INFORMATIVO JURÍDICO



Documentos relacionados
INFORMATIVO JURÍDICO

INFORMATIVO JURÍDICO

Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital

Rio de Janeiro, 26 de julho de 2011.

Marcos Puglisi de Assumpção 3. PLANEJAMENTO FISCAL

CIRCULAR Medida Provisória 252/05

Identificação e recuperação de créditos

Tributação do lucro imobiliário na alienação de imóvel

SIMULADO PFN I (Tributário e Processo Tributário) Prof. Mauro Luís Rocha Lopes Dezembro de 2015

Obrigatoriedade na declaração

INFORMATIVO JURÍDICO

Instrução Normativa SRF nº 599, de 28 de dezembro de 2005

CONTRATO DE TRABALHO. Empregado Preso

Carlos Roberto Occaso Subsecretário de Arrecadação e Atendimento da Receita Federal do Brasil

Direito Tributário. Módulo IV: Obrigação Tributária e Crédito Tributário.

lançamento A cada (notificação) 5 anos 5 anos 1º de janeiro 1º/01

BOLETIM Novembro/2013 Extraordinário nº 56

DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA 2015 DETALHES A OBSERVAR

VARGAS CONTABILIDADE ORIENTAÇÃO

PARCELAMENTO TRIBUTÁRIO

Lei nº , de (DOU )

ARQUIVO ATUALIZADO ATÉ 29/11/2011

PRAZOS DE GUARDA E MANUTENÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS

IR/ PESSOAS FÍSICAS GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIRIEITOS

TURMA REGIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA - TRUJ

Novély Vilanova da Silva Reis. Juiz Federal em Brasília.

Tributação em bases universais: pessoas jurídicas

LEI Nº , DE 13 DE MAIO DE LEI DE CONVERSÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 627, DE 11 DE NOVEMBRO DE ALTERAÇÕES NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA

Decadência e Prescrição em Matéria Tributária

A nova Consolidação das Regras para Compensação de Tributos Federais: In nº 1.300/12

QUALIDADE DA INFORMAÇÃO X PER DCOMP

Superior Tribunal de Justiça

14. TRIBUTOS EM ESPÉCIE Impostos sobre a Transmissão ITBI e ITCMD

GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL (POR PESSOA FÍSICA)

Pessoas obrigadas a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do IRPF 2015

INFORMATIVO JURÍDICO

Especial Imposto de Renda 2015

AGRAVO INTERNO EM APELACAO CIVEL

REDUÇÃO DOS ENCARGOS PREVIDENCIÁRIOS NOVAS TESES

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL OAB

PARECER DOS RECURSOS REFERENTES À ELABORAÇÃO DAS QUESTÕES DE PROVA OU GABARITO PRELIMINAR

MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA

Júlio M. de Oliveira Mestre e doutor PUC/SP

Poder Judiciário JUSTIÇA FEDERAL Seção Judiciária do Rio Grande do Sul 13ª Vara Federal de Porto Alegre

Poder Judiciário JUSTIÇA FEDERAL Seção Judiciária do Paraná 2ª TURMA RECURSAL JUÍZO C

Organização Hilário Corrêa Assessoria Empresarial e Contabilidade

INFORMATIVO. Dispensa de IR sobre as contribuições do participante de 01/01/89 a 31/12/95

Tratamento fiscal dos royalties em operações nacionais e internacionais. Giancarlo Chamma Matarazzo

MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA. BAURUCAR AUTOMÓVEIS E ACESSÓRIOS LTDA. DRJ em São Paulo - SP

CONVENÇÃO COLETIVA 2015/2016

A responsabilidade pelo pagamento das cotas condominiais em caso de aquisição do imóvel mediante arrematação judicial

RELATÓRIO DAS AÇÕES ANPAF

Índice 1. Obrigatoriedades Forma de elaborar a declaração de IRPF Formas de entrega Prazo de entrega...

I CASOS PRÁTICOS DACON Segue abaixo orientações quanto ao preenchimento prático de informações a serem prestadas em Dacon através de exemplos

Auxiliar Jurídico. Módulo IV. Aula 01

Ponto 1. Ponto 2. Ponto 3

ALMEIDA GUILHERME Advogados Associados

PLANO DE CURSO 2014/02 TOTAL DE AULAS/ OU CARGA HORÁRIA

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XV EXAME DE ORDEM UNIFICADO

Superior Tribunal de Justiça

Programa Especial de Parcelamento - PEP

Exposição. 1. Município de Londrina ajuizou execução fiscal em face de Alessandro

i iiiiii uni uni mil uni mil mil mil llll llll

RESOLUÇÃO AGE Nº 279, DE 6 DE OUTUBRO DE (Texto Consolidado)

Código de Processo Civil, encontramos regras nesse sentido nos artigos 1003 e seguintes, 1022 e seguintes, artigo 1026.

Planos de Opções de Compra de Ações Aspectos Tributários

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XVII EXAME DE ORDEM UNIFICADO

CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA RURAL INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NO RE Nº /MG.

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XVI EXAME DE ORDEM UNIFICADO

02/2011/JURÍDICO/CNM. INTERESSADOS:

Direito do Trabalho CARACTERÍSTICAS. Empregados urbanos e rurais contratados a partir de 1988 inserem-se automaticamente no sistema do FGTS.

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL X EXAME DE ORDEM UNIFICADO

PROCESSO: RTOrd

AÇÕES COLETIVAS PREVIDENCIÁRIAS SINPRO/RS. a) Repetição de Indébito incidência de contribuição previdenciária em verba indenizatória

Fundo de Garantia por tempo de serviço. Diversos são os casos em que o trabalhador pode sacar os recursos depositados em sua conta do FGTS.

IRRF/ Instalar o programa da Receita Federal. Nova. Após abrir declaração (importação/nova)

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XIV EXAME DE ORDEM UNIFICADO

BLACKPOOL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. - EPP DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EM SÃO PAULO

I miii mil mil um um um mu um mi m

OPERADOR DE TELEMARKETING INTELIGÊNCIA DA SÚMULA 29 DESTE TRIBUNAL REGIONAL

RECURSO ORDINÁRIO TRT/RO RTOrd A C Ó R D Ã O 7ª Turma

PARECER Nº, DE RELATOR: Senador LUIZ HENRIQUE

Objetivo. Conteúdo. Imposto de Renda Pessoa Física. Rendimentos recebidos acumuladamente Palestra TRT 6ª Região

SUMÁRIO. 5- Certificação Digital e Procuração para a RFB

CONCURSO PÚBLICO FICHA DE RESPOSTA AO RECURSO CARGO: TÉCNICO DA FAZENDA MUNICIPAL

Petições Trabalhistas 3.0

Sumário. I - O tráfego internacional de telecomunicações; II Da União Internacional das Telecomunicações UIT;

Ponto 1. Ponto 2. Ponto 3

R E L A T Ó R I O A EXMA. SRA. DESEMBARGADORA FEDERAL NILCÉA MARIA BARBOSA MAGGI (RELATORA CONVOCADA): É o relatório.

Desembargador JOSÉ DIVINO DE OLIVEIRA Acórdão Nº E M E N T A

INFORMATIVO JURÍDICO

DIREITO TRIBUTÁRIO Parte II. Manaus, abril de 2013 Jorge de Souza Bispo, Dr. 1

Orientações gerais. Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF e Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior CBE

Previdência Complementar

INFORMATIVO JURÍDICO

Transcrição:

1 ROSENTHAL E SARFATIS METTA ADVOGADOS INFORMATIVO JURÍDICO NÚMERO 5, ANO 1I MAIO DE 2010 1 LUCRO IMOBILIÁRIO E O IMPOSTO DE RENDA A incidência do Imposto de Renda sobre o ganho de capital na venda de imóveis comporta algumas exceções. Confira mais detalhes na página 2. 2 3 INCIDE IR SOBRE O TOTAL DA VERBAS RESCISÓRIAS NÃO INDIVIDUALIZADAS Em acordo trabalhista, incide o tributo sobre o valor total quando não é possível a individualização. Leia mais na página 2. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE COMPENSAÇÃO SUSPENDE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Este foi o entendimento da Primeira Turma do STJ. O artigo completo segue na página 3. 4 STJ DECIDE QUE CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR SE APLICA ENTRE EMPRESAS Código se aplica quando uma das partes figure como destinatário final. Confira íntegra na página 4. 6 EMPRESAS SE LIVRAM DE PAGAR CIDE NAS REMESSAS AO EXTERIOR 5 TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO EDITA NOVAS ORIENTAÇÕES JURISPRUDENCIAIS Confira mais detalhes na página 4. 7 SÚMULA DETERMINA MOMENTO DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO

2 Duas decisões afastaram a incidência da CIDE sobre estas remessas. Veja íntegra na página 5. STJ edita nova súmula. Leia mais na página 5. 1 LUCRO IMOBILIÁRIO E O IMPOSTO DE RENDA Via de regra, quando uma pessoa vende um imóvel, incide 15% de imposto de renda sobre o ganho de capital. Entretanto, esta regra comporta algumas exceções, que nem todos conhecem, conforme demonstraremos a seguir. A venda de imóveis adquiridos antes de 1969 estão isentos do imposto de renda sobre o ganho de capital, independente do valor de compra e de venda. Outra hipótese de isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital é a alienação, por valor igual ou inferior a R$ 440.000,00 (quatrocentos e quarenta mil reais), do único imóvel que o titular possua, individualmente, em condomínio ou em comunhão, desde que, nos últimos cinco anos, não tenha efetuado alienação de imóvel, a qualquer título. No caso de bens ou direitos possuídos em condomínio, o limite de R$ 440.000,00 é considerado em relação à parte de cada condômino ou coproprietário. Já com relação ao imóvel possuído em comunhão, como no casamento, o limite de R$ 440.000,00 é considerado como um todo. Também não estão sujeitos ao IR o ganho auferido por pessoa física residente no País na venda de imóveis residenciais, desde que o alienante, no prazo de 180 dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no País. A aplicação parcial do produto da venda implicará tributação do ganho proporcionalmente ao valor da parcela não aplicada. No caso de aquisição de mais de 01 (um) imóvel, a isenção de que trata este item aplicar-se-á ao ganho de capital correspondente apenas à parcela empregada na aquisição de imóveis residenciais. 2 INCIDE IR SOBRE O TOTAL DA VERBAS RESCISÓRIAS NÃO INDIVIDUALIZADAS

3 A Primeira Turma do STJ entendeu que o Imposto de Renda incide sobre o valor total das verbas decorrentes de rescisão de contrato de trabalho, quando não for possível individualizar os valores referentes a cada verba. No caso analisado, em uma reclamação trabalhista foi reconhecido o vínculo empregatício, o que culminou na obrigação de pagar as verbas rescisórias. Parte dessas verbas estavam sujeitas ao IR e outra parte estava isenta. Entretanto, as partes fizeram um acordo na Justiça do Trabalho em montante global, sem descriminar o valor referente a cada verba. Foi feita a retenção do IR sobre cada parcela do acordo. O trabalhador ajuizou uma ação de repetição de indébito de imposto de renda retido na fonte. O trabalhador alegou que como a verba foi homologada como indenizatória, não haveria incidência de IR sobre o valor recebido. Em grau de recurso o Tribunal Regional Federal da 3ª região entendeu que embora denominada pelas partes como pagamento indenizatório, não é a denominação da verba que a caracteriza como salarial ou compensatória, para efeito do IR, mas o exame de sua natureza jurídica. Dentre as verbas constantes na condenação, o 13º salário e as férias proporcionais tem natureza salarial. O STJ manteve a decisão do Tribunal Regional Federal. 3 PEDIDO ADMINISTRATIVO DE COMPENSAÇÃO SUSPENDE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Primeira Turma do STJ entendeu que o pedido administrativo de compensação de tributo suspende a exigibilidade do crédito tributário. No caso em questão a Fazenda Pública ajuizou a execução fiscal, após o contribuinte ter protocolado pedido administrativo de compensação. O Tribunal afirmou que o pedido administrativo de compensação não suspende a exigibilidade do crédito tributário, nem impede o ajuizamento de execução fiscal. No STJ, a Primeira Turma deu provimento ao recurso, considerando que qualquer impugnação do contribuinte à cobrança do tributo tem o condão de suspender a exigibilidade do tributo. Segundo o Ministro Luiz Fux, Relator do caso, se está pendente processo administrativo em que se discute a compensação do crédito tributário, o Fisco não pode negar a entrega da certidão positiva de débito, com efeito de negativa.

4 4 STJ DECIDE QUE CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR SE APLICA ENTRE EMPRESAS O STJ entendeu que o Código de Defesa do Consumidor se aplica na relação entre empresas. No caso julgado, duas empresas discutiam se a relação estava sujeita ao Código Civil ao à Lei Consumerista. O Art. 2º do CDC define consumidor como toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. De acordo com o Ministro Relator do Recurso, Francisco Falcão, a empresa recorrente se constituiu em empresa, em cujo imóvel funcionam diversos serviços, como médicohospitalares, laboratoriais, ambulatoriais, clínicos e correlatos, não apresentando qualquer característica de empreendimento em que haja a produção de produtos a serem comercializados. Desta forma, considerando que a empresa recorrente adquiriu um serviço de fornecimento de água para a manutenção dos serviços e do próprio funcionamento do prédio, não utilizando a água como insumo de sua atividade, ela se enquadra no conceito de consumidor. 5 TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO EDITA NOVAS ORIENTAÇÕES O TST editou novas orientações jurisprudenciais, visando dar mais segurança àqueles que procuram a justiça do trabalho. A orientação jurisprudencial 380 prevê o pagamento de hora extra pelo período de descanso não usufruído pelo empregado com carga horária superior a 06 (seis) horas. Outra orientação, a 376, estabelece que é devida a contribuição previdenciária sobre o valor do acordo celebrado e homologado após o transito em julgado de decisão judicial, respeitada a proporcionalidade de valores entre as parcelas de natureza salarial e indenizatória deferidas na decisão condenatória e as parcelas que foram objeto do acordo. Desta forma, se a decisão reconhece que 70% dos direitos devidos ao empregado integram a base de cálculo da contribuição previdenciária, esta deve ser calculada sobre 70% do valor pago através do acordo, se este for celebrado em momento posterior a sentença transitada em julgado. A orientação jurisprudencial 375 diz que a suspensão do contrato de trabalho, em virtude da percepção do auxílio-doença ou da aposentadoria por

5 invalidez, não impede a fluência da prescrição qüinqüenal, ressalvada a hipótese de absoluta impossibilidade de acesso ao judiciário. 6 EMPRESAS SE LIVRAM DE PAGAR CIDE NAS REMESSAS AO EXTERIOR Os contribuintes que fazem remessas de capitais ao exterior para pagamento de royalties tem duplo motivo para comemorar. Recentemente, duas decisões afastaram a incidência da CIDE Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico sobre estas remessas. Os conselheiros da 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF - Conselho Administrativo de Recursos Fiscais excluíram o IR retido na fonte sobre o pagamento de royalties da base de cálculo da CIDE. O fundamento da exclusão é de que a base de cálculo da contribuição, nos termos da Lei, é o valor remetido ao exterior, o que não inclui o IR. Outra decisão favorável aos contribuintes foi do TRF da 3ª Região. Os desembargadores entenderam que não incide a CIDE na remessa de royalties por importação de software, quando não houver transferência de tecnologia. Desde 2007, com a entrada em vigor da Lei nº 11.452, somente incide a Contribuição quando há transferência de tecnologia na importação. A Decisão mencionada supra, foi favorável porque a remessa em questão foi feita em 2005, antes, portanto, da entrada em vigor da Lei nº 11.452/07. 7 SÚMULA DETERMINA MOMENTO DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Esta é a redação da súmula nº 436 aprovada pela Primeira Seção do STJ. Com a edição da nova súmula, o STJ pacificou o entendimento de que em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF ou documento equivalente constitui definitivamente o crédito tributário, dispensando outras providências por parte do fisco.