1. Titulo: DESBRIDAMENTO 2. Definição: Consiste na remoção do tecido desvitalizado e/ou necrosado, para acelerar o processo de cicatrização e preparação da ferida. Os métodos para desbridamento são: instrumental, mecânico, autolítico e químico. 3. Objetivos: Promover a limpeza da ferida, para reduzir e impedir a proliferação bacteriana, promovendo melhores condições de cicatrização; Diminuir a colonização de microrganismos no leito da ferida. 4. Indicação Tecido desvitalizado (necrose de liquefação ou de coagulação). Necrose de coagulação: Caracterizada pela presença de crosta preta endurecida e/ou bem escura; Necrose de liquefação: Caracterizada pelo tecido branco amarelado/esverdeado, desvitalizado e/ou quando a lesão apresentar infecção ou presença de secreção purulenta. 4.1 Contra-indicações: Feridas granuladas; Feridas isquêmicas com necrose seca. 4.2 Contra-indicações relativas: Dor intensa; Alterações de fatores de coagulação.
5. Responsáveis: Enfermeiro e Médico. 6. Orientações Pré - Procedimento: Proporcionar privacidade ao cliente; Avaliação criteriosa da ferida e indicação de tratamento; Respeitar a tolerância de dor (caso houver) pelo cliente, se necessário interromper o procedimento; Escolher qual técnica de desbridamento que será utilizado: Técnica de Cover, Técnica de Square e Técnica de Slice; Técnica de Cover: utiliza-se uma lâmina de bisturi para descolamento das bordas do tecido necrótico. Após o descolamento completo das bordas e melhor visão do comprometimento tecidual, inicia-se a retirada da área comprometida, separando-a do tecido íntegro até que toda a necrose saia em forma de uma tampa. Mais indicada para necrose de coagulação. Observação: o paciente pode queixar-se de dor se o tecido sadio for atingido. Técnica de Square: utiliza-se uma lâmina de bisturi no tecido necrótico, realizando pequenos quadradinhos (2 mm a 0,5 cm) que poderão ser delicadamente removidos da lesão um a um, sem risco de comprometimento tecidual mais profundo. Mais indicada para necrose de coagulação. Esta técnica também poderá ser utilizada para facilitar a penetração de substâncias desbridante no tecido necrótico. Técnica de Slice: utiliza-se uma lâmina de bisturi ou tesoura a fim de remover a necrose que se apresenta na ferida de forma desorganizada. Após o desbridamento, a lesão devera ser lavada abundantemente com jatos de soro fisiológico, se possível aquecido, a fim de remover toda a necrose residual. Em caso de sangramento, realizar compressão local por 5 minutos. Agentes tópicos como Alginato de Cálcio em fibra, podem ser utilizados na tentativa de minimizar o sangramento. Cobrir a lesão utilizando cobertura que mantenha úmido o leito da ferida, como hidrogel (Askina gel, Nugel) e Ácidos Graxos Essenciais (AGE) poderão ser utilizados.
Quando uma mesma pessoa for trocar vários curativos no mesmo cliente, deve iniciar pelos de incisão limpa e fechada, seguindo-se de ferida aberta não infectada, drenos e por último as colostomias e fístulas em geral; (sempre realizar da menos contaminada para a mais contaminada); Verificar se a iluminação está adequada para a realização do procedimento. 6.1 Orientações Pós - Procedimento: Reunir todo o material utilizado e descartar adequadamente conforme suas características; Orientar ao cliente sobre os cuidados com o curativo; Avaliar necessidade de acompanhamento/ periodicidade de renovar a cobertura; Registrar em documento de prontuário o procedimento, a técnica utilizada e intercorrências se houver. 7. Frequência: Sempre que necessário, dependerá diretamente da quantidade, tipo de tecido desvitalizado e tolerância do cliente ao procedimento. É preciso selecionar o método de desbridamento mais apropriado para as condições e metas do tratamento do cliente. 8. Materiais: EPI s: Luva de procedimento, máscara e gorro, óculos de proteção e capote descartável (se necessário) Pacote de curativo; Tesoura; Gaze estéril; Seringa de 20 ml; Agulha 40x12; Clorexidina degermante 2%;
Clorexidina alcoólica 0,5%; Cloreto de sódio 0,9%; Prontosan Solução; Lâmina de bisturi nº11; Cobertura adequada ao aspecto da lesão. 9. Passos do Processo: Orientar o cliente e/ou acompanhante quanto ao procedimento; Realizar a Higienização das mãos conforme IT SCIH 1; Reunir material necessário; Paramentar-se com EPI s; Posicionar o paciente em posição mais confortável; Abrir o saco de lixo impermeável e coloque-o próximo ao leito do cliente; Preparo da ferida, com antissepsia da pele perilesional com clorexidina degermante 2% e clorexidina alcoólica 0,5 %; No leito da lesão utilizar para limpeza cloreto de sódio 0,9%, na quantidade necessária, utilizando a seringa para limpeza a jato; Aplicar Prontosan solução por 15 minutos, previamente ao desbridamento; Escolher o tipo de desbridamento e utilizar o produto mais adequado; Realizar curativo oclusivo, se necessário compressivo, e manter ocluído conforme a indicação do produto e aspecto da lesão; Observar se houve saturação da cobertura secundária e trocar sempre que necessário; Orientar o paciente sobre os cuidados com a ferida; Recompor o paciente; Reunir e desprezar todo o material utilizado no procedimento;
Realizar a Higienização das mãos conforme IT SCIH 1; Checar o procedimento na prescrição; Registrar o procedimento em documento de prontuário, informando características da lesão, cobertura utilizada e reações do cliente. 10. Considerações gerais: Parecer COREN DF Nº003/2011 Assunto: Competência do Enfermeiro para realização de desbridamento mecânico na assistência domiciliar; O acompanhamento da ferida deverá ser feito em conjunto com a equipe médica; Desbridamento instrumental: requer uso de instrumentais cirúrgicos; pode ser de dois tipos: conservador e cirúrgico. - Conservador: método seletivo de remoção de tecido aderente não viável, por instrumental cortante, que se limita até a fáscia; não há necessidade de anestesia, pode ser feito por enfermeiro, médico não cirurgião e fisioterapeuta. - Cirúrgico: método seletivo de remoção de grande área de tecido aderente não viável, por instrumental cortante, que não se limita até a fáscia; há necessidade de anestesia, realizado apenas por médico cirurgião. Desbridamento mecânico: é a remoção através de uma força mecânica, é uma das formas mais rápidas de desbridamento. Uma gaze umedecida com soro fisiológico é colocada no leito da ferida e deixada até secar e depois removida. Este método é bastante doloroso podendo necessitar de analgesia. Desbridamento Autolítico: método natural que ocorre na presença de meio úmido que ativa células fagocíticas e enzimas proteolíticas do próprio indivíduo. Este método pode ser promovido utilizando- se coberturas como hidrogel e hidrocolóide. Este processo é lento e não pode ser utilizado em feridas infectadas e colonizadas. Método Enzimático: é o método seletivo que utiliza enzimas exógenas para quebra de tecido
necrótico. Ex:. Colagenase. 11. Padrões de prática: Realizar registro fotográfico antes/após o procedimento, com o consentimento do paciente e familiar, quando julgar necessário; registrando em documento de prontuário; Realizar medidas semanais da ferida (profundidade, largura, comprimento, tunelização) com régua específica; Evolução da ferida. 12. Pontos Críticos/Riscos: Infecção no sitio da lesão; Sangramento ativo pós - procedimento; Falta de adesão do cliente ao tratamento; Comorbididades descompensadas; Distúrbio de coagulação; Administração de drogas anticoagulantes antes do procedimento; Nível nutricional: a diminuição dos elementos protéicos, vitamina C e desidratação são os principais causadores do retardo da cicatrização; Retardo da cicatrização em idosos. 13. Ações Corretivas: Manter a técnica asséptica; Realizar compressão direta no local e solicitar avaliação do cirurgião; Chegar INR, administração de anticoagulante e distúrbios de coagulação antes do procedimento; Administrar analgésico caso o paciente apresente dor.
14. Indicadores de qualidade: Ausência de eventos adversos; Ausência de sangramento; Evolução da ferida em relação ao processo de cicatrização. 15. Periodicidade de Treinamento: Admissional e sempre que necessário. 16. Registro: Em documento de prontuários do cliente. 17. Referências: - COREN DF. Coletânea de Pareceres Técnicos. 1994 2011. JORGE, S. A.; DANTAS, S. R. P. Abordagem multiprofissional do Tratamento de Ferida. Ed. Atheneu, São Paulo, 2003. - MALAGUTTI, W.; KAKIHARA, C. T.Curativos, estomias e dermatologia: uma abordagem multiprofissional. Ed. Martinari, São Paulo, 2010. - http://enfermeiro.br.tripod.com/enfermagem/id1.html, acesso em março de 2010. -DA SILVA, Roberto C.L.; FIGUEIREDO, Nébia M.A. MEIRELES, J.B. Ferida: Fundamentos e atualizações em enfermagem. Ed.Yendis, São Caetano do Sul, SP,2010. -ARCHER, E. et AL. Procedimentos e Protocolos. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. - Manual de Curativos/Telma Geovanini, Alfreu de Oliveira Junior, Tereza Cristina da Silva Palermo. Ed. Corpus. Tiragem 2006- São Paulo -Brunner Prática de Enfermagem. Volume 1, pg 179, 180. Sandra M. Nettina. 9ª Edição. Ed Guanabara Koogan.
Dados do Documento: Data: Elaboração: Carla Olívia da Silva Câmara e Marinez K. Armendaris 04/2009 Kátia Neuza Guedes; Leila de Assis Oliveira Ornellas; Luzia Alves Revisão: Pereira Gusmão; Juliana Chaves Fernandes; Camila Mendes de 07/2014 Almeida; Ubirajara dos Santos Silveira; Silvia Emanoella S. M. de Souza Aprovação: Maria do Rosário D. M. Wanderley 07/2014