VERDADEIRO? FALSO? TUDO O QUE APRENDEMOS É BOM VERDADEIRO? FALSO? A EDUCAÇÃO PODE ME PREJUDICAR VERDADEIRO? FALSO? APRENDO SEMPRE DE FORMA CONSCIENTE
ESPAÇOS DE APRENDIZAGEM Podemos concordar que aprendemos em todos os espaços nos quais interagimos; as famílias em suas múltiplas formas, a relação com os nossos semelhantes, na comunidade, nos centros de ensino, no local de trabalho, nas organizações e redes sociais que integramos, nas organizações políticas, quando formamos parte de alguma, na cidade em que vivemos etc. Paulo Federigui nos recorda que quando nos referimos à aprendizagem, em geral a tendência é crer que a formação/aprendizagem é sempre positiva. No entanto, há processos de aprendizagem que podem prejudicar e inclusive destruir as pessoas, diz Federigui. Nesse sentido pode-se falar de dano educativo, tanto físico, como mental, ou de infelicidade. Aprendemos tanto de forma consciente como inconsciente de nosso entorno. Portanto, aprendemos através de conteúdos específicos, como também através da forma como funciona o próprio espaço de aprendizagem (qualquer que seja este), ou a atmosfera da aprendizagem. A aprendizagem não é um assunto teórico-racional que envolve apenas o intelecto, mas também nossos sentimentos, emoções e vivências. Uma aproximação ampla à noção de aprendizagem se refere a tudo o que uma pessoa aprende, consciente ou inconscientemente, ao ser parte de um processo, em um âmbito concreto, e tanto poderá ser benéfico como contraproducente O QUE E O COMO Estamos partindo da base de que aprendemos tanto através do intercâmbio de reflexões conceituais e de experiências práticas, como da forma em que se efetua o intercâmbio. Trabalhar conscientemente no contexto de aprendizagem é um desafio metodológico que parte do reconhecimento de que os espaços de gestão-aprendizagem são múltiplos, e que neles vamos nos transformando. O que queremos dizer com isso? Nossa experiência nos indica que podemos aprender, por exemplo, a negociar tanto a través de um curso, como participando de uma experiência de negociação de sucesso, ou frustrada (que também nos deixa ensinamentos), mas também da acumulação de certezas de que a negociação é possível. Tudo o que aprendemos consciente ou inconscientemente nos transforma de forma benéfica ou contraproducente, pois o que aprendemos não é neutro nem necessariamente bom. Se através da experiência se aprende que a resolução de um conflito leva à supressão de uma das partes, então estou aprendendo de forma vivencial que a resolução de uma divergência passa pela imposição de uma posição sobre outra. As mudanças trazem transformações internas e externas, e com isso queremos dizer que basicamente aprendemos na prática e através de vivências, aprendemos do debate e do diálogo, do confronto de diferentes perspectivas e do exercício de estratégias de cooperação e negociação.
Estamos acostumadas a trabalhar mais nos que, do que nos como, e muitas vezes é através desses últimos que se expressam de forma implícita as discriminações, os estereótipos, os preconceitos e as exclusões. Dentro do sistema educativo, nos espaços formais de educação, pensaríamos que pelo menos o discurso da não discriminação deveria estar mais presente que em outros âmbitos. Mas nas instituições educativas, embora não conscientemente, é onde se produz muitas vezes a interiorização de atitudes e comportamentos preconceituosos e discriminatórios contra a diversidade. Onde aprendemos tão efetivamente a manter condutas e atitudes preconceituosas ou discriminatórias, ou racistas? Nascemos assim? Ou as vamos introjetando ao longo de nossa vida nos diversos espaços de aprendizagem? As pessoas aprendem a discriminar em todos os espaços. Para educar sem discriminar, é necessário ter consciência sobre a discriminação presente na vida cotidiana. Quando nos referimos à discriminação, referimo-nos àquela parte da humanidade que tem permanecido excluída da participação em temas de interesse público e que não desfruta de uma cidadania plena. O termo discriminação denota todo tipo de diferenciação, exclusão ou restrição baseada em gênero, raça, cor, ascendência, linhagem, origem nacional ou étnica, orientação sexual, status social, religião, idade, deficiências, etc. Ao perpetuar a idéia da existência de seres humanos superiores a outros seres humanos, dos homens superiores às mulheres, de uma raça superior a outra, dos ricos superiores aos pobres, a educação reforça a noção de poder e legitima a discriminação e a opressão, gerando assim a violência. É por isso que nos interessa deixar claro que a forma de funcionar, os mecanismos, normas e procedimentos que acontecem em um espaço de interação, são tão importantes como o que se debate e o que nele se constrói.
Educação para a inclusão Referir-nos a Educação para a inclusão, leva-nos necessariamente a mencionar o conceito de EXCLUSÃO SOCIAL. O conceito de exclusão social é multidimensional. A falta de recursos econômicos não é a única razão pela qual pessoas ou grupos são excluídos, mas há outros fatores que intervêm e afetam a capacidade de participar de forma efetiva da vida social, econômica, política e cultural. A exclusão social se associa à idéia de pobreza, mas não é sinônimo de pobreza. É uma situação mais complexa, que se manifesta nas sociedades através dos padrões recorrentes nas relações sociais, que impedem a indivíduos e grupos o acesso aos recursos, serviços, atividades e instituições vinculadas ao exercício de direitos e de cidadania. Para corrigir os processos que produzem e reproduzem a exclusão social, é necessária uma abordagem integral, que permita conquistar simultaneamente maiores graus de inclusão. Ou seja, que torne possível a aquisição de ativos econômicos, políticos, sociais e culturais, que permitam estabelecer relações dentro da comunidade em igualdade de condições, sem discriminação por sexo, raça/etnia, idade, origem social, identidade sexual, etc. Também requer integrar a vivência subjetiva da situação de exclusão social, fortalecendo a auto-estima, a autonomia pessoal e o sentimento de pertencer a uma comunidade, a uma cidade. A noção habitualmente utilizada de empoderamento se refere à ampliação da liberdade para optar e escolher, e ao aumento da autoridade e poder das pessoas em situação de pobreza, das mulheres e de todos aqueles que vivem em relações de subordinação ou são excluídos socialmente, sobre os recursos e decisões que afetam sua vida. exclusão primária e exclusão secundária A falta de acesso à educação é a exclusão primária e a mais óbvia e que significa a violação de um direito humano. Mas há outras formas mais sutis de discriminação que levam à exclusão, e é desse aspecto mais profundo da discriminação ao qual quero me referir, e mais especialmente na forma de intersecção em que se concretiza.
A exclusão simbólica exercida através dos diferentes códigos culturais significa uma exclusão secundária, baseada em outras variáveis tais como gênero, raça-etnia, origem social, orientação sexual, local de origem ou procedência, etc. Esta necessidade de elaborar o conceito de educação para a inclusão, surge então da constatação de múltiplas identidades e discriminações existentes na realidade atual, e do papel que a educação desempenha em torno a esta realidade em diferentes espaços de aprendizagem. E aquele que poderia desempenhar. A necessidade de descrever e analisar esta segunda forma de exclusão ao direito à educação nos leva a considerar o binômio igualdade/diferença. IGUALDADE-DIFERENÇA FALSA DICOTOMIA O OPOSTO À DIFERENÇA É A HOMOGENEIZAÇÃO. Os sistemas educativos do século XX homogeneizaram, isto é, não levaram em conta as diferenças. Não foram capazes de compreender ou assumir a multi-dimensionalidade dos seres humanos. Não compreenderam ainda que a diferença é o que nos faz iguais. Nós educadores e educadoras, formadores/as de opinião, devemos buscar aprofundar o significado do pertencimento étnico/racial e de gênero, para a urgente elaboração de alternativas pedagógicas que garantam o direito à igualdade e à equidade.. São necessárias mudanças internas profundas naqueles que intervêm nesses processos de formação-aprendizagem, pois do contrário reproduzem-se inevitavelmente atitudes discriminatórias. A discriminação não é um problema do grupo discriminado, mas sim um problema de toda a sociedade, e se isso não for assumido nesses termos não poderá ser resolvido. A invisibilidade dos grupos que sofrem a discriminação é um dos fatores que a perpetua; Nós, mulheres sabemos que muitas vezes somos INVISÍVEIS e a mesma coisa acontece com a população negra, indígena, etc. E a situação de invisibilidade também parece natural para a maioria da sociedade, inclusive acaba por se introjetar no próprio grupo discriminado, como algo inevitável. É natural que a mulher ganhe menos por trabalho igual que o homem...
Alguns fatores para pensar na hora de superar a discriminação: * SER CONSCIENTES E ACEITAR QUE TODOS E TODAS DISCRIMINAMOS, INCLUSIVE COMO EDUCADORES/AS; NÃO É UMA COISA QUE OS OUTROS FAZEM * SER CONSCIENTES DE QUE TRANSMITIMOS ESSAS CONDUTAS PELO MENOS INCONCIENTEMENTE * NO ÃMBITO EDUCATIVO LEVAR EM CONTA O QUE DIZ UM DOCENTE EM UMA PESQUISA REALIZADA NO BRASIL: NÃO ESTAMOS PREPARADOS PARA LIDAR COM QUESTÕES POLÊMICAS COMO ETNIAS, PRECONCEITOS, DISCRIMINAÇÕES, ETC. * COMO SE PROMOVE UM PROCESSO DE DESCONSTRUÇÃO DO RACISMO E DEMAIS DISCRIMINAÇÕES? HÁ QUE DESAPRENDER! ALGUNS DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS Somos educadores e educadoras, aprendizes nesta tarefa de transformar a realidade e pensar outro mundo. Isto produz tensões que é preciso reconhecer para trabalhar a partir delas. É um enorme desafio construir uma educação democrática imersos em uma sociedade injusta, em uma sociedade regulada por regras de mercado, influenciados por valores que produzem esta sociedade injusta. Como construir uma cultura de paz em um mundo violento onde os meios de comunicação produzem sistematicamente a idéia de violência? Há que ensinar a complexidade das crises planetárias e desenvolver a consciência de que todos os seres humanos somos uma mesma comunidade de destino. A educação deve facilitar o desenvolvimento de uma ética do gênero humano que nos leve a uma verdadeira cidadania planetária. Edgar Morin