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Superposição de ondas harmônicas Um importante aspecto do comportamento das ondas é o efeito combinado de duas ou mais ondas que se propagam num mesmo meio. Princípio da superposição Exemplos: Ondas em cordas Ondas sonoras Ondas superficiais na água Ondas eletromagnéticas 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva

Princípio da superposição aplicado a ondas harmônicas Exemplos: Uma corda tensionada, fixa nas duas extremidades, tem um conjunto discreto de formas de oscilação, denominados modos de vibração, que dependem da tensão na corda e da massa por unidade de comprimento. (Instrumentos musicais de cordas) Alguns outros instrumentos musicais usam as frequências naturais de ondas acústicas em tubos ocos. Essas frequências dependem do comprimento do tubo, da forma tubo e de uma extremidade estar aberta ou fechada. (Órgão e a flauta) 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 3

Princípio da superposição: Quando duas ou mais ondas se propagam num mesmo meio linear, o deslocamento líquido do meio (onda resultante), em qualquer ponto, é igual à soma algébrica dos deslocamentos de todas as ondas. Mesma direção e meio Ambas têm a mesma frequência, comprimento de onda e amplitude, Mas possuem fases diferentes. y 1 A 0 senkx t y A0 sen kx t 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 4

y 1 A 0 senkx t y A0 sen kx t y A0 sen kx t senkx t Identidade trigonométrica Se sen a kx t b kx t a b b a sen b cos sen a Função de onda resultante: y A 0 cos senkx t 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 5

Função de onda resultante: y A 0 cos senkx t Há vários aspectos importantes nesse resultado: A função de onda resultante y é também uma onda harmônica, e têm a mesma frequência e comprimento de onda que as ondas individuais. A amplitude da onda resultante é: Afaseé: A 0 cos 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 6

Função de onda resultante: y A 0 cos senkx t Interferência construtiva: cos 1 = 0,, 4, 6,... Interferência destrutiva: cos 0 =, 3, 5, 7,... 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 7

Interferência de ondas sonoras: Diferença de percurso: r r r 1 r r r1 Interferência construtiva: quando Δr = 0 ou um múltiplo inteiro de Máximo de intensidade do som Trombone de vara Interferência destrutiva: quando Δr = /, 3/, 5/,..., n/ (n impar) Nenhum som 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 8

Exemplo: Um par de alto-falantes, separados por 3m, é alimentado pelo mesmo oscilador. Um ouvinte se encontra, inicialmente no ponto 0, localizado a 8 m da linha central. O ouvinte anda perpendicularmente à linha central, e percorre 0,35 m antes de chegar ao primeiro mínimo da intensidade do som. Qual a frequência do oscilador? 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 9

Ondas Estacionárias Se uma corda elástica tensionada estiver fixa em ambas as pontas, as ondas progressivas na corda se refletem nas extremidades fixas e provocam ondas que nela se propagam em duas dimensões. As ondas incidente e refletida se combinam conforme o princípio da superposição. y 0 A sen kx t 1 y 0 A sen kx t 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 10

y y A senkx t 1 0 A senkx t 0 y y y A senkx t A sen 1 0 0 kx t Identidade trigonométrica sen a b senacosb cosasenb Função de onda resultante de uma onda estacionária: y A senkxcost 0 A amplitude do movimento depende de x. 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 11

Função de onda resultante de uma onda estacionária: y A senkxcost 0 Amplitude máxima (ventres ou antinodos): x 3 5 7,,,,..., 4 4 4 4 n 4 n = 1, 3, 5, 7,... Amplitude mínima (nodos): x 3,,,,..., n n = 0, 1,, 3, 4, 5,... 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 1

Exemplo: Duas ondas, propagam-se em direções opostas, provocam uma onda estacionária. As funções de onda de cada uma delas são: 4cmsen3x t y 1 4cmsen3x t y onde, x e y estão em cm. a) Achar o deslocamento máximo do movimento em x =,3cm. b) As posições dos nodos e antinodos 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 13

Ondas estacionárias numa corda fixa nas duas extremidades A corda tem diversas figuras naturais de vibrações: os modos normais L n n v fn n n L (n = 1,, 3,...) Frequências Naturais: n f n L F (n = 1,, 3,...) v 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 14

A frequência fundamental, n = 1: f 1 1 L F Os outros modos de vibração, denominados harmônicos, são múltiplos inteiros da frequência fundamental. f 1, 3f 1, 4f 1,... Série harmônica: f 1, f 1, 3f 1, 4f 1,..., nf 1 Primeiro harmônico: f 1 Segundo harmônico: f 1 Terceiro harmônico: 3f 1... N-ésimo harmônico: nf 1 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 15

n f n L F A tensão é utilizada para afinar o instrumento em determinada frequência. A medida que o comprimento diminui a frequência sobe. 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 16

7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 17

Exemplo: A corda do dó médio, da escala em dó maior de um piano, tem a fundamental com 64 Hz, e a corda do lá tem a fundamental com 440 Hz. a) Calcular a frequência dos dois harmônicos imediatamente superiores da corda dó. b) Se as duas cordas do piano, a do lá eadodó, tiveram a mesma massa por unidade de comprimento e o mesmo comprimento, determinar a razão entre as tensões nas duas cordas. c) Embora as densidades das cordas sejam, de fato, iguais, a corda lá tem 64% do comprimento da corda dó. Qual a razão entre as tensões? 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 18

Ondas estacionárias em colunas de ar Ondas estacionárias longitudinais que se propagam num tubo vão depender de o tubo ser aberto ou fechado em uma das extremidades. A extremidade fechada de uma coluna de ar é um nodo de deslocamento. A extremidade fechada de uma coluna de ar corresponde a um antinodo de pressão (isto é, há um ponto de variação de pressão máxima). A extremidade aberta de uma coluna de ar é um antinodo de deslocamento e um nodo de pressão. 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 19

Ondas estacionárias longitudinais num tubo de órgão aberto em ambas as extremidades. Antinodo de deslocamento v f n n L (n = 1,, 3, 4,...) v = velocidade do som no ar Num tubo de órgão, aberto em ambas as extremidades, as frequências naturais de vibração formam uma série harmônica, ou seja, os harmônicos superiores são múltiplos inteiros da fundamental. 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 0

Ondas estacionárias longitudinais num tubo de órgão fechado numa extremidade Nodo de deslocamento v f n n 4L (n = 1, 3, 5, 7,...) Num tubo fechado numa extremidades, somente os harmônicos ímpares estão presentes. 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 1

Exemplo: Um tubo tem o comprimento de 1,3 m. a) Determinar as frequências dos três primeiros harmônicos se o tubo estiver aberto nas duas extremidades. b) Quais as três frequências determinadas em (a), se o tubo estiver fechado numa extremidade? c) No caso de um tubo aberto, quantos harmônicos estão presentes no intervalo normal de audição humana (entre 0 e 0.000 Hz)? 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva

Batimentos: Interferência no tempo Interferência espacial (mesma frequência de vibração) Ex: ondas nas cordas e em tubos Interferência temporal (frequências ligeiramente diferentes) Os batimentos se formam pela combinação de duas ondas de frequências ligeiramente diferentes, que se propagam numa mesma direção. Quando as duas ondas forem observadas num ponto fixo, ambas estarão, periodicamente, em fase e fora de fase. (uma alternância de interferência construtiva e interferência destrutiva) 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 3

Batimentos: Interferência no tempo O batimento pode, então, ser definido como a variação periódica da intensidade do som, num certo ponto, provocada pela superposição de duas ondas cujas frequências diferem ligeiramente. O número de batimentos que se ouve por segundo, a frequência do batimento, é igual à diferença entre as frequências das duas ondas. Então, pode-se usar a os batimentos para afinar instrumentos musicais de corda. 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 4

Consideremos duas ondas: amplitudes iguais propagando-se num meio numa mesma direção frequências ligeiramente diferentes, f 1 e f y1 A0 cos f1t y A0 cos f t 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 5

y1 A0 cos f1t y A0 cos f t f t cos f t y y1 y A0 cos 1 Identidade trigonométrica Se cos a 1 b f t f t a b b a cos b cos cos a Função de onda resultante: y cos f f t cos f 1 1 A0 f t 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 6

Função de onda resultante: y f1 f f1 f A0 cos t cos t A f1 f A0 cos t Frequência de batimentos: f b f 1 f 7/08/015 Prof. Dr. Lucas Barboza Sarno da Silva 7