UMA ANÁLISE ECONOMÉTRICA DO ICMS *

Documentos relacionados
Aplicação da metodologia Box & Jenkins para previsão de vendas de emulsificante

Metodologia de Box-Jenkins. Metodologia de Box-Jenkins. Metodologia de Box-Jenkins

2 Estimação de uma Curva de Demanda Agregada para o Brasil

Análise e Previsão de Séries Temporais Aula 2: Introdução às séries temporais. Eraylson Galdino

Análise de previsão da inflação no período pós-plano Real

Modelagem do comportamento da variação do índice IBOVESPA através da metodologia de séries temporais

PREVISÃO DE PREÇO DO QUILO DO CAFÉ ARÁBICA: UMA APLICAÇÃO DOS MODELOS ARIMA E GARCH

Uso de séries temporais na análise da temperatura média mensal da cidade de Mossoró, RN

Econometria IV Modelos Lineares de Séries Temporais. Fernando Chague

Modelagem do preço da soja utilizando a metodologia de análise de séries temporais 1

Análise do consumo de energia elétrica da cidade de Uberlândia MG, utilizando modelos de séries temporais

XI Encontro de Iniciação à Docência

Nome: Número: Espaço reservado para classificações

AJUSTE DE UM MODELO DE SÉRIES TEMPORAIS PARA PREVISÃO DA TEMPERATURA MÍNIMA DO AR PARA LAVRAS/MG EM 2011

Econometria em Finanças e Atuária

Econometria. Séries Temporais Lista de Exercícios

Estimação de Modelos ARMA e ARIMA

Modulo I. Séries Temporais: ARIMA

3 Modelo estocástico para os fatores de risco

Previsão mensal do preço da saca de soja no sudoeste do estado do Paraná utilizando a metodologia de Box & Jenkis

MODELOS ECONOMÉTRICOS PARA DADOS DE ALTA- FREQUENCIA: TEORIA E APLICAÇÕES

Exercícios Selecionados de Econometria para Concursos Públicos

CURSO DE ANÁLISE DE SÉRIES TEMPORAIS MODELO ARIMA MATERIAL DE APOIO

Análise da série temporal do desemprego em regiões metropolitanas do Brasil

MODELOS DE REGRESSÃO E DECOMPOSIÇÃO PARA DESCREVER O CONSUMO RESIDENCIAL DE ENERGIA ELÉTRICA NO BRASIL ENTRE 1985 E 2013

Análise Multivariada Aplicada à Contabilidade

Quiz Econometria I versão 1

EVOLUÇÃO DA DÍVIDA PÚBLICA MOBILIÁRIA FEDERAL INTERNA NO BRASIL DE 1995 A 2002

UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA FACULDADE DE ECONOMIA ÍNDICE IBOVESPA: UMA ANÁLISE ECONOMÉTRICA. Leonardo Maia Coelho. Lucas Cavalcanti Rodrigues

AULA 13 Análise de Regressão Múltipla: MQO Assimptótico

ANÁLISE DO COMPORTAMENTO FUTURO DO PREÇO DO CIMENTO PORTLAND CP IV

4 Modelos de Regressão Dinâmica

Mestrado Profissionalizante em Finanças as e Economia Empresarial FGV / EPGE Prof. Eduardo Ribeiro Julho Setembro 2007

Esse material foi extraído de Barbetta (2007 cap 13)

Análise de Séries Temporais. Modelos estacionários Processos puramente aleatórios, AR(p), MA(q) ARIMA(p,q)

Econometria Semestre

Testes de Raiz Unitária para Dados em Painel

IBMEC SÃO PAULO Faculdade de Economia e Administração

Segundo Trabalho de Econometria 2009

Análise e previsão das taxas da população ocupada em Fortaleza, Ceará, de setembro de 1991 a dezembro de 2008

Vetores Auto-Regressivos (VAR) Cristian Rafael Pelizza Estágio de docência

5 Metodologia e Resultados 5.1. Metodologia

ipea O DESEMPENHO DO MERCADO (FOCUS) E DO BACEN NA PREVISÃO DA INFLAÇÃO: COMPARAÇÕES COM MODELOS LINEARES UNIVARIADOS 1. INTRODUÇÃO 2.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

AULA 12 - Normalidade e Inferência em Regressão Múltipla - Parte 2

A Metodologia de Box & Jenkins

Análise comparativa entre métodos estatístico e rede neural aplicados em séries temporais

Conceitos Básicos de Séries Temporais para Modelagem Macroeconômica

Previsão da arrecadação de ICMS para o Estado de Sergipe: Modelagem a partir da metodologia de Box e Jenkins

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

AULAS 14 E 15 Modelo de regressão simples

Disciplina de Modelos Lineares Professora Ariane Ferreira

Instituto Superior de Economia e Gestão Universidade de Lisboa Econometria Época Normal 08/06/2017 Duração 2 horas

Paulo Jorge Silveira Ferreira. Princípios de Econometria

DE ESPECIALIZAÇÃO EM ESTATÍSTICA APLICADA)

ANÁLISE DE SÉRIES TEMPORAIS

Análise e Previsão de Séries Temporais Aula 1: Introdução às séries temporais. Eraylson Galdino

ECONOMETRIA AVANÇADA Prova Intermediária - 09/04/2015

Econometria - Lista 6

Séries Temporais e Modelos Dinâmicos. Econometria. Marcelo C. Medeiros. Aula 9

Utilizando a função auto.arima em modelos de séries temporais

ESTATÍSTICA COMPUTACIONAL

Gabarito da 1 a Lista de Exercícios de Econometria II

APLICABILIDADE DE MODELOS DE GERAÇÃO DE VAZÕES SAZONAIS APRESENTANDO DEPENDÊNCIA DE LONGO TERMO

Nome: Turma: Processo

Prova de Estatística

3 Metodologia 3.1. Tipo de pesquisa

Exemplo Regressão Binomial Dados Emparelhados

Estatística Aplicada II. } Regressão Linear

Modelagem e Avaliação de Desempenho. Pós Graduação em Engenharia Elétrica - PPGEE Prof. Carlos Marcelo Pedroso 2011

Notas de Aulas Econometria I ** Eduardo P. Ribeiro, 2010 PARTE II

MÉTODO DE PREVISÃO DE DEMANDA APLICADO EM UMA EMPRESA REVENDEDORA DE COMBÚSTIVEL

ECONOMETRIA. Prof. Patricia Maria Bortolon, D. Sc.

Universidade Eduardo Mondlane. Faculdade de Economia & Centro de Estudos em Economia e Gestão (CEEG) Inclusive Growth in Mozambique Programme

Aplicação da metodologia Box-Jenkins para previsão do ICMS do estado do Paraná de agosto de 2011 a julho de 2012

Análise de Regressão Múltipla: Mínimos Quadrados Ordinários

Métodos Quantitativos Aplicados

Análise de séries temporais de preços de compensado no estado do Paraná, com a utilização da metodologia de Box & Jenkins

Transcrição:

UMA ANÁLISE ECONOMÉTRICA DO ICMS * Carlos Eduardo S. Marino ** * Trabalho de conclusão da disciplina de Econometria I, ministrada pelos professores Ivan Castelar e Vitor Monteiro, realizada no primeiro semestre de 2010, no Programa de Pós-Graduação em Economia do CAEN/UFC. ** Aluno do Programa de Doutorado do CAEN/UFC. cedmarino@uol.com.br

1 INTRODUÇÃO O presente trabalho tem por objetivo apresentar aplicações ao conteúdo da disciplina de Econometria I, ministrada no primeiro semestre de 2010, no Curso de Pós-Graduação em Economia CAEN/UFC. Optou-se por efetuar uma análise da arrecadação do ICMS sobre dois enfoques, sendo o primeiro a utilização da metodologia de séries temporais, objetivando elaborar um modelo de previsão dessa receita tributária. O segundo utiliza dados em painel para estimar a elasticidade PIB do ICMS, estimando o modelo proposto tanto por efeitos fixos como variáveis. Os valor da arrecadação do ICMS para todas as unidades federativas está disponível em http://www.fazenda.gov.br/confaz/boletim/. Para o PIB por unidade federativa foi utilizada os dados disponíveis em www.ipeadata.gov.br. A parte computacional deste ensaio foi realizada utilizando os softwares Eviews 5.0 e Gretl 1.8.5. O presente trabalho está dividido em 3 seções, além desta introdução. A segunda seção realiza a análise temporal do ICMS do Estado do Ceará. Utilizando diversas possibilidades de modelos ARIMA e efetuando testes para verificar qual modelo possui maior poder de previsão. A terceira seção busca estimar a elasticidade do ICMS com respeito ao PIB. A última seção apresenta uma breve conclusão. 2 ANÁLISE TEMPORAL DO ICMS Os dados utilizados nesta seção possuem periodicidade mensal e compreendem o período de janeiro de 1997 a abril de 2010. Como deflator da série original foi utilizado o IPCA do IBGE. O Gráfico 1 mostra a série original do ICMS, no período de janeiro de 1997 a abril de 2010. Evidentemente, verifica-se uma tendência crescente da série. Observa-se também, um período de alta volatilidade entre o final de 2004 e outubro de 2006. A série deflacionada pelo IPCA é exibida no Gráfico 2. 2

600000 Em R$ 1.000,00 500000 400000 300000 200000 100000 0 97 98 99 00 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 GRÁFICO 1 - ICMS VALORES ORIGINAIS Fonte: CONFAZ/COTEPE 600000 Em R$ 1.000,00 de abr/10 500000 400000 300000 200000 100000 97 98 99 00 01 02 03 04 05 06 07 08 09 GRÁFICO 2 - ICMS VALORES DEFLACIONADOS PELO IPCA FONTE: CONFAZ/COTEPE 3

A Tabela 1, em seguida, mostra o resultado do Teste ADF, com intercepto, para a série do ICMS deflacionado pelo IPCA. Como esperado, não foi possível rejeitar a hipótese nula de existência de raiz unitária, com nível de significância de 10%, concluindo-se que a série não é estacionária. Utilizando tendência temporal e intercepto, o teste ADF indica que é possível rejeitar a hipótese nula de raiz unitária, o resultado do teste é exposto na Tabela 2. Finalmente, realizando o teste para a primeira diferença da série, obtém-se uma série estacionária conforme exposto na Tabela 3. Tabela 1 Teste ADF ICMS com Intercepto Estatística Valor-p Estatística do Teste ADF -1.773208 0.3927 Valores Críticos α = 1% -3.473096 α = 5% -2.880211 α = 10% -2.576805 Tabela 2 Teste ADF ICMS com Intercepto e Tendência Estatística Valor-p Estatística do Teste ADF -6.702990 0.0000 Valores Críticos α = 1% -4.018349 α = 5% -3.439075 α = 10% -3.143887 Tabela 3 Teste ADF ICMS, primeira diferença sem Intercepto e sem Tendência Estatística Valor-p Estatística do Teste ADF -16.19739 0.0000 Valores Críticos α = 1% -2.580065 α = 5% -1.942910 α = 10% -1.615334 4

Optou-se assim, por analisar a série do ICMS deflacionado pelo IPCA em primeira diferença, sendo a mesma exposta no Gráfico 3. 160000 120000 Em R$ 1.000,00 de abr/10 80000 40000 0-40000 -80000-120000 -160000-200000 97 98 99 00 01 02 03 04 05 06 07 08 09 GRÁFICO 3 - ICMS- PRIMEIRA DIFERENÇA DOS VALORES DEFLACIONADOS PELO IPCA FONTE: CONFAZ/COTEPE A Tabela 4 traz o correlograma da série. A estatística Q computada rejeita a inexistência de correlação. Os picos presentes nas defasagens 1, 6, 12 e 16 indicam a presença de termos de média móvel. A função de autocorrelação parcial é significativa para defasagem de ordem 21, indicando possivelmente um processo auto-regressivo de ordem elevada. Para identificação do modelo ARIMA e estimação dos parâmetros que serão utilizados, utilizou-se o período de janeiro de 1997 a outubro de 2009. As observações subseqüentes, novembro de 2009 a abril de 2010 serão utilizadas para testar a capacidade de previsão dos modelos. A Tabela 5 mostra, além do R 2 e R 2 ajustado, a raiz quadrada do erro quadrado médio da previsão, a estatística Q dos resíduos para a defasagem de ordem 36 e a média do erro percentual absoluto. 5

Tabela 4 Correlograma ICMS, em primeira diferença Autocorrelação Correlação Parcial AC PAC Estatística Q Valor - p 6

Tabela 5 Modelos ICMS deflacionado pelo IPCA, em primeira diferença Modelos Estatística Q dos resíduos para 36 defasagens R 2 R 2 EQM da Previsão Raiz do Média do Erro Percentual Absoluto ARIMA(1,1,0) com termo auto-regressivo e termo de média móvel sazonal de ordem 12 39.387* 0.288487 0.272792 32115.36 5.203462 ARIMA(6,1,3) com termo de média móvel sazonal de ordem 12 42.603* 0.285401 0.233992 43803.24 6.588743 ARIMA(3,1,3) com termo auto-regressivo e termo de média móvel sazonal de ordem 12 24.174* 0.458221 0.424623 45383.54 8.163737 ARIMA(2,1,2) com termo auto-regressivo e termo de média móvel sazonal de ordem 12 29.342* 0.408080 0.381175 45517.20 8.274189 ARIMA(3,1,4) com termo auto-regressivo e termo de média móvel sazonal de ordem 12 26.668* 0.461194 0.423309 42927.75 8.527473 ARIMA(3,1,6) com termo auto-regressivo e termo de média móvel de ordem 12 sazonal 26.950* 0.459642 0.412468 44867.01 8.945194 ARIMA(2,1,1) com termo auto-regressivo de ordem 12 sazonal 37.990* 0.305342 0.284606 57219.58 9.921935 ARIMA(2,1,0) com termo de média móvel sazonal de ordem 6 e 12 57.747 0.168205 0.145416 36827.93 5.621802 ARIMA(6,1,6) 62.842 0.277421 0.236131 58407.59 8.920354 ARIMA(6,1,0) 63.150 0.184503 0.149553 46075.50 6.992961 ARIMA(2,1,2) 65.351 0.256943 0.236585 57514.58 9.617319 ARIMA(1,1,1) 66.812 0.245851 0.235728 57115.38 9.435507 ARIMA(2,1,0) 84.796 0.099907 0.087743 34529.47 5.785392 ARIMA(3,1,0) 85.740 0.112979 0.094753 35507.48 6.041367 ARIMA(1,1,0) 94.323 0.075997 0.069837 34679.63 5.860720 Nota: não rejeitada a hipótese nula que os resíduos são um ruído branco. 7

Uma inspeção na Tabela 5 aponta que o modelo de melhor qualidade de previsão é o constante na primeira linha e que é especificado a seguir, sendo a variável ICMS t a primeira diferença do ICMS deflacionada pelo IPCA. ICMS t = c + u t (1) (1- φ 1 L) (1 φ 12 L 12 ) u t = (1- θ 12 L 12 ) ε t (2) A seguir são apresentados os parâmetros estimados com os respectivos desvios padrão entre parêntesis: ICMS t = 5432.833+ u t (3) (17486.28) (1+ 0.393L) (1 0.965L 12 ) u t = (1-0.913L 12 ) ε t (4) (0.079) (0.037) (0.027) Ou alternativamente: ICMS t = 264.878 + 0.393 ICMS t-1 0.965 ICMS t-12 0.379 ICMS t-13 + ε t 0.913 ε t-12 (5) O Gráfico 4 mostra a previsão realizada com o modelo acima para o período de novembro/2009 a abril/2010, enquanto o Gráfico 5 exibe uma previsão mais longa compreendendo o período de janeiro/2008 a abril/2010. No Gráfico 5, os parâmetros foram estimados novamente, tomando como amostra o período de janeiro/1997 a dezembro/2007. 8

600000 500000 ICMSR ICMSRF ICMSRF - 2 DP ICMSRF + 2 DP 400000 300000 200000 100000 97 98 99 00 01 02 03 04 05 06 07 08 09 GRÁFICO 4 - PREVISÃO ICMS REAL - NOV/09 A ABR/10 FONTE: elaborado pelo autor 700000 600000 ICMSR ICMSRF ICMSRF - 2 DP ICMSRF + 2DP 500000 400000 300000 200000 100000 97 98 99 00 01 02 03 04 05 06 07 08 09 GRÁFICO 5 - PREVISÃO ICMS REAL - JAN/08 A ABR/10 FONTE: elaborado pelo autor 9

3 ELASTICIDADE PIB DO ICMS O objetivo desta seção é estimar a sensibilidade do ICMS em relação a variações no PIB. Tanto a série do PIB como a do ICMS possuem periodicidade anual e estão em valores originais. Utilizou-se dados em painel para as 27 unidades federadas, cobrindo o período de 1995 a 2007. O modelo proposto inicialmente possui efeitos aleatórios, na seguinte forma: Log(ICMS it ) = C + β Log(PIB it )+ ε it (6) onde: ε it = a i +n it (7) Onde se presume que a i é invariante no tempo e não está correlacionado com o logaritmo do PIB. Estimou-se o modelo acima por GLS obtendo-se estimativas para os parâmetros conforme relatado na Tabela 6. Tabela 5 Resultados da Estimação por GLS com Efeitos Aleatórios Coeficientes Erro Padrão razão-t Valor-p C -3.107 0.209-14.83 0.000 LOG (PIB) 1.028 0.012 83.99 0.000 R 2 = 0.952861 R 2 Ajustado = 0.952726 F = 7054.700 P-valor = 0.000 Realizou-se, em seguida, o Teste de Hausman, obtendo 0.949 como valor da estatística (valor-p 0.330), não sendo possível rejeitar a hipótese nula de consistência das estimativas 10

GLS de Efeito Aleatório. Verificou-se ainda a normalidade dos resíduos, não sendo possível rejeitar a hipótese nula de normalidade, com nível de significância de 1%. Conduziu-se ainda um teste de Wald, não sendo possível rejeitar a hipótese nula que β = 1 com valor-p de 0.0211. A Tabela 6 mostra o resultado da estimação do modelo com efeitos fixos Log(ICMS it ) = C + β log(pib it )+ ε it (6) onde: ε it = a i +n it (7) Onde se presume que a i é invariante no tempo e está correlacionado com o logaritmo do PIB. Estimou-se o modelo acima por OLS, obtendo-se estimativas para os parâmetros conforme relatado na Tabela 6. Tabela 6 Resultados da Estimação por OLS com Efeitos Fixos Coeficientes Erro Padrão razão-t Valor-p C -3,195 0.224-14.22 0.000 LOG (PIB) 1.034 0.013 77.27 0.000 R 2 = 0.993 R 2 Ajustado = 0.992 F = 1665.651 P-valor = 0.000 Rejeitou-se a hipótese nula que as unidades federadas possuem intercepto comum, com estatística F(26, 323) = 34.0367 (valor-p = 0.000). Testou-se ainda, a normalidade dos resíduos e não foi possível rejeitar a hipótese nula de normalidade com nível de significância de 5%. Conduziu-se também, um teste de Wald e não foi possível rejeitar a hipótese nula que β = 1 com valor-p de 0.0125. Desta forma, verifica-se que independentemente da metodologia empregada, efeitos fixos ou aleatórios, não é possível rejeitar que a elasticidade do ICMS com respeito ao PIB 11

seja unitária. Logo, conclui-se que dentro da estrutura tributária brasileira, o ICMS não vem apresentando tendência de crescimento superior ao PIB. 4 CONCLUSÃO O presente trabalho apresentou duas análises econométricas a respeito do ICMS. Na primeira, utilizou a metodologia de Box-Jenkins e estimou-se diversos modelos ARIMA para a série mensal do ICMS real. Concluiu-se que o melhor modelo é uma ARIMA(1,1,0) com dois termos sazonais de ordem 12, um de caráter auto-regressivo e o outro de média móvel. Apesar de ser o melhor modelo identificado, seu desempenho possui média de erro absoluto percentual de 5.2% e seu R 2 é apenas 0.288. A segunda análise utilizou a metodologia de dados em painel, tanto com efeitos fixos como aleatórios, para estimar a elasticidade PIB da arrecadação do ICMS. Em ambas as metodologias, não foi possível rejeitar a hipótese nula de elasticidade unitária, concluindo-se pela estabilidade do tributo no período analisado. REFERÊNCIAS: GREENE, William H. Econometric Analysis. 5a ed. New Jersey: Prentice-Hall, 2003. JONHSTON, Jack; DINARDO, John. Métodos Econométricos. 4a ed. Amadora: McGraw-Hill, 2000. JUDGE, George C. et al. Introduction to the Theory and Practice of Econometrics. 2a ed. Jonh Wiley & Sons, 1982. PINDYCK, Robert S.; RUBINFELD, Daniel L. Econometria: Modelos e Previsões. 4a ed. São Paulo: Campus, 2004. 12