Fundamentos de Gestão Aula 4 Professora Cláudia de Stefani CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 1
Conversa inicial Olá, aluno! Preparado para mais uma aula da disciplina Fundamentos de Gestão? O nosso foco hoje será as mudanças e adaptações que as organizações enfrentam. Entender os ambientes de constante mutação e também a interação e importância dos stakeholders na superação das adversidades. Como você percebeu, temos muito trabalho! Então, vamos começar!!! Bons estudos! Veja com a professora Cláudia mais detalhes sobre a aula de hoje acessando o vídeo no material on-line! CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 2
Contextualizando Nós fazemos parte de vários grupos, seja na relação com a família, amigos, colegas de trabalho, igreja, entre outros. Esses grupos, por sua vez, fazem parte de um todo maior que é a sociedade, e são afetados por fenômenos sejam provocados por agentes próximos a nós ou que fogem do nosso controle, como aumento de impostos, situações climáticas, leis em geral, etc. Agora, vamos fazer uma suposição: imagine você isolado, sem contato com outras pessoas ou grupos, produzindo seu alimento, sua vestimenta, cortando seu próprio cabelo e fazendo tudo sozinho. Seria possível? Como você imagina nessa situação? No mundo de hoje, com tudo acontecendo tão rapidamente, seria impossível evoluir sozinho. Assim aconteceu com os modos de produção e com as organizações. Ao longo dos anos, por uma necessidade natural para acompanhar a globalização e criar vantagem competitiva, as organizações entenderam que fazem parte de um todo. Além disso, as teorias da administração mostram que há uma interdependência entre as partes da organização entre si e da organização com o meio. Os modos de produção tayloristas e fordistas basearam a teoria dos sistemas, que, por sua vez, encontrou na Teoria da Contingência uma maior abrangência e importância. CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 3
Pesquise Tema 01: Conceito e tipologias de Sistema O foco dos sistemas administrativos busca desenvolver técnicas, procedimentos e ferramentas para aplicar nas empresas complexas. Trata de um enfoque que não permite a análise separada das partes do todo, mas dentro de uma visão sistêmica e holística, levando em consideração a inter-relação das partes entre si e com o todo. Para tanto, consideramos importante apresentar a definição de sistema. Nesse sentido, Oliveira (2009) afirma que um sistema é composto de partes interdependentes que interagem entre si e formam um todo unitário com determinado objetivo. Sendo assim, Oliveira (2009) nos diz que um sistema é constituído dos seguintes componentes: 1. Objetivos: referem-se aos fins últimos para os quais um sistema existe como meio para alcançar fins coletivos, em outras palavras, referem-se, portanto, à finalidade pela qual o sistema foi criado. 2. As entradas do sistema: são os insumos de diversas ordens (materiais, informações, energia etc.) que servem aos requisitos de uso e/ou consumo das sucessivas etapas do processo, até serem convertidas em um resultado final esperado. 3. O processo de transformação do sistema: definido como a função ou um conjunto de funções capaz de realizar a transformação sucessiva das entradas (insumos) em produto final. 4. As saídas do sistema: correspondem aos resultados do processo de transformação, estas podem ser definidas como as finalidades para as quais se uniram objetivos, atributos e relações do sistema. 5. Os controles e avaliações do sistema: principalmente para verificar se as saídas estão coerentes com os objetivos estabelecidos. Para realizar este controle, faz-se necessário a medida de desempenho do sistema, chamada padrão de desempenho. CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 4
6. A retroalimentação ou realimentação: ou feedback do sistema, pode ser considerado como a reintrodução de uma saída sob forma de informação. Essa realimentação é um instrumento de controle, em que as informações realimentadas são resultadas das divergências verificadas entre as respostas de um sistema e os padrões previamente estabelecidos. Dessa forma, o objetivo do controle é reduzir as discrepâncias ao mínimo, bem como propiciar uma situação em que esse sistema se torna autorregulador. Então, podemos ilustrar os componentes de um sistema da seguinte forma, conforme a figura: FONTE: Baseado em OLIVEIRA, 2009. Importante lembrar que dentro de um sistema maior (a organização), existem diversos subsistemas (departamentos, processos, etc) e que estes devem interagir entre si para caracterizar um sistema competente. Assim, a função básica de um sistema é de transformar seus insumos - entradas (materiais, energia, trabalho, informações, etc) - em produtos - saídas (bens, serviços, informações) - de natureza diferente de seus insumos. Repare que os insumos são retirados do ambiente e o produto final da transformação é, então, devolvido ao ambiente, na condição de insumos para outros sistemas. Alguns autores afirmam haver três tipos de sistemas: fechados, isolados e abertos. Outros dizem que sistemas fechados e isolados são de mesma natureza. Vamos ver a seguir os principais pontos de vista sobre a tipologia dos sistemas. CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 5
Lembrando que um conjunto de elementos apenas pode ser considerado um sistema se houver interação entre as partes, quando falamos em sistema fechado, temos a ideia da ausência de comunicação e de interação com o ambiente no qual a organização está inserida. Vasconcelos (2009) afirma que um mesmo elemento pode ter relações diferentes dependendo da interação com outros elementos. Por exemplo, o comportamento de um homem no ambiente familiar é diferente do comportamento dessa mesma pessoa no seu ambiente profissional. Ou seja, em cada relação, a interação é diferente e, por isso mesmo, requer ou exige comportamentos diferentes. Santaella e Vieira (2008) diferenciam sistema fechado do isolado e afirmam que os sistemas fechados trocam energia e informação, mas não trocam matéria com o ambiente, já no sistema isolado há ausência de contato com o ambiente, tendendo à morte. Se entre os referidos há convergência sobre a natureza dos sistemas abertos por trocarem matéria, energia e informação com o ambiente, o mesmo não pode ser dito em relação aos sistemas abertos e isolados, isto, porque, para uns o sistema fechado se caracteriza pela ausência de comunicação com o ambiente, enquanto para outros, tal natureza é própria dos sistemas isolados. Vasconcelos (2009) também classifica os sistemas em abertos, fechados e isolados e argumenta sobre a diferença entre os dois últimos, afirmando que o sistema isolado seria fechado tanto ao input de energia quanto ao input de matéria, como seria o caso do universo como um todo. O sistema fechado seria fechado aos inputs de matéria, mas seria aberto a inputs de energia, como no caso da biosfera ou de um ovo. E os sistemas abertos seriam abertos tanto a um quanto a outro tipo de input, como nos casos de uma chama ou de um organismo vivo (VASCONCELLOS, 2009, p. 208). CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 6
Discordando de Vasconcelos, Santaella e Vieira, Morin (2008) afirma que não há fonte energética nem material exterior no sistema fechado. Em seus estudos, esse autor aborda também o sistema aberto em que há troca de energia e material com o ambiente e não reconhece o sistema isolado como um tipo de sistema. Outro autor que corrobora com Morin em sua visão sistêmica é Capra (2006) ao afirmar que um sistema relativamente isolado exige energia para funcionar, mas que não precisa necessariamente interagir com seu meio ambiente para manterse em funcionamento (CAPRA, 2006, p. 264) e os sistemas abertos têm de manter uma contínua troca de energia e matéria com seu meio ambiente, a fim de permanecerem vivos (CAPRA, 2006, p. 264). Quando falamos em sistemas, uma referência importante é Ludwig Von Bertalanffy. Para ele, um sistema é fechado quando não há nenhuma entrada ou saída de material dele e tudo o que acontece nesses sistemas é restringido aos seus próprios componentes e é aberto se houver importação e exportação de matéria (BERTALANFFY, 2008). Ou seja, há similaridade nos conceitos de sistema fechado e isolado. Mariotti (2007) concorda com Bertalanffy e completa dizendo que, para manterem sua autonomia, no sistema aberto deve existir dependência entre este e o ambiente. Após a exposição das várias ideias dos autores e, para facilitar a compreensão do tema, podemos resumi-las assim: CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 7
Visões sobre os sistemas abertos, fechados e isolados FONTE: CAMPOS, 2011, p.6. Baseados nestes conceitos, observamos ao longo da história que, de acordo com a administração clássica, em especial no Taylorismo, as organizações eram vistas como sistemas relativamente fechados, pois a eficácia e o sucesso dependiam da eficiência das relações internas, já que as políticas administrativas eram criadas para realizar um conjunto estável de tarefas e metas organizacionais (OLIVEIRA, 2009). Pouca atenção dava-se à adaptação da organização às mudanças no ambiente externo. No entanto, a teoria organizacional contemporânea toma uma perspectiva muito mais ampla das organizações e sua administração. Ou seja, as organizações são vistas como sistemas abertos, que precisam se adaptar a condições externas mutantes para desempenharem, terem sucesso e até sobreviverem ao longo do tempo de forma eficaz. Assim, a partir do entendimento de que as organizações são concebidas como parte de um universo ou ambiente maior, podemos argumentar que qualquer coisa que aconteça no ambiente maior poderá afetar a organização. CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 8
Portanto é importante que a empresa tenha estratégias tanto para as questões internas quanto para adversidades e oportunidades vindas de seu ambiente. Agora é com a professora Cláudia! Confira o que ela diz sobre essa parte da aula lá no material on-line! Dica de Leitura Os livros a seguir poderão ajudar na compreensão do que estamos estudando: SOBRAL, Felipe. Teorias da Administração. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012 CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. Barueri: Manole, 2014. Acesse na biblioteca virtual, pelo portal ÚNICO e faça a pesquisa dos livros. Saiba mais Os vídeos a seguir ilustram muito bem os componentes dos sistemas abertos e fechados. Organização como um sistema aberto: https://www.youtube.com/watch?v=orywyxmhado Modelo dos Sistemas Fechados e Abertos: https://www.youtube.com/watch?v=zlo9q4ksfpi CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 9
Tema 02: Teoria Geral dos Sistemas Como já comentado no tema anterior, o biólogo alemão Bertalanffy foi um dos precursores da abordagem sistêmica. Ele elaborou uma teoria interdisciplinar que afeta problemas exclusivos de cada ciência, com o intuito de criar uma unificação científica. Oliveira (2009) afirma que o pensamento sistêmico é importante, pois as organizações estão envolvidas sob a ótica de alguns aspectos como as transformações físicas necessárias à fabricação dos produtos e prestação dos serviços; A comunicação entre os agentes e colaboradores para desenvolver, produzir e entregar o produto ou serviço atendendo as expectativas e necessidades do cliente O envolvimento das pessoas para que elas se empenhem no processo cooperativo E o desenvolvimento de competências, habilidades e conhecimentos, para que as pessoas tenham condições de realizar o trabalho da maneira esperada Assim, é preciso entender de que forma as diferentes partes do sistema interagem. Essa interação dos elementos do sistema é chamada de sinergia e é ela que possibilita um sistema funcionar de maneira correta. Por outro lado, a entropia, é a desordem ou ausência de sinergia. Ou seja, um sistema não funciona adequadamente quando ocorre entropia interna (OLIVEIRA, 2009). Relembrando os componentes de um sistema abordado no tema 1, um sistema é alimentado pelas entradas (insumos), estes são transformados (processos) e resultam no produto final (saídas). Em todas as fases do processo deve haver avaliação das variáveis e o sistema realimentado, e as falhas corrigidas. CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 10
Não importa a área, Oliveira (2009) nos informa que existem algumas leis que se aplicam a qualquer sistema, a saber: 1. Subsistemas Todo sistema se contrai, ou seja, é composto de subsistemas: cada elemento de um sistema forma sistemas menores, chamados de subsistemas que, isoladamente, podem não ter a função que exercem interagindo com outros elementos; 2. Parte de algo maior Todo sistema se expande, ou seja, é parte de um sistema maior: partindo da lei anterior, da mesma forma, um sistema sempre vai estar inserido em outro; 3. O Coordenar Quanto maior a fragmentação do sistema (ou seja, o número de subsistemas), maior será a necessidade para coordenar as partes: para entender esta lei, pensemos em uma organização, quanto mais processos, quanto maior o tamanho, serão necessárias mais pessoas para fazer a gestão; 4. 7 ± 2 o número mágico A psicologia conclui que um ser humano dotado de suas capacidades mentais possui capacidade determinada de processamento de informações. Podemos gerenciar de 5 a 9 subsistemas (por isso, 7-2 e 7+2). Ou seja, estudiosos afirmam que uma pessoa é mais eficiente quando gerencia de 5 a 9 pessoas e que o sistema deve estar dividido de 5 a 9 partes para melhor compreensão do todo; 5. Homeostase Sistemas sempre procuram o equilíbrio. Essa lei diz respeito às falhas do sistema, pois quando uma parte não funciona bem, outras terão que trabalhar mais para manter o equilíbrio; 6. Sinergia Como já explicado, a sinergia diz respeito à interação entre as partes do sistema. Elas interagem para produzir algo maior que isoladamente não conseguiriam atingir. CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 11
A Teoria Geral de Sistemas baseia-se no conceito do homem funcional, que tem um papel dentro das organizações e se relaciona com os demais indivíduos, como um sistema aberto (OLIVEIRA, 2009). Dessa forma, podemos evidenciar como principal vantagem da abordagem sistêmica as relações da organização com o seu meio ambiente. Mesmo assim, alguns autores criticam este ponto de vista na medida em que não são elencadas aplicações práticas para o funcionamento das empresas, pois não há uma única fórmula que sirva para todas. Entre as principais críticas, podemos citar as próprias características básicas da análise sistêmica, o confronto entre sistema aberto e sistema fechado e o efeito sinergético das organizações. Boulding (1956) deixa claro que primeiramente a abordagem sistêmica é uma forma de pensar e, consequentemente, tem suas implicações. Assim, relacionam-se mutuamente a filosofia de sistemas (a forma de pensar), a análise de sistemas (o método ou técnica de análise) e a gerência de sistemas (o estilo de ação). Como já comentado, esta abordagem tende a isolar os sistemas, subsistemas ou elementos para melhor entendê-los. No entanto, o analista de sistemas deve ter ciência de que as interações podem ser tão ou mais importantes que esses elementos em si. Ou seja, sob essa ótica, um sistema não é apenas a soma de suas partes. CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 12
Agora confira os comentários da professora Cláudia sobre a Teoria Geral dos Sistemas. Lá no material on-line! Saiba mais Uma importante leitura, que vai ajudar muito, é a do artigo: A Teoria das Organizações e a Evolução do Pensamento Científico. Acesse aqui e complemente os seus estudos: http://www.anpad.org.br/admin/pdf/eor-a631.pdf CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 13
Tema 03: Dinâmica Ambiental Como já comentado, as organizações são sistemas abertos que interagem mutuamente com o ambiente. Assim, o que prevalece é um modelo contingencial (que estudaremos nos temas a seguir) em que a maneira ideal de administrar a empresa leva em consideração as variáveis ambientais em que ela está inserida. Lembramos que não existe uma única forma de se chegar a um resultado, pois isso depende dos objetivos e processos utilizados em cada organização. Ou seja, a elaboração de estratégias é o melhor caminho para se gerar vantagem competitiva e elas dependem de uma análise criteriosa do ambiente interno e externo da empresa (MORGAN, 2009). O objetivo dessa análise para a gestão empresarial é identificar pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças para que seja possível traçar ações para melhorar o que não está de acordo e investir em transformação (BARNEY e HESTERLY, 2007). De acordo com Maximiano (1992) e Oliveira e Silva (2006), a análise do ambiente interno resulta na identificação dos pontos fortes e fracos da empresa. Para isso, os gestores devem olhar para suas principais áreas que, em linhas gerais, dizem respeito aos departamentos e funções, entendidas como variáveis controláveis: financeiro, marketing, produção, atendimento, logística, pesquisa e desenvolvimento, etc. Isso compreende também as pessoas e políticas internas. Kotler e Keller (2006) abordam alguns outros fatores internos da empresa que devem ser verificados para elaboração de estratégias das forças e fraquezas: a determinação do preço dos produtos, a reputação da empresa, a área de atuação, as instalações e equipamentos, bem como a capacidade de produção e a liderança. CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 14
Assim, resumidamente, entendemos que fazem parte do ambiente interno da empresa as áreas em que suas estratégias podem ser proativas e eventuais mudanças não dependem de fatores externos. Um pouco mais abrangente que o ambiente interno temos o microambiente empresarial em que são somadas ao ambiente interno as forças próximas à empresa que influenciam diretamente suas decisões, como a concorrência, o público-alvo e os fornecedores. Reparem que estes não fazem parte internamente da empresa, mas a organização deve sempre elaborar suas estratégias baseadas nessas variáveis (KOTLER e KELLER, 2006). Em contrapartida, as estratégias para o ambiente externo normalmente são reativas, pois a empresa deve reagir a fatos aos quais ela não tem poder de controlar, como questões climáticas e econômicas. Vamos agora entender como é o ambiente externo das organizações, pois é a partir de sua análise que chegamos à identificação das ameaças e oportunidades. Lembramos que: Ambiente externo = Macroambiente De acordo com Kotler e Keller (2006), Barney e Henterly (2007), Maximiano (1992) e Bethlem (2009) são basicamente seis ambientes que influenciam as empresas, conforme a seguir: Ambiente demográfico Engloba o estudo da população humana em termos de tamanho, localização, densidade, idade, sexo, raça, ocupação e outros dados estatísticos. A partir desses dados, a empresa pode delinear o segmento em que pretende atuar, especializando-se no seu público-alvo e verificando oportunidades de crescimento. CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 15
Ambiente econômico Consiste nos fatores que afetam o poder de compra e os hábitos de gasto do consumidor. De acordo com os autores, o clima econômico se alterna entre prosperidade e recessão, sendo que a primeira ocorre quando a demanda é alta e o desemprego baixo. Já a recessão é o inverso. As estratégias empresariais devem promover principalmente ações que minimizem perdas em períodos de crise e se crie oportunidades de crescimento. Ambiente natural Inclui os recursos naturais utilizados pelas empresas ou pelas empresas que fazem parte do seu microambiente. Além disso, influenciam as organizações também alterações no meio ambiente do mercado fornecedor ou consumidor. Ambiente político-legal Constituído de leis, agências governamentais e grupos de pressão que influenciam e limitam várias organizações e indivíduos em uma dada sociedade. Os regimes políticos modificam fatores econômicos, assim, as organizações são dependentes de suas decisões. Ambiente sociocultural Constituído de instituições e outras forças que afetam os valores básicos, as percepções, as preferências e os comportamentos das pessoas. Criar vantagem competitiva sem compreender as características sociais e culturais do local pode representar um esforço em vão para a empresa. Ambiente tecnológico Incluem as mudanças tecnológicas e acontecem rapidamente. Podem causar grandes impactos nas organizações. Este ambiente é tido como um dos mais importantes na elaboração de estratégias. Acompanhar os avanços da tecnologia garante que a empresa sobreviva no mercado, seja ela geradora ou consumidora desta tecnologia. CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 16
Reparem que em todos os ambientes que fazem parte do ambiente externo (macroambiente) organizacional, a empresa não tem como influenciar nas decisões, porém é impactada por elas, devendo, assim, elaborar estratégias baseadas na conjuntura em que se encontram. São, portanto, estratégias reativas. A figura a seguir, retrata e separa, para uma melhor compreensão, os ambientes que as estratégias empresariais devem englobar. Então, a partir da análise das variáveis do micro e macroambiente é possível identificar quais são os pontos fortes, fracos, ameaças e oportunidades para a empresa. Essa metodologia chama-se análise SWOT, do inglês, strengths (forças), weaknesses (fraquezas), opportunities (oportunidades) e threats (ameaças). Churchill (2000) e Daft (2010) afirmam que o uso da Análise SWOT colabora para que a empresa consiga criar suas estratégias de modo a confrontar os pontos fortes e fracos de seu ambiente interno com as oportunidades e ameaças encontradas no ambiente externo. A seguir, você terá um pequeno teste... Envolvendo a análise SWOT!!! Preparado, futuro GESTOR?? CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 17
A Professora Cláudia pode nos ajudar lá no material on-line! Acesse... Dica de Leitura O artigo: A utilização da Matriz SWOT como ferramenta Estratégica: um Estudo de Caso em uma Escola de Idioma de São Paulo. É bem importante e você vai entender ainda mais... Clique aqui: http://cetir.aedb.br/seget/artigos11/26714255.pdf Saiba mais A animação a seguir aborda os conceitos de sistemas abordados nos temas anteriores e como a organização pode ser afetada (positiva ou negativamente) pelo ambiente e decisões. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=pfnxaelvdw4 CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 18
Tema 04: Precursores da Abordagem Contingencial A intenção deste tema é trazer à tona um breve histórico das teorias da administração chegando até a teoria dos sistemas, já apresentada, e resgatar as pesquisas realizadas pelos principais autores da teoria da contingência, em que o foco passa a ser o ambiente externo e a tecnologia não mais somente o ambiente interno das organizações, próprio de uma era precedente à emergência da teoria dos sistemas. Embora, de acordo com Chiavenato (2004), a História da Administração tem início com os filósofos gregos em 470 a.c., como Sócrates, Platão e Aristóteles e, posteriormente, passa por influências da Igreja e das organizações militares, a administração, enquanto ciência, tem o início de seus estudos no início do século XX. A revolução industrial foi o marco para a elaboração e desenvolvimento das teorias administrativas, principalmente pela entrada da tecnologia nas atividades agrícolas, crescimento dos centros urbanos e produção industrial em escala. Foi, então, a partir da revolução industrial, que as organizações se tornaram maiores e mais complexas e tiveram que começar a lidar com a concorrência e, consequentemente, lucros menores. Observamos, assim, conforme nos conta Chiavenato (2004) que, com o objetivo de promover a soluções para os problemas crescentes, surgem as teorias administrativas. A organização e a administração eram o foco das pesquisas de Frederick Winslow Taylor, que criou a Teoria Científica, em que a distribuição das tarefas aos funcionários leva em consideração sua aptidão. A organização deve ser estudada e tratada cientificamente, pois o improviso deve ser substituído pela ciência, os funcionários preparados para as atividades e a supervisão do trabalho bastante rígida (CHIAVENATO, 2004). Posteriormente, Henry Fayol teve como princípios básicos o delineamento da capacidade administrativa, o estabelecimento de regras para gerir a organização, a flexibilidade na administração pela experiência e conhecimentos adquiridos para criar a Teoria Clássica. CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 19
A divisão do trabalho conduz à especialização e à diferenciação das tarefas, ou seja, à heterogeneidade. A ideia era a de que as organizações com maior divisão do trabalho seriam mais eficientes do que aquelas com pouca divisão do trabalho. (CHIAVENATO, 2004, p.85) Em 1929, com a Grande Depressão criada com a queda da bolsa de valores de Nova Iorque, as empresas se viram obrigadas a criar perspectivas para sua recuperação e começa a tratar de forma mais humana os trabalhadores, buscando conhecer um pouco mais suas atividades e sentimentos. Esse era o princípio da Teoria das Relações Humanas, que surgiu com Elton Mayo. Motta (1995) afirma que os principais pontos dessa teoria remetem ao trabalho em grupo e à maior importância para as necessidades sociais dos colaboradores. Outros autores importantes da Teoria das Relações Humanas foram Roethlisberger e William Dickson, que concluíram que os aspectos técnicos e humanos dos funcionários estão interligados às necessidades sociais. Em contraposição, por volta dos anos 1940, surge a Teoria da Burocracia de Max Weber, cujo princípio era a racionalidade, estabelecendo normas e hierarquias em um ambiente formal e impessoal. O ponto positivo, conforme Maximiano (2009), era que havia clareza e organização nas atividades a serem desenvolvidas pelos colaboradores; porém, existia muita dificuldade na percepção da tarefa como um todo. Maximiano (2009) nos conta que a Teoria Estruturalista nasceu, por volta de 1950, de um aperfeiçoamento da teoria burocrática, numa tentativa de conciliação das teses propostas pela Teoria Clássica e Teoria das Relações Humanas. Sua principal característica é uma abordagem múltipla, que envolve a organização formal e informal, recompensando materialmente o funcionário. CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 20
Reparem que as teorias até aqui discutidas remetem à organização internamente, ignorando seu entorno. Embora o biólogo austríaco Ludwig von Bertalanffy tivesse iniciado sua pesquisa no final da década de 1920, seus trabalhos somente foram publicados entre 1950 e 1968. A Teoria Geral dos Sistemas foi a primeira a abordar o ambiente externo como fundamental para ser analisado e incluído em nas estratégias empresarias (MAXIMIANO, 2009). Bertalanffy iniciou seus estudos baseados no metabolismo do organismo vivo, o qual o considerou um sistema aberto que interage com o ambiente. Baseada na teoria sistêmica, surge a Teoria da Contingência, em que a importância se dá sobre o ambiente e a tecnologia, levando em consideração as atividades, os processos, as pessoas e a estrutura. Sendo que a estrutura organizacional é uma das bases da abordagem contingencial (CHIAVENATO, 2004). Além disso, esta abordagem analisa as relações dentro do sistema e entre os seus subsistemas, e entre a organização e seu ambiente, identificando, a partir de suas variáveis, as relações e estrutura mais convenientes. Segundo Chiavenato (2004), a Teoria da Contingência enfatiza que nas organizações tudo é relativo, tudo depende. Ela foi desenvolvida principalmente a partir dos trabalhos desenvolvidos por Burns e Stalker, Lawrence e Lorsch, Chandler e Joan Woodward. Esses estudiosos desenvolveram pesquisas isoladamente para confirmar se as empresas de maior sucesso seguiam os princípios da teoria clássica, ou seja, se pregavam a divisão do trabalho e a especialização do trabalhador, com ênfase na hierarquia de autoridade. Além disso, esses trabalhos procuravam entender e explicar a forma com que as empresas funcionavam em diversas condições de contexto e ambiente externo, já que este influencia a estrutura e os processos internos da organização. CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 21
Vamos entender agora como foi a pesquisa de cada um desses autores e, no próximo tema, abordaremos o resultado delas. Tom Burns e George Macpherson Stalker, ambos sociólogos ingleses, pesquisaram vinte indústrias na Inglaterra para verificar a relação entre as práticas administrativas e seu ambiente externo. Basicamente, o resultado recaiu sobre a estrutura organizacional de cada uma delas e a forma que eram geridas (CHIAVENATO, 2004). De acordo com Chiavenato (2004) e Morgan (1996), o nome Teoria da Contingência surgiu a partir dos trabalhos de Paul R. Lawrence e Jay W. Lorsch, ambos norte-americanos. Eles pesquisaram três indústrias de diferentes setores (plásticos, alimentos empacotados e recipientes) e buscaram entender quais eram os principais problemas organizacionais delas, em um ambiente de incerto e turbulento. Alfred Chandler, se licenciou na Universidade de Harvard e posteriormente se tornou historiador do MIT (Massachusetts Institute of Technology). Sua pesquisa aconteceu com em quatro grandes empresas norte-americanas: Dupont, General Motors, Standard Oil e a Sears Roebuck. Seu objetivo principal era comparar essas organizações em função da sua estrutura e estratégias (CHIAVENATO, 2004). A última autora a ser abordada é a socióloga inglesa Joan Woodward que, segundo Chiavenato (2004), sua pesquisa tinha o objetivo de verificar a relação das práticas dos princípios administrativos com o sucesso nas e das empresas. Seu estudo abrangeu 100 empresas inglesas com atividades variadas e o critério de seleção foi que tivessem entre 100 e 8000 funcionários. A partir daí Woodward as dividiu em três grupos: produção unitária ou oficina, produção em massa ou mecanizada e produção por processo ou automatizada. CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 22
Sobre a Abordagem Contingencial, a professora Cláudia tem mais detalhes no vídeo do material on-line! Dica de Leitura Leia o artigo: A Estratégia na História Teorias e ferramentas estratégicas explicadas a partir dos fatos históricos do século XX. Disponível aqui: http://www.anpad.org.br/diversos/trabalhos/3es/3es_2009/2009_3es91.pdf Saiba mais Assista ao vídeo: Abordagens Neoclássica e Sistêmica. Disponível aqui: http://www.anpad.org.br/diversos/trabalhos/3es/3es_2009/2009_3es91.pdf CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 23
Tema 05: Modelos Teóricos da Teoria Contingencial As empresas dedicam considerável tempo à concepção da estrutura organizacional correta ou ainda mais adequada a seu ambiente. Para se chegar à estrutura organizacional correta, segundo Robbins (2000) dependerá de pelo menos quatro variáveis contingenciais, sendo: a estratégia, o tamanho, a tecnologia e o grau de incerteza ambiental da organização. A abordagem contingencial, portanto, será a utilização destas variáveis para se chegar à estrutura organizacional mais adequada. De acordo com Morgan (2009) e, contrário ao pensamento propagado por Taylor e outros precursores da administração clássica que consideravam a preocupação dentro da organização deveria acontecer dentro de um sistema fechado, surgiram as ideias da abordagem contingencial, cujo foco é no sistema aberto. Várias pesquisas foram feitas para verificação de modelos e teorias organizacionais que fossem mais eficazes, em diversos tipos de organizações, com o objetivo também de confrontar os modelos teóricos conhecidos, como a teoria clássica, neoclássica, estruturalista, etc (CHIAVENATO, 2004). Assim, Chiavenato (2004) afirma que o melhor meio das empresas se organizarem dependem da interface com o ambiente externo. A gestão organizacional está diretamente ligada a um conjunto de circunstâncias para que os objetivos sejam atingidos. Confrontando o que foi exposto no tema sobre a Teoria Geral dos Sistemas a respeito das estratégias reativas para variáveis do ambiente externo, Há um aspecto proativo e não apenas reativo na abordagem contingencial: a administração contingencial pode ser intitulada de abordagem de se-então o reconhecimento, diagnostico e adaptação à situação são fundamentais para abordagem contingencial. Mas não são suficientes. As relações funcionais entre as condições ambientais e as práticas administrativas precisam ser constantemente identificadas e ajustadas. (CHIAVENATO, 2004, p. 167) CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 24
Na prática, o que se observa é que as empresas se deparam com incertezas no campo da administração, sendo este seu maior desafio: enfrentar adversidades. A teoria da contingência preconiza que não existe uma melhor forma ou única maneira de administrar, pois os fatores que impactam e determinam as decisões a serem tomadas são inúmeros e depende do ambiente interno e do ambiente externo. Os caminhos dependem também dos objetivos de cada organização que são, obviamente, influenciados pelas variáveis do ambiente (CHIAVENATO, 2004). Chiavenato (2004, p. 22), ainda completa que "as empresas bemsucedidas são aquelas que conseguem adaptar-se adequadamente às demandas ambientais". Morgan (2009, p. 64-65) apresenta, baseado nos estudos realizados pelos pesquisadores aqui abordados, algumas questões centrais que a empresa deve tentar responder para melhor compreender as relações dentro da organização e com o meio ambiente. Qual a natureza do ambiente organizacional? Que tipo de estratégias está sendo adotada? Que tipo de tecnologia (mecânica ou não) está sendo usada? Que tipo de pessoas são contratadas e qual é a cultura ou costume dominante dentro da organização? Como a organização está estruturada e quais são as filosofias administrativas dominantes? (MORGAN, 2009, p. 64-65) Morgan (2009) acredita que quando as respostas dessas questões são analisadas temos a ideia de composição da organização a partir de subsistemas estratégicos que se relacionam: o humano, o tecnológico, o estrutural e o administrativo. Além disso, existe a necessidade de que haja adaptação às condições ambientais, pois as respostas poderão apontar incertezas e cenários adversos. CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 25
Nesse sentido, destacamos aqui uma variável do ambiente externo importante dentro da abordagem contingencial: a tecnologia. O destaque é devido a sua dinâmica e influência dentro das empresas, seja na estrutura ou no comportamento organizacional. As organizações, em linhas gerais, utilizam algum tipo de tecnologia para colocar em prática suas atividades e realizar rotinas. Assim, essa variável do ambiente externo tornou-se sinônimo de eficiência, e está impera na vantagem competitiva das empresas. Como vimos, a teoria contingencial leva em consideração algumas variáveis (estratégia, tamanho, tecnologia e grau de incerteza) para se chegar a uma estrutura organizacional ideal. Assim, aspectos que envolvem as decisões sobre a divisão do trabalho e o sistema de autoridade caracterizam esta estrutura da organização (ROBBINS, 2000). Burns e Stalker (apud ROBBINS, 2000) afirmam que a estrutura organizacional pode ser de dois tipos: Mecanicistas e Orgânicos. As atividades da organização em estruturas voltadas para o Sistema Mecanicista são partidas em tarefas separadas e especializadas. Os objetivos e a autoridade para cada indivíduo e cada unidade são definidos com precisão pelos administradores de níveis mais elevados. Nessas organizações, o poder segue a cadeia de comando burocrática clássica. Então, Burns e Stalker (apud ROBBINS, 2000) apresentam: Filosofia da administração enfatiza a previsibilidade Elevado nível de especialização Centralização da autoridade A fonte da autoridade é a posição da pessoa no organograma Tarefas e departamentos têm baixo nível de interdependência Cargos com responsabilidades definidas Regras e regulamentos bem definidos e por escrito As relações humanas tendem a ser formais CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 26
Em oposição ao modelo mecanicista, apresentamos a organização orgânica, ou seja, o Sistema Orgânico, onde é mais provável que os indivíduos trabalhem em grupo do que sozinhos. Há menos ênfase em receber ordens de um superior ou em dar ordens aos subordinados. Os membros se comunicam por meio de todos os níveis da organização para obter informações e conselhos. Já com respeito às características gerais deste tipo de modelo estrutural, citamos, de acordo com Burns e Stalker (apud ROBBINS, 2000): Enfatiza a necessidade de mudança e propensão ao risco Os objetivos organizacionais são definidos com participação de todos os níveis A fonte de autoridade é o conhecimento e o estilo de liderança é democrático A decisão é compartilhada entre chefes e subordinados Reduzido nível de especialização Os critérios de departamentalização são heterogêneos Em seus estudos, Burns e Stalker (apud ROBBINS, 2000) concluíram que o sistema mecanicista é mais adequado a um ambiente estável, em que há maior chance dos membros da organização continuarem a fazer a mesma tarefa. Em contrapartida, o sistema orgânico é mais adequado a um ambiente turbulento. Neste tipo de ambiente, os trabalhos devem ser redefinidos constantemente para se ajustarem às necessidades da organização, que estão sempre mudando. As pesquisas de Paul Lawrence e Jay Lorsch abordaram as organizações e seus ambientes e, a partir do confronto de ambos, o resultado deu origem à Teoria da Contingência. Para eles, os problemas enfrentados pelas empresas estão atrelados à diferenciação e à integração (LAWRENCE e LORSCH, apud CHIAVENATO, 2004). O modelo de estrutura organizacional de Lawrence e Lorsch trata de diagnóstico e ação, e se baseia, como já comentado, nos conceitos de diferenciação e integração e de defrontamentos. Os pesquisadores propõem quatro fases, conforme apresentado por Chiavenato (2004): diagnóstico, planejamento e ação, implementação da ação e avaliação. CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 27
Outro representante dos estudiosos da estrutura organizacional é Alfred Chandler. Chandler (1998) concluiu, após pesquisar quatro grandes empresas norte-americanas, que a estrutura segue a estratégia organizacional e que pode ser definida como design da organização. A sinergia do desenho da organização envolve quatro etapas: acumulação de recursos, racionalização do uso de recursos, Continuação do crescimento e racionalização do uso dos recursos em expansão. Chandler foi o primeiro teórico a defender que a elaboração de um plano estratégico deve preceder a elaboração de uma estrutura organizacional. Além disso, outra característica presente na teoria de Chandler é a descentralização, que promove a vantagem das empresas multidivisionais e permite que os gestores do topo não sejam os únicos responsáveis pelo destino da organização. Chandler (1998) afirma que as empresas devem estar em sintonia com seu ambiente, pois verificou em seus estudos que grandes empresas emergiram a partir de grandes acontecimentos históricos nos Estados Unidos: a) A expansão demográfica para o oeste b) A construção da rede ferroviária nacional c) O desenvolvimento de um mercado nacional, especialmente nos centros urbanos d) O advento de novas tecnologias de produção, onde se destacaram aquelas associadas às novas fontes de energia; e) A introdução da atividade de pesquisa e desenvolvimento dentro do setor produtivo. Reparem que estes acontecimentos dizem respeito ao macroambiente empresarial. CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 28
Já a socióloga Joan Woodward teoriza que a tecnologia vai muito além do setor produtivo da empresa e influencia a organização como um todo. De acordo com Woodward (1977), o desenho organizacional é impactado pela tecnologia usada na empresa, há uma forte relação entre estrutura organizacional e previsibilidade das técnicas de produção, as empresas com operações estáveis necessitam de estruturas diferentes das organizações com tecnologia mutável e o predomínio das funções nas organizações (sobrepondo a departamentalização) depende da tecnologia utilizada. Confira mais detalhes com a professora Cláudia... Assistindo ao vídeo no material on-line Saiba mais Assista ao vídeo: Abordagem Contingencial. Disponível aqui: https://www.youtube.com/watch?v=axp8juigcei Também confira o vídeo Teoria da Contingência. Acesse aqui: https://www.youtube.com/watch?v=b6j3fd9td1e CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 29
Na Prática Para ilustrar o que estudamos hoje, a professora Cláudia traz um vídeo bem interessante... Síntese A aula de hoje teve como tema principal a organização como um sistema integrado. Primeiramente foram destacados os conceitos e tipos de sistemas existentes, bem como as premissas básicas da Teoria Geral dos Sistemas. Importante observar na nossa leitura como um todo que as organizações não podem viver isoladamente e necessitam trocar informações e interagir com o ambiente. A partir do entendimento de que existem variáveis internas e externas que afetam a empresa é possível traçar um perfil de forças, fraquezas, ameaças e oportunidades, resultando numa análise criteriosa que permite traçar estratégias competitivas. A na tela seguinte sintetiza essa ideia. Fatores geradores de situações que afetam a forma e o sistema administrativos das empresas Ambiente Total Fatores macroambientais geradores de situações que influenciam a forma e o sistema administrativo das empresas: Fatores tecnológicos, socioculturais, demográficos, políticos, legais e econômicos Situações que influenciam a forma e o sistema administrativo dos públicos-alvo mais próximos da empresa: Concorrentes, Intermediários, Clientes, Fornecedores e outros públicos Situações que influenciam a forma e o sistema administrativo da empresa: Público interno, funções e departamentos da empresa CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 30
Como evolução da teoria geral de sistemas, a abordagem contingencial trata das relações das organizações com o ambiente e procura identificar as estruturas mais eficazes para cada tipo de organização ou situação. O quadro a seguir, resume o pensamento sobre as estruturas organizacionais abordadas pelos principais pesquisadores da teoria contingencial. Principais contribuições dos autores da teoria contingencial AUTORES PRINCIPAIS CONTRIBUIÇÕES Evidenciaram que quando uma organização enfrenta um ambiente estável, com poucas mudanças, a estrutura Burns e Stalker mecanicista é mais eficaz. Ao contrário disso, quando uma organização enfrenta um ambiente mais dinâmico, com elevado grau de mudanças faz-se necessário ter uma estrutura orgânica. Lawrence e Analisaram as estruturas internas em termos de diferenciação e Lorsch integração. Chandler A elaboração de um plano estratégico deve preceder a elaboração de uma estrutura organizacional. Woodward Evidenciou que, à medida que a tecnologia avança, as empresas utilizam inicialmente uma estrutura mais mecanicista e depois uma estrutura mais orgânica. O desempenho organizacional é afetado pela tecnologia utilizada. Todo ciclo de funcionamento na empresa será condicionado pela tecnologia. De uma forma geral, ampliando as premissas da teoria geral dos sistemas, a abordagem contingencial preconiza que não há uma fórmula única de estrutura empresarial e está deve levar em conta o ambiente e a tecnologia aplicada nas empresas. Ou seja, por exemplo, para duas empresas do mesmo ramo inseridas em contextos diferentes a estrutura ideal para uma pode não ser eficiente e outra e vice-versa. Para encerrar a aula, a professora Cláudia está de volta... Acesse o material on-line! CCDD Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 31
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