Veja 08/05/2013 Leia o texto para responder às questões. COM O MUNDO NAS MÃOS Bernardo tem cinco anos, mas já sabe da existência do Japão. E aponta para o céu com o dedo: É atrás daquele teto azul que fica o Japão? Tenho de explicar-lhe que aquilo é o céu, não é teto nenhum. (...) Na primeira oportunidade compro e trago para casa um mapa-múndi. (...) O menino não lhe deu muita importância, quando apontei nele o Japão e a Inglaterra, o Brasil, os países todos. Limitou-se a fazê-lo girar doidamente, aos tapas, até que se desprendesse do suporte de metal. Conseguiu convencê-lo a ir destruir outro brinquedo, o secador de cabelo da mãe, por exemplo, que faz um ventinho engraçado e assim que eu me vi só, tranquei-me no escritório para apreciar devidamente a minha nova aquisição.
Com o mundo nas mãos, descobri coisas de espantar. Descobri que a Coreia é muito mais lá para cima do que eu imaginava uma espécie de penduricalho* da China, ali mesmo no costado do Japão. (...) A Tasmânia não tem. Pelo menos não encontrei. (...) Duvido que alguém me diga onde fica Andorra. (...) Pois fica é logo aqui, encravada* entre a França e a Espanha, um paisinho de nada, vê quem pode. Em compensação, a Antártida é muito maior do que eu pensava (...). E é bem no centro dela que eu tenho de soprar para encher o mundo. De repente, me vem uma ideia meio paranoide*. De tanto apalpar o globo de plástico, ele acabou meio murcho, acho que o ar está se escapando. E quando me disponho a enchê-lo de novo, imagino que eu seja um ser imenso solto no espaço, botando a boca no mundo para enchê-lo com meu sopro. O nosso planeta é mesmo uma bolinha perdida no cosmo, e do tamanho desta que tenho nas mãos é que os astronautas devem tê-lo visto da Lua: uma linda esfera de manchas coloridas, com seus oceanos cheios de peixes e singrados* por navios, as cidades agarradas aos continentes, ruas cheias de automóveis, casas cheias de gente, o ar riscado de aviões, de gaivotas, e de urubus... Tudo isso pequenino, insignificante, microscópico, os homens se explorando mutuamente, se maltratando (...). Que aventura mais temerária*, a de Deus, escolhendo caprichosamente este lindo e insignificante planetinha para ele enviar através dos espaços o seu Filho feito homem, com a missão de redimir* a nossa pobre humanidade. Faço votos que tenha valido a pena e que um dia ela se veja redimida. Até lá, este mundo não passará mesmo de uma bola, como esta que meu filho Bernardo, irrompendo* alegremente no escritório, me arrebata das mãos e sai chutando pela casa. Fernando Sabino. Deixa o Alfredo falar! Vocabulário Penduricalho: enfeite Encravada: alojada Paranoide: maluca Singrados: navegados Temerária: audaciosa Redimir: salvar Irrompendo: invadindo 1) Associe as palavras destacadas ao seu significado. I)... até que se desprendesse do suporte... ( ) soltasse II) que um dia ela se veja redimida. ( ) tira III)... me arrebata das mãos... ( ) salva A sequência correta é: a) I, III, II b) I, II, III
c) II, III, I d) II, I, III e) III, I, II 2) Numere os fatos de acordo com as três partes em que o texto se compõe. ( ) O pai descobre coisas novas ao apreciar o globo. ( ) O pai compra um globo para orientar melhor o filho sobre o planeta. ( ) Com o globo murcho, o pai começa a refletir sobre a nossa insignificância e a questionar a relação dos homens entre si e com o nosso planeta. A sequência correta é: a) 1 2 3 b) 2 1 3 c) 2 3 1 d) 1 3 2 e) 3 2 1 3) Em... tranquei-me no escritório para apreciar devidamente a minha nova aquisição., faz-se referência a: a) uma bola. b) um automóvel. c) um aquário cheio de peixes. d) um mapa-múndi. e) um microscópio. 4) Marque (V), para o que for verdadeiro, e (F), para o que for falso. ( ) O narrador compara o planeta a uma bola porque, entre outras razões, a Terra tem sido um brinquedo nas mãos dos homens. ( ) Em O nosso planeta é mesmo uma bolinha perdida no cosmo..., há uma referência à Terra no Universo. ( ) O narrador do texto é observador. ( ) No oitavo parágrafo, o narrador faz uma descrição detalhada do planeta.
A sequência correta é: a) V F V V b) V V V F c) F V V F d) F V F V e) V V F V 5) Marque (V), para o que for verdadeiro, e (F), para o que for falso. ( ) As expressões destacadas em penduricalho da China. e costado do Japão correspondem, respectivamente a chinês e japonês. ( ) Em... a nossa pobre humanidade, entende-se pela expressão destacada que a humanidade não tem recursos financeiros. ( ) Os termos destacados estão atribuindo características a um ser em... este lindo e insignificante planetinha... ( ) Indica quantidade o seguinte numeral: Na primeira oportunidade.... A sequência correta é: a) V F F V b) F V V F c) V F V F d) V V F F e) F F V F 6) Observe o mapa-múndi e, depois, analise as afirmativas.
I) O Japão, a Inglaterra e o Brasil fazem parte de um mesmo continente. II) Quando se diz... a Antártida é muito maior do que eu pensava., faz-se referência a um continente. III) Ao se dizer um paisinho de nada (em referência à Andorra), entende-se que é um país sem qualquer importância. É correto o que se afirma em: a) I, II e III. b) I e II apenas. c) I e III apenas d) II e III apenas. e) I apenas. Questões discursivas 1) Transcreva, do texto, o trecho que mostra como os homens têm tratado uns aos outros. 2) Segundo o texto, o homem tem a missão de salvar a Terra. Como isso pode ser feito? 3) Analisando o título do texto, pode-se perceber que ele apresenta mais de um sentido. Identifique esses sentidos.
4) Desenvolva as frases a seguir de acordo com as ideias propostas. a) O pai apalpou tanto o globo de plástico que b) O nosso planeta é como c) Quis conhecer todos os países da Europa porque d) O pai comprou um globo para o filho a fim de e) Tentei encontrar muitos pequenos países, mas