INE5403 FUNDAMENTOS DE MATEMÁTICA DISCRETA

Documentos relacionados
Lógica de Predicados

AULA 5 QUANTIFICADORES, PREDICADOS E VALIDADE

Aula 5. Uma partícula evolui na reta. A trajetória é uma função que dá a sua posição em função do tempo:

UM JOGO BINOMIAL 1. INTRODUÇÃO

Planejamento - 2. Definição de atividades Sequenciamento das atividades. Mauricio Lyra, PMP

SISTEMAS OPERACIONAIS. 3ª. Lista de Exercícios

ENGENHARIA DE SOFTWARE

Módulo de Princípios Básicos de Contagem. Segundo ano

Fundamentos de Bancos de Dados 3 a Prova Caderno de Questões

Módulo de Equações do Segundo Grau. Equações do Segundo Grau: Resultados Básicos. Nono Ano

Matemática Discreta - 03

Inteligência Artificial

Bases Matemáticas. Daniel Miranda de maio de sala Bloco B página: daniel.miranda

DISTRIBUIÇÕES ESPECIAIS DE PROBABILIDADE DISCRETAS

Métodos Formais. Agenda. Relações Binárias Relações e Banco de Dados Operações nas Relações Resumo Relações Funções. Relações e Funções

Aula 01 Introdução Custo de um algoritmo, Funções de complexidad e Recursão

Programação Orientada a Objetos SANTOS, Rafael

AULA 07 Distribuições Discretas de Probabilidade

Lógica para computação Professor Marlon Marcon

Comandos de Eletropneumática Exercícios Comentados para Elaboração, Montagem e Ensaios

Silogística Aristotélica

Técnicas de Contagem I II III IV V VI

Universidade Federal de Goiás Campus Catalão Departamento de Matemática

Treinamento sobre Progress Report.

Probabilidade e Estatística

MDS II Aula 04. Concepção Requisitos Diagrama de Casos de Uso (Use Cases)

Prof. Dr. Heros Ferreira Plataforma EAD. Encontro Multiesportivo de Técnicos Formadores Solidariedade Olímpica / COI

Método Simplex das Duas Fases

Notas de aula de Lógica para Ciência da Computação. Aula 11, 2012/2

Álgebra Linear Aplicada à Compressão de Imagens. Universidade de Lisboa Instituto Superior Técnico. Mestrado em Engenharia Aeroespacial

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO PROGRAMA DE EDUCAÇÃO TUTORIAL - MATEMÁTICA PROJETO FUNDAMENTOS DE MATEMÁTICA ELEMENTAR

Modelos de Regressão Linear Simples - Erro Puro e Falta de Ajuste

Disciplina: Álgebra Linear - Engenharias ], C = Basta adicionar elemento a elemento de A e B que ocupam a mesma posição na matriz.

Matemática Discreta - 08

Sistemas Distribuídos

CATÁLOGO DE APLICAÇÕES Rateio CC Contas a Pagar

Graphing Basic no Excel 2007

EXERCÍCIOS DE ÁLGEBRA LINEAR E GEOMETRIA ANALÍTICA (sistemas de equações lineares e outros exercícios)

Fundamentos de Lógica Matemática

PUC-Rio Desafio em Matemática 15 de novembro de 2008

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA ESCOLA POLITÉCNICA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA ENG 008 Fenômenos de Transporte I A Profª Fátima Lopes

Resolução da Prova de Raciocínio Lógico do MPOG/ENAP de 2015, aplicada em 30/08/2015.

Entretanto, este benefício se restringe a um teto de 12% da renda total tributável. O plano VGBL é vantajoso em relação ao PGBL para quem:

Análise Qualitativa no Gerenciamento de Riscos de Projetos

Lógica de Programação. Profas. Simone Campos Camargo e Janete Ferreira Biazotto

Adriana da Silva Santi Coord. Pedagógica de Matemática SMED - Abril/2015

Parabéns por você ter chegado até aqui isso mostra o seu real interesse em aprender como se ganhar dinheiro na internet logo abaixo te darei algumas

Entropia, Entropia Relativa

BALANÇO PATRIMONIAL AMBIENTAL - EXERCÍCIO COMENTADO Prof Alan

Seqüências. George Darmiton da Cunha Cavalcanti CIn - UFPE

FACULDADE DE ARARAQUARA IESP Instituto Educacional do Estado de São Paulo Rua Miguel Cortez, 50, Vila Suconasa, Araraquara/SP Tel:

EDITAL. Concurso Novos Talentos 2014

8 Crie um pequeno sistema para controle automatizado de estoque, com os seguintes registros:

Teoria da Firma. Capítulo VI. Introdução. Introdução. Medição de custos: quais custos considerar?

Fundamentos de Teste de Software

INE0003 FUNDAMENTOS DE MATEMÁTICA DISCRETA

M =C J, fórmula do montante

Programação Linear - Parte 4

Os salários de 15 áreas de TI nas cinco regiões do Brasil

EDITAL DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA DA FACULDADE MULTIVIX- VITÓRIA 003/2016 ALTERADO EM 14/06/2016

Noções básicas de Lógica

MATEMATICA PERMUTAÇÕES SIMPLES QUANTOS NÚMEROS, DE 3 ALGARISMOS DISTINTOS, PODEMOS FORMAR COM OS DÍGITOS 7, 8 E 9?

Exercício. Exercício

A escrita que faz a diferença

SISTEMAS DE EQUAÇÕES DO 1º GRAU

TESTES SOCIOMÉTRICOS

CEDERJ MÉTODOS DETERMINÍSTICOS 1 - EP4. Prezado Aluno,

Figura 4.1: Diagrama de representação de uma função de 2 variáveis

Microeconomia. Prof.: Antonio Carlos Assumpção

Tipos de investigação educacional diferenciados por:

CONTRIBUTO E PROPOSTAS DE ALTERAÇÃO À LEI DO CINEMA PELA ASSOCIAÇÃO DE PRODUTORES DE CINEMA

Engenharia de Software II

Resolução da Prova de Raciocínio Lógico do TRE/MT, aplicada em 13/12/2015.

Modelagem de Sistemas Web. Metodologias para o desenvolvimento de sistemas web

2 Conceitos Básicos. onde essa matriz expressa a aproximação linear local do campo. Definição 2.2 O campo vetorial v gera um fluxo φ : U R 2 R

Arquitecturas de Software Enunciado de Projecto

Programação para Internet I 4. XML. Nuno Miguel Gil Fonseca nuno.fonseca@estgoh.ipc.pt

Análise de Requisitos

1 CLASSIFICAÇÃO 2 SOMA DOS ÂNGULOS INTERNOS. Matemática 2 Pedro Paulo

Programação de Computadores - I. Profª Beatriz Profº Israel

Índice. Conteúdo. Planilha Profissional Para Cálculo de Preços de Artesanato

MANUAL DO INSTALADOR XD EM AMBIENTES MICROSOFT WINDOWS

Teoria Básica e o Método Simplex. Prof. Ricardo Santos

FÍSICA EXPERIMENTAL 3001

Gerenciamento do Escopo do Projeto (PMBoK 5ª ed.)

Aula de Exercícios - Teorema de Bayes

FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE ANDRADINA NOME DO(S) AUTOR(ES) EM ORDEM ALFABÉTICA TÍTULO DO TRABALHO: SUBTÍTULO DO TRABALHO, SE HOUVER

Economia e Finanças Públicas Aula T18. Conceitos a reter. Bibliografia. 5.2 Regras orçamentais. Livro EFP, cap. 12. Lei de Enquadramento Orçamental

Lista de Exercícios 5: Soluções Teoria dos Conjuntos

Modelo Uniforme. como eu e meu colega temos 5 bilhetes, temos a mesma probabilidade de ganhar a rifa:

UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS - UNISINOS CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS - CENTRO 06. Funções, variáveis, parâmetros formais

Microprocessadores. Memórias


= Pontuação: A questão vale dez pontos, tem dois itens, sendo que o item A vale até três pontos, e o B vale até sete pontos.

Todo Campo de Estudo Tem a Sua Terminologia. 2. Pensando como um Economista. Todo Campo de Estudo Tem a Sua Terminologia

Aprendendo a trabalhar com frações parciais

E-Learning Uma estratégia para a qualidade do ensino/aprendizagem. Ensino a Distância

Modelos de Probabilidade e Inferência Estatística

Transcrição:

INE5403 FUNDAMENTOS DE MATEMÁTICA DISCRETA PARA A COMPUTAÇÃO PROF. DANIEL S. FREITAS UFSC - CTC - INE Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.1/59

1 - LÓGICA E MÉTODOS DE PROVA 1.1) Lógica Proposicional 1.2) Lógica de Primeira Ordem 1.3) Métodos de Prova Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.2/59

PREDICADOS E QUANTIFICADORES Servem para declarações da forma: x > 3 x = y + 3 x + y = z Não são V nem F enquanto os valores das variáveis não forem especificados. Discutiremos modos de produzir proposições a partir destas declarações. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.3/59

PREDICADOS A declaração x é maior do que 3 tem duas partes: a variável x (= sujeito ) é maior do que 3 (= predicado ) O predicado é uma propriedade que o sujeito da declaração pode ter. Podemos denotar x é maior do que 3 por P (x): P é o predicado x é a variável Diz-se também que P (x) é o valor da função proposicional P em x. Uma vez que um valor tenha sido atribuído a x, P (x) se torna uma proposição e tem um valor verdade. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.4/59

PREDICADOS Exemplo: seja P (x) a declaração x > 3. Quais são os valores verdade de P (4) e P (2)? P (4), que é 4 > 3, é V P (2), que é 2 > 3, é F Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.5/59

PREDICADOS Também podemos ter declarações com mais de uma variável. Exemplo: x = y + 3. Pode ser denotado por Q(x, y) Quando se atribui valores para x e para y, Q(x, y) passa a ter um valor verdade. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.6/59

PREDICADOS Exemplo: Seja Q(x, y) a declaração x = y + 3. Quais são os valores verdade de Q(1, 2) e Q(3, 0)? Similarmente, R(x, y, z) pode ser x + y = z. Exemplo: quais os valores verdade de R(1, 2, 3) e R(0, 0, 1)? Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.7/59

PREDICADOS Em geral, uma declaração envolvendo as n variáveis x 1, x 2,..., x n pode ser denotada por: P (x 1, x 2,..., x n ) que é o valor da função proposicional P para a tupla: (x 1, x 2,..., x n ) P também é chamado de predicado Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.8/59

QUANTIFICADORES Quando se atribui valores a todas as variáveis em uma função proposicional, a declaração resultante se torna uma proposição com um valor verdade determinado. Mas existe uma outra forma de criar uma proposição a partir de uma função proposicional: a quantificação Discutiremos quantificação universal e quantificação existencial. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.9/59

QUANTIFICADOR UNIVERSAL Muitas declarações afirmam que uma propriedade é V ou F para todos os valores de uma variável em um domínio em particular ou seja, em um universo de discurso ou domínio Tal declaração é expressa com um quantificador universal: estabelece que P (x) é V para todos os valores de x no universo de discurso é o universo de discurso que especifica os possíveis valores da variável x. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.10/59

QUANTIFICADOR UNIVERSAL A quantificação universal de P (x) é a proposição: P (x) é V para todos os valores de x no universo de discurso. Denotada por: x P (x) é o quantificador universal para todo x, P (x) para todos os x, P (x) Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.11/59

QUANTIFICADOR UNIVERSAL Exemplo: Seja P (x) dado por x + 1 > x. Qual o valor verdade da quantificação x P (x), sendo que o universo de discurso consiste de todos os nros reais? Resposta: como P (x) é V para todos os nros reais x, a quantificação x P (x) é V Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.12/59

QUANTIFICADOR UNIVERSAL Exemplo: Seja Q(x) a declaração x < 2. Qual o valor verdade da quantificação x Q(x)? O universo de discurso consiste de todos os nros reais. Resposta: Q(x) não é verdade para todo nro real x Q(3), por exemplo, é F Portanto: x Q(x) é F Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.13/59

QUANTIFICADOR UNIVERSAL Quando todos os elementos do universo de discurso podem ser listados: por exemplo: x 1, x 2,..., x n Segue que a quantificação universal é o mesmo que a conjunção: P (x 1 ) P (x 2 )... P (x n ) a qual é V sse: P (x 1 ), P (x 2 ),..., P (x n ) são todos V Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.14/59

QUANTIFICADOR UNIVERSAL Exemplo: qual o valor verdade de x P (x), onde: P (x) é x 2 < 10 o universo de discurso são os inteiros não maiores do que 4? Resposta: como P (4) é F, segue que x P (x) é F Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.15/59

QUANTIFICADOR UNIVERSAL Exemplo: o que significa a declaração x T (x), se: T (x) é x tem pai e mãe o universo de discurso consiste de todas as pessoas? Resposta: esta declaração pode ser traduzida por: toda pessoa tem pai e mãe a qual é V Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.16/59

QUANTIFICADOR UNIVERSAL Especificar o universo de discurso é importante quando se usa quantificadores. O valor verdade de uma declaração quantificada frequentemente depende de quais elementos estão neste universo de discurso. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.17/59

QUANTIFICADOR UNIVERSAL Exemplo: Qual é o valor verdade de x (x 2 x) se: o universo de discurso consiste de todos os nros reais? o UD consiste de todos os nros inteiros? Resposta: note que x 2 x sse x.(x 1) 0 ou seja: sse x 0 ou x 1 logo: x (x 2 x) é F se o UD consiste dos reais mas é V se o UD consiste dos inteiros Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.18/59

QUANTIFICADOR UNIVERSAL Note que, para mostrar que uma declaração da forma x P (x) é F: só é preciso encontrar um valor de x no UD para o qual P (x) é F este valor é chamado de contra-exemplo da declaração x P (x) Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.19/59

QUANTIFICADOR UNIVERSAL Exemplo: Seja P (x) dado por x 2 > 0. Para mostrar que a declaração x P (x) é F, onde o UD consiste dos inteiros, é só mostrar um contra-exemplo. Vemos que x = 0 é um contra-exemplo, uma vez que x 2 = 0 quando x = 0. Buscar contra-exemplos para declarações quantificadas universalmente é uma atividade importante no estudo da matemática. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.20/59

QUANTIFICADOR EXISTENCIAL Muitas declarações matemáticas estabelecem que existe um elemento com uma certa propriedade. Tais declarações são expressas usando quantificação existencial. Forma-se uma proposição que é V se e somente se P (x) é V para pelo menos um valor de x no universo de discurso. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.21/59

QUANTIFICADOR EXISTENCIAL A quantificação existencial de P (x) é a proposição: existe um elemento x no universo de discurso tal que P (x) é V usa-se a notação: x P (x) é o quantificador existencial significa: existe um x tal que P (x) existe pelo menos um x tal que P (x) para algum x, P (x) Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.22/59

QUANTIFICADOR EXISTENCIAL Exemplo: Seja P (x) a declaração x > 3. Qual é o valor verdade da quantificação x P (x)? O UD consiste de todos os números reais. Resposta: x > 3 para, por exemplo, x = 4 logo: x P (x) é V Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.23/59

QUANTIFICADOR EXISTENCIAL Exemplo: Seja Q(x) a declaração x = x + 1. Qual é o valor verdade da quantificação x Q(x)? O UD consiste de todos os números reais. Resposta: uma vez que Q(x) é F para todos os nros reais, a quantificação existencial x Q(x) é F Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.24/59

QUANTIFICADOR EXISTENCIAL Quando todos os elementos do universo de discurso podem ser listados: por exemplo: x 1, x 2,..., x n segue que a quantificação existencial é o mesmo que a disjunção: P (x 1 ) P (x 2 )... P (x n ) a qual é V sse pelo menos um entre P (x 1 ), P (x 2 ),..., P (x n ) for V Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.25/59

QUANTIFICADOR EXISTENCIAL Exemplo: Qual o valor verdade de x P (x), onde: P (x) é a declaração x 2 > 10 o UD consiste dos inteiros positivos não maiores do que 4? Resposta: Como o UD é {1, 2, 3, 4}, a proposição x P (x) é o mesmo que a disjunção: P (1) P (2) P (3) P (4) Como P (4) é V, segue que x P (x) é V Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.26/59

QUANTIFICADORES - RESUMO Declaração Quando é V? Quando é F? x P (x) P (x) é V para todo x Existe um x para o qual P (x) é F x P (x) Existe um x P (x) é F para todo x para o qual P (x) é V Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.27/59

LIGANDO VARIÁVEIS Quando: um quantificador é usado sobre a variável x ou: quando atribuímos um valor a esta variável dizemos que esta ocorrência da variável está ligada (ou amarrada ). Uma ocorrência de variável que não está ligada a um quantificador ou fixa em um valor particular é chamada de livre. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.28/59

LIGANDO VARIÁVEIS Todas as variáveis que ocorrem em uma função proposicional devem estar ligadas, para que ela seja considerada uma proposição. Isto pode ser feito com uma combinação de: quantificadores universais quantificadores existenciais atribuições de valores Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.29/59

LIGANDO VARIÁVEIS A parte de uma expressão lógica à qual um quantificador é aplicado é o seu escopo. Uma variável é livre se estiver fora do escopo de todos os quantificadores na fórmula que a especifica. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.30/59

LIGANDO VARIÁVEIS Exemplo: na declaração x Q(x, y): a variável x está ligada à quantificação x mas a variável y está livre: não está ligada a nenhum quantificador nenhum valor lhe está sendo atribuído. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.31/59

LIGANDO VARIÁVEIS Exemplo: na declaração x (P (x) Q(x)) x R(x): Todas as variáveis estão ligadas. O escopo do primeiro quantificador, x, é a expressão: P (x) Q(x) O escopo do quantificador x é R(x) Note que esta expressão pode ser escrita como: x (P (x) Q(x)) y R(y) Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.32/59

LIGANDO VARIÁVEIS Observe que é comum usar a mesma letra para representar variáveis ligadas a diferentes quantificadores desde que os seus escopos não se sobreponham. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.33/59

NEGAÇÕES Exemplo: Considere a sentença: Todo aluno nesta sala já fez um curso de Cálculo Trata-se de uma quantificação universal: x P (x) onde P (x) é x já cursou Cálculo A negação desta sentença é a declaração: Não é verdade que todo aluno nesta sala já tenha feito um curso de Cálculo Note que isto é equivalente a: Existe algum estudante em sala que não cursou Cálculo ou seja: x P (x) Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.34/59

NEGAÇÕES Este exemplo ilustra a seguinte equivalência: x P (x) x P (x) Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.35/59

NEGAÇÕES Exemplo: Agora queremos negar: Existe um estudante nesta sala que já cursou Cálculo Trata-se de uma quantificação existencial: x Q(x) onde Q(x) é x já cursou Cálculo A negação desta declaração é: Não é verdade que exista nesta sala um estudante que já tenha cursado Cálculo O que é equivalente a: Todo estudante desta sala ainda não cursou Cálculo ou seja: x Q(x) Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.36/59

NEGAÇÕES Este exemplo ilustra a seguinte equivalência: x Q(x) x Q(x) Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.37/59

NEGAÇÕES - RESUMO Negação Declaração Quando é V? Quando é F? Equivalente x P (x) x P (x) Para todo x, Existe um x para o qual P (x) é F P (x) é V x P (x) x P (x) Existe um x para o qual Para todo x, P (x) é F P (x) é V Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.38/59

NEGAÇÕES Exemplo: Qual é a negação de: Existe um político honesto? Seja H(x): x é honesto Então a declaração acima é: x H(x) onde o UD consiste de todos os políticos A negação disto é: a qual é equivalente a: x H(x) x H(x) a qual pode ser expressa como: Todos os políticos não são honestos ou: Todos os políticos são desonestos Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.39/59

NEGAÇÕES Exemplo: Qual é a negação de: Todos os americanos comem hambúrguers? Seja C(x): x come hambúrguers Então a declaração acima é: x C(x) onde o UD consiste de todos os americanos A negação disto é: que é equivalente a: x C(x) x C(x) que pode ser expressa como: Alguns americanos não comem hambúrguers ou: Existe pelo menos um americano que não come hambúrguers Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.40/59

NEGAÇÕES Exemplo: A negação de x (x 2 > x) é a declaração: x (x 2 > x) que é equivalente a: x (x 2 > x) a qual pode ser reescrita como: x (x 2 x) Note que o valor-verdade desta declaração depende do UD. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.41/59

NEGAÇÕES Exemplo: A negação de x (x 2 = 2) é a declaração: x (x 2 = 2) que é equivalente a: x (x 2 = 2) a qual pode ser reescrita como: x (x 2 2) Note que o valor-verdade desta declaração depende do UD. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.42/59

TRADUZINDO LINGUAGEM PARA LÓGICA Tarefa crucial em matemática, programação em lógica, IA, engenharia de software e outros. Esta tarefa é mais complexa quando envolve predicados e quantificadores: pode haver mais de um modo de traduzir uma dada sentença. Não há receita : veremos exemplos para ilustrar o método. Objetivo: produzir expressões simples e úteis. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.43/59

SENTENÇAS PARA LÓGICA (UM QUANTIFICADOR) Exemplo 1 (1/3): Use lógica de predicados para expressar: Todo estudante nesta turma já estudou Cálculo. Solução: 1. reescrever para facilitar identificação dos quantificadores: Para cada estudante nesta turma, este estudante já estudou Cálculo 2. introduzir uma variável x: Para cada estudante x nesta turma, x já estudou Cálculo 3. incluir o predicado C(x): x já estudou Cálculo 4. assim, assumindo que o UD consiste dos estudantes na turma: x C(x) Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.44/59

SENTENÇAS PARA LÓGICA (UM QUANTIFICADOR) Porém, existem outras abordagens corretas: pode-se usar UDs diferentes e outros predicados a abordagem escolhida vai depender do raciocínio que queremos desenvolver. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.45/59

SENTENÇAS PARA LÓGICA (UM QUANTIFICADOR) Exemplo 1 (2/3): podemos estar interessados em focar em um grupo de pessoas maior do que a turma. Se o UD passar a ser todas as pessoas, teremos: Para cada pessoa x, se a pessoa x é um estudante desta turma, então x já estudou Cálculo Então, definindo: E(x): a pessoa x está nesta turma A sentença anterior fica: x (E(x) C(x)) Nota: neste caso, a sentença não pode ser expressa como: x (E(x) C(x)) pois isto significaria: todas as pessoas são estudantes nesta turma e já estudaram Cálculo (!!) Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.46/59

SENTENÇAS PARA LÓGICA (UM QUANTIFICADOR) Exemplo 1 (3/3): podemos estar interessados na formação da turma em outros assuntos além do Cálculo. Neste caso, pode ser mais adequado usar o predicado: Q(x, y): o estudante x já estudou a matéria y Teríamos que substituir C(x) por Q(x, calculo) nas abordagens anteriores: x Q(x, calculo) x (E(x) Q(x, calculo)) Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.47/59

SENTENÇAS PARA LÓGICA (UM QUANTIFICADOR) Note que existem diferentes abordagens. Devemos sempre adotar a mais simples, mas que seja adequada para o raciocínio subseqüente. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.48/59

SENTENÇAS PARA LÓGICA (UM QUANTIFICADOR) Exemplo 2 (1/2): Use predicados e quantificadores para expressar: Algum estudante nesta sala já foi a São Paulo.. Solução: Esta sentença significa: Existe um estudante nesta sala com a propriedade de que este estudante já visitou SP. Introduzindo uma variável x: Existe um estudante x nesta sala que possui a propriedade x já visitou SP. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.49/59

SENTENÇAS PARA LÓGICA (UM QUANTIFICADOR) Exemplo 2 (2/2): ( Algum estudante nesta sala já foi a São Paulo. ). Supondo UD = estudantes nesta sala, obtemos: x S(x) Se o UD passar para todas as pessoas, a sentença fica: Existe uma pessoa x tendo a propriedade de que x é um estudante nesta sala e x já foi a SP. Definindo E(x) como x é um estudante nesta sala, obtemos: x (E(x) S(x)) Note que não pode ser: x (E(x) S(x)) Para isto ser V, bastaria ter alguém fora da sala. (!!) Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.50/59

SENTENÇAS PARA LÓGICA (UM QUANTIFICADOR) Exemplo 3 (1/3): Use predicados e quantificadores para expressar: Todo estudante nesta sala já foi a SP ou ao Rio.. Solução: Reescrevendo: Para todo x nesta sala, x tem a propriedade: x já visitou SP ou x já visitou o Rio. nota: ou-inclusivo Daí, se UD= estudantes em sala, isto é expresso como: x (S(x) R(x)) Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.51/59

SENTENÇAS PARA LÓGICA (UM QUANTIFICADOR) Exemplo 3 (2/3): ( Todo estudante nesta sala já foi a SP ou ao Rio. ) Solução: Porém, se UD= todas as pessoas, isto fica: Para toda pessoa x, se x é um estudante nesta sala, então x já visitou SP ou x já visitou o RJ. O que pode ser expresso como: x (E(x) (S(x) R(x))) Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.52/59

SENTENÇAS PARA LÓGICA (UM QUANTIFICADOR) Exemplo 3 (3/3): ( Todo estudante nesta sala já foi a SP ou ao Rio. ) Solução: Podemos ainda usar um predicado duplo V (x, y) representando x já visitou o estado y Neste caso: V (x, SP ) seria o mesmo que S(x) V (x, RJ) seria o mesmo que R(x) Abordagem útil se estivéssemos trabalhando com muitas declarações envolvendo pessoas visitando diferentes estados. Caso contrário, é melhor a forma mais simples... Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.53/59

SENTENÇAS PARA LÓGICA (UM QUANTIFICADOR) Exemplos extras (Lewis Carroll) 1 (1/2): Considere as declarações ( argumento ): Todos os leões são ferozes. ( premissa ) Alguns leões não tomam café. ( premissa ) Algumas criaturas ferozes não tomam café. ( conclusão ) Defina: P (x) significa x é um leão Q(x) significa x é feroz R(x) significa x toma café Questão: assumindo que o UD é o conjunto de todas as criaturas, expresse o argumento em lógica de predicados. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.54/59

SENTENÇAS PARA LÓGICA (UM QUANTIFICADOR) Exemplos extras (Lewis Carroll) 1 (2/2): Podemos expressar as declarações como: x (P (x) Q(x)) x (P (x) R(x)) x (Q(x) R(x)) ( Todos os leões são ferozes. ) ( Alguns leões não tomam café. ) ( Algumas criaturas ferozes não tomam café ) Notas: a 2a declaração não pode ser: x (P (x) R(x)) a 3a declaração não pode ser: x (Q(x) R(x)) Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.55/59

SENTENÇAS PARA LÓGICA (UM QUANTIFICADOR) Exemplos extras (Lewis Carroll) 2 (1/2): Considere o argumento: Todos os beija-flores são muito coloridos ( premissa ) Nenhum pássaro grande vive no mel ( premissa ) Pássaros que não vivem no mel são pobres em cores Beija-flores são pequenos ( conclusão ) ( premissa ) Defina: P (x) significa x é um beija-flor Q(x) significa x é grande R(x) significa x vive no mel S(x) significa x é muito colorido Questão: assumindo que o UD é o conjunto de todos os pássaros, expresse o argumento em lógica de predicados. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.56/59

SENTENÇAS PARA LÓGICA (UM QUANTIFICADOR) Exemplos extras (Lewis Carroll) 2 (2/2): Podemos expressar as declarações como: x (P (x) S(x)) x (Q(x) R(x)) x ( R(x) S(x)) x (P (x) Q(x)) ( Todos os beija-flores são muito coloridos ) ( Nenhum pássaro grande vive no mel ) ( Pássaros que não vivem no mel são pobres em cores ) ( Beija-flores são pequenos ) Nota: estamos assumindo que: pequeno é o mesmo que não grande pobre em cores é o mesmo que não muito coloridos Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.57/59

PROGRAMAÇÃO EM LÓGICA Existem linguagens de programação projetadas para raciocinar utilizando as regras da Lógica de predicados. Exemplo: Prolog ( Programação em Lógica ) Desenvolvido na França, na década de 70, por cientistas da computação que trabalhavam na área de Inteligência Artificial. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.58/59

LÓGICA DE PRIMEIRA ORDEM Final deste item. Dica: fazer exercícios sobre Lógica de Primeira Ordem (predicados e quantificadores)... Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.59/59