A C Ó R D Ã O Nº 43.099 (Processo nº 2005/53339-0) Assunto: Prestação de Contas relativa ao Convênio nº 027/2005, firmado entre a FEDERAÇÃO PARAENSE DE VOLEIBOL e a SEEL. Responsável: Sr. CARLOS GETÚLIO GAMA Presidente Relator : Conselheiro EDILSON OLIVEIRA E SILVA EMENTA: Prestação de contas. Contas irregulares. Condenação do responsável. Devolução do valor conveniado. Dano causado ao erário. Aplicação de multa. Relatório do Exmº Sr. Conselheiro EDILSON OLIVEIRA E SILVA: 2005/53339-0 Processo nº. Este processo trata da Prestação de Contas da Federação Paraense de Voleibol, referente ao exercício financeiro de 2002, tendo por objeto específico as contas relativas ao Convênio n. 027/05, celebrado com a Secretaria Executiva de Esporte e Lazer - SEEL. E tem por responsável, o Sr. Carlos Getúlio Gama, seu diretor presidente. A Seção Técnica, em relatório de fl. 32, informa que o convênio foi firmado em 05/07/05, no valor de R$ 17.400,00 (dezessete mil e quatrocentos reais), para apoiar a realização dos jogos do grupo II, válidos pela Liga Nacional de Voleibol adulto masculino e feminino. Nele, conclui pela irregularidade da prestação de contas, e por sugerir que o responsável seja condenado a devolver ao erário estadual a importância de R$ 15.600,00 (quinze mil e seiscentos reais), corrigida a partir de 08/07/05, com os devidos acréscimos legais, além de multa regimental por estar a despesa em desacordo com o objeto do convênio. Citado para apresentar defesa, após lhe haver sido concedida prorrogação por este Plenário através da Resolução n. 17.391, de 02 de agosto de 2007, o responsável, em 31 do mesmo mês, apresentou defesa escrita que, juntada nas fls. 55 a 82, foi em seguida examinada pela Seção Técnica que, nas fl. 84/85, retificou sua conclusão anterior para, então, opinar pela regularidade das contas. O Ministério Público junto ao Tribunal, em Parecer de fl. 87, por sua 1
Procuradora Maria Helena Loureiro, acompanhou a posição da Seção Técnica, opinando pela regularidade das contas. É o relatório. Voto: Observo que em seu primeiro relatório, a Seção Técnica afirma que apenas foram comprovadas despesas no valor de R$ 1.800,00 (hum mil e oitocentos reais), deixando, portanto, de ser comprovada a aplicação de recursos na importância de R$ 15.600,00 (quinze mil e seiscentos reais). Mas devo enfatizar que além disto, a respeito da despesa comprovada, a 6a CCE afirma, na fl. 32, que" a despesa não foi realizada de acordo com o objeto conveniado". Logo, resulta claro que se tratou de despesas que, embora comprovadas, estavam afetadas pelo vício da ilegalidade, pois em desacordo com o objeto do convênio. Mas a Seção técnica, ao concluir pela irregularidade das contas, sugeriu apenas a devolução do valor referente às despesas não comprovadas, e pela aplicação de multas regimentais dispostas no art. 232 do Regimento Interno deste Tribunal cominada, in casu, em razão do dano decorrente da não comprovação da aplicação do recurso recebido. Nesta oportunidade, destaco importante e sui generis peculiaridade presente neste processo, a qual não pode deixar de ser considerada e referida nesta oportunidade; quer por revelar indícios da pouca importância com que o responsável encara a jurisdição deste Tribunal, quer porque devemos pugnar pela eficaz e satisfatória fiscalização da aplicação de recursos públicos, e correta observância dos comportamentos legais exigíveis. Refiro-me à justificativa apresentada pelo Sr. Carlos Getúlio Gama como fundamento de seu requerimento de prorrogação do prazo para defesa, protocolado em 10.07.2007, n este Tribunal. Neste requerimento, que está juntado na fl.49, ele, o responsável, revela de modo expresso e claro a sua falta de zelo para com a aplicação correta dos recursos públicos recebidos, e de igual modo, explícito e expresso, confessa a prática de atos ou omissões ilegais e danosas ao patrimônio público, pois revela que as despesas glosadas pela Seção Técnica não tinham mesmo qualquer comprovação, e, disto não deixa dúvidas, ao afirmar em seu pedido, in verbis: " O motivo que me leva a solicitar de V. Sª., novo prazo, prende-se ao fato de que os Árbitros que devem assinar os recibos solicitados nos autos do Processo, serem todos eles Professores de 2
Educação Física, vinculado a Secretaria de Estado de Educação e estarem de férias escolares neste mês de julho, assim sendo, torna-se no momento impossível localizá-los ". Ora, não precisa mais nada para rejeição destas contas. Torna-se evidente que os recursos recebidos foram utilizados ao livre arbítrio do responsável, em despesas despidas de qualquer comprovação, desrespeitando a obrigatoriedade legal de movimentação do recurso por via bancária, inobstante os termos do convênio firmado. E tais despesas, que teriam ocorrido em julho de 2005, não tiveram comprovada a sua efetiva realização, regularidade e legalidade, o que não foi negado, e nem superado pelo responsável. Ora, pela simples leitura de seu requerimento fica comprovada esta não comprovação, além do que o próprio responsável confessa que não possuía recibos, mas que, agora, iria fazê-los, buscar assinaturas, etc.. E pediu prazo para isto! De fato, ao apresentar sua defesa, ele apresentou recibos que foram juntados nas fls. 58 a 82 - todos eles, portanto, feitos dois anos após a alegada realização das despesas - dedução lógica e incontestável, pois, como ele próprio confessou, não poderia encontrar os beneficiários em julho de 2007; por isto precisava da prorrogação para, em agosto de 2007, providenciar que os recibos fossem assinados. Ora, isto em 2007 para comprovação de alegados pagamentos efetuados em julho de 2005. Ora, entendo que aceitar como válidos tais recibos seria consagrar este Tribunal como mero arquivador de papéis; tolerante demais para com quem não zela pelo erário público e que se sente à vontade, para, pego com despesas não comprovadas, pedir prazo para fazer recibos com datas retroativas e ir atrás das respectivas assinaturas, certo de que, para esta Corte dar-se por satisfeita, bastará isto. Ora, não há qualquer respaldo legal para aceitar este tipo de comportamento, censurável sob todos os aspectos, pelo que me recuso a acolher os recibos pós confeccionados, como prova de pagamento de despesas sustentadas com recursos públicos. A leitura do instrumento do convênio assinado pelo responsável conduz-me à prova de que o responsável, na qualidade de convenente, tinha a obrigação legal de movimentar o recurso recebido por meio de conta bancária, e também, a obrigação de prestar contas dos rendimentos de aplicação financeira, caso houvesse. Além disto, como o objeto do convênio era atender à realização dos Jogos do Grupo II, válidos pela Liga Nacional de Voleibol Adulto Masculino e Feminino, em Belém durante o mês de julho de 2005, é lógico que deveria haver 3
súmula dos jogos, escalas dos árbitros e demais envolvidos na respectiva realização, para que, comprovadas as tarefas e missões desempenhados por cada qual, pudessem ser identificados os legalmente habilitados a receber pagamento com os recursos públicos do Estado, concedidos via SEEL. Nada disso existe nestes autos, o que descumpre legislação pátria aplicável. Ora, aceitar como comprovação das despesas que teriam sido realizadas em 2005, os recibos trazidos pelo responsável, que, confessadamente foram feitos e assinados em agosto de 2007, com data retroativa, e ainda mais, desacompanhados de qualquer prova do beneficiário ter executado as tarefas a que se refere cada recibo, será permitir a quem, tendo sido pego na aplicação irregular de recursos públicos recebidos por realizar despesas sem comprovação, possa fazer recibos livremente, e apresentá-los a este Tribunal, na certeza de que as despesas irregulares, agora serão tidas por comprovadas, apesar da debilidade da prova produzida. Ante o exposto, pelo que se contém dos autos, e pela expressa afirmação do responsável de inexistência de recibos de despesas de alegada execução a dois anos passados, e de que iria, como o foi, a cata de recibos que apresentaria, como apresentou, com data retroativas, e, ainda, por não ter o responsável contestado as despesas apontadas como irregulares, originariamente pela Seção Técnica, em desacordo com o objeto do convênio, julgo estas contas IRREGULARES, nos termos do art. 166, III, alíneas "a" e "b", do Regimento Interno deste Tribunal, e condeno o responsável, Sr. CARLOS GETÚLIO GAMA, a ressarcir o erário estadual pelo injustificado dano que produziu, devendo o mesmo devolver aos cofres do Estado, a importância de R$ 17.400,00 (dezessete mil e quatrocentos reais), devidamente corrigida e acrescida de juros de mora computados desde o seu recebimento até a data de seu efetivo recolhimento, e ainda, nos termos do disposto no art. 232, do mesmo Regimento Interno, fica o responsável condenado ao pagamento da multa de R$ 1.740,00 (hum mil, setecentos e quarenta reais), equivalente a dez por cento do dano causado ao erário público estadual, multa esta que deverá ser recolhida no prazo de trinta dias, conforme disposto no Parágrafo 1, do art. 235 do já citado regimento. Transitada em julgado esta decisão, os autos deverão ser remetidos ao Ministério Público junto ao Tribunal, para que sejam adotadas as providências legais para a apuração da responsabilidade civil e criminal, se for o caso, do responsável. Certo que a decisão condenatória relativamente ao ressarcimento do prejuízo causado, possui eficácia de título executivo extra judicial, nos termos do art. 71, 3 da Constituição Federal, deverá, no caso de não ocorrer o 4
ressarcimento espontâneo e o recolhimento da multa, ser promovida a necessária execução judicial. ACORDAM os Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Pará, unanimemente, nos termos do voto do Exmº Sr. Conselheiro, com fundamento no art. 38, inciso III, alínea a,b,c c/c os arts. 41 e 73, da Lei Complementar n 12, de 9 de fevereiro de 1993, julgar irregulares as contas e condenar o Sr. CARLOS GETÚLIO GAMA Presidente, C.P.F. nº 008.056.882-34, ao pagamento da importância de R$ 17.400,00 (dezessete mil e quatrocentos reais), atualizada a partir 08/07/2005 e aplicar a multa de R$ 1.740,00 (um mil setecentos e quarenta reais), pelo dano causado ao erário estadual, a ser recolhida no prazo de 30 (trinta) dias contados da publicação desta decisão no Diário Oficial do Estado. Este Acórdão constitui-se título executivo, passível de cobrança judicial da dívida líquida decorrente do débito e da multa, se não recolhidas no prazo legal, conforme estabelece o art. 116 3 da Constituição Estadual e arts. 45, inciso III, b e 46, c/c o art. 50 da Lei Complementar n. 12/93. Plenário Conselheiro Emílio Martins, em 03 de abril de 2008. FERNANDO COUTINHO JORGE Presidente EDILSON OLIVEIRA E SILVA Relator LAURO DE BELÉM SABBÁ NELSON LUIZ TEIXEIRA CHAVES MARIA DE LOURDES LIMA DE OLIVEIRA CIPRIANO SABINO DE OLIVEIRA JÚNIOR ANTÔNIO ERLINDO BRAGA Presente à sessão: A Procuradora Geral do Ministério Público de Contas Dra. Maria Helena Loureiro DSB/Mat0100631 5