Teoria dos Grafos e Análise Combinatória

Documentos relacionados
Universidade Federal de Goiás Campus Catalão Departamento de Matemática

I. Conjunto Elemento Pertinência

Seqüências. George Darmiton da Cunha Cavalcanti CIn - UFPE

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO PROGRAMA DE EDUCAÇÃO TUTORIAL - MATEMÁTICA PROJETO FUNDAMENTOS DE MATEMÁTICA ELEMENTAR

Lista de Exercícios 5: Soluções Teoria dos Conjuntos

DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA

AULA 07 Distribuições Discretas de Probabilidade

Módulo de Equações do Segundo Grau. Equações do Segundo Grau: Resultados Básicos. Nono Ano

Fundamentos de Bancos de Dados 3 a Prova Caderno de Questões

O Cálculo λ sem Tipos

Modelo Entidade Relacionamento (MER) Professor : Esp. Hiarly Alves

Matemática Discreta - 08

M =C J, fórmula do montante

3º Ano do Ensino Médio. Aula nº06

PESQUISA OPERACIONAL -PROGRAMAÇÃO LINEAR. Prof. Angelo Augusto Frozza, M.Sc.

Sejam P1(x1,y1) e P2(x2,y2) pontos pertencentes ao plano. A equação da reta pode ser expressa como: ou

Comandos de Eletropneumática Exercícios Comentados para Elaboração, Montagem e Ensaios

Emparelhamentos Bilineares Sobre Curvas

Aula 5. Uma partícula evolui na reta. A trajetória é uma função que dá a sua posição em função do tempo:

SISTEMAS OPERACIONAIS. 3ª. Lista de Exercícios

Treinamento sobre Progress Report.

Matemática - Módulo 1

Período ATIVIDADE OBJETIVO Responsabilidade Local

Implementação de um serviço de correio eletrônico na Intranet do Pólo de Touros utilizando o ambiente SQUIRELMAIL e POSTFIX em um Servidor Linux

Módulo de Princípios Básicos de Contagem. Segundo ano

Expressões de sequencias

Matemática. Resolução das atividades complementares. M3 Conjuntos

21- EXERCÍCIOS FUNÇÕES DO SEGUNDO GRAU

Cap. II EVENTOS MUTUAMENTE EXCLUSIVOS E EVENTOS NÃO- EXCLUSIVOS

Análise Qualitativa no Gerenciamento de Riscos de Projetos

Tópicos Avançados em Banco de Dados Dependências sobre regime e controle de objetos em Banco de Dados. Prof. Hugo Souza

2 Workshop processamento de artigos em serviços de saúde Recolhimento de artigos esterilizados: é possível evitar?

ARQUITETURA DE COMPUTADORES. Professor: Clayton Rodrigues da Siva

OPERAÇÕES COM FRAÇÕES

Prova de Fundamentos de Bancos de Dados 1 a Prova

Recorrendo à nossa imaginação podemos tentar escrever números racionais de modo semelhante: 1 2 =

Probabilidade. Luiz Carlos Terra

Consulta à Sociedade: Minuta de Resolução Complementar sobre Acreditação de Comitês de Ética em Pesquisa do Sistema CEP/CONEP

TEORIA 5: EQUAÇÕES E SISTEMAS DO 1º GRAU MATEMÁTICA BÁSICA

QUESTÕES PARA A 3ª SÉRIE ENSINO MÉDIO MATEMÁTICA 2º BIMESTE SUGESTÕES DE RESOLUÇÕES

ÁLGEBRA. Aula 5 _ Função Polinomial do 1º Grau Professor Luciano Nóbrega. Maria Auxiliadora

Objetivo do Portal da Gestão Escolar

Bombons a Granel. Série Matemática na Escola. Objetivos 1. Introduzir e mostrar aplicações do produto de matrizes.

Comecemos por relembrar as propriedades das potências: = a x c) a x a y = a x+y

UNIVERSIDADE DO TOCANTINS TECNOLOGIA EM ANÁLISE E DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS PRÁTICA EM PROGRAMAÇÃO DE SISTEMAS

Função. Adição e subtração de arcos Duplicação de arcos

2 Segmentação de imagens e Componentes conexas

c- Muitas vezes nos deparamos com situações em que nos sentimos tão pequenos e às vezes pensamos que não vamos dar conta de solucioná-las.

GUIA DE FUNCIONAMENTO DA UNIDADE CURRICULAR

Curso de Formação de Oficiais Conhecimentos Específicos ENGENHARIA DE COMPUTAÇÃO CADERNO DE QUESTÕES

Inteligência Artificial

Prof. Daniela Barreiro Claro

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL ESCOLA DE ENGENHARIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA PLANO DE ENSINO PERÍODO LETIVO: 2008/2

Conteúdo programático por disciplina Matemática 6 o ano

Teoria dos Grafos. Valeriano A. de Oliveira Socorro Rangel Departamento de Matemática Aplicada.

Árvores. ! utilizada em muitas aplicações. ! modela uma hierarquia entre elementos. ! O conceito de árvores está diretamente ligado à recursão

LIBERAÇÃO DE ATUALIZAÇÃO CORDILHEIRA

EDITAL DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA DA FACULDADE MULTIVIX- VITÓRIA 003/2016 ALTERADO EM 14/06/2016

COMENTÁRIO DA PROVA DO BANCO DO BRASIL

Cálculo I -A- Humberto José Bortolossi. Aula 1 18 de agosto de Departamento de Matemática Aplicada Universidade Federal Fluminense

Contabilidade Pública e Governamental

CURSO DE MATEMÁTICA BÁSICA PROGRAMA DE EDUCAÇÃO TUTORIAL CENTRO DE ENGENHARIA DA MOBILIDADE

Lógica de Programação. Profas. Simone Campos Camargo e Janete Ferreira Biazotto

Os eixo x e y dividem a circunferência em quatro partes congruentes chamadas quadrantes, numeradas de 1 a 4 conforme figura abaixo:

EDITAL DE APOIO A PROJETOS DE PESQUISA INSTITUCIONAIS A SEREM DESENVOLVIDOS NOS CAMPI DO SISTEMA CEFET/RJ EDITAL APP-CAMPI 2014

2 Conceitos Básicos. onde essa matriz expressa a aproximação linear local do campo. Definição 2.2 O campo vetorial v gera um fluxo φ : U R 2 R

Técnicas de Contagem I II III IV V VI

UM JOGO BINOMIAL 1. INTRODUÇÃO

Relações. Antonio Alfredo Ferreira Loureiro. UFMG/ICEx/DCC MD Relações 1

Elementos de Matemática Discreta

Figura 4.1: Diagrama de representação de uma função de 2 variáveis

Estudo sobre a dependência espacial da dengue em Salvador no ano de 2002: Uma aplicação do Índice de Moran

Sistemas Operacionais. Sincronização: Semáforos Problema dos Leitores/Escritores

Aula 15 Amplificadores Operacionais (pág. 453 a 459)

FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE ANDRADINA NOME DO(S) AUTOR(ES) EM ORDEM ALFABÉTICA TÍTULO DO TRABALHO: SUBTÍTULO DO TRABALHO, SE HOUVER

ADMINISTRAÇÃO DE BANCOS DE DADOS MÓDULO 8

CENTRO UNIVERSITÁRIO SENAC Diretoria de Pós-graduação e Pesquisa

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo, Editora Atlas,

Resoluções A. Combinatória 1 3 os anos Blaidi/Walter Ago/09. Nome: Nº: Turma:

EDITAL DE SELEÇÃO PARA MESTRADO 2016 PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO (UNIFEI)

ISS Eletrônico. Formato de Arquivos para Transmissão de Documentos Declarados através do aplicativo OFFLINE. Extensão do Arquivo JUNHO2006.

Bases Matemáticas. Daniel Miranda de maio de sala Bloco B página: daniel.miranda

Introdução. Ou seja, de certo modo esperamos que haja uma certa

Manual de Utilização do CNIPE

é um grupo abeliano.

Eliana Lúcia Ferreira Coordenadora do Curso.

COBRANÇA BANCÁRIA CAIXA

Função Seno. Gráfico da Função Seno

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO DIRETORIA DE ASSISTÊNCIA A PROGRAMAS ESPECIAIS

Prática. Exercícios didáticos ( I)

Exercício. Exercício

,QVWDODomR. Dê um duplo clique para abrir o Meu Computador. Dê um duplo clique para abrir o Painel de Controle. Para Adicionar ou Remover programas

Processos Estocásticos

DISTRIBUIÇÕES ESPECIAIS DE PROBABILIDADE DISCRETAS

Disciplina: Álgebra Linear - Engenharias ], C = Basta adicionar elemento a elemento de A e B que ocupam a mesma posição na matriz.

RELATÓRIO SIMPLIFICADO FINAL PSICOLOGIA GENÉTICA DE JEAN PIAGET 2ª UNIDADE. Instrução Geral ao Relatório:

Matrizes. matriz de 2 linhas e 2 colunas. matriz de 3 linhas e 3 colunas. matriz de 3 linhas e 1 coluna. matriz de 1 linha e 4 colunas.

REGULAMENTO DOS ESTÁGIOS CURRICULARES E NÃO CURRICULARES DOS CURSOS DIURNO E NOTURNO DE ODONTOLOGIA. CAPÍTULO I Da caracterização

Transcrição:

Teoria dos Grafos e Análise Combinatória Apresentação da disciplina e revisão de Matemática Discreta Rodrigo Machado rma@inf.ufrgs.br Instituto de Informática Universidade Federal do Rio Grande do Sul Porto Alegre, Brasil http://www.inf.ufrgs.br

2/45 Conteúdo Apresentação da disciplina Revisão de matemática discreta

3/45 Conteúdo Apresentação da disciplina Revisão de matemática discreta

4/45 Sobre a disciplina INF05512 Teoria dos Grafos e Análise Combinatória Sobre o que trata: matemática discreta resolução de problemas de contagem e enumeração grafos e resolução de problemas envolvendo grafos

5/45 Sobre o conteúdo A disciplina possui duas etapas bem caracterizadas: inicia com análise combinatória e conclui com teoria dos grafos. Cronograma aproximado: ± 4 semanas: princípios de contagem e aplicações. ± 4 semanas: funções geradoras e resolução de recorrências. ± 4 semanas: grafos simples e problemas associados. ± 4 semanas: grafos valorados e problemas associados, planaridade e coloração de grafos simples.

6/45 Sobre a bibliografia Análise combinatória Introdução à Análise Combinatória (José Plínio O. Santos, Margarida P. Mello, Idani T. C. Murari) Enumerative Combinatorics (Richard Stanley) Enumerative Combinatorics (Charalambos A. Charalambides) A Walk Through Combinatorics: An Introduction to Enumeration and Graph Theory (Miklós Bóna) Teoria dos Grafos Introduction to Graph Theory (Douglas B. West) Introduction to Graph Theory (Richard J. Trudeau) Graph Theory (Frank Harary) Grafos: Teoria, Modelos, Algoritmos (Paulo Oswaldo Boaventura Netto) Nota: os exercícios numerados apresentados nestes slides referem-se aos exemplos desenvolvidos no livro Introdução à Análise Combinatória, de José Plínio Santos et al.

7/45 Sobre o professor Rodrigo Machado Interesses: programação funcional, reescrita algébrica de grafos, lógica e semântica de programas. Página pessoal: http://www.inf.ufrgs.br/ rma Contato: Pessoalmente: sala 217, prédio 72 (a caminho das impressoras) Por email: rma@inf.ufrgs.br Via Moodle: ele envia automaticamente um email para mim, e fica registrado (forma preferencial). Em caso de dúvidas/sugestões/críticas: entrem em contato!!!

8/45 Sobre a metodologia O que está na súmula: 60 h teóricas (em sala de aula) 0 h práticas (em laboratório). Nota: na verdade serão várias horas bem práticas resolvendo exercícios extra-classe. É uma disciplina matemática: o que significa assistir passivamente: não adianta muito para absorver o conteúdo. melhor forma de estudar = mão na massa (resolver problemas). vamos ver uma série de tipos de problemas e técnicas de resolução. listas de exercício possível implementação (grafos)

9/45 Sobre a metodologia (2) Exemplos de problemas que aprenderemos a resolver: De quantas formas podemos distribuir 10 bolas idênticas entre 4 caixas numeradas de forma que cada caixa não esteja vazia? Qual o número mínimo de pessoas que precisamos ter em um grupo para garantir que ao menos 3 delas façam aniversário no mesmo dia da semana? Quantos anagramas distintos possui a palavra ASSASSINOS? A população de sapos de um lago quadruplica a cada ano. No primeiro dia de cada ano, 100 sapos são removidos do lago e transferidos para outro local. Assumindo que inicialmente havia 50 sapos no lago, quantos sapos o lago terá após 20 anos? Há uma fórmula que nos diga o número de sapos em X anos? Considerando o mapa rodoviário de uma dada localidade: Como verificar eficientemente se exista um trajeto que passe exatamente uma vez por cada trecho de rodovia? Como calcular eficientemente a distância mínima entre duas cidades?

10/45 Sobre a metodologia (3) Plataforma de acompanhamento do curso: Moodle da UFRGS (não é o do INF). http://moodle.ufrgs.br Acesso pelo usuário e senha institucionais (Cartão UFRGS) Toda a comunicação oficial do professor com a turma se dará através do Moodle! Ex: marcação e possível troca de data de prova disponibilização de slides e listas de exercício determinação de trabalhos práticos

11/45 Sobre a avaliação Atividades de avaliação: M 1 = Prova 1 (análise combinatória) M 2 = Prova 2 (teoria dos grafos, peso 0.8) + Trabalhos (peso 0.2) Ao longo do semestre serão definidos o número total de trabalhos (tipicamente 2) e o seu respectivo tipo (lista de exercício e/ou implementação). Cálculo da média final: M = (M 1 + M 2 )/2 Aprovação: frequência ( 75%) + nota mínima (M 6).

12/45 Sobre o conceito final Frequência menor que 75%: FF Frequencia maior que 75%, com média M: M < 6 D 6 M < 7.5 C 7.5 M < 9 B 9 M A

13/45 Sobre a recuperação Se o aluno tiver frequência mínima porém não tiver nota mínima, estará habilitado à um exame de recuperação R. Sobre o exame: versa sobre todo o conteúdo do semestre a nota do exame é utilizada para substituir a menor nota entre prova 1 e prova 2, sendo recalculada uma média de recuperação MR utilizando a mesma fórmula anterior. Se MR for maior que 6, o aluno estará aprovado. Alunos que queiram realizar exame para aumento de conceito deverão manifestar interesse até 48h da realização do mesmo.

14/45 Conteúdo Apresentação da disciplina Revisão de matemática discreta

15/45 Conjuntos Coleções de elementos Sem ordem Sem repetição Descritos por extensão ou compreensão: Extensão: Enumeração dos elementos entre chaves {4, 5} {a, b, c} {} Compreensão: Propriedade que caracteriza os elementos Ex.: Conjunto dos números inteiros maiores que 42 {x x Z x > 42} Conjunto vazio: ou {}. Importante: note que { }

16/45 Operações sobre conjuntos x A (pertinência): Relaciona um elemento x a um conjunto A, sendo válida se x pertencer a A. 4 N {4} N A B (continência): Relaciona um conjunto A a um conjunto B, sendo válida se todo elemento de A for também elemento de B. 4 N {4} N N Z {1, 2, 3, 4}

17/45 Operações sobre conjuntos (cont.) A B (união): Conjunto contendo todos os elementos que ocorrem em A ou em B. {1, 2, 3} {5} = {1, 2, 3, 5} {a, b} {a} = {a, b} A B (união disjunta): Conjunto contendo todos os elementos que ocorrem em A ou em B, diferenciando ocorrências do mesmo elemento em cada conjunto de origem. Intuição: introdução de anotações nos elementos para diferenciar origem. {1, 2, 3} {5} = {1 1, 2 1, 3 1, 5 2 } {a, b} {a} = {a 1, b 1, a 2 }

18/45 Operações sobre conjuntos (cont.) A B (interseção): Conjunto contendo todos os elementos que ocorrem em A e em B. {1, 2, 3} {5} = {a, b} {a} = {a} A B (conjunto dos pares): Conjunto de todos os pares ordenados (a, b), onde a A e b B. A = {a, b} B = {1, 2} A B = { (a, 1), (a, 2), (b, 1), (b, 2) }

19/45 Operações sobre conjuntos (cont.) P(A) ou 2 A (conjunto potência): Conjunto de todos os subconjuntos de A. P({a, b}) = { {}, {a}, {b}, {a, b} } Exercício: Escreva o conjunto potência P(A B), onde A = {1, 2} e B = {x, y}.

20/45 Principais conjuntos numéricos Naturais N = {0, 1, 2, 3, 4,...} Naturais positivos N + = {1, 2, 3, 4,...} Inteiros Z = {... 3, 2, 1, 0, 1, 2, 3,..., } Racionais (frações) Q = { 1 2, 1, 0, 1 2, 1,...} Irracionais I = { 2, 2, 3, π, e,...} Reais R = Q I = { π, 1, 0, 1, 2, 1 2, e, 2,...}

21/45 Relações Uma relação binária R A B é uma associação entre elementos de um conjunto A e elementos de um conjunto B. Exemplo: A = {a, b} B = {1, 2} R = { (a, 1), (a, 2), (b, 2) } a 1 R : b 2

22/45 Relações: propriedades Uma relação R U U pode ser (para todo a, b, c U) reflexiva: ara transitiva: arb brc arc simétrica: arb bra anti-simétrica: arb bra a = b total: para todo a existe b tal que arb sobrejetora: para todo b existe a tal que arb funcional: arb arc b = c injetora: arc brc a = b

23/45 Relações: tipos importantes função parcial (funcional) Ex: (x x 1) N N função (funcional e total) Ex: (x x + 1) N N ordem parcial (reflexiva, transitiva e anti-simétrica) Ex: ( ) N N equivalência (reflexiva, transitiva e simétrica) Ex: ( ) N N onde x y sss (x e y pares) ou (x e y ímpares)

24/45 Funções Uma função f : A B é um mapeamento de elementos de A para elementos de B A é o domínio (ou origem) de f. Escrito dom(f). B é o contradomínio (ou destino) de f. Escrito cod(f). O conjunto de todos os elementos de B aos quais algum a A está associado é chamado de imagem de f. Escrito img(f). a 1 b 2 c 3 4 A f B dom(f) = {a, b, c} cod(f) = {1, 2, 3, 4} img(f) = {1, 2}

25/45 Funções parciais Funções parciais são aquelas onde é possível (mas não necessário) que um elemento do domínio não tenha associação no contradomínio. Exemplo: a 1 b 2 c 3 f(c) = denota que f é indefinida para o elemento c. Utiliza-se f : A B para denotar que f é parcial e f : A B para denotar que f é totalmente definida. Funções totais são casos especiais de funções parciais.

26/45 Composição de funções parciais Considere f : A B e g : B C. a 1 x b 2 y c 3 z A f B g C A função g f : A C é denominada a composição de f e g, onde g f(x) = g(f(x)). a b c x y z A g f C

27/45 Cardinalidade Cardinalidade = tamanho de um conjunto. X, #(X) ou n(x) denotam a cardinalidade de X. Exemplo: = 0 {7} = 1 {a, b, {c, d}} = 3 N = infinito contável R = infinito incontável Nesta disciplina: essencialmente conjuntos finitos.

28/45 Cardinalidade e funções totais Uma função total f : A B pode ser Injetora: x y f(x) f(y) Exemplo: a 1 b 2 3 Sobrejetora: cod(f) = img(f) Exemplo: a 1 b 2 c Bijetora: injetora e sobrejetora Exemplo: a 1 b 2 c 3 Nota: A B Nota: A B Nota: A = B Dois conjuntos A e B possuem a mesma cardinalidade sss existe uma função bijetora f : A B.

29/45 Cardinalidade e operações de conjuntos Cardinalidade do resultado de operações sobre conjuntos finitos: A B = A + B A B A B = A + B A B = A + B A B A B = A B P(A) ou 2 A = 2 A

30/45 Somatório Somatório: maneira compacta de descrever somas de termos que possuam um padrão de formação. faixa de valores em inteiros: 5 x i = x 1 + x 2 + x 3 + x 4 + x 5 i=1 faixa de valores em conjuntos: seja A = {1, 3, 7} i A x i i = x1 1 + x3 3 + x7 7 faixa de valores como soluções para certas equações/inequações: i,j N,1 i<j 4 i j = 1 2 + 1 3 + 1 4 + 2 3 + 2 4 + 3 4

31/45 Produtório Produtório: maneira compacta de descrever produtos que possuam padrão de formação. Exemplo: i N,i<12 e i é primo i 2 = 2 2 3 2 5 2 7 2 11 2 Nota: Somatório 0-ário = 0 (elemento neutro da adição). Produtório 0-ário = 1 (elemento neutro da multiplicação)

32/45 Multiconjuntos Coleções de elementos Sem ordem Com possível repetição (finita) Notação: B = d, a, b, d, c, a, d Um multiconjunto B de elementos tirados de um conjunto X é uma função do tipo X N + que associa um número finito de ocorrências para cada elemento de X Exemplo: B : {a, b, c, d} N +, onde B = {a 2, b 1, c 1, d 3} Nota: um multiconjunto m onde img(m) = {1} representa um conjunto!

33/45 Multiconjuntos: cardinalidade A cardinalidade de um multiconjunto é o número de elementos que este possui, contando repetições. Exemplo: se A = a, a, a, b, b, c, d, então A = 7 Como A é uma função do tipo {a, b, c, d} N +, onde a 3, b 2, c 1, d 1 temos que A = 3 + 2 + 1 + 1. Definição: seja A um multiconjunto do tipo X N +. Então A = x X A(x)

34/45 Tuplas ou sequências Coleções de elementos Finitas Com ordem Com possível repetição Generalização do produto cartesiano (pares ordenados) Notação: (): tupla vazia, (a): produto unário, (a, b): dupla, (a, b, c): tripla, (a, b, c, d): quádrupla,... Uma n-tupla sobre um conjunto U é um elemento do produto n {}}{ U U U Nota: apesar de multiplicação de conjuntos não ser concretamente associativa, isto é, U (U U) (U U) U, há uma bijeção entre os elementos das duas multiplicações (a, (b, c)) ((a, b), c), portanto a ordem das multiplicações é habitualmente ignorada.

35/45 Coleções de elementos Conjuntos vs Multiconjuntos vs Tuplas Ordem\Repetição Sim Não Sim Tupla (a, b, a) Tupla (a, b, c) Não Multiconjunto a, b, a Conjunto {a, b, c} Exercício: dados os elementos a, b, c, gere todas as coleções abaixo: 1. conjuntos com no máximo 3 elementos 2. multiconjuntos com no máximo 3 elementos 3. pares (com repetição e sem repetição) 4. triplas (com repetição e sem repetição)

36/45 Função fatorial A função fatorial : N N ocorre frequentemente na resolução de problemas de análise combinatória. Notação: fact(n) ou n! Definição: Exemplo: n! = { 1 se n = 0 1 i n i se n > 0 5! = 1 2 3 4 5 = 120

37/45 Sequência de Fibonacci A sequência de Fibonacci é famosa por possuir relação com diversos processos naturais. Definição: F 1 = 1 F 2 = 1 F n = F n 1 + F n 2 para n > 2 Primeiros termos: n F n 1 1 2 1 3 2 4 3 5 5 6 8 7 13 8 21..

38/45 Indução matemática Indução matemática é uma importante técnica de prova de propriedades satisfeitas por todos os elementos de um conjunto infinito. Aplicável quando os elementos do conjunto são construídos de forma indutiva, como por exemplo: Números naturais: 0 : N e succ : N N Listas: empty : Lista(A) e cons : A Lista(A) Lista(A)

39/45 Indução matemática (cont.) Para provar que propriedade P vale para todos os elementos de um conjunto A, devemos demonstrar que: 1. P vale no caso base (para os naturais, 0) 2. supondo que P valha para um elemento qualquer n (hipótese indutiva), deve continuar valendo após aplicarmos um construtor sobre n (para os naturais, succ(n)). Em outras palavras, a propriedade é preservada pela construção dos elementos de A.

40/45 Indução matemática: exemplo Exemplo: prove por indução que a seguinte igualdade vale para todo n N + : Nota: 1 = 1 1 + 3 = 4 1 + 3 + 5 = 9 1 + 3 + 5 + 7 = 16 n 2i 1 = n 2 i=1

41/45 Indução matemática forte Na indução matemática, justificamos a validade de um propriedade P para n a partir da hipótese que P vale para n 1. Algumas estruturas (como árvores binárias) podem ter construção mais complexa e que não necessariamente referenciar o elemento imediatamente inferior. Exemplo: construção de árvore com 8 folhas baseada em duas árvores de 4 folhas. Para provar propriedades de tais estruturas, utilizamos uma descrição alternativa do princípio da indução matemática (chamado de indução forte).

42/45 Indução matemática forte (cont.) Ao utilizarmos a indução matemática forte: provamos que P vale para o caso base (0 para N) provamos que P vale para n N a partir da hipótese indutiva que P vale para todo k N tal que k < n. Nota: indução matemática (fraca) e indução matemática forte são princípios equivalentes.

43/45 Indução matemática forte: exemplo Exemplo: Demonstre que, para todo n N +, ( ) 7 n F n < 4 Nota: n F n ( 74 ) n 1 1 1, 75 2 1 3, 06 3 2 5, 35 4 3 9, 37 5 5 16, 41 6 8 28, 72 7 13 50, 26...

44/45 Indução matemática: exercício 1 Exercício: Demonstre que, para todo n N +, F n = 1 5 (φ n φ n ) onde e φ = 1 + 5 2 φ = 1 5 2

45/45 Indução matemática: exercício 2 Exercício: Considere a seguinte definição de S m Demonstre que, para todo m N +, S m = m i 2 i=1 S m = 1 m(m + 1)(2m + 1) 6