Diagnóstico e Tratamento da Urticária



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Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia Elaboração Final: 30 de Julho de 2001 Autoria: Criado RFJ, Criado PR, Aun WT O Projeto Diretrizes, iniciativa conjunta da Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina, tem por objetivo conciliar informações da área médica a fim de padronizar condutas que auxiliem o raciocínio e a tomada de decisão do médico. As informações contidas neste projeto devem ser submetidas à avaliação e à crítica do médico, responsável pela conduta a ser seguida, frente à realidade e ao estado clínico de cada paciente. 1

DESCRIÇÃO DO MÉTODO DE COLETA DE EVIDÊNCIAS: Foram pesquisados 146 artigos na base de dados MEDLINE, de 1996 a 2001, utilizando o descritor Urticária - diagnóstico ou tratamento. Idioma: inglês ou espanhol. Limite: humanos. Desta seleção inicial foram então utilizados os artigos mais relevantes e disponíveis localmente. Deu-se preferência às metaanálises, artigos de revisão e consensos, devido a diversidade de etiologias atribuídas a esta doença. Foram acrescentados a esta revisão, livros sobre o tema de autores brasileiros. GRAU DE RECOMENDAÇÃO E FORÇA DE EVIDÊNCIA: A: Grandes ensaios clínicos aleatorizados e meta-análises. B: Estudos clínicos e observacionais bem desenhados. C: Relatos e séries de casos clínicos. D: Publicações baseadas em consensos e opiniões de especialistas. OBJETIVOS: 1. Estabelecer um protocolo de investigação para urticária aguda e crônica na tentativa de minimizar os custos da investigação e diminuir o percentual dos casos de Urticária Crônica Idiopática, tentando relacionar todas as possíveis causas descritas na literatura; 2. Estabelecer um tratamento adequado ao paciente, com o mínimo de efeitos colaterais e com a máxima efetividade possível. PROCEDIMENTOS 1-3,5 (D) 4 (C): 1. História clínica detalhada; 2. Exame físico criterioso; 3. Exames iniciais na dependência da história e exame físico. Caso não haja nenhuma alteração, proceder segundo procedimentos em anexo. EVOLUÇÃO E DESFECHO: - Cura; - Persistência da doença. 2

INTRODUÇÃO: Apesar da existência de vários estudos envolvendo a urticária a doença permanece como um desafio ao médico. Morfologicamente, as lesões cutâneas na urticária são eritematoedematosas, ou por vezes, de cor pálida, circunscritas, isoladas ou agrupadas, fugazes, geralmente numulares ou lenticulares, podendo variar em forma e tamanho, assumindo freqüentemente arranjos geográficos ou figurados. São conseqüentes à vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar e edema da derme, estando geralmente associadas a prurido intenso. A duração das lesões individualizadas é fugaz, em torno de 24 a 48 horas, esmaecendo sem deixar seqüelas na pele, acompanhadas ou não de edema de partes moles ou mucosas, denominado angioedema 1,2 (D). As urticárias se classificam em agudas e crônicas de acordo com o tempo de evolução, sendo que as agudas têm menos de 6 semanas de evolução enquanto que as crônicas têm mais de 6 semanas de evolução 1-3 (D). Principais recomendações: A TENDIMENTO DE U RGÊNCIA 6 (D) ( FIG. 1) Verificar os seguintes sinais indicativos de: Hipotensão arterial sistêmica; Permeabilidade das vias aéreas; Sinais de sibilância e broncoconstrição; Perfusão periférica através da cianose, palidez e pulso filiforme; Sinais de edema da glote. Se houver qualquer evidência destes sinais, há risco iminente de vida. Administrar via subcutânea, 0,3 ml de solução milesimal de adrenalina. Manter o equilíbrio cardiocirculatório com reposição endovenosa de fluidos. Administrar oxigenioterapia e broncodilatadores inalatórios. Internar o paciente em unidade de emergência; No angioedema: corticosteróides endovenosos, metilprednisolona na dose de 1 a 2 mg/kg 5 (D); 3

Figura 1 - Urticária/Angioedema-Emergência: História e Exame Físico inicial-permeabilidade vias aéreas, sibilância, pressão arterial, perfusão periférica Alterados Não alterados Epinefrina O2 terapia Fluidos EV Broncodilatadores Entubação/traqueostomia UTI Anti-Histamínico Corticosteróide EV Observar em PS SIM Angioedema NÃO Anti-histamínico Observação Melhora Sem resposta PIORA Melhora Alta com: Anti-histamínico VO Corticosteróide VO Acompanhamento ambulatorial Internação Especialista Alta com: Anti-Histamínico VO Acompanhamento Ambulatorial Se a manifestação for somente urticária: prescrever anti-histamínico. O único que se encontra disponível em serviços de urgência brasileiros é a prometazina IM 5 (D); Observar o paciente em repouso durante pelo menos seis horas; Caso haja melhora com regressão das lesões, indicar alta hospitalar com prescrição de anti-histamínicos de primeira geração, via oral, por período não inferior a sete dias, ou corticosteróides orais, quando houver sinais de angioedema no atendimento inicial 2,5 (D); Caso não haja melhora com as medidas anteriores ou evolução das lesões, manter a internação. A TENDIMENTO AMBULATORIAL: URTICÁRIA AGUDA (DURAÇÃO MENOR QUE SEIS SEMANAS) (FIG.2): Avaliação inicial: Obter história clínica detalhada de exposição às drogas e suplementos vitamínicos nas últimas duas semanas; exposição alimentar; processos infecciosos como os devidos aos 4

Figura 2 - Urticária/Aguda - ambulatório: História,Exame Físico: -Exposição às drogas. -História Alimentar. -Contatos -Infecções -Picadas insetos Se Angioedema; Solicitar C4 Presente Ausente Remover Fatores possivelmente desencadeantes anti-histamínicos Anti-histamínicos Melhora: -reduzir anti-histamínicos -Testes e ou provocaçào para agentes suspeitos Sem melhora: -Trocar a classe de antihistamínico -considerar evolução para urticária crônica vírus respiratórios e da hepatite; contato com alérgenos ou irritantes, como picadas de insetos. Proceder exame físico completo, incluindo a pele, linfonodos, articulações, orofaringe, pulmões e abdome. Suspender os alimentos e medicações suspeitas 5 (D) 4 (C); Iniciar o uso de anti-histamínico, de preferência de segunda geração, via oral, e não havendo controle dos sintomas, utilizar anti-histamínico de primeira geração, que deverá ser mantido por um período não inferior a sete dias 5 (D). Avaliação subseqüente: 5 (D) Havendo melhora dos sintomas, descontinuar o uso dos anti-histamínicos; Após a melhora do paciente, as medicações suspeitas poderão ser avaliadas por um especialista, sobre a possibilidade de provocação com drogas, com o paciente internado, caso as mesmas sejam essenciais e não havendo drogas correlatas que possam substituí-las 5 (D); Da mesma forma, os alimentos contatantes e aditivos alimentares suspeitos poderão ser avaliados com provas específicas realizadas por especialistas, do tipo testes cutâneos, RAST ou provocação 5 (D). URTICÁRIA CRÔNICA (FIGURA 3): Caracterizada por duração maior que seis semanas, com episódios de recorrência igual ou superior a quatro vezes por semana. 5

Figura 3 - Urticária Crônica Lesões 4-5X / sem, por 6 semanas História + Exame Físico completos Exames: HMG, PPF(3), C4(Angioedema presente), IgE Mulheres com hist familiar de hipotireoidismo-acanti peroxidase/antitireoglobulina Outros Exames: na dependência do exame físico Tratamento: AH (preferência: 2a geração + afastar medicamentos suspeitos /não essenciais. Excluir: Urticária Física Urticária Vasculite Após 4 semanas-avaliar melhora do paciente e exames: Exames alterados Exames inalterados Tratar após diminuir AH e observar melhora. Se melhor com redução do AH-causa melhor Sem melhora Trocar a classe AH. Dieta alimentar restrita melhor redução do AH-a cd 15 dias Se retorno da urticária com redução do AHcontinuar investigação Após 4 semanas - Avaliar melhora do paciente: Melhor com retirada de medicação suspeita Encaminhar ao especialista - Provocação melhor com redução do AH - 3 meses alta redução do AH-a cd 15 dias Retorno da urticária Sem melhora melhor Manter dieta por 15 dias Reintrodução dos alimentos,1 a cd 3 dias Retorno dos sintomas após introdução dos alimentos-urticária alimentar Associar AH clássico + não clássico. Teste cutâneo com auto-soro Se positivo: Pesquisar doença autoimune: FAN, FR, anticorpos antiperoxidase e antitireoglobulina (se não solicitados) Anticorpos anticardiolipina Sem retorno dos sintomas após introdução dos alimentos - liberar dieta - alta após 3 meses sem sintomas Testes cutâneos RAST Provocação Avaliação inicial: Obter história clínica detalhada de exposição às drogas e suplementos vitamínicos; exposição alimentar; processos infecciosos do tipo vírus respiratórios ou hepatites virais; doenças autoimunes, como doenças difusas do conectivo e 6

tireoidopatias; contato com alérgenos ou irritantes. Proceder exame físico completo da pele, linfonodos, articulações, orofaringe, pulmões e abdome. Suspender os alimentos suspeitos e as medicações suspeitas consideradas como não essenciais 1 (D). Excluir urticária vasculite: Lesões individualmente persistentes por períodos maiores que 48 a 72 horas, com sintomas de prurido, ardor ou dor, cuja diascopia (compressão da pele com lâmina de vidro) revela um componente de púrpura no local, com o esmaecimento do eritema de base. Caso esteja presente, proceder à biópsia cutânea incisional, e solicitar dosagem do complemento, VHS e hemograma 10 (D). Excluir as urticárias físicas, a saber: dermografismo, urticárias colinérgicas, por pressão, calor, aqüagênica e solar, através de testes específicos 8-9 (D), segundo a tabela 1. Tabela 1: Metodologia da pesquisa das urticárias físicas 6,7 (D) Dermografismo sintomático imediato (Urticária factitia) Aplicação de uma pressão de menos de 36 g/mm2. O teste é realizado no dorso, com um instrumento denominado dermografometro ou objeto de ponta romba. Urticária de contato ao frio adquirida Urticária ao frio reflexa Urticária de pressão tardia Urticária solar Urticária aquagênica Urticária de contato ao calor adquirida Angioedema vibratório Urticária colinérgica Aplicação de cubo de gelo envolvido em saco plástico sobre a pele por um período de 5 minutos. A resposta ocorre dentro de 10 minutos. Caso o teste do cubo do gelo for negativo, pode-se imergir o braço em água fria (5 a 10 o C) por 10 minutos. Apenas a exposição do corpo ao frio induz a urtica, sendo o teste do cubo do gelo negativo. As urticas podem ser provocadas pelo resfriamento do corpo em uma sala a 4ºC, por 30 minutos. Aplica-se uma roda perpendicularmente sobre o dorso ou a coxa do paciente, de 1,5 cm de diâmetro, com um peso de 2,5 a 4,5 Kg por 20 minutos ou 15 minutos respectivamente. Surgimento de urtica na área do teste dentro de um período de seis horas, indica teste positivo. A provocação com luz solar natural, luz monocromática ou ainda simulador solar artificial por um período de 10 minutos, quando se espera o surgimento de urticas. Aplicar água através de uma gaze embebida em água a 37 o C, por 20 minutos, ou banhar o paciente em água na temperatura corporal. Aplicar um frasco contendo água aquecida a 38 o C a 50 o C por 1 a 5 minutos. As urticas surgem dentro de minutos no local da aplicação Aplicação de um estímulo vibratório (de preferência um vibrador de vórtex laboratorial) sobre o antebraço do paciente por 15 minutos. Surgem urticas no local da aplicação dentro de 10 minutos após o teste. Submeter o paciente a exercício físico (ex. corrida) ao ponto de sudorese, ou então, imersão parcial do corpo em água aquecida a 42 o C por 10 minutos. O teste provoca rápido aparecimento de urticas. Caso o teste seja negativo deve ser repetido em um outro dia, para confirmação. 7

Solicitar exames: hemograma, urocultura, VHS e, nos casos de mulheres com história de tireoidopatia familiar ou pessoal, solicitar os auto-anticorpos contra a tireóide antiperoxidase e antitireoglobulina 11 (B) 12 (D). Conduzir a investigação diagnóstica com exames pertinentes à queixa ou sinal no exame físico encontrados na avaliação inicial, como exemplo, na dispepsia avaliar infecção pelo Helicobacter pylori 11 (B). Iniciar anti-histamínico de segunda geração por um período não inferior a trinta dias. Avaliações subseqüentes 5 (D): Após um mês da avaliação inicial: Melhora dos sintomas: retirar o antihistminíco progressivamente, diminuindo a dose a cada semana. Caso haja resolução do quadro, encerrar acompanhamento após três meses 13 (D). Caso não haja melhora, proceder os seguintes passos: Dieta restrita composta de frango, carneiro, arroz, maçã ou pêra cozida, brócolis ou couve-flor, alface, água, açúcar, sal, alho e óleo. Evitar corantes, conservantes, alimento liberador de histamina ou que contenha tiramina 13 (D); Trocar anti-histamínico de segunda geração pelo de primeira geração, na menor dose que controlar os sintomas do paciente 5 (D). Reavaliar o paciente após 4 a 6 semanas (fig. 4): Se melhorar com a dieta, e uma vez retirado o anti-histamínico, a reintrodução deverá ser realizada com um tipo de alimento a cada 3 dias. Se durante a reintrodução ocorrer a volta dos sintomas, proceder com a orientação de urticária alimentar. Se não houver retorno dos sintomas, liberar a dieta e acompanhar por 3 meses. Se o paciente permanecer assintomático, encerrar o acompanhamento; Se não houver melhora com o antihistamínico ou com a retirada do mesmo, avaliar a presença de urticária auto-imune por teste cutâneo com auto-soro. Se o teste for positivo solicitar pesquisa de auto-imunidade com anticorpos antinucleares, fator reumatóide, anticorpos antitireóide, eletroforese de proteínas e anticorpo anticardiolipina, em casos excepcionais 14 (D); Avaliar o uso de associação de anti-histamínico clássico com outro não clássico 2,14 (D). Reavaliar o paciente após 4 a 6 semanas: Se controlado os sintomas e exames inalterados, iniciar retirada do anti-histamínico como descrito anteriormente; Se exames alterados, tratar como urticária auto-imune, avaliando o uso de corticosteróide ou ciclosporina, em casos excepcionais 15 (D). Se não houver controle dos sintomas ou houver reaparecimento das lesões após a retirada do anti-histamínico: Biópsia cutânea, se não realizada, para afastar vasculite e mastocitose 5 (D); Se não houver controle dos sintomas, avaliar introdução de doxepina: dose habitual, 10 a 25 mg à noite, via oral (antidepressivo tricíclico) ou anti-h2 ou corticosteróides 2,5 (D); Urticária crônica Idiopática: manter anti-histamínicos e outras drogas na menor dose que mantenha o controle dos sintomas do paciente 3,5 (D). Os acompanhamentos periódicos devem rever a história e realizar exame físico completo. 8

Reavaliação Após 4-6 semanas Tratar após diminuir AH e observar melhora. Associar corticosteróide/ Imunossupressor Urticária Auto-imune Exames alterados Sem melhora Biópsia cutânea Trocar o AH clássico ou avaliar a introdução de anti H2 ou doxepina melhor redução do AH Sem sintomas Considerar:Urticária crônica idiopática REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Criado RFJ, Criado PR, Sittart JA, et al. Urticária e doenças sistêmicas. Rev Ass Med Bras 1999; 45:349-56. 2. Aun WT. Urticária crônica. In: Sittart JAS, Pires MC, editores. Dermatologia para o clínico. 2ª ed. São Paulo: Lemos Editorial; 1998. p. 169-74. 3. Franca A T. Urticária e angioedema. Rio de Janeiro: Revinter; 2000. 4. Humphreys F, Hunter JAA. The caracteristics of urticaria in 390 patients. Br J Dermatol 1998;138:635-8. 5. The diagnosis and management of urticaria: a practice parameter part I: acute urticaria/angioedema part II: chronic urticaria/angioedema. Joint Task Force on Practice Parameters. Ann Allergy Asthma Immunol 2000; 85:521-44. 6. Nicklas RA, et al. Joint Task Force on Pratice Parameters. Algorithm for the treatment of acute anaphylaxis. J Allergy Clin Immunol 1997;101: s465-s528. 7. Sveum RJ. Urticaria. The diagnostic challenge of hives. Postgrad Med 1996; 100: 77-8, 81-4. 8. Black AK, Lawlor F, Greaves MW. Consensus meeting on the definition of physical urticarias and urticarial vasculitis. Clin Exp Dermatol 1996; 21:424-6. 9. Croce J, Semeguini-Siqueira I, Castro FM. Classificação e características gerais. In: Urticária angioedema abordagem interativa para diagnóstico e tratamento. Vivali; 1999. p. 19-65. 9

10. Wisnieski JJ. Urticarial vasculitis. Curr Opin Rheumatol 2000; 12: 24-31. 11. Kozel MMA, Mekkes JR, Bossuyt PMM, et al. The effectiveness of a history based diagnostic approach in chronic urticaria and angioedema. Arch Dermatol 1998; 134: 1575-80. 12. Heymmam WR. Chronic urticaria and angioedema associated with thyroid autoimmunity. Review and therapeutic implications. J Am Acad Dermatol 1999; 40: 229-32 13. Leznoff A. Chronic urticaria. Can Fam Physician 1998; 44:2170-6. 14. Tharp MD. Chronic urticaria: pathophysiology and treatment approachs. J Allergy Clin Immunol 1996; 98: S325-30. 15. Bindslev-Lensen C, Finzi A, Greaves M, et al. Chronic urticaria: diagnostic recommendations. J Eur Acad Dermatol Venereol 2000;14:175-80. 10