Filosofia da existência: Existencialismo

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Transcrição:

Filosofia da existência: Existencialismo No século XX, o pensamento sobre o ser humano assumiu novas perspectivas, com a visão de Martin Heidegger e Jean Paul Sartre. As raízes dessas ideias surgiram um século antes, especialmente com Kierkegaard e Nietzsche.

Martin Heidegger (1889 1976) O ser e o ente Ente: é tudo o que existe uma mesa, um livro, um cão, um homem... Ser: é aquele que tem a faculdade de questionar sobre si mesmo, isto é, o ser humano.

Fenomenologia Método de analisar a realidade baseada nas impressões que um fenômeno provoca em cada indivíduo. Heidegger adota este método para investigar a existência humana. Para ele a existência é uma via de acesso ao ser, onde de fato esta a essência humana.

Dasein: ser-ai O ser humano é lançado ao mundo, jogado no mundo, e existe como se fosse arrancado de si mesmo. Para ter consciência de si mesmo é necessário ter um distanciamento em relação a si, é preciso olhar-se de fora. OBS: Pra você ter consciência de si, deve ser arrancado de si mesmo, olhar de forma ampla a sua existência.

Características do ser humano Ser-no-mundo: o homem é um ser no mundo, uma vez que sua tomada de consciência não se da no vazio, mas em meio às coisas. Precisamos do mundo, precisamos estar no mundo para ser consciente. Ser-com: ao estar no mundo o homem é um ser com, um ser de relações. Ser-com-os-outros: um homem que se relaciona com as coisas, mas também com outros seres humanos

Finalizando O ser humano vive a dimensão da temporalidade, descobrindo o ser-para-a-morte. O que nos faz humanos é termos consciência da morte. Somos seres finitos que vivemos no tempo. Nesse sentido a morte não é apenas o fim da vida, mas o despertar de uma consciência que nos leva a dar o primeiro passo para abandonar uma vida comum e banal, na direção de uma existência autêntica e criativa, dando sentido a nossa vida.

Jean Paul Sartre (1905-1980) Para Aristóteles, a essência humana existe antes mesmo de o ser humano existir. Ao longo da vida humana, a essência vai se realizando com a ação. Compreendendo o fato: pense em uma semente, como a de um ipê. A semente traz em si mesma a identidade do vegetal. Sua germinação, crescimento e transformação em uma árvore florida nada mais é do a realização de sua essência.

Sartre (outra visão) A filosofia existencial se opõe a essa ideia e afirma que, no caso do ser humano, a existência precede a essência. O ser humano não tem uma essência ao nascer, vai construindo aquilo que é ao longo de sua vida, de sua existência.

Conhecimento do Eu Sartre considerava que cada pessoa individualmente era um ser por si mesmo que tinha autoconsciência. Segundo ele, as pessoas não possuíam uma natureza essencial. Dizer a alguém é assim que eu sou é um engano. O ser humano é uma construção aberto a mudanças e deve ter consciência desse espaço aberto (Devir / Heráclito).

Ser-em-si / Ser-para-si Ser-em-si: coisas que têm uma essência que é ao mesmo tempo definível e completa, no entanto não têm consciência de sua essência completa ou de si mesma. Ex: pedras, pássaros, árvores, caneta... Ser-para-si: coisas que são definidas em virtude de terem consciência e de estarem consciente de que existem (como o ser humano) e de que não possuem a essência completa associada ao ser-em-si. Obs: Somente os seres humanos tem consciência, eles existem em meio ao mundo de coisas.

Condição humana: três realidades A condição humana determina que o ser humano construa sempre sua identidade. Ele nunca É alguma coisa, ele sempre ESTÁ em determinada condição (Ex: você hoje é estudante do E.M., mas não será isso sempre, você ESTÁ estudando), assim como um dia você ESTARÁ universitário, profissional de determinada área. OBS: Sartre afirma que o ser humano não propriamente um ser, mas um vir-a-ser, na medida que ele é sempre um projeto.

O papel do Outro Sartre afirma que uma pessoa (ou o ser-para- si) só se torna consciente de sua existência, quando vê outro ser-para-si o observando. A pessoa se torna consciente da própria identidade quando é vista pelos outros, que também possuem consciência. Uma pessoa somente compreende a si mesmo em relação aos outros.

O outro Pode ser complexo de inicio, porque uma pessoa pode achar que o outro ser consciente o está vendo como um objeto no que se refere a aparência, tipo a essência. ( mesmo que seja na imaginação). Uma pessoa pode, então, tentar ver Os outros como objetos simples e definidos e sem nenhuma consciência, é a partir da ideia de Outro que vemos o preconceito em geral.

Finalizando Sartre acreditava que todos os indivíduos tinha uma liberdade essencial e que as pessoas eram responsáveis por suas ações. Somos livres e ao mesmo tempo presos a condição de escolher algo para nossa existência. A liberdade e a consciência inerentes são ao mesmo tempo uma dádiva e uma maldição. A liberdade possibilita através das escolhas, que alguém mude o rumo da própria vida.

Fontes Prof. Alexandre R. Bernardes Disciplina - Filosofia CPMG: Hugo de Carvalho Ramos Referencia Bibliográfica: KLEINMAN, Paul. Tudo o que você precisa saber sobre filosofia: de Platão e Sócrates ate ética e metafísica, livro essencial sobre o pensamento humano; tradução Cristina Sant Anna. São Paulo: Edt. Gente 2014. GALLO, Silvio. Filosofia experiência do pensamento. 1 ed. São Paulo: 2014 ( Unid. 02 cap. 01 / Unid. 02 cap. 01)

ATIVIDADE 1- Dentro do pensamento Heidegger, explique os conceitos: a- Ser b- Ente c- Dasein ( ser-ai) 2- Quais as características do ser humano para Heidegger? 3- Dentro do pensamento de Sartre, explique os conceitos: Ser-em-si e Ser-para-si. 4- Explique as três realidades da condição humana para Sartre: