2 Conceitos Básicos da Geometria Diferencial Afim

Documentos relacionados
5 Desigualdade de Minkowski e a terceira desigualdade isoperimétrica

2 Propriedades geométricas de curvas parametrizadas no R 4

Vetor Tangente, Normal e Binormal. T(t) = r (t)

CÁLCULO VETORIAL E GEOMETRIA ANALÍTICA

J. Delgado - K. Frensel - L. Crissaff Geometria Analítica e Cálculo Vetorial

Aula 15. Derivadas Direcionais e Vetor Gradiente. Quando u = (1, 0) ou u = (0, 1), obtemos as derivadas parciais em relação a x ou y, respectivamente.

Capítulo 12. Ângulo entre duas retas no espaço. Definição 1. O ângulo (r1, r2 ) entre duas retas r1 e r2 é assim definido:

Geometria Analítica II - Aula 5 108

Aula 12. Ângulo entre duas retas no espaço. Definição 1. O ângulo (r1, r2 ) entre duas retas r1 e r2 se define da seguinte maneira:

Geometria Analítica. Cônicas. Prof Marcelo Maraschin de Souza

Aula Distância entre duas retas paralelas no espaço. Definição 1. Exemplo 1

GGM Geometria Analítica e Cálculo Vetorial Geometria Analítica Básica 20/12/2012- GGM - UFF Dirce Uesu

Sumário. VII Geometria Analítica Jorge Delgado Katia Frensel Lhaylla Crissaff

Equações paramétricas das cônicas

MAT Poli Cônicas - Parte I

Lista de Exercícios de Cálculo 3 Terceira Semana

MAT Cálculo Diferencial e Integral para Engenharia III 2a. Lista de Exercícios - 1o. semestre de 2014

Ga no plano 1. GA no plano. Prof. Fernando Carneiro Rio de Janeiro, Outubro de u v = aa + bb.

J. Delgado - K. Frensel - L. Crissaff Geometria Analítica e Cálculo Vetorial

Jorge M. V. Capela, Marisa V. Capela. Araraquara, SP

Coordenadas e distância na reta e no plano

1 Vetores no Plano e no Espaço

A B C A 1 B 1 C 1 A 2 B 2 C 2 é zero (exceto o caso em que as tres retas são paralelas).

APLICAÇÕES NA GEOMETRIA ANALÍTICA

Processamento de Malhas Poligonais

Aula Elipse. Definição 1. Nosso objetivo agora é estudar a equação geral do segundo grau em duas variáveis:

Lista 3. Cálculo Vetorial. Integrais de Linha e o Teorema de Green. 3 Calcule. 4 Calcule. a) F(x, y, z) = yzi + xzj + xyk

GEOMETRIA ANALÍTICA E CÁLCULO VETORIAL GEOMETRIA ANALÍTICA BÁSICA. 03/01/ GGM - UFF Dirce Uesu Pesco

Posição relativa entre retas e círculos e distâncias

6.1 equações canônicas de círculos e esferas

TÓPICO. Fundamentos da Matemática II APLICAÇÕES NA GEOMETRIA ANALÍTICA. Licenciatura em Ciências USP/ Univesp. Gil da Costa Marques

Geometria Analítica II - Aula 4 82

Aula Exemplos e aplicações - continuação. Exemplo 8. Nesta aula continuamos com mais exemplos e aplicações dos conceitos vistos.

MAT Geometria Diferencial 1 - Lista 1

Capítulo Equações da reta no espaço. Sejam A e B dois pontos distintos no espaço e seja r a reta que os contém. Então, P r existe t R tal que

Geometria Analítica Exercícios Cônicas em posição geral

Geometria Diferencial

O Triedro de Frenet. MAT Cálculo Diferencial e Integral II Daniel Victor Tausk

MAT 112 Turma Vetores e Geometria. Prova 2 29 de junho de 2017

MAT 112 Turma Vetores e Geometria. Prova 2 29 de junho de 2017

Ponto 1) Representação do Ponto

Distância entre duas retas. Regiões no plano

Transformações geométricas planas

Aula 6. Doravante iremos dizer que r(t) é uma parametrização da curva, e t é o parâmetro usado para descrever a curva.

Curso de Geometria Analítica. Hipérbole

CURVATURA DE CURVAS PLANAS

Preliminares de Cálculo

MAT2457 ÁLGEBRA LINEAR PARA ENGENHARIA I Gabarito da 2 a Prova - 1 o semestre de 2015

Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS VGA - 2 a Prova - Engenharia de Computação 03 de Julho de Prof o. E.T.

Equação Geral do Segundo Grau em R 2

MAT1153 / LISTA DE EXERCÍCIOS : CAMPOS CONSERVATIVOS, INTEGRAIS DE LINHA, TRABALHO E TEOREMA DE GREEN

MAT 105- Lista de Exercícios

Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS VGA - 2 a Prova - Engenharia Civil + Física 03 de Julho de Prof o. E.T.

Integrais Sobre Caminhos e Superfícies. Teoremas de Integração do Cálculo Vectorial.

A primeira coisa a fazer é saber quais são as equações das curvas quando elas já se encontram na melhor

Geometria Analítica. Estudo do Plano. Prof Marcelo Maraschin de Souza

0 < c < a ; d(f 1, F 2 ) = 2c

54 CAPÍTULO 2. GEOMETRIA ANALÍTICA ( ) =

Lista de Exercícios de Cálculo Infinitesimal II

MAT 112 Vetores e Geometria. Prova SUB C

Teoria Local das Curvas

Total. UFRGS - INSTITUTO DE MATEMÁTICA Departamento de Matemática Pura e Aplicada MAT Turma A /1 Prova da área I

Geometria Analítica - Aula

54 CAPÍTULO 2. GEOMETRIA ANALÍTICA ( ) =

Prova: Usando as definições e propriedades de números reais, temos λz = λx + iλy e

Para motivar a definição de integral curvelínea, imagine um fio delgado em forma de uma curva C, com extremidade A e B. Suponha-se que o fio tenha

Professor: Anselmo Montenegro Conteúdo: Aula 2. - Primitivas Geométricas. Instituto de Computação - UFF

Geometria Analítica? Onde usar os conhecimentos. os sobre Geometria Analítica?

Marcelo M. Santos DM-IMECC-UNICAMP msantos/

Multiplicadores de Lagrange

Lista de Exercícios 1

GAAL - Exame Especial - 12/julho/2013. Questão 1: Considere os pontos A = (1, 2, 3), B = (2, 3, 1), C = (3, 1, 2) e D = (2, 2, 1).

INSTITUTO DE MATEMÁTICA - UFBA DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA 2 a LISTA DE EXERCÍCIOS DE MAT CÁLCULO II-A. Última atualização:

Retas e círculos, posições relativas e distância de um ponto a uma reta

Evolutas e Involutas: Planas e Espaciais

Análise Vetorial na Engenharia Elétrica

MAT Poli Roteiro de Estudos sobre as Cônicas

Aula 4. Coordenadas polares. Definição 1. Observação 1

DERIVADAS PARCIAIS. y = lim

11.5 Derivada Direcional, Vetor Gradiente e Planos Tangentes

Cálculo II. Resumo Teórico Completo

ALUNO(A): Nº TURMA: TURNO: DATA: / / COLÉGIO:

GGM Geometria Analítica I 19/04/2012- Turma M1 Dirce Uesu

APLICAÇÕES DAS FÓRMULAS DE FRENET EM CURVAS PLANAS E ESFÉRICAS

MAT Geometria Diferencial 1 - Lista 2

Vectores e Geometria Analítica

MAT CÁLCULO 2 PARA ECONOMIA. Geometria Analítica

Objetivos. em termos de produtos internos de vetores.

ELIPSE. Figura 1: Desenho de uma elipse no plano euclidiano (à esquerda). Desenho de uma elipse no plano cartesiano (à direita).

GEOMETRIA II EXERCÍCIOS RESOLVIDOS - ABRIL, 2018

Sistema de Coordenadas Intrínsecas

G1 de Álgebra Linear I Gabarito

Transcrição:

2 Conceitos Básicos da Geometria Diferencial Afim Antes de iniciarmos o estudo das desigualdades isoperimétricas para curvas convexas, vamos rever alguns conceitos e resultados da Geometria Diferencial (ver [4]) e, em seguida, o conceito de transformação, distância e comprimento afim. 2.1 Revisão de Cálculo - Curvas parametrizadas Em relação a uma curva convexa e fechada C, do plano R 2, com curvatura positiva (fig.2.1), Figura 2.1: Curva covexa e fechada. sejam s, o comprimento de um arco de C; A função X = X(s), representando um ponto qualquer da curva C; A função T = T (s), o vetor tangente unitário de um ponto qualquer X de C; A função N = N(s), o vetor normal unitário de um ponto qualquer X de C.

Algumas Desigualdades Isoperimétricas Afins para Curvas Planas 14 Destacamos as fórmulas de Frenet: dx ds = T ; dt ds = kn; dn ds = kt, (2-1) onde k = k(s) é a curvatura de C. que assumimos ser sempre positiva. Se atribuímos ao comprimento total da curva C a medida L, então X é uma função vetorial periódica de s e de período L. Consequentemente, T (s), N(s) e k(s) têm também o mesmo período L. Temos L = ds (2-2) Podemos calcular também a área do domínio limitado por C. Sabendo que dx = (dx, dy) = T ds, C a rotação de T por um ângulo de π 2 (fig. 2.2), nos leva a Figura 2.2: Componentes tangente e normal

Algumas Desigualdades Isoperimétricas Afins para Curvas Planas 15 ( dy, dx) = N ds (x, y).( dy, dx) = X.N ds ydx xdy = X.Nds. O teorema de Green nos diz que S = 1 (ydx xdy) 2 C e portanto S C = 1 X.N ds. (2-3) 2 C A equação (2-3) é válida para qualquer curva fechada simples e não se restringe a curvas convexas. Assim, cabe explorar o fato de a curva C ser convexa e introduzir o parâmetro θ ângulo que o vetor normal N forma com o eixo horizontal de um sistema de coordenadas cartesianas que, por conveniência, tem sua origem fixada no interior de C. Face a continuidade de C, percebemos que cada um dos pontos da curva encontra-se associado a um único θ. Consequentemente, um circuito completo de θ, θ 2π corresponde a uma volta no entorno de C, s L. Introduzimos, agora, uma função de suporte p que retorna a distância da origem dos eixos cartesianos à reta tangente à curva C, em um ponto X qualquer da curva (fig. 2.3). Assim, podemos escrever a função p = p(θ), de peíodo 2π, como p = X.N (2-4) Analiticamente, teremos T = ( senθ, cosθ) (2-5) N = ( cosθ, senθ) = dt dθ (2-6) É fato que a equação (2-6) é uma consequência direta da definição de θ, e que a equação (2-5) decorre desta por uma rotação de π 2. Mais ainda, derivando (2-6) em função de θ obtemos

Algumas Desigualdades Isoperimétricas Afins para Curvas Planas 16 Figura 2.3: Componente normal a curva C dn = (senθ, cosθ) = T. (2-7) dθ Sabemos de (2-6) que dt = Ndθ, mas de (2-1) temos dt = knds. Então, dθ = kds (2-8) Naturalmente, (2-8) retrata a interpretação básica para curvatura, conforme a variação do vetor tangente ao longo de uma curva, ponto a ponto. Continuando, derivamos (2-4) em função de θ e aplicamos (2-7), p = X.N X.N p = X.N + X.T p = X.T (2-9) Vale observar que X é paralelo à T, logo X.N =. Derivando (2-9) e aplicando (2-1) e (2-4), p = X.T + X.T p = (s.t ).T + X.N p = s p Assim, associando (2-8) e (2-1), temos s = p + p (2-1) 1 k = ρ = p + p (2-11)

Algumas Desigualdades Isoperimétricas Afins para Curvas Planas 17 então Assim, Aplicando (2-11) em (2-2), chegamos ao seguinte resultado: L = ds = L = L = ρdθ (p + p )dθ pdθ + p dθ Uma vez que p dθ = d(p ) é exato e, como p tem período 2π, decorre, L = p dθ =. Aplicando (2-11) em (2-3), teremos S = 1 2 S = 1 2 X.Nds = 1 2 p 2 dθ + 1 2 pdθ. (2-12) p(p + p )dθ pp dθ. E, já que d(pp ) = pp dθ + p 2 dθ, podemos escrever 1 2π pp dθ = 1 d(pp ) p 2 dθ = 1 p 2 dθ. 2 2 2 Assim, S = 1 2 (p 2 (p ) 2 )dθ. (2-13) É de se notar que p determina C completamente. De fato, associando (2-4), (2-5), (2-6) e (2-9), decorre X = p T pn = ( p senθ + pcosθ, p cosθ + psenθ). Geometricamente, podemos dizer que as tangentes à C envolvem-na completamente. Poderíamos dizer também que o conjunto convexo K, cuja fronteira é C, consiste na intersecção de semi-planos, incluindo K, determinados

Algumas Desigualdades Isoperimétricas Afins para Curvas Planas 18 pelas retas suportes das tangentes à C, isto é, K = { v E 2 v.n(θ) p(θ); θ }. 2.2 Transformação afim Uma transformação afim T : R 2 R 2 é definida no plano como T = AX + B, onde X R 2 é um vetor, A é uma matriz quadrada de ordem 2, invertível, com determinante positivo, e B R 2 é um vetor de translação. Assim, escrevemos, [ ] [ ] [ ] [ ] T = t 1 = a 11 a 12 x 1 + b 1 [ t 2 ] a 21 a 22 [ x 2 ] b 2 t 1 = a 11.x 1 + a 12.x 2 + b 1 t 2 a 21.x 1 + a 22.x 2 + b 2 É fácil mostrar que as transformações obtidas por T fazem parte de um grupo algébrico, chamado de grupo unimodular afim. Para o nosso estudo, ficaremos restritos a um subgrupo deste, onde o determinante da matriz A seja sempre igual a 1. Mas, por que restringir a 1 o valor do determinante da matriz A? Vale a pena recordar, brevemente, o conceito de invariante afim. Uma quantidade Q, pertencente a um grupo G, é chamada de invariante, sempre que Q se transformar em Q, decorrente de uma transformação g G, e obtivermos Q = ψq, onde ψ é uma função de g. Quando ψ = 1, para todo g G, Q é chamada de invariante absoluta. 2.3 Interpretação geométrica do comprimento afim de um arco de parábola Primeiramente, introduziremos o conceito de distância afim. Seja uma curva plana contida no plano afim e representada parametricamente pela equação C = C(t) = (x(t), y(t)),

Algumas Desigualdades Isoperimétricas Afins para Curvas Planas 19 em t. e suficientemente suave, tal que a função vetorial C(t) seja de classe C 3 Sejam um ponto e uma direção relativa a este ponto. A conjunção destes forma o que chamamos de elemento linear. Assim, dois elementos lineares - x, x ; y, y - determinam uma única parábola que intercepta x e y e é tangente a x, y em x, y, respectivamente (fig. 2.4). De fato, uma parábola é perfeitamente determinada por quatro pontos e a construção em questão corresponde, exatamente, ao caso de um par de pontos coincidentes. Desse modo, sejam as equações paramétricas da parábola x(t) = x + x t + 1 2 x t 2 (2-14) Figura 2.4: Parábola definida por um ponto e uma direção. onde x = x() = x; dx(t ) dt x 1 = x(t 1 ) = y; dx(t 1) dt = constante.x (2-15) = constante.y (2-16) Portanto, os dois elementos lineares x, x ; y, y determinam o triângulo de área f dada por f = 1 [x, y x][y x, y ] 2 [x, y ] Substituindo (2-15) e (2-16) em (2-17), obtemos... (2-17) f = 1 [x, x 1 x ][x 1 x, x 1] (2-18) 2 [x, x 1] OBS: Acima e em todo o texto, a notação [X, Y ] significa det X, Y. Assim, a partir de (2-14), obtemos

Algumas Desigualdades Isoperimétricas Afins para Curvas Planas 2 x 1 x = x t 1 + 1 2 x t 2 1. (2-19) E, derivando (2-14) temos x (t) = x + x t x (t 1 ) = x + x t 1 Finalmente, substituindo (2-19) e (2-2) em (2-18), obtemos os seguintes resultados: x 1 = x + x t 1 (2-2) [x, x 1 x ] = [x, x t 1 + 1 2 x t 2 1 ] = 1 2 x x t 2 1 ; [x 1 x, x 1] = [x t 1 + 1 2 x t 2 1, x + x t 1 ] = x x t 2 1 1 2 x x t 2 1 = 1 2 x x t 2 1 ; [x, x 1] = [x, x + x t 1 ] = x x t 1 Então f = 1 ( 1 2 x x t 2 1 )( 1 2 x x t 2 1 ) 2 (x x t 1 ) f = 1 8 t 1 3 (x x ) (2-21) Da mesma forma, podemos obter uma expressão para a área de um triângulo formado a partir de dois pontos t 1 e t 2 dessa mesma parábola, f(t 1, t 2 ) = 1 8 (t 2 t 1 ) 3 [x x ] (2-22) Decorre, então, que a função f 1 3 é conceitualmente análoga ao teorema da distância euclideana. Sejam três pontos t 1, t 2, t 3, pontos de uma parábola, então, podemos dizer que f 1 3 (t1, t 2 ) + f 1 3 (t2, t 3 ) = f 1 3 (t1 t 3 ). definida como Assim, a distância afim r entre dois elementos lineares - x, x ; y, y - é r = 2.f 1 3

Algumas Desigualdades Isoperimétricas Afins para Curvas Planas 21 De (2-22) podemos também determinar um novo parâmetro s tal que, [ ] dx ds, d2 x = 1 ds 2 Evidentemente, este parâmetro é invariante pelo grupo de transformações afins. Assim, o parâmetro s pode ser determinado por s = [x, x ] 1 3 t + const. Consequentemente, f(s 1, s 2 ) = 1 8 (s 2 s 1 ) 3 (2-23) Portanto, podemos concluir que a distância afim entre dois pontos s 1 e s 2 de uma parábola é igual a s 2 s 1. A seguir definiremos o comprimento de arco afim s de uma curva suave qualquer, a partir da generalização do comprimento de arco afim de uma parábola. 2.4 Comprimento afim de uma curva qualquer sem pontos de inflexão Suponha que para qualquer ponto de uma dada curva suave [ ] dx dt, d2 x = [x, x ] = [C dt 2 t, C tt ] (2-24) isto é, a curva não apresenta pontos de inflexão. Definimos, então s = t [x, x ] 1 3 dt Então, o parâmetro s satisfaz [ ] dx ds, d2 x = [C ds 2 s, C ss ] = 1 (2-25) A determinação de s não é somente invariante pelo grupo de transformações afins, mas é também única, excetuando-se os pontos onde s =.

Algumas Desigualdades Isoperimétricas Afins para Curvas Planas 22 2.5 Vetores tangentes e normais afins, curvatura afim vetor tangente afim à curva C s = C t dt ds (2-26) vetor normal afim à curva ( ) 2 dt d 2 t C ss = C tt + C t (2-27) ds ds 2 Derivando (2-25), temos [C s, C ss ] = [C ss, C ss ] + [C s, C sss ] = [C s, C sss ] = (2-28) Então, podemos afirmar que os vetores C s e C sss são linearmente dependentes. Consequentemente, já que C s, existe um µ tal que, C sss + µc s = µc s = C sss µ[c s, C ss ] = [C sss, C ss ] µ = [C ss, C sss ] O escalar µ é um invariante diferencial afim da curva C(t) chamado curvatura afim. Note que de (2-28) [C s, C sss ] = [C ss, C sss ] + [C s, C ssss ] = µ + [C s, C ssss ] = µ = [C s, C ssss ] µ = [C ssss, C s ] Isto é, a curvatura afim pode ser calculada como µ = [C ss, C sss ]

Algumas Desigualdades Isoperimétricas Afins para Curvas Planas 23 ou µ = [C ssss, C s ]. Lema 2.5.1 O comprimento afim de uma curva C pode ser calculado como L a = µ[c, C s ]ds Prova. µ[c, C s ]ds = [C, µc s ]ds = = [C, C sss ]ds = = (xy sss yx sss )ds = = (xy ss yx ss ) L + (x s y ss y s x ss )ds = = [C s, C ss ]ds = ds = L a O lema a seguir será utilizado no capítulo 5. Lema 2.5.2 A curva C ss é uma curva convexa. Prova. Se C for uma parábola, C ss será um ponto, logo C ss será convexa. Supomos, então, que C não é uma parábola. Assim, podemos calcular a curvatura Euclideana de C por, k Css = [C sss, C ssss ] C sss 3 = k Css = [ µ.c s, C ssss ] C sss 3 = k Css = µ.[c s, C ssss ] C sss 3 k Css = (µ) 2 C sss 3 = µ.( µ) C sss 3 =

Algumas Desigualdades Isoperimétricas Afins para Curvas Planas 24 No caso Euclidiano, a curvatura k constante é obtida somente para arcos de círculo ou para linhas retas. Mais ainda, em um ponto P (x, y), de uma curva C, temos como figura osculadora um círculo de raio 1, cujo centro k(p ) encontra-se na direção normal ao ponto P. Do ponto de vista afim, as cônicas parábola, elipse e hipérbole são as únicas curvas com curvatura afim µ constante ; µ = ; µ > ; µ <, respectivamente, onde a elipse é a única curva fechada com curvatura afim constante. A figura osculadora afim, em um ponto P de uma curva C, desde que esse ponto não seja de inflexão, será uma destas, dependendo do valor da curvatura afim ser zero, positivo ou negativo. 2.6 Invariância afim tipo Em termos gerais, uma transformação afim é uma transformação do T = AX + B (2-29) Em nosso estudo, como dito anteriormente, consideraremos somente as transformações cujo [A] = 1 e provaremos a invariância absoluta da tangente afim, da normal afim e da curvatura afim. Nesta seção, seguimos [2]. A título de facilitar nosso entendimento, utilizaremos o símbolo acima de uma dada quantidade, significando a transformada de tal quantidade, decorrente da ação de (2-29). Isto posto e, como subsídio às demostrações que se seguem, considere a curva C = C(t) = (x(t), y(t)) (2-3) Aplicando (2-29) em (2-3), temos C = AC + B (2-31) Como C é de classe C 3, derivando (2-31) em função de t, teremos C t = AC t (2-32) C tt = AC tt (2-33) C ttt = AC ttt (2-34)

Algumas Desigualdades Isoperimétricas Afins para Curvas Planas 25 Sabendo que podemos escrever ds = [x, x ] 1 3 dt [x, x ] 1 3 = [Ct, C tt ] 1 3 ds = [Ct, C tt ] 1 3 dt Lema 2.6.1 d s = ds Prova. Sabemos que ds = [C t, C tt ] 1 3 dt Assim Aplicando (2-32) e (2-33), d s = [ C t, C tt ] 1 3 dt d s 3 = [ C t, C tt ]dt 3 d s 3 = [AC t, AC tt ]dt 3 d s 3 = [A][C t, C tt ]dt 3 d s 3 = ds 3 d s = ds Lema 2.6.2 O vetor tangente afim é um invariante afim absoluto Prova. Sabemos de (2-26) que C s ds = C t dt C s = C t dt ds Assim, aplicando (2-29) e o lema 2.5.1, teremos C s = C t dt d s C s = AC t dt d s C s = AC t dt ds = AC s Lema 2.6.3 O vetor normal afim é um invariante afim absoluto.

Algumas Desigualdades Isoperimétricas Afins para Curvas Planas 26 Prova. Sabemos de (2-27) que ( ) 2 dt d 2 t C ss = C tt + C t ds ds 2 E, aplicando (2-29) e o lema 2.5.1, teremos ( ) 2 C ss = C dt tt + d s C d 2 t t d s 2 ( ) 2 C dt d 2 t ss = AC tt + AC t d s d s [ 2 ( ) ] 2 C dt d 2 t ss = A C tt + C t d s d s 2 C ss = A [ C tt ( dt ds ) ] 2 d 2 t + C t = AC ds 2 ss Lema 2.6.4 A curvatura afim é um invariante afim absoluto. Prova. A partir dos lemas 2.6.1 e 2.6.2, temos C s = AC s C ss = AC ss E, de maneira análoga, podemos demonstrar C sss = AC sss Então, podemos escrever µ = [ C ss, C sss ] = [AC ss, AC sss ] µ = [A][C ss, C sss ] = µ