Aula 5 Lucro Real e Lucro Presumido Considerações gerais TRIBUTAÇÃO DA RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS 1
Tributos abrangidos IRPJ Alíquota de 15% Adicional de 10% sobre o R$20.000,00 por mês no período de apuração montante que superar Considera-se cada empresa individualmente. Não há group taxation. A equivalência patrimonial/dividendos decorrentes de participação em empresas brasileiras não compõe a base Dividendos/lucros distribuídos são isentos, independentemente do beneficiário CSLL Alíquota 9% Regimes de tributação da renda das pessoas jurídicas afetam a tributação pelo PIS e pela COFINS Apuração da base de cálculo Três bases de cálculo alternativas: Lucro real (regra): é o resultado líquido apurado na escrituração comercial, ajustado pelas adições, exclusões e compensações admitidas ou exigidas pela legislação tributária Lucro presumido (opcional, quando não vedado): é o lucro determinado por meio da aplicação de coeficientes sobre valores globais da receita auferida pela pessoa jurídica. Estes coeficientes são expressamente previstos em lei e variam em função da atividade da empresa Lucro arbitrado: é o valor determinado, geralmente pela autoridade fiscal, por meio de um coeficiente sobre a receita da empresa (se conhecida) ou por outros índices previstos em lei, no caso de descumprimento das normas da legislação tributária de forma a impossibilitar ou tornar inadequada a apuração pelo método do lucro real ou presumido Bases de cálculo do IRPJ e da CSLL são apuradas por regras semelhantes Nenhuma delas é o lucro contábil! 2
LUCRO PRESUMIDO Lucro presumido Surge com o Decreto Lei 5.844/43 Regime facultativo Abandona lucro contábil Receita Despesa = Lucro Receita * Coeficiente = Lucro Por que existe? Poderia ser obrigatório? 3
Vedações à opção pelo lucro presumido Estão obrigados à tributação pelo lucro real empresas que: tenham apurado receita bruta total superior a R$ 78.000.000,00 no ano-calendário anterior, ou proporcional ao número de meses do período-base, quando inferior a 12 meses; (alteração na Lei 9.718/98 feita pela Lei 12.814/13; válida a partir de 1º de janeiro de 2014) sejam instituições financeiras ou equiparadas; tenham lucros, rendimentos ou ganhos de capital originados no exterior; usufruam benefícios fiscais relativos à isenção ou redução do IR, nos termos da legislação; tenham, no decorrer do mesmo ano-calendário, realizado o pagamento do IR por estimativa; explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring) que explorem as atividades de securitização de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio Limite de receita Quais as receitas devem ser consideradas para o cálculo do limite? Considera-se como receita bruta total (art. 519 e 224 do RIR, reconhecido pela RFB): o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (i.e. comissões), acrescidos das demais receitas, tais como, rendimentos de aplicações financeiras (renda fixa e variável), receita de locação de imóveis, descontos ativos, variações monetárias ativas, juros recebidos como remuneração do capital próprio etc. dos ganhos de capital Equivalência patrimonial (SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 56 de 26 de Maio de 2011) É autorizada a exclusão do IPI e do ICMS-ST, quando computados como receita Receita bruta no ano anterior é considerada segundo regimes de competência ou caixa, dependendo do regime em que a pessoa jurídica era tributada (pelo lucro real ou presumido) em tal ano (RIR, art. 516, 2º) Se iniciou atividades no meio do ano anterior, utiliza-se 1/12 por mês (R$6,5MM por mês) 4
Opção pelo lucro presumido Momento da opção Pagamento da primeira quota (ou quota única) do imposto (i.e., 1ª DARF do período) No lucro presumido, recolhimentose dá até o último dia do mês subsequente ao primeiro trimestre No lucro real, a opção se dá quando do primeiro recolhimento do lucro estimado (para aqueles tributados pelo regime anual), ou quando do recolhimento do imposto referente ao primeiro trimestre (para aqueles tributados no regime trimestral) Opção vincula todo o ano calendário (não apenas o período de apuração) É possível mudar de ideia? REDARF? Não é aceita (art. 10, IN403/04) É necessário informar a opção na 1º Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF (janeiro) que será entregue antes da 1º DARF (que possivelmente se dará em momento posterior). Noentanto é possível retificar a opção na DCTF, desde que nenhum recolhimento ainda tenha sido feito. A opção pelo regime de competência/caixa feita na DCTF não pode ser retificada. Outras possibilidades? Lucro presumido para lucro real Lucro real para lucro presumido Empresa que tem rendimento do exterior no meio do exercício Lucro real trimestral a partir, inclusive, do trimestre de ocorrência do fato gerador (ADI 5/2001) As pessoas jurídicas que tenham iniciado suas atividades ou que resultarem de incorporação, fusão ou cisão, ocorrida a partir do segundo trimestre do ano-calendário, poderão manifestar a sua opção por meio do pagamento da primeira ou única quota relativa ao trimestre de apuração correspondente ao início de atividade. CÁLCULO NO LUCRO PRESUMIDO 5
Cálculo Receita operacional ( - ) Descontos incondicionais concedidos ( - ) Devoluções e cancelamentos ( - ) IPI e ICMS-ST RECEITA SUJEITA AOS COEFICIENTES ( x ) Coeficiente (%) de presunção do lucro ( + ) Demais receitas (não operacionais, financeiras e Ganho de capital). LUCRO PRESUMIDO ( x ) Alíquota TRIBUTO DEVIDO Revenda de combustível a consumidor final Indústria, comércio, transporte de carga e serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatológica, medicina nuclear e análises e patologias clínicas Serviços de transporte de passageiros Prestadores de serviços (exceto profissões regulamentadas) com receita bruta anual de até R$ 120.000,00 Prestação de serviços em geral, intermediação de negócios e administração e locação de bens móveis e imóveis e direitos de qualquer natureza Coeficientes COEFICIENTE IRPJ COEFICIENTE CSLL 1,6% 12% 8% 12% 16% 12% 16% 32% 32% 32% Receitas financeiras 100% 100% Receitas não operacionais e ganhos de capital 100% 100% 6
LUCRO REAL Lucro real Calculado a partir do lucro contábil (qual lucro contábil...?) Regime de competência Não se confunde com lucro contábil. Grandezas diversas que cumprem diferentes propósitos 7
Lucro Real Resultado antes do IR+CSLL* ( + ) Adições Despesas contabilizadas que não são aceitas pela lei tributária Receitas exigidas pela lei tributária e não contabilizadas como tal ( - ) Exclusões Receitas contabilizadas que não entram nabase de cálculo Despesas que podem ser deduzidas mas não foram contabilizadas como tal ( = ) Resultado Líquido Ajustado ( - ) Compensação de prejuízo fiscal ( = ) Lucro Real *Valores da CSLL eventualmente registrados como despesa deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período para fins de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo (art. 1º da Lei 9.316/96, confirmado pelo STF no RE 582.525/SP, rel. Min. Joaquim Barbosa, 9.5.2013) Adições Lucro Real Exclusões Compensação Prejuízos fiscais Trava dos 30% Prejuízos e operações societárias 8
PIS e COFINS Histórico 15/12/98: EC alarga a competência 195, I, a: faturamento 195, I, a: faturamento/receita bruta 29/12/03: Lei 10.637: COFINS não cumulativo (base alargada + isenção) 27/11/98: Lei 9.718 alarga a base 30/12/02: Lei 10.637: PIS não cumulativo (base alargada + isenção) 9
Regime cumulativo: fato gerador e base de cálculo Lei nº 9.718/98 PIS e COFINS incidem sobre a receita bruta da pessoa jurídica 1998 até 2009: Totalidade das receitas, incluindo financeiras 1º Entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas Afastamento somente com medida judicial Após 2009: Lei 11.941 revoga o 1º do art. 3º dalei 9.718/98 Faturamento, i.e., receitas decorrentes das atividades operacionais da empresa Contribuições incidem em todas as etapas da cadeia produtiva Alíquotas PIS: 0,65% COFINS: 3% 10
Regime não cumulativo Leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS) Alteração da base de cálculo das contribuições para que incidam (idealmente) apenas sobre o valor agregado em cada etapa da cadeia produtiva Regime não cumulativo Receitas totais, exceto as não tributadas Gastos cujo crédito é permitido em lei PIS: 1,65% = * COFINS: 7,6% PIS: 1,65% * COFINS: 7,6% = Despesa de PIS e COFINS ( ) Menos PIS e COFINS a recuperar ( = ) Igual Créditos: bens para revenda insumos energia elétrica Aluguéis Leasing Depreciação Outros PIS e COFINS devidos 11
Regime não cumulativo: alíquotas Regime cumulativo: Receita * 3,65% Regime não-cumulativo: (Receita Créditos) * 9,25% Regimes cumulativo e não cumulativo Regime não cumulativo não revoga o cumulativo Há coexistência entre os dois sistemas Determinados contribuintes permanecem no regime cumulativo Determinados tipos de receita permanecem no regime cumulativo 12
Contribuintes e receitas sujeitos ao regime cumulativo Lei 10.637 Instituições financeiras Lucro presumido Cooperativas SIMPLES (sujeitas a regime próprio) P E S S O A S R E C E I T A S Lei 10.637 Telecomunicações contratos antigos jornalismo e radiodifusão Pedra britada Sujeitas a ST Venda em consignação de veículos Lei 10.833 transporte de passageiros hospitais etc educação Lei 11.051 software Lei 10.865 venda de jornais laboratórios clínicos transporte aéreo listas telefônicas aviação agrícola call center construção civil hotelaria e eventos Lei 10.925 serviços postais Rodovias agências de viagens Método BaseBase: Exemplo 1.1 Cumulativa ICMS 12% 1000 2000 Não cumulativa ICMS 18% ICMS 120 Débito: 360 Crédito: 120 Recolhido: 240 Total recolhido: 360 Alíquota efetiva: 18% COFINS (alíquota cum. 3%) (alíquota nãocum. 7,6% 30 Débito: 152 Crédito: 76 Recolhido: 76 Total recolhido: 106 Alíquota efetiva: 5,3% 13
Método Base-Base: Exemplo 1.2 Não cumulativa ICMS 18% 1000 2000 Cumulativa ICMS 12% ICMS 180 Débito: 240 Crédito: 180 Recolhido: 60 Total recolhido: 240 Alíquota efetiva: 12% COFINS (alíquota cum. 3%) (alíquota não-cum. 7,6% 76 Débito: 60 Crédito: N/A Recolhido: 136 Total recolhido: 136 Alíquota efetiva: 6,8% Método Base-Base e Planejamento Quando da estruturação de transações dentro de um grupo: Lucro presumido adquire de lucro real? Lucro real adquire de lucro presumido? 14
Caso 2) A Cia. Mobile tem por objeto as seguintes atividades: (i) compra e venda de móveis para decoração residencial; (ii) prestação de serviços de design de móveis para terceiros; e (iii) aluguel de imóveis próprios Considere que, em 2016, a Cia. Mobile apresentou os seguintes números: - Receita de venda de móveis: R$10.000.000,00 - ICMS sobre vendas de móveis: 12% - Gastos com aquisição de móveis para revenda: R$8.000.000,00 (presuma que o estoque inicial e o final foram zero) - ICMS sobre os móveis adquiridos: 12% - Receita de prestação de serviços de design: R$6.000.000,00 - ISS: 5% - Folha de salários: R$3.000.000,00 - Encargos sobre a folha (INSS-empregador, FGTS e outras contribuições): R$1.050.000,00 - Receita de aluguel de imóvel próprio: R$400.000,00 - Depreciação do imóvel alugado: R$20.000,00 - Despesa de aluguel com imóveis da sede e das lojas: R$800.000,00 - Receitas financeiras: R$100.000,00 (considere que não houve qualquer retenção na fonte) A administração da Cia. Mobile espera que os resultados de 2017 permaneçam iguais aos de 2016. Nesses termos, determine se a Cia. Mobile deveria optar pelo lucro real ou pelo lucro presumido. Caso 3) A Cia. Sabor, empresa familiar detida pelo Sr. Sergio Mendes e sua esposa Eva, tem por objeto o fornecimento de refeições em restaurantes corporativos por ela operados. Estes restaurantes corporativos são restaurantes da Cia. Sabor S.A. situados nos estabelecimentos (sede, fábricas etc.) de seus clientes. Tais restaurantes são voltados exclusivamente para fornecer refeições aos clientes da Cia. Sabor. Os clientes da Cia. Sabor financiam toda refeição de seus empregados, pagando mensalmente um valor previamente acordado com a Cia. Sabor. A Cia. Sabor é tributada pela sistemática do lucro real, pois sua receita anual supera o montante de R$78.000.000,00. Considere, ainda, que a empresa é lucrativa em uma margem média de 20% sobre a sua receita. 60% dos custos e despesas da Cia. Sabor dão crédito de PIS e COFINS. Atualmente, a limpeza e a vigilância destes restaurantes são realizadas pela própria Cia. Sabor, que arca com as despesas de mão de obra e insumos para estas atividades. Ainda, estes serviços são custeados pelo valor mensal que a Cia. Sabor cobra de seus clientes pelo fornecimento das refeições. Ou seja, atualmente não há cobrança segregada de tais serviços, apesar de isso ser possível em eventuais renegociações de contratos. Por exemplo, a Cia. Sabor cobra atualmente da empresa XPTO S.A. o valor mensal de R$1.800.000,00 para fornecer uma refeição diária para cada um dos 3.000 empregados da empresa XPTO. Se os serviços de limpeza e vigilância fossem cobrados destacadamente, considerando o seu valor de mercado, poder-se-ia segregar este valor em R$100.000,00 a título de tais serviços e R$1.700.000,00 exclusivamente pelo fornecimento das refeições. O custo para a prestação destes serviços, por seu turno, seria de R$10.000,00 (os gastos são majoritariamente decorrente de folha de salários). Tendo em vista estes fatos, determine se haveria alguma possibilidade de reestruturação do negócio da Cia. Sabor, ainda que envolva mudanças societárias (como, por exemplo, a criação de nova empresa) que pudesse gerar alguma economia tributária. Explique tal economia com exemplo numérico e aponte eventuais riscos, caso existam. 15