O planeamento integrado rede de estradas

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Transcrição:

O planeamento integrado da rede de estradas Francisco Pereira

O planeamento integrado da rede de estradas pode revestir três perspectivas: Territorial, quando se pretenda que a rede assegure a coesão de um determinado espaço físico; Económica, quando o objectivo principal da rede é facilitar o desenvolvimento de actividades económicas e sociais ( trazer os insumos e escoar a produção e transportar pessoas e bens) Intermodal, quando se pretende que a rede de estradas seja complementar a outras infraestruturas de transporte

O planeamento integrado na perspectiva territorial é patente na estruturação da Rede de Estradas Principal: A extensa costa, com muitos portos requereu um eixo longitudinal Sul- Norte para acesso aos portos e ligação entre eles; As relações políticas e comerciais com os países vizinhos, criaram a necessidade de corredores logísticos servidos por infraestruturas de transporte ferroviário e rodoviário; Neste caso poderemos dizer que a geografia e a historia de Moçambique, actuaram como uma ferramenta do planeamento;

A perspectiva económica do planeamento integrado da rede de estradas, pode ser evidenciada usando como exemplo o estudo em curso do Plano de Desenvolvimento do Vale do Zambeze. Foi utilizada a seguinte metodologia : a partir dos sectores selecionados, para integrar o Plano, nomeadamente a agricultura, a energia, a indústria, as pescas e o turismo, fez-se o seu diagnóstico e a projecção do seu desenvolvimento nos próximos 10 anos, as respectivas cadeias de valor e a sua integração no território. Estes dados permitiram visualizar a melhor proposta de troços de estradas, para garantir os insumos e escoar a produção, proposta que posteriormente foi ajustada com a ANE.

Principais desafios do sector de estradas

Alguns numeros da rede de estradas: O valor estimado do património rodoviário em Moçambique é cerca de 800 mil milhões de Meticais, considerando apenas a rede classificada(30.000 Kms); O orçamento para a construção e melhoramentos é uns dos maiores orçamentos públicos anuais (cerca de 15 mil milhões Mt em 2016,) e os custos de manutenção e as despesas administrativas foram orçamentadas em 8.5 mil milhões demt,( valores de 60% em relação aos anos transactos); A rede de estradas, mesmo com estes números, tem ainda uma pequena densidade (32 Kms/1000 Kms2 de área, uma das mais baixas da SADC), e apenas cerca de 1/3 da rede classificada está asfaltada, originando uma predominância de estradas em terra de mais fácil deterioração (70%);

ALGUMAS SUGESTÕES PARA MELHORAR ESTE QUADRO Adequar o padrão da rede às necessidades de transporte e logística; Priorizar a manutenção, mesmo em detrimento denovos investimentos; Apostar desenvolvimento da rede, numa perspectiva de intermodalidade; Adoptar metodologias de angariação de investimentos, com base em análise de multicritérios, que meçam os impactos de forma mais ampla; Fazer distribuição balanceada dos investimentos, priorizando a melhoria das redes rurais; Adoptar medidas eficazes de combate ao excesso de carga nas estradas; Assegurar junto do MEF, orçamentos plurianuais em função dos projectos; Combater energicamente a ocupação das zonas de reserva; ( ex.ligação Maputo-Inhambane, com circulação à media de60kms/hora)

Lutar por uma maior celeridade na aprovação de contractos ( exemplo TA) Aprovar apenas projectos de estradas e pontes resilientes às cheias ( fazer o cadastro e intensificar a monitoria das pontes, particularmente durante as chuvas) Intensificar a capacitação dos técnicos do sector, assegurando estágios em empresas privadas de projectos e obras. Avaliar a possibilidade de fazer internamente pequenos projectos, com assistência técnica interna e externa; Criar centros de pesquiza nas Províncias de estudo de solos; QUESTOES INSTITUCIONAIS No quadro de uma descentralização, sugerem-se as seguintes medidas: A ANE, seria responsável apenas pela gestão da Rede Nacional Principal, maioritariamente através deadministração de contractos e concessões; A planificação das redes secundárias, terciárias e vicinais, seria da responsabilidade das Comissões Provinciais de Estradas, que já tem uma longa experiência

A gestão técnica e financeira dos contractos destas redes deveriam passar à responsabilidade dos Distritos, onde se deveriam estabelecer Administrações de Estradas, devidamente equipadas com pessoal técnico e administrativo; Os Conselhos Municipais continuariam a ser responsáveis pela gestão das redes urbanas de estradas, sendo necessário serem reforçados tecnicamente; O Fundo de Estradas seria o canal para o financiamento, alocação e monitoria das despesas de estradas da ANE e de todas as entidades locais, que seriam auditadas anualmente; Criação de um Centro de Recursos de Assistência Técnica para o Sector de Estradas a localizar-se no centro do país (Chimoio) com sucursais regionais para fornecer apoio às províncias, distritos e municípios. Por fim a questão da intermodalidade. As estradas sempre foram vistas mais como uma obra pública, e menos como uma das infraestruturas de transporte, que são por sua vez também obras públicas. Como (re)organizar?fica esta constatação para eventual consideração pelos presentes.