, câmbio crescimento, por desvalorizada commodities especialmente as e exportações e, expressiva secundariamente, a partir passaram capacidade de 2003 por a comércio que prolongou até impactos negativos da crise internacional sobre o comércio mundial, investidores no final de retorno Com daqueles externos, o expressivo que e deixaram nas que transações resultaram aumento o país das no num correntes, ano exportações, aumento anterior, com a a situação a entrada consecução redução externa do da capital de desconfiança melhorou, um estrangeiro superávit o risco dos no e econômico apertada país sua elevada reduziu-se em desvalorização, final depois do Com ano, alcançar a contribuindo inflação manutenção 2400 foi pontos, cedendo do para vigor uma e moeda a exportador política elevação brasileira monetária determinado do pôde ritmo passou recuperar de externamente crescimento a ser parte menos de de pela economia mundial e, em especial, pelas demandas chinesa e asiática, os efeitos isso, multiplicadores do comércio exterior sobre a interna, juntamente com a principal implementação de políticas que ampliaram o acesso ao crédito, que aumentaram o volume expressivamente transferências o piso fonte dos de superior de benefícios elevação renda à aos média da previdenciários, pobres demanda dos (bolsa sete e o anos PIB família), o anteriores, mercado passou que a interno elevaram apresentar entre 2004 passou o um salário e crescimento a se mínimo constituir e, médio com na anos elevadíssimas taxa Mesmo num período que contou com várias reversões na política de redução das tenham média do restringido primeiro de taxas crescimento mandato o de ritmo juros do de do PIB que crescimento, Lula. alcançou provocava Ainda uma especialmente que a desaceleração média as políticas cerca no do econômicas primeiro de ritmo 3,5% de ao mandato, crescimento ano conservadoras nos que quatro a trabalho. situou desenvolvimento crescimento num Dessa em patamar forma, relação e da o bem América ao quadro período mais de Latina, baixo desestruturação anterior do os foram impactos que do o muito mercado observado de positivos um e ritmo das em sobre relações vários mais o mercado elevado de países trabalho em de com no Brasil começa a se modificar a partir 2004, com a retomada do crescimento; mas seria total ainda mais Com expressiva os impactos no segundo da maior mandato. taxa de crescimento econômico, enquanto a população de Apesar Texto desempregados 10 para da ocupados anos ou mais cresceu 7,7%, a população economicamente ativa cresceu 9,5%, o Discussão. queda da cresceu apenas 10,2%, entre 2002 e 2006 (e 4,5% entre 2004 e 2006). IE/UNICAMP, ainda taxa cresceu de desemprego, Campinas, 1,7% n. (veja 201, de Tabela fev. 9,2% para 1). Além 8,5%, disso, entre no 2002 conjunto e 2006, das o número regiões 18

20 metropolitanas de Trabalho no Governo Lula: avanços e contradições elevado. pesquisadas pelo IBGE, a taxa de desemprego aberto metropolitano se reduz crescimento 12,4% em 2003 para 10,0% em 2006; mantendo-se, portanto, num patamar ainda muito público, ainda Mas o crescimento da ocupação foi marcado um movimento de maior apresentaram do emprego assalariado e formalizado: 9,7% no setor privado e 5,5% no setor emprego mais entre assalariado expressivo 2004 um menor e sem (13,7%), carteira ritmo Também de cresceu enquanto crescimento: o número apenas de no empregadores 2%, o mesmo trabalho o trabalho período doméstico apresentou por as conta piores cresceu um própria crescimento ocupações 4,3%; apenas o como 1,5%, e o trabalho não remunerado foi reduzido em 8,5% (veja Tabela 1). Esses dados ganhos expressam melhores o reais processo ocupações uma de salários tendência de cresceram formalização, e a já melhoria caracterizada num de dos ritmo elevação benefícios mais para o do expressivo período trabalhistas valor real (Baltar do alcançados que salário et as piores. 2010), mínimo, nas Além negociações em com que disso, os as assalariadas, coletivas, essas piores ocupações passaram a melhorar. A estrutura ocupacional brasileira ciências passou, ocupações, portanto, e artes da formais, melhoria que a receber de dessas, nível os impactos e técnico do maior positivos ou ritmo superior, da de perda crescimento em relativa áreas como das de participação melhores os profissionais ocupações das piores das Indicadores aumentaram Selecionados sua participação do Mercado Tabela 1 de no Trabalho. total de Brasil, ocupados PIA Variação PEA (em%) Desempregados (1) ,7 Ocupados (1) ,5 Total (1) ,2 (1) ,7 Militares (2) ,5 Empregados de Empregados (2) ,7 Setor Privado Formal (2) ,7 e Funcionários Públicos (2) ,5 Empregadores Sem Registro ,0 Trabalhadores Domésticos por Não (2) Conta Remunerados Própria (2) (2) (2) ,7 1,5 4,3 8,5 Fonte: Aberto (1) 9,2% 9,7% 9,0% 9,4% 8,5% - 7,6 Texto Região Taxa Metropolitano de Pesquisa para Norte Desemprego Discussão. Rural. Nacional (3) Banco por 12,4 11,5 9,0 10,0-19,4 IE/UNICAMP, SIDRA; Amostra de Domicílio (PNAD, ); (1) Exclusive dados da Campinas, (2) Inclusive n. 201, Região fev. Norte Rural; (3) PME/IBGE. Elaboração própria. 19

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