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Transcrição:

1 n. 97 - junho - 2010 Poda da figueira 1 Ângelo Albérico Alvarenga 2 Paulo Márcio Norberto 3 Enilson Abrahão 4 Edwaldo dos Santos Penoni 5 Vicente Luiz de Carvalho 6 Sérgio Geraldo de Resende 7 Mauro Lúcio de Resende 8 INTRODUÇÃO Com a chegada do inverno, as folhas da figueira começam a cair por causa da diminuição de suas atividades fisiológicas, alertando o fruticultor de que chegou a hora de preparar as ferramentas corretas e adequadas para realização da poda. A poda é uma prática cultural utilizada com o objetivo de regularizar a produção e melhorar a qualidade das frutas. É importante que seja executada levando-se em consideração a fisiologia e a biologia da planta (FACHINELLO; NACHTIGAL; KERSTEN, 1996). Apenas a poda, no entanto, não resolve. Outras operações ligadas à produção e à produtividade são necessárias e devem ser observadas, tais como: correção e adubação, para corrigir possíveis deficiências nutricionais do solo; irrigação, quando necessária; e controle de doenças e pragas. Para que o fruticultor tenha sucesso com a realização da poda e esta produza os resultados esperados, é importante saber: Por que fazer a poda? Quando podar? Qual ramo deve-se podar ou deixar? Qual objetivo e o tipo de poda? Qual o local do ramo deve ser cortado? Como a figueira é uma planta que entra em produção rapidamente, a poda de formação se confunde com a poda de frutificação, ou seja, ainda na fase de formação, as plantas já produzem seus primeiros frutos. Vale lembrar que a figueira só produz frutos nos ramos novos emitidos no ano, sobre ramos do ano anterior. Assim, brotações novas, mas emiti- 1 Circular Técnica produzida pela Unidade Regional EPAMIG Sul de Minas (U.R. EPAMIG SM). Tel.: (35) 3829-1190. Correio eletrônico: uresm@epamig.br Apoio FAPEMIG. 2 Eng o Agr o, D.Sc., Pesq. U.R. EPAMIG SM, Caixa Postal 176, CEP 37200-000 Lavras-MG. Correio eletrônico: angelo@epamig.br 3 Eng o Agr o, D.Sc., Pesq. U.R. EPAMIG SM-FERN, CEP 36300-000 São João del-rei-mg. Correio eletrônico: paulonor@gmail.com 4 Eng o Agr o, M.Sc., Diretor de Operações Técnicas EPAMIG-Sede, CEP 31170-000 Belo Horizonte-MG. Correio eletrônico: enilson@epamig.br 5 Eng o Agr o, M.Sc., Pesq. U.R. EPAMIG SM, Caixa Postal 176, CEP 37200-000 Lavras-MG. Correio eletrônico: espenoni@bol.com.br 6 Eng o Agr o, M.Sc., Pesq. U.R. EPAMIG SM, Caixa Postal 176, CEP 37200-000 Lavras-MG. Correio eletrônico: vicentelc@epamig.br 7 Eng o Agr o, M.Sc., Pesq. U.R. EPAMIG SM-FERN, CEP 36300-000 São João del-rei-mg. Correio eletrônico: sgresende@bol.com.br 8 Administrador, U.R. EPAMIG SM-FERN, CEP 36300-000 São João del-rei-mg. Correio eletrônico: mauroresende@epamig.br

2 das em ramos velhos, normalmente não produzem frutos, só folhas. O cultivo dessa frutífera constitui uma ótima alternativa, tanto na geração de renda, quanto na de empregos, para a agricultura familiar nas regiões do Campo das Vertentes e Sul de Minas Gerais. O destaque principal é a produção de figos verdes para a industrialização, pela confecção dos mais diferentes tipos de doces como: doce em calda ou compota, figada e o figo cristalizado. OBJETIVOS DA PODA a) suprimir ramos supérfluos, inconvenientes, doentes e mortos; b) eliminar parte dos ramos que já produziram no ano anterior; c) fazer com que a planta emita novos ramos produtivos; d) promover o controle de pragas, principalmente de brocas e coleobrocas; e) promover um melhor arejamento no interior da planta; f) manter a planta com um porte conveniente ao seu trato e manuseio; g) fazer com que a planta produza mais e com melhor qualidade, todos os anos. ÉPOCAS DA PODA Poda seca ou de inverno É a poda realizada no final do período do frio ou inverno (final de julho a início de agosto). No caso da figueira, o principal indício é o início da brotação nas pontas dos ramos. Poda verde ou de verão É qualquer operação de poda feita na planta, quando esta está vegetando. Normalmente, fazemse diversas desbrotas, logo após a poda de inverno, para determinar o número adequado de brotações por planta. São seis brotações, quando o objetivo é produzir figos verdes para fabricação de doces, e 12, quando se quer produzir frutos maduros para o consumo natural. Ao longo do desenvolvimento dos ramos produtivos também são realizados despontes (quebra da gema terminal), com o objetivo de escalonar a produção e uniformizar o tamanho dos frutos. PODA DE FORMAÇÃO DA PLANTA A seguir, são apresentados os métodos a serem seguidos, utilizando-se no plantio estacas lisas, oriundas da poda de figueiras adultas, ou mudas prontas, produzidas em sacolas plásticas. TIPOS DE PODA Poda de formação São operações de podas e desbrotas realizadas nas plantas jovens, com o objetivo de proporcionar uma estrutura adequada para suportar as produções, por meio de uma boa distribuição dos ramos primários, denominados pernadas. É bom lembrar que a figueira, ainda jovem, durante seu período de formação, já produz frutos, mesmo que estes sejam em pequena quantidade. Poda de frutificação São podas realizadas, principalmente a partir do segundo ano de vida das plantas, com o objetivo de fazer com que a planta emita novos ramos, bem posicionados, favorecendo e regularizando a frutificação, dando equilíbrio entre as partes vegetativa e produtiva. Plantio da estaca diretamente no campo Após a abertura e preparo da cova com as dimensões de 40 x 40 x 40 cm, a estaca é plantada diretamente no campo no mês de julho ou agosto, ou seja, período da poda de inverno de figueirais comerciais, época oportuna para obtenção de material propagativo para realização da estaquia. No plantio da estaca, devem-se tomar alguns cuidados como: a) não plantar a estaca de cabeça para baixo; b) compactar bem o solo na parte basal da estaca; c) irrigar com pelo menos 20 litros de água/cova; d) deixar apenas duas gemas acima do nível do solo; e) fazer uma amontoa com terra solta, de forma que as gemas que ficaram acima do solo sejam cobertas, a fim de evitar o seu dessecamento. A Figura 1 mostra todos os passos desde o plantio da estaca, emissão das brotações, seleção da brotação mais vigorosa bem posicionada e condução da brotação até 45 cm do solo, ocasião em

3 A B C D Figura 1 - Condução da planta desde o plantio da estaca até a formação da haste única da figueira (futuro tronco da planta) NOTA: A - Emissão das brotações; B - Seleção da brotação mais vigorosa; C - Condução da brotação; D - Desponte. que a muda é despontada. Este desponte pode ser feito nos meses de novembro e dezembro do mesmo ano do plantio ou em julho e agosto do ano seguinte. Após este desponte, a planta deverá brotar logo abaixo do corte, quando deverão ser selecionadas três brotações bem localizadas, formando entre si um ângulo de 120 o visto de cima (Fig. 2), sendo as demais brotações eliminadas. tido em seis (figos para indústria) ou duplicados, perfazendo 12 ramos, no caso da produção de figos para o consumo in natura (Fig. 2 e 3). Plantio de mudas de sacolas Semelhantemente ao plantio direto da muda no campo, as mudas formadas em viveiros (mudas com torrão), após o plantio no campo, que ocorre no início do período chuvoso, deve-se fazer o desponte do ramo principal a 45 cm de altura do solo. Após o desponte, os demais procedimentos deverão ser iguais aos realizados no caso da estaca plantada diretamente no campo. No decorrer do ano, as três brotações selecionadas e a partir de agora chamadas de pernadas, desenvolverão, crescerão e produzirão figos. No final do inverno do ano seguinte, quando já não tiverem mais folhas, serão podadas a 15 cm do tronco. A partir da primavera, quando a planta iniciar a brotação, deverão ser selecionados dois brotos bem posicionados em cada uma das pernadas, denominados braços da planta, eliminando-se os demais. Assim, a partir desse momento a planta contará com seis brotações, duas em cada pernada. Os braços crescerão e produzirão frutos durante a primavera e verão, com as colheitas periódicas, que se estenderão até o outono. A segunda poda de formação é realizada no inverno do ano seguinte ao da primeira poda, quando os braços deverão ser podados a 5 cm da sua base. Na primavera, após a brotação, deixam-se um ou dois brotos, bem posicionados em cada braço, ou seja, voltados para fora, dando à planta o formato de uma taça, devendo-se eliminar as demais brotações. Dessa forma, o número de ramos produtivos é man- Figura 2 - Poda de formação vista de cima NOTA: A Pernada; B Braços; C - Ramos produtivos. FONTE: Simão (1998). C F A D Figura 3 - Detalhes da poda de formação da figueira NOTA: A - Seleção de três brotos, na primavera; B - Poda das três pernadas, fim do inverno; C - Planta podada; D - Seleção de dois brotos, braços, em cada pernada; E - Poda dos braços no final do inverno; F - Seleção dos novos brotos, seis ou doze no total, durante a primavera. B E

4 A partir da poda de inverno do terceiro ano, as figueiras já se encontram estabilizadas, podendo ser conduzidas na forma de taça com seis ou 12 ramos produtivos, conforme o destino da produção. A Figura 2 mostra um esquema da planta vista de cima com 12 ramos. Efetuada a poda, é recomendável pincelar com pasta bordalesa nos locais onde foi cortado, para proteção da planta contra fungos. A desbrota dos ramos localizados em pontos indesejáveis é feita durante todo o período vegetativo, tantos quantos se fizerem necessários. PODA DE FRUTIFICAÇÃO Uma figueira adulta pode chegar a 10 m de altura, quando não são efetuadas as podas drásticas anuais. Já uma figueira cultivada comercialmente, não ultrapassa 3 m, o que possibilita um maior número de plantas por área e, consequentemente, uma maior produtividade. A poda de frutificação faz-se quando a copa da planta já esta formada. Tem como objetivo regularizar as produções e melhorar a qualidade dos frutos. Existem duas metodologias para a poda de produção da figueira: o sistema tradicional e o sistema com desponte. Sistema tradicional ou convencional No sistema tradicional, anualmente nos meses de julho e agosto, é realizada a poda de inverno dos ramos que produziram na última safra. Esses ramos são podados entre 5 a 10 cm da sua base, sempre sobre os ramos de 1 ano de idade, os quais estão sobre os de 2 anos e assim por diante. Isso fica bastante visível em figueiras mais velhas. Após a brotação, deixa-se um broto por ramo podado de modo que mantenha o número de ramos terminais, eliminandose os demais. Os brotos selecionados vão crescer e produzir frutos durante a primavera, verão e outono. Após a poda de frutificação, com a aplicação de tratos culturais adequados e dentro de condições climáticas regulares, a colheita inicia-se em outubro, podendo se estender até março. Esta poda também vai favorecer no controle da broca-da-figueira (Fig. 4). Sistema com desponte O sistema de desponte é uma prática comum utilizada por fruticultores de Minas Gerais, para produção de figos para indústria. Figura 4 - Condução da figueira no sistema tradicional ou convencional com 12 ramos terminais Embora faltem mais pesquisas e informações técnicas sobre o efeito desses despontes na qualidade dos frutos e crescimento da planta, os resultados práticos têm sido promissores. Segundo Chaufun et al. (2002), o sistema de desponte consiste em efetuar primeiramente a poda drástica normal no final do período de inverno, deixando-se apenas a estrutura inicial da planta, que, nesse caso, é formada apenas pela haste única (45 cm), e as três pernadas (15 cm). São escolhidos um a dois brotos em boa posição por galho podado (pernada), deixando que cresçam livremente na vertical. Esses ramos serão despontados (poda verde) manualmente (quebra da gema terminal do ramo), quando atingirem oito pares de folhas (16 folhas). Esse desponte vai estimular a brotação das gemas apicais do ramo despontado. Desses novos brotos, são selecionados apenas dois em cada ramo, que crescerão livremente. Esses novos ramos, por sua vez, serão despontados (segundo desponte), quando atingirem três pares de folhas (6 folhas). Após o desponte, novamente haverá a emissão de novos brotos, que devem ser selecionados, deixando novamente dois brotos por ramo. Assim, a cada desponte, dobra-se o número de ramos terminais da planta, ou seja, após o primeiro desponte têm-se 12 ramos, após o segundo, 24, e assim sucessivamente. Normalmente, é possível fazer três a quatro despontes no período vegetativo da planta, que se estende de agosto a março-abril. Esses despontes têm como principal efeito a emissão de novos ramos produtivos, o que permite o escalonamento e a ampliação do período da safra. Outro efeito observado é a uniformização no tamanho dos frutos no trecho do ramo despontado, os quais são colhidos ao mesmo tempo (Fig. 5). Normalmente, o primeiro desponte ocorre em outubro, sendo o intervalo entre os demais de, aproximadamente,

5 A B C D E F Figura 5 - Condução da figueira no sistema com desponte NOTA: A - Poda de formação; B - Seleção das pernadas; C e D - Poda de inverno do segundo ano; E - Primeiro desponte na primavera; F - Segundo desponte na primavera-verão. 40 dias, podendo ser maior ou menor em função das condições de temperatura e de umidade propícias ao crescimento dos ramos. É recomendada uma adubação de cobertura com nitrogênio e/ou potássio após cada desponte, para favorecer o desenvolvimento dos ramos e o crescimento dos frutos. TRATAMENTO DE INVERNO Outra prática de fundamental importância na cultura da figueira é o tratamento de inverno, que consiste na aplicação de uma calda fungicida, com o objetivo de promover uma limpeza na planta, com relação aos inóculos de doenças e pragas. Na figueira, essa prática pode ser realizada antes ou logo após a poda de inverno (CARVALHO; ALVARENGA, 2004). Podem ser usadas as caldas sulfocálcia ou borbalesa. Hoje, é possível encontrar essas caldas prontas no comércio. Caso o produtor queira ou não encontre essas caldas no comércio local, poderá fazê-las. A fabricação da calda bordalesa é mais simples de fazer em relação à calda sulfocálcica 9. REFERÊNCIAS CARVALHO, V. L. de; ALVARENGA, A. Tratamento de inverno em fruteiras temperadas. Lavras: EPAMIG-CTSM, 2004. 11p. (EPAMIG-CTSM. Circular Técnica, 160). CHALFUN, N.N.J. et al. Poda e condução da figueira. Lavras: UFLA, 2002. 12p. (UFLA. Boletim Técnico, 104). FACHINELLO, J.C.; NACHTIGAL, J.C.; KERSTEN, E. Fruticultura: fundamentos e práticas. Pelotas: UFPEL, 1996. 311p. SIMÃO, S. Tratado de fruticultura. Piracicaba: FEALQ, 1998. 760p. 9 Informações com detalhes do tratamento de inverno em frutíferas de clima temperado, mostrando inclusive todos os passos para a fabricação dessas caldas, consultar a Circular Técnica, n o 160, 2004, da EPAMIG-CTSM, atual U.R. EPAMIG SM. Departamento de Publicações