INTRODUÇÃO À ESPECTROSCOPIA



Documentos relacionados
Espectrometria de Ressonância Magnética Nuclear

Métodos Físicos de Análise - ESPECTROFOTOMETRIA ULTRAVIOLETA / VISÍVEL MÉTODOS FÍSICOS DE ANÁLISE MÉTODOS FÍSICOS DE ANÁLISE

RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NUCLEAR CURSO BÁSICO

Reações orgânicas. Mestranda: Daniele Potulski Disciplina: Química da Madeira I

Introdução à LC/MS. Introdução

Prova de Química Resolvida Segunda Etapa Vestibular UFMG 2011 Professor Rondinelle Gomes Pereira

Espectroscopia no Infravermelho

Ensino Médio Química QUÍMICA 30 ano

Exercícios Teóricos Resolvidos

FCAV/UNESP. DISCIPLINA: Química Orgânica. ASSUNTO: Hidrocarbonetos

4. Tarefa 16 Introdução ao Ruído. Objetivo: Método: Capacitações: Módulo Necessário: Análise de PCM e de links

Programação em papel quadriculado

Espectrometria de Massas: Estudo Dirigido

Métodos Físicos de Análise - ESPECTROFOTOMETRIA NO INFRAVERMELHO MÉTODOS FÍSICOS DE ANÁLISE MÉTODOS FÍSICOS DE ANÁLISE

Profa. Maria Fernanda - Química nandacampos.mendonc@gmail.com

Análise Estrutural. José Carlos Marques Departamento de Química Universidade da Madeira

QUÍMICA SEGUNDA ETAPA

Álgebra. SeM MiSTéRio

Olimpíada Brasileira de Química

38 C 37 B 39 D. Sabendo-se que a amônia (NH 3. ) é constituída por moléculas polares e apresenta boa solubilidade em água. o diclorometano (CH 2.

Densímetro de posto de gasolina

Universidade Federal do Rio Grande do Norte Instituto de Química Programa de Pós-Graduação em Química

S 2 O 5 (aq) + 2 H + (aq) " 2 SO 2(aq) + H 2 O (,) 2 (aq) + 2 OH (aq) " 2 SO 3 2 (aq) + H 2 O (,) QUESTÃO 2. Combustível.

CURSO PROFISSIONAL TÉCNICO DE ANÁLISE LABORATORIAL

Professora Sonia Exercícios sobre Cinética gasosa

CINÉTICA QUÍMICA CINÉTICA QUÍMICA EQUAÇÃO DE ARRHENIUS

Resolução da Prova de Química Vestibular Verão UERGS/2003 Prof. Emiliano Chemello

Manual das planilhas de Obras v2.5

3.4 O Princípio da Equipartição de Energia e a Capacidade Calorífica Molar

Equipe de Química QUÍMICA

As Propriedades das Misturas (Aulas 18 a 21)

Instrumentação para Espectroscopia Óptica. CQ122 Química Analítica Instrumental II 2º sem Prof. Claudio Antonio Tonegutti


FARMACOPEIA MERCOSUL: ESPECTROFOTOMETRIA ULTRAVIOLETA E VISIVEL

MANUAL DO USUÁRIO. Argox OS-214 Plus. Conteúdo: Manual do Usuário ARGOX OS214 PLUS Página:

Liquido saturado é aquele que está numa determinada temperatura e pressão eminente de iniciar a transformação para o estado vapor.

Conceito de fogo. Elementos que compõem o fogo

03/04/2016 AULAS 11 E 12 SETOR A

CADERNO DE EXERCÍCIOS 2F

UFMG º DIA QUÍMICA BERNOULLI COLÉGIO E PRÉ-VESTIBULAR

Tipos de malha de Controle

Propriedades Coligativas

Astra LX Registro de Pacientes e Médicos Guia para o acesso aos registros de Pacientes e Médicos e eliminação de dados duplicados no AstraLX

Comunicações Digitais Manual do Aluno Capítulo 7 Workboard PCM e Análise de Link

3. Elemento Químico Elemento Químico é um conjunto de átomos iguais (do mesmo tipo). E na linguagem dos químicos eles são representados por Símbolos.

Processo Seletivo/UFU - Janeiro ª Prova Comum - PROVA TIPO 1 QUÍMICA QUESTÃO 32

ESTRUTURA E REATIVIDADE DE ALCENOS E ALCINOS

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA. Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica (SISTEC) GUIA SISTEC

Como estudar o SIPIA CT

OS EFEITOS DA POLARIDADE DAS LIGAÇÕES NAS MOLÉCULAS ORGÂNICAS DOS HALOGENETOS DE ALQUILA

2013 Síntese do cloreto de cinamila a partir de ácido cinâmico e cloreto de tionila


QUIMICA ORGÂNICA BÁSICA

Passo a Passo do Cadastro Funcionários no SIGLA Digital

Apresentar os conceitos relacionados à mistura simples e equilíbrios de fases e equilíbrio químico.

Figura 1: tela inicial do BlueControl COMO COLOCAR A SALA DE INFORMÁTICA EM FUNCIONAMENTO?

UFMG º DIA QUÍMICA BERNOULLI COLÉGIO E PRÉ-VESTIBULAR

Departamento de Química Inorgânica 2. SOLUÇÕES

Gráficos estatísticos: histograma. Série Software ferramenta

TÉCNICAS CROMATOGRÁFICAS

2) Uma solução de 5,00 g de ácido acético, CH 3 COOH, em 100 g de benzeno congela a 3,37

Resolução da lista de exercícios de casos de uso

Vestibular UFRGS Resolução da Prova de Química

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretária de Gestão Estratégica e Participativa da Saúde SGEP. Coordenação de Desenvolvimento dos Sistemas de Saúde - CDESS

LIGAÇÕES INTERATÔMICAS

Aula 4 Conceitos Básicos de Estatística. Aula 4 Conceitos básicos de estatística

Campinas, Junho de Laboratório Thomson de Espectrometria de Massas. Instituto de Química. Relatório Técnico de Análise.

IX Olimpíada Catarinense de Química Etapa I - Colégios


1. REGISTRO DE PROJETOS

Espectrometria de Massas QP422. Prof. Dr. Fábio Cesar Gozzo


Mary Santiago Silva 16/04/2010

INSTRUÇÃO SUPLEMENTAR - IS

CPV o cursinho que mais aprova na fgv Fgv - 05/12/2004

Aulas 13 e 14. Soluções

ANÁLISE QUÍMICA INSTRUMENTAL

Apresentar, através da configuração eletrônica, propriedades físicas e químicas dos elementos químicos.

1.º PERÍODO. n.º de aulas previstas DOMÍNIOS SUBDOMÍNIOS/CONTEÚDOS OBJETIVOS. De 36 a 41

fx-82ms fx-83ms fx-85ms fx-270ms fx-300ms fx-350ms

AULA PRÁTICA DE SALA DE AULA FQA - Espécies maioritárias e vestigiais 10º ANO 8 fev. 2013

Tecnologia de faixa para falha

PARECER DOS RECURSOS

CÓDIGO CRÉDITOS PERÍODO PRÉ-REQUISITO TURMA ANO INTRODUÇÃO

3 Propriedades Coligativas

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS ALFREDO DA SILVA ESCOLA BÁSICA E SECUNDÁRIA ALFREDO DA SILVA PLANIFICAÇÃO

DETERMINAÇÃO DA CONSTANTE UNIVERSAL DOS GASES, R.

Exemplo: Na figura 1, abaixo, temos: Clique aqui para continuar, que é a primeira atividade que você precisa realizar para iniciar seus estudos.

LISTA 1 NÍVEL 1. Material Extra

CORPO DE BOMBEIROS MILITAR Vidas alheias, riquezas a salvar

Química. Sistema Positivo de Ensino 112

PARADOXO DA REALIZAÇÃO DE TRABALHO PELA FORÇA MAGNÉTICA

Acessando o SVN. Soluções em Vendas Ninfa 2

Esse produto é um produto composto e tem subprodutos

= 0 molécula. cada momento dipolar existente na molécula. Lembrando que u R

Criar as tabelas para um banco de dados

Fundamentos de Teste de Software

Do neurônio biológico ao neurônio das redes neurais artificiais

15/05/2015 HISTÓRICO APLICAÇÕES CROMATOGRAFIA

Bem-vindo ao curso delta Gerenciamento de peso para a versão 9.1. Este curso aborda a nova solução de peso introduzida nessa versão.

Transcrição:

INTRODUÇÃO À ESPECTROSCOPIA Tradução da 4 ạ edição norte-americana DONALD L. PAVIA GARY M. LAMPMAN GEORGE S. KRIZ JAMES R. VYVYAN Departamento de Química Universidade Western Washington Bellingham, Washington Revisão técnica: Paulo Sergio Santos Professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo

Sumário Capítulo 1 FÓRMULAS MOLECULARES E O QUE SE PODE APRENDER DELAS... 1 1.1 Análise Elementar e Cálculos...1 1.2 Determinação da Massa Molecular...5 1.3 Fórmulas Moleculares...5 1.4 Índice de Deficiência de idrogênio...6 1.5 A Regra do Treze...9 1.6 Uma Breve Antecipação de Usos Simples de Espectros de Massa...11 Problemas...13 Referências...14 Capítulo 2 ESPECTROSCOPIA NO INFRAVERMELO... 15 2.1 O Processo de Absorção no Infravermelho...17 2.2 Usos do Espectro no Infravermelho...17 2.3 Modos de Estiramento e Dobramento...18 2.4 Propriedades de Ligação e Seus Reflexos na Absorção...20 2.5 Espectrômetro de Infravermelho...23 A. Espectrômetros de Infravermelho Dispersivos...23 B. Espectrômetros de Transformada de Fourier...25 2.6 Preparação de Amostras para Espectroscopia no Infravermelho...26 2.7 O que Buscar no Exame de um Espectro Infravermelho...26 2.8 Gráficos e Tabelas de Correlação...28 2.9 Como Conduzir a Análise de um Espectro (ou O que se Pode Dizer só de Olhar)...30 2.10 idrocarbonetos: Alcanos, Alcenos e Alcinos...32 A. Alcanos...32 B. Alcenos...33 C. Alcinos...35 2.11 Anéis Aromáticos...42 2.12 Alcoóis e Fenóis...46 2.13 Éteres...49

X INTRODUÇÃO À ESPECTROSCOPIA 2.14 Compostos Carbonílicos...51 A. Fatores que Influenciam a Vibração de Estiramento C O...53 B. Aldeídos...55 C. Cetonas...57 D. Ácidos Carboxílicos...61 E. Ésteres...62 F. Amidas...67 G. Cloretos de Ácidos...69. Anidridos...71 2.15 Aminas...72 2.16 Nitrilas, Isocianatos, Isotiocianatos e Iminas...74 2.17 Nitrocompostos...76 2.18 Carboxilatos, Sais de Amônia e Aminoácidos...77 2.19 Compostos Sulfurados...78 2.20 Compostos de Fósforo...80 2.21 aletos de Alquila e de Arila...81 2.22 Espectro de Fundo...82 Problemas...84 Referências...98 Capítulo 3 ESPECTROSCOPIA DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NUCLEAR Parte 1: Componentes básicos... 101 3.1 Estados de Spin...101 3.2 Momentos Magnéticos Nucleares...102 3.3 Absorção de Energia...103 3.4 Mecanismo de Absorção (Ressonância)...105 3.5 Densidades Populacionais dos Estados de Spin Nuclear...107 3.6 Deslocamento Químico e Blindagem...108 3.7 Espectrômetro de Ressonância Magnética Nuclear...110 A. Instrumento de Onda Contínua (CW)...110 B. Instrumento de Transformada de Fourier (FT) Pulsado...112 3.8 Equivalência Química: Um Breve Resumo...115 3.9 Integrais e Integração...116 3.10 Ambiente Químico e Deslocamento Químico...118 3.11 Blindagem Diamagnética Local...119 A. Efeitos de Eletronegatividade...119 B. Efeitos de ibridização...121 C. Prótons Ácidos e Intercambiáveis; Ligações de idrogênio...122 3.12 Anisotropia Magnética...123 3.13 Regra da Separação Spin-Spin (n + 1)...125 3.14 A Origem da Separação Spin-Spin...129 3.15 Grupo Etila (C 3 )...130 3.16 Triângulo de Pascal...131 3.17 Constante de Acoplamento...132 3.18 Uma Comparação de Espectros de RMN em Campos de Intensidades Baixa e Alta...135 3.19 Análise das Absorções de RMN de 1 Típicas por Tipo de Composto...136

Sumário XI A. Alcanos...136 B. Alcenos...138 C. Compostos Aromáticos...139 D. Alcinos...140 E. aletos de Alquila...142 F. Alcoóis...143 G. Éteres...144. Aminas...145 I. Nitrilas...146 J. Aldeídos...147 K. Cetonas...148 L. Ésteres...149 M. Ácidos Carboxílicos...150 N. Amidas...152 O. Nitroalcanos...153 Problemas...154 Referências...167 Capítulo 4 ESPECTROSCOPIA DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NUCLEAR Parte 2: Espectros de carbono-13 e acoplamento heteronuclear com outros núcleos... 169 4.1 Núcleo de Carbono-13...169 4.2 Deslocamentos Químicos de Carbono-13...170 A. Gráficos de Correlação...170 B. Cálculo de Deslocamentos Químicos de 13 C...172 4.3 Espectros de 13 C Acoplados por Prótons Separação Spin-Spin de Sinais de Carbono-13...173 4.4 Espectros de 13 C Desacoplados ao Próton...175 4.5 Intensificação Nuclear Overhauser (NOE)...176 4.6 Polarização Cruzada: Origem do Efeito Nuclear Overhauser...178 4.7 Problemas com a Integração em Espectros de 13 C...180 4.8 Processos de Relaxação Molecular...181 4.9 Desacoplamento Fora de Ressonância...184 4.10 Uma Rápida Olhada no DEPT...184 4.11 Alguns Exemplos de Espectros Carbonos Equivalentes...187 4.12 Compostos com Anéis Aromáticos...189 4.13 Solventes para a RMN de Carbono-13 Acoplamento eteronuclear de Carbono e Deutério...191 4.14 Acoplamento eteronuclear do Carbono-13 com Flúor-19...194 4.15 Acoplamento eteronuclear de Carbono-13 com Fósforo-31...196 4.16 RMN de Prótons e Carbono: Como Resolver Um Problema de Estrutura...197 Problemas...201 Referências...217

XII INTRODUÇÃO À ESPECTROSCOPIA Capítulo 5 ESPECTROSCOPIA DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NUCLEAR Parte 3: Acoplamento spin-spin... 219 5.1 Constantes de Acoplamento: Símbolos...219 5.2 Constantes de Acoplamento: O Mecanismo de Acoplamento...220 A. Acoplamentos Via Uma Ligação ( 1 J)...221 B. Acoplamentos Via Duas Ligações ( 2 J)...222 C. Acoplamentos Via Três Ligações ( 3 J)...225 D. Acoplamentos de Longo Alcance ( 4 J n J)...230 5.3 Equivalência Magnética...233 5.4 Espectros de Sistemas Diastereotópicos...237 A. Grupos Metila Diastereotópicos: 4-Metil-2-Pentanol...237 B. idrogênios Diastereotópicos: 4-Metil-2-Pentanol...239 5.5. Não Equivalência dentro de Um Grupo O Uso de Diagramas de Árvore Quando a Regra do n + 1 Não Funciona...242 5.6 Medindo Constantes de Acoplamento a partir de Espectros de Primeira Ordem...245 A. Multipletos Simples Um Valor de J (Um Acoplamento)...245 B. A Regra do n + 1 É Realmente Obedecida em Algum Momento?...247 C. Multipletos Mais Complexos Mais de Um Valor de J...249 5.7 Espectros de Segunda Ordem Acoplamento Forte...253 A. Espectros de Primeira e Segunda Ordens...253 B. Notação de Sistema de Spin...254 C. Sistemas de Spin A 2, AB e AX...255 D. Sistemas de Spin AB 2... AX 2 e A 2 B 2... A 2 X 2...255 E. Simulação de Espectros...257 F. Ausência de Efeitos de Segunda Ordem em Campos Mais Altos...257 G. Espectros Enganosamente Simples...259 5.8 Alcenos...262 5.9 Medindo Constantes de Acoplamento Análise de Um Sistema Alílico...266 5.10 Compostos Aromáticos Anéis Benzênicos Substituídos...270 A. Anéis Monossubstituídos...271 B. Anéis Para-dissubstituídos...273 C. Outra Substituição...275 5.11. Acoplamentos em Sistemas eteroaromáticos...278 Problemas...280 Referências...310 Capítulo 6 ESPECTROSCOPIA DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NUCLEAR Parte 4: Outros tópicos em RMN unidimensional... 313 6.1 Prótons em Oxigênios: Alcoóis...313 6.2 Trocas em Água e D 2 O...316 A. Misturas de Ácido/Água e Álcool/Água...316 B. Troca por Deutério...317 C. Alargamento de Pico Devido a Trocas...321 6.3 Outros Tipos de Troca: Tautomeria...321

Sumário XIII 6.4 Prótons no Nitrogênio: Aminas...323 6.5 Prótons no Nitrogênio: Alargamento Quadrupolar e Desacoplamento...327 6.6 Amidas...328 6.7 O Efeito do Solvente sobre o Deslocamento Químico...331 6.8 Reagentes de Deslocamento Químico...334 6.9 Agentes de Resolução Quiral...337 6.10 Como Determinar Configurações Relativas e Absolutas por meio de RMN...339 A. Determinação de Configurações Absolutas...339 B. Determinação de Configurações Relativas...341 6.11 Espectros Diferenciais de Efeito Nuclear Overhauser...342 Problemas...344 Referências...362 Capítulo 7 ESPECTROSCOPIA NO ULTRAVIOLETA... 365 7.1 A Natureza das Excitações Eletrônicas...365 7.2 A Origem da Estrutura da Banda UV...366 7.3 Princípios da Espectroscopia de Absorção...367 7.4 Instrumentação...368 7.5 Apresentação dos Espectros...369 7.6 Solventes...369 7.7 O Que É Um Cromóforo?...371 7.8 Efeito da Conjugação...373 7.9 Efeito da Conjugação em Alcenos...374 7.10 Regras de Woodward-Fieser para Dienos...377 7.11 Compostos Carbonílicos; Enonas...380 7.12 Regras de Woodward para Enonas...382 7.13 Aldeídos, Ácidos e Ésteres α,β-insaturados...383 7.14 Compostos Aromáticos...384 A. Substituintes com Elétrons Não Ligantes...386 B. Substituintes Capazes de Conjugação π...387 C. Efeitos de Doação de Elétrons e de Retirada de Elétrons...388 D. Derivados de Benzeno Dissubstituído...388 E. idrocarbonetos Aromáticos Polinucleares e Compostos eterocíclicos...390 7.15 Estudos de Compostos-Modelo...392 7.16 Espectros Visíveis: Cores em Compostos...393 7.17. O Que Se Deve Procurar em Um Espectro Ultravioleta: Um Guia Prático...394 Problemas...396 Referências...398 Capítulo 8 ESPECTROMETRIA DE MASSA... 399 8.1 Espectrômetro de Massa: Uma Visão Geral...400 8.2 Injeção da Amostra...400 8.3 Métodos de Ionização...401

XIV INTRODUÇÃO À ESPECTROSCOPIA A. Ionização por Elétrons (EI)...401 B. Ionização Química (CI)...402 C. Técnicas de Ionização por Dessorção (SIMS, FAB e MALDI)...406 D. Ionização por Eletrospray (ESI)...407 8.4 Análise de Massa...410 A. Analisador de Massa de Setor Magnético...410 B. Analisador de Massa de Foco Duplo...411 C. Analisador de Massa Quadrupolar...411 D. Analisadores de Massa por Tempo de Voo...413 8.5 Detecção e Quantificação: O Espectro de Massas...415 8.6 Determinação do Peso Molecular...419 8.7. Determinação de Fórmulas Moleculares...422 A. Determinação Precisa de Massa...422 B. Dados de Razões de Isotópicas...422 8.8 Análise Estrutural e Padrões de Fragmentação...426 A. Regra de Stevenson...427 B. Evento Inicial de Ionização...428 C. Segmentação Iniciada no Sítio Radical: Segmentação α...429 D. Segmentação Iniciada em Sítio Carregado: Segmentação Indutiva...429 E. Segmentação de Duas Ligações...430 F. Segmentação Retro Diels-Alder...431 G. Rearranjos de McLafferty...431. Outros Tipos de Segmentação...432 I. Alcanos...432 J. Cicloalcanos...434 K. Alcenos...436 L. Alcinos...440 M. idrocarbonetos Aromáticos...441 N. Alcoóis e Fenóis...445 O. Éteres...450 P. Aldeídos...453 Q. Cetonas...454 R. Ésteres...458 S. Ácidos Carboxílicos...463 T. Aminas...465 U. Compostos Selecionados de Nitrogênio e Enxofre...468 V. Cloretos de Alquila e Brometos de Alquila...472 8.9 Abordagem Estratégica para Analisar Espectros de Massa e Resolver Problemas...476 8.10 Comparação Computadorizada de Espectros com Bibliotecas Espectrais...477 Problemas...478 Referências...498 Capítulo 9 PROBLEMAS DE ESTRUTURA COMBINADOS... 501 Exemplo 1...503 Exemplo 2...505 Exemplo 3...506

Sumário XV Exemplo 4...509 Problemas...511 Referências...561 Capítulo 10 ESPECTROSCOPIA DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NUCLEAR Parte 5: técnicas avançadas de RMN... 563 10.1 Sequências de Pulso...563 10.2 Larguras de Pulso, Spins e Vetores de Magnetização...565 10.3 Pulsos de Gradientes de Campo...569 10.4 Experimento DEPT...574 10.5 Determinação do Número de idrogênios Ligados... 574 A. Carbonos Metina (C)...574 B. Carbonos Metileno ( )...575 C. Carbonos Metila (C 3 )...576 D. Carbonos Quaternários (C)...577 E. Resultado Final...577 10.6 Introdução a Métodos Espectroscópicos Bidimensionais...577 10.7 Técnica COSY...578 A. Panorama do Experimento COSY...578 B. Como Ler Espectros COSY...579 10.8 Técnica ETCOR...582 A. Panorama do Experimento ETCOR...582 B. Como Interpretar Espectros ETCOR...584 10.9 Métodos de Detecção Inversa...587 10.10 Experimento NOESY...588 10.11 Imagens por Ressonância Magnética...589 10.12 Resolução de Um Problema Estrutural por Meio de Técnicas 1-D e 2-D Combinadas...591 A. Índice de Deficiência de idrogênio e Espectro Infravermelho...591 B. Espectro de RMN de Carbono-13...591 C. Espectro DEPT...592 D. Espectro de RMN de Prótons...592 E. Espectro RMN COSY...595 F. Espectro RMN ETCOR (SQC)...595 Problemas...596 Referências...623 Apêndices 1 Frequências de Absorção no Infravermelho de Grupos Funcionais...626 2 Faixas Aproximadas de Deslocamento Químico de 1 (ppm) para Alguns Tipos de Próton...632 3 Alguns Valores de Deslocamento Químico de 1 Representativos de Vários Tipos de Próton...633 4 Deslocamentos Químicos de 1 de Alguns Compostos Aromáticos eterocíclicos e Policíclicos...636 5 Constantes de Acoplamento Típicas de Prótons...637

XVI INTRODUÇÃO À ESPECTROSCOPIA 6 Cálculo de Deslocamento Químico de Prótons ( 1 )...640 7 Valores Aproximados de Deslocamento Químico de 13 C (ppm) para Alguns Tipos de Carbono...644 8 Cálculo de Deslocamentos Químicos de 13 C...645 9 Constantes de Acoplamento de 13 C...654 10 Deslocamentos Químicos de 1 e de 13 C para Solventes Comuns de RMN...655 11 Tabelas de Massas Precisas e Razões de Abundância Isotópica para Íons Moleculares com Massa abaixo de 100 que Contenham Carbono, idrogênio, Nitrogênio e Oxigênio...656 12 Íons Fragmentos Comuns com Massa abaixo de 105...662 13 Um Guia Muito Útil sobre Padrões de Fragmentação Espectral de Massa...665 14 Índice de espectros...668 Índice Remissivo...671 Respostas para os problemas selecionados...687

1 Fórmulas moleculares e o que se pode aprender delas Antes de tentar deduzir a estrutura de um composto orgânico desconhecido com base em um exame de seu espectro, podemos, de certa forma, simplificar o problema examinando a fórmula molecular da substância. O objetivo deste capítulo é descrever como a fórmula molecular de um composto é determinada e como se pode obter a informação estrutural dela. O capítulo revisa os métodos quantitativos, tanto o clássico quanto o moderno, para determinar a fórmula molecular. Apesar de o uso do espectrômetro de massa (Seção 1.6 e Capítulo 8) poder superar muitos desses métodos analítico-quantitativos, ele continua sendo usado. Muitas revistas científicas ainda requerem uma análise quantitativa elementar satisfatória (Seção 1.1) antes da publicação dos resultados da pesquisa. 1.1 ANÁLISE ELEMENTAR E CÁLCULOS O procedimento clássico para determinar a fórmula molecular de uma substância tem três passos: 1. Análise elementar qualitativa: descobrir que tipos de átomos estão presentes... C,, N, O, S, Cl, entre outros. 2. Análise elementar quantitativa (ou microanálise): para descobrir os números relativos (porcentagens) de cada tipo diferente de átomo presente na molécula. 3. Determinação da massa molecular (ou peso molecular). Os dois primeiros passos estabelecem uma fórmula empírica do composto. Quando os resultados do terceiro procedimento são conhecidos, encontra-se uma fórmula molecular. Virtualmente, todos os compostos orgânicos contêm carbono e hidrogênio. Na maioria dos casos, não é necessário determinar se esses elementos estão presentes em uma amostra; a presença deles é presumida. Entretanto, se for necessário demonstrar que o carbono ou hidrogênio estão presentes em um composto, tal substância pode ser queimada na presença de excesso de oxigênio. Se a combustão produz dióxido de carbono, o carbono deve estar presente; se a combustão produz água, átomos de hidrogênio devem estar presentes. oje, o dióxido de carbono e a água podem ser detectados por métodos de cromatografia gasosa. Átomos de enxofre são convertidos em dióxido de enxofre; átomos de hidrogênio são, com frequência, reduzidos quimicamente a gás nitrogênio, logo após sua combustão em óxidos de nitrogênio. O oxigênio pode ser detectado pela ignição do composto em uma atmosfera de gás hidrogênio; o resultado é produção de água. Atualmente, tais análises são realizadas por cromatografia gasosa, um método que também pode determinar as quantidades relativas de cada um desses gases. Se a quantidade da amostra original for conhecida, ela pode ser lançada em um software, e o computador calcula a composição percentual da amostra.

2 INTRODUÇÃO À ESPECTROSCOPIA A não ser que se trabalhe em grandes empresas ou universidades, é bastante raro encontrar um laboratório de pesquisas que realize análises elementares in loco, pois é necessário muito tempo para preparar os instrumentos e mantê-los operando dentro dos limites de precisão e exatidão adequados. Em geral, as amostras são enviadas para um laboratório comercial de microanálise, que realiza esse trabalho rotineiramente e que pode garantir a precisão dos resultados. Antes do advento dos instrumentos modernos, a combustão de amostras pesadas com precisão era realizada em um tubo cilíndrico de vidro inserido em um forno. Passava-se um jato de oxigênio através do tubo aquecido no caminho para outros dois tubos sequenciais, não aquecidos, que continham substâncias químicas que absorveriam, primeiro, a água (MgClO 4 ) e, então, o dióxido de carbono (NaO/ sílica). Esses tubos de absorção, previamente pesados, eram destacáveis, podendo ser removidos e repesados para se determinar a quantidade de água e dióxido de carbono formados. As porcentagens de carbono e hidrogênio na amostra original eram calculadas por estequiometria. A Tabela 1.1 apresenta um exemplo de cálculo. Tabela 1.1 Cálculo de composição percentual a partir dos dados da combustão C x y O z + excesso de O 2 x CO 2 + y/2 2 O 9,83 mg 23,26 mg 9,52 mg milimol CO 2 = 23,26 mg CO 2 = 0,5285 mmoles CO 2 44,01 mg/mmol mmoles CO 2 = mmoles C na amostra original (0,5285 mmoles C)(12,01 mg/mmol C) = 6,35 mg C na amostra original milimoles 2 O = 9,52 mg 2 O = 0,528 mmoles 2 O 18,02 mg/mmole = 1,056 mmoles na amostra original 1 mmole 2 O (1,056 mmoles )(1,008 mg/mmole ) = 1,06 mg na amostra original (0,528 mmoles 2 O) ( 2 mmoles ) % C = 6,35 mg C x 100 = 64,6% 9,83 mg amostra % = 1,06 mg x 100 = 10,8% 9,83 mg amostra %O = 100 (64,6 + 10,8) = 24,6% Note nesse cálculo que a quantidade de oxigênio foi determinada por diferença, uma prática comum. Em uma amostra contendo apenas C, e O, é necessário determinar somente as porcentagens de C e ; presume-se que o oxigênio corresponda à porcentagem não medida. Pode-se também aplicar essa prática em situações que envolvam elementos diferentes do oxigênio; se apenas um dos elementos não for determinado, este pode ser determinado por diferença. oje, a maioria dos cálculos é realizada automaticamente por instrumentos computadorizados. Todavia, é bastante útil para um químico entender os princípios fundamentais dos cálculos. A Tabela 1.2 mostra como determinar a fórmula empírica de um composto a partir das composições percentuais determinadas em uma análise. Lembre-se de que uma fórmula empírica expressa a razão numérica mais simples dos elementos, a qual pode ser multiplicada por um número inteiro para obter a verdadeira fórmula molecular. A fim de determinar o valor do multiplicador, deve-se ter uma massa molecular. Na próxima seção, abordaremos como se determina a massa molecular.

Fórmulas moleculares e o que se pode aprender delas 3 Tabela 1.2 Cálculo da fórmula empírica Usando uma amostra de 100 g: 64,6% de C = 64,6 g 10,8% de = 10,8 g 24,6% de O = 24,6 g 100,0 g moles C = 64,6 g = 5,38 moles C 12,01 g/mol moles = 10,8 g = 10,7 moles 1,008 g/mol moles O = 24,6 g = 1,54 moles O 16,0 g/mol obtemos o seguinte resultado: C 5,38 10,7 O 1,54 Convertendo-se na razão mais simples, obtemos: C 5,38 10,7 O 1,54 = C 3,49 6,95 O 1,00 1,54 1,54 1,54 que é semelhante a C 3,50 7,00 O 1,00 ou C 7 14 O 2 Para um composto totalmente desconhecido (de fonte química ou de histórico desconhecido), será necessário usar esse tipo de cálculo para obter a fórmula empírica suposta. Contudo, se o composto tiver sido preparado a partir de um precursor conhecido, por uma reação bem conhecida, ter-se-á uma ideia da estrutura do composto. Nesse caso, terá sido previamente calculada a composição percentual esperada da amostra (a partir de sua estrutura presumida), e a análise será usada para verificar sua hipótese. Ao realizar tais cálculos, certifique-se de usar os pesos moleculares totais, como indicados na tabela periódica e não arredonde até que o cálculo tenha sido finalizado. O resultado valerá para duas casas decimais; quatro dígitos significativos se a porcentagem estiver entre 10 e 100; três dígitos se estiver entre 0 e 10. Se os resultados da análise não corresponderem ao cálculo, a amostra pode ser impura ou será necessário calcular uma nova fórmula empírica para descobrir a identidade da estrutura inesperada. Para um artigo ser aceito para publicação, a maioria das revistas científicas exige que se encontrem porcentagens com diferenças menores do que 0,4% do valor calculado. Quase todos os laboratórios de microanálise podem facilmente obter precisões bem abaixo desse limite, desde que a amostra seja pura. Na Figura 1.1, vê-se uma típica situação de uso de análise em pesquisa. O professor Amyl Carbono, ou um de seus alunos, preparou um composto que acreditava ser epóxido-nitrilo, com a estrutura apresentada na parte inferior do primeiro formulário. Uma amostra desse composto líquido (25 μl) foi colocada em um pequeno frasco, o qual foi, então, etiquetado corretamente com o nome de quem o submeteu e um código de identificação (em geral, correspondente a uma entrada no caderno de pesquisa). É necessária apenas uma pequena quantidade de amostra, normalmente alguns miligramas de um sólido ou alguns microlitros de um líquido. Um formulário de Solicitação de Análise deve ser preenchido e encaminhado com a amostra. O modelo de formulário à esquerda da figura indica o tipo de informação que deve ser apresentada. Nesse caso, o professor calculou os resultados esperados para C, e N, a fórmula esperada e o peso molecular. Note que o composto também contém oxigênio, mas não se solicitou análise do oxigênio. Duas outras amostras também foram enviadas. Rapidamente em geral, uma semana

4 INTRODUÇÃO À ESPECTROSCOPIA depois, os resultados foram informados ao professor Carbono, por e-mail (ver a solicitação no formulário). Mais tarde, é endereçada uma carta formal (mostrada ao fundo, no lado direito) para verificar e autenticar os resultados. Compare os valores no relatório com os calculados pelo professor Carbono. Estão dentro de uma margem aceitável? Se não, a análise deverá ser repetida com uma amostra purificada recentemente, ou será necessário considerar uma nova possível estrutura. Tenha em mente que, em uma situação real de laboratório, quando se está tentando determinar a fórmula molecular de um composto totalmente novo ou previamente desconhecido, deve-se permitir alguma variação na análise quantitativa elementar. Outros dados podem ajudar nessa situação, já que dados de infravermelho (Capítulo 2) e de ressonância magnética (Capítulo 3) também sugerirão uma possível estrutura ou, pelo menos, algumas de suas características proeminentes. Muitas vezes, esses outros dados serão menos sensíveis a pequenas quantidades de impurezas do que a microanálise. Microanalytical Company, Inc. SOLICITAÇÃO DE FORMULÁRIO DE ANÁLISE Data: 30 de outubro de 2006 Relatório para: Professor Amyl Carbono Departamento de Química Universidade Western Washington Bellingham, WA 98225 Amostra n : PAC599A C.P. n : PO 2349 Informar por: Correio Telefone E-mail (circule um) pac@www.edu Elementos a Analisar: C,, N Outros Elementos Presentes: O X Análise Única Análise Duplicada Duplicar apenas se os resultados não estiverem na margem M.P. B.P. 69 C @ 2,3 mmg Sensível a: Pesar sob Nitrogênio? S N Secar a amostra? SN Detalhes: igroscópico Volátil Explosivo PORCENTAGENS TEÓRICAS %C 67,17 Quantidade enviada: L % 8,86 Estrutura: O %N 11,19 CN %O Comentário: C 7 11 NO %Outros Peso molecular 125, 17 Microanalytical Company, Inc. 25 de novembro de 2006 Professor Amyl Carbono Departamento de Química Universidade Western Washington Bellingham, WA RESULTADOS DA ANÁLISE ID da amostra Carbono (%) idrogênio Nitrogênio (%) (%) PAC599A 67,39 9,22 11,25 PAC589B 64,98 9,86 8,03 PAC603 73,77 8,20 Dr. B. Grant Poohbah, Ph.D. Diretor de Serviços Analíticos Microanalytical Company, Inc PAC599A PAC589B PAC603 FIGURA 1.1 Formulários de microanálise de amostra. À esquerda, um típico formulário de solicitação, que é encaminhado com as amostras. (As três indicadas aqui são frascos etiquetados enviados ao mesmo tempo.) Cada amostra precisa de um formulário próprio. No fundo, à direita, é a carta formal com os resultados. Os resultados obtidos para a amostra PAC599A foram satisfatórios?

Fórmulas moleculares e o que se pode aprender delas 5 1.2 DETERMINAÇÃO DA MASSA MOLECULAR O próximo passo para determinar a fórmula molecular de uma substância é determinar o peso de um mol dessa substância, o que pode ser realizado de várias maneiras. Sem conhecer a massa molecular da substância desconhecida, não há como determinar se a fórmula empírica que é determinada diretamente pela análise elementar é verdadeira ou se ela deve ser multiplicada por algum fator inteiro para obter a fórmula molecular. No exemplo citado na Seção 1.1, sem conhecer a massa molecular da substância desconhecida, é impossível dizer se a fórmula molecular é C 7 14 O 2 ou C 14 28 O 4. Em um laboratório moderno, a massa molecular é determinada por espectrometria de massa. Os detalhes desse método e os meios de determinar a massa molecular podem ser encontrados na Seção 1.6 e no Capítulo 8, Seção 8.6. Esta seção revisa alguns métodos clássicos para obter a mesma informação. Um procedimento antigo, raramente usado, é o método de densidade do vapor, no qual um volume conhecido de gás é pesado em uma temperatura conhecida. Após a conversão do volume do gás em temperatura e pressão padrões, pode-se determinar qual fração de um mol esse volume representa. A partir dessa fração, podemos facilmente calcular a massa molecular da substância. Outra forma de determinar a massa molecular de uma substância é medir a depressão crioscópica de um solvente produzida quando se adiciona uma quantidade conhecida de uma substância de teste, o que é chamado de método crioscópico. Outro método, raramente usado, é a osmometria de pressão de vapor, em que o peso molecular de uma substância é determinado por um exame da mudança na pressão de vapor de um solvente quando uma substância de teste é dissolvida nele. Se a substância desconhecida for um ácido carboxílico, ela pode ser titulada com uma solução padronizada de hidróxido de sódio. Por meio desse procedimento, pode-se determinar um equivalente de neutralização que é idêntico ao peso equivalente do ácido. Se o ácido tiver apenas um grupo carboxílico, o equivalente de neutralização e a massa molecular serão idênticos. Se o ácido tiver mais de um grupo carboxílico, o equivalente de neutralização será igual à massa molecular do ácido dividida pelo número de grupos carboxílicos. Muitos fenóis, sobretudo os substituídos por grupos que puxam elétrons, são suficientemente ácidos para ser titulados por esse mesmo método, assim como os ácidos sulfônicos. 1.3 FÓRMULAS MOLECULARES Depois que se descobrem a massa molecular e a fórmula empírica, pode-se seguir diretamente para a fórmula molecular. Com frequência, o peso da fórmula empírica e a massa molecular são iguais. Em tais casos, a fórmula empírica é também a fórmula molecular. Contudo, em muitas situações, o peso da fórmula empírica é menor do que a massa molecular, tornando-se necessário determinar quantas vezes o peso da fórmula empírica pode ser dividido pela massa molecular. O fator determinado por essa conta é aquele pelo qual a fórmula empírica deve ser multiplicada para se obter a fórmula molecular. O etano é um exemplo simples. Após uma análise quantitativa elementar, descobre-se que a fórmula empírica do etano é C 3. Determina-se uma massa molecular de 30. O peso da fórmula empírica do etano, 15, é metade da massa molecular, 30. Portanto, a fórmula molecular do etano deve ser 2(C 3 ) ou C 2 6. Descobriu-se que a fórmula empírica da amostra desconhecida utilizada anteriormente neste capítulo é C 7 14 O 2. O peso da fórmula é 130. Supondo-se que se tenha determinado que a massa molecular dessa substância é 130, pode-se concluir que as fórmulas empírica e molecular são idênticas e que a fórmula molecular deve ser C 7 14 O 2.

6 INTRODUÇÃO À ESPECTROSCOPIA 1.4 ÍNDICE DE DEFICIÊNCIA DE IDROGÊNIO Com frequência, é possível descobrir muitas coisas de uma substância desconhecida apenas sabendo sua fórmula molecular. Essa informação pode ser obtida das seguintes fórmulas moleculares gerais: alcano cicloalcano ou alceno alcino C n 2n+2 } Diferença de 2 hidrogênios C n 2n C n 2n 2 } Diferença de 2 hidrogênios Perceba que toda vez que um anel ou uma ligação de π é introduzido em uma molécula, o número de hidrogênios na fórmula molecular é reduzido de dois. Para cada ligação tripla (duas ligações de π), a fórmula molecular é reduzida de quatro hidrogênios. A Figura 1.2 ilustra esse processo. Quando a fórmula molecular de um composto contém elementos além de carbono ou hidrogênio, a razão entre estes pode mudar. A seguir, apresentamos três regras simples que podem ser usadas para prever como essa razão irá mudar: 1. Para converter a fórmula de um hidrocarboneto saturado de cadeia aberta em uma fórmula que contenha elementos do Grupo V (N, P, As, Sb, Bi), deve-se adicionar 1 átomo de hidrogênio à fórmula molecular para cada elemento do Grupo V presente. Nos exemplos a seguir, todas as fórmulas estão corretas para um composto acíclico e saturado de dois carbonos: C 2 6, C 2 7 N, C 2 8 N 2, C 2 9 N 3 2. Para converter a fórmula de um hidrocarboneto saturado de cadeia aberta em uma fórmula que contenha elementos do Grupo VI (O, S, Se, Te), não é necessário fazer nenhuma alteração no número de hidrogênios. Nos exemplos a seguir, todas as fórmulas estão corretas para um composto acíclico e saturado de dois carbonos: C 2 6, C 2 6 O, C 2 6 O 2, C 2 6 O 3 C C 2 C C (compare também CO para C O) C C 4 C C 2 C 2 C 2 2 C 2 C FIGURA 1.2 Formação de anéis e de ligações duplas. Toda formação de anel ou de ligação dupla causa perda de 2.