Resposta Endócrino ao Trauma

Documentos relacionados
Resposta Endócrino-Metabólica ao Trauma

I Curso de Choque Faculdade de Medicina da UFMG SÍNDROME DA RESPOSTA INFLAMATÓRIA SISTÊMICA SIRS

Prof. Gustavo Santos Medicina 4º Bloco RESPOSTA NEUROENDÓCRINA E METABÓLICA AO TRAUMA

RESPOSTA ORGÂNICA AO TRAUMA

03/03/2015. Acúmulo de Leucócitos. Funções dos Leucócitos. Funções dos Leucócitos. Funções dos Leucócitos. Inflamação Aguda.

Abordagem ao paciente em estado de choque. Ivan da Costa Barros Pedro Gemal Lanzieri

Hormônios da Adrenal

4/19/2007 Fisiologia Animal - Arlindo Moura 1

Cortisol. Antiinflamatórios 04/06/2013. Córtex da SR. Fascicular: Glicocorticóides AINES. Esteroidais. Hormônios da Supra Renais

Profº André Montillo

Antiinflamatórios 21/03/2017. Córtex da SR. Fascicular: Glicocorticoides Cortisol AINES. Esteroidais. Hormônios da SR

Inflamação aguda e crônica. Profa Alessandra Barone

INFLAMAÇÃO E SEUS MEDIADORES

Fisiologia do Sistema Endócrino

PERÍODO ABSORTIVO E PÓS-ABSORTIVO

Pâncreas Endócrino Controle da glicemia

Doenças Metabólicas. Interação Metabolismo x Reprodução. Bruna Mion

INFLAMAÇÃO. Prof a Adriana Azevedo Prof. Archangelo P. Fernandes Processos Patológicos Gerais

Mantém pressão sanguínea e garante adequada perfusão e função dos tecidos corporais

Farmacologia dos Antiinflamatórios Esteroidais (GLICOCORTICÓIDES)

Hormônios do pâncreas. Insulina. Glucagon. Somatostatina. Peptídeos pancreáticos

Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM. Fisiologia Endócrina. O Pâncreas. Prof. Wagner de Fátima Pereira

Epinefrina, glucagon e insulina. Hormônios com papéis fundamentais na regulação do metabolismo

Disciplina: Clínica Médica de Pequenos Animais

Controle Hormonal do Metabolismo

Slide 1. Slide 2. Slide 3 TERAPIA NUTRICIONAL ESTADO NUTRICIONAL

Prof. Dra. Bruna Oneda

Sepse Professor Neto Paixão

Processo Inflamatório e Lesão Celular. Professor: Vinicius Coca

Aula: Sistemas Reguladores II. Sistema Endócrino

Profa. Dra. Raquel Simões M. Netto NECESSIDADES DE CARBOIDRATOS. Profa. Raquel Simões

Glândulas endócrinas:

Glicocorticoides. Glicocorticoides. Regulação da Secreção de Cortisol

FARMACOCINÉTICA FARMACODINÂMICA FARMACOCINÉTICA CONCEITOS PRELIMINARES EVENTOS ADVERSOS DE MEDICAMENTOS EAM. Ação do medicamento na molécula alvo;

Integração: Regulação da volemia e fisiopatologia da hipertensão arterial

RESPOSTA NEUROENDÓCRINA E METABÓLICA AO STRESS J. Martins Nunes

Estratégias de regulação do metabolismo. Epinefrina, glucagon e insulina

EIXO HIPOTÁLAMO HIPÓFISE GLÂNDULAS PERIFÉRICAS. Fisiologia Endócrina e Metabólica PG em Zootecnia (Produção Animal) / FCAV / UNESP / Jaboticabal

CASO CLÍNICO. O fim do mundo está próximo José Costa Leite Juazeiro do Norte Ceará

AVALIAÇÃO BIOQUÍMICA NO IDOSO

Fisiologia do Sistema Urinário

AGMATINE SULFATE. Ergogênico, cardioprotetor e neuroprotetor INTRODUÇÃO

Curso de Ciencias Biologicas Disciplina BMI-296 Imunologia basica. Aula 5 Inflamaçao. Alessandra Pontillo. Lab. Imunogenetica/Dep.

Prof. Ms. José Góes

HIPERSENSIBILIDADE DO TIPO IV. Professor: Drº Clayson Moura Gomes Curso: Fisioterapia

METABOLISMO ENERGÉTICO integração e regulação alimentado jejum catabólitos urinários. Bioquímica. Profa. Dra. Celene Fernandes Bernardes

REAÇÕES DE HIPERSENSIBILIDADE. Prof. Dr. Helio José Montassier

Fisiologia do Sistema Endócrino. Glândula Suprarenal. Glândulas Adrenais. SISTEMA ENDÓCRINO Adrenais. Adrenal

A inflamação ou flogose (derivado de "flogístico" que, em grego, significa "queimar") está sempre presente nos locais que sofreram alguma forma de

Resposta inicial que, em muitos casos, impede a infecção do hospedeiro podendo eliminar os micróbios

CONTROLE HIDROELETROLÍTICO

- Tecidos e órgãos linfoides - Inflamação aguda

CHOQUE E DISFUNÇÃO DE MÚLTIPLOS ÓRGÃOS

30/05/2017. Metabolismo: soma de todas as transformações químicas que ocorrem em uma célula ou organismo por meio de reações catalisadas por enzimas

Ferida e Processo de Cicatrização

Características Metabólicas dos Diferentes Tecidos Metabolismo de Estados Patológicos

BIOQUÍMICA II SISTEMAS TAMPÃO NOS ORGANISMOS ANIMAIS 3/1/2012

Reações de Hipersensibilidade

Resposta imune inata (natural ou nativa)

EFEITOS GERAIS DA INFLAMAÇÃO

REGULAÇÃO HORMONAL DO METABOLISMO DO GLICOGÊNIO E DE LIPÍDIOS

Terapia Nutricional do Paciente Queimado

A Diabetes É uma doença metabólica Caracteriza-se por um aumento dos níveis de açúcar no sangue hiperglicemia. Vários factores contribuem para o apare

Comunicação e sinalização celular

FISIOTERAPIA PREVENTIVA

Fisiologia do Sistema Endócrino. Introdução e Conceitos Gerais. Profa. Dra. Rosângela F. Garcia

Drogas que atuam no Sistema Nervoso Autônomo. Astria Dias Ferrão Gonzales 2017

Maria da Conceição Muniz Ribeiro. Mestre em Enfermagem (UERJ)

HORMÔNIOS ESTRUTURAS DIFERENTES PARA FUNÇÕES DIFERENTES

Sistema Endócrino. O que é um SISTEMA? SISTEMA 5/6/2010. Prof. Mst. Sandro de Souza CÉLULAS TECIDOS ÓRGÃOS. Disciplina: FISIOLOGIA HUMANA

Mediadores pré-formados. Mediadores pré-formados. Condição alérgica. Número estimado de afetados (milhões) Rinite alérgica Sinusite crônica 32.

Controle do Fluxo e da Pressão Sanguínea

CONTROLE DO SISTEMA CARDIOVASCULAR

REGULAÇÃO HOMEOSTÁTICA DO VOLUME E OSMOLALIDADE. Prof. Dra. Lucila LK Elias

SISTEMA MOTOR VISCERAL

Adrenais OS HORMÔNIOS ADRENOCORTICAIS - SUPRA-RENAL. Msc. Ana Maria da Silva Curado Lins

SISTEMA ENDÓCRINO. Prof.ª Leticia Pedroso

MECANISMOS DE IMUNIDADE CONTRA AGENTES INFECCIOSOS (Bactérias, Vírus, Parasitas Metazoários) Prof. Helio José Montassier / FCAVJ-UNESP

Estresse. Eustress Estresse Distress. Darwin, Estímulos variáveis externos estímulos similares internos

Sistema Endócrino. Prof. Mateus Grangeiro

Profª:EnfªDarlene Carvalho Diálise : Aula I

Disciplina: Bioquímica Curso: Análises Clínicas 3º. Módulo Docente: Profa. Dra. Marilanda Ferreira Bellini

Mantém pressão sanguínea e garante adequada perfusão e função dos tecidos corporais

Gestação - Alterações Hormonais e Metabólicas Durante o Exercício

Abordagem da sepse na emergência Rodrigo Antonio Brandão Neto

Edema OBJECTIVOS. Definir edema. Compreender os principais mecanismos de formação do edema. Compreender a abordagem clínica do edema

CÂNCER DE COLON. Prof. Dr. Erasmo Benicio Santos de Moraes Trindade

Transcrição:

Curso de Cirurgia Geral 2008 Resposta Endócrino crino-metabólica ao Trauma Jacqueline Arantes Giannini Perlingeiro

RESPOSTA ENDÓCRINO-METABÓLICA AO TRAUMA TRAUMA RESPOSTA

RESPOSTA ENDÓCRINO-METABÓLICA AO TRAUMA ONDE É O INÍCIO? LESÃO TECIDUAL GATILHOS DOR HIPOVOLEMIA ANESTESIA PNEUMOPERITÔNIO

RESPOSTA ENDÓCRINO-METABÓLICA AO TRAUMA

Fase inicial débito cardíaco aco pressão sangüí üínea perfusão tecidual temperatura corpórea rea metabolismo Manutenção da vida e homeostase

AGRESSÃO LOCAL Dor Inflamação Aguda Mediadores pró inflamação EHHA - HLC SNC Barorreceptores Resposta Neuro-endócrina Fibras Aferentes SNA Simpático ACTH / ADH / GH / Aldosterona CORTISOL Adr / Nora

Fase catabólica Insulina Anabolismo Hipoglicemia Proteogênese Cortisol Glucagon Adrenalina Catabolismo Hiperglicemia Proteólise

Fase catabólica Catecolaminas: Cronotropismo Gliconeogênese / LipL ipólise / Inotropismo / Glicogenólise lise Glicocorticóides: ides: Glicogenólise lise / Glicóneogênese / Lipólise Aumento da resistência à glicose Glucagon: Gliconeogênese / Glicogenólise lise / Lipólise Liberação de citocinas, mediadores de lípidesl Produção de proteínas de fase aguda

Alterações Metabólicas Proteína Muscular TGC Glicerol + Ac Graxo Aminoácidos Alanina Gliconeogênese Glicogênio hepático CICATRIZAÇÃO PFA GLICOSE Glicogenólise

HIPOVOLEMIA Hipotálamo Neurohipófise Supra-óptico ADH Renina - Angiotensina Aldosterona Ret. H2O renal Baroreceptores Carotídeos Medular Supra-renal Adrenalina SNA Cronotropismo Inotropismo Broncodilatação Vasoconstricção Preservação fluxo sanguíneo cérebro e coronária

Inflamação Aguda: vasodilatação aumento de permeabilidade / edema migração e ativação de leucócitos microtromboses Resolução Defesa Adquirida, específica Persistência Amplificação SIRS

Células inflamatórias neutrófilos e macrófagos migração Mediadores pró-inflamat inflamatórios Tecido lesado FNT / IL- 1 / IL-6 cininas Aminas vasoativas Opsonização Fagocitose Quimiotaxia Permeabilidade vascular Produção e Afluxo de células inflamatórias Início do processo de reparação tecidual local Resposta de fase aguda Síntese de proteínas de fase aguda Efeitos sistêmicos 1) Temperatura > 38 º C ou < 36 º C. 2) Freqüência cardíaca aca > 90 bpm 3) Freqüência respiratória ria > 20 ipm ou PaCO2 < 32 mm Hg 4) Leucócitos citos > 12.000 ou < 4.000 ou > 10% de células c imaturas SIRS PCR / Fibrinigênio / Complemento Dois ou mais efeitos Serviço o de Emergência sistêmicos - FCMSCSP

Mediadores inflamatórios FNT: Mediador mais proximal da cascata inflamatória Atua na amplificação da resposta inflamatória IL- 1: Atua na amplificação da resposta inflamatória Indução de proteólise muscular Aumento: cortisol / glucagon / insulina / ACTH Aumenta resposta imune ( Ac, Linfócitos T) IL-6: Regula a síntese de PFA ( PCR)

FASES DA RESPOSTA METABÓLICA AO TRAUMA

RESPOSTA ENDÓCRINO-METABÓLICA AO TRAUMA Extremos: Hemorragia grave

RESPOSTA ENDÓCRINO-METABÓLICA AO TRAUMA Dificuldade respiratória Mobilidade reduzida Hipoventilação Retenção secreção Atelectasia Pneumonia SARA Escaras Infecção Fluxo Venoso TVP TEP

RESPOSTA ENDÓCRINO-METABÓLICA AO TRAUMA Trauma BOA PÉSSIMA Resposta do organismo

RESPOSTA ENDÓCRINO-METABÓLICA AO TRAUMA Neuro-endócrina- Vasoconstricção: extremos Esplâncnica Renal Periférica Isquemia Intestinal Insuf. Renal Pré-renal Isquemia e morte celular Edema microcirculação Translocação Bacteriana? Necrose tubular Aguda Choque irreversível

RESPOSTA ENDÓCRINO-METABÓLICA AO TRAUMA Neuro-endócrina- Metabolismo: extremos Catabolismo protéico Perda de massa muscular Dificuldade respiratória Mobilidade comprometida

RESPOSTA ENDÓCRINO-METABÓLICA AO TRAUMA Neuro-endócrina: extremos Catabolismo protéico Diminuição produção de anticorpos Imunosupressão

SIRS: extremos Cininas Macrófagos FNT / IL-1 / IL-6 PMN Coagulação Fibrinólise AGRESSÃO Radicais livres Oxigênio Ac. Aracdônico Prostaglandinas Leucotrienos / Prostaciclinas Tromboxane Complemento C3a - C5a Óxido nítrico Prostaciclina Endotelinas

SIRS LAP SARA Falência Hepática IRA Choque Acidose metabólica Coagulopatia SIRS DMOS MORTE

Trauma Cascata de Eventos Pós-Traumáticos Processo Fisiopatológico Sistêmico SIRS MEDIADORES IMUNOSSUPRESSÃO DMOS SEPSE

RESPOSTA ENDÓCRINO-METABÓLICA AO TRAUMA LOCAL SIRS DMOS

Iatrogenia Cirurgião Desconhecimento das alterações metabólicas Não envolvimento com o aspecto nutricional Preocupação quase que exclusiva com a técnicat Negligência durante o ato operatório rio não confeccionando ou não instalando uma via de acesso nutricional DESNUTRIÇÃO

desnutrição Infecção Cicatrização Força a tênsil das suturas Hipoalbuminemia - edema Força a muscular Hospitalização Período de convalescência Custo

RESPOSTA ENDÓCRINO-METABÓLICA AO TRAUMA Quando limitada: BOA Disponibiliza glicose (tecidos nobres) Mantém fluxo sanguíneo(tecidos nobres) Disponibiliza aminoácidos e glicose (cicatrização) Retém líquido / sem alterar osmolaridade Inflamação local (defesa)

RESPOSTA ENDÓCRINO-METABÓLICA AO TRAUMA Ao extremo: PÉSSIMA Hipercatabolismo protéico Intolerância periférica à glicose Isquemia renal e intestinal SIRS e DMOS Imunossupressão e apoptose ciclo vicioso

Considerações Finais Conhecer os mecanismos da resposta inflamatória Estratégias de tratamento específico: Volume: MUITO!!! Suporte Metabólico e Nutricional: PRECOCE Atenção: Pulmão - prognóstico Drogas vasoativas / ATB

Perspectivas Drogas Novas? Modulação da resposta inflamatória * Antagonista de receptores do FAP ( Lexipafant) * Solução hipertônica * Anticorpos anti TNF Sucesso em modelos experimentais (PENTOXIFILINA) Comprovação clínica

Obrigada!!!!