BANCO PRIVADO ATLÂNTICO EUROPA, S.A. Relatório e Contas 2012 BANCO PRIVADO ATLÂNTICO - EUROPA, S.A. Relatório e Contas

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1 BANCO PRIVADO ATLÂNTICO EUROPA, S.A. BANCO PRIVADO ATLÂNTICO - EUROPA, S.A. Relatório e Contas 2012

2 BANCO PRIVADO ATLÂNTICO EUROPA, S.A. ÍNDICE RELATÓRIO DE GESTÃO... 3 PRINCIPAIS INDICADORES... 4 MENSAGEM DO PRESIDENTE EXECUTIVO... 6 ÓRGÃOS SOCIAIS... 7 ENQUADRAMENTO MACROECONÓMICO... 8 Economia Internacional... 8 Mercado Accionista Mercado de Taxas de Juro Mercado de Commodities MODELO DE NEGÓCIO BANCA DE INVESTIMENTO BANCA RELACIONAL E CORPORATE RISCO E CONTROLO INTERNO HIGHLIGHTS Principais Acontecimentos de BANCA DE INVESTIMENTO Private Equity BANCA RELACIONAL E CORPORATE Banca Corporate Segmento Private Segmento ATLANTICO FUNÇÕES DE CONTROLO E SUPORTE AUDITORIA BANCA TRANSACCIONAL CAPITAL HUMANO Compliance Contabilidade e Controlo de Gestão Investor Relations Jurídico Mercados Financeiros Produtos e Research Sistemas de Informação Património, Aprovisionamento e Serviços ANÁLISE FINANCEIRA ANÁLISE DE RESULTADOS ANÁLISE DO BALANÇO GESTÃO DE RISCO DECLARAÇÃO SOBRE A POLÍTICA DE REMUNERAÇÃO DO BANCO PRIVADO ATLÂNTICO EUROPA, S.A INFORMAÇÃO QUANTITATIVA SOBRE REMUNERAÇÕES PROPOSTA DE APLICAÇÃO DE RESULTADOS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS NOTAS ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

3 BANCO PRIVADO ATLÂNTICO EUROPA, S.A. BANCO PRIVADO ATLÂNTICO - EUROPA, S.A. RELATÓRIO DE GESTÃO

4 BANCO PRIVADO ATLÂNTICO EUROPA, S.A. Principais Indicadores Variação Absoluta (m Euros) Var. % 12/ 11 Activo Liquido Total ,2% Volume de Negócios (65.102) -21,5% Crédito a clientes ,0% Recursos de Clientes On Balance ( ) -41,9% Recursos de Clientes Off Balance ,3% Garantias ,9% Crédito documentário n.a. Volume de Negócios por Colaborador (2.800) -46,2% Rácio de Transformação 43,6% 26,6% 10,0% 34,1% Rácio Crédito Vendido /Crédito a clientes 0% 0% 0% 0% Rácio Provisões/Crédito a clientes 0,7% 0,5% 1,7% 1,6% Produto Bancário ,4% Dos quais: Margem Financeira ,5% Comissões Op Bancarias e Interm. Fin (362) -30,7% Comissões Banca de Investimento ,5% Ganhos e perdas de Operações Financeiras ,5% Produto Bancário por Colaborador ,3% Resultado do Exercicio (1.175) (1.495) (1.403) ,0% Cost to Income (2) 176,6% 133,6% 114,1% 81,5% Situação Liquida ,5% Fundos Próprios Base (780) -1,7% Requisitos para Fundos Próprios ,2% RWA ,2% Rácio de Solvabilidade 134,1% 107,5% 36,9% 33,2% ROA -3,4% -2,2% -0,5% 0,2% ROE -6,5% -7,7% -3,1% 1,5% Número de Clientes ,1% Número de Colaboradores ,0% 1) para o período desde o inicio de actividade, a 22 de Junho, até 31 de Dezembro 2) Custos Operacionais / Proveitos Operacionais 4

5 BANCO PRIVADO ATLÂNTICO EUROPA, S.A. Volume de Negócios (m Euros) Produto Bancário (m Euros) Recursos de Clientes On Balance Crédito a clientes e garantias Recursos de Clientes Off Balance Margem Financeira Comissões Banca de Investimento Comissões Op Bancarias e Interm. Fin. Ganhos e perdas de Operações Financeiras Resultados antes de impostos Rácio de Transformação (m Euros) 34,1% ,6% 10,0% (1.930) (1.676) Rácio de Transformação Resultado Antes de Impostos Colaboradores vs Custos Colaboradores 73,85 76, , Custo com pessoal por Colaborador (m Euros) Colaborabores Colaboradores em formação Colaboradores Banco 5

6 BANCO PRIVADO ATLÂNTICO EUROPA, S.A. Mensagem do Presidente Executivo Apesar do enquadramento macroeconómico adverso em Portugal, o ATLANTICO Europa demonstrou de forma efectiva a sua consistência estratégica e os benefícios da diversificação geográfica do negócio, ao apresentar pela primeira vez desde a sua criação em 2009, resultados líquidos positivos em todos os trimestres do ano, fechando o exercício com um lucro líquido de 701 mil EUR. Esta performance traduziu a confiança dos clientes e accionistas no posicionamento da instituição, que se consubstanciou num forte crescimento do número de clientes e dos resultados operacionais, a par da manutenção em patamares conservadores, dos indicadores de solidez financeira. Numa dinâmica de alinhamento com os principais parceiros estratégicos, o ATLANTICO Europa continuou a reforçar a actividade de apoio e promoção das relações económicas e empresariais entre Angola e as suas contrapartes internacionais, através do acompanhamento e suporte dos fluxos comerciais e financeiros. O ATLANTICO Europa continuou também a alargar a oferta de produtos e serviços potenciando significativamente a sua capacidade de resposta às necessidades da crescente base de clientes. Com a construção de relacionamentos no continente africano, americano, europeu e asiático, o ATLANTICO Europa em 2012 aproximou a actividade económica e os fluxos financeiros de Angola com o mundo de forma efectiva foi igualmente o ano de adopção da plataforma SAP, por si evidência de um determinado nível de massa critica. O ATLANTICO Europa investe e continuará a investir em permanência na formação de jovens quadros Angolanos, através de acções de formação internas e programas de apoio à obtenção de graus académicos. Em 2012 foi lançado o programa de formação de quadros juniores, extenso e estruturado, composto por sessões ministradas em sala e on the job, com duração aproximada de 6 meses. A mudança de instalações da sede para um edifício situado no coração de Lisboa, na Avenida da Liberdade, veio reforçar o compromisso do Grupo Atlântico com a sua estratégia de internacionalização de vir a estar presente nas praças financeiras internacionais que mais impactam com a economia angolana. A mudança permitiu também a abertura do primeiro Centro ATLANTICO, de atendimento ao público, a par da criação de espaços amplos e simultaneamente reservados, direccionados para o atendimento aos clientes private e empresariais auspicia ser mais um ano de forte crescimento, em virtude de um enquadramento macroeconómico favorável para a economia angolana e do novo posicionamento estratégico do Grupo de captação de novos clientes do segmento affluent e emerging affluent. Será com certeza mais um ano de consolidação do posicionamento da Instituição nos segmentos de mercado em que opera. Por fim, uma expressão de agradecimento a todos os accionistas, clientes, colaboradores e parceiros do ATLANTICO Europa, sem os quais não seria possível construir uma estratégia de geração de valor e crescimento sustentável. André Navarro Presidente da Comissão Executiva 6

7 BANCO PRIVADO ATLÂNTICO EUROPA, S.A. Órgãos Sociais Conselho de Administração Presidente Carlos José da Silva Revisor Oficial de Contas Revisor DELOITTE & ASSOCIADOS, SROC, S.A. representada por Luís Augusto Gonçalves Magalhães Vice-Presidente Baptista Muhongo Sumbe Suplente Carlos Luís Oliveira de Melo Loureiro Presidente Executivo André Navarro Assembleia Geral Administradores Executivos Augusto Costa Ramiro Baptista Maria da Conceição Mota Soares de Oliveira Callé Lucas (renunciou ao cargo em 27/02/2012) Maria da Graça Ferreira Proença de Carvalho Isménio Coelho Macedo Conselho Fiscal Presidente Mário Jorge Carvalho de Almeida Vogais Efectivos Mário Jorge de Faria da Cruz João Maria Francisco Wanassi Vogal Suplente Nuno Pedro da Silva do Carmo Vaz (nomeado por deliberação da Assembleia Geral de 31/05/2012) Presidente Paulo Manuel da Conceição Marques Vice-Presidente António Assis de Almeida Secretário Rute Susana Martins dos Santos Secretário da Sociedade Efectivo Rute Susana Martins dos Santos Suplente Vanessa Pinto Rodrigues Santos Ferreira (renunciou ao cargo com efeitos a 31/07/2012) Manuel Maria Cota Dias da Silveira Botelho (nomeado por deliberação do Conselho de Administração de 20/09/2012) 7

8 BANCO PRIVADO ATLÂNTICO EUROPA, S.A. Enquadramento Macroeconómico Economia Internacional O ano de 2012 foi pautado por um fraco desempenho económico em vários pontos do globo, acentuando-se o período de desaceleração observado no ano anterior. As previsões de crescimento económico apresentadas no início do ano foram sendo sucessivamente revistas em baixa pelos principais organismos internacionais, reflectindo a crescente incerteza que a turbulência financeira em algumas economias foi propagando às restantes geografias. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia mundial terá apresentado um crescimento de 3,2% em 2012, abaixo dos 3,9% observados em Este desempenho débil da economia mundial reflectiu, fundamentalmente, a acentuada quebra de ritmo das principais economias desenvolvidas, que, de acordo com o FMI, terão apresentado um crescimento de apenas 1,3% (vs 1,6% no ano anterior). As economias emergentes revelaram-se mais dinâmicas, com um ritmo de crescimento médio de 5,1%, mas também neste caso abaixo do verificado em 2011, altura em que este bloco apresentou uma expansão de 6,3%. Assim, o ano de 2012 veio mostrar que as principais economias emergentes não ficaram imunes aos processos recessivos observados nas principais economias que servem de vector ao crescimento mundial. Por trás deste desempenho desfavorável, surge como principal explicação a crise da Zona Euro, que conheceu ao longo de 2012 um conjunto de desenvolvimentos, que culminaram em políticas orçamentais ultrarestritivas, provocaram instabilidade política, colocaram em causa a sustentabilidade do próprio projecto da moeda única europeia e contaminaram a confiança dos agentes económicos. Este clima de turbulência político-financeira na Zona Euro resultou num forte arrefecimento da actividade económica nos países intervencionados, mas também nos países do núcleo europeu, cuja actividade acusou as consequências da redução abrupta do consumo imposta pelas medidas de austeridade nos países parceiros. Importa porém realçar que esta crise não se confinou às fronteiras europeias, tendo retardado a consolidação do processo de recuperação em curso nos Estados Unidos da América, bem como afectado os restantes principais blocos económicos. Em 2012, o volume de comércio internacional apresentou um crescimento de 2,8%, que compara com um ritmo de expansão de 5,9% no ano anterior. As importações por parte dos países desenvolvidos aumentaram apenas 1,2%, face a 4,6% no ano anterior. Em contrapartida, as exportações dos países emergentes (motor de crescimento de países como a China) desaceleraram para 3,6%, face aos 6,6% do ano anterior. Ainda assim, é o forte desempenho deste bloco que impede que o movimento de desaceleração global seja mais acentuado. No último Economic Outlook (Janeiro de 2013), o FMI mantém-se cauteloso relativamente ao desempenho económico global. Apesar das perspectivas de crescimento para 2013 serem mais positivas, continuam a ser revistas em baixa e o FMI defende agora que o processo de recuperação que iremos observar no decorrer do ano, tenderá a ser mais moderado do que o previsto inicialmente. Em 2013, o FMI prevê um crescimento económico mundial de 3,5%, com as economias desenvolvidas a crescerem 1,4% e as economias emergentes a crescerem 5,5%. Os EUA apresentaram um crescimento de 2,3% em 2012, de acordo com o FMI. De facto, 2012 foi um ano de consolidação do processo de recuperação da actividade económica, 8

9 BANCO PRIVADO ATLÂNTICO EUROPA, S.A. assente numa evolução favorável do consumo privado, fazendo-se sentir os efeitos de políticas monetária e fiscal ultraexpansionistas. No decorrer de 2012, surgiram sinais de recuperação do mercado de trabalho e do mercado imobiliário, bem como se observou um desempenho positivo dos mercados de acções, o que suscitou o aumento do rendimento disponível que suportou a procura doméstica. O final do ano ficou marcado pelo clima de instabilidade suscitado pela discussão em torno do episódio do precipício fiscal, que previa o término automático de um conjunto de medidas de estímulo fiscal, com consequências imprevisíveis no consumo, constituindo um factor de risco para a actividade económica. Porém, esta discussão foi adiada para o primeiro trimestre de A economia da Zona Euro apresentou uma contracção de 0,4% em 2012, depois de um crescimento de 1,4% em As duas principais economias da região, a Alemanha e a França, apresentaram crescimentos de 0,9% e 0,2%, respectivamente; a Itália e a Espanha, as duas economias seguintes no ranking europeu, apresentaram taxas de crescimento negativas, de -1,4% e -2,1%, respectivamente. O fraco desempenho da região reflecte directamente o efeito contraccionista das medidas de forte austeridade orçamental impostas aos países periféricos sob programas de ajuda externa, designadamente a Grécia, Portugal e a Irlanda. Reflecte igualmente as políticas de restrição orçamental implementadas em outros países que, não estando directamente sob programas de auxílio externo, viram a degradação das suas condições de financiamento obrigar a planos de contenção orçamental, com efeitos recessivos nas suas economias domésticas, como é o caso da Espanha e da Itália. o processo de ajustamento em curso. Também a Espanha assistiu a uma deterioração da sua situação económica, particularmente ao nível da sustentabilidade do sistema financeiro, o que durante alguns meses alimentou a especulação em torno da possibilidade de um resgate por parte das instituições internacionais, materializado sob a forma de pacote de ajuda ao sistema bancário. O sentimento de instabilidade propagou-se a outros países intervencionados, colocando pressão sobre as instituições europeias, que tardaram em apresentar uma solução contundente para a instabilidade na região. No segundo semestre, as repetidas afirmações de apoio dos dirigentes europeus ao projecto da moeda única europeia e a intervenção do Banco Central Europeu no sentido de apoiar o regresso aos mercados dos países intervencionados, veio contribuir para restabelecer a confiança dos agentes económicos. Porém, o ano terminou ainda sob o clima de incerteza relativamente ao desfecho da crise das dívidas públicas nos países periféricos. Em Portugal, o ano de 2012 foi marcado por uma acentuada degradação da actividade económica, sendo que o PIB português terá caído cerca de 3.0% em termos reais, de acordo com o FMI. Este desempenho tem subjacente um comportamento melhor do que o esperado da procura externa líquida, conduzindo a um ajustamento mais rápido do que o antecipado e uma contracção da procura interna, em todas as suas vertentes - consumo privado, investimento privado e investimento público. O impacto da adopção de medidas de austeridade no âmbito do programa de ajuda financeira externa tem-se revelado severo, tendo como contrapartida uma subida muito acentuada da taxa de desemprego, para patamares acima dos 16%. O início de 2012 ficou marcado pelo reacender de preocupações na Grécia, com a crise política a subir de tom, conduzindo a eleições antecipadas, cuja incerteza colocou em causa A economia portuguesa está a acusar os desequilíbrios verificados ao nível da política orçamental, bem como a ausência de um paradigma que crie condições propícias ao 9

10 BANCO PRIVADO ATLÂNTICO EUROPA, S.A. crescimento económico. O sector externo tem sido o principal motor da economia, e registase como factor positivo em 2012 o desempenho favorável das contas externas, o que reflecte não só uma diminuição das importações fruto da quebra do consumo, mas também um aumento das exportações, o que se deve à capacidade de diversificação de mercados de destino para além das fronteiras europeias, nomeadamente para África e América Latina. Porém, estando a economia a operar no máximo da sua capacidade instalada, o potencial exportador afigura-se limitado enquanto motor de crescimento no futuro próximo. No âmbito do programa de ajustamento em curso, Portugal está a implementar um conjunto de reformas estruturais que terão como finalidade corrigir os desequilíbrios e reganhar a confiança dos investidores internacionais, desta forma procurando voltar ao financiamento autónomo em mercado primário de dívida pública. O Japão terá crescido 2,0% em 2012, depois de um desempenho negativo no ano anterior (-0,2%). O ano ficou marcado pela recuperação do país após o desaire que decorreu do acidente sísmico de Fukushima. Mas o ano ficou também marcado pelo regresso ao poder do partido conservador, que veio introduzir alterações no cenário económico do país. O governo nipónico é defensor de uma política monetária e uma política fiscal ultra-acomodatícias, pelo que foi anunciado um aumento do pacote fiscal, com vista a promover a reconstrução de infraestruturas e o crescimento económico. As economias emergentes apresentaram conjuntamente um desempenho mais forte que as economias desenvolvidas, com uma taxa de expansão do PIB de 5,1%, porém abaixo dos 6,3% observados no ano anterior. As economias emergentes não ficaram imunes à deterioração das condições económicas nos principais blocos, ainda que as diferentes regiões tenham sido afectadas de forma diferente. O bloco emergente asiático foi o que apresentou um desempenho mais sólido, revelando um crescimento de 6,6%, beneficiando de uma expansão de 7,8% da China. A região da África Subsariana apresentou um crescimento de 4.8%, desacelerando face aos 5.3% registados no ano anterior. Finalmente, refira-se que a América Latina cresceu 3%, depois de 4,5% no ano anterior, reflectindo uma desaceleração do ritmo de crescimento brasileiro para apenas 1%, face aos 2,7% de Num contexto de desaceleração da actividade económica mundial, juntamente com riscos geopolíticos em vários pontos do mundo, os preços das commodities mantiveram um desempenho moderado ao longo de 2012, sendo um dos veículos de contágio às economias emergentes exportadoras destes bens. Além disso, o sentimento de maior aversão ao risco manifestado entre os investidores internacionais traduziu-se numa menor propensão ao investimento, tanto em termos directos como em termos de carteira de títulos, penalizando estas economias. Neste contexto, destaca-se a China, com o mais forte ritmo de crescimento mundial (7,8%). Porém, não estando imune ao contágio proveniente dos blocos ocidentais, o primeiro semestre ficou marcado por indicadores de actividade que confirmaram uma economia em desaceleração, nomeadamente ao nível do sector manufactureiro (suporte das exportações, principal pilar de crescimento chinês). Assim, as autoridades chinesas adoptaram medidas de política monetária, no sentido de disponibilizar maior liquidez à economia (ex. redução do rácio de constituição de reservas). O governo chinês reviu em baixa o objectivo oficial de crescimento económico em 2012, para 7.5%. Esta revisão ocorre após a manutenção do objectivo de crescimento em 8% desde 2005, patamar que neste período as autoridades chinesas consideraram consentâneo com a 10

11 BANCO PRIVADO ATLÂNTICO EUROPA, S.A. sustentabilidade do modelo de crescimento e gerador de emprego. 6% 5% 4% 3% 2% 1% 0% -1% -2% -3% -4% -0,5% 2,4% -2,1% -2,6% -2,5% 5,0% 2,9% Fonte: FMI, Bloomberg, MinFin 20% 16% 12% 8% 4% 0% -4% Fonte: FMI, Bloomberg, MinFin EVOLUÇÃO DO PIB 2,0% 4,5% 1,4% 3,9% 1,8% 1,4% 3,7% 3,7% 3,2% -1,9% 2,3% -0,4% (E) Global EUA Zona Euro Angola Portugal 2,7% 0,9% 14,0% 1,9% -0,1% EVOLUÇÃO DA INFLAÇÃO 15,3% 11,4% 4,6% 4,1% 3,0% 3,5% 2,2% 2,5% 2,5% 2,2% 1,5% 9,0% EUA Zona Euro Angola China Portugal -3,0% 2,5% 2,1% EUA, os principais índices chegaram mesmo a atingir níveis máximos dos últimos anos: o índice Nasdaq atingiu o máximo desde 2000 e o DJI atingiu o máximo desde Na Europa, a preferência dos investidores recaiu sobre os títulos alemães (economia de refúgio na Zona Euro), sendo que neste caso o Dax atingiu o nível máximo desde Entre os índices bolsistas dos países periféricos, o saldo foi genericamente negativo. O índice MSCI World apresentou um ganho de 5,3% no ano, invertendo a desaceleração do ano anterior. De referir ainda que as praças emergentes, tipicamente mais voláteis, foram relativamente mais penalizadas pelo sentimento de aversão ao risco. O índice MSCI Emerging Markets apresentou um ganho de 1,3% em EVOLUÇÃO DOS ÍNDICES ACCIONISTAS GLOBAIS 80% 62,8% 60% 40% 22,8% 20% 14,4% 7,8% 4,2% 5,3% 1,3% 0% -20% -23,5% -40% Mercado Accionista MSCI World MSCI Emerging Markets 2012 foi um ano de valorização dos mercados bolsistas, ditado por um sentimento de maior optimismo relativamente às perspectivas de recuperação económica. O ano iniciou-se com um sentimento positivo, particularmente nos EUA, onde os indicadores foram confirmando um movimento de retoma da actividade económica e as empresas foram progressivamente apresentando resultados trimestrais mais favoráveis. Simultaneamente, a deterioração da situação político-financeira na Europa, deu lugar a uma preferência dos investidores por activos de menor risco, canalizando recursos para fora do bloco europeu e dando preferência aos activos norte-americanos. Neste sentido, os principais índices norte-americanos lideraram os movimentos de ganhos, seguidos de alguns índices europeus e asiáticos. De facto, nos Fonte: FMI, Bloomberg. Mercado de Taxas de Juro As taxas de juro de referência dos principais blocos económicos mantiveram-se em patamares historicamente baixos em 2012, num contexto de depressão da actividade económica e ausência de pressões inflacionistas. A disfuncionalidade dos mecanismos de transmissão de estímulos à economia, agravada pela desconfiança patente nos mercados quanto ao desfecho da crise da dívida na Zona Euro, impediu a dinamização do mercado de crédito e o fomento à actividade económica. Na Zona Euro, o Banco Central Europeu (BCE) estendeu o ciclo de corte da taxa de 11

12 BANCO PRIVADO ATLÂNTICO EUROPA, S.A. referência, colocando-a em 0,75%. Para além disso, prosseguiu com outras medidas de cedência de liquidez e de compra de dívida pública em mercado secundário, no âmbito de uma política que visa restabelecer o bom funcionamento do sistema interbancário e a confiança dos agentes económicos. Mário Draghi assumiu um posicionamento mais próactivo face à rápida deterioração das condições financeiras na Zona Euro. Nos EUA, a Reserva Federal deu indicações claras de que a taxa dos fed-funds irá manter-se nos actuais mínimos por um horizonte temporal alargado e prossegui a sua política de quantitative easing. Neste contexto, as taxas de juro Libor e Euribor apresentaram uma trajectória descendente, mantendo-se em patamares mínimos em termos históricos, face às expectativas de que as políticas monetárias dos principais bancos centrais continuariam ultra-expansionistas. No mercado de dívida pública, o ambiente de incerteza e aversão ao risco beneficiou os títulos refúgio, nomeadamente a dívida pública americana e alemã, que neste contexto apresentaram descidas das respectivas yields. Em contrapartida, nos países europeus da periferia, as yields dos títulos de dívida pública atingiram níveis máximos recorde na generalidade dos países afectados, com destaque para a Grécia, Portugal e Irlanda, mas também Espanha, Itália e França. Mercado Cambial O último ano foi marcado por uma ausência de definição da tendência do EUR/USD: a primeira metade do ano foi dominada por uma desvalorização da moeda única europeia face ao dólar e o inverso verificou-se na segunda metade do ano. Nos primeiros seis meses, a implosão do euro era considerada provável, num contexto de adensamento da crise das dívidas soberanas; porém, na segunda metade do ano, vários factores contribuíram para dissipar tais receios e dar suporte à moeda, designadamente: a introdução do Mecanismo Europeu de Estabilidade, que passou a assegurar a estabilidade monetária e cambial da região; a Grécia obteve o segundo resgate; a Espanha obteve ajuda para o seu sistema financeiro; verificaram-se avanços na União Bancária, com a introdução do supervisor único; o Banco Central Europeu anunciou o programa OMT (Outright Monetary Transactions), possibilitando a compra de dívida soberana dos países intervencionados mediante determinadas condições. No último trimestre, também contribui para a valorização do euro e penalização do dólar, o facto de os EUA se debaterem para evitar o chamado precipício fiscal, ao mesmo tempo que o tecto máximo da dívida foi alcançado, colocando desafios à administração norteamericana. Neste contexto, a cotação EUR/USD terminou o ano com um ganho de 1,99% em termos nominais no ano. De referir também o desempenho do USD/JPY, cujo movimento foi muito determinado no último trimestre pelo regresso ao poder de um governo apostado em manter as políticas ultra-expansionistas e defendendo a desvalorização da moeda como factor de competitividade do sector exportador. Nos países emergentes, o ano de 2012 foi marcado por uma valorização das principais moedas. A normalização económica, suportada em políticas fiscais e monetárias dirigidas para o crescimento, bem como o sentimento de menor incerteza, levaram a que 12

13 BANCO PRIVADO ATLÂNTICO EUROPA, S.A. os investidores voltassem a preferir activos de países com maiores ritmos de crescimento, em busca de maiores taxas de rendibilidade. A excepção foi a moeda brasileira, o Real, na medida em que as autoridades locais têm vindo a tomar medidas para impedir a apreciação excessiva da sua moeda, desta forma protegendo a competitividade do seu sector exportador, num momento de arrefecimento da economia. O Kwanza angolano manteve um desempenho relativamente estável face à divisa norteamericana, tendo registado uma desvalorização ligeira de 1.9%, beneficiando de uma política cambial que procura promover a estabilidade da moeda. EVOLUÇÃO DE DIVISAS VS USD 10% 5% 4,7% 4,6% 1,8% 2,6% 1,8% 0% -5% -1,9% -10% -9,1% -11,3% -15% Yen (Japão) Dólar Australiano (Austrália) Rand (Africa do Sul) Franco Suiço (Suiça) Real (Brasil) Libra (Reino Unido) Kwanza (Angola) Euro (Zona Euro) Fonte: Bloomberg Mercado de Commodities O ano de 2012 foi marcado por uma grande oscilação da generalidade dos preços das commodities. Avaliando o índice CRB (Commodity Research Bureau), que resume de forma abrangente este mercado, verifica-se uma perda de 4,8%. No que respeita aos preços das commodities energéticas, há a assinalar a evolução do preço do petróleo, cuja análise difere conforme observemos o desempenho do preço do West Texas Intermediate (WTI) ou do Brent. O ano iniciou-se com a decisão dos Ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia de embargo às exportações de petróleo do Irão, no âmbito da tensão geopolítica que marcou os últimos meses, resultante do desenvolvimento do programa nuclear do Irão. O contexto de agitação geopolítica contribuiu para manter o preço suportado na primeira metade do ano. Porém, num contexto de sucessivas revisões em baixa das perspectivas de crescimento económico internacional e perante os sinais de desaceleração da procura nas principais economias emergentes (com destaque para a China), o preço desta commodity foi perdendo vigor. Assim, o ano terminou com uma perda de 8% do valor do petróleo avaliado pelo WTI, embora avaliado pelo Brent se tenha verificado um aumento de 2,5%. O gás natural foi a commodity energética com um desempenho mais forte no último ano, com uma valorização de 12%. Os preços dos metais preciosos reflectiram a evolução cíclica do nível de aversão ao risco. Tendo sido um ano marcado por forte volatilidade destes preços, verificaram-se valorizações anuais do ouro (4,7%) e da prata (7,7%), mas ainda assim mantendo-se abaixo dos patamares máximos históricos atingidos em As commodities alimentares estão entre as que apresentaram maiores oscilações de preço, sendo que em alguns casos chegaramse a observar valorizações na casa dos 50%. Este encarecimento, particularmente do milho, reflecte a meteorologia adversa (seca extrema) observada em alguns países produtores, nomeadamente os EUA, que prejudicaram a produção. O facto de este produto ser uma matéria-prima para a produção de biocombustíveis, também fomentou os movimentos especulativos. A subida dos preços dos cereais nos mercados internacionais voltou a colocar sob alerta a estabilidade de preços em alguns países africanos, importadores líquidos de alimentos e onde esta componente tem um peso acentuado nos respectivos índices de inflação. Evolução das Matérias-Primas Índice TR/Jefferies CRB -3,4% Petróleo (Crude WTI) -7,9% Gás Natural 12,0% Ouro 4,7% Prata 7,7% Cobre 3,5% Algodão -0,1% Milho 6,0% Fonte: Bloomberg 13

14 BANCO PRIVADO ATLÂNTICO EUROPA, S.A. Modelo de Negócio O Banco Privado Atlântico - Europa, S.A. (Banco ou ATLANTICO Europa) foi constituído em Junho de 2009, com um capital social de 18 milhões EUR. É um Banco de direito português regulado pelo Banco de Portugal e pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O ATLANTICO Europa é detido a 100% pela Atlântico Europa S.G.P.S., S.A., que tem como accionistas: (i) com 10%, o Banco Privado Atlântico S.A. (ATLANTICO), (ii) com 20%, a Sonangol, (iii) com 65%, a GLOBAL PACTUM Gestão de Activos, S.A., e (iv) com 5%, quadros do Banco. Partindo de uma oferta integrada de produtos de banca de investimento e banca relacional, o ATLANTICO pretende ser o melhor banco de Angola no mundo e ser no mundo, o banco que melhor conhece Angola. Tendo como centro o mercado geográfico de Angola, e com o objectivo de apoiar a internacionalização dos clientes locais e desenvolver os negócios e interesses em Angola, dos clientes internacionais, O ATLANTICO Europa foi o primeiro passo da estratégia de internacionalização do Grupo e tem como missão ser uma instituição reconhecida por um serviço de excelência, através da participação activa na promoção do desenvolvimento socioeconómico de Angola e dos mercados em que está presente, da geração de valor para os clientes e accionistas e do crescimento profissional dos colaboradores. O ATLANTICO Europa tem como objectivo dinamizar a estrutura empresarial portuguesa e angolana, bem como as suas respectivas parcerias através da prestação de serviços de banca de investimento e banca relacional sempre suportado pelos pilares da segurança nas operações, rigor, sigilo e inovação. O ATLANTICO é o parceiro credível e conhecedor que, lado a lado e do princípio ao fim, ajuda os projectos a crescer e proporciona, com exigência e profissionalismo, o acesso a novos mercados, sectores e competências aos clientes angolanos e o acesso a Angola e respectivos agentes, projectos e sectores aos clientes internacionais. Estrategicamente posicionado para dotar a economia angolana de serviços de excelência que canalizem a poupança para o investimento produtivo, o ATLANTICO em 2012 introduziu na sua estratégia novos segmentos de cliente alvo affluent e emerging affluent passando a focar-se num mercado de dimensão superior, com elevado potencial, o que veio a traduzir-se num forte crescimento no número de clientes, e na dimensão do balanço e resultado. Banca de Investimento A direcção de Banca de Investimento é a unidade responsável pela execução de serviços de assessoria financeira, estruturação de crédito especializado e produtos financeiros, tais como acções, obrigações e outros títulos. O ATLANTICO assume-se como um banco com um enfoque estratégico na área de Banca de Investimento, colocando um grande ênfase nesta área de negócio. O seu compromisso estende-se à firme intenção de ser um agente com contribuição relevante para o processo de desenvolvimento de Angola. Contando já com alguns anos de presença no mercado, a equipa do ATLANTICO Europa é hoje uma referência pela sua experiência, serviços oferecidos e transacções 14

15 BANCO PRIVADO ATLÂNTICO EUROPA, S.A. completadas. Sendo uma equipa multigeográfica, o que lhe confere meios para cobrir qualquer geografia em termos de execução de mandatos. A estruturação da área de Banca de Investimento segue as melhores práticas internacionais, reunindo profissionais com experiência quer no mercado angolano quer em outros mercados. A segmentação de serviço tem em conta as necessidades do mercado e as exigências da base de clientes, procurando estes soluções inovadoras e especializadas. A unidade de Banca de Investimento disponibiliza os seguintes serviços: Corporate Finance: - Fusões e aquisições; - Restruturações; - Privatizações; - Financial advisory. Structured Finance: - Project finance e PPPs; - Real estate finance; - Leverage & aquisition finance; - Asset backed finance; - Syndication desk. Personal financial services: - Business plans; - Estruturação de negócios; - Apoio no lançamento de negócios. Mercado de capitais: - Equity; - Renda Fixa; - Sovereign and public finance. O firme compromisso com o mercado angolano, a utilização de best-practices internacionais de Banca de Investimento e a experiência dos profissionais permite a oferta de uma proposta única de valor e de excelência em serviços de Banca de Investimento. Banca Relacional e Corporate Com uma equipa de gestores especializada, o ATLANTICO Europa presta o apoio necessário à materialização das necessidades e objectivos financeiros dos clientes, através de uma oferta de produtos e serviços individualizada para particulares e empresas. A Segurança das Operações, o Rigor com que procura a solução adequada aos objectivos do cliente, a capacidade de encontrar novos produtos e soluções e o Sigilo com que executa as operações são os princípios base de construção da relação. O ATLANTICO Europa coloca ao dispor dos clientes uma oferta integrada de serviços financeiros, que incluem a gestão de activos e passivos, e a planificação patrimonial com soluções de investimento à medida de cada um. Com o apoio das áreas de Banca de Investimento e Corporate, tem ao seu dispor uma oferta que cobre também os interesses empresariais do cliente, com serviços de assessoria financeira e reestruturações, fusões e aquisições, colocações de capital, identificação de sócios e parceiros, entre outros. O ATLANTICO Europa aposta numa relação de grande proximidade com o cliente, apoiando-o na obtenção de alguns serviços não financeiros que possam satisfazer outras áreas de interesse. No segmento Corporate o ATLANTICO Europa pretende dar resposta às necessidades de empresas angolanas fora do seu mercado de origem, bem como actuar como Banco de apoio de empresas europeias que mantenham fluxos comerciais com Angola e/ou planos estratégicos de investimento no País. 15

16 BANCO PRIVADO ATLÂNTICO EUROPA, S.A. O ATLANTICO Europa pretende construir relações sólidas e de confiança com os seus Clientes, desenvolvendo um conhecimento profundo dos seus negócios de forma a poder estruturar soluções adequadas às necessidades específicas de cada um, como: - Soluções de Banca Transaccional - Soluções de Investimento - Financiamento da actividade corrente da Empresa - Financiamentos Estruturados - Assessoria Financeira - Soluções de cobertura dos diversos riscos em balanço Risco e Controlo Interno O Conselho de Administração do ATLANTICO Europa é responsável por definir, implementar e rever periodicamente um sistema de controlo interno adequado à natureza, dimensão e complexidade da sua actividade, devidamente alinhado com o seu perfil de risco, tendo por objectivos assegurar: a continuidade do negócio e a sobrevivência da instituição através de uma eficiente afectação de recursos e execução das operações, da efectiva monitorização e controlo dos riscos, da prudente avaliação de activos e responsabilidades, e da segurança e controlo de acessos nos sistemas de informação e comunicação; a existência de informação, contabilística e de gestão, de natureza financeira e não financeira, completa, fiável e tempestiva, que suporte a tomada de decisão e os processos de controlo; o cumprimento das disposições legais, das directrizes internas e das regras deontológicas e de conduta no relacionamento com os clientes, as contrapartes das operações, os accionistas e os supervisores. As funções chave do sistema de controlo interno gestão do risco, compliance e auditoria interna encontram-se dotadas de meios humanos e materiais suficientes para o cumprimento da sua missão, apresentando a independência, estatuto e efectividade necessárias ao correcto exercício da actividade. A Direcção de Risco representa a função de gestão de risco do Banco, sendo responsável pela identificação, avaliação, acompanhamento, controlo e reporte das diversas categorias de riscos relevantes para a actividade desenvolvida pela instituição, com o objectivo de obter uma compreensão fundamentada da sua natureza e magnitude. A Direcção de Risco tem reporte hierárquico directo ao órgão de administração, sendo exercida com independência face às áreas de tomada de risco. Tem participação activa na gestão dos limites e nas decisões que significativamente alterem o perfil de risco da Instituição, sendo-lhe assegurado pleno acesso a todas as actividades, documentos, informações e controlos considerados relevantes para o exercício das suas funções. Na categorização e classificação dos riscos inerentes à actividade, o ATLANTICO Europa adopta uma classificação em linha com a recomendada pelo Banco de Portugal no documento Modelo de Avaliação de Riscos (MAR). 16

17 BANCO PRIVADO ATLÂNTICO EUROPA, S.A. Highlights foi um ano de consolidação das operações, de reforço da notoriedade da marca e de continuação da criação das bases para a expansão futura do negócio. O ATLANTICO Europa beneficiou da sua estratégia de nicho de mercado permanecendo bastante isolado do enquadramento macroeconómico adverso de Portugal. Adicionalmente, e em linha com o posicionamento do Grupo, o ATLANTICO Europa introduziu na estratégia novos segmentos de cliente alvo affluent e emerging affluent passando a focar-se num mercado de dimensão superior, com elevado potencial. Assim, o ano foi marcado pelo forte crescimento da concessão de crédito que passou de 24.7 mn EUR em 2011 para 49.4 mn EUR em Não obstante, o ATLANTICO Europa manteve uma abordagem conservadora ao risco, e uma criteriosa alocação de recursos, pelo que os níveis de crédito vencido situaram-se abaixo de 0.5%. A prudente e eficiente gestão de tesouraria permitiu multiplicar por 2 a margem financeira. O lançamento de novos produtos e serviços dirigidos a clientes particulares e empresas a par de uma gestão de liquidez equilibrada e pautada pelas melhores práticas de gestão de risco estão na base desta evolução positiva. Ao nível operacional, 2012 destaca-se pela continuação da consolidação dos mecanismos de controlo interno e compliance, de gestão de risco e da plataforma tecnológica. O ATLANTICO Europa mudou a sede para um edifício situado numa das zonas mais privilegiadas de Lisboa, a Avenida da Liberdade. Em termos de infra-estrutura logística, as novas instalações permitiram a abertura do primeiro Centro ATLANTICO para atendimento dos clientes do segmento affluent e empresas. Adicionalmente o novo edifício é dotado de salas de reunião adequadas ao atendimento de clientes do segmento private e corporate bem como ao desenvolvimento de sessões de formação. Principais Acontecimentos de 2012 Março ATLANTICO Europa adopta o SAP e adere ao sistema de créditos SEPA. Abril ATLANTICO Europa adere ao Siteme Central de Valores do Banco de Portugal Junho Início da oferta de Trade Finance Agosto Mudança para a nova sede sita na Avenida da Liberdade 259. Setembro Liquidação da primeira operação em mercado de capitais em Angola, organizada, e estruturada pelo ATLANTICO Europa e colocada pelo ATLANTICO em Angola. Trata-se de uma emissão de obrigações subordinadas. 17

18 BANCO PRIVADO ATLÂNTICO EUROPA, S.A. Novembro Conclusão do processo de assessoria financeira e financiamento do projecto Baia de Luanda. Abertura do primeiro Centro ATLANTICO. Dezembro A margem financeira do ATLANTICO Europa passa a barreira dos 6 mn EUR e o Banco fecha o ano com um lucro de cerca de 700 mil EUR, correspondente a resultados líquidos positivos de forma recorrente em todos os trimestres do ano. 18

19 BANCO PRIVADO ATLÂNTICO EUROPA, S.A. Banca de Investimento A Banca de Investimento, sendo uma área de cariz transversal no ATLANTICO, actua de forma estratégica e conjunta, através das suas duas geografias, Europa e Angola, com o objectivo de oferecer aos seus clientes um serviço de excelência. ano diversos mandatos, em distintos sectores de actividade e nas diversas especializações de serviço: Corporate Finance, Structured Finance e Capital Markets. Relativamente a operações fechadas, contase com a concretização de duas operações muito estruturantes e inovadoras em Angola: Através da plataforma de Portugal, o ATLANTICO Europa, tem um papel crucial em operações cross-border, actuando como elo de ligação para os clientes do ATLANTICO, que pretendem diversificar geograficamente a sua carteira de investimento. Em 2012, o ATLANTICO Europa, através do serviço integrado e abrangente, acompanhou clientes, num conjunto de investimentos estratégicos no mercado português, com o objectivo de criar sinergias futuras em ambas as geografias. Projecto de Parceria Público-Privada Baía de Luanda Financiamento Estruturado Sindicato Bancário USD Mandate Lead Arrangers Co-Líderes Assessores Financeiros Participante A Banca de Investimento, através do seu profundo conhecimento dos mercados onde se posiciona, tem como missão, contribuir activamente para diversificação da economia angolana e suportar o empreendedorismo nacional. O ano de 2012 foi um ano muito importante para a unidade de Banca de Investimento do ATLANTICO Europa. Assistiu-se a um importante reforço da equipa, tendo não só crescido em dimensão, como nas suas competências nas diversas especializações de serviço. Adicionalmente, foram criadas plataformas organizativas importantes, que permitem hoje uma fluidez de processos e eficiência ao nível de operações mais significativas. Foi também um ano relevante no esforço de desenvolvimento comercial da unidade de negócio. Foram desenvolvidos ao longo do - AGOSTO No âmbito de assessoria financeira à Sociedade Baía de Luanda, S.A., em parceria com o Banco Millennium BCP, o ATLANTICO Europa participou na estruturação, montagem e colocação de um sindicato bancário, no valor de USD 250M, para o financiamento das obras de infraestruturas públicas desenvolvidas na Baía de Luanda. Esta operação de Structured Finance, desenvolvida em base nonrecourse (sem recurso a nível de garantias aos accionistas da sociedade mutuária), contou com a participação de cinco bancos da praça nacional: Banco Privado Atlântico, Banco Millennium Angola e Banco Angolano de Investimento, na qualidade de Mandate Lead Arrangers, Banco SOL e Banco Caixa Geral Totta de Angola, na qualidade de Co- Líders, e Banco Keve, na qualidade de Participante. 19

20 BANCO PRIVADO ATLÂNTICO EUROPA, S.A. O ATLANTICO Europa assessorou ainda o Banco Keve, S.A., na estruturação, montagem da primeira emissão de um empréstimo obrigacionista subordinado em Angola. A emissão, no valor de USD 20M, foi concluída em Setembro de 2012, e foi alvo de uma colocação integral junto de subscritores institucionais angolanos, tendo a procura superado a oferta. O prazo foi de cinco anos e meio e a taxa de cupão anual de 11%. Obrigações subordinadas Keve 2018 Angola encontra-se numa fase de rápida transição, fazendo-se notar o impacto desta tendência em todos os mercados e sectores de actividade, com relevância não só para o ATLANTICO como para a equipa de Banca de Investimento USD 20,000,000 Estruturação, Organização e Colocação 2012 ATLANTICO CAPITAL MARKETS Torna-se naturalmente um desafio a concretização de transacções seguindo as melhores práticas internacionais, num mercado que ainda se encontra em maturação em alguns domínios. A inexistência de mercados regulados de capitais é também um factor estrutural com algum impacto nas opções que a Banca de Investimento pode disponibilizar para as empresas e investidores em Angola. Por fim, as restrições que o actual quadro regulatório impõe ao nível de fluxos de capitais com o estrangeiro, levantam também algumas limitações ao acesso que as empresas angolanas poderiam ter na obtenção de financiamento e investimento em praças internacionais. As oportunidades em 2012 fizeram-se também sentir, em particular no sector privado. O sector público, fruto do período eleitoral que o país viveu, restringiu naturalmente as decisões a nível de políticas e empreendimento de projectos, os quais ficaram condicionados à entrada e tomada de posse do novo Governo. Foi contudo visível o dinamismo do sector petrolífero, assim como das áreas imobiliárias, distribuição e saúde. O ano de 2013 perspectiva-se como um ano intenso, no seguimento da implementação do programa de Governo no país para o período de 2013 a O sector público propõe-se a desenvolver ou a promover o desenvolvimento de importantes projectos em diferentes áreas da actividade económica, onde a Banca de Investimento pretende ter um papel muito activo, designadamente: Agricultura e Pescas ao nível da instalação de Pólos Agro-Industriais e no desenvolvimento de portos e terminais pesqueiros, Geologia e Minas na promoção e reactivação de projectos de prospecção mineira, Indústria Transformadora na promoção de Pólos Industriais nas diversas províncias, Hotelaria e Turismo na expansão da rede hoteleira nacional e por último no sector dos Transportes, no desenvolvimento dos terminais marítimos, terrestres e aéreos do país. Também do lado do sector privado, é expectável um crescente aumento dos níveis de investimento e de actividade económica em Angola. Esta tendência verificar-se-á não só em entidades internacionais como entidades 20

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