Guia de escalada do Setor 3 Parte 1



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Transcrição:

Guia de escalada do Setor 3 Parte 1 Advertência Escalada em rocha é uma atividade de expõe os praticantes a riscos, até mesmo de morte. O uso de equipamentos e técnicas adequadas diminuem esses riscos, mas não os isentam totalmente. Este guia de vias não é um manual de escalada e não isenta da necessidade de treinamento apropriado com guia experiente. Incentivamos que os usuários desse guia tenham treinamento adequado com instrutores experientes, na atividade de escalada com proteções móveis e que estejam se atualizando constantemente. O autor e seus colaboradores são isentos de qualquer responsabilidade do uso que será feito com essas informações. Agradecimentos Gostaria de agradecer as várias pessoas que colaboraram de varias formas na elaboração desse guia, provavelmente não conseguirei mencionar todas, mas segue uma lista de alguns: Ed*, escalador e amigo que a tempo tem catalogado as vias dos diversos setores e dado diversas informações adicionais. Roberta, minha esposa que colaborou revisando e apoiando a produção do guia. Burda, Ed, Fafá, Formiga, Juca, Mo, Minhoca, Nativo, Val, Vita, Wilson, Willian, e outros que foram muito importantes em acrescentar informações, principalmente na parte de história do guia. Mauricio Caminha estudante de Geologia que escreveu a parte das informações geológicas. Chiquinho, Juquinha, Roberta Nunes, Kava, que colaboraram com sugestões nos desenhos e graduação das vias. Daniel, Klock, Otto, Berno, Vanessa e outros que foram diversas vezes escalar as vias para confecção do guia e deram sugestões sobre as graduações e outras. * Verificar na listagem de nomes Objetivo do guia Em setembro de 2005 ao analisar a ultima listagem de vias do Setor 3, verificamos que essa estava muito desatualizada da realidade. Por isso, com a ajuda de várias pessoas, iniciamos um trabalho de catalogação das vias desse setor com base na listagem do Ed que foi publicada na revista Head Wall N 7 ago/set 2003. O trabalho que segue visa divulgar as vias do Setor 3 de São Luiz do Purunã, dando ao leitor informações suficientes para que o usuário possa acessar e escalar as vias. Informação Geológica Por Mauricio Caminha Escarpa Devoniana A Escarpa Devoniana é uma escarpa de relevo de cuesta e se estende por cerca de 260 km, entre os estados de São Paulo e Paraná e apresenta amplitudes entre 100 e 200 m e separa o Primeiro e o Segundo Planalto Paranaense. É assim denominada por ser sustentada pelo Arenito Furnas, de idade devoniana. Os arenitos da Formação Furnas são pertencentes ao Grupo Paraná da Bacia da Paraná. Essa formação é constituída por arenitos esbranquiçados de granulação grossa à média, intercalados com camadas e lentes de arenitos médios a finos, níveis de conglomerados e os minerais predominantes nessas rochas são: o quartzo, o feldspato e a muscovita. Estruturas geradas durante a sedimentação, estratificações plano paralelas, cruzadas e marcas de ondas, são bem visíveis por toda a escarpa. Existe controvérsia quanto ao ambiente de formação dessas rochas, onde muitos autores sugerem um ambiente marinho, enquanto outros um ambiente fluvial, mas estudos recentes sugerem uma passagem do ambiente marinho para fluvial devido a regressão do nível do mar. A sua formação está associada a uma série de processos geodinâmicos, relacionados com a separação do antigo continente, conhecido como Gondwana e a origem do Atlântico Sul.

História A prática da escala técnica em rocha nos arenitos paranaenses vem desde 1970, vários locais como Vila Velha em Ponta Grossa, Morro do Monge na Lapa e também a escarpa de São Luiz do Purunã, foram locais explorados para a prática dessas atividades. Segundo entrevistas com o Vita, na época havia uma mentalidade diferente, não se admitia escalar com corda de cima, além disso, não era conhecida a técnica de instalação de proteções fixa para o arenito, houve até mesmo uma tentativa de instalação de uma proteção fixa em arenito na época, mas sem sucesso. A maior parte das escaladas era em chaminés, como não houve a instalação de proteções fixas não foi aberta nenhuma via que possa ser localizada atualmente. Por volta de 1977, Bito e Wilson já escalaram com corda de cima algumas paredes na região de Ponta Grossa, como no Salto São Jorge e no Buraco do Padre, mas não temos muitas informações adicionais sobre essa época. Em 1987 o Minhoca esteve escalando em Red Rocks (EUA, Nevada, Las Vegas) onde escalou em arenito. Na volta ao Brasil junto com o Nativo estiveram escalando na região próxima de Ponta Grossa locais como Vila Velha e Buraco do Padre. Em Vila Velha eles escalaram algumas vias com corda de cima, fato importante é que chegaram a abrir vias com material móvel para alcançar o topo de algumas paredes. Atualmente é proibido escalar no Parque Estadual de Vila Velha, conforme as normas para a visitação, que no item 8 diz: 8. É proibido o ingresso no Parque, portando qualquer tipo de armas. É proibida a caça, pesca, atividades de escalada em rocha ou rapel. Caça e pesca são passíveis de multa e prisão. Em 1988, Minhoca e o Nativo organizaram um campeonato de escalada em rocha em Arcos, foi um evento marcante, eles usaram faixas fixadas na parede para demarcar por onde os competidores poderiam passar, a segurança foi feita com corda de cima. Algum tempo depois do campeonato houve problemas com o proprietário do terreno e foi proibido escalar no local. Sika Em 1990 o Nativo esteve escalando na Espanha e de lá trouxe a Sikadur 32, fabricado pela Sika, essa cola epóxi, que se prepara misturando 2 componentes, permitiu a instalação de proteções fixas e por conseqüência a abertura de vias guiadas. Entre 1992 o Nativo deu um curso de escalada em Ponta Grossa, a convite do Wilson, em seguida começaram a ser abertas algumas vias no Buraco do Padre e no Salto São Jorge. Inicialmente com corda de cima e depois com as proteções intermediárias, uma das primeiras vias equipadas com as proteções intermediárias foi a Paleolítico Superior no Salto São Jorge. O Wilson foi figura muito importante na escalada em Ponta Grossa, junto com o Nativo, eles instalaram 8 grampos no arenito do Buraco do Padre conforme a matéria publicada no Montain Voices N 22 de mar/abri 1994, diz: Todas as escaladas nesta pedra ainda são feitas em top rope, onde foram colocados 8 grampos para arenito (12mm por 23 cm) para ancoragem. Em 1992 Marcos, Márcia e Burda estiveram no Setor 1 e instalaram alguns ferros de construção no solo a uns 20m da borda da parede, na área de onde hoje é a via Bocó, a partir dessas 3 ancoragens instalaram cordas de cima e abriram algumas vias. Na revista Vertigem N 3 eles relataram: Por volta de outubro de 1992, Marcos e Gilson estiveram na região para a primeira investida, Em uma segunda investida nós (Marcos, Irivan e Márcia) conquistamos a via Mad Max (hoje chamada de Boluda). O nome é analogia ao filme Mad Max por causa do visual da fábrica de cimento Itambé. Na 3 investida, ainda em 1992, Marcos e Gilson conquistaram as vias Mad Maxs II e III, já com a fixação dos ferros de construção. Foram armados três paradas com 3 ferros cada. Em 1994 já havia vários escaladores que freqüentavam o Setor 1, usando as ancoragens instaladas no campo. No Setor do Cânion da Faxina, a primeira via aberta foi a Sonoras Causas, com corda de cima por Cesar Roscoche e outros, de Campo Largo, não sabemos se foi usado Sika nas proteções dessa via. Em 1995 o Nativo, repassou uma matéria da revista Desnível que tratava em detalhes dos métodos de instalação de proteções fixas em vários tipos de rocha. Com essas informações o Ed e França começaram a instalar as primeiras proteções fixas coladas no Setor 1, na via que eles chamaram de Jumping Jack. Em 1997 foi aberta a Xote das Meninas, no Setor 1, foi uma via importante por que até então não se abria vias de baixo, pelo menos em São Luiz do Purunã, e não se confiava nas proteções móveis em arenito. Na revista Vertigem N 2 de dez/97 o Ed conta a seguinte passagem sobre a abertura dessa via: Neste ponto, o Alexandre já estava muito longe do ultimo grampo e como até hoje nunca levamos quedas grandes, com equipamento móvel em arenito, para saber se os friends seguram, a torcida local pedia para que batesse uma proteção urgentemente. Mesmo assim, resolveu escalar sem bater outro grampo. Na Xote das Meninas foi usado grampos de ½ por 12 cm, depois disso foram testado chumbadores de grande expansão (modelo Omega da Tecnart), durante a abertura com corda de cima na via Chico Science. Com a parada pré instalada foi simulada uma queda sobre a proteção recém colocada, que estava com a Sika ainda mole, com isso percebeu-se que era viável abrir vias de baixo com chumbadores e cola. Em 1999, foi aberta a Virada do Sol, a primeira via do Setor 2, com corda de baixo pelo Juliano Araújo e Cristiano Kulka.

Setor 3 Em 1998/99, o Ceusnei e outros verificaram através de cartas topográficas e curvas de nível, que em toda a região de São Luiz do Purunã havia paredes com boas possibilidades de abertura de vias. Eles observaram que próximo do Setor 2 estavam uma dessas paredes. O Ceusnei foi ao local e escalou os lances de boulder onde hoje é a área da Lacas Podres na base da Upgrade e da Gulich. Em outra oportunidade voltou acompanhado do Formiga e do Fafá que instalaram algumas proteções para abrir uma via com corda de cima, no entanto, o Formiga teve de viajar a trabalho e não foi dada continuidade a essa via. Em 2000 o Rodrigo Perna e o Luiz Pastor estiveram novamente no setor 3 e começaram a abrir a via Mamilos, com corda de cima. Depois eles convidaram o Beleza, Mo e Val, para conhecerem o setor novo, como eles já tinham experiência em escalar com material móvel no Salto São Jorge em Ponta Grossa, começaram progressivamente a abrir diversas vias a maioria de baixo, outros escaladores também começaram a escalar e abrir novas no setor. Na Revista Fator 2 nº14 de junho 2001, o Mo escreveu: Por ser escalada móvel fazíamos de 1 a 2 conquistas por dia e em 8 meses já havia 32 vias. A maioria das vias possuem fendas ou fissuras (horizontais e verticais) como a via 'Ajoelhou Tem Que Rezar', onde o escalador começa em livre até chegar num pequeno platô com um mini teto que obriga o escalador a ficar de joelhos para entrar em artificial numa fissura onde vão muito micro stopers e tcus. Muitas vias possuem trechos negativos e tetos como a 'Coliformes Mentais' (possível VIII) com uma seqüência de 4 tetos bem atléticos. Outras vias exigem variadas técnicas como a 'Diedro de Isis' VIsup, um belíssimo diedro que ganha negatividade no final e varia entre entalamento de membros, oposição, fissuras, agarras e até uns 2 a 3 movimentos de chaminé. Nessa matéria foram alistadas 28 vias nesse setor e foi feito o primeiro desenho de localização das vias. Em 2002/2003 as linhas óbvias já haviam sido abertas, iniciou uma fase de abertura de vias mais difíceis, inclusive vias de caráter esportivo. Além disso, várias vias que eram feitas em artificial foram escaladas em livre. Na listagem de vias compiladas pelo Ed e que foi publicada na revista Head Wall N 7 ago/set 2003 havia 59 vias no Setor 3. Em 2004/2005 o Mo aprovou um projeto junto da SMEL (Secretaria Municipal de Esportes e Lazer) na Prefeitura de Curitiba, no qual ele recebeu um patrocínio para abrir uma série de vias e áreas novas. Os irmãos Roque e Joel abriram várias vias, muitas delas expostas e de graduação forte. Ainda foram abertas outras vias, guiadas e com corda de cima em áreas já existentes, como na Black Storm e Velhos Amigos. Em 2006, foram abertos alguns projetos na área da Cachoeira e outros. Futuro A perspectiva para o futuro do Setor 3 é que sejam abertas vias em outras áreas que ainda não foram exploradas, ou vias mais difíceis, provavelmente de caráter esportivo com proteções fixas ou mistas. O guia descreve a ética usada nessas várias vias e espera-se que os escaladores que venham a abrir novas vias continuem com essa mesma mentalidade, dessa forma mantendo o alto nível das vias. Ética do Setor 3 O objetivo desse tópico não é fixar uma ética para o setor, sim explicar quais foram aos princípios que os escaladores seguiram ao abrir as diversas vias, sendo: Escalada limpa, é a opção por se usar o menos número de proteções fixas possível, para isso se procurou linhas onde pudessem ser usada proteções móveis, mesmo que em algumas vias isso significasse uma maior exposição do guia, ou que fosse necessário escalar em artificial. Também se optou por compartilhar a mesma parada em vias próximas. Escalada livre, a maior parte das vias foram abertas em livre, em algumas vias foram forças as passagens em artificial e posteriormente foram trabalhadas em livre.(ex: Velhos amigos e Ajoelho). Abertura de baixo a maioria das vias foram abertas de baixo. Abertura de vias de alta graduação, como o Setor 1 ou do Cristo é de fácil acesso e basicamente esportivo, com um número muito grande de vias de graduação em torno de 6 e 7 grau, das 36 vias listadas na Head Wall n 7, 27 vias são de 6 ou 7 e carência de vias de 8 (1 via) e 9 (1 via), por isso se optou por abrir vias esportivas no Setor 3 com a graduação mínima em torno de 8 (ex: Red Bull, Amargura, Oriente Médio) Abertura de novas vias Esperamos que quando outros escaladores foram abrir novas vias nesse setor procurem seguir esses princípios. Isso irá garantir vias de boa qualidade, e darão oportunidade a existir um setor no qual possa se usar ao máximo as possibilidades da escalada limpa e em livre, que a natureza tão gentilmente nos ofereceu. Lembramos que em torno de Curitiba não existe outro setor que tenha tantas possibilidade de vias protegidas com material móvel, de fácil acesso e que permita que os escaladores se desenvolvam nesse tipo de escalada, que é a tendência de várias escolas do mundo.

Glossário Optamos por usar algumas expressões que definem melhor o que gostaríamos que o leitor entendesse, sendo: Abrir uma via: não quisemos usar a expressão mais comum de conquista, por se tratar de uma expressão que se baseia no pensamento de que o ser humano é superior a natureza e que ela está ali para ser superada e usada como ele bem entender. A idéia de abrir uma via está mais em harmonia com a escalada limpa e em livre. Abertura de baixo: é quando os escaladores abrem uma nova rota de baixo para cima sem reconhecer previamente a rota por cima. Abertura de cima: é quando os escaladores fixam corda na parte de cima da via para analisar os movimentos, limpar e se necessário instalar previamente proteções fixas ou móveis. Esse é um recurso muito usado em falésias de arenito por vários motivos, como: blocos soltos, fendas escondidas atrás de vegetação seca, abelhas ou vespas, avaliar as reais possibilidades de abertura no caso de vias difíceis, verificar o melhor local para instalar as proteções fixas, ou pela facilidade de reconhecimento a partir de uma parada já estabelecida de uma via ao lado. Uso do local Embora a Escarpa Devoniana seja uma APA (Área de Proteção Ambiental) ela se encontra cercada de propriedades particulares, os acesso passam por tais propriedades. Desde 1.999 os escaladores locais usam esses acessos, sem problemas com os proprietários, para que esse bom relacionamento continue, solicitamos que sigam algumas regras: Jamais corte nenhuma cerca de arrame Deixe os portões e porteiras como encontrou Desvie as culturas (soja e trigo em geral) Não provoque os animais no pasto Não deixe qualquer tipo de lixo no local, sacolas plásticas ingeridas por bovinos são fatais. O autor e seus colaboradores não são responsáveis por quais problemas que possam advir do acesso não autorizado por essa área. Siga regras de mínimo impacto Tenha cuidado com esse ambiente natural, seguem alguns conselhos: Leve fogareiro, não faça fogueira. Evita abrir clareiras para acampamento, já existem várias. Não estrague a vegetação Não abra novas trilhas não é necessário Não deixe nenhum tipo lixo, restos de alimentos atraem todo tipo de animal inclusive peçonhento. Não provoque os animais silvestres e domésticos. Enterre suas fezes Material O capacete é item essencial de segurança tanto do guia, como dos demais escaladores, sempre há riscos de se sacar peças e de queda de pedras. Os vários fabricantes mundiais de equipamentos produzem uma diversidade muito grande de materiais móveis, os mais indicados para escalada nesse setor são os friends ou equipamentos semelhantes. O autor usou Camalot, fabricados pela Black Diamond, para repetir as vias, por isso quando o guia fizer menção como c#.75 estará se referindo ao New Camalot.75. Para efeito de comparação com os equipamentos de outros fabricantes segue uma tabela com as medidas da Black Diamond : New Camalot Dim em mm New Camalot Dim em mm 000 7.8-12.2.75 24-41 00 9-13.7 1 30-52 0 10.2-15.8 2 37-65 1 12.0-18.8 3 51-88 2 14.2-22.6 4 66-115.3 14-23 5 85-149.4 16-27 6 114-195.5 20-34 Para escalar a maioria das vias é aconselhável o uso de um bom jogo de friends, que seria um jogo do c#.3 ao c# 4, se tiver peças repetidos dos tamanhos c#.75 ao c# 2 é bastante útil. Caso sejam necessários outros materiais, para determinada via, esses serão mencionados. No caso de friends com haste rígida é aconselhável preparar essas peças com um cabo flexível já que várias fendas são horizontais.

Os stoppers também são úteis, um jogo de 12 peças é o suficiente e pode ajudar muito em caso de não se ter uma variedade de friends. Nas fendas horizontais, tenha cuidado na colocação desse tipo de material. Os Tricans, fabricados pela Camp, também podem ser úteis para complementar ou substituir os friends. Devido ao cabo de fita, esse tipo de material é muito bom para fendas horizontais. Os Excentric s são equipamentos de uso bastante restrito, mas podem ser uma alternativa. Os equipamentos móveis devem ser tracionados sempre na direção correta, ou há risco de sacar a peça, por isso é essencial o uso de costuras longas, é aconselhável no mínimo as de 30 cm. Já houve acidentes neste setor pelo uso inadequado de costuras para esportiva em proteções móveis. Para escalada em artificial são usados os materiais já mencionados, mas também são usados vários tipos de ganchos, grampos de fenda e cabeças de chumbo que são especificados nas vias, sendo: Ganchos (Cliff s) para furo e agarras P, M e G, pode-se usar os da Black Diamond como referência sendo o Talon, Cliffhanger e Grappling Hook. Gampos de Fenda (pitons) sendo os comuns Lost Arrows, Knifeblades e RURP s Cabeças de chumbo (plomo, copperhead) em geral foram usadas cabeças de chumbo caseiras, não são usas as de cobre visto que o arenito é uma rocha mole e o chumbo se adapta melhor. Advertência Incentivamos que os usuários desse guia tenham treinamento adequado com instrutores experientes, na atividade de escalada com proteções móveis e que estejam se atualizando constantemente. As proteções fixas não devem ser encaradas como totalmente confiáveis, por isso a maioria das paradas são equipadas com 2 proteções e preparadas para rapel, sem a necessidade de abandono de material. Muitas das proteções intermediárias são chapeletas, no caso de rapel nesses pontos use a técnica apropriada. Riscos e conselhos Seg de corpo, em várias vias á risco de queda em pontas de pedra ou platôs, antes da 1 ou da 2 costura, por isso é necessário atenção e seg de corpo nesses casos, existem técnicas específicas para isso, se informe a respeito. Exposição, pela ética adotada na abertura de várias vias há o risco de quedas perigosas do guia, por isso há de advertência e aparece o símbolo no desenho da via. Observe a via antes de iniciar a escalada, em vários pontos do guia a advertências com relação a insetos como: abelhas, marimbondos, vespas, ninhos de urubu e outros, por isso é importante observar se não há algum desses insetos na via que você pretende escalar. Prefira escalar vias próximas desses insetos em dias frios, quando esses estão mais calmos, evite fazer barulho ou movimentos bruscos desnecessariamente. Existe muita vegetação no topo de várias vias, que pode molhar parte delas, mesmo dias depois da chuva, antes de iniciar uma escalada observe se poderá chegar com segurança na parada da via. Pedras e blocos soltos, devido ao tipo de formação do arenito existem muitos locais com pedras e blocos soltos de vários tamanhos, sempre esteja atento a isso, tanto o guia como os demais escalados. O capacete é um equipamento importante, que pode evitar vários acidentes. Rapel, a maioria das vias tem a parada equipada para rapel no final. No entanto o rapel no meio de uma via desequipada, é um procedimento de risco e que pode implicar abandono de material, antes de começar a escalar uma via, analise se poderá completá-la, existem técnicas específicas para isso, se informe a respeito. Pode-se descer da maioria das vias com uma corda de 50m, no caso de algum rapel maior há observações a respeito. Paradas móveis, em alguns locais há possibilidade de montar paradas móveis, existe técnicas específicas para isso, informe-se a respeito. Em caso de acidente, espera-se que os escaladores e visitantes façam seu próprio resgate. No caso de acidentes graves é possível o acessar de algumas operadoras de celular da base das vias, no campo é possível acessar quase todas as operadoras, ainda existem telefones públicos no posto de gasolina próximo do pedágio. Arrombamentos, desde 2004 vem ocorrendo arrombamentos de carros no setor 1, por isso se tem deixado os veículos no estacionamento do pedágio, mesmo assim é importante não deixar nenhum objeto de valor aparecendo no carro como: frente de rádio, celular, carteira, roupas, etc, isso pode evitar surpresas desagradáveis. Na caminhada pelo campo em épocas de chuva de verão há riscos de acidentes por descarga atmosférica. A água dos rios no campo não é potável por que é local de pastagem, próximo da via Se vacilar o platô cai existe uma mina d água de boa qualidade.

Listagem de nomes Ao longo dos textos e desenhos existem várias referências a alguns escaladores, usando seus apelidos e nomes de montanha: Alessandro Haibuke Beleza Marcelo Marcos Sapelli Silva Bito Antônio Carlos Meyer Burda Irivan Gustavo Burda Ceusnei Simão Chiquinho - José Luiz Hartmann Daniel Daniel Amorin Ed - Edemilson Padilha Fafá Fabiano Quadro Formiga Eduardo Mazza França Marcus Valério França Kava - José Luiz Kavamura Joel Santos Jonatta de Paula Juquinha - Flávio Cantelli Homer Luiz Fernando Moreira Klock - Adilson Luiz Klock Marcos Rocha Amazonas de Almeida Mo Luiz Carlos Santos Silva Minhoca André Lima Nativo - Ronaldo Franzen Otto - Adilson Otto Roque João Santos Taylor Val Valdecir Machado Vita Paulo Henrique Schimidlin Willian Lacerda Wilson T. Souza Bibliografia Back Diamond fabricante de equipamentos para montanhismo. Site: www.bdel.com Camp fabricante de equipamentos para montanhismo. Site: http://www.camp.it/ Fischer fabricante de chumbadores. Site: http://www.fischerbrasil.com.br/ Mountain Voices informativo sobre montanhismo. Site: http://www.mountainvoices.com.br/ Norma de visitação do Parque de Vila Velha Site: http://www.pr.gov.br/meioambiente/iap/uc_vvelha_como_chegar.shtml - normas Revista Headwal revista sobre montanhismo. Site: http://www.revistaheadwall.com.br/ Revista Fator 2, revista sobre montanhismo. Site: http://www.guiadaurca.com/ Vertigem revista sobre montanhismo. Sika fabricante de colas e impermeabilizantes. Site: http://www.sika.com.br/ Tecnarte fabricante de chumbadores. Site: http://www.tecnart.com.br