Profa. Ms. Luciana Carvalho ANO/ SÉRIE 3º Ano NÍVEL DE ENSINO Ensino Fundamental TEMPO PREVISTO 06 Aulas OBJETIVOS Abordar o gênero POESIA na perspectiva do Letramento Literário. Proporcionar o contato com a POESIA produzida por autores potiguares. Ressignificar o conceito e a representação dos espaços urbano e rural. Promover o contato com outras linguagens. Refletir sobre o significado da palavra mealheiro. Revisitar as memórias da infância. Fortalecer valores, sentimentos e afinidades por meio da sensibilização. POEMA Mealheiro POETA José Bezerra Gomes
DIÁLOGOS Telas de MATERIAL NECESSÁRIO Material impresso Cola e tesoura Revistas para recorte Projetor de multimídia AVALIAÇÃO A avaliação, processual e gradativa, deverá ser realizada a cada atividade individualmente, mediante a participação do aluno nas atividades (orais e escritas), assim como seu engajamento nas atividades em grupo, de forma a identificar suas afinidades, potencialidades e dificuldades. REFERÊNCIAS COSSON, Rildo. Letramento literário: teoria e prática. 2ª ed. São Paulo: Contexto, 2014. GOMES, José Bezerra. Antologia Poética. Natal RN: Fundação José Augusto, 1974. PINHEIRO, Hélder. Poesia na sala de aula. 2. ed. João Pessoa PB: Ideia, 2002. SILVA, Vera Maria Tietzmann. Leitura Literária & Outras Leituras: Impasses e alternativas no trabalho do professor. Belo Horizonte MG: 2009. SORRENTI, Neusa. A Poesia vai à escola: Reflexões, comentários e dicas de atividades. 2ª ed. Belo Horizonte MG: Autêntica, 2009. https://adrianosantori.wordpress.com/
Algum de vocês costuma receber algum dinheiro dos pais ou dos avós? O que costumam fazer com esse dinheiro: gastam logo comprando alguma coisa ou guardam para juntar um pouco mais e comprar algo melhor? E onde vocês guardam esse dinheiro? Apresentar aos alunos o poema Mealheiro do escritor José Bezerra Gomes. MEALHEIRO Meu avô a camisa por cima da ceroula no mourão da porteira do curral de pau a pique cheirando a estrume Contando os bezerros novos das vacas paridas Minha avó no santuário da capela o rosário de contas de capim santo nas mãos devotas Nos terços nas novenas de maio o mês das flores
As espigas de milho verde bonecando nos roçados Os algodoeiros casulando As ovelhas malhando na sombra das quixabeiras O rio a cheia A água barrenta da correnteza transbordando pelas vazantes do rio cheio Os sapos os cururus cantando dentro das noites empoçadas As tanajuras esvoaçando na luz das lamparinas As flores do mato crescendo pelos caminhos orvalhados rescendendo Os meninos gordos de terra sob a chuva sob o inverno se banhando As veredas trilhadas pelos preás Os ninhos dos concrizes balançando na copa das braúnas As asas dos urubus pairando paradas no céu encandeando A barra das madrugadas O aboio dos tangerinos As alpregatas de meu avô arrastando nas lajes do alpendre do mundo de minha infância. JOSÉ BEZERRA GOMES José Bezerra Gomes nasceu em 09 de março de 1911, no Sítio Brejuí, município de Currais Novos - RN. Ainda menino seguiu para Natal, concluiu o curso ginasial no colégio Ateneu (Natal RN) e, logo depois, formou-se em Direito pela Universidade de Direito de Minas Gerais. Dentre as suas publicações estão os romances Os Brutos (1938), Por que não se casa, Doutor? (1944) e A Porta e o Vento (1974) e seu único livro de poesias, Antologia Poética (1974). Em sua homenagem foi criada a Fundação Cultural José Bezerra Gomes, localizada no município onde nasceu. José Bezerra Gomes faleceu em 25 de maio de 1982 e está entre os principais representantes da prosa e da poética modernista potiguar.
Depois da leitura silenciosa, importante para o primeiro contato do aluno com o texto escrito, sugerir que cada grupo de versos do poema (estrofe) seja lido em voz alta por um aluno. Em seguida, conversar com os alunos: Algum de vocês já conhecia esse poema? E o escritor, já conheciam? ATENÇÃO! Após esse questionamento é importante apresentar aos alunos a biografia do escritor José Bezerra Gomes, para que os alunos possam conhecer melhor o autor do poema trabalhado. Esses dados relacionados a vida e a obra do escritor podem ser apresentados de forma oral, em material impresso, em projetor de multimídia, ou de alguma outra forma, considerando o material que o professor tenha disponível. O poema parece descrever um ambiente como se pintasse uma tela diante de nossos olhos. Como seria este ambiente: rural ou urbano? Quais os elementos descritos no poema que estão diretamente relacionados a este espaço? Fazer os alunos refletir sobre as semelhanças e diferenças entre os espaços rural e urbano. Para isso, poderá, se achar necessário, apresentar fotografias ou telas que ilustrem um pouco esses espaços para que os alunos possam construir de forma mais significativa essas referências. Poderá também dividir o quadro-negro ao meio, um lado referente a Espaço Rural e o outro a Espaço Urbano e, em seguida, pedir para que alguns alunos retirem do poema elementos próprios de cada um desses espaços e os registrem no quadro-negro. O poema traz como personagens o avô e a avó, cada um com enfoques diferenciados. O que cada um deles parece representar no poema?
Observe o título do poema Mealheiro. Você conhece essa palavra? Sabe o que ela significa? Por qual razão o poeta escolheu este nome para intitular seu poema? Mealheiro sm. 1 Dinheiro economizado; pecúlio. 2 Pequeno cofre com uma fenda por onde se introduz a moeda. 3 Cofrezinho. Acredita-se que alguns alunos consigam identificar o significado da palavra mealheiro por meio da associação da palavra ao conteúdo expresso no poema, ou mesmo pela aproximação sonora e semântica entre as palavras mealheiro e milhaeiro, como é popularmente conhecido em vários lugares do Nordeste. Como sua infância foi vivida? Como eram os espaços de sua infância? Quais as lembranças mais fortes que você tem dessa época? O que você considera como sendo os tesouros da sua infância? A seguir, algumas telas do artista plástico, poeta e músico Adriano Santori, que ilustram com bastante beleza os espaços rural e urbano de Currais Novos RN, cidade natal de José Bezerra Gomes, poeta aqui trabalhado. Casa Branca, Povoado da Cruz (Currais Novos RN)
Paisagem com mandacaru, (Currais Novos RN) O Sertão de todos nós I, (Currais Novos RN) Da Série Retratos do sertão abandonado Currais Novos, Rua do Comércio, 1940 Praça Cristo Rei e Rua do Comércio, 1950, Currais Novos RN Rua João Pessoa, Currais Novos, Década de 30 Artista plástico, músico e poeta curraisnovense Disponível em: https://adrianosanto ri.wordpress.com
Depois de toda essa conversa com os alunos sobre as memórias de infância, entregar a cada um a seguinte tarefa: OS TESOUROS QUE GUARDO NO MEU MEALHEIRO E você? Quais são os seus tesouros? O que para você é tão precioso que merece ser guardado em um mealheiro? Quais são as suas lembranças mais especiais da infância? Pense um pouco a respeito e depois escreva o nome de cada uma dessas preciosidades aqui. Você também pode representar seus tesouros por meio de desenhos ou de recorte e colagem.
Formar um grande círculo na sala. Os alunos devem ficar sentados, nas suas cadeiras ou no chão. Pedir para que cada aluno apresente para os colegas os tesouros que escolheu para guardar no seu mealheiro, justificando brevemente a razão da escolha. Para esse momento, os alunos podem ficar bem livres para falar quando quiserem, sem necessariamente seguir uma ordem do professor. Luciana Maria Carvalho Medeiros dos Santos é licenciada em Letras (UFRN), Especialista em Educação e Linguagem (UFRN) e Mestre em Letras (UFRN) com pesquisa na área de Poesia. Como resultado de sua pesquisa de mestrado organiza e coordena o site www.poesiapotiguar.com.br, voltado a divulgação, discussão e projeção da Poesia Potiguar, e acima de tudo a sugestão de propostas didáticas centradas nessa poesia, como forma de colaborar com os professores na inclusão efetiva e significativa da poesia produzida por autores norte-riograndenses no contexto escolar. É professora de Língua Portuguesa e Literatura da rede estadual de ensino e atua também como agente de leitura em atividades da ONG Casarão de Poesia, Ponto de Leitura do qual faz parte como coordenadora. É também Luma Carvalho, nome artístico com o qual se apresenta no cenário artístico como poetisa, performer, contadora de história e ilustradora. http://lattes.cnpq.br/9801314448788524 Edw Tyler é o nome artístico do artista plástico e caricaturista Edilson Aureliano dos Santos. Edilson nasceu em Currais Novos-RN, cidade onde mora até hoje, e além de artista é professor de Língua Inglesa da rede estadual de Ensino. Iniciou na arte do desenho aos 16 anos, por influencia do seu irmão. Sempre observador e curioso, costumava ficar observando tudo ao redor nos mínimos detalhes. Foi aluno do também artista plástico João Antonio, com quem aprendeu a desenvolver melhor as técnicas do desenho e da pintura, investindo o máximo, praticando e testando tudo o que a ele era apresentado. O jovem artista atribui a este curso em particular e todas as experiências compartilhadas com o mestre João Antonio, a razão para seu engajamento nessa arte.