63 COMO TRABALHAR E IDENTIFICAR A DISCALCULIA Nayana Laura Flores 1 Resumo: A discalculia quando identificada no aluno tem que ser tratado, mas esse tratamento deve ter o auxílio Da escola e da família, onde esses membros devem procurar não expor a crianças e nem suas dificuldades, e o professor deve procurar não isolar esse aluno do restante da turma. E principalmente o aluno deve ser motivado a vencer suas dificuldades. Palavras-chave: Dificuldades. Aluno. Aprendizagem. Discalculia. Matemática. 1. INTRODUÇÃO A discalculia é um distúrbio neurológico que promove dificuldades no entendimento de cálculos, o que consequentemente afeta a aprendizagem da Matemática. O aluno com discalculia encontrará dificuldades em identificar os números, sinais, montar operações e entender os conceitos matemáticos. (Escola Presbiteriana Erasmo Braga, 2013). Para que esse distúrbio seja identificado no aluno, uma das possibilidades é observar a trajetória desse aluno na aprendizagem de matemática. O professor pode utilizar para identificar, a observação das aptidões esperadas por idade em relação à matemática, assim então podendo verificar se o aluno possui discalculia, após essa identificação o professor precisa encontrar uma maneira de trabalhar com esse aluno. Para trabalhar com esse aluno o professor deve desenvolver atividades específicas, mas é necessário que isso aconteça sem isolar esse aluno do restante da turma, pois os alunos podem auxiliar na aprendizagem deste indivíduo. 2. O QUE É DISCALCULIA A palavra discalculia vem do grego e do latim, a qual significa DIS= mal; CULARE= calcular. Ela mostra que o indivíduo encontra dificuldades na aprendizagem de cálculos, ou seja, esse aluno tem dificuldades no aprendizado da matemática. 1 Graduanda do 8º período em Licenciatura em Matemática na Faculdade de Ampére (FAMPER).
64 A discalculia é causada por uma má formação neurológica, a qual provoca dificuldades em identificar os números, sinais, montar operações e principalmente em entender conceitos matemáticos. De acordo com Kosc apud Moura (2011), identificou seis tipos distintos de discalculia: Discalculia léxica: na qual o individuo apresenta dificuldade em ler símbolos matemáticos; Discalculia verbal: neste caso o paciente apresenta dificuldade em nomear quantidades matemáticas, números termos e símbolos; Discalculia gráfica: problemas para escrever símbolos matemáticos; Discalculia operacional: dificuldade de realizar operações e cálculos numéricos; Discalculia practognóstica: dificuldade para enumerar, manipular e comparar objetos reais e/ou em imagens; Discalculia ideognóstica: dificuldade em realizar operações mentais, bem como para compreender conceitos matemáticos. (MOURA,2011, p. 25). Com as discalculia identificadas por Kosc, se torna mais fácil para o professor identificar qual dessas dificuldades o aluno possui, para então o professor poder trabalhar com esse aluno. Conforme Shalev, apud Bernardi, Stobäus (2011) em aproximadamente de 5% a 15% das crianças que frequentam escolas normais de Ensino Fundamental tem discalculia. Os dados do estudo mostram ainda que a discalculia afeta na mesma proporção meninos e meninas em idade escolar. (BERNARDI e STOBÄUS, 2011, p.51). A discalculia afeta alunos de diferentes idades, porém a porcentagem de alunos afetados por ela é baixa, e pode ser detectada tanto em meninos como em meninas, então qualquer aluno pode apresentar essa dificuldade. A ela não é uma doença e sim uma dificuldade que o aluno tem em relação à matemática, que pode estar relacionada ao TDHA (Transtornos de déficit de atenção e hiperatividade). 2.1 Como identificar a discalculia no aluno A discalculia pode ser identificada no aluno desde a pré-escola, pois nesse período o aluno já deve saber identificar algumas questões matemáticas. Desde pequeno o aluno já possui aptidões matemáticas, que observando o professor pode identificar.
65 Segundo Silva (2013) as Aptidões esperadas dificuldades, de acordo com cada idade, são representadas na tabela a seguir: Aptidões: Tabela 1: Aptidões e dificuldades 3 a 6 anos 6 a 12 anos: 12 a 16 anos: - Ter compreensão - Agrupar objetos de dos conceitos de 10 em 10; igual e diferente, - Ler e escrever de 0 curto e longo, grande a 99; e pequeno, menos - Nomear o valor do que e mais que; dinheiro; - Classificar objetos - Dizer a hora; pelo tamanho, cor e - Realizar operações forma; matemáticas como -Reconhecer soma e subtração; números de 0 a 9 e - Começar a usar contar até 10; mapa; - Nomear formas; - Compreender - Reproduzir formas metade, quartas e figuras. partes e números ordinários. - Capacidade para usar números na vida cotidiana; - Uso de calculadora; - Leitura de quadros, gráficos e mapas; - Desenvolvimento de problemas. Dificuldades: - Problemas em nomear quantidades matemáticas, números termos e símbolos; - Insucesso ao enumerar, comparar, manipular objetos reais ou em imagens. - Leitura e escrita incorreta dos símbolos matemáticos; - Falta de compreensão dos conceitos matemáticos; - Dificuldade na execução mental e concreta de cálculos numéricos. Fonte: Silva (2013) Quando o professor consegue identificar essas aptidões e dificuldades, então poderá identificar que seu aluno pode ter discalculia, mas outro item que seria interessante o professor observar é a trajetória da aprendizagem desse aluno em relação à matemática. Outra maneira de identificar os alunos portadores de discalculia é quando eles apresentam: Dificuldade para entender conceitos numéricos simples (tais como o local/valor e o uso das quatro operações); Falta de conhecimento intuitivo sobre números (valor e relação entre os números); Problemas para aprender, evocar e ou usar fatos e procedimentos numéricos (ex.: tabuada, divisões longas); Mesmo que estes alunos produzam uma resposta correta ou usem um método correto, eles geralmente o fazem de maneira mecânica e sem confiança. (WEINSTEIN,2011, p.5)
66 O diagnóstico de discalculia pode ser feito por um profissional da educação ou um profissional da saúde. Esse diagnóstico exige uma avaliação clínica, onde seu objetivo é identificar que a dificuldade do aluno na aprendizagem da matemática. Esse diagnóstico é muito importante, pois a discalculia compromete o desenvolvimento do aluno de diversas formas, como a diminuição da escolarização e qualificação profissional, diminuição da autoestima do aluno, e traz frustações para as crianças. É importante que no diagnóstico possa ser identificada qual discalculia é apresentada pelo aluno para saber qual intervenção pedagógica deve ser usada com esse aluno. Portanto, após o diagnóstico o professor deve encontrar uma maneira de trabalhar com aquele aluno discálculo. 2.2 Como trabalhar com o aluno discálculo. É necessário que o professor procure diversas maneiras para trabalhar com o aluno discálculo, ele deve tomar algumas providencias que possa auxiliar esse aluno, como, ter paciência com essa criança, trabalhar com jogos lúdicos, e outra maneira seria trabalhar com problemas que possam ser relacionados ao cotidiano do aluno. É importante que esse professor tenha condições de desenvolver atividades específicas para o aluno discálculo, sem isola-lo do restante da turma. Há também algumas dicas de como o professor se comportar com esse aluno, conforme Carvalho e Hennemann (2013). Evitar - Ressaltar as dificuldades do aluno, diferenciando-o dos demais; - Mostrar impaciência com a dificuldade, expressada pela criança ou interrompê-la várias vezes ou mesmo tentar adivinhar o que ela quer dizer completando sua fala; - Corrigir o aluno frequentemente diante da turma, para não o expor; Tabela 2 Dicas de Comportamento Procure - Usar situações concretas nos problemas; Deixar que ele manipule este material, pois o contato tátil estimula conexões neurais; - Explicar e ele suas dificuldades e diga que esta ali para ajuda-lo sempre que precisar; - Propor jogos na sala; Jogos irão ajudar na seriação, classificação, contagem, habilidades psicomotoras e espaciais;
67 - Fazer correções no caderno com cores - O uso do computador é bastante útil por se chamativas, que destacam o erro. tratar de um objeto de interesse das crianças; - Fazer o uso de calculadora, tabuada e caderno quadriculado; - Realizar questões diretas e se tiver ainda muita dificuldade, o professor ou colega de trabalho pode fazer seus questionamentos oralmente para que o problema seja resolvido; - Estimular a inteligência lógico-matemática através de jogos com a utilização de materiais de fácil aquisição (garrafas pets, madeira, fitas, jogos, quebra-cabeça, etc.); - Manusear os objetos classificando-os em conjuntos; - Utilizar jogos para fixar a conceituação das relações numéricas e geométricas. Fonte: (CARVALHO, S; HENNEMANN, A. 2013). Com essas dicas o professor não irá expor esse aluno, e auxiliará na diminuição das suas dificuldades, mas para que isso seja relevante o professor precisa da ajuda da família, para que juntos possam auxiliar esse aluno em casa. Portanto, o aluno que for discálculo, precisa tanto do auxílio da escola como da família, todos que estão no seu cotidiano devem se envolver neste caso, sempre auxiliando o aluno e estimulando-o. CONCLUSÃO: Quanto mais cedo for diagnosticada a discalculia, mais cedo poderá ser tratado conseguindo diminuir os sintomas dessa dificuldade de aprendizagem, podendo o aluno ter um maior aproveitamento de seus estudos. Para que isso aconteça o aluno precisará da ajuda do professor, escola e principalmente a família para que esse aluno tenha motivação, e assim desenvolvendo
68 confiança em si mesmo, podendo dedicar-se mais para melhorar seu aprendizado e ter um melhor aproveitamento de seus estudos. Portanto, discalculia quando identificada no aluno deve ser tratado, mas esse tratamento deve ter o auxílio principalmente do professor e da família, porém, o papel mais importante é o do professor o qual deve auxiliar o aluno durante sua aprendizagem e procurar diferentes maneiras para que essa aprendizagem aconteça e se torne mais proveitosa, porém, a família deve estar junto durante esse processo motivando aluno a vencer suas dificuldades. REFERÊNCIAS: BERNARDI, J.STOBÄUS, C. Discalculia: conhecer para incluir. 2011. 13 f. Rev. Educ. Espec., Santa Maria, v. 24, n. 39, p. 47-60, jan./abr., Santa Maria. Disponível em <http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs2.2.2/index.php/educacaoespecial/article/viewfile/2386/1 715> acesso em 29/03/15. CARVALHO, S; HENNEMANN, A. DISCALCULIA - TRANSTORNO DE APRENDIZAGEM DA MATEMÁTICA - Dicas para a sala de aula. Dimensão 440x640. 2013. Disponível em: <http://psico09.blogspot.com.br/2013/03/como-diagnosticar-tratardiscalculia.html> acesso em 29/03/2015. ESCOLA PRESBITERIANA ERASMO BRAGA. O que é discalculia. 2013. Disponível em: <http://www.erasmobraga.com.br/artigos/o-que-e-discalculia> Acesso em: 16/05/2016 MOURA, Juraci. O fazer pedagógico no processo de aprendizagem de discalculia. 2011. 44f. Monografia (licenciatura em pedagogia) -AVM Faculdade Integrada Licenciatura em Pedagogia, Rio de Janeiro. Disponível em: <http://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/graduacao/p00511.pdf> acesso em 29/03/2015 SILVA, L.J. Discalculia: Uma abordagem do conhecimento docente e práticas pedagógicas. 2013. 43 f. Monografia (Curso de Matemática)-Faculdade de Para de Minas, Para de Minas. Disponível em:<http://www.fapam.edu.br/admin/monografiasnupe/arquivos/9052014212552monogr AFIA_Leandro_Junio_da_Silva.pdf > acesso em 29/03/2015 WEINSTEIN, M.A. Transtornos específicos da aprendizagem. 2011. 10f. Sindicato dos professores do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. Disponível em: <http://www.sinprorio.org.br/download/diversos/monicaweinstein.pdf > acesso em 29/03/2015.
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