DOENÇA HEMORROIDÁRIA. Pedro Roberto de Paula

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Transcrição:

Pedro Roberto de Paula Prof. Assistente Doutor da Disciplina Cirurgia/Coloproctologia do Departamento de Medicina da Universidade de Taubaté - UNITAU Mestre e Doutor pela Universidade Federal de São Paulo Escola Paulista de Medicina TCBC e TSBCP

Antigo Egito 2750 A.C. - Coluna de Isis 1700 A.C. - Papiro de Edwin Smith Babilônia 1793 A.C. - Código de Hammurabi Grécia antiga 460 A.C. - Hipócrates

Ambos os sexos todas as raças todas as idades (raramente adolescência)

Anatomia Fonte: Quilici(2002)

Fonte: Quilici(2002)

Classificação de acordo com o plexo hemorroidário acometido: Hemorróidas internas -de 1º grau -de 2º grau -de 3º grau (-de 4º grau) Hemorróidas externa Hemorróidas mistas

Etiopatogenia fatores predisponentes: condições que levam à estase venosa (obstipação; disposição anatômica e posição ereta no homem) veias avalvuladas predisposição familiar (não hereditária) fatores desencadeantes ou agravantes:

Etiopatogenia fatores desencadeantes ou agravantes: modificações do hábito intestinal / abuso de laxantes hábitos defecatórios errôneos profissão insuficiência cardio-circulatória / hipertensão portal gravidez aumento fugaz da pressão intra-abdominal infeccioso local: periflebite flebite endoflebite tromboflebite secundária dilatação e estase venosa

Quadro clínico 1 - Hemorróidas interna sangramento prolapso exsudação perianal desconforto anorretal sintomas de anemia secundária

1 - Hemorróidas interna Complicações: pseudo-estrangulamento hemorroidário ou tromboflebite hemorroidária

Quadro clínico 2 - Hemorróidas externa dor tumefação sangramento

Diagnóstico Anamnese pormenorizada avaliação dos sintomas / hábitos evacuatórios e alimentares / uso de laxativos doenças anteriores ou cirurgias do trato digestivo / doenças gastrointestinais nos familiares Exame físico completo Exame proctológico

Diagnóstico diferencial fissuras abscessos úlceras específicas tumores anorretais pólipos estenoses melanomas procidência retal

Tratamento 1 - clínico hemorróidas internas de 1º grau risco cirúrgico alto gestantes Regime dietético aumento da ingesta de fibras cremes, pomadas ou supositórios banhos de assento mornos

1870 (EUA) terapêutica esclerosante anti-hemorroidal Métodos terapêuticos atuais mais utilizados (hemorróidas internas) Ligadura elástica Fotocoagulação Crioterapia Vantagens: não necessitam de anestesia

Tratamento 2 - Escleroterapia hemorróidas internas de 1º grau hemorróidas internas de 2º grau casos com contra indicação cirúrgica solução oleosa de fenol a 5% (BENSAUDE,1919)

Tratamento 3 fotocoagulação hemorróidas internas de 1º grau hemorróidas internas de 2º grau casos com contra indicação cirúrgica aparelho de raios infravermelhos (NATH E COLS 1977) (fibrose na submucosa, diminuição do aporte sanguíneo) (100º C na mucosa / 60º C na submucosa)

Tratamento 4 - crioterapia hemorróidas internas de 1º grau hemorróidas internas de 2º grau nitrogênio líquido -196ºC (FRASER & GRILL,1967) Tempo de 2 min / necrose por congelamento

Tratamento 5 - ligadura elástica hemorróidas internas de 1º grau / 2º grau hemorróidas internas de 3º grau hemorróidas internas de 4º grau (?) aparelho aplicador de anéis de borracha (BLAISDELL, 1954) (BARON, 1962) Fonte: Quilici(2002)

Tratamento 6 -cirúrgico hemorróidas internas de 3º e 4º graus hemorróidas internas de 2º grau refratárias hemorróidas complicadas hemorroidectomia aberta hemorroidectomia fechada hemorroidectomia semi-fechada

Hemorroidectomia fechada Técnica Ferguson (1959) Fonte: Quilici(2002)

Hemorroidectomia semi-fechada Técnica Obando e Reis Neto (1972) Fonte: Quilici(2002)

Hemorroidectomia aberta Técnica de Milligan e Morgan (1937)

Fonte: Quilici(2002)

Procedimento para prolapso e hemorróidas (PPH) Técnica de Longo (1993)

MUITO OBRIGADO!