RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO - SINTÉTICO TC nº 006.585/2009-6 Fiscalização nº 258/2009 DA FISCALIZAÇÃO Modalidade: conformidade Ato originário: Acórdão 345/2009 - Plenário Objeto da fiscalização: Obras de implantação de Drenagem Urbana - Boa Vista Nº do PT: 17.512.1138.7L70.0056 Ano do PT: 2008 Descrição do PT: Apoio à Implantação de Sistemas de Drenagem Urbana Sustentáveis e de Manejo de Águas Pluviais em Boa Vista - RR-Drenagem Urbana e Manejo de Águas Pluviais - Boa Vista - RR Tipo da obra: Infra-Estrutura Urbana Período abrangido pela fiscalização: 12/08/2008 a 27/05/2009 DO ÓRGÃO/ENTIDADE FISCALIZADO Órgão/entidade fiscalizado: Ministério das Cidades Vinculação (ministério): Ministério das Cidades Vinculação TCU (unidade técnica): Responsável pelo órgão/entidade: nome: Rodrigo José Pereira Leite Figueiredo cargo: Secretário Executivo do Ministério das Cidades período: a partir de 01/01/2009 Outros responsáveis: vide rol no volume principal às folhas 1/2 PROCESSO DE INTERESSE - TC nº 006.585/2009-6
RESUMO Trata-se de auditoria realizada no Ministério das Cidades, no período compreendido entre 22/04/2009 e 27/05/2009. A presente auditoria teve por objetivo realizar levantamento de auditoria nas obras de implantação de Drenagem Urbana - Boa Vista. A partir do objetivo do trabalho e a fim de avaliar em que medida os recursos estão sendo aplicados de acordo com a legislação pertinente, formularam-se as questões adiante indicadas: 1 - A previsão orçamentária para a execução da obra é adequada? 2 - O tipo do empreendimento exige licença ambiental e realizou todas as etapas para esse licenciamento? 3 - Há projeto básico/executivo adequado para a licitação/execução da obra? 4 - A formalização e a execução do convênio (ou outros instrumentos congêneres) foi adequada? Para a realização deste trabalho, foram utilizadas as diretrizes do roteiro de auditoria de conformidade. No desenvolvimento dos trabalhos, observaram-se os padrões gerais de auditoria definidos na Portaria TCU n.º 090/2003 (Roteiro de Auditoria de Conformidade) tendo sido utilizadas as matrizes de planejamento, procedimento e achados. Para responder as questões de auditoria levantadas procedeuse às análises de documentos, triangulação, revisão analítica de cálculos, entrevista com os responsáveis e pesquisas em sistemas informatizados e sítios: SIAFI, Portal Transparência e SIGA- BRASIL. Na fase de execução foram verificados os documentos relacionados à celebração do contrato de repasse e análise do projeto básico. As principais constatações deste trabalho foram: Ausência de ART do projeto básico; Quantitativos inadequados na planilha orçamentária; Foram firmados dois ou mais convênios (por órgãos distintos da Administração Pública) para o mesmo objeto. O volume de recursos fiscalizados alcançou o montante de R$ 22.711.513,54 que foram repassados por meio de dois Contratos de Repasse, sendo o CR nº Siafi 631251 no valor total de R$ 11.724.180,21 (9.888.600,00, concedente, e 1.835.580,21, contrapartida) e o CR nº Siafi 646367 no valor total de R$ 10.987.333,33 (9.888.600,00, concedente, e 1.098.733,33, contrapartida). A proposta de encaminhamento deste trabalho foi a realização de determinações a Órgãos/Entidades e o arquivamento do presente feito.
1 - APRESENTAÇÃO Trata o presente relatório de auditoria realizada na obra para implantação de sistema de drenagem na cidade de Boa Vista/RR, inscrita no Programa de Trabalho nº 17.512.1138.7L70.0056 LOA 2008. A dotação orçamentária dos recursos pertence ao Ministério das Cidades que, representado pela Caixa Econômica Federal CEF, firmou dois Contratos de Repasse - CR nº SIAFI 631251 e CR nº SIAFI 646367 - com o Governo do Estado de Roraima. O empreendimento possui apenas projeto básico encaminhado pelo proponente à CEF para análise e aprovação, desta forma ainda não existe procedimento licitatório para execução física da obra. Importância socioeconômica Os recursos destinam-se a aplicação em obras de drenagem na cidade de Boa Vista/RR que, como a maioria dos municípios brasileiros carece desse sistema básico. A resolução dos pontos críticos de alagamento da capital de Roraima garante a melhoria das condições de vida da população, notadamente na área de saúde, dificultando o aparecimento de doenças e calamidades relacionadas ao regime de chuvas da região. 2 - INTRODUÇÃO 2.1 - Deliberação Em cumprimento ao Acórdão 345/2009 - Plenário, realizou-se auditoria no Ministério das Cidades, no período compreendido entre 22/04/2009 e 27/05/2009. As razões que motivaram esta auditoria foi o atendimento ao critério 08 - Materialidade por Função - Corte de materialidade (20 Milhões). 2.2 - Visão geral do objeto A Capital do Estado de Roraima, Boa Vista, apresenta diversos problemas relacionados à falta de drenagem, com isso, os governos, estadual e municipal, viabilizaram recursos para consecução de obras destinadas à solução. A presente fiscalização destinou-se a analisar o repasse efetuado do Ministério das Cidades, por intermédio da Caixa Econômica Federal CEF, para o Governo do Estado de Roraima, oriundos do Programa de Trabalho nº 17.512.1138.7L70.0056 LOA 2008. O empreendimento apresenta apenas projeto básico referente ao lote 01 e 02 que se encontra em fase de análise pela CEF, não existindo, portanto, projeto executivo, nem procedimentos licitatórios para a execução física da obra. 2.3 - Objetivo e questões de auditoria A presente auditoria teve por objetivo realizar levantamento de auditoria nas obras de implantação de Drenagem Urbana - Boa Vista. A partir do objetivo do trabalho e a fim de avaliar em que medida os recursos estão sendo aplicados de Página 1
acordo com a legislação pertinente, formularam-se as questões adiante indicadas: 1 - A previsão orçamentária para a execução da obra é adequada? 2 - O tipo do empreendimento exige licença ambiental e realizou todas as etapas para esse licenciamento? 3 - Há projeto básico/executivo adequado para a licitação/execução da obra? 4 - A formalização e a execução do convênio (ou outros instrumentos congêneres) foi adequada? 2.4 - Metodologia utilizada No desenvolvimento dos trabalhos, observaram-se os padrões gerais de auditoria definidos na Portaria TCU n.º 090/2003 (Roteiro de Auditoria de Conformidade) tendo sido utilizadas as matrizes de planejamento, procedimento e achados. Para responder as questões de auditoria levantadas procedeu-se a análises de documentos, triangulação, revisão analítica de cálculos, entrevista com os responsáveis e pesquisas em sistemas informatizados e sítios: SIAFI, Portal Transparência e SIGA-BRASIL. Na fase de execução foram verificados os documentos relacionados à celebração do contrato de repasse e análise do projeto básico. 2.5 - VRF O volume de recursos fiscalizados alcançou o montante de R$ 22.711.513,54. Celebração de dois Contratos de Repasse, sendo o CR nº Siafi 631251 no valor total de R$ 11.724.180,21 (9.888.600,00, concedente, e 1.835.580,21, contrapartida) e o CR nº Siafi 646367 no valor total de R$ 10.987.333,33 (9.888.600,00, concedente, e 1.098.733,33, contrapartida) 2.6 - Benefícios estimados Entre os benefícios estimados desta fiscalização pode-se mencionar o valor de R$ 3.264.889,82 ou 14,86% sobre a soma dos orçamentos dos dois lotes (R$ 21.974.666,64). O valor total dos benefícios quantificáveis desta auditoria correspodem à retirada de item do orçamento básico (Ponto P30 do Lote 02 - R$ 1.266.557,27) e à nova composição do BDI que passa ser de 26,49% sobre o custo direto de R$ 14.971.506,71 (representando uma economia e R$ 1.998.332,55). 3 - ACHADOS DE AUDITORIA 3.1 - Ausência de ART do projeto básico. 3.1.1 - Tipificação do achado: Classificação - outras irregularidades Página 2
Tipo - Projeto básico/executivo deficiente ou inexistente Justificativa - Trata-se de irregularidade sanável. Alterações de classificação Projeto Básico 30/11/2008, Manejo de Águas Pluviais e Sistema de Drenagem Urbana Sustentável - Lote 1 e Lote 2. Classificação alterada de irregularidade grave com recomendação de continuidade para outras irregularidades. A irregularidade encontrada pode ser sanada sem a necessidade de se realizar audiência dos responsáveis.. 3.1.2 - Situação encontrada: O projeto básico apresentado pelo Governo do Estado de Roraima à Caixa Econômica Federal não possui assinatura do responsável, nem a data em que foi elaborado, o que dificulta a responsabilização pela má execução dos referidos projetos, bem como o mês de referência utilizado como base para os custos orçados na planilha orçamentária. 3.1.3 - Objetos nos quais o achado foi constatado: Projeto Básico 30/11/2008, Manejo de Águas Pluviais e Sistema de Drenagem Urbana Sustentável - Lote 1 e Lote 2. 3.1.4 - Critérios: Acórdão 580/2003, TCU, 2ª Câmara Lei 6496/1977, art. 1º Lei 11768/2008, art. 109, 5º 3.1.5 - Evidências: Projeto Básico para Manejo de Águas Pluviais e Sistema de Drenagem Urbana Sustentável - Lote 1 e Lote 2. (folhas 1/113 do Anexo 1 - Principal) 3.1.6 - Esclarecimentos dos responsáveis: Foram apresentadas as ARTs da elaboração do Projeto Básico, Lote 01. (folhas 46/47 do Volume Principal) 3.1.7 - Conclusão da equipe: Embora o convenente tenha apresentado a ART do responsável pela elaboração do projeto básico do Lote 1, a data da expedição desse documento pelo CREA/RR é de 31/03/2009, quando a elaboração do projeto possivelmente ocorreu em 2008, conforme sinaliza a base de preços SINAPI do orçamento básico - novembro de 2008. Com a ressalva exposta acima, entendemos que a irregularidade encontra-se sanada em relação ao Lote 01, embora o projeto necessite da aposição da data e assinatura do responsável. Contudo, não foi apresentado o ART referente ao lote 02, fato que não elide por completo a irregularidade verificada, razão pela qual proporemos a determinação à SEINF para que apresente o ART relativo ao lote 02, de forma a que impropriedade seja sanada por completo. Página 3
3.2 - Quantitativos inadequados na planilha orçamentária. 3.2.1 - Tipificação do achado: Classificação - outras irregularidades Tipo - Sobrepreço Justificativa - A irregularidade é passível de regularização, não impedindo o prosseguimento do objeto. Alterações de classificação Projeto Básico 30/11/2008, Manejo de Águas Pluviais e Sistema de Drenagem Urbana Sustentável - Lote 1 e Lote 2. Classificação alterada de irregularidade grave com recomendação de continuidade para outras irregularidades. A irregularidade encontrada pode ser sanada sem a necessidade de se realizar audiência dos responsáveis. 3.2.2 - Situação encontrada: O orçamento da obra apresentado no projeto básico não possui como referência de custos os preços estabelecidos no SINAPI (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), conforme preceitua a Lei de Diretrizes Orçamentária (Lei nº 11.768/2008), bem como apresenta percentual de BDI com itens indevidos e cálculo errôneo. Deste modo, adequando-se os valores da composição de custos apresentada aos valores constantes no SINAPI e o percentual do BDI, tem-se um sobrepreço no orçamento de alguns serviços do projeto básico. Fato que, se não revisto antes da contratação, acarretará prejuízos à Administração. 3.2.3 - Objetos nos quais o achado foi constatado: Projeto Básico 30/11/2008, Manejo de Águas Pluviais e Sistema de Drenagem Urbana Sustentável - Lote 1 e Lote 2. 3.2.4 - Critérios: Acórdão 325/2007, TCU, Plenário Lei 8666/1993, art. 6º, inciso IX; art. 7º, 4º; art. 12 Lei 11768/2008, art. 109, caput 3.2.5 - Evidências: Orçamento dos Lotes constantes no projeto básico para Manejo de Águas Pluviais e Sistema de Drenagem Urbana Sustentável - Lote 1 e Lote 2. (folhas 1/62 do Anexo 1 - Principal) 3.2.6 - Esclarecimentos dos responsáveis: Defendeu os valores que não possuem referência SINAPI como preços colhidos em pesquisa de mercado apresentada à concedente. Em relação ao BDI, explicou que incluiu o item Administração Local em função de solicitação da CEF que não admite a colocação desse item na Planilha orçamentária tal qual o convenente havia feito originalmente e que os demais percentuais foram estimados conforme bibliografia especializada. 3.2.7 - Conclusão da equipe: No que tange aos custos sem a referência SINAPI, há que se esclarecer que o normativo legal, LDO, estabelece a utilização desse parâmetro em caráter relativa e não absoluto.em outras palavras, é possível a utilização de custos diversos do estabelecido no SINAPI, desde que estes estejam Página 4
devidamente fundamentados nos autos, comprovando a variação indicada. É o que parece ter acontecido no caso em epígrafe, mesmo que a equipe de auditoria não tenha visto nos autos as cotações realizadas pelo convenente. Tal fato fundamenta-se em visita realizada a fornecedor local de tubos de concreto para drenagem, insumo que representa 20,65% da obra, onde se verificou a compatibilidade dos custos indicados no orçamento básico e aqueles praticados no mercado local. Mesmo assim, em momento oportuno, será proposta a determinação à CEF para que exija, nos orçamentos que lhes são apresentados, o código SINAPI ou as cotações de mercado utilizadas pelo proponente. No que tange à análise do BDI, é sabido a falar de competência desta Corte para delimitar percentuais dessa rubrica, entretanto, essa realidade não afasta a competência para analisar a economicidade dos projetos e a função educativa do Tribunal para melhoria da gestão pública. Nesse sentido, o TCU elaborou estudo, materializado no acórdão nº 325/2007, sobre o BDI. Assim utilizaremos os parâmetros indicados naquele julgado para corroborar as conclusões que faremos a seguir. Enfrentaremos a possibilidade de utilização de determinados itens no BDI e os seus percentuais. Nesse caso, o orçamento básico contempla os seguintes itens e valores em seu BDI: Administração central 6%; Lucro 15%; Impostos sobre o faturamento 6,15%; Imprevistos 1%; Despesas Financeiras 0,08% ; Administração da Obra 5%; Mobilização de Pessoal e equipamentos 1%; Seguros 1,5%; e Taxas diversas 1%. Iniciaremos pelos itens que reputamos estarem referencialmente adequados. 1. Administração Central que representa a parcela do esforço efetuado pelo escritório administrativo do contrato a ser apropriado especificamente para a obra. A imprecisão em se estimar os valores desse custo indireto, remete para a bibliografia especializada e a pesquisas de mercado. No acórdão citado (nº 325/2007), foram apresentados como valor máximo de referencia 8% e como valor médio 4%. Por isso, aceitamos o percentual de 6 % indicado no orçamento básico, por entender sê-lo congruente com o que é usualmente praticado. 2. Impostos sobre o faturamento esse grupo é formado basicamente pelos tributos PIS, COFINS e ISS. Como esses tributos possuem alíquotas definidas em Lei, sendo fixas para PIS e COFINS, sendo variável apenas o ISS, de acordo município, esse grupo não apresenta problemas quanto à sua aceitabilidade, estando correto o valor apresentado pelo proponente; 3. Despesas Financeiras são gastos relacionados ao custo do capital decorrente da necessidade de financiamento exigida pelo fluxo de caixa da obra e ocorrem sempre que os desembolsos acumulados Página 5
forem superiores às receitas acumuladas. Para esse item, verifica-se que o valor apresentado pelo convenente aproxima-se da média referencial citada no acórdão nº 325/2007, razão pela qual entendemos ser pertinente a sua presença. 4. Imprevistos comumente denominado Risco refere-se como o próprio nome já indica a um percentual destinado a cobertura de eventos não planejados que podem repercutir no custo da obra. Em função da magnitude da obra, entendemos ser pertinente a sua presença. Agora examinaremos os itens a serem retirados ou reduzidos os seus percentuais da composição do BDI. Itens que devem ser reduzidos: 1. Lucro é a remuneração do contratado decorrente da execução da obra. A sua estipulação depende de variáveis de difícil mensuração, como a estrutura de mercado na qual a obra esta inserida. Com isso, a estipulação de um percentual máximo para essa rubrica apresenta-se como temerário, entretanto, a utilização de percentuais de referência, baseados em pesquisas de mercado, já indicam uma boa margem de aceitabilidade. Extraindo os dados contido no Acórdão temos que Faixa de variação observada possui como percentual máximo - 11,44% - e como médio - 8,58%. Claro que a natureza do empreendimento tratado no citado Acórdão difere da obra em epígrafe, por isso, acrescentaremos os dados de estudos da FIPE (pesquisa com dados dos 309 maiores construtores do País) que indica um percentual médio de 7,20%, mesmo valor indicado pelo SICRO e pela ASBRACO-DF. Nesse comenos, entendemos que o percentual aceitável para esse item é de 10% sobre o custo direto, portanto, menor que os 15% indicados no orçamento básico. Itens que devem ser retirados: 1. Seguros - o seguro deve corresponder a objetos definidos da obra, pelos quais o empreendedor deseja ser ressarcido no caso de perdas e pode abranger casos de roubo, furto, incêndio, perda de máquinas ou equipamentos, dentre outros aspectos das obras civis. A garantia contratual está prevista no art. 56 da Lei n.º 8.666/1993, que estatui poder a Administração Pública para exigi-la. Desta forma, as garantias e os seguros das obrigações contratuais são custos que resultam de exigências contidas nos editais de licitação e só podem ser estimadas caso a caso, mediante avaliação do ônus econômico-financeiro que poderá recair sobre o licitante. A respeito desse item, utilizando mais vez os ensinamentos do Acórdão/TCU n 325/2007, cabe esclarecer que a Garantia foi observada apenas na composição de LDI de Furnas, e que a sua cobrança em obras civis em geral não é usual. Desta forma, entendemos não ser razoável a existência desse item, até porque o percentual indicado no projeto 1,5% - supera em muito o máximo referencial de 0,4% ao ano. 2. Administração da Obra e Mobilização de Pessoal e equipamentos A Administração Local consiste em despesas incorridas para manutenção das equipes técnica e administrativa e da infra-estrutura necessárias para a consecução da obra. Os itens que integram a Administração Local, apesar de Página 6
comporem o custo direto, não estão associados diretamente a uma composição de serviço do empreendimento. Cabe, portanto, ressaltar que o custo direto pode ser visto de modo stricto senso e lato senso. De maneira restrita pode-se considerar o custo direto como aquele em que estão inseridos os serviços que integrarão o produto final. De forma ampla, o custo direto, além dos custos anteriormente descritos, englobará aqueles que, apesar de não especificamente associados ao produto final, estão diretamente ligados à execução dos serviços. É importante esse destaque, pois em deliberações do TCU que versam sobre contratos de obras, verificou-se a orientação de desonerar o LDI dos respectivos contratos com a exclusão de custos a esses assemelhados33. Confirma-se, dessa forma, a orientação de evitar, no cálculo do LDI, o cômputo de qualquer custo que possa ser associado diretamente à execução da obra, impedindo a incidência indevida ou em duplicidade desses elementos sobre os demais custos diretos calculados para a obra. Vale ressaltar que a inclusão da Administração Local ou de algum elemento que a devesse integrar eleva o percentual do LDI, o que, em casos de repactuação de preços ou de mudanças de especificação de algum item da obra, pode elevar o preço da obra de forma inadequada. Sobre a Mobilização e Desmobilização a parcela de mobilização compreende as despesas para transportar, desde sua origem até o local aonde se implantará o canteiro da obra, os recursos humanos, bem como todos os equipamentos e instalações. Como exemplo, a administração local, a mobilização/desmobilização e a instalação do canteiro, são itens que, embora não representem serviços unitários, são custos diretos e devem ser apropriados como tais no orçamento da obra, pois decorrem diretamente da sua execução. Como se depreende dos já lançados conceitos de custos diretos e indiretos, a distinção entre eles é essencial nesse método de formação de preço de obra, pelo qual se utiliza o LDI. Este critério, além de facilitar a medição e a fiscalização dos itens executados, possibilita à Administração evitar indesejáveis impactos que eventuais aditivos para mudança de especificações de materiais e/ou equipamentos, por exemplo, possam acarretar no preço final da obra sem que aumento nos custos indiretos de fato tenha ocorrido. 3. Taxas diversas como o próprio nome indica este item não apresenta sequer os custos que pretende cobrir, podendo ser destinado para fins indeterminados, inclusive aqueles já constantes no BDI, como o lucro. Não há argumentação legal ou técnica para sustentar a presença dessa rubrica na composição do BDI. Refazendo o cálculo do BDI apresentado, devidamente ajustados às explicações expostas acima temse: Administração central 6%; valor admitido. Lucro 15%; percentual reduzido para 10%. Impostos sobre o faturamento 6,15%; valor admitido. Imprevistos 1%; valor admitido. Despesas Financeiras 0,08%; valor admitido. Administração da Obra 5%; valor retirado. Mobilização de Pessoal e equipamentos 1%; valor retirado. Página 7
Seguros 1,5%; valor retirado. Taxas diversas 1%; valor retirado. Aplicando-se à fórmula, chegamos a um percentual de 26,49% para o BDI, valor contido na faixa de referência apontada no Acórdão nº 325/2007. Como o entendimento a respeito da composição do BDI encontra guarida na jurisprudência desta Corte proporemos a determinação à SEINF para que o corrija o BDI dos orçamentos básicos dos lotes 01 e 02, aplicando-se o novo percentual (26,49%). Nos trabalhos de campo desta equipe, verificou-se que a CEF possui entendimento diverso desta Corte em relação à constituição do BDI. Segundo a equipe técnica da Caixa, itens como Administração local e Mobilização de Pessoal e equipamentos devem permanecer no BDI, ao invés da planilha de orçamento. Assim, cabe ainda determinação à CEF para que acate as mudanças a serem realizadas pela SEINF e envide esforços no sentido de harmonizar os seus parâmetros com os utilizados por esta Corte. 3.3 - Foram firmados dois ou mais convênios (por órgãos distintos da Administração Pública) para o mesmo objeto. 3.3.1 - Tipificação do achado: Classificação - outras irregularidades Tipo - Projeto básico/executivo deficiente ou inexistente Justificativa - A irregularidade pode ser sanada, na medida em que o valor referente ao ponto sobreposto for retirado do orçamento básico realizado pelo Governo do Estado de Roraima. Alterações de classificação Projeto Básico 30/11/2008, Manejo de Águas Pluviais e Sistema de Drenagem Urbana Sustentável - Lote 1 e Lote 2. Classificação alterada de irregularidade grave com recomendação de continuidade para outras irregularidades. A irregularidade encontrada pode ser sanada sem a necessidade de se realizar audiência dos responsáveis. 3.3.2 - Situação encontrada: Analisando os pontos de alagamentos a serem contemplados com o sistema de drenagem, verificou-se que o Ponto Crítico P30, integrante do Lote 2, já foi alvo de ação governamental, com a implantação da drenagem pela Prefeitura de Boa Vista /RR, havendo inclusive a propaganda institucional sobre a conclusão desse empreendimento. Desta forma, resta caracterizado a sobreposição de obras para corrigir o mesmo ponto de alagamento. 3.3.3 - Objetos nos quais o achado foi constatado: Projeto Básico 30/11/2008, Manejo de Águas Pluviais e Sistema de Drenagem Urbana Sustentável - Lote 1 e Lote 2. Página 8
3.3.4 - Critérios: Instrução Normativa 1/1997, STN, art. 25, Único 3.3.5 - Evidências: Projeto Básico para Manejo de Águas Pluviais e Sistema de Drenagem Urbana Sustentável - Lote 1 e Lote 2. (folhas 1/113 do Anexo 1 - Principal) 3.3.6 - Esclarecimentos dos responsáveis: Os responsáveis não foram ouvidos previamente a respeito. 3.3.7 - Conclusão da equipe: Além da obras realizadas pela SINF, existem obras de drenagens sendo executadas na cidade de Boa Vista/RR pela Secretaria de Obras e Urbanismo da Prefeitura. Na imprensa local são constantemente divulgadas inaugurações dessas obras. Fato que ocorreu com o ponto de alagamento P30 (fls. 116 - Anexo 2) constante da obra a ser financiada com os recursos ora auditados. Esta Equipe de Fiscalização, antes de fechar o presente relatório, observou que este ponto de alagamento é coincidente com uma mesma obra de drenagem já executada e inaugurada recentemente pela Prefeitura na Av. Brigadeiro Eduardo Gomes, imediações do Parque Anauá. Desta forma, torna-se evidente a sobreposição de recursos para a solução de um mesmo problema. Com isso, proporemos determinação à SEINF para que exclua do projeto básico e consequentemente de seu orçamento o ponto de alagamento P30 (fls. 116 - Anexo 2). 4 - CONCLUSÃO As seguintes constatações foram identificadas neste trabalho: Questão 3 Ausência de ART do projeto básico. (item 3.1) Quantitativos inadequados na planilha orçamentária. (item 3.2) Foi identificado, ainda, o seguinte achado sem vinculação com questões de auditoria: Foram firmados dois ou mais convênios (por órgãos distintos da Administração Pública) para o mesmo objeto. (item 3.3) Entre os benefícios estimados desta fiscalização pode-se mencionar o valor de R$ 3.264.889,82 ou 14,86% sobre a soma dos orçamentos dos dois lotes (R$ 21.974.666,64). O valor total dos benefícios quantificáveis desta auditoria correspodem à retirada de item do orçamento básico (Ponto P30 do Lote 02 - R$ 1.266.557,27) e à nova composição do BDI que passa ser de 26,49% sobre o custo direto de R$ 14.971.506,71 (representando uma economia e R$ 1.998.332,55). 5 - ENCAMINHAMENTO Ante todo o exposto, somos pelo encaminhamento dos autos ao Gabinete do Exmo. Sr. Ministro-Relator Marcos Bemquerer, com a(s) seguinte(s) proposta(s): Página 9
Determinação a Órgão/Entidade: Secretaria Estadual de Infra-estrutura de Roraima: à SEINF para que apresente o ART relativo ao lote 02 do projeto básico, de forma a que impropriedade seja sanada por completo. E ainda que encaminhe, no mesmo prazo abaixo, informações ao TCU sobre o cumprimento desta determinação. PRAZO PARA CUMPRIMENTO: 15 DIAS. Determinação a Órgão/Entidade: Secretaria Estadual de Infra-estrutura de Roraima: à SEINF para que o corrija o BDI dos orçamentos básicos dos lotes 01 e 02, aplicando-se o novo percentual (26,49%). E ainda que encaminhe, no mesmo prazo abaixo, informações ao TCU sobre o cumprimento desta determinação. PRAZO PARA CUMPRIMENTO: 15 DIAS. Determinação a Órgão/Entidade: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL - MF: à CEF para que acate as mudanças a serem realizadas pela SEINF e envide esforços no sentido de harmonizar os seus parâmetros com os utilizados por esta Corte, notadamente os relativos à composição do BDI. PRAZO PARA CUMPRIMENTO: ********* Determinação a Órgão/Entidade: Secretaria Estadual de Infra-estrutura de Roraima: à SEINF para que exclua do projeto básico e, consequentemente, da planilha orçamento o ponto de alagamento P30 (fls. 116 - Anexo 2), vez que o citado ponto já foi contemplado com obras de drenagem realizadas pela Prefeitura de Boa Vista/RR. E ainda que encaminhe, no mesmo prazo abaixo, informações ao TCU sobre o cumprimento desta determinação. PRAZO PARA CUMPRIMENTO: 15 DIAS. Arquivamento de Processo: ENCERRAR PROCESSO: 6585/2009-6 Página 10
6 - ANEXO 6.1 - Dados cadastrais Obra bloqueada na LOA deste ano: Não 6.1.1 - Projeto básico Informações gerais Projeto(s) Básico(s) abrange(m) toda obra? Foram observadas divergências significativas entre o projeto básico/executivo e a construção, gerando prejuízo técnico ou financeiro ao empreendimento? Exige licença ambiental? Possui licença ambiental? Sim Não Sim Sim Está sujeita ao EIA(Estudo de Impacto Ambiental)? Observações: Projeto básico nº 1 Data elaboração: 05/01/2009 Custo da obra: 21.974.666,64 Data base: 30/11/2008 Objeto: Manejo de Águas Pluviais e Sistema de Drenagem Urbana Sustentável - Lote 1 e Lote 2. Observações: 6.1.2 - Execução física e financeira Execução física Não Data da vistoria: 22/04/2009 Percentual executado: 0 Data do início da obra: Data prevista para conclusão: Situação na data da vistoria: Não iniciado. Descrição da execução realizada até a data da vistoria: Não há. Observações: Sem Observações Execução financeira/orçamentária Primeira dotação: 01/01/2008 Valor estimado para conclusão: R$ 21.974.666,64 Desembolso Origem Ano Valor orçado Valor liquidado Créditos autorizados Moeda União 2008 25.908.031,00 0,00 22.711.513,54 Real Página 11
Observações: Houve a elaboração do projeto básico que estima o valor total da obra referente aos dois contratos de repasse. Contudo, ainda não ocorreu execução financeira (liberação dos recursos). 6.1.3 - Contratos de repasse Nº do SIAFI: 631251 Objeto: Implantação de sistema de drenagem urbana sustentável e de manejo de águas pluviais do Lote 1, no Município de Boa Vista/RR. Data assinatura: 12/08/2008 Vigência atual: 12/08/2008 a 30/08/2009 Data rescisão/suspensão: Situação atual: Em andamento. Concedente: Ministério das Cidades Convenente: Governo do Estado de Roraima Valor atual: R$ 11.724.180,21 Observações: Nº do SIAFI: 646367 Objeto: Apoio a implantação de sistema de drenagem urbana sustentável e de manejo de águas pluviais do lote 2, no Município de Boa Vista/RR. Data assinatura: 31/12/2008 Vigência atual: 31/12/2008 a 16/12/2009 Data rescisão/suspensão: Situação atual: Em andamento. Concedente: Ministério das Cidades Convenente: Governo do Estado de Roraima Valor atual: R$ 10.987.333,33 Observações: 6.1.4 - Histórico de fiscalizações 2006 2007 2008 Obra já fiscalizada pelo TCU (no âmbito do Fiscobras)? Não Não Não Foram observados indícios de irregularidades graves? Não Não Não Processos correlatos (inclusive de interesse) 6585/2009-6 Página 12
6.2 - Deliberações do TCU Processo de interesse (Deliberações até a data de início da auditoria) Não há deliberação para este Processo de Interesse. Processo de interesse (Deliberações após a data de início da auditoria) Processo: 006.585/2009-6 Deliberação: AC-1.795-32/2009-PL Data: 12/08/2009 Determinação de Realização de Fiscalização: UNIDADES INCUMBIDAS: Secretaria de Controle Externo - RR: 9.2. determinar à Secex/RR que acompanhe a adoção das medidas consignadas acima por parte da Seinf, em especial, àquelas atinentes aos ajustes no BDI. Processo: 006.585/2009-6 Deliberação: AC-1.795-32/2009-PL Data: 12/08/2009 Determinação a Órgão/Entidade: Secretaria Estadual de Infra-estrutura de Roraima: 9.1.4. exclua do projeto básico e, conseqüentemente, da planilha orçamento o ponto de alagamento P30 (fl. 116, anexo 2), uma vez que o referido ponto já foi contemplado com obras de drenagem realizadas pela Prefeitura de Boa Vista/RR; PRAZO PARA CUMPRIMENTO: ********* Processo: 006.585/2009-6 Deliberação: AC-1.795-32/2009-PL Data: 12/08/2009 Determinação a Órgão/Entidade: Secretaria Estadual de Infra-estrutura de Roraima: 9.1. determinar à Secretaria Estadual de Infra-estrutura de Roraima - Seinf que: 9.1.1. providencie a emissão da Anotação de Responsabilidade Técnica - ART do projeto básico referente ao Lote 02; PRAZO PARA CUMPRIMENTO: ********* Processo: 006.585/2009-6 Deliberação: AC-1.795-32/2009-PL Data: 12/08/2009 Determinação a Órgão/Entidade: Secretaria Estadual de Infra-estrutura de Roraima: 9.1.2. retire do percentual de BDI utilizado no projeto básico as despesas concernentes à administração local da obra e à mobilização de pessoal e equipamentos, as quais deverão ser incorporadas à planilha analítica dos serviços; PRAZO PARA CUMPRIMENTO: ********* Processo: 006.585/2009-6 Deliberação: AC-1.795-32/2009-PL Data: 12/08/2009 Determinação a Órgão/Entidade: Secretaria Estadual de Infra-estrutura de Roraima: 9.1.5. envie a este Tribunal, no prazo de 30 dias a contar do recebimento da notificação, os estudos e/ou critérios utilizados pelo órgão para definição do lucro verificado no BDI; PRAZO PARA CUMPRIMENTO: 30 DIAS. Processo: 006.585/2009-6 Deliberação: AC-1.795-32/2009-PL Data: 12/08/2009 Determinação a Órgão/Entidade: Secretaria Estadual de Infra-estrutura de Roraima: 9.1.3. expurgue do percentual de BDI o item denominado "taxas diversas", por não se caracterizar como custo indireto e por não constar elementos que discriminem a que tipo de despesa esse item se refere; PRAZO PARA CUMPRIMENTO: ********* Página 13
Página 14
6.3 - Apreciação GRUPO I CLASSE V Plenário TC-006.585/2009-6 Natureza: Relatório de Auditoria. Órgão: Secretaria Estadual de Infra-estrutura de Roraima Seinf. Interessado: Congresso Nacional. SUMÁRIO: FISCOBRAS 2009. RELATÓRIO DE LEVANTAMENTO DE AUDITORIA. PROGRAMA DE TRABALHO N. 17.512.1138.7L70.0056 APOIO À IMPLANTAÇÃO DE SISTEMAS DE DRENAGEM URBANA SUSTENTÁVEIS E DE MANEJO DE ÁGUAS PLUVIAIS EM BOA VISTA/RR. IRREGULARIDADES DETECTADAS. DETERMINAÇÕES. RELATÓRIO Trata-se de Relatório de Levantamento de Auditoria realizado no período de 22/04 a 27/05/2009 em cumprimento ao Acórdão n. 345/2009 Plenário (Fiscobras 2009). 2. Segundo o Relatório elaborado pela equipe de Auditoria (Fiscalis n. 258/2009) de fls. 48/60, os trabalhos empreendidos pela Secex/RR objetivaram fiscalizar as obras de implantação de sistema de drenagem na cidade de Boa Vista/RR, inscrita no Programa de Trabalho n. 17.512.1138.7L70.0056. 3. Os recursos aplicados no empreendimento em tela são oriundos de dotações orçamentárias do Ministério das Cidades e foram repassados mediante dois Contratos de Repasse CR n. SIAFI 631251 e CR n. SIAFI 646367, firmados entre a Caixa Econômica Federal CEF e o Governo do Estado de Roraima. 4. Conforme constatado pela equipe do TCU, as obras não foram licitadas e os respectivos projetos básicos (Lotes 1 e 2 ) estão em fase de aprovação pela CEF. 5. Destaca a unidade técnica, acerca da importância socioeconômica da obra, que o sistema de drenagem proporcionará a resolução dos pontos críticos de alagamento da capital de Roraima, de forma a garantir a melhoria das condições de vida da população, notadamente na área de saúde, dificultando o aparecimento de doenças e calamidades relacionadas ao regime de chuvas da região (fl. 51). 6. No que concerne ao volume de recursos fiscalizados, a Secex/RR aduz um montante de R$ 22.711.513,54. 7. Os questionamentos de auditoria formulados pela equipe de fiscalização referem-se à: adequação da previsão orçamentária para a execução da obra; exigência de licença ambiental e de projeto básico/executivo compatível com a licitação/execução da obra; formalização e execução do convênio (ou outros instrumentos congêneres). 8. Transcrevo, com alguns ajustes de forma, fragmentos do supracitado Relatório de Auditoria (fls. 48/60) que tratam da descrição e da análise dos achados de Auditoria obtidos pela equipe da Secex/RR durante as atividades de fiscalização implementadas: 3 - ACHADOS DE AUDITORIA 3.1 - Ausência de ART do projeto básico. 3.1.1 - Tipificação do achado: Classificação - outras irregularidades. Página 15
Tipo - Projeto básico/executivo deficiente ou inexistente. Justificativa - Trata-se de irregularidade sanável. Alterações de classificação Projeto Básico de 30/11/2008, Manejo de Águas Pluviais e Sistema de Drenagem Urbana Sustentável - Lotes 1 e 2. Classificação alterada para outras irregularidades. A irregularidade encontrada pode ser sanada sem a necessidade de se realizar audiência dos responsáveis. 3.1.2 - Situação encontrada: O projeto básico apresentado pelo Governo do Estado de Roraima à Caixa Econômica Federal não possui assinatura do responsável, nem a data em que foi elaborado, o que dificulta a responsabilização pela má execução dos referidos projetos, bem como o mês de referência utilizado como base para os custos orçados na planilha orçamentária. 3.1.3 - Objetos nos quais o achado foi constatado: Projeto Básico de 30/11/2008, Manejo de Águas Pluviais e Sistema de Drenagem Urbana Sustentável - Lotes 1 e 2. 3.1.4 - Critérios: Acórdão 580/2003, TCU, 2ª Câmara. Lei 6.496/1977, art. 1º. Lei 11.768/2008, art. 109, 5º. 3.1.5 - Evidências: Projeto Básico para Manejo de Águas Pluviais e Sistema de Drenagem Urbana Sustentável - Lotes 1 e 2 (folhas 1/113 do Anexo 1 - Principal). 3.1.6 - Esclarecimentos dos responsáveis: Foram apresentadas as ARTs da elaboração do Projeto Básico, Lote 01(folhas 46/47 do Volume Principal). 3.1.7 - Conclusão da equipe: Embora o convenente tenha apresentado a ART do responsável pela elaboração do projeto básico do Lote 1, a data da expedição desse documento pelo CREA/RR é de 31/03/2009, quando a elaboração do projeto possivelmente ocorreu em 2008, conforme sinaliza a base de preços Sinapi do orçamento básico - novembro de 2008. Com a ressalva exposta acima, entendemos que a irregularidade encontra-se sanada em relação ao Lote 01, embora o projeto necessite da aposição da data e assinatura do responsável. Contudo, não foi apresentado o ART referente ao Lote 02, fato que não elide por completo a irregularidade verificada, razão pela qual proporemos a determinação à Seinf para que apresente o ART relativo ao Lote 02, de forma a que impropriedade seja sanada por completo. 3.2 - Quantitativos inadequados na planilha orçamentária. 3.2.1 - Tipificação do achado: Classificação - outras irregularidades. Tipo Sobrepreço. Justificativa - A irregularidade é passível de regularização, não impedindo o prosseguimento do objeto. Alterações de classificação Projeto Básico de 30/11/2008, Manejo de Águas Pluviais e Sistema de Drenagem Urbana Sustentável - Lotes 1 e 2. Classificação alterada para outras irregularidades. A irregularidade encontrada pode ser sanada sem a necessidade de se realizar audiência dos responsáveis. 3.2.2 - Situação encontrada: O orçamento da obra apresentado no projeto básico não possui como referência de custos os preços estabelecidos no Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Página 16
Construção Civil), conforme preceitua a Lei de Diretrizes Orçamentária (Lei n. 11.768/2008), bem como apresenta percentual de BDI com itens indevidos e cálculo errôneo. Desse modo, adequando-se os valores da composição de custos apresentada aos valores constantes no Sinapi e o percentual do BDI, tem-se um sobrepreço no orçamento de alguns serviços do projeto básico. Fato que, se não revisto antes da contratação, acarretará prejuízos à Administração. 3.2.3 - Objetos nos quais o achado foi constatado: Projeto Básico de 30/11/2008, Manejo de Águas Pluviais e Sistema de Drenagem Urbana Sustentável - Lotes 1 e 2. 3.2.4 - Critérios: Acórdão 325/2007, TCU, Plenário. Lei 8.666/1993, art. 6º, inciso IX; art. 7º, 4º; art. 12. Lei 11.768/2008, art. 109, caput. 3.2.5 - Evidências: Orçamento dos Lotes constantes no projeto básico para Manejo de Águas Pluviais e Sistema de Drenagem Urbana Sustentável - Lotes 1 e 2 (folhas 1/62 do Anexo 1 - Principal). 3.2.6 - Esclarecimentos dos responsáveis: Defendeu os valores que não possuem referência Sinapi como preços colhidos em pesquisa de mercado apresentada à concedente. Em relação ao BDI, explicou que incluiu o item Administração Local em função de solicitação da CEF que não admite a colocação desse item na Planilha orçamentária tal qual o convenente havia feito originalmente e que os demais percentuais foram estimados conforme bibliografia especializada. 3.2.7 - Conclusão da equipe: No que tange aos custos sem a referência Sinapi, há que se esclarecer que o normativo legal, LDO, estabelece a utilização desse parâmetro em caráter relativo, e não absoluto. Em outras palavras, é possível a utilização de custos diversos do estabelecido no Sinapi, desde que estes estejam devidamente fundamentados nos autos, comprovando a variação indicada. É o que parece ter acontecido no caso em epígrafe, mesmo que a equipe de auditoria não tenha visto nos autos as cotações realizadas pelo convenente. Tal fato fundamenta-se em visita realizada a fornecedor local de tubos de concreto para drenagem, insumo que representa 20,65% da obra, em que se verificou a compatibilidade dos custos indicados no orçamento básico e aqueles praticados no mercado local. Mesmo assim, em momento oportuno, será proposta a determinação à CEF para que exija, nos orçamentos que lhes são apresentados, o código Sinapi ou as cotações de mercado utilizadas pelo proponente. (...) o TCU elaborou estudo, materializado no Acórdão n. 325/2007 Plenário, sobre o BDI. Assim utilizaremos os parâmetros indicados naquele julgado para corroborar as conclusões que faremos a seguir. Enfrentaremos a possibilidade de utilização de determinados itens no BDI e os seus percentuais. Nesse caso, o orçamento básico contempla os seguintes itens e valores em seu BDI: Administração central 6%; Lucro 15%; Impostos sobre o faturamento 6,15%; Imprevistos 1%; Despesas Financeiras 0,08%; Administração da Obra 5%; Mobilização de Pessoal e equipamentos 1%; Seguros 1,5%; e Taxas diversas 1%. (...) Itens que devem ser reduzidos: Página 17
1. Lucro é a remuneração do contratado decorrente da execução da obra. A sua estipulação depende de variáveis de difícil mensuração, como a estrutura de mercado na qual a obra esta inserida. Com isso, a estipulação de um percentual máximo para essa rubrica apresentase como temerário, entretanto, a utilização de percentuais de referência, baseados em pesquisas de mercado, já indicam uma boa margem de aceitabilidade. Extraindo os dados contido no Acórdão n. 325/2007 Plenário temos que Faixa de variação observada possui como percentual máximo 11,44% e como médio 8,58%. Claro que a natureza do empreendimento tratado no citado Acórdão difere da obra em epígrafe, por isso, acrescentaremos os dados de estudos da FIPE (pesquisa com dados dos 309 maiores construtores do País), que indica um percentual médio de 7,20%, mesmo valor indicado pelo SICRO e pela ASBRACO-DF. Nesse comenos, entendemos que o percentual aceitável para esse item é de 10% sobre o custo direto, portanto, menor que os 15% indicados no orçamento básico. Itens que devem ser retirados: 1. Seguros o seguro deve corresponder a objetos definidos da obra, pelos quais o empreendedor deseja ser ressarcido no caso de perdas e pode abranger casos de roubo, furto, incêndio, perda de máquinas ou equipamentos, dentre outros aspectos das obras civis. A garantia contratual está prevista no art. 56 da Lei n. 8.666/1993, que estatui poder a Administração Pública para exigi-la. Desta forma, as garantias e os seguros das obrigações contratuais são custos que resultam de exigências contidas nos editais de licitação e só podem ser estimadas caso a caso, mediante avaliação do ônus econômico-financeiro que poderá recair sobre o licitante. A respeito desse item, utilizando mais vez os ensinamentos do Acórdão/TCU n 325/2007, cabe esclarecer que a Garantia foi observada apenas na composição de LDI de Furnas, e que a sua cobrança em obras civis em geral não é usual. Dessa forma, entendemos não ser razoável a existência desse item, até porque o percentual indicado no projeto 1,5% supera em muito o máximo referencial de 0,4% ao ano. 2. Administração da Obra e Mobilização de Pessoal e equipamentos a Administração Local consiste em despesas incorridas para manutenção das equipes técnica e administrativa e da infra-estrutura necessárias para a consecução da obra. Os itens que integram a Administração Local, apesar de comporem o custo direto, não estão associados diretamente a uma composição de serviço do empreendimento. Cabe, portanto, ressaltar que o custo direto pode ser visto de modo stricto sensu e lato sensu. De maneira restrita pode-se considerar o custo direto como aquele em que estão inseridos os serviços que integrarão o produto final. De forma ampla, o custo direto, além dos custos anteriormente descritos, englobará aqueles que, apesar de não especificamente associados ao produto final, estão diretamente ligados à execução dos serviços. É importante esse destaque, pois, em deliberações do TCU que versam sobre contratos de obras, verificou-se a orientação de desonerar o LDI dos respectivos contratos com a exclusão de custos a esses assemelhados. Confirma-se, dessa forma, a orientação de evitar, no cálculo do LDI, o cômputo de qualquer custo que possa ser associado diretamente à execução da obra, impedindo a incidência indevida ou em duplicidade desses elementos sobre os demais custos diretos calculados para a obra. Vale ressaltar que a inclusão da Administração Local ou de algum elemento que a devesse integrar eleva o percentual do LDI, o que, em casos de repactuação de preços ou de mudanças de especificação de algum item da obra, pode elevar o preço da obra de forma inadequada. Sobre a Mobilização e Desmobilização a parcela de mobilização compreende as despesas para transportar, desde sua origem até o local aonde se implantará o canteiro da obra, os recursos humanos, bem como todos os equipamentos e instalações. Como exemplo, a administração local, a mobilização/desmobilização e a instalação do canteiro, são itens que, embora não representem serviços unitários, são custos diretos e devem ser apropriados como tais no orçamento da obra, pois decorrem diretamente da sua execução. Como se depreende dos já lançados conceitos de custos diretos e indiretos, a distinção entre eles é essencial nesse método de formação de preço de obra, pelo qual se utiliza o LDI. Este critério, além de facilitar a medição e a fiscalização dos itens executados, possibilita à Administração Página 18
evitar indesejáveis impactos que eventuais aditivos para mudança de especificações de materiais e/ou equipamentos, por exemplo, possam acarretar no preço final da obra sem que aumento nos custos indiretos de fato tenha ocorrido. 3. Taxas diversas como o próprio nome indica este item não apresenta sequer os custos que pretende cobrir, podendo ser destinado para fins indeterminados, inclusive aqueles já constantes no BDI, como o lucro. Não há argumentação legal ou técnica para sustentar a presença dessa rubrica na composição do BDI. Refazendo o cálculo do BDI apresentado, devidamente ajustados às explicações expostas acima tem-se: Administração central 6%; valor admitido. Lucro 15%; percentual reduzido para 10%. Impostos sobre o faturamento 6,15%; valor admitido. Imprevistos 1%; valor admitido. Despesas Financeiras 0,08%; valor admitido. Administração da Obra 5%; valor retirado. Mobilização de Pessoal e equipamentos 1%; valor retirado. Seguros 1,5%; valor retirado. Taxas diversas 1%; valor retirado. Aplicando-se à fórmula, chegamos a um percentual de 26,49% para o BDI, valor contido na faixa de referência apontada no Acórdão n. 325/2007. Como o entendimento a respeito da composição do BDI encontra guarida na jurisprudência desta Corte, proporemos a determinação à Seinf para que o corrija o BDI dos orçamentos básicos dos Lotes 01 e 02, aplicando-se o novo percentual (26,49%). Nos trabalhos de campo desta equipe, verificou-se que a CEF possui entendimento diverso desta Corte em relação à constituição do BDI. Segundo a equipe técnica da Caixa, itens como Administração local e Mobilização de Pessoal e equipamentos devem permanecer no BDI, ao invés da planilha de orçamento. Assim, cabe ainda determinação à CEF para que acate as mudanças a serem realizadas pela Seinf e envide esforços no sentido de harmonizar os seus parâmetros com os utilizados por esta Corte. 3.3 - Foram firmados dois ou mais convênios (por órgãos distintos da Administração Pública) para o mesmo objeto. 3.3.1 - Tipificação do achado: Classificação - outras irregularidades. Tipo - Projeto básico/executivo deficiente ou inexistente. Justificativa - A irregularidade pode ser sanada, na medida em que o valor referente ao ponto sobreposto for retirado do orçamento básico realizado pelo Governo do Estado de Roraima. Alterações de classificação Projeto Básico de 30/11/2008, Manejo de Águas Pluviais e Sistema de Drenagem Urbana Sustentável - Lotes 1 e 2. Classificação alterada para outras irregularidades. A irregularidade encontrada pode ser sanada sem a necessidade de se realizar audiência dos responsáveis. 3.3.2 - Situação encontrada: Analisando os pontos de alagamentos a serem contemplados com o sistema de drenagem, verificou-se que o Ponto Crítico P30, integrante do Lote 2, já foi alvo de ação governamental, com a implantação da drenagem pela Prefeitura de Boa Vista/RR, havendo inclusive a propaganda institucional sobre a conclusão desse empreendimento. Desta forma, resta caracterizado a sobreposição de obras para corrigir o mesmo ponto de alagamento. 3.3.3 - Objetos nos quais o achado foi constatado: Página 19
Projeto Básico de 30/11/2008, Manejo de Águas Pluviais e Sistema de Drenagem Urbana Sustentável - Lotes 1 e 2. 3.3.4 - Critérios: Instrução Normativa 1/1997, STN, art. 25, parágrafo único. 3.3.5 - Evidências: Projeto Básico para Manejo de Águas Pluviais e Sistema de Drenagem Urbana Sustentável - Lote 1 e Lote 2 (folhas 1/113 do Anexo 1 - Principal). 3.3.6 - Esclarecimentos dos responsáveis: Os responsáveis não foram ouvidos previamente a respeito. 3.3.7 - Conclusão da equipe: Além da obras realizadas pela SINF, existem obras de drenagens sendo executadas na cidade de Boa Vista/RR pela Secretaria de Obras e Urbanismo da Prefeitura. Na imprensa local são constantemente divulgadas inaugurações dessas obras. Fato que ocorreu com o ponto de alagamento P30 (fl. 116 - Anexo 2) constante da obra a ser financiada com os recursos ora auditados. Esta Equipe de Fiscalização, antes de fechar o presente relatório, observou que este ponto de alagamento é coincidente com uma mesma obra de drenagem já executada e inaugurada recentemente pela Prefeitura na Av. Brigadeiro Eduardo Gomes, imediações do Parque Anauá. Dessa forma, torna-se evidente a sobreposição de recursos para a solução de um mesmo problema. Com isso, proporemos determinação à Seinf para que exclua do projeto básico e consequentemente de seu orçamento o ponto de alagamento P30 (fl. 116 - Anexo 2). 9. Propõe a equipe de auditoria, ao cabo do referido Relatório de Fiscalização, que o Tribunal expeça as seguintes determinações (fls. 59/61): 9.1. à Secretaria Estadual de Infra-estrutura de Roraima Seinf para que: 9.1.1. apresente a Anotação de Responsabilidade Técnica ART relativa ao Lote 02 do projeto básico; 9.1.2. corrija o BDI dos orçamentos básicos dos Lotes 01 e 02, aplicando-se o percentual de 26,49%; 9.1.3. exclua do projeto básico e, conseqüentemente, da planilha orçamento o ponto de alagamento P30 (fl. 116 - anexo 2), uma vez que o referido ponto já foi contemplado com obras de drenagem realizadas pela Prefeitura de Boa Vista/RR; 9.2. à Caixa Econômica Federal CEF para que acate as mudanças a serem realizadas pela Seinf e envide esforços no sentido de harmonizar os seus parâmetros com os utilizados por esta Corte, notadamente os relativos à composição do BDI. 9.3. Arquivar o presente processo. É o Relatório. VOTO Trago à apreciação desta Corte o Relatório de Levantamento de Auditoria realizado pela Secex/RR nas obras de implantação do sistema de drenagem na cidade de Boa Vista/RR, no período de 22/04 a 27/05/2009, inscrita no Programa de Trabalho n. 17.512.1138.7L70.0056, em cumprimento ao Acórdão n. 345/2009 Plenário (Fiscobras 2009). 2. Ressalto, inicialmente, a importância socioeconômica do empreendimento em tela, eis que as obras de drenagem proporcionarão a resolução dos pontos críticos de alagamento em Boa Vista/RR, objetivando garantir a melhoria das condições de vida da população, em especial na área de saúde, prevenindo o aparecimento de doenças e calamidades relacionadas ao regime de chuvas da região. 3. Consoante noticia o Relatório supra, o volume de recursos fiscalizados corresponde ao montante de R$ 22.711.513,54. Página 20
4. De ressaltar que os recursos aplicados no empreendimento em tela são provenientes de dotações orçamentárias do Ministério das Cidades e foram repassados mediante dois Contratos de Repasse CR n. SIAFI 631251 e CR n. SIAFI 646367, firmados entre a Caixa Econômica Federal CEF e o Governo do Estado de Roraima. 5. Vale registrar que o empreendimento possui apenas projeto básico, ainda não aprovado pela CEF, não existindo, portanto, procedimento licitatório para execução física da obra. 6. Sobressaem dos trabalhos fiscalizatórios efetuados pela equipe da Secex/RR irregularidades que, embora não justifiquem a paralisação das obras, ensejam determinações corretivas por parte desta Corte de Contas, razão pela qual acolho, em essência, o encaminhamento sugerido pela unidade técnica. Nessa linha de raciocínio, passo a examinar alguns dos achados de auditoria especificados no Relatório precedente. 7. Constatou-se, no Projeto Básico para Manejo de Águas Pluviais e Sistema de Drenagem Urbana Sustentável Lotes 1 e 2, que há itens incluídos de forma indevida na composição do BDI. 8. Tomando por parâmetro o Acórdão n. 325/2007 Plenário, que cuidou do Relatório do Grupo de Trabalho composto com o objetivo de propor critérios de aceitabilidade para o Lucro e Despesas Indiretas em obras de implantação de linhas de transmissão de energia elétrica, a equipe propôs uma readequação dos itens e valores contemplados no BDI em exame, conforme o quadro comparativo abaixo: ITEM DO BDI PRECENTUAL VERIFICADO PROPOSTA DA EQUIPE Administração central 6%; Admitir Lucro 15% Reduzir para 10% Impostos sobre o faturamento 6,15% Admitir Imprevistos 1% Admitir Despesas financeiras 0,08% Admitir Administração da obra 5% Retirar Mobilização de pessoal e 1% Retirar equipamentos Seguros 1,5% Retirar Taxas diversas 1%. Retirar TOTAL 40% 26,49 9. Para melhor compreensão da temática em foco, transcrevo trechos do artigo intitulado Um aspecto polêmico dos orçamentos de obras públicas: Benefício e Despesas Indiretas (BDI), de autoria dos Auditores Federais de Controle Externo AUFCs André Luiz Mendes e Patrícia Reis Leitão Bastos, publicado na Revista do Tribunal n. 88, abril/junho de 2001, no ponto em que esclarece as premissas adotadas para estipulação de uma taxa de BDI de referência para as contratações de obras públicas: Verifica-se que há certa variabilidade e que os percentuais adotados estão entre 20% e 40%. Essas diferenças observadas entre os BDI s adotados pelos órgãos públicos devem-se, possivelmente, ao fato de a composição dos mesmos incluir itens bastante diferenciados. Se forem utilizados os critérios propostos neste estudo para inclusão de despesas no BDI, obtém-se uma taxa em torno de 30%. Como não há nenhuma norma que determine o que deve ou não ser incluído como Bonificação e Despesa Indireta (BDI), a utilização de um critério contábil para classificar os gastos que podem ser considerados como despesas indiretas é uma forma de se delimitar tecnicamente quais os itens que compõem o BDI. Sob esse prisma, o BDI deve conter apenas gastos que contabilmente são classificados como despesas indiretas, quais sejam: administração central, ISS, PIS, COFINS, CPMF, mobilização e desmobilização, despesas financeiras e seguros/imprevistos. Qualquer outro gasto deve ser incluído analiticamente na planilha orçamentária como custo direto. (...) Página 21
Quando da análise dos orçamentos de obras públicas, a utilização de um critério técnico para delimitação do que deve estar contido na planilha orçamentária e do que compõe o BDI é um facilitador, especialmente quando se sabe que os mais diversos gastos têm sido incluídos como Benefícios e Despesas Indiretas, dando margem, muitas vezes, a questionamentos quanto à sua justa remuneração. 10. Sobressai ainda do arrazoado lavrado pelos AUFCs os seguintes itens e percentuais máximos para composição do BDI: - Lucro: 8%; - Administração Central: 6%; - Despesas Financeiras: 1,12%; - Seguros/Imprevistos: 1,0%; - ISS: 2,0%; - COFINS: 3,0%; - PIS: 0,65%; - CPMF: 0,38%. 11. No que concerne ao tema BDI, preliminarmente, cumpre esclarecer que não há como se estipular o percentual preciso a ser aplicado para essa taxa, porquanto a adequabilidade do custo arbitrado está associada às características da obra em questão e às especificidades dos serviços incluídos como custos diretos na planilha orçamentária. 12. Dessarte, o BDI só pode ser considerado inadequado se analisada pormenorizadamente sua composição. Nessa linha de intelecção, o artigo reproduzido acima sugere que a faixa apropriada para o BDI estaria entre 20% e 40%, contudo, podem ser aplicados percentuais superiores ou inferiores a esse intervalo, desde que devidamente justificados. 13. Passando ao exame do caso concreto, observo que o BDI utilizado pela Seinf está dentro do intervalo mencionado no estudo. 14. Assim, qualquer análise acerca dos itens que compõem essas taxas deve ser feita de forma conjunta, de modo a apreciar se a adoção de um percentual mais elevado para determinada despesa não está sendo devidamente compensada por estipulação de gastos menores em outros itens. 15. O exame da taxa de BDI deve ser efetuado sobre essa ótica conjuntural. O percentual de impostos sobre o faturamento verificado nos autos de 6,15%, por exemplo, estaria elevado se comparado com o valor utilizado como referência no artigo supracitado que é de 5,65%. Contudo, o percentual de despesas financeiras de 0,08% estaria inferior ao parâmetro (artigo) de magnitude em torno de 1,2%. 16. O que é necessário observar é se o acréscimo de um item compensa a desconsideração ou a redução de outro. No parecer da unidade técnica, para o cômputo do BDI foi feita apenas análise isolada de itens sem se proceder a essa necessária compensação. 17. Nesse sentido, creio que não cumpre ao TCU estipular percentuais fixos para cada item que compõe a taxa de BDI, ignorando as peculiaridades da estrutura gerencial de cada empresa que contrata com a Administração Pública. O foco desta Corte de Contas deve ser o de impedir que sejam pagos valores abusivos ou injustificadamente elevados e, nesse mister, é relevante obter taxas de referência, mas pela própria logística das empresas e suas especificidades é natural que ocorram certas flutuações de valores nas previsões das despesas indiretas e da margem de lucro a ser obtida. 18. A título de ilustração, no que se refere à complexidade em se fixarem percentuais de lucro contidos nas taxas de BDI, cito o caso do TC-005.361/2003-0, de minha relatoria, no qual a Secretaria de Fiscalização de Obras Secob propôs a adoção de lucro referente à execução de serviços de engenharia em torno de 11%, enquanto que, nos autos do TC-006.754/2007-4 (também de minha lavra), o valor proposto pela Secretaria especializada variava entre 9% e 7%, respectivamente, para os Contratos ns. 10/2007 e 72/2005. 19. Diante desse contexto, entendo ser pertinente determinar à Seinf que envie a este Tribunal, no prazo de 30 dias a contar do recebimento da notificação, os estudos e/ou critérios utilizados pelo órgão para definição do lucro verificado no BDI em exame. Página 22
20. Quanto à proposta de retirada de alguns componentes do BDI, ressalto minha concordância no tocante à necessária exclusão dos itens relativos à administração da obra e à mobilização de pessoal e equipamentos, porquanto gastos dessa natureza são perfeitamente quantificáveis e apropriáveis à execução dos serviços orçados, afigurando-se correto estarem discriminados na planilha orçamentária. Dessa forma, há que se determinar à Seinf que faça os expurgos retromencionados e os incluam no orçamento como custos diretos. 21. Acerca do item taxas diversas, além de não ser caracterizado como custo indireto, não há nos autos elementos que especifiquem ou discriminem a que tipo de despesa esse item se refere, portanto deve ser excluído do BDI. 22. Relativamente à proposta de retirar outro componente do BDI, qual seja, seguros, entendo, de forma diversa ao que sugere a equipe, que tal item pode constar do BDI, eis que pertinente à obra de implantação do sistema de drenagem ora em exame. 23. Outra impropriedade observada pela equipe de fiscalização consiste na inexistência da Anotação de Responsabilidade Técnica do projeto básico referente ao Lote 02. 24. A Lei n. 6.496/1977, em seu art. 1º, impõe que: Todo contrato, escrito ou verbal, para a execução de obras ou prestação de quaisquer serviços profissionais referentes à Engenharia, à Arquitetura e à Agronomia fica sujeito à Anotação de Responsabilidade Técnica (ART).. Já o art. 2º desse diploma legal traz a finalidade da ART, verbis: A ART define para os efeitos legais os responsáveis técnicos pelo empreendimento de engenharia, arquitetura e agronomia. 25. Como se vê, a ART é peça obrigatória para obras de engenharia, cujo escopo permite a especificação tanto dos técnicos que elaboram os projetos quanto daqueles que executam as obras, com vistas a possibilitar a responsabilização em caso de eventuais erros detectados em qualquer das etapas do empreendimento. Ademais disso, permite ainda a verificação acerca do cumprimento do disposto no art. 9º da Lei n. 8.666/1993, que veda a participação dos autores do projeto básico, pessoas físicas ou jurídicas, na execução da obra ou serviço. Adequado, portanto, expedir determinação à Seinf para que adote providências no sentido de regularizar tal situação. 26. Quanto às demais ocorrências, acolho como razões de decidir o exame efetuado pela unidade técnica, bem como as determinações corretivas que foram sugeridas, com ajustes, sem o prejuízo de acrescentar ao encaminhamento determinação à Secex/RR para que acompanhe a adoção de medidas por parte da Seinf, em especial, àquelas concernentes aos ajustes no BDI. 27. Por fim, compreendo que não se faz necessária a comunicação específica à Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso Nacional, sobre a presente deliberação, uma vez que este Plenário, por meio do Acórdão n. 345/2009, autorizou a entrega do relatório consolidado das auditorias Fiscobras/2009 à Presidência do Senado Federal. Ante o exposto, voto por que seja adotada a deliberação que ora submeto a este Colegiado. T.C.U., Sala das Sessões, em 12 de agosto de 2009. MARCOS BEMQUERER COSTA Relator ACÓRDÃO Nº 1795/2009 TCU Plenário Página 23
1. Processo TC-006.585/2009-6. 2. Grupo: I Classe de Assunto: V Relatório de Levantamento de Auditoria. 3. Interessado: Congresso Nacional. 4. Órgão: Secretaria Estadual de Infra-estrutura de Roraima Seinf. 5. Relator: Auditor Marcos Bemquerer Costa. 6. Representante do Ministério Público: não atuou. 7. Unidade Técnica: Secex/RR. 8. Advogado constituído nos autos: não há. 9. Acórdão: VISTOS, relatados e discutidos estes autos do Relatório de Levantamento de Auditoria realizado nas obras de implantação do sistema de drenagem na cidade de Boa Vista/RR, em cumprimento ao Acórdão n. 345/2009 Plenário (Fiscobras 2009). ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão Plenária, ante as razões expostas pelo Relator, em: 9.1. determinar à Secretaria Estadual de Infra-estrutura de Roraima Seinf que: 9.1.1. providencie a emissão da Anotação de Responsabilidade Técnica ART do projeto básico referente ao Lote 02; 9.1.2. retire do percentual de BDI utilizado no projeto básico as despesas concernentes à administração local da obra e à mobilização de pessoal e equipamentos, as quais deverão ser incorporadas à planilha analítica dos serviços; 9.1.3. expurgue do percentual de BDI o item denominado taxas diversas, por não se caracterizar como custo indireto e por não constar elementos que discriminem a que tipo de despesa esse item se refere; 9.1.4. exclua do projeto básico e, conseqüentemente, da planilha orçamento o ponto de alagamento P30 (fl. 116, anexo 2), uma vez que o referido ponto já foi contemplado com obras de drenagem realizadas pela Prefeitura de Boa Vista/RR; 9.1.5. envie a este Tribunal, no prazo de 30 dias a contar do recebimento da notificação, os estudos e/ou critérios utilizados pelo órgão para definição do lucro verificado no BDI; 9.2. determinar à Secex/RR que acompanhe a adoção das medidas consignadas acima por parte da Seinf, em especial, àquelas atinentes aos ajustes no BDI. 10. Ata n 32/2009 Plenário. 11. Data da Sessão: 12/8/2009 Ordinária. 12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-1795-32/09-P. 13. Especificação do quorum: 13.1. Ministros presentes: Ubiratan Aguiar (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro e José Jorge. 13.2. Auditores convocados: Augusto Sherman Cavalcanti e Marcos Bemquerer Costa (Relator). Página 24
13.3. Auditores presentes: André Luís de Carvalho e Weder de Oliveira. UBIRATAN AGUIAR Presidente MARCOS BEMQUERER COSTA Relator Fui presente: LUCAS ROCHA FURTADO Procurador-Geral Página 25
S U M Á R I O Título Página 1 - APRESENTAÇÃO 1 2 - INTRODUÇÃO 1 2.1 - Deliberação 1 2.2 - Visão geral do objeto 1 2.3 - Objetivo e questões de auditoria 1 2.4 - Metodologia Utilizada 2 2.5 - VRF 2 2.6 - Benefícios estimados 2 3 - ACHADOS DE AUDITORIA 2 3.1 - Ausência de ART do projeto básico. (OI) 2 3.2 - Quantitativos inadequados na planilha orçamentária. (OI) 3 3.3 - Foram firmados dois ou mais convênios (por órgãos distintos da 8 Administração Pública) para o mesmo objeto. (OI) 4 - CONCLUSÃO 9 5 - PROPOSTA DE ENCAMINHAMENTO 9 6 - ANEXO 11 6.1 - Dados cadastrais 11 6.1.1 - Projeto básico 11 6.1.2 - Execução física e financeira 11 6.1.3 - Contratos de repasse 12 6.1.4 - Histórico de fiscalizações 12 6.2 - Deliberações do TCU 13 6.3 - Apreciação 15