MODELOS DE VON BERTALANFFY E GOMPERTZ PARA DESCREVER



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MODELOS DE VON BERTALANFFY E OMPERTZ PARA DESCREVER OS PARÂMETROS DE TAMANHO E PESO MÉDIO DE TILÁPIAS JORE CORRÊA DE ARAÚJO 1 ROSA MARÍA ARCÍA MÁRQUEZ 2 Resumo O objetivo desse trabalho foi utilizar os modelos matemáticos de von Bertalanffy e ompertz para obter estimativas do peso do peixe para comparar com os resultados experimentais do peso médio de exemplares de machos albinos de tilápia do Nilo obtidos pelo Centro de Pesquisas Ictiológicas de Pentecostes (CE). A taxa variável de crescimento intrínseco da espécie pode ser determinada com o modelo de ompertz. O crescimento linear do peixe obtido com o modelo de Bertalanffy ficou em concordância com os dados experimentais. Os resultados obtidos com os modelos utilizados nesse estudo para a obtenção do peso médio mostraram que o modelo de von Bertalanffy devido a sua maior simplicidade, foi o mais adequado. 1. Introdução A tilápia do Vale do Nilo é um peixe originário da Costa do Marfim (África) tendo sido introduzido no Brasil, em 1971 na região Nordeste, pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). Os machos característicos dessa espécie crescem muito mais rapidamente que as fêmeas. Esse peixe tem provado a sua eficiência no Quênia (África) no combate à malária ao se alimentar das larvas do mosquito conseguindo assim reduzir em até 94% a quantidade de insetos transmissores da doença. Essa constitui uma das razões pela qual a tilápia tem sido indicada para o cultivo em regiões tropicais. Segundo Leonhardt e Urbinati (1999) vários são os estudos dessa espécie de peixe com vistas à produção piscícola. No entanto a obtenção de dados experimentais de alta qualidade demanda tempo e Palavras-chave: modelos de von Bertalanffy, modelo de ompertz, modelo de ompertz generalizado. DMAT/FFP-UERJ 1 jcaraujo@irpj.uerj.br, 2 rosagm@uerj.br 41

42 Cadernos do IME - Série Matemática Vol. 20 (2008) grande esforço logístico. Nesse trabalho foram analisados dois modelos matemáticos derivados da equação experimental de Bertalanffy (BASSANEZI, R. C. e FERREIRA JR., 1988) e a função logística de ompertz (BOYCE et al.,1999) com taxa de crescimento intrínseca constante e com a taxa de crescimento intrínseca variável para estimar o peso médio de tilápias machos albinos do vale do Nilo e comparar essas estimativas com os resultados experimentais divulgados por Bassanezi e Ferreira Jr. (1988) a partir do experimento realizado pelo Centro de Pesquisas Ictiológicas de Pentecostes (CE). Também foi estimado o crescimento linear do peixe com a equação de Bertalanffy. 2. Materiais e Métodos As simulações utilizaram os dados experimentais de comprimento e peso médio em função do tempo e consumo de ração da espécie de peixes tilápias albinas (machos) obtidos pelo Centro de Pesquisas Ictiológicas de Pentecostes (CE) e divulgados por BASSANEZI E FERREIRA JR. (1988) conforme é mostrado na Tabela 1. A partir desses dados, foram utilizados modelos matemáticos para descrever os parâmetros de tamanho e peso médio desses exemplares. Tabela 1. Médias dos Comprimentos e Pesos do grupo de peixes. Tempo (mês) Comprimento Médio (cm) Peso Médio (g) Consumo de Ração (g) 0 11,0 26,0 Não divulgado 1 15,0 59,5 12, 2 17,4 105,4 27,9 20,5 200 49,8 4 22,7 29,5 56,7 5 25, 64, 65,4 6 27,4 421,7 95,6 7 28,0 476,0 106, 8 29, 488,2 128,5 O modelo proposto por VON BERTALANFFY (BASSANEZI E FERREIRA JR., 1988) para descrever o crescimento de peixes é baseado no princípio da alometria: A taxa de variação do peso do

J.C. de Araújo, R.arcía. Márquez Modelos matemáticos para o peso médio de Tilápias 4 peixe é proporcional à área da superfície fisiológica (anabolismo) e a perda de massa (catabolismo) do individuo da espécie. Esse princípio traduzido em termos de equação fica na forma dp = αs βp (1) dt onde α é a constante de anabolismo (taxa de síntese de massa por unidade de área) e β a constante de catabolismo (taxa de decaimento de massa por unidade de massa) da espécie. Nesse modelo, a superfície S é proporcional ao peso p na forma 2 S p (2) Substituindo a equação (2) na equação (1) resulta na equação experimental de VON BERTALANFFY (BASSANEZI E FERREIRA JR., 1988) para o peso do peixe p ( dada por dp dt 2 = αp βp Considerando p ( t 0 ) = p 0 como sendo a massa inicial a equação () é uma equação de BERNOULLI (BOYCE et al., 1999) e tem por solução () β Cβ t p ( = p 1 e (4) α α onde p = = lim p( é o peso máximo admitido. Como o peso e a área fisiológica do peixe são t β proporcionais ao comprimento linear l ( resulta da equação () a expressão para o comprimento linear dado por

44 Cadernos do IME - Série Matemática Vol. 20 (2008) l kt ( = l ( l l0 ) e (5) onde l 0 e l são respectivamente o comprimento inicial e final do peixe. A constante l0 é assumida ser conhecida. Os parâmetros l e β k = podem ser estimados pelo método de Ford-Waldorf (BASSANEZI E FERREIRA JR., 1988) quando são disponíveis os dados experimentais por meio de uma tabela. O procedimento consiste na linearização dos pares de tamanhos experimentais médios ( (, l( t + 1) ) meio da equação l por Da combinação das equações (5-6) resulta l n = 1 m l ( t + 1) ml( + n (6) 1 e = ln( m ) k (7) Bertalanffy também relacionou o peso do peixe p (, com o comprimento linear l ( por meio da equação Quando t, p ( p. l( p ( = p (8) l A combinação das equações (5 e 8) resulta na expressão para o peso do peixe dada por O ponto de inflexão da curva obtida da equação (9) é dado por kt [ l ( l l ). e ] p p( =. 0 l (9) * 1 l t = ln ( ) (10) k l l0 A equação de ompertz (BOYCE et al., 1999) usada para monitorar o crescimento de peixes, em termos de seu peso, é definida por

J.C. de Araújo, R.arcía. Márquez Modelos matemáticos para o peso médio de Tilápias 45 dp( K = rp( ln dt p( onde r é a constante de crescimento intrínseca da espécie (g/semana) e K = P (11). A equação (11) com a condição inicial p ( t 0 ) = p 0 pode ser resolvida por separação de variáveis. A solução da equação (11) é dada por p ( rtt {[ln( p0 / K )] e } = Ke (12) Um modelo de ompertz generalizado e, portanto mais realista é proposto nesse trabalho considerando a taxa de crescimento da espécie dependente do tempo. Da equação (12) se obtem 1 1 p( r ( = ln ln t p0 K ln K (1) Na equação (1) a expressão para p( será dada pela equação (9) e desse modo o peso p ( representa o modelo de ompertz generalizado na forma p ( = K exp ln p l ln 2 ( p / K )] ln K kt [ l e ] 0 0 (14)

46 Cadernos do IME - Série Matemática Vol. 20 (2008). Resultados e Discussão A Figura 1 mostra a reta de linearização dos dados ( (, l( t + 1) ) quadrados. A equação da reta é dada por l ( t + 1) 0,850l( + 5, 91 l (Tabela 1) ajustados pelos mínimos 0 Dados experimentais do comprimento linear Ajuste linear 28 26 l(t+1)(cm) 24 22 20 18 16 14 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 0 l((cm) Figura 1. Ajuste pelos mínimos quadrados dos pares ( l (, l( t + 1)) Usando (7) resultam os valores estimados para as constantes k 0,161; l 6, 6 esses valores na equação (5) tem-se a expressão para o comprimento linear l (. Substituindo l( 0,161t = 6,6 25,6e (15) O valor de k permite estimar a constante de catabolismo dada por β = k = 0.48 (16) A Figura 2 mostra os comprimentos médios experimentais com os estimados pela equação (15). Nota-se uma boa concordância entre os valores estimados e os dados experimentais. 0 Dados experimentais de tamanho médio Tamanho observado ----Tamanho calculado 25 20 l( (cm) 15 10 5 0 0 2 4 6 8 t (m ês)

J.C. de Araújo, R.arcía. Márquez Modelos matemáticos para o peso médio de Tilápias 47 Figura 2 ráfico do crescimento linear da tilápia em cm/mês. Para obter p( na equação (9) é necessário conhecer o valor de p. Isso pode ser feito substituindo um dos valores experimentais, digamos p( 0) = 26 g e l ( 0) = 11 na equação (8) para obter p 95 g. Com esses dados a equação (9) para a estimativa do peso do peixe em função do comprimento linear é dada por p( 0,161t = 0,0194(6,6 25,6e ) (17) O ponto de inflexão (tempo de maior ganho de peso) calculado a partir da equação (17) acontece quando t * 4, 60 meses. Nesse momento estará havendo o maior crescimento de peso na razão de 65,5 g quando o peso médio do peixe será de aproximadamente 29% de seu peso médio máximo. mês Da equação (4) obtido o valor aproximado para meio da relação p α β p pode ser estimada a constante de anabolismo por α 4,72 (18) Das estimativas dadas por (16) e (18) a equação (4) do peso médio para a tilápia em função do tempo é dada por

48 Cadernos do IME - Série Matemática Vol. 20 (2008) 0.161 t ( 1 C (0,102 ) e ) p ( t ) = 95 (19) A constante C da equação (19) pode ser determinada usando da Tabela 1 selecionando, por exemplo, p(0)=26. Nesse caso C = 6, 84. A equação logística de ompertz generalizada para a modelagem do peso médio das tilápias será definida por p (20) ( 0,16t ) ( 0,99882) ln 0,000207(6,6 25,6e ) ( = 95e As Figuras (a-b) mostram que não existem diferenças significativas entre os modelos adotados para as estimativas do peso médio durante o período de observação compreendido entre 0 a 8 meses. Entretanto observa-se uma diferença significativa entre o período mensal de 9 a 20 com os modelos de ompertz usando taxas constantes e os modelos de von Bertalanffy e ompertz generalizado. As estimativas do peso com o modelo de ompertz utilizando taxas de crescimento constantes têm maior dispersão em relação à reta identidade da Figura (b), indicando um maior desvio desse modelo em relação aos dados experimentais. Não existe diferença significativa entre os pesos estimados com os modelos de von Bertalanffy e o modelo de ompertz generalizado. P((gramas) 900 800 700 600 500 400 00 p ( r=0,2 p ( r=0,25 p B (=p B (l()=p ( p( Observado peso estimado (gramas) 600 500 400 00 200 100 peso observado p B ( p r( ( p r=0.2 ( p r=0.25 ( 200 100 0 0 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 t(mês) 0 100 200 00 400 500 peso experimental (gramas) (a) (b) Figura. ráficos (a-b) do peso médio da tilápia em g/mês estimado com os modelos = p B (, p B ( l( ), p (, 0,2 = ( e 0,25 ( p r p r

J.C. de Araújo, R.arcía. Márquez Modelos matemáticos para o peso médio de Tilápias 49 A expressão para a taxa de crescimento com o modelo mais geral de ompertz equação (1) é dada por 1 r ( = ln (21) t 95 0,161t ( ) [ 0,0194(6,6 25,6e )] 0,279 ln A Figura 4 mostra o comportamento da taxa de crescimento intrínseca da espécie em função do tempo dada pela equação (21). 0,0 0,28 r om pertz 0,26 Estimativa de r( 0,24 0,22 0,20 0,18 0,16 0 5 10 15 20 25 0 T em po (m ês) Figura 4 ráfico da taxa de crescimento r ( intrínseco da espécie pelo modelo de ompertz generalizado 4. Conclusões Os modelos matemáticos de von Bertalanffy mostraram-se adequados para descrever o peso médio e o crescimento linear das tilápias estudadas. Com o modelo de ompertz foi possível expressar a taxa de crescimento de massa intrínseca característica da espécie como uma função do tempo. Nenhuma diferença significativa foi observada para as estimativas do peso médio com os pesos experimentais com o uso dos diferentes modelos. O modelo de ompertz generalizado para descrever o peso do peixe teve

50 Cadernos do IME - Série Matemática Vol. 20 (2008) desempenho indistinguível quando comparado ao modelo de Bertalanffy para o peso médio do peixe e desse modo, devido a sua maior simplicidade, o modelo de Von Bertalanffy pode ser considerado, portanto, como o mais adequado para descrever o peso e o crescimento médio dos exemplares analisados. A utilização desses modelos permite que o tempo para obtenção de parâmetros biológicos de crescimento e engorda característicos da espécie seja reduzido significativamente. 5. Referências LEONHARDT, J.H, URBINATI, E.C. Estudo Comparativo do Crescimento Entre Machos de Tilápia do Nilo, Oreochromis niloticus, Sexados e Revertidos. Boletim do Instituto da Pesca, São Paulo, 25(único): 19-26, 1999. BOYCE, W.E.; DE PRIMA, R.C. Equações Diferenciais Elementares e problemas de valores de contorno. LTC. RJ. Brasil, 1999. BASSANEZI, R. C. e FERREIRA JR., W. C. Equações Diferenciais com Aplicações. Harbra, São Paulo, 1988.