1.4 Objeto e Metodologia

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Transcrição:

1.4 Objeto e Metodologia O objeto a pesquisa cujos dados serão apresentados foi definido juntamente com a SAS- Secretaria de Assistência Social de Presidente Prudente em especial com a equipe do CREAS que percebeu a necessidade de dados e indicadores sociais que permitissem uma análise mais aprofundada sobre a questão da violência no município. Por meio da parceria realizada entre as Faculdades Integradas Antônio Eufrásio de Toledo, Trevisan Assessoria e Consultoria e a Prefeitura Municipal de Presidente Prudente, no ano de 2011 elaborou-se um banco de dados com o intuito de diagnosticar a realidade das crianças e adolescentes vitimas de violência doméstica e suas famílias que são atendidas no CREAS. Os cadastros eram feitos manualmente e armazenados em prontuários o que dificultava uma análise com propriedade e rapidez das informações das crianças e adolescentes e familiares. O banco de dados elaborado oferece uma série de informações como: idade, escolaridade, composição familiar, dados referentes as vitimas, familiares, agressor, drogadição, violência, saúde, etc. O diagnostico fornece informações em grande escala e em curto período de tempo. O uso das ferramentas tecnológicas é de extrema importância na gestão das políticas sociais. Favorece a tomada de decisão a partir do momento que propícia o levantamento de dados sobre uma realidade determinada possibilitando ainda planejar, implantar ou implementar ações, seu objetivo é produzir mais conhecimentos. Ressaltamos que o diagnóstico coloca os nossos pés no chão; enxergamos mais as possibilidades, os obstáculos, os contextos, as histórias e os atores envolvidos. A pesquisa será dividida e analisada quatro categorias: A) Elaboração do perfil das crianças e adolescentes em situação de violência; B) Demonstração mediante estudo estatístico e elaboração de indicadores sociais dos tipos mais frequentes de violência contra a criança e ao adolescente; C) Análise do perfil do agressor; (em elaboração) D) Apresentação dos resultados obtidos no atendimento a vitima de violência. Para realização do diagnóstico foram cadastrados os prontuários de 41 vitimas atendidas no CREAS no segundo semestre de 2011. Posteriormente a equipe elegeu

alguns indicadores sociais para análise, visto a densidade de informações contempladas no banco de dados desenvolvido. 10% 2% Encaminhamento 3 51% Conselho Tutelar Poder Judiciário DDM Busca Espontânea De acordo com os encaminhamentos realizados para o CREAS Serviço de Atendimento Especializado a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência Doméstica e Intrafamiliar, o órgão que mais contribuiu com encaminhamentos para a garantia do acesso ao referido serviço especializado foi o Conselho Tutelar, com mais de 50% das ações. Esse órgão tem papel fundamental nesse processo, visto que é encarregado pela sociedade civil de zelar pelo cumprimento dos direitos das crianças e dos adolescentes que encontram-se em situação de violação de direitos e risco, e dessa forma, cabe a eles por função, encaminhar os casos diagnosticados com necessidade de intervenção multiprofissional especializada. O segundo índice que desperta atenção é o Poder Judiciário, com índice de 3 dos encaminhamentos, sendo que nessa categoria enquadramse as várias esferas dos órgãos públicos, cuja principal funcionalidade é jurisdicional, mas sempre deixando claro que também desenvolvem outras funções, como a prática administrativa e social.

E, desse modo, podemos perceber que além do trabalho que é realizado pelo viés do direito jurisdicional, os atores que compõe esses órgãos, possuem uma sensibilidade de perceber a importância que é a realização do trabalho com as crianças e adolescentes que são ou foram vítimas de algum tipo de violência, despertando assim, a necessidade do encaminhamento e do olhar para a qualidade de vida da família em seus aspectos diversos. Desse modo, decorrente dos principais órgãos que realizaram o encaminhamento com maior intensidade, destaca-se o índice de 10% referente à Delegacia de Defesa da Mulher, e 2% a busca espontânea. Idade 29% 20% 51% 1 ano a 8 anos 10 anos a 12 anos 13 anos a 19 anos O gráfico acima apresenta a idade das crianças e adolescentes vítimas de violência, pode-se perceber que somando a idade de 1 ano a 12 anos temos um índice relevantes que é 71%, entende-se que a violência esta mais presente entre crianças pela situação de coesão a qual o agressor exerce maior poder de dominação sobre a vítima. Mas é relevante destacar que 29% dos indivíduos atendidos são adolescentes, sendo assim é valido estes adolescentes podem estar sofrendo a violência há algum tempo, ou ainda estar em situação de exploração sexual, pois destes 29% adolescentes 6 estão sendo explorados sexualmente.

Sexo 2 Feminino Masculino 73% As crianças e adolescentes do sexo feminino são submetidas a situações de violência com maior freqüência que as do sexo masculino, representando 73%. Desta forma destacamos a questão de gênero sendo uma questão cultural, social e econômica, com percepções nas desigualdades entre homens e mulheres, pois como enfatizamos a inferioridade da mulher está presente desde a infância. Compreende-se, assim, que a violência contra a mulher é decorrente do todo esse processo histórico da sociedade capitalista, considerando-a fruto da relação entre os dominantes e os dominados, e muitas crianças do sexo feminino se tornam mulheres vítimas de violência quando adultas.

Serviços que Utiliza no Bairro 3% CRAS 12% CRAS e UBS CRAS e Escola 24% Escola Escola e UBS PSF 5% 15% 20% UBS Não Utiliza Outros Dessa forma, se somado o valor referente à UBS, à Escola e o CRAS esses valores totalizam 85% dos acessos, o que significa um índice consideravelmente satisfatório de acessibilidade aos serviços do território. Porém, esse índice não é o suficiente para atender com qualidade toda a população que necessita dos serviços, visto que é necessário que o poder público invista cada vez mais em politícas sociais que visem a inserção das famílias que encontram-se em situações de vulnerabilidades e risco sociais em programas, projeto e serviços que atendam com eficácia as demandas e, consequentemente, contribuam para a qualidade de vida da população.

Tipo da Violência 3 5% 12% 46% Doméstica Familiar Doméstica e Familiar Outras No que se refere ao tipo de violência sofrida pelas crianças e adolescentes atendidas no CREAS pode-se ressaltar a violência doméstica como a mais evidente somando 46%, pois esta se constitui em um tipo de violência, geralmente velada, praticada no âmbito familiar por indivíduos de parentesco civil, ou seja, marido, mulher, sogra, padrasto, ou de parentesco natural como mãe, pai, filhos, irmãos entre outros. Inclui práticas como a violência, o abuso sexual, maus-tratos contra as crianças e/ou idosos, estando elas mais vulneráveis a atos violentos. A violência doméstica é uma modalidade de expressão da violência praticada contra crianças e adolescentes. As raízes desse fenômeno estão associadas ao contexto social, cultural e político da sociedade, ou seja, é historicamente construída. A violência, seja ela qual tipo, instaura-se por meio de complexos fatores, perpassando pela realidade familiar e comunitária, até o comprometimento de vínculos das relações. Enquanto fenômeno que cresce e repercute, para a aplicação das leis nos diversos tipos de violências praticados

contra a infância e juventude, é necessária a combinação de artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente e do Código Penal Brasileiro. Outro tipo de violência que o gráfico apresenta é, a violência familiar com um índice de 12%, ou seja, não acorrem no âmbito doméstico, mas, sim, com pessoas que possuem laços parentais, ressaltando que esses laços não dizem respeito somente a laços sanguíneos, mas também aos de afetividade e afinidade. Quando mencionamos o indicador que diz respeito a outros tipos de violência, que somam 3, esse dado refere-se a exploração sexual, que é praticada por pessoas que aliciam as crianças e os adolescentes e são pessoas que fazem o papel de intermediário na relação de compra e venda das vitimas.

Formas da Violência 5% 3% 2% Abuso Sexual Exploração Sexual Negligência 5% 34% Fisica Fisica e Psicologica Psicologica 15% Abuso Sexual e Negligligência 22% Abuso Sexual e Trabalho Infantil Abuso Sexual, Fisíca e Psicológica Quando visualizamos as formas de violências sofridas pelas crianças e adolescentes atendidas no CREAS, se faz possível dizer que 56% são vítimas de violência sexual, pois 34% foram vitimas de abuso e 22% foram exploradas sexualmente. Desta forma entende-se segundo a publicação da ANDI AGENCIA DE NOTICIA DOS DIREITOS DAS CRIANÇAS a violência sexual contra crianças e adolescentes têm gênese nas relações desiguais de poder, dominação de gênero e faixa etária, sob o ponto de vista histórico e cultural, contribuem para a manifestação de abusadores e exploradores. A vulnerabilidade da criança, e a dificuldade de resistir à agressão é uma das condições que favorecem sua ocorrência.

Outro indicador relevante é que 15% das crianças e dos adolescentes referenciados no serviço foram vitimas de negligência sendo esta um tipo de relação entre adultos e crianças ou adolescentes, baseada na omissão, rejeição, no descaso, na indiferença. Local da Violência Residência 2% 2% 2% Residência do Agressor 1 Residência e Estabeleciemento Comercial Residência da Avó 2% 3% 3% 3% 3% 56% Residência do Vizinho Residência de um Desconhecido Indefinido Desconhecido Escola No que diz respeito ao local da violência o indicador traz que 56% das crianças e adolescentes atendidas no serviço foram vítimas de violência em sua residência, desta forma entende-se que o domicilio por sem considerado um local de proteção assim como a família, torna-se um local de desproteção. Destacamos que as famílias no contexto atual estão em situação de vulnerabilidade e risco social, levando em conta que a violência domestica não pode ser vinculada somente a pobreza, mas por diversos fatores. Apreender-se que essas situações exigem um trabalho interdisplinar e uma articulação em rede. Outro indicador relevante é que das crianças ou adolescente sofreram a violência na casa do agressor, pois muitas vezes essas vitimas são

coagidas por estes, e ainda os responsáveis não desconfiam que os possíveis agressoros possam ser amigos, vizinhos ou algum conhecido passam entender que este pode ser um local de proteção para seus filhos.