Controlo e Gestão de Stocks

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Transcrição:

Publicação Nº 13-19 Maio 2010 Controlo e Gestão de Stocks PONTOS DE INTERESSE: Gestão de Stocks Sistemas de Inventário Controlo das saídas Uma gestão eficaz dos stocks é importante para qualquer empresa, uma vez que stock insuficiente pode provocar a paralisação da produção e das vendas. O controlo de stocks envolve um planeamento cuidadoso de forma a assegurar que o negócio tem stock suficiente na qualidade desejada e no tempo certo. Quando se fala em stocks, podemos estar a referir-nos a: Matérias-primas e componentes, Produtos em curso ou semi-acabados, Produtos acabados. FORNECEDOR FABRICO CLIENTE Stock Matérias Stock em Curso Primas Stock Produto Acabado

P ara que se possa satisfazer atempadamente os pedidos dos clientes, os produtos devem estar disponíveis a partir do stock, embora algumas empresas optem e tenham capacidade para entregas Just In Time. Se uma empresa não tem o stock necessário para satisfazer os pedidos, isto pode conduzir a uma quebra nas vendas e a uma reputação comprometida da própria empresa. Esta situação é por vezes chamada de stock-out. Contudo, há custos de manutenção de stocks, daí não haver muito interesse em manter demasiado stock em armazém. Estes custos incluem: O Custo de oportunidade do capital que foi aqui retido quando poderia ser aplicado para outro fim; Os Custos de armazenagem Renda, iluminação, aquecimento/refrigeração e custos de segurança do armazém; Juros bancários, caso o stock seja financiado por empréstimo bancário; Risco de danos no material por incêndio, inundação, roubo, etc., ou o Custo do Seguro contra esses danos; Obsolescência dos produtos devido a variações nos gostos dos clientes em favor de novos produtos; Deterioração dos produtos em stock, principalmente produtos rapidamente perecíveis como os alimentares. O Controlo de stocks pretende minimizar estes custos de manutenção ao mesmo tempo que tenta assegurar que existem materiais suficientes para a continuação da produção e responder à procura. Em busca do equilíbrio, o departamento do controlo de stocks deve trabalhar em conjunto com o departamento de compras e de marketing. O departamento de marketing deverá ser capaz de fornecer previsões de vendas para as semanas ou meses seguintes, para que os gestores que fazem o controlo de stocks possam avaliar o tipo, a quantidade e os tempos necessários dos stocks.

É da responsabilidade do departamento de compras encomendar os inputs na quantidade e qualidade certas, a um preço competitivo e a um fornecedor confiável que respeite os tempos de entrega. Gestão de Stocks A Gestão de Stocks implica a utilização de conceitos simples como: Análise ABC Rotação de Stocks vs ruptura de stocks Stock de segurança Análise ABC Metodologia que classifica os itens por ordem decrescente de valores (em custo ou quantidade) originando geralmente a criação de três classes: A, B e C. Produtos A: produtos que geram uma grande percentagem de receitas/custos mas que representam uma pequena fracção de itens. Produtos C: produtos que contribuem com uma pequena percentagem para as receitas/custos mas que representam um número elevado de itens. Produtos B: produtos não classificados em A ou C. Através da análise ABC, o gestor sabe que: Aos produtos A deve ser dirigida a maior atenção, com registos exactos, controlo contínuo, etc., O sistema de controlo dos produtos C deve ser simples e eficaz, Os produtos B devem ser objecto de um controlo não tão cuidado como os produtos A mas não tão simples como os produtos C.

Rotação de stocks vs ruptura de stocks A Rotação de stocks é o quociente entre o volume total de saídas anuais (como as vendas) e o valor médio das existências em posse. A rotação é maior através do aumento das saídas anuais ou da redução do stock médio. No entanto uma diminuição muito forte no stock médio pode aumentar o índice de ruptura e diminuir o nível de serviço. Este índice de ruptura de stocks trata-se do quociente entre as requisições em falta e as efectuadas num determinado período de tempo. É em função deste índice que é definido o stock de segurança. A sua melhoria implica stocks de segurança mais elevados e redução de rotação de stocks. Rotação de Stocks (Vendas) / (Stock médio) Índice de Ruptura de Stocks (Requisições em falta) / (Requisições efectuadas) Stock de Segurança Visto ser difícil que um negócio exija sempre as mesmas quantidades de stocks, a maioria das empresas opta por um stock de segurança, que funciona como buffer, isto é, uma quantidade fixa de stock que deve ser mantida para prevenir aumentos imprevistos da procura ou constrangimentos no fornecimento de materiais. A sua determinação é feita com base no padrão da procura e no nível do serviço desejado, sendo o objectivo minimizar o risco de ruptura. Contudo, requer-se um bom controlo de stocks de modo a evitar stocks excessivos devido a uma quantidade muito elevada de stock de segurança ou a níveis de procura sobrestimados para os produtos, pois isto se traduz num aumento de custos de manutenção de stocks. Sistemas de Inventário Na contabilização dos seus stocks, as empresas recorrem a um destes sistemas de inventário: Inventário Permanente: Este sistema permite um controlo contínuo dos stocks pois é registado o custo das mercadorias vendidas a cada operação de venda. Isto significa que a conta de Mercadorias reflecte, a qualquer momento, o valor das mercadorias que se encontram em stock. Inventário Periódico ou Intermitente: Neste sistema o apuramento dos stocks em armazém é feito apenas no final do exercício, o que significa que não é feito o controlo das movimentações de entrada e de saída dos produtos.

Controlo das saídas de Stock ou LIFO. Em relação às saídas de itens de stock, estas podem ser feitas segundo dois métodos FIFO LIFO De acordo com este sistema Last In First Out, os últimos artigos a entrar em stock são os primeiros a sair. Os produtos alvo deste método são aqueles que não têm um prazo de validade ou este é demasiado longo. FIFO De acordo com este sistema First In First Out, os primeiros artigos a entrar em stock são também os primeiros a sair. Este método geralmente aplica-se a produtos rapidamente perecíveis, como os produtos alimentares. Em lojas que vendam produtos directamente ao cliente final, os mais antigos são os colocados mais à frente de modo a serem os primeiros seleccionados por este. SuperIndustria é o mais moderno portal da indústria. Aqui, qualquer organização pode deter e gerir o seu próprio espaço de comunicação, o seu catálogo de produtos e serviços, as suas oportunidades de emprego, os seus eventos, etc. Pode sempre contactar-nos via www.superindustria.com. Indústria & Distribuição é um espaço de www.superindustria.com dedicado à apresentação de informação sobre esta temática. JIT, KANBAN, SIXSIGMA, MRP, MRPII, Lean Production, Warehouse Management,, são apenas siglas ou mudanças radicais na forma de gestão? Neste caderno, procuramos divulgar os principais conceitos da indústria e distribuição, assim como a sua intercepção com os Sistemas de Informação.