Gastos Tributários do governo federal: um debate necessário

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1 do governo federal: um debate necessário Coordenação de Finanças Sociais Diretoria de Estudos e Políticas Sociais Assessoria Técnica da Presidência do Ipea

2 Este Comunicado atualiza trabalho publicado ano passado nesse livro:

3 Baseado em estimativas publicadas pela Receita Federal:

4 Os objetivos deste estudo: (i) reforçar a divulgação destas estimativas calculadas pela Receita Federal, pois é um volume de recursos significativo e pouco discutido; (ii) realizar breve análise do ponto de vista das políticas sociais envolvidas;

5 O que é Gasto Tributário?? Gastos do governo realizados por intermédio da redução da carga tributária, em vez de desembolso direto (Surrey, 1967)

6 O Estado faz política pública quando: arrecada recursos de seus contribuintes; e quando utiliza estes recursos para financiar os gastos dos seus programas e ações. Mas também faz política pública quando estabelece desonerações tributárias: reduzindo o ônus tributário sobre determinados agentes econômicos; como forma de atingir metas e objetivos sociais ou econômicos

7 Nem toda desoneração configura gasto tributário Regra dos Dois Passos : (i) O que constitui exceção frente a um sistema tributário de referência? (ii) destes, quais poderiam ser substituídos por gastos diretos em políticas governamentais?

8 Desconto pra Dependentes no IRPF Não é gasto tributário. Visa a aproximar as capacidades contributivas entre contribuintes com famílias pequenas e famílias grandes mesma renda, mais filhos => capacidade contributiva real menor => desconto tenta aliviar essa diferença

9 Deduções para Saúde, Educação, Previdência Complementar no IRPF Pode ser considerado gasto tributário. Visa a compensar os gastos do contribuinte com serviços que poderiam ser atendidos pelo serviço público. Recurso público (indiretamente) financiando (parcialmente) o consumo de um serviço (privado) em substituição a uma política pública;

10 Raciocínios semelhantes podem ser aplicados, por exemplo: aos incentivos concedidos à produção cultural;» (substituem políticas públicas diretas?) aos incentivos concedidos a entidades filantrópicas de assistência social;» (substituem políticas públicas diretas?) aos incentivos de política industrial e/ou regional» (substituem políticas públicas diretas? Logística, qualificação de mão de obra etc?)

11 Claro que isso não é tão simples. As opções do que pode ou não pode ser considerado como sistema tributário de referência ou como gasto tributário estão envoltas em complexo debate jurídico, contábil e econômico.

12 Por exemplo, poder se ia questionar se as deduções de saúde e educação não visariam também a compensar diferenças de capacidade contributiva nesse sentido, elas seriam semelhantes as deduções por dependente.

13 Poder se ia questionar também: O SIMPLES é uma exceção tributária que beneficia as microempresas frente a outras empresas maiores? OU É, de fato, o sistema tributário de referência que deveria ser aplicado sobre as microempresas, uma vez que estas são agentes econômicos muito distintos das empresas maiores?

14 Como NÃO é nosso objetivo realizar esse debate neste momento, optamos por concordar com as decisões e critérios aplicados pela Receita Federal, e utilizar suas estimativas nas nossas análises.

15 As finalidades dos gastos tributários são, de acordo com a definição adotada pela Receita: (i) compensar gastos realizados pelos contribuintes com serviços não atendidos pelo governo; (ii) compensar ações complementares às funções típicas de Estado desenvolvidas por entidades civis; (iii) promover a equalização das rendas entre regiões; (iv) estimular determinadas áreas da economia ou localidades.

16 Esta forma indireta de gasto público mobilizará em 2011, segundo estimativas da Receita Federal: 3,53% do PIB, se consideradas as renúncias de origem tributária (2,98% do PIB) e as de origem previdenciária (0,55% do PIB)

17 Carga Tributária Bruta (total) em 2009: 33,6% do PIB Gastos Tributários (federais) em 2009: 3,35% do PIB 10% de tudo que se arrecada.

18 Gastos Tributários (% PIB) 2,80% 2,92% 2,88% 2,81% 2,90% Renúncias Previdenciárias (% PIB) 0,53% 0,54% 0,52% 0,54% 0,53% GTrib + Rprev (% PIB) 3,33% 3,46% 3,40% 3,35% 3,43% Fonte: Receita Federal do Brasil

19 Em 2011, estima se que chegará a 3,53% do PIB cerca de R$ 137 bilhões: Gtrib: 2,98% do PIB R$ 116 bilhões Rprev: 0,56% do PIB R$ 21 bilhões (Antes do lançamento do Plano Brasil Maior)

20

21 Sociais Os gastos tributários podem ser classificados de acordo com a política que promovem, tais como, as políticas sociais, setoriais ou regionais. Por exemplo, os gastos tributários associados a deduções do imposto de renda com assistência médica ou com educação são complementares aos programas e ações de saúde e educação e, portanto, devem ser considerados integrantes da política social e fiscalizados e avaliados como tal.

22 Sociais

23 Sociais Cerca de 1/3 dos gastos tributários tal como estimados pela Receita Federal podem ser considerados gastos tributários sociais ; O Simples não foi considerado aqui como uma política social. Mas, se fosse incluído no GTS, este quase dobraria; A área Entidades sem fins lucrativos congrega instituições de Saúde, Educação e Assistência Social;

24 Conclusões Os gastos tributários + renúncias previdenciárias mobilizam recursos da ordem de 3,53% do PIB. É um volume significativo, menos conhecido e debatido do que deveria, apesar da extensa variedade de dados publicados periodicamente pela Receita Federal;

25 Conclusões Especificamente, o Gasto Tributário Social chegaria a 1,10% do PIB, em É mais do que o governo federal aplicou em 2009, de modo direto, nos gastos sociais em Assistência Social (1,08% do PIB) ou em Educação (1,03% do PIB);» v. Comunicado do IPEA n. 98.

26 Conclusões Não se trata aqui de defender sua redução ou extinção, longe disso; Mas sim reconhecer que este conjunto de recursos, como qualquer outra política pública, pode gerar impactos virtuosos, mas também distorções; E merece, portanto, ser discutido e analisado em termos da sua qualidade, eficiência, eficácia e efetividade, tanto quanto os recursos diretamente executados pelo orçamento. Toda essa variedade de instrumentos está bem calibrada?

27 Conclusões Questões para se pensar: quanto maior minha renda, maior a dedução do IRPF: se estou na alíquota de 15%, o Estado me ajuda com 15% dos meus gastos em Saúde (sem limite) e Educação (até o limite); Se estou na alíquota de 27,5%, o espaço pra dedução será maior. E, se tenho renda menor e sou isento de IRPF, o Estado não terá como compensar em nenhuma parcela meus gastos com Saúde e Educação.

28 Conclusões Questões para se pensar: essas renúncias diminuem, em algum grau, o recurso potencial dos impostos (divididos com estados e municípios); ainda não conhecemos nenhuma estimativa do volume de gastos tributários de Estados e Municípios;

29 Conclusões Questões para se pensar: no caso das contribuições sociais, diminuem, em algum grau, os recursos da Seguridade Social; no caso específico das renúncias previdenciárias, recursos desonerados em prol de outros objetivos de política pública elevam o chamado déficit da previdência e isso precisa ser esclarecido adequadamente

30 Gastos Tributários (% PIB) 2,80% 2,92% 2,88% 2,81% 2,90% Renúncias Previdenciárias (% PIB) 0,53% 0,54% 0,52% 0,54% 0,53% GTrib + Rprev (% PIB) 3,33% 3,46% 3,40% 3,35% 3,43% Fonte: Receita Federal do Brasil

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32 Obrigado pela atenção.

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