RELAÇÃO MÃE-BEBÊ: UMA COMPREENSÃO PSICANALÍTICA Cléa Maria BALLÃO; clea.ballao@uol.com.br; Rosanna Rita SILVA; rosanna@irati.com.br Carolina Macieira LOPES; cmlopes88@hotmail.com Universidade Estadual do Centro-Oeste UNICENTRO Palavras-chave: relação mãe-bebê, psicanálise; A relação da mãe com seu bebê e deste com ela tem início no período gestacional e tende a se intensificar por ocasião do nascimento e no decorrer nos primeiros anos de vida. No entanto, nem sempre esse processo ocorre de modo satisfatório para ambos os envolvidos. Algumas vezes o fato de o bebê não corresponder exatamente aquele ao qual a mãe imaginou pode ser gerador de angústia materna e concretizar-se na dificuldade de interação entre a díade. Outras vezes, a mãe necessita submeter-se a compromissos ocupacionais intensos e não dispõe de tempo para interagir com seu filho. E, em determinadas situações ainda, a mãe por falta de orientação não vê necessidade de relacionar-se afetuosamente com seu bebê. Sabe-se que as primeiras relações, materno-filiais, são fundamentais para os relacionamentos futuros da criança. Refletindo sobre esta interação tão importante na vida do humano é que surgiu a proposta da atividade: Brincando com seu bebê. O presente texto tem por objetivo apresentar de modo geral essa proposta de trabalho e, mais especificamente, abordar a fundamentação teórica que serviu de alicerce para a construção da proposta que se configura enquanto um desdobramento do projeto extensionista Grupo de Apoio Psicológico para Gestantes e seus Acompanhantes desenvolvido desde 2004, no município de Irati e região. A relação simbiótica entre mãe e bebê, principalmente no primeiro ano de vida, é muito significativa para as fases seguintes na vida da criança. A observação da interação entre a díade mãe-bebê permite-nos avaliar a qualidade desta e o vínculo afetivo estabelecido. É a partir do nascimento e através dos primeiros comportamentos interativos da mãe em relação ao bebê, e do bebê em relação à mãe que o vínculo afetivo entre mãe e filho é efetivamente estabelecido. (ALFAYA; SCHERMANN, 2005). A fim de favorecer essa interação alguns psicanalistas pensaram na possibilidade de aplicar a psicoterapia com bebês. Cramer e Palacio-Esposa (1993) propõem um modelo de psicoterapia no qual o paciente não seria a mãe ou o bebê, mas sim a interação entre eles. Além disso, apresentam alguns indicadores dos efeitos da intervenção obtidos a partir de sua prática clinica, tais como: redução dos sintomas funcionais do bebê (nas seguintes áreas: sono, alimentação, digestão, respiração, pele, alergias, etc.), a melhora nas interações mãe-bebê e a recuperação da auto-estima por parte da mãe. Dolto(1999)
mostra que apesar das crianças não terem linguagem verbal, possuem uma linguagem, o que é condição para fazer psicanálise com bebês. Complementando com Eliacheff (1995), a atividade simbólica da criança que ainda não fala traduz-se em níveis de funções corporais, o corpo fala das experiências passadas e presentes. Dentre os comportamentos relacionados à interação que permitem a observação da qualidade da relação está o brincar. A brincadeira é o momento propício para criança realizar seus desejos. Além disso, ela insere a criança no meio social, proporcionando-a criatividade e distinção do seu corpo como sendo separado dos outros (ALVES; DIAS; SOBRAL, 2007). Segundo Aberastury (1992), há relações entre o processo de maturação e crescimento, e o aparecimento de novos interesses no brincar. O bebê, por exemplo, entre os sete e doze meses, passa por um período em que a genitalidade é muito importante e apresenta suas formas de descarga adequadas. Entre elas, uma das mais significativas é o brincar, mas não de um modo geral e sim de maneira muito específica: colocar e retirar as coisas, introduzir objetos penetrantes em orifícios, encher recipientes com pequenos objetos, explorar buracos. Assim, concomitante com seu desenvolvimento o bebê vai mudando suas preferências nas experiências lúdicas. Freud citado por Aberastury (1992) ensinava que uma criança brinca não somente para repetir situações satisfatórias, mas também para elaborar as que lhe foram traumáticas e dolorosas. Por meio da brincadeira a criança recria regras, deixa a imaginação e os sentimentos livres, e, como resultado, é capaz de expressar experiências desagradáveis, atingindo um senso de controle sobre os eventos ocorridos e aprimorando sua auto-estima. O lúdico também auxilia na revelação de sentimentos e pensamentos através de comportamentos expressos (HART, MATHER, SLACK & POWELL, 1992). O Projeto Brincando com seu Bebê originou-se do Grupo de Apoio Psicológico a Gestantes. A partir deste grupo fez-se necessário um acompanhamento à mães e bebês, a fim de fortalecer a interação da díade por meio do brincar. A função lúdica, presente nos jogos e nos brinquedos, pode ser descrita sob muitos enfoques: antropológico, psicanalítico, psicológico, pedagógico e sociológico, entre outros ( Ferreira, 2000). O Projeto Brincando com seu Bebê trata-se de um estudo exploratório orientado pela teoria psicanalítica que busca a orientação de mães e bebês acerca da importância do brincar e da qualidade da interação entre ambas. As mães e bebês são atendidos na Clínica- Escola de Psicologia da Unicentro. O Projeto está implantado na clínica porém será implantado em novos espaços o ano que vem. As orientações foram organizadas para serem realizadas na terceira sexta-feira de cada mês, com duração de aproximadamente uma hora por encontro. Já foram agendadas 3 datas porém não houve público. Para a divulgação do projeto foram construídos folhetos explicativos, cartazes e convites. Os convites foram entregues em hospitais públicos e também em clínicas de pediatria. As atividades resumem-se em informações básicas às mães sobre o desenvolvimento
do bebê e a importância do brincar com o objetivo de esclarecer dúvidas questionadas por elas e permitir a identificação entre ambas e a troca de experiências. Após esse esclarecimento as mães serão convidadas a brincar com seus bebês para que apliquem à prática a importância do brincar. A brincadeira possibilitará que os acadêmicos observem a interação mãe-bebê, os quais poderão fazer intervenções, incentivando as mães a melhorar a qualidade da interação. Palavras-chave: Psicologia, relação mãe-bebê, psicanálise A relação da mãe com seu bebê e deste com ela tem início no período gestacional e tende a se intensificar por ocasião do nascimento e no decorrer nos primeiros anos de vida. No entanto, nem sempre esse processo ocorre de modo satisfatório para ambos os envolvidos. Algumas vezes o fato de o bebê não corresponder exatamente aquele ao qual a mãe imaginou pode ser gerador de angústia materna e concretizar-se na dificuldade de interação entre a díade. Outras vezes, a mãe necessita submeter-se a compromissos ocupacionais intensos e não dispõe de tempo para interagir com seu filho. E, em determinadas situações ainda, a mãe por falta de orientação não vê necessidade de relacionar-se afetuosamente com seu bebê. Sabe-se que as primeiras relações, materno-filiais, são fundamentais para os relacionamentos futuros da criança. Refletindo sobre esta interação tão importante na vida do humano é que surgiu a proposta da atividade: Brincando com seu bebê. O presente texto tem por objetivo apresentar de modo geral essa proposta de trabalho e, mais especificamente, abordar a fundamentação teórica que serviu de alicerce para a construção da proposta que se configura enquanto um desdobramento do projeto extensionista Grupo de Apoio Psicológico para Gestantes e seus Acompanhantes desenvolvido desde 2004, no município de Irati e região. A relação simbiótica entre mãe e bebê, principalmente no primeiro ano de vida, é muito significativa para as fases seguintes na vida da criança. A observação da interação entre a díade mãe-bebê permite-nos avaliar a qualidade desta e o vínculo afetivo estabelecido. É a partir do nascimento e por meio dos primeiros comportamentos interativos da mãe em relação ao bebê, e do bebê em relação à mãe que o vínculo afetivo entre mãe e filho é efetivamente estabelecido. (ALFAYA; SCHERMANN, 2005). Com o objetivo de favorecer essa interação alguns psicanalistas pensaram na possibilidade de aplicar a psicoterapia com bebês. Cramer e Palacio-Esposa (1993) propõem um modelo de psicoterapia no qual o paciente não seria a mãe ou o bebê, mas sim a interação entre eles. Além disso, apresentam alguns
indicadores dos efeitos da intervenção obtidos a partir de sua prática clinica, tais como: redução dos sintomas funcionais do bebê (nas seguintes áreas: sono, alimentação, digestão, respiração, pele, alergias, entre outras), a melhora nas interações mãe-bebê e a recuperação da auto-estima por parte da mãe. Dolto(1999) mostra que apesar das crianças não terem linguagem verbal, possuem uma linguagem, o que é condição para fazer psicanálise com bebês. Complementando com Eliacheff (1995), a atividade simbólica da criança que ainda não fala traduz-se em níveis de funções corporais, o corpo fala das experiências passadas e presentes. Dentre os comportamentos relacionados à interação que permitem a observação da qualidade da relação está o brincar. A brincadeira é o momento propício para criança realizar seus desejos. Além disso, ela insere a criança no meio social, proporcionando-a criatividade e distinção do seu corpo como sendo separado dos outros (ALVES; DIAS; SOBRAL, 2007). Segundo Aberastury (1992), há relações entre o processo de maturação e crescimento, e o aparecimento de novos interesses no brincar. Entre elas, uma das mais significativas é o brincar, mas não de um modo geral e sim de maneira muito específica: colocar e retirar as coisas, introduzir objetos penetrantes em orifícios, encher recipientes com pequenos objetos, explorar buracos. Assim, concomitante com seu desenvolvimento o bebê vai mudando suas preferências nas experiências lúdicas. Freud citado por Aberastury (1992) ensinava que uma criança brinca não somente para repetir situações satisfatórias, mas também para elaborar as que lhe foram traumáticas e dolorosas. Por meio da brincadeira a criança recria regras, deixa a imaginação e os sentimentos livres, e, como resultado, é capaz de expressar experiências desagradáveis, atingindo um senso de controle sobre os eventos ocorridos e aprimorando sua auto-estima. O lúdico também auxilia na revelação de sentimentos e pensamentos por meio de comportamentos expressos (HART, MATHER, SLACK & POWELL, 1992). A atividade Brincando com seu Bebê originou-se no âmbito do Projeto Grupo de Apoio Psicológico a Gestantes. A partir deste grupo percebeu-se como necessário um acompanhamento para mães e bebês no sentido de fortalecer a interação da díade por meio do brincar. A função lúdica, presente nos jogos e nos brinquedos, pode ser descrita sob muitos enfoques: antropológico, psicanalítico, psicológico, pedagógico e sociológico, entre outros ( Ferreira, 2000). A atividade Projeto Brincando com seu Bebê é, assim, um estudo exploratório orientado pela teoria psicanalítica que busca a orientação de mães e bebês acerca da importância do brincar e da qualidade da interação entre ambas. As mães e bebês serão atendidos na Clínica- Escola de Psicologia da Unicentro. O Projeto será implantado na clínica, porém poderá ser ampliado para novos espaços. As orientações foram organizadas para serem realizadas na terceira sexta-feira de cada mês, com duração de aproximadamente uma hora por encontro. Já foram agendadas, inicialmente, três datas porém, não houve público. Para a divulgação do projeto
foram construídos folhetos explicativos, cartazes e convites. Os convites foram entregues em hospitais públicos e também em clínicas de pediatria. As atividades resumem-se em informações básicas às mães sobre o desenvolvimento do bebê e a importância do brincar com o objetivo de esclarecer dúvidas questionadas por elas, permitindo a identificação entre ambas e a troca de experiências. Após esse esclarecimento as mães serão convidadas a brincar com seus bebês para que apliquem à prática a importância do brincar. A brincadeira possibilitará que os acadêmicos observem a interação mãe-bebê, os quais poderão fazer intervenções, incentivando as mães a melhorar a qualidade da interação.