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Transcrição:

Profa. Alessandra Barone www.profbio.com.br

São compostos orgânicos que apresentam em sua estrutura molecular um grupo funcional amino(nh2) e uma carboxila terminal (COOH) Conforme ligação do grupo amina em determinado carbono, teremos aminoácidos do tipo alfa, beta, gama... Existem 20 formas diferentes de aminoácidos

Essenciais: Não são sintetizados pelo nosso organismo. Arginina, fenilalanina, leucina, isoleucina, lisina, metionina, treonina, triptofano, histidina e valina Não essenciais: Sintetizados pelo nosso organismo Alanina, Aspartato (ácido aspártico), cisteína, glutamato (ácido glutâmico), glutamina, glicina, prolina, serina e tirosina.

Depois de retirado o grupamento amino, a cadeia carbônica é encaminhada para o metabolismo energético Ex: Alanina Piruvato COOH COOH H -- C -- NH2 H -- C O CH3 CH3

Aa glicogênico: produz como produto final um composto intermediário na produção de glicose.ex: alanina, glutamato, aspartato, etc Aa cetogênico: produz como produto final acetil CoA. Ex: leucina Aa glicocetogênico: produz tanto acetil CoA como intermediários na produção de glicose. Ex: lisina,tirosina, triptofano, etc

Quanto a cadeia lateral o aminoácido pode ser formado por H, S, OH, COOH... metionina serina

Função biológica de alguns aminoácidos Aminoácido Glutamato Fenilalanina Tirosina Triptofano Arginina, metionina e glicina Aspartato Serina Produtos GABA Tirosina Melanina Tiroxina Adrenalina e noradrenalina Dopamina Serotonina Ácido nicotínico (B12) Creatina Bases nitrogenadas Esfingosina

São solúveis à temperatura ambiente Solúveis em água e pouco solúveis em solventes orgânicos São antóferos: quando em solução com ph neutro, funcionam como ácidos ou bases adquirindo carga elétrica: A amina é protonada: NH 3 + A carboxila é desprotonada: COO -

O estado de ionização varia com o ph: ph ácido Amina : NH 3 + carboxila COOH ph alcalino Carboxila : COO - (1 a perder próton) Amina NH 2 (perto de ph9)

Quando um aminoácido receber ou doar simultâneamente o mesmo número de prótons, a somatória da carga elétrica é zero

O valor que representa o ph do meio no qual o aminoácido ou proteína ficam com a somatória da carga elétrica igual a zero

Condensação de um grupo amino de um aa com o grupo carboxílico de outro aa com a liberação de uma molécula de água.

São macromoléculas formadas por α- aminoácidos unidos entre si por ligações peptídicas

Estrutura primária: Polipeptídeo de estrutura plana. É a estrutura adquirida logo após a tradução com a inserção de aminoácidos estabelecida pelo código genético EX: Ala-Gly-Asp-Met...

Estrutura secundária: Polipetídeo de forma helicoidal. Por serem moléculas longas, adquirem forma helicoidal, ligadas por pontes de hidrogênio

Estrutura terciária: Dobramentos da estrutura secundária sobre si mesma A conformação espacial da molécula depende da interação dos aminoácidos entre si por pontes de hidrogênio e ligações dissulfeto entre o grupo tiol de duas cisteínas. Proteína já exerce função biológica.ex: citocromo c oxidase, mioglobina

Determinada pela combinação entre duas ou mais cadeias polipetídicas.

São polares, geralmente solúveis em água Apresentam ponto isoelétrico Eletroforéticas

Enzimático: lipases, amilases, FFK Transporte:hemoglobina, albumina Contração: miosina e actina Estrutura: colágeno, elastina, queratina... Proteção: Imunoglobulinas Coagulação sanguínea: fibrina Hormonal: GH, Insulina, glucagon Osmolaridade: albumina Tamponamento

Simples : Quando hidrolisadas liberam somente aminoácidos Compostas: Quando hidrolisadas liberam além dos aminoácidos, um radical não peptídico, denominado grupo prostético

Lipídico: lipoproteínas HDL, LDL Açúcar: glicoproteína - mucina Ácido nucléico: Nucleoproteína histona Metaloproteína: catalase, urease, citocromo c oxidase, hemoglobina Heme: hemoglobina, mioglobina

Proteínas globulares: Estrutura espacial mais complexa. Solúveis em solventes aquosos Possuem forma esférica Ex: albumina, imunoglobulinas Proteínas fibrosas: Insolúveis em solventes orgânicos Constituem proteínas estruturais São alongadas. Ex: miosina, actina, colágeno

Proteína globular Proteína fibrosa

Desdobramento da estrutura tridimensional terciária da proteína Não há perda da estrutura primária Pode ser reversível ou irreversível É causada pela alteração de temperatura, mudança de ph, ação de detergentes, radiações ultravioleta, solventes orgânicos...

O aumento da temperatura favorece as vibrações no interior da molécula que interferem nas ligações não covalentes fracas e pontes de dissulfeto As alterações no ph alteram as cargas elétricas das proteínas e afetam as interações eletrostáticas

Os detergentes desfazem as interações hidrofóbicas e desfazem as interações eletrostáticas no interior da proteína Os solventes causam a ruptura das pontes de hidrogênio e as ligações hidrofóbicas

A digestão de proteína começa no estômago pela ação do suco gástrico, que desnatura as proteínas. Ação da pepsina endopeptidase, secretada na forma de pepsinogênio. O pepsinogênio, produzido pelas células principais da mucosa gástrica é ativado à pepsina pela ação do ácido clorídrico. A pepsina é desnaturada em ph alcalino.

As proteínas são degradadas à oligopeptídeos e aa livres. As moléculas originadas da primeira etapa do processo digestivo, chegam ao duodeno com o ph baixo, estimulando a secreção da secretina produzida pelas células S do intestino A secretina por sua vez, estimula a liberação de bicarbonato pelo pâncreas e fígado, elevando o ph para 7,8 e 8,2

Colecistocinina Estimulada pela presença de proteínas e lipídeos. Hormônio produzido pelas células intestinais, estimulam a contração da vesícula biliar para liberação da bile. Modulam o esvaziamento gástrico. Estimula a secreção das enzimas pancreáticas. Potencializa a ação da secretina.

Suco pancreático: composto por tripsina, quimotripsina e carboxipeptidase. Suco entérico: aminopeptidase e dipeptidase

Endopeptidades: Hidrolisam as ligações peptídicas internas quebrando as proteínas em fragmentos cada vez menores. São elas a tripsina e quimiotripsina Exopeptidases: agem somente na extremidade da molécula protéica. São elas carboxipeptidase, aminopeptidase e elastase

Tripsina: endopeptidase sintetizada nas células pancreáticas na forma do precursor inativo chamado de tripsinogênio. Sendo produzidas na forma inativa, as proteases não digerem suas células secretoras. A ativação do tripsinogênio é, realizada pela enzima enteroquinase produzida pelo intestino delgado.

Quimiotripsina : Endopeptidase produzida pelo pâncreas na forma de quimotripsinogênio que é ativado pela tripsina, passando, então a quimotripsina Age sobre proteínas inteiras ou parcialmente digeridas produzindo frações menores (peptídeos).

Pró-Carboxipeptidase: convertida pela tripsina a carboxipeptidase, efetua a hidrólise somente na extremidade carboxilada, liberando aminoácidos. Pró-elastase: Convertida a elastase pela ação da tripsina a elastase, degradando colágeno.

Aminopeptidase: secretada pela célula da mucosa intestinal, efetua hidrólise através da extremidade amínica, liberando aa. Dipeptidase: hidrolisam os dipeptídeos em aminoácidos

Os aminoácidos e pequenos peptídeos são absorvidos pelos enterócitos através de transportadores específicos Alguns di ou tripeptídeos são degradados à aa pelas aminopeptidases intracelulares Os aa. são transferidos para corrente sanguínea e transportados para o fígado para a síntese de novas proteínas.

Degradados à produtos mais simples Retirada do nitrogênio Cadeia carbônica reutilizada para fins energéticos

Transaminação transferência do grupamento amino de um aminoácido para um cetoácido por ação de transaminases Desaminação: retirada do grupamento amino pelas desaminases e produção de amônia Ciclo da uréia (fígado): conversão da amônia em uréia

Alanina A.Ceto glutarato Piruvato Glutamato COOH COOH COOH COOH H-C-NH2 C=O ALT C=O H-C-NH2 PAL - PAM CH3 CH2 CH3 CH2 CH2 CH2 COOH COOH

Aspartato A.Ceto glutarato Oxaloacetato Glutamato COOH COOH COOH COOH H-C-NH2 C=O AST C=O H-C-NH2 PAL - PAM CH2 CH2 CH2 CH2 COOH CH2 COOH CH2 COOH COOH

Processo pelo qual ocorre a retirada do grupamento amino dos aminoácidos com formação de amônia e cetoácido. Realizada pelas enzimas desidrogenases, utilizando como co-fator NADP

Transporte de amônia para o fígado e rins como glutamina Glutamina sintetase Glutamato + Amônia Glutamina Glutaminase Glutamina + H2O Glutamato + NH3

Fígado: amônia produz uréia ciclo da uréia Rins: Glutamina libera duas moléculas de amônia glutaminase Glutamina + H2O glutamato + NH3 Glutamato Glutamato desidrogenase α-cetoglutarato + NH3

Realizada no fígado Converte a amônia produzida pela desaminação dos aminoácidos em uréia. Amônia é uma substância tóxica e quando em grandes concentrações na circulação, causam alterações neurológicas associada com letargia, retardo mental, edema cerebral e visão borrada

Mitocôndria carbamil fosfato sintetase I NH3 + + CO2 + 2ATP carbamil fosfato + 2 ADP + Pi Carbamil fosfato entra no ciclo da uréia. ornitina transcarbamilase Carbamil fosfato + ornitina citrulina A citrulina é liberada da mitocôndria para o citosol.

Citoplasma Aspartato + citrulina argininossuccinato sintetase argininossuccinato ATP ADP Argininossuccinato argininossuccinato liase arginina + fumarato Arginina arginase uréia e ornitina. Regeneração da ornitina que pode, agora, ser transportada para a mitocôndria para iniciar outra volta do ciclo da uréia.

FERREIRA, Carlos Parada; JARROUGE, Márcio Georges; MARTIN, Núncio Francisco. Bioquímica Básica. 9.Ed. São Paulo:Editora MNP, 2010. 356 p. MOTTA, Valter T. Bioquímica. 2.Ed. Rio de Janeiro: MedBook, 2001. 488p.