Câmara de Coordenação e Revisão Origem: PRT 1ª Região. Interessados: 1. Dr. Marco Antônio Prado (PRT 1ª Região) 2. Transportes América Ltda. Assunto: Consulta. TAC 211/2012 Revisão do Valor da Multa. Acordo Judicial. Homologação pela CCR EMENTA DESCUMPRIMENTO DE TAC. REDUÇÃO DO VALOR DA MULTA. ACORDO NA EXECUÇÃO. REMESSA DO PAJ. CONHECIMENTO COMO CONSULTA. RESPOSTA PELA POSSIBILIDADE. DISCRICIONARIEDADE DO PROCURADOR OFICIANTE. INTELIGÊNCIA DA ORIENTAÇÃO 08/CCR. 1. O plano do Procurador Oficiante de redução pontual do valor da multa cobrada da empresa que descumpriu o Termo de Ajustamento de Conduta, mediante conciliação a ser celebrada nos autos da execução, não corresponde à hipótese de retificação do instrumento versada no artigo 14-A da Resolução 69/2007/CSMPT, pois apenas diminuirá o débito exigido em juízo, à vista da violação apurada, sem modificar o teor da cláusula da sanção pecuniária, ainda aplicável para novas infrações. Portanto, afiguram-se desnecessárias a oitiva do Membro signatário do TAC e a sujeição da proposta de avença à homologação da Câmara de Coordenação e Revisão. Entretanto, é cabível a remessa prévia do Procedimento de Acompanhamento Judicial à CCR, na forma de consulta, para que examine a possibilidade do acordo conduzido pelo Órgão da execução. 2. A realização de acordo com a Empresa Infratora para mitigar o valor executado da astreinte cominada em TAC pertence ao campo de discricionariedade do Procurador Oficiante, desde que apresente a devida motivação, quando concluir que será atendido o interesse público e preservada a efetividade das metas institucionais do MPT, responsabilizando-se pela aferição dos pressupostos fáticos e jurídicos de justa causa para semelhante medida, sob o seu exclusivo juízo de conveniência e oportunidade, conforme inteligência da Orientação nº 08 da CCR, na 1
Relatório esteira da decisão precedente na Consulta 10/2003 (Relatoria do Dr. Edson Braz da Silva). 3. Consulta conhecida e respondida com a simples afirmação da possibilidade do Acordo Judicial para redução das astreintes não competindo à CCR substituir o juízo de valor do órgão oficiante quanto à oportunidade da redução e seu impacto sobre o interesse público primário que se pretende tutelar e a efetividade da atuação ministerial no caso concreto. O nobre Procurador do Trabalho da PRT da 1ª Região, Dr. Marco Antônio Prado, encaminha os autos do Procedimento de Acompanhamento Judicial 4320/2011, formulando consulta à Câmara de Coordenação e Revisão sobre a possibilidade de acordo com a Empresa Transportes América Ltda., mediado pelo Núcleo de Centralização da Execução e Conciliação do TRT da 1ª Região, para o MPT reduzir o valor cobrado em razão da inobservância do Termo de Ajustamento de Conduta 211/2002, após comprovação documental de que a Compromissada, ora Executada, finalmente regularizou o pagamento das verbas rescisórias (fls. 632/636). O consulente assevera a inadequação dos critérios do cálculo do valor da multa, em cominação diária por empregado, porque o pagamento das verbas rescisórias em desconformidade com o art. 477 da CLT traduz conduta instantânea, além do que a cobrança na fórmula do TAC superaria os três milhões de reais, cifra que poderia acarretar dificuldades à continuidade da atividade econômica da empresa e ao serviço público de transporte coletivo. Propõe, assim, o cômputo do valor da multa por evento e multiplicado pelo número de empregados envolvidos, chegando ao valor de R$ 950.000,00 (novecentos e cinquenta mil reais), com reajuste balizado no IGPM incidente até a data de homologação do acordo. 2
O ilustre colega argumenta que o montante proposto atende os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, sendo suficientemente elevado para a manutenção do caráter pedagógico da sanção, além de viabilizar o fim da execução mediante pagamento espontâneo da dívida. Em arremate, colaciona decisões precedentes da CCR que autorizam a diminuição do valor da multa prevista em TAC. Admissibilidade É o Relatório. O plano do Procurador Oficiante de redução pontual do valor da multa cobrada da empresa que descumpriu o Termo de Ajustamento de Conduta, mediante conciliação a ser celebrada nos autos da execução, não corresponde à hipótese de retificação do instrumento versada no artigo 14-A da Resolução 69/2007/CSMPT, pois apenas diminuirá o débito exigido em juízo, à vista da violação apurada, sem modificar o teor da cláusula da sanção pecuniária, ainda aplicável para novas infrações. Portanto, afiguram-se desnecessárias a oitiva do Membro signatário do TAC e a sujeição da proposta de avença à homologação da Câmara de Coordenação e Revisão. Entretanto, é cabível a remessa prévia do Procedimento de Acompanhamento Judicial à CCR, na forma de consulta, para que examine a possibilidade do acordo conduzido pelo Órgão da execução. CONHEÇO da remessa dos autos como CONSULTA, nos moldes em que apresentada à CCR pelo Membro Oficiante. 3
Fundamentação A realização de acordo com a Empresa Infratora para mitigar o valor executado da astreinte cominada em TAC pertence ao campo de discricionariedade do Procurador Oficiante, desde que apresente a devida motivação, quando concluir que será atendido o interesse público e preservada a efetividade das metas institucionais do MPT, responsabilizando-se pela aferição dos pressupostos fáticos e jurídicos de justa causa para semelhante medida, sob o seu exclusivo juízo de conveniência e oportunidade. Essa é a inteligência da Orientação 08 da CCR, vazada nos seguintes termos: Orientação sobre Termo de Ajustamento de Conduta - Multa (143ª Reunião Ordinária de 14/12/06) EXECUÇÃO DE TERMO DE AJUSTE DE CONDUTA MULTA Dispõe o Órgão Oficiante da faculdade de, a seu critério e com motivação lançada, aceitar proposta de redução ou até mesmo de isenção da multa, quando essa revisão revelar-se justificada, oportuna e for reclamada pelo interesse público primário, além de compatível com a efetividade das metas do Ministério Público do Trabalho. Robustece tal convicção a ementa da decisão precedente da CCR na Consulta 10/2003, com a relatoria do Dr. Edson Braz da Silva, que balizou a redação da Orientação 08: EMENTA Compete ao Procurador Oficiante administrar a execução de astreinte estipulada em TCAC ou determinada em sentença de ACP, quando a revisão quantitativa ou qualitativa da multa é reclamada pelo interesse público e revela-se oportuna e compatível com as metas do Ministério Público do Trabalho. Precedentes desta douta Câmara de Coordenação e Revisão nos processos CCR 35/2001; CCR 25/2002; CCR 34/2002. 4
Respondo à consulta afirmando simplesmente a possibilidade do acordo judicial para redução das astreintes não competindo à CCR substituir o juízo de valor do órgão oficiante quanto à oportunidade da redução e seu impacto sobre o interesse público primário que se pretende tutelar e a efetividade da atuação ministerial no caso concreto.. Voto: Baseado na fundamentação retro, voto no sentido do conhecimento da remessa do PAJ 4320/2011 como consulta, respondida com a simples afirmação da inexistência de óbice legal para que o ilustre Procurador Oficiante celebre acordo judicial para a redução do valor da multa exigida da Empresa Transportes América Ltda. no processo de execução do TAC 211/2012, segundo o seu prudente arbítrio quanto à conveniência e oportunidade da redução da multa a qual deve ser aferida em face do interesse público primário que se pretende tutelar e da efetividade da atuação ministerial no caso concreto. 22 maio 2014. 5