GENÉTICA CLÍNICO-LABORATORIAL

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Transcrição:

GENÉTICA CLÍNICO-LABORATORIAL Aula 3 Licenciatura em Ciências Biomédicas Laboratoriais 2016/17 1º Semestre

Sumário Análise de pedigrees 1. Herança monogénica recessiva 2. Herança monogénica dominante 3. Herança monogénica recessiva ligada ao cromossoma X 4. Herança monogénica dominante ligada ao cromossoma X 5. Herança monogénica ligada ao cromossoma Y Exercício 2 e 3

Análise de pedigrees

Análise de pedigrees Construção de pedigrees: Técnica indispensável para o estudo de determinadas caracterísecas especificas na descendência Embora os princípios de hereditariedade sejam iguais em humanos e outros organismos. O estudo da hereditariedade humana é restringido pelo não controlo dos cruzamentos genéecos, grandes períodos de tempo entre gerações e o numero reduzido de filhos Pedigree: representação ilustrada da história de uma família.

Análise de pedigrees simbologia

exemplo: síndrome de Waardenburg Doença autossómica dominante: pacientes afetados são surdos, têm problemas visuais e problemas de pele. Este Epo de doenças deve aparecer com igual frequência em ambos os sexos e em todas a gerações

Herança autossómica recessiva Aparecem com igual frequência em ambos os sexos (a não ser que a penetrância seja diferente em homens e mulheres). Aparece só quando uma pessoa herda dois alelos semelhantes para a mesma caracteríseca, provenientes de dois progenitores (homozigóecos). Se a caracteríseca é invulgar, a maioria dos progenitores será heterozigóecos e logo não afetados pela caracteríseca. Consequentemente, a caracteríseca não estará presente em todas as gerações

Herança autossómica recessiva Frequentemente uma caracteríseca recessiva pode ser passada por várias gerações sem se manifestar. Quando os dois progenitores são heterozigóecos, aproximadamente ¼ da descendência deverá manifestar a caracteríseca recessiva. Se os dois progenitores forem afetados por uma caracteríseca recessiva, então toda a sua descendência será afectada

Herança autossómica recessiva

Herança autossómica recessiva Exemplo: Doença de Tay Sachs Destruição progressiva de células nervosas, resultando em surdez, cegueira, entre outros problemas neurológicos. Os afetados morrem em cerca de 2 3 anos.

Herança autossómica dominante Surgem com a mesma frequência em ambos os sexos e são transmiedos à geração seguinte também com a mesma frequência Uma pessoa com uma caracteríseca dominante herdou o alelo de um dos progenitores. CaracterísEcas autossómicas dominantes estão portanto presentes em todas as gerações. Exceções a esta regra ocorrem quando uma pessoa adquire um caracteríseca autossómica dominante como resultado de uma nova mutação ou quando a caracteríseca reduz a sua penetrância.

Herança autossómica dominante Se uma caracteríseca autossómica dominante é rara, a maioria das pessoas será heterozigóeca. Quando um progenitor afetado (heterozigóeco) e o outro progenitor não possui a caracteríseca, aproximadamente ½ da descendência será afetada. Se os dois progenitores forem afetados (heterozigóecos), então ¾ da descendência serão afetados.

Herança autossómica dominante

Herança autossómica dominante Exemplo: Hipercolesterolemia familiar Resulta de um defeito genéeco ao nível do cromossoma 19, no gene que codifica para os receptores de LDL. Pessoas heterozigóecas são afetadas pela doença. Apresentam valores de LDL duas vezes maiores que o normal e normalmente sofrem ataques cardíacos a parer dos 35 anos

Herança autossómica recessiva ligada ao cromossoma X As caracterísecas recessivas ligadas ao cromossoma X, são transmiedas à descendência de maneira diferente das anteriores: Aparecem mais frequentemente em homens, uma vez que os homens (XY) necessitam de herdar apenas uma copia do alelo afetado para expressar o fenóepo; enquanto as mulheres (XX) necessitam de herdar 2 copias do alelo afetado para expressar o fenóepo.

Herança autossómica recessiva ligada ao cromossoma X As caracterísecas recessivas ligadas ao cromossoma X, são transmiedas à descendência de maneira diferente das anteriores: Os homens herdam o cromossoma X da mãe. Assim homens afetados, normalmente, nascem de mães não afetadas mas portadoras de um alelo afetado (heterozigóecas). Como estas caracterísecas passam de mães portadoras, não afetadas, para homens afectados, normalmente tendem a não estar presente em todas as gerações.

Herança autossómica recessiva ligada ao cromossoma X Estas caracterísecas não são transmiedas de Pai (afetado) para filho, uma vez que o filho herda do pai o cromossoma Y. Todas as filhas de um Pai afectado iram ser portadoras (no caso de a mãe ser homozigóeca para o alelo normal) Para que uma mulher seja afetada, esta deve ser homozigóeca para a caracteríseca e todos os seus filhos serão afetados Exemplo: Hemofilia A

Herança autossómica recessiva ligada ao cromossoma X

Herança autossómica recessiva ligada ao cromossoma X Exemplo: Hemofilia A

Herança autossómica dominante ligada ao cromossoma X As caracterísecas dominantes ligadas ao cromossoma X afetam homens e mulheres, sendo mias incidentes em mulheres. Um homem herda sempre uma caracteríseca dominante ligada ao cromossoma X da sua mãe, uma vez que do Pai herda o cromossoma Y. Uma mulher, herda um cromossoma X do Pai e outro da Mãe, desta forma pode herdar uma caracteríseca dominante ligada ao cromossoma X de qualquer progenitor. Estas caracterísecas estão normalmente presentes em todas as gerações

Herança autossómica dominante ligada ao cromossoma X

Herança autossómica dominante ligada ao cromossoma X Cada filho com uma caracteríseca dominante ligada ao cromossoma X, provem de pelo menos um progenitor afetado Um homem afetado passa a caracteríseca para todas as suas filhas e para nenhum dos seus filhos. Uma mulher afetada (heterozigóeca) passa a caracteríseca para ½ dos seus filhos e ½ das suas filhas

Herança autossómica ligada ao cromossoma Y Apenas os homens são afetados A caracteríseca é transmieda de Pai para filho apenas

Herança Autossómica Resumo

Exercícios

Exercício 2 O pedigree representado abaixo mostra o padrão de hereditariedade de uma doença rara numa família numerosa. Qual é o padrão de herança desta doença, assumindo que a caracteríseca é completamente penetrante?

Exercício 3

Exercício 3 A Joana tem dedos pequenos (braquidacelia). Ela tem dois irmãos mais velhos que são gémeos monozigóecos; Ambos os gémeos tem braquidacelia também. A Joana tem duas irmãs mais jovens que têm dedos normais; A avó paterna da Joana tem braquidacelia; O avô paterno da Joana (falecido) Enha dedos normais. Ambos os avós maternais da Joana Enham dedos normais. A Joana casou com o João, que tem dedos normais; eles adoptaram um filho (Bruno) que tem dedos normais. Os pais biológicos do Bruno ambos têm dedos normais. Depois de adoptar o Bruno, o João e a Joana Everam dois filhos biológicos: uma filha mais velha com braquidacelia e um filho mais novo com dedos normais.

Exercício 3 A) Construa o pedigree da família da Joana usando os símbolos e as ejquetas corretas, de forma a ilustrar o padrão de herança de braquidacjlia. B) Qual o modo de hereditariedade desta doença na família da Joana? C) Se a Joana e o João Jvessem outro filho biológico, qual seria a probabilidade (tendo em conta a resposta dada na alínea B) de que essa criança visse a manifestar braquidacjlia?