Distribuição de Probabilidade de Poisson

Documentos relacionados
Estatística e Probabilidade Aula 06 Distribuições de Probabilidades. Prof. Gabriel Bádue

Capítulo 5 Distribuições de Probabilidades. Seção 5-1 Visão Geral. Visão Geral. distribuições de probabilidades discretas

PROBABILIDADE E ESTATÍSTICA. Profa. Dra. Yara de Souza Tadano

AULA 07 Distribuições Discretas de Probabilidade

Teoria das Filas aplicadas a Sistemas Computacionais. Aula 09

ESTATÍSTICA. x(s) W Domínio. Contradomínio

Modelos Bayesianos. Ernesto F. L. Amaral Magna M. Inácio

Distribuições de Probabilidade

AULA 8. DISTRIBUIÇÕES DE VARIÁVEIS CONTÍNUAS Uniforme, Exponencial e Normal 19/05/2017

Teoria das Filas aplicadas a Sistemas Computacionais. Aula 08

Cap. 6 Variáveis aleatórias contínuas

Cap. 6 Variáveis aleatórias contínuas

VERIFICAÇÃO DOS RECURSOS NECESSÁRIOS. Capítulo 1 VARIÁVEIS E AMOSTRAS 1

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

AULA 09 Regressão. Ernesto F. L. Amaral. 17 de setembro de 2012

Segunda Lista de Exercícios Cálculo de Probabilidades II Prof. Michel H. Montoril

Distribuições de Probabilidade Contínuas 1/19

Avaliação e Desempenho Aula 5

SUMÁRIO. 1.1 Introdução, Conceitos Fundamentais, 2

Distribuições de Probabilidade

Universidade Federal do Ceará

Bioestatística e Computação I

Probabilidade e Modelos Probabilísticos

AULA 05 Teste de Hipótese

RESPOSTAS - PROVA ESTATÍSTICA AGENTE PF 2018

Coleta e Modelagem dos Dados de Entrada

AULA 07 Inferência a Partir de Duas Amostras

Funções Geradoras de Variáveis Aleatórias. Simulação Discreta de Sistemas - Prof. Paulo Freitas - UFSC/CTC/INE

AULA 07 Regressão. Ernesto F. L. Amaral. 05 de outubro de 2013

AULAS 14 E 15 Modelo de regressão simples

Variáveis Aleatórias Discretas e Distribuição de Probabilidade

1 Introdução aos Métodos Estatísticos para Geografia 1

AULA 04 Teste de hipótese

Distribuição de Probabilidade. Prof.: Joni Fusinato

Probabilidade II. Departamento de Estatística. Universidade Federal da Paraíba

Capítulo 3. Introdução à Probabilidade E à Inferência Estatística

AULA 17 MÉTODO DE DIFERENÇA EM DIFERENÇAS

Coleta e Modelagem dos Dados de Entrada

Modelos Probabilísticos Teóricos Discretos e Contínuos. Bernoulli, Binomial, Poisson, Uniforme, Exponencial, Normal

RESUMO DO CAPÍTULO 3 DO LIVRO DE WOOLDRIDGE ANÁLISE DE REGRESSÃO MÚLTIPLA: ESTIMAÇÃO

rio de Guerra Eletrônica EENEM 2008 Estatística stica e Probabilidade Aleatórias Discretas

Endogeneidade, Variáveis Instrumentais e Modelos de Equações Estruturais

EAD Simulação. Aula 5 Parte 1: Tipo de Variável & Distribuição de Probabilidade. Profa. Dra. Adriana Backx Noronha Viana

Processos Estocásticos

Introdução à Probabilidade e à Estatística (BCN ) Prova 2 (A) 16/08/2018 Correção

Modelos básicos de distribuição de probabilidade

Aula 2 Uma breve revisão sobre modelos lineares

AULAS 14 E 15 Modelo de regressão simples

AULA 29 Aplicação do método de diferença em diferenças

A figura 5.1 ilustra a densidade da curva normal, que é simétrica em torno da média (µ).

Probabilidade e Estatística

Sumário. CAPÍTULO 1 Conceitos preliminares 1. CAPÍTULO 2 Descrição de dados: análise monovariada 47

1 Distribuições Discretas de Probabilidade

Variáveis Aleatórias Discretas e Distribuições de 3Probabilidade

3 Modelo Matemático Definições Iniciais. Denote-se, em geral, o desvio-padrão do processo por σ = γσ 0, sendo σ 0 o

Variável Aleatória. Gilson Barbosa Dourado 6 de agosto de 2008

Análise de Regressão EST036

ANÁLISE ESTATÍSTICA DA RELAÇÃO ENTRE A ATITUDE E O DESEMPENHO DOS ALUNOS

Lista Probabilidade Estatística Aplicada à Engenharia de Produção Prof. Michel H. Montoril

Ralph S. Silva

Regressão linear simples

Regressão. PRE-01 Probabilidade e Estatística Prof. Marcelo P. Corrêa IRN/Unifei

Simulação com Modelos Teóricos de Probabilidade

AULA 16 - Distribuição de Poisson e Geométrica

SUMÁRIO. Prefácio, Espaço amostrai, Definição de probabilidade, Probabilidades finitas dos espaços amostrais fin itos, 20

Unidade III ESTATÍSTICA. Prof. Fernando Rodrigues

Distribuição de Probabilidade. Prof. Ademilson

Filho, não é um bicho: chama-se Estatística!

Modelo de Regressão Múltipla

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA. Variáveis Aleatórias. Departamento de Estatística Luiz Medeiros

Curso(s): Licenciaturas em Engenharia (1º ciclo) Aulas Teóricas 30h. Ano Curricular Semestre: 2º ano 1º semestre Aulas Teórico-Práticas 45h

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO

Estatística Aplicada II. } Correlação e Regressão

F (x) = P (X x) = Σ xi xp(x i ) E(X) = x i p(x i ).

MOQ 13 PROBABILIDADE E ESTATÍSTICA. Professor: Rodrigo A. Scarpel

Seja (X,Y) uma v.a. bidimensional contínua ou discreta. Define-se valor esperado condicionado de X para um dado Y igual a y da seguinte forma:

Cap. 8 - Variáveis Aleatórias

Modelos Probabiĺısticos Discretos

Aula 2 Tópicos em Econometria I. Porque estudar econometria? Causalidade! Modelo de RLM Hipóteses

DISTRIBUIÇÕES BERNOULLI, BINOMIAL E POISSON

EELT-7035 Processos Estocásticos em Engenharia. Variáveis Aleatórias. EELT-7035 Variáveis Aleatórias Discretas. Evelio M. G.

Análise de Regressão Linear Simples e

Análise de regressão linear simples. Diagrama de dispersão

Transcrição:

1 Distribuição de Probabilidade de Poisson Ernesto F. L. Amaral Magna M. Inácio 07 de outubro de 2010 Tópicos Especiais em Teoria e Análise Política: Problema de Desenho e Análise Empírica (DCP 859B4)

DISTRIBUIÇÃO DE PROBABILIDADE DE POISSON 2 A distribuição de probabilidade de Poisson é importante porque é usada para se descrever o comportamento de eventos raros (com pequenas probabilidades). Esta é uma distribuição de probabilidade discreta que se aplica a ocorrências de eventos ao longo de intervalos especificados. A variável aleatória x é o número de ocorrências do evento no intervalo. O intervalo pode ser de tempo, distância, área, volume ou alguma unidade similar. Probabilidade de ocorrência do evento x em um intervalo é:

REQUISITOS PARA DISTRIBUIÇÃO DE POISSON 3 A variável aleatória x é o número de ocorrências de um evento ao longo de algum intervalo. As ocorrências devem ser aleatórias. As ocorrências devem ser independentes umas das outras. As ocorrências devem ser uniformemente distribuídas sobre o intervalo em uso.

PARÂMETROS DA DISTRIBUIÇÃO DE POISSON 4 Probabilidade de ocorrência do evento x: Média na distribuição de Poisson: μ Desvio padrão na distribuição de Poisson: ζ = μ

POISSON BINOMIAL 5 Uma distribuição de Poisson difere de uma distribuição binomial em alguns aspectos fundamentais. A distribuição binomial é afetada pelo tamanho n da amostra e pela probabilidade p, enquanto a distribuição de Poisson é afetada apenas pela média μ. Na distribuição binomial, os valores possíveis da variável aleatória x são 0, 1,..., n. Porém, numa distribuição de Poisson, os valores possíveis de x são 0, 1, 2,..., sem qualquer limite superior.

DEBILIDADE DO MODELO DE POISSON 6 A regressão de Poisson leva em consideração a heterogeneidade observada (isto é, diferenças observadas entre os membros da amostra), ao especificar a taxa média (μ i ) como uma função de x k s observados. Na prática, o modelo de Poisson raramente possui bom ajuste, devido à grande dispersão (overdispersion) dos dados. O modelo subestima a quantidade de dispersão na variável dependente. Com três variáveis independentes, o modelo de Poisson é:

MODELO BINOMIAL NEGATIVO 7 O modelo de regressão binomial negativo trata desta debilidade do modelo de Poisson, ao adicionar um parâmetro α que reflete a heterogeneidade não-observada entre as observações. O modelo binomial negativo adiciona um erro (ε) que é assumido como não correlacionado com os x s: O modelo assume que E(δ)=1, o que é similar a E(ε)=0, no modelo de mínimos quadrados ordinários. Temos então:

VALORES DE ALFA NO MODELO BINOMIAL NEGATIVO 8 Na distribuição binomial negativa, o parâmetro α determina o grau de dispersão das predições. A dispersão das contagens preditas para um determinado valor de x é maior do que no modelo de Poisson. Há uma maior probabilidade de contagem de zero. Maiores valores de α resultam em maior dispersão dos dados. Se α=0, o modelo binomial negativo se torna similar ao modelo de Poisson, o que acaba sendo o teste central para verificar sobre-dispersão (overdispersion).

EXEMPLOS DE VALORES DE ALFA 9 Painel B possui maior valor de α, por isso há maior dispersão dos dados.

MODELOS DE CONTAGEM DE ZERO INFLACIONADO 10 O modelo binomial negativo melhora a subestimação de zeros do modelo de Poisson, com o aumento da variância condicional (ε), sem mudar a média condicional (μ). Os modelos de contagem de zero inflacionado (zero-inflated count models) corrigem a falha do modelo de Poisson, ao levar em consideração a dispersão e excesso de zeros. Isto é realizado ao mudar a estrutura da média, permitindo que zeros sejam gerados em dois processos distintos.

DOIS GRUPOS NO MODELO DE ZERO INFLACIONADO 11 O modelo zero inflacionado permite que um grupo de indivíduos tenha sempre probabilidade igual a um, ao aumentar a variância condicional e a probabilidade de contagem de zeros [P(0)=1]. O modelo zero inflacionado assume que há dois grupos latentes (não-observados): Um indivíduo no grupo sempre-zero tem um resultado zero com probabilidade igual a 1 [P(0)=1]. Um indivíduo no grupo não-sempre-zero pode ter um resultado zero, mas há uma probabilidade não-zero que haja uma contagem positiva: 0<P(0)<1 ou 0<P(>0)<1