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1 LAUDO MÉDICO PERICIAL. Preâmbulo. Aos sete dias do mês de maio do ano de 2009, o Perito Dr. OSCAR LUIZ DE LIMA E CIRNE NETO, designado pelo MM Juiz de Direito da 2.ª Vara Cível da Comarca de São Gonçalo, para proceder ao exame pericial em JOSÉ ANTONIO GONÇALVES, nos Autos do processo N.º: 2005.004.004200-5, onde consta como Réu BRADESCO SEGUROS, descrevendo com verdade e com todas as circunstâncias, o que vir, descobrir e observar, bem como responder aos quesitos das partes. Em conseqüência, passa ao exame pericial solicitado, as investigações que julgou necessárias, as quais findas, passa a declarar: Identificação. José Antonio Gonçalves, brasileiro, casado, nascido no dia 02/01/1965, natural de Pernambuco, portador da C.I. N.º RG 032654581 IFP, vivendo e residindo a Rua Armando César nº. 214, Jardim América, São Gonçalo, RJ, CEP: 24731-070; de profissão: Bancário Aposentado. Histórico. São as seguintes, as declarações do paciente: O Autor foi aposentado pelo INSS como invalidez previdenciária (B 32) mais tarde convertida em aposentadoria por invalidez acidentária (B 92) por decisão do da 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Solicitou a companhia de seguro o pagamento do prêmio ao qual tem direito e teve negado o seu pedido sob alegação de que sua invalidez era parcial. Alega ser portador de LER diagnosticada pelos seus médicos como: M75.1 Síndrome do manguito rotador (bilateral) M65.9 Sinovite e tenossinovite não especificadas; M77.1 Epicondilite lateral (direita); M54.5 Dor lombar baixa. Exame Físico.

2 O paciente ao exame é um homem branco, que deu entrada caminhando por seus próprios meios e sem o auxílio de aparelhos; está em bom estado físico, bom estado de nutrição e aparenta uma idade física compatível com a idade cronológica. Está lúcido e orientado no tempo e no espaço, o pensamento tem forma, curso e conteúdo normal, a memória está presente e preservada, o humor igualmente presente e adequado às situações propostas. Não notamos a presença de delírios ou alucinações. O exame físico direcionado demonstrou. a) Dores à mobilização dos membros superiores; Discussão. Trata-se de um processo de Responsabilidade Civil, por alegada Obrigação de fazer por descumprimento de Clausula de Seguro. De todos os elementos acostados aos Autos, destacamos os seguintes trechos e documentos de real interesse para a perícia. Fls. 02, Peça Exordial:... aderiu o autor a contrato de seguro de Vida em Grupo implantado pelo seu ex-empregador... ; Fls. 03, Peça Exordial: foi o demandante aposentado por invalidez permanente a fim de requer o pagamento da verba indenizatória a que faz jus teve o autor em 26/11/2004 o seu pedido negado... que trata-se a presente questão de invalidez parcial... ; Fls. 04, Peça Exordial: Do Pedido requer: a verba indenizatória a que faz a jus... ; Fls. 12-13, Laudo do Bradesco & previdência ao Instituto Pedro Di Perna, como reclamante o autor, datado de 23/11/04 onde consta:... após resultado da perícia médica realizada em 17/11/2004, concluiu-se que o segurado apresenta restrição mínima do membro superior direito, incapacitando-o para funções que necessitem movimentos repetitivos... não encontra amparo técnico de cobertura, pois não há... invalidez Permanente Total por Doença... ;

3 Fls. 14-15 (frente e verso), Aviso de Sinistro do Bradesco Seguros, datado de 07/07/04, em nome do Autor onde consta:... LER/DORT... Ombro Cotovelo D - Punho Direito - Mão D e Coluna Lombar... ; Fls. 16, Atestado Médico em impresso do Dr. Carlos Alberto Ferreira Soares, em nome do Autor, datado de 20/10/2004, onde consta: aposentado por invalidez, encontra-se atualmente em tratamento conservador de M 542, M545, M659, no punho D, mão D, M771 no cotovelo D... ; Fls. 17, Carta de Concessão / Memória de Cálculo da Previdência Social, datado de 21/08/04, em nome do Autor onde consta:... foi concedido Aposentadoria por Invalidez (32)... com inicio da vigência a partir de 07/07/04... ; Fls. 18-19, Carteira de Trabalho e previdência Social em nome do Autor; Fls. 32, Laudo de Ultra-Sonografia das Articulações do Ombro Direito e Esquerdo impresso da Clínica CESUS, em nome do Autor datado de 08/06/01 onde consta: Tendões do bíceps:... Observa-se principalmente no espaço peritendíneo do tendão direito, aumento de quantidade de líquido, podendo sugerir processo inflamatório. Tendões sub-escapulares...observase em topografia média do tendão esquerdo, foco de fibrose, medindo 0,9cm em seu diâmetro máximo... Tendões dos Supra-Espinhosos: Ambos os tendões apresentam pequenas imagens ecogênica, de permeio, além da presença de áreas com alterações da ecogenicidade, sugerindo seqüelas/doença inflamatória bilateral... ; assinado pelo Dr. A. Luis Ferreira Rocha; Fls. 33, Laudo de Ultra-Sonografia de Estruturas Superficiais em impresso da Clínica CESUS, em nome do Autor, datado de 08/06/01, onde consta: Observa-se em topografia de face extensora da articulação metacarpo-falangeana do 2º quirodáctilo, área de proliferação e heterogenicidade sinovial, que chega a medir 0,5cm de espessura, sugerindo sinovite

4 crônica... ; assinado pelo Dr. A. Luis Pimentel Ferreira Rocha; Fls. 34, Laudo de Ultra-Sonografia da Articulação do Punho Direito, em impresso da Clínica CESUS, em nome do Autor, datado de 08/06/01, onde consta:... sugerindo tenosinovite... ; assinado pelo Dr. A. Luís Pimentel Ferreira Rocha; Fls. 35, Laudo de Ultra-Sonografia das Articulações dos Ombros Direito e Esquerdo da Clínica CESUS, datado de 16/02/04, em nome do Autor onde consta:... tendões do supra espinhoso... sugerindo tendinite bilateral... assinado pelo Dr. Luiz Pimentel Ferreira Rocha; Fls. 36, Laudo de Ultra-Sonografia da Articulação do Punho Direito, em impresso da Clínica CESUS, em nome do Autor, datado de 16/02/04, onde consta: sugerindo tenossinovite... assinado pelo Dr. A. Luís Pimentel Ferreira Rocha; Fls. 37, Laudo de Ultra-Sonografia de Estruturas Superficial da Clínica CESUS, datado de 02/09/03, em nome do Autor onde consta:... sugerindo hipertrofia/sinovite... assinado pelo Dr. A. Luís Pimentel Ferreira Rocha; Fls. 38, Laudo de Ultra-Sonografia de Ombros, datado de 25/06/04, em nome do Autor onde consta: Aspecto ecográfico compatível com tendinopatia do manguito rotador bilateral... assinado pela Dra. Mônica Roberto Marinho; Fls. 39, Laudo de Ultra-Sonografia do Cotovelo Direito da Clínica Radiológica Laurindo Cruz, datado de 25/06/04, em nome do Autor onde consta:... Aspecto ecográfico compatível com epicondilite lateral e medial... assinado pela Dra. Mônica Roberto Marinho; Fls. 40, Laudo de Ultra-Sonografia do Punho e Mãos Diretos da Clínica Radiológica Laurindo Cruz, datado de 25/06/04, em nome do Autor onde consta: Necessário correlacionar a eletroneuromiografia... assinado pela Dra. Mônica Roberto Marinho;

5 Fls. 41, Laudo de Ressonância Magnética da Coluna Lombar em impresso da Medicina Imagem, datado de 06/02/03, em nome do Autor onde consta:...alterações degenerativas nos platôs vertebrais em relação ao espaço discal de L5-S1. Protrusão discal médio e paramediana direita em L5-L1 contactando raiz concorrente direita de S1... assinado pela Dra. Peli Cano; Fls. 42, Tomografia Computadorizada da Coluna Lombo-Sacra: EX 31160 da Clínica Radiológica Luiz Raposo Mattoso Ltda, datado de 17/10/2000, em nome do Autor onde consta: Pequeno Abaulamento discal difuso em L4-L5 e L5- S1, mais evidente neste último nível ocasionando endentação sobre a face ventral do saco dural... ; Fls. 103, Quesitos do Autor; Fls. 143-144, Quesitos do Autor; Fls. 178-179, Quesitos do Réu; Antes de adentráramos ao cerne da questão entendemos que o termo invalidez parcial é em verdade uma impropriedade gramatical. Inválido é uma palavra derivado do latim invalidus (fraco, falto de força, débil), quer, no sentido jurídico, exprimir o estado do inválido, isto é, da pessoa que, por enfermidade ou velhice, se tornou fraca ou falha de forças, para o exercício do trabalho ou atividade profissional. Nesta razão, a invalidez quer exprimir a incapacidade física para o trabalho ou a impossibilidade material de exercer qualquer função ou atividade profissional. Segundo o sentido literal da palavra, a invalidez advém da fraqueza, decorrente da enfermidade ou de velhice. Inválido tanto é o velho, que se impossibilita ou se incapacita para o trabalho, como qualquer outra pessoa, que se inutiliza para o trabalho. Portanto o que existe em verdade é uma incapacidade parcial para o trabalho que pode ser genérico ou para o trabalho específico. Entendemos que descabe hoje a discussão sobre a invalidez uma vez que há sentença judicial declarando o paciente inválido. Recorrida, foi reconhecida a invalidez por decisão de

6 Segunda Instância, portanto hoje o paciente foi considerado inválido por acidente do trabalho e, portanto, por doença profissional (LER). No momento, não encontramos do ponto de vista pericial, qualquer restrição, à prática do trabalho genérico uma vez que a LER/DORT que acomete os membros superiores é uma doença que restringe o trabalho em que possa haver atividade que necessita do uso dos membros superiores em movimentos repetidos. Assim na idade do Autor e com seu grau de instrução, não há impedimento à prática de outras formas de trabalho e portanto, do ponto de vista estritamente pericial não há invalidez. Conclusão. O Autor exclusivamente do ponto de vista pericial, pode exercer função laborativa desde que esta função não exija movimentos repetitivos dos membros superiores. Exclusivamente do ponto de vista pericial não há invalidez para o trabalho genérico. Resposta aos quesitos: Quesitos do Autor. (fls. 103). 1) Qual a atividade que um trabalhador doente, aposentado por invalidez, e que durante toda sua vida se dedicou a uma profissão, pode exercer sem a utilização dos membros superiores? R: Toda e qualquer profissão que não exija movimentos repetitivos, por exemplo: comprador, vendedor, ascensorista, motorista, porteiro, eletrotécnico, radialista, vigia, zelador, empresário em diversos ramos, juiz de direito e muitas outras ; 2) Qual a diferença entre laudo apresentado e os laudos que apresentaram o Autor, vez a afirmação desse expert as fls. 113 dos autos que do ponto de vista estritamente pericial não há invalidez? R: Entendemos que seja às fls. 154. Os peritos da previdência social avaliaram dentro dos critérios previdenciários a profissão de bancário. No entanto, cabe a eles justificar sua opinião e não a mim; 3) Quais os movimentos que fez com que um portador da doença que acomete o Autor possa realizar, sem a presença das dores relatadas às fls. 114 no quesito 1 do réu, respondido pelo I. Perito do Juízo?

7 R: Todos os movimentos que não exijam repetição automática e sem descanso para os grupos musculares; Quesitos do Autor (fls.143-144). 1. Queira o Sr. Perito informar qual (is) enfermidade(s) que acomete o autor. R: LER diagnosticada pelos seus médicos como: M75.1 Síndrome do manguito rotador (bilateral) M65.9 Sinovite e tenossinovite não especificadas; M77.1 Epicondilite lateral (direita); M54.5 Dor lombar baixa; 2. Queira o Sr. Perito informar se a enfermidade que acomete o autor gerou sua invalidez? R: Pela avaliação previdenciária confirmada judicialmente sim; 3. Queira o Sr. Perito informar se a referida invalidez é parcial ou permanente; R: Não há incapacidade à pratica do trabalho genérico; 4. Queira o Sr. Perito prestar outros esclarecimentos acerca da enfermidade que acomete o autor. R: São patologias tendinosas e musculares que acometem principalmente os membros superiores e que proíbem o trabalho em que esses grupos musculares sejam submetidos à esforços repetitivos. Quesitos do Réu. (fls. 178-179). a) Queira o I. Perito informar o que a doença denominada LER/DORT (Ombros, cotovelo direito, punho direito, mão direita e coluna lombar), pode causar ao homem médio? R: Dor incapacidade laborativa que necessites do uso repetitivo dos membros superiores; b) Informe o I. Perito qual a função exercida pelo Autor antes de sua aposentadoria. R: Bancário; c) Descreva o I. Expert minuciosamente todas as atividades executadas pelo Autor na sua função. R: Irrelevante frente ã discussão de invalidez;

8 d) Queira Informar o I. Perito qual o diagnóstico definitivo estabelecido para a alegada doença do Autor, quais os critérios e os exames complementares que confirmam o diagnóstico. R: Vide Fls.16 e Fls. 32 a 42; e) Informe o I. Perito se o Autor é portador de alguma doença degenerativa, metabólica? R: Não há documentos nos autos que permita uma resposta conclusiva; f) Informe, se podem ser constatadas no Autor lesões ou seqüelas incapacitantes, se positiva a resposta solicitamos que as descreva. R: Veja o inteiro teor do laudo; g) Existe incapacidade física ou laborativa para o Autor? Se positiva a resposta, determinem o grau de incapacidade e se ela é temporária ou permanente. R: Vide Conclusão; h) Pode o I. Perito determinar sem qualquer dúvida que a alegada doença do Autor é decorrente do trabalho? Ou poderia ela ter outra causa? Se for decorrente do trabalho, informem as causas relativas ao trabalho. R: Irrelevante frente a decisão judicial; i) Quais os tratamentos a que se submeteu o Autor e se houve alguma melhora? R: Não há documentos nos autos que permita uma resposta conclusiva; j) Diante dos conhecimentos atuais sobre os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho DORT, pode o Perito estabelecer a relação de causa e efeito entre as atividades realizadas pelo Autor e as suas referidas lesões? R: Irrelevante frente a Discussão de Invalidez; 1) Em relação ao quesito anterior, queira o I. Peritos informar quais os grupos musculares envolvidos no exercício das atividades do Autor, utilizando a biomecânica como base. R: Irrelevante frente a Discussão de Invalidez;

9 m) Sendo o DORT considerado em estudos recentes, um distúrbio mecânico/metabólico músculo esquelético multifatorial, cuja sintomatologia dolorosa incapacitante cessa com o afastamento do agente causador, pergunta-se: 1) Estando o Autor afastado das suas atividades laborativas, ele ainda permanece com alguma lesão ou incapacidade? R: Irrelevante frente a Discussão de Invalidez; 2) Encontrando-se o Autor sintomático, ainda assim, pode-se relacionar a sua alegada doença as atividades exercidas por ele, enquanto ainda exercia a sua função? R: Irrelevante frente à Discussão de Invalidez; n) Constata o I. Perito, outra condição superveniente que possa ter determinado ou agravado a alegada doença do autor? R: Não; o) Informe o I. Perito se é possível estabelecer o nexo causal entre as atividades executadas pelo Autor na função laboral e a sua alegada doença e incapacidade. Se for estabelecido o nexo, informem em quais elementos clínicos e exames complementares que se baseou. R: Irrelevante frente à Discussão de Invalidez. É o relatório. Oscar Luiz de Lima e Cirne Neto CRM 52 32 861-0