Introdução A encefalopatia crônica não evolutiva ECNE, também chamada Paralisia Cerebral PC - caracteriza-se por um conjunto de sintomas neurológicos que pode afetar o controle muscular e o movimento, funções comunicativas, sensoriais e cognitivas. O termo crônico não evolutivo é utilizado para assinalar que os déficits, embora instalados não são de caráter progressivo. Os sintomas podem variar desde quadros leves, pouco perceptíveis até os de maior gravidade, necessitando suportes pervasivos e amplos de assistência e reabilitação. O objetivo deste estudo é relatar a avaliação neuropsicológica realizada com uma criança diagnosticada com ECNE, interna em uma instituição de longa permanência para pessoas com necesidades especiais.
Material e Métodos Participante: Participou deste estudo um garoto de 10 anos vítima de acidente automobilístico que resultou em traumatismo cranioencefálico. Atualmente internado numa instituição de longa permanência para pessoas com necessidades especiais. Instrumentos e Procedimentos Procedeu-se à avaliação clínica pediátrica e à avaliação neuropsicológica apoiada no Inventário Portage Operacionalizado para mapear a extensão dos déficits nos seguintes domínios do desenvolvimento: Estimulação infantil; Socialização; Cognição; Linguagem; Autocuidados; Desenvolvimento Motor.
Resultados Os resultados indicaram paralisia cerebral tetraplégica espástica, epilepsia, deficiência visual e afasia. Prejuízos perceptivos visuais, mnemônicos, práxicos, de funções executivas e na linguagem expressiva. Foram observados prejuízos nos domínios Motor, Autocuidado, Socialização, Cognição, Linguagem, caracterizando deficiência mental grave (Tabela 1) Preservação da acuidade auditiva, resposta emocional positiva à estímulos de natureza musical.
Tabela1- Operacionalização Portage Estimulação Infantil (45 itens) Presente Ausente 1) Est. Visual geral (- 6 sem), olhar por 2 seg p/ rostos humanos X 2) Est. Visual geral (+6 sem), olhar por 2 seg p/ obj. de formas X 3) Est. Táctil geral (- 6 sem), demonstrar sensibilidade X 4) Est. Táctil geral (+6 sem), demonstrar sensibilidade auditiva X 5) Est. Auditiva geral (-6 sem), olhar em dir. à pessoa X 6) Est. Auditiva geral (+6 sem), olhar em dir. aos obj. sonoro X 7) Sugal líquidos sem engasgar, perder fôlego, projetar língua X 8) Mov. Cabeça p/ lado, qdo em supino. X 9) Abre boca qdo bico do seio ou mamadeira toca lábios. X 10) Indica sensibilidade ao contato físico. X 11) Vira cabeça em dir. ao bico do seio ou mamadeira qdo toc. X 12) Olha p/ onde provém um ruído ou mov. Corpo em resp. som X 13) Olha pessoa que tenta obter sua atenção. X 14) Mov. Corpo ou acalma-se à presença de um mediador X X 15) Resp. à voz do adulto, mov. O corpo ou deixando de chorar. X 16) Levanta e mantém erguida momentaneamente a cabeça X 17) Chora diferencial/ e por diferentes situações de desconforto X 18) Dorme horário de rotina. (entrevista) X 19) Mov. Braços s/ dir. X 20) Segue c/ olhar obj. no meio de seu campo visual. X 21) Sorri. X 23) Segue som, virando cabeça X 24) Observa própria mãe durante 5 seg. X 25) Qdo em supino, dá chutes vigorosos X 26) Abre a boca e começa sugar antes do bico do seio ou mam. X 27) Mantém contato visual por 3 seg. X 28) Qdo em prono, vira cabeça p/ cima, p/ baixo e p/ os lados. X 29) Tocar, empurrar ou bater obj., amarrados num fio, c/ mãos. X
Discussão e Conclusão Discutiu-se que necessita apoio pervasivo e amplo em todos os domínios do desenvolvimento encontrando-se em situação de total dependência física. Programas de reabilitação e apoio educacional especializado devem priorizar estimulação auditiva. Necessária imediata utilização de tecnologia de comunicação alternativa. Referências Ferreira, SB. (2012) Reabilitação Neuropsicológica Infantil. Em: Caixeta, L. & Ferreira, SB. Manual de Neuropsicologia. SP.Atheneu. Sohlberg,M & Mateer,C. (2010)Reabilitação Cognitiva. SP. Santos Editora. Ego A, Lidzba K, Brovedani P, Belmonti V, Gonzalez-Monge S, Boudia B, Ritz A, Cans C. Visual-perceptual impairment in children with cerebral palsy: a systematic review. Dev Med Child Neurol 2015 Apr;57 Suppl 2:46-51. doi: 10.1111/dmcn.12687