1 ROSENTHAL E SARFATIS METTA ADVOGADOS INFORMATIVO JURÍDICO NÚMERO 5, ANO 1I MAIO DE 2010 1 LUCRO IMOBILIÁRIO E O IMPOSTO DE RENDA A incidência do Imposto de Renda sobre o ganho de capital na venda de imóveis comporta algumas exceções. Confira mais detalhes na página 2. 2 3 INCIDE IR SOBRE O TOTAL DA VERBAS RESCISÓRIAS NÃO INDIVIDUALIZADAS Em acordo trabalhista, incide o tributo sobre o valor total quando não é possível a individualização. Leia mais na página 2. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE COMPENSAÇÃO SUSPENDE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Este foi o entendimento da Primeira Turma do STJ. O artigo completo segue na página 3. 4 STJ DECIDE QUE CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR SE APLICA ENTRE EMPRESAS Código se aplica quando uma das partes figure como destinatário final. Confira íntegra na página 4. 6 EMPRESAS SE LIVRAM DE PAGAR CIDE NAS REMESSAS AO EXTERIOR 5 TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO EDITA NOVAS ORIENTAÇÕES JURISPRUDENCIAIS Confira mais detalhes na página 4. 7 SÚMULA DETERMINA MOMENTO DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
2 Duas decisões afastaram a incidência da CIDE sobre estas remessas. Veja íntegra na página 5. STJ edita nova súmula. Leia mais na página 5. 1 LUCRO IMOBILIÁRIO E O IMPOSTO DE RENDA Via de regra, quando uma pessoa vende um imóvel, incide 15% de imposto de renda sobre o ganho de capital. Entretanto, esta regra comporta algumas exceções, que nem todos conhecem, conforme demonstraremos a seguir. A venda de imóveis adquiridos antes de 1969 estão isentos do imposto de renda sobre o ganho de capital, independente do valor de compra e de venda. Outra hipótese de isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital é a alienação, por valor igual ou inferior a R$ 440.000,00 (quatrocentos e quarenta mil reais), do único imóvel que o titular possua, individualmente, em condomínio ou em comunhão, desde que, nos últimos cinco anos, não tenha efetuado alienação de imóvel, a qualquer título. No caso de bens ou direitos possuídos em condomínio, o limite de R$ 440.000,00 é considerado em relação à parte de cada condômino ou coproprietário. Já com relação ao imóvel possuído em comunhão, como no casamento, o limite de R$ 440.000,00 é considerado como um todo. Também não estão sujeitos ao IR o ganho auferido por pessoa física residente no País na venda de imóveis residenciais, desde que o alienante, no prazo de 180 dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no País. A aplicação parcial do produto da venda implicará tributação do ganho proporcionalmente ao valor da parcela não aplicada. No caso de aquisição de mais de 01 (um) imóvel, a isenção de que trata este item aplicar-se-á ao ganho de capital correspondente apenas à parcela empregada na aquisição de imóveis residenciais. 2 INCIDE IR SOBRE O TOTAL DA VERBAS RESCISÓRIAS NÃO INDIVIDUALIZADAS
3 A Primeira Turma do STJ entendeu que o Imposto de Renda incide sobre o valor total das verbas decorrentes de rescisão de contrato de trabalho, quando não for possível individualizar os valores referentes a cada verba. No caso analisado, em uma reclamação trabalhista foi reconhecido o vínculo empregatício, o que culminou na obrigação de pagar as verbas rescisórias. Parte dessas verbas estavam sujeitas ao IR e outra parte estava isenta. Entretanto, as partes fizeram um acordo na Justiça do Trabalho em montante global, sem descriminar o valor referente a cada verba. Foi feita a retenção do IR sobre cada parcela do acordo. O trabalhador ajuizou uma ação de repetição de indébito de imposto de renda retido na fonte. O trabalhador alegou que como a verba foi homologada como indenizatória, não haveria incidência de IR sobre o valor recebido. Em grau de recurso o Tribunal Regional Federal da 3ª região entendeu que embora denominada pelas partes como pagamento indenizatório, não é a denominação da verba que a caracteriza como salarial ou compensatória, para efeito do IR, mas o exame de sua natureza jurídica. Dentre as verbas constantes na condenação, o 13º salário e as férias proporcionais tem natureza salarial. O STJ manteve a decisão do Tribunal Regional Federal. 3 PEDIDO ADMINISTRATIVO DE COMPENSAÇÃO SUSPENDE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Primeira Turma do STJ entendeu que o pedido administrativo de compensação de tributo suspende a exigibilidade do crédito tributário. No caso em questão a Fazenda Pública ajuizou a execução fiscal, após o contribuinte ter protocolado pedido administrativo de compensação. O Tribunal afirmou que o pedido administrativo de compensação não suspende a exigibilidade do crédito tributário, nem impede o ajuizamento de execução fiscal. No STJ, a Primeira Turma deu provimento ao recurso, considerando que qualquer impugnação do contribuinte à cobrança do tributo tem o condão de suspender a exigibilidade do tributo. Segundo o Ministro Luiz Fux, Relator do caso, se está pendente processo administrativo em que se discute a compensação do crédito tributário, o Fisco não pode negar a entrega da certidão positiva de débito, com efeito de negativa.
4 4 STJ DECIDE QUE CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR SE APLICA ENTRE EMPRESAS O STJ entendeu que o Código de Defesa do Consumidor se aplica na relação entre empresas. No caso julgado, duas empresas discutiam se a relação estava sujeita ao Código Civil ao à Lei Consumerista. O Art. 2º do CDC define consumidor como toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. De acordo com o Ministro Relator do Recurso, Francisco Falcão, a empresa recorrente se constituiu em empresa, em cujo imóvel funcionam diversos serviços, como médicohospitalares, laboratoriais, ambulatoriais, clínicos e correlatos, não apresentando qualquer característica de empreendimento em que haja a produção de produtos a serem comercializados. Desta forma, considerando que a empresa recorrente adquiriu um serviço de fornecimento de água para a manutenção dos serviços e do próprio funcionamento do prédio, não utilizando a água como insumo de sua atividade, ela se enquadra no conceito de consumidor. 5 TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO EDITA NOVAS ORIENTAÇÕES O TST editou novas orientações jurisprudenciais, visando dar mais segurança àqueles que procuram a justiça do trabalho. A orientação jurisprudencial 380 prevê o pagamento de hora extra pelo período de descanso não usufruído pelo empregado com carga horária superior a 06 (seis) horas. Outra orientação, a 376, estabelece que é devida a contribuição previdenciária sobre o valor do acordo celebrado e homologado após o transito em julgado de decisão judicial, respeitada a proporcionalidade de valores entre as parcelas de natureza salarial e indenizatória deferidas na decisão condenatória e as parcelas que foram objeto do acordo. Desta forma, se a decisão reconhece que 70% dos direitos devidos ao empregado integram a base de cálculo da contribuição previdenciária, esta deve ser calculada sobre 70% do valor pago através do acordo, se este for celebrado em momento posterior a sentença transitada em julgado. A orientação jurisprudencial 375 diz que a suspensão do contrato de trabalho, em virtude da percepção do auxílio-doença ou da aposentadoria por
5 invalidez, não impede a fluência da prescrição qüinqüenal, ressalvada a hipótese de absoluta impossibilidade de acesso ao judiciário. 6 EMPRESAS SE LIVRAM DE PAGAR CIDE NAS REMESSAS AO EXTERIOR Os contribuintes que fazem remessas de capitais ao exterior para pagamento de royalties tem duplo motivo para comemorar. Recentemente, duas decisões afastaram a incidência da CIDE Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico sobre estas remessas. Os conselheiros da 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF - Conselho Administrativo de Recursos Fiscais excluíram o IR retido na fonte sobre o pagamento de royalties da base de cálculo da CIDE. O fundamento da exclusão é de que a base de cálculo da contribuição, nos termos da Lei, é o valor remetido ao exterior, o que não inclui o IR. Outra decisão favorável aos contribuintes foi do TRF da 3ª Região. Os desembargadores entenderam que não incide a CIDE na remessa de royalties por importação de software, quando não houver transferência de tecnologia. Desde 2007, com a entrada em vigor da Lei nº 11.452, somente incide a Contribuição quando há transferência de tecnologia na importação. A Decisão mencionada supra, foi favorável porque a remessa em questão foi feita em 2005, antes, portanto, da entrada em vigor da Lei nº 11.452/07. 7 SÚMULA DETERMINA MOMENTO DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Esta é a redação da súmula nº 436 aprovada pela Primeira Seção do STJ. Com a edição da nova súmula, o STJ pacificou o entendimento de que em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF ou documento equivalente constitui definitivamente o crédito tributário, dispensando outras providências por parte do fisco.