O Espaço do Treinador



Documentos relacionados
CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS / PROPOSTA

Projeto de Lecionação da Expressão e Educação Físico Motora no 1º Ciclo do Ensino Básico

Educação Física. Código: 28. Agrupamento de Escolas de Abação. Escola EB 2,3 Abação. Informação n.º 1. Data: 12/05/2014

MINI-HP. Luís Sénica

Treinamento Físico e Técnico para Futebol

Educação Física 28 Prova Prática

O Treino do Jovem Lançador

Mário Pedro Lisboa, 10 de Outubro de 1998

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE BENAVENTE

Centro de Treinos do Núcleo de Árbitros de Futebol da Zona dos Mármores Professor Jorge Pombo Semana de Treinos Nº37 14 Abril 2014 (Segunda-Feira)

Air Alert III: Um programa completo para saltos verticais

EDUCAÇÃO FÍSICA 3 ANO

REGULAMENTO ESPECIFICO DE GINÁSTICA RÍTMICA

MICROCICLOS - Modelos

TESTES DE HABILIDADES TÉCNICAS: THT

RESUMO DAS REGRAS DO BASQUETE. Regulamento (FIBA)

Entrevista a Diogo Carvalho

Ano Lectivo 2009 / Projecto Nestum Rugby nas Escolas Introdução ao Tag-Rugby e ao Bitoque

FUTEBOL. Como se define? Acção individual ofensiva de relação entre dois jogadores da mesma equipa, que permite a troca de bola entre eles.

A AGRESSIVIDADE OFENSIVA

Salto em Altura. Mário Paiva (*) e Sara Fernandes (**) O salto em altura é uma disciplina do atletismo que consiste na transposição de uma fasquia.

ÍNDICE GIRA VOLEI REGRAS DE JOGO CAPÍTULO I FUNDAMENTOS E REGRAS DO JOGO. REGRA 1 Terreno de jogo (figs. 1 e 2) 1.1 Superfície de jogo. 1.

Modelo de análise de futebol Versão 1

A organização defensiva no modelo de jogo

Leis do Jogo do IRB (Lei 3) Número de jogadores de uma equipa e as substituições permitidas

FUTSAL Aprenda a Ensinar

GABINETE COORDENADOR DO DESPORTO ESCOLAR REGULAMENTO ESPECÍFICO DE BASQUETEBOL

Apoio Teórico de Badminton

MÉTODOS de Treinamento

Treino de Força Geral com Jovens

Leia com atenção os seguintes textos e responda depois às questões colocadas. GRUPO I NOÇÃO GERAL DE ERGONOMIA

REGULAMENTO ESPECÍFICO DE BASQUETEBOL

Versão Referenciais de FORMAÇÃO. Padel. Menção de formação. Grau

Escola Básica 2,3 Pêro de Alenquer Ano letivo 2015/16 Disciplina: Educação Física, prova escrita e prática Ano de escolaridade: 9º ano

Documentos de Apoio - Disciplina de Educação Física ANDEBOL. Caracterização

Programa Nacional de Ginástica Aeróbica 2015_16

TIPOS DE MACROCICLOS EXISTENTES

MARCHA ATLÉTICA. Da sensibilização geral ao treino de jovens. ZéEduardo, Centro de Formação da Zona Centro: Covilhã, 21/Nov/2009

3x3 Regras do Jogo Olivais Street Basket

O que é a Educação Física?

ÍNDICE INTRODUÇÃO 1 REVISÃO DA LITERATURA 5

Regulamento Específico de Atletismo

Versão Referenciais de FORMAÇÃO. Basquetebol. Grau

REGULAMENTO ESPECÍFICO DE BASQUETEBOL

Fase Preparatória Objectivos Operacionais Estratégias / Organização Objectivos comportamentais / Componentes críticas Chamada

CONDUÇÃO DEFENSIVA. Nível 1 Nível Atitudinal; Nível 3 Nível Táctico; Nível 4 Nível Operacional

Treinamento de Força

A Técnica do Salto em Comprimento CARACTERÍSTICAS E PROBLEMAS DA TÉCNICA DO SALTO EM COMPRIMENTO CARACTERÍSTICAS DE UM BOM SALTADOR FORÇA DE IMPULSÃO

EDUCAÇÃO FÍSICA 2016

Air Alert III: Um programa completo para saltos verticais

Escrita de Relatórios

O Espaço do Treinador

Curso de Atendimento Personalizado e Call Center. Referencial Pedagógico

Periodização na Musculação. Prof. Dra. Bruna Oneda 2013

Recursos-chave para Gestores de Projecto Guia 3 Pensamento Crítico Auto-estudo Para o Gestor de Projecto

Miguel Baracho Plano de Unidade de Ensino 10º ano Turma 3. Descrição/ Organização. Esquema Instrução T P T T

Mentalidade Tática no Futebol. Prof.:Msd. Ricardo Luiz Pace Júnior

Planificação. A planificação não é um processo direccionado mas cíclico. Sucessão de tentativas e erros

1. Ingresso na Carreira Docente 1.1. Prova de Ingresso

REGULAMENTO ESPECÍFICO DE FUTEBOL DE 7

8 SINAIS QUE ESTÁ NA HORA DE MUDAR A FORMA COMO VOCÊ GERENCIA SEUS PROCESSOS DE MENTORING

INTRODUÇÃO PROTOCOLO DE JOGO

PROPOSTA PARA CURSOS DE TREINADORES DA FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE XADREZ

INFANTIS M/F ANOS NASCIMENTO: 98 (12

GABINETE COORDENADOR DO DESPORTO ESCOLAR REGULAMENTO ESPECÍFICO FUTSAL

ALUNO (A): Nº. 3- Quantos pontos são contados por meio de um lance livre? A. 3 Pontos. B. 1 Ponto. C. 5 Pontos. D. 4 Pontos. E. 2 Pontos.

1- CONDUÇÃO NO BAMBOLE

Unidades de Formação e Cargas Horárias Xadrez - Grau I. Total 40,0 UNIDADES DE FORMAÇÃO 1. HISTÓRIA DO XADREZ 1,5 2. REGRAS DO JOGO DE COMPETIÇÃO 1,5

Avaliação da Flexibilidade

Fundamentos técnicos

Considerações e análise pessoal sobre o Programa Fonoaudiológico para Formação de Locutores

ATIVIDADES FÍSICAS PARA DEFICIENTES AUDITIVOS: sugestões

COORDENAÇÃO MOTORA. 13% dos idosos têm dificuldade com várias tarefas que exigem coordenação óculo-manual (ex. inserir uma chave na fechadura).

Escala de Equilíbrio de Berg

MODELO FORMATIVO. DATA DE INíCIO / FIM / HORARIO Manhã - 9:00 às 13:00 Tarde - 14:00 às 19:00 INVESTIMENTO ALOJAMENTO FORMADOR

CONDICIONAMENTO FÍSICO JIU JITSU

Escola de Música Marista do EML REGULAMENTO 2012 /2013. Capítulo I Funcionamento da Escola de Música Marista

GINÁSTICA LOCALIZADA

As aulas teóricas serão realizadas no Auditório da Sede da AFVR e as práticas em campos a definir.

0. Objectivo. 1. Erros no remate Ângulo de erro

Glossário de Aprendizagem Motora

COLÉGIO NOSSA SENHORA DE FÁTIMA Disciplina de educação Física

Catálogo Jogos de Mesa

Fase Preparatória Objectivos Operacionais Estratégias / Organização Objectivos comportamentais / Componentes críticas

Fase Preparatória Objectivos Operacionais Estratégias / Organização Objectivos comportamentais / Componentes críticas

Fundamentos do Goleiro de Futebol

O Treino da Resistência Aeróbia na Escola

REGULAMENTO FMUC LEAGUE ÍNDICE INTRODUÇÃO. O jogo será regulamentado pelas regras oficiais do Futsal, da responsabilidade da

RESUMO DAS ALTERAÇÕES ÀS REGRAS OFICIAIS DE BASQUETEBOL FIBA 2010

CÂMARA MUNICIPAL DA CHAMUSCA REGULAMENTO DOS JOGOS GABINETE DE DESPORTO I JOGOS SEM BARREIRAS

Notas Introdutórias acerca da Velocidade

1. INTRODUÇÃO 1.1. GENERALIDADES

FEDERATION INTERNATIONALE DE BASKETBALL INTERNACIONAL BASKETBALL FEDERATION FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE BASQUETEBOL FIBA

PROGRAMA DO CURSO. - Formação Pedagógica Inicial De Formadores B-learning. (Curso homologado pelo IEFP / Acesso ao CCP)

Metodologia de Investigação Educacional I

Transcrição:

O Espaço do Treinador Autor: Carlos Bio Boletim nº 9 Mês de Junho Ano 2011 DOCUMENTOS DE OUTROS COMPANHEIROS Esta foto é para mim o momento mais alto da minha carreira, depois de já ter treinado duas gerações (Pais e filhos) treinei o meu neto, o que foi para mim uma enorme alegria, no Clube aonde nasci para a modalidade. Nesta Edição Informação Preparação Física I Parte O Guia do Jovem Atleta Parte V A Condução do Exercício na Sessão do Treino Uma Unidade de Treino de Minibasquete Fichas de Exercícios de Minibasquete - Feliz é aquele que estuda para aprender; - Aprende para ensinar; - E ensina para ser feliz Conforme informei no meu primeiro Boletim, este Espaço do Treinador iria, para além de apresentar vários temas técnicos por mim elaborados, bem como outros que iria solicitar a alguns companheiros Treinadores. Neste Boletim irei apresentar um Documento Orientador para os Escalões de Formação sobre Preparação Física, elaborado pelo Prof. Humberto Nogueira, actual Treinador da Equipa de Iniciados do Clube do Povo de Esgueira, apresentado pelo mesmo numa Acção de Formação Interna do Clube realizada em Setembro de 2010. Pelo conhecimento que tenho do seu trabalho realizado pelos Clubes por onde tem passado não só na área do trabalho físico mas também técnico, como o trabalho que desenvolveu nestes dois últimos anos á frente da Equipa de Iniciados do Esgueira, solicitei ao Prof. Humberto autorização para a publicação desse trabalho a que o mesmo prontamente acedeu e a que fico muito grato. É um trabalho elaborado para equipas que vão dos Sub/8 até aos Cadetes. Espero pois que o mesmo possa contribuir para um melhor trabalho nos Escalões de Formação numa área que uma parte dos Treinadores mais jovens pouco domina. 1

PREPARAÇÃO FISICA PARTE I Documento Orientador Para Escalões de Formação Autor: Prof. Humberto Nogueira Treinador do C. P. Esgueira Introdução O presente documento tem como objectivo servir de documento orientador para o trabalho de preparação física nos escalões de formação do Clube do Povo de Esgueira (CPE). Deste modo, os conteúdos abordados e a sua organização estão estruturados de forma a irem de encontro à realidade actual do Basquetebol do CPE, tanto do ponto de vista humano como material. O jogo de Basquetebol exige aos seus praticantes um grande esforço do ponto de vista físico, solicitando acções muito exigentes como por exemplo deslocamentos de alta intensidade, saltos ou rápidas mudanças de direcção. Assim, uma preparação física adequada pode ajudar os nossos jogadores a melhor resistir às exigências específicas do jogo e a manter igualmente o nível das suas habilidades técnicas e tácticas ao longo de toda uma partida. Por estas razões acreditamos firmemente que um bom trabalho de preparação física, ajustado e contextualizado aos diferentes escalões de formação do nosso clube, permitirá um desenvolvimento equilibrado e sustentado das capacidades corporais dos nossos atletas, originando progressivamente uma melhoria qualitativa e quantitativa do nível de jogo das nossas equipas. Desta forma, como conteúdos gerais para a preparação física dos nossos jogadores propõem-se os seguintes temas: 1. Velocidade (onde se engloba o trabalho de coordenação) 2. Força (onde se engloba o trabalho de prevenção de lesões) 3. Resistência específica 1. Velocidade O trabalho de Velocidade no Basquetebol possui algumas vantagens ao nível do planeamento no treino, nomeadamente pela facilidade de organização dos exercícios com pouca necessidade de material específico, pelo facto dos tempos de exercitação serem curtos facilitando a organização dos restantes conteúdos do treino e também por não ser necessário grandes alterações tendo em conta os diferentes escalões etários. Por todos estes motivos a Velocidade revela-se uma capacidade física aliciante, tanto para quem a exercita como para quem a planeia, sendo possível obter resultados muito positivos para o desenvolvimento motor dos nossos jogadores. Como todos os exercícios para o desenvolvimento desta capacidade devem ser executados à Velocidade máxima, torna-se muito importante exercitá-los logo após o aquecimento e flexibilidade de modo a não haver ainda desgaste físico nos jogadores. É igualmente importante o controlo do tempo de repouso durante a exercitação tendo em conta a recuperação completa dos jogadores antes de cada repetição. 2

Por último, resta referir que esta proposta foi elaborada tendo em conta o período competitivo da época. Naturalmente que a organização e distribuição dos conteúdos a trabalhar podem sofrer alterações em períodos não competitivos (pré e pós temporada, interrupção de Natal - Páscoa). Metodologia Organização do Microciclo em Período Competitivo TODA A ÉPOCA ESCALÕES Frequência Semanal Momento de aplicação Duração Mini A 2x Após aquecimento 10 Mini B 2x Após aquecimento 10 Sub13, Inic. A/B, 2x Após aquecimento 10 Cad A/B 2x Após aquecimento 10 Nota: É muito importante realizar o trabalho de Velocidade sempre no início do treino, de um modo analítico se for antes do treino de campo, ou integrado com conteúdos de basquetebol se for já no campo. Organização dos conteúdos do trabalho de velocidade Existem três factores muito importantes que caracterizam a capacidade física Velocidade: - Tempo de reacção - Velocidade Gestual (rapidez dos apoios) - Frequência gestual (número de apoios) Para desenvolvermos estes três factores recorremos a três níveis de trabalho distintos mas complementares: 1. Treino de Velocidade simples (com treino em simultâneo do tempo de reacção). 2. Treino de aceleração. 3. Treino de técnica de corrida e trabalho de pés. 3

Idealmente em cada sessão de trabalho de velocidade criamos três situações distintas de exercitação que dêem resposta aos níveis de trabalho referidos anteriormente. 1. Treino de Velocidade simples (15/20m): Procura-se correr à máxima velocidade um percurso previamente definido. Este tipo de treino é o ideal para exercitar posições variadas de partida (sentado, deitado, de lado, de costas, etc.) e também para exercitar simultaneamente o tempo de reacção, através de estímulos variados (sonoros, visuais, tácteis). 2. Treino de aceleração (10m): Neste tipo de treino aplicamos exercícios específicos de acelerações curtas que obrigam o jogador a explorar a sua capacidade de aceleração. Utilizamos dois tipos de exercícios: - Exercícios que facilitam o impulso inicial dos primeiros apoios. - Partida em desequilíbrio. - Partida com pliometria. - Partida facilitada com ajuda de um colega. - Exercícios que dificultam o impulso inicial dos primeiros apoios. - Partida com mudança de direcção. - Partida sentados num banco. - Igual, com um obstáculo a seguir ao banco. - Partida sobre uma perna. - Partida com resistência de um colega. 3. Coordenação - treino de técnica de corrida e trabalho de pés: Uma experiência diversificada de movimentos diminui o tempo de aprendizagem e facilita o desenvolvimento de novas habilidades motoras (Weineck, 1988) O jogo de Basquetebol é um jogo muito exigente do ponto de vista técnico e físico, sendo necessário um alto grau de coordenação para conseguir praticá-lo a um alto nível. O trabalho de Coordenação é fundamental para o desenvolvimento da velocidade de um jogador, já que se este domina a técnica de corrida, consegue melhorar a Velocidade de reacção dos seus apoios e, consequentemente, melhorar a sua Velocidade em distâncias curtas. Por outro lado, o jogador que tenha apoios mais eficazes consegue mais rendimento em esforços lentos ou de meia intensidade, através de uma economia de esforço, consumindo deste modo menos energia. Adicionalmente, se o jogador dominar o trabalho de pés consegue melhorar a sua frequência gestual, contribuindo para um maior número de apoios e melhorando deste modo a sua corrida de Velocidade. 4

Paralelamente, se um jogador experimenta de uma forma constante movimentos diversificados, o seu tempo de aprendizagem de novas habilidades diminui, facilitando o desenvolvimento de novas competências motoras. - Coordenação básica: 1. Com a referência de 4 a 10 cordas paralelas:. Dois saltos a pés juntos, um salto atrás. 2. Caminhar por cima de banco sueco virado ao contrário com drible em simultâneo. 3. Com a referência de uma corda ou linha do campo longitudinal:. Pé-coxinho variado. 4. Orientação espacial:. Uma corda no chão em ziguezague colada com fita-cola, jogador com os olhos vendados a caminhar por cima da corda (1º sem e depois com drible). 5. Trabalho variado de apoios com arcos. 6. Trabalho variado de saltos com cordas. 7. - Para melhorar a potência e a capacidade de deslocamentos dos nossos apoios: 1. Preso por um elástico, jogador desloca-se da linha lateral à linha cesto-cesto:. Skippings variados (médio, nadegueiro, 2 frente/trás ). Deslizamentos defensivos com apoios bem afastados e sem saltar, sempre com um pé no chão. - Exercícios de coordenação pura com uma escada de agilidade - produzem uma melhoria do movimento de pés a nível defensivo e ofensivo (indicados também para reforço do tornozelo): Coordenação/Potência de pés: 1. Um apoio o mais rápido possível em cada espaço. 2. Igual mas dois apoios em cada espaço, ao meu sinal muda o pé que avança para o espaço seguinte. 3. Um apoio e passa para dois apoios com o meu sinal. 4. Igual, mas com drible. 5. Dois apoios em cada espaço na escada mas agora de lado (deslocamento lateral). 6. Um apoio dentro/fora ao pé-coxinho na escada de corda, à máxima velocidade. 7. Um apoio em pé-coxinho a cruzar a escada, 1º sem e depois com drible. 8. Dois dentro, dois fora, de frente e costas, com e sem drible. 9. Saltos a pés juntos, dentro/fora. 10. Saltos a pés juntos com rotação de 180º (dentro do espaço da corda) e 360º (muito difícil). 5

11. 1, 2, 3, 4 (2 dentro, 2 fora laterais). 12. Igual mas com drible, uma mão depois a outra, depois o drible à frente e atrás da escada, dependendo do meu sinal. 13. 1, 2, 1, 2. 14. Dois dentro, um fora de cada lado, de frente e costas (1,2/1,2). 15. Dois dentro, três fora de cada lado, de frente e costas (1,2/1,2,3). 16. Carioca, com um dos apoios à frente dentro do espaço da escada de corda e depois atrás, com e sem drible (bom para treinar o movimento de rotação atrás no pivot). 17. Igual mas com o pé de apoio sempre no espaço da escada de corda e os apoios do carioca à frente e atrás da escada de corda, com e sem drible. - Organização dos exercícios: - Trabalho por estações ou em circuito. - Complexidade crescente dos exercícios. - Depois de dominar o exercício, inserir sempre competição. - Na escada de corda:. Fazer bem.. Um apoio/dois apoios.. Depois com drible.. Depois com drible ao nosso sinal..depois com drible numa mão e noutra ao nosso sinal. 2. Força A força pode ser considerada a única capacidade física sobre a qual se fundamentam e expressam todas as outras (velocidade, flexibilidade, resistência, coordenação/agilidade). Deste modo, um treino adequado da força pode aumentar o nível de rendimento de um jogador, melhorando a sua velocidade de deslocamento, capacidade de salto, qualidade de passe e lançamento e capacidade de jogar com contacto físico. Por outro lado, um jogador de basquetebol sem uma adequada força muscular tem um maior risco de sofrer lesões e de recuperar mais lentamente. Se a recuperação das lesões é lenta ou se não se consegue recuperar o jogador para o seu nível inicial, pode-se criar um impacto negativo na dinâmica de uma equipa. Nos escalões etários mais baixos existe um factor muito importante a ter em conta no trabalho de força. Com toda a certeza vamos encontrar jogadores da mesma idade mas com níveis de desenvolvimento motor completamente distintos, logo o trabalho de força não pode ser igual para todos. Existe a necessidade de criar condições para individualizar o mais possível o trabalho de força dos nossos jogadores, respondendo de uma forma específica às necessidades de cada um. 6

Para cumprir este objectivo no nosso trabalho diário precisamos de explicar aos nossos jogadores o porquê de este jogador estar a realizar o exercício de uma forma e o outro jogador de outra. Ao fazê-lo, a qualidade do nosso trabalho vai melhorar porque os jogadores irão estar mais motivados e a sua evolução será consequentemente mais rápida e consistente. PREPARAÇÃO FÍSICA - FORÇA Distribuição de conteúdos por escalão de formação Conteúdos Mini A Mini B Sub13 Inic.B Inic.A Cad B CadA Jún B 1. Saltos variados 2. Cordas 3. Jogos de luta 4. Força geral 10. Ponte movediça 11. Desliz. Defensivos 12. Prevenção 13. Pliometria 14. Musculação Metodologia Organização do Microciclo em período competitivo TODA A ÉPOCA Escalões Mini A Mini B Sub13, Inic. A/B Cadetes A/B Frequência Semanal 2 x 2 x 2 x 2 x Momento de aplicação Após aquecimento Após aquecimento Duração 10 15 Após aquecimento 15 Após aquecimento 45 7

Nota: O ideal será realizar o trabalho de força sempre no início do treino após o aquecimento, mas também é possível realizá-lo no final do treino, já fora do campo, com o objectivo de rentabilizar ao máximo o espaço de treino disponível. Organização dos conteúdos do trabalho de força Saltos variados/cordas Estes conteúdos devem ser sempre trabalhados integrados no trabalho de coordenação. Jogos de luta Este conteúdo deve ser trabalhado semanalmente no escalão de Mini B. Infantis e iniciados quinzenalmente. Em cadetes e juniores deve ser adaptado ao momento específico da época e da equipa. Força geral (abdominais, flexões, lombares, quadricípede, gémeos, posteriores da coxa) Trabalhar estes conteúdos através de estações com 3-4 séries de exercitação, com a duração de 30-40 e descanso entre séries de 10. Sempre 2 x por semana. Adaptar a exigência do exercício às características do jogador. Ponte movediça Excelente exercício de força geral, com risco de lesão muito baixo e muito interessante para todos os escalões a partir de iniciados. Deslizamentos defensivos No mínimo exercitar este conteúdo sempre 1 x por semana. Prevenção de lesões - Propriocepção Este conteúdo tem como principal objectivo prevenir lesões de sobrecarga. Deve ser aplicado em dois momentos chave da época: pré-época e pausa de natal, com uma frequência de 8 treinos distribuídos por 2 semanas (4x por semana), em cada momento da época. No restante da época 1/2x por semana. Pliometria Este conteúdo deve ser aplicado com um bom trabalho de força geral e prevenção por trás. Frequência de 2/3x por semana, sempre com um dia de descanso entre treinos. Progressão de saltos: horizontais verticais - em profundidade. 8

Musculação Este conteúdo deve ser trabalhado durante toda a época, 2/3x por semana. Prevenção de lesões - Propriocepção: Actualmente, tão importante como ter um jogador bem preparado fisicamente é ter esse jogador disponível durante toda a época, sem lesões impeditivas. À medida que o jogo de Basquetebol se caracteriza por ser cada vez mais físico e praticado a uma intensidade cada vez mais elevada, torna-se importante criar rotinas de treino que possam intervir e preparar de forma eficaz os nossos jogadores para este elevado nível de exigência física. Somos da opinião que, num futuro próximo, do mesmo modo que o trabalho de aquecimento e flexibilidade se generalizou como forma de preparação para a prática desportiva, o trabalho de propriocepção também será uma prática corrente como forma de prevenir (ou diminuir) o aparecimento de lesões impeditivas da prática desportiva. De uma forma muito resumida podemos considerar a propriocepção como a capacidade que o corpo tem para detectar o movimento e posição das articulações. A propriocepção mantém a estabilidade articular em condições dinâmicas, proporcionando o controlo do movimento desejado e a estabilidade articular. Através do treino proprioceptivo o jogador aprende a retirar vantagens dos mecanismos reflexos, melhorando os estímulos facilitadores que aumentam o rendimento e diminuindo as inibições que o reduzem. Assim, reflexos como o de estiramento, que podem surgir perante uma situação inesperada (por ex. perder o equilíbrio), podem manifestar-se de forma correcta (ajudam a recuperar a postura) ou incorrecta (provocar um desequilíbrio maior). Com o treino proprioceptivo os reflexos básicos incorrectos tendem a eliminar-se para optimizar a resposta. O treino proprioceptivo deve ser planeado para desenvolver respostas neuromusculares compensatórias individualizadas para cargas potencialmente destabilizadoras que podem ocorrer durante a prática desportiva. Deve-se aplicar estas cargas de uma forma controlada. Outro factor que deve ser tido em conta é o das forças destabilizadoras encontradas na prática desportiva ocorrerem usualmente de uma forma muito rápida, fazendo com que as respostas neuromusculares sejam inadequadas para proteger as articulações do joelho ou tornozelo por ex. Os métodos de treino devem promover respostas automáticas e protectoras para cargas potencialmente destabilizadoras, de uma maneira aleatória. Dentro de uma grande variedade de exercícios seleccionamos aqueles que consideramos de melhor aplicação prática em contexto de treino, tendo em conta limitações ao nível do material e tempo disponível: 9

O Guia do Jovem Atleta - Parte V A CONDUÇÃO DO EXERCÍCIO NA SESSÃO DE TREINO O tema de hoje tem como objectivo ALERTAR os jovens Treinadores dos erros que temos constatado aquando das visitas aos Treinadores / Estagiários, servindo igualmente para recordar aos mais experientes eventuais erros que se cometem na condução de uma sessão de treino, mesmo que já se possua alguma experiência, pois a rotina por vezes é má companheira. E para ALERTAR e RECORDAR, nada melhor que transcrever alguns dos conselhos que foram transmitidos no Seminário Internacional Treino de Jovens em Outubro, passado, pelo conceituado Treinador e Professor de Psicologia, José Maria Buceta. Para dirigir eficazmente uma sessão de treino, o treinador pode utilizar um procedimento que inclua as seguintes estratégias: ANTES DE COMEÇAR DEVE: - 1 Explicar com clareza aos praticantes, como é o exercício que vão fazer e qual o seu objectivo; - 2 Sempre que seja necessário, recorrer à demonstração prática do pretendido, para que os atletas vejam o que depois vão ter de fazer; 3 Estabelecer as regras de funcionamento no exercício, incluindo, em certos casos, as penalidades perante o não cumprimento do objectivo: No INICIO DO EXERCÍCIO DEVE: - 1 Observar como os atletas actuam para comprovar se compreenderam o que lhes foi solicitado; se isso não acontecer, interromper o exercício e explicar de novo; 2 Se os atletas compreenderam o exercício, nos primeiros minutos deixar que eles executem sem os corrigir, de forma a que o treinador possa avaliar o nível em que se encontra o objectivo proposto nesse momento e qual a atenção dos praticantes; 3 Em função da avaliação do ponto anterior, é possível que o treinador se aperceba de que introduziu demasiados estímulos ao0 mesmo tempo (não esquecer de que os estímulos fazem parte do exercício) fazendo com que os atletas tenham dificuldades em concentrar-se no objectivo do exercício; nesse caso convém refazer o exercício, eliminando alguns estímulos: DURANTE O EXERCÍCIO DEVE - 1 Não interferir na concentração dos atletas com instruções ou comentários sem nexo; pelo contrário, deve utilizar estes instrumentos correctamente, para que eles sirvam para concentrar a atenção dos mesmos nos elementos chaves da execução; 2 Não agir como um locutor de rádio que está fazendo o relato aos praticantes do que têm de fazer em cada momento; pelo contrário, permitir que se produzam os processos mentais implicados na realização do exercício, ou seja, em vez de dizer aos atletas tudo o que eles têm de fazer, deixar que eles pensem; 3 Aproveitar as pausas entre os exercícios para falar com os praticantes em vez de optar se lhes dirigir enquanto estão em actividade; 4 Recorrer a comportamentos não verbais apropriados (olhar para os atletas quando estamos a falar com eles, usar o volume de voz adequado, para que nos oiçam, etc.) 10

INFORMAÇÃO E ELOGIOS: 1 - Proporcionar informação (feedback) aos atletas acerca dos comportamentos que estão a realizar, assinalando-lhes de algum modo a maneira como o estão a fazer, de forma a que saibam se estão a executar bem, o que precisam de corrigir, etc. 2 Registar dados acerca dos comportamentos de rendimento dos praticantes (seleccionando as que forem mais importantes em cada sessão de treino); 3 Elogiar os atletas de maneira generosa, tanto pelo reforço como pelos progressos conseguidos. NA PARTE FINAL deve: - Observar a eficácia do exercício, introduzindo mais estímulos (mais elementos) e ou eliminando as regras restritivas; São pois este os conselhos que este Técnico conceituado transmitiu no referido Seminário Internacional Treino de Jovens, que certamente irão ser aproveitados, disso estou certo, por todos aqueles jovens Treinadores / Estagiários e não só. Fichas de Exercícios de Minibasquete Tema: Drible + Lançameno na Passada Desenvolvimento Descrição Gráfica Organização - Competição enre 2 equipas com os jogadores dispostos conforme descrição gráfica Desenvolvimento - O primeiroogador de cada equipa, corre para apanhar uma das bolas que se encontram na linha final. - Depois sai em drible contornando o cone colocado no campo contrário e dirige-se para o cesto do lado onde se encontram as suas bolas para efectuar um lançamento na passada, colocando a bola dentro do arco. - O jogador seguinte só sai quando o seu colega tiver efectuado o lançamento. - Vence a equipa que converter o maior numero de cestos num determinado periodo de tempo ou um número de cestos indicados pelo Treinador Material Necessário Nº de Jogadores Momento do Treino Caracteristicas Tempo Recomendado Variante 2 Cones e 2 Arcos com bolas lá denro Equipas com igual número de jogadores Parte Principal Correr, driblar e lançar na passada 8 a 10 minutos Efectuar o mesmo exercicio mas efectuando lançamento parado após drible 11

Jogar 1 x 1 s/bola + 1 x 1 c/ bola Desenvolvimento Descrição Gráfica Organização - Grupos de 2 jogadores equilibrados em temos fisicos e técnicos, sendo um o atacante e o outro defensor Desenvolvimento - Ao sinal do Treinador, o atacante aravés de fintas tenta apanhar uma das bolas que se encontram em cima dos cones. - O defensor SEMPRE colocado entre o atacante e as bolas tenta o mais possivel retardar que este apanhe uma bola - 1 x 1 sem bola - Caso o atacante consiga apanhar uma das bolas deve rapidamente através de drible efectuar um lançamento na passada, tentando o defensor de lhe dificultar o lançamento - 1 x 1 com bola Material Necessário 2 Cones e 2 bolas Nº de Jogadores Momento do Treino 4-6 - 8-10 Parte Principal Caracteristicas Começar a apender a defender Tempo Recomendado 8 a 10 minutos Variante 12