Teoria da Constituição
|
|
|
- Flávio Almeida Bandeira
- 8 Há anos
- Visualizações:
Transcrição
1
2 C a p í t u l o 1 Teoria da Constituição Sumário. 1. Conceito de Constituição 2. Sentidos ou concepções de Constituição: 2.1. Sentido sociológico; 2.2. Sentido político; 2.3. Sentido jurídico; 2.4. Sentido cultural, culturalista, total ou ideal (uma conexão dos sentidos anteriores) 3. Classificação das Constituições: 3.1. Quanto ao conteúdo; 3.2. Quanto à forma; 3.3 Quanto à origem; 3.4. Quanto à estabilidade, mutabilidade, consistência ou alterabilidade; 3.5. Quanto à extensão; 3.6. Quanto à elaboração; 3.7. Quanto à ideologia ou dogmática; 3.8. Quanto à essência, ontologia ou correspondência com a realidade; 3.9. Quanto à sistemática, sistematização ou unidade documental; Quanto à finalidade; Quanto ao sistema; Quanto ao local de elaboração ou origem de sua decretação; Quanto à função; Outras classificações; Classificação da Constituição brasileira de Estrutura das Constituições: 4.1. Preâmbulo; 4.2. Normas centrais da constituição (parte dogmática); 4.3. Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) 5. Elementos das Constituições 6. Informativos do STF relacionados ao tema 7. Legislação relacionada ao tema. 1. CONCEITO DE CONSTITUIÇÃO Antes mesmo de partirmos para o enfrentamento do conceito de Constituição, é preciso que se diga que não há uma definição una acerca do seu objeto. De todo modo, malgrado não se possa extrair da doutrina um conceito único, é bem verdade que as definições não são destoantes. Na lição do Professor Dirley da Cunha Júnior, podemos conceituar Constituição, objetivamente, como um conjunto de normas jurídicas supremas, que estabelecem os fundamentos de organização do Estado e da sociedade, dispondo e regulando a forma de Estado, a forma e sistema de governo, o seu regime político, seus objetivos fundamentais, o modo de aquisição e exercício do poder, a composição, as competências e o funcionamento de seus órgãos, os limites de sua atuação e a responsabilidade de seus dirigentes, e fixando uma declaração de direitos e garantias fundamentais e as principais regras de convivência social. No mesmo passo, para Marcelo Novelino, a palavra Constituição pode ser definida, em termos jurídicos, como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais, a estruturação do Estado e a organização dos poderes. De todo modo, tendo como base o novo Direito Constitucional, o que não se pode perder de vista é que a Constituição é um organismo aberto, vivo e em constante evolução. Efetivamente, essas características são indispensáveis para que ela possa acompanhar as mutações e evoluções sociológicas do mundo circundante, e não cair no limbo do esquecimento, desgastada pelos paradigmas do passado, tornando-se, pois, obsoleta. 33
3 Edem Nápoli 2. SENTIDOS OU CONCEPÇÕES DE CONSTITUIÇÃO Antes de partir para o enfrentamento dos diferentes sentidos de Constituição, necessário se faz fixar a premissa segundo a qual, para cada concepção diferente, o leitor deve perquirir: quem foi o principal expoente daquela acepção, qual foi a obra através da qual o sujeito se tornou conhecido, e, por fim, qual a mensagem disseminada na obra em comento. 2.1 SENTIDO SOCIOLÓGICO Seguindo a trilha do raciocínio esposado acima, pode-se afirmar que o principal nome do sentido sociológico de Constituição foi Ferdinand Lassalle. Evoluindo, a obra através da qual Lassalle se tornou conhecido por disseminar este sentido de Constituição foi Que é uma Constituição. E concluindo as três ideias básicas (autor, obra e ideia disseminada), identifica-se que, com o sentido sociológico, Constituição nada mais era do que a soma dos fatores reais de poder que regem uma sociedade. Destrinchando a noção do sentido sociológico de Constituição, para Lassalle, o Texto Supremo de um Estado deveria corresponder à própria realidade social. De nada adiantaria ter uma Constituição que previsse uma série de garantias, mas essas garantias não pudessem ser observadas na prática. Esta Constituição, no seu sentir, seria utópica e não passaria de mero direito de papel. É a partir daí que Lassalle distingue a Constituição real da Constituição jurídica. Esta (a jurídica), definitivamente, não corresponde àquilo que se pretende de uma Constituição, pois está pautada na utopia do dever ser. Aquela (a real), de fato, para ele, representa o que se pode esperar de uma Lei Fundamental: que ela realmente corresponda à realidade social, tendo ressonância na vida das pessoas, e situando-se no plano do ser, jamais no plano do dever ser. Ilustrando sua tese, num sentido metafórico, Lassalle propõe o seguinte raciocínio: se eu planto uma figueira no quintal da minha casa e fixo no seu caule uma placa dizendo esta árvore é uma macieira, só por isso a árvore deixará de ser figueira? Ele próprio responde que não. Afirma que por mais que os amigos e familiares que por ali passem, em respeito e consideração, concordem com o quanto escrito e nada digam em sentido contrário, nem por isso a árvore deixará de ser uma figueira. Isto porque, quando os frutos dessa árvore advierem, estes frutos não poderão mascarar e esconder a realidade, pois em vez de maçãs, brotarão figos. 34
4 Teoria da Constituição Já caiu! O concurso de Analista do TJ/SE, em 2011, com o Cespe, trouxe a seguinte assertiva. A concepção sociológica, elaborada por Ferdinand Lassalle, considera Constituição como sendo a somatória dos fatores reais de poder, isto é, o conjunto de forças de índole política, econômica e religiosa que condicionam o ordenamento jurídico de determinada sociedade. De fato, como visto, a assertiva está correta. 2.2 SENTIDO POLÍTICO Como principal expoente do sentido político de Constituição tem-se Carl Schmitt. A obra através da qual Schmitt se tornou conhecido por disseminar o sentido político de Constituição foi Teoria da Constituição. Para ele, Constituição deveria ser percebida como o conjunto de normas, escritas ou não escritas, que sintetizam exclusivamente as decisões políticas fundamentais de um povo. Para o autor, decisões políticas fundamentais seriam aquelas normas indispensáveis à construção de um modelo de Estado, vale dizer, normas relacionadas à organização do Estado, à organização dos Poderes e aos direitos e garantias fundamentais. Sem a presença dessas normas, não haveria como se pensar num Estado politicamente organizado. E foi nesse contexto que Carl Schmitt distinguiu constituição de leis constitucionais. Constituição seria aquele diploma que efetivamente trouxesse as normas imprescindíveis à construção de um modelo de Estado. Do outro lado, leis constitucionais seriam as normas desprovidas de essencialidade constitucional. É dizer, ainda que essas normas (lei constitucionais) estejam aderidas ao Texto Maior, não se pode chamá-las de constituição justamente por versarem sobre matérias sem nenhuma (ou com pouca) relevância constitucional. Constituição, por sua vez, corresponderia à noção de norma constitucional material. Ou seja, a norma deve ser entendida como Constituição não pelo fato de ter aderido formalmente ao Texto Supremo, mas sim por trazer no seu conteúdo, na sua substância, matéria de relevância constitucional. Matéria, como já mencionado, indispensável à construção de um modelo de Estado. E essas matérias, frise-se, são aquelas relacionadas à organização do Estado, à organização dos Poderes e aos direitos e garantias fundamentais. 2.3 SENTIDO JURÍDICO O sentido jurídico de Constituição é marcado pela presença do mestre de Viena, Hans Kelsen, como principal expoente, como precursor desse sentido. A principal obra de Kelsen a traduzir essa ideia de Constituição, sem dúvida, é Teoria Pura do Direito. 35
5 edem nápoli Nessa obra tem-se que, sob um prisma nitidamente normativista, Kelsen percebia Constituição como norma pura, suprema e positivada. Enquanto Lassalle, no seu sentido sociológico, entendia que a Constituição estava situada no plano do ser, Kelsen, no seu sentido jurídico, colocou a Constituição no plano do dever ser. O austríaco, nessa perspectiva altamente normativista, tentava ao máximo se afastar da ética, da moral e da axiologia, sempre com o objetivo de se desvencilhar de possíveis interpretações dúbias. Isto porque, para ele, ao contrário do que entendia Lassalle, o direito não poderia ser fruto da realidade social, mas sim fruto da vontade racional dos homens. Kelsen entendia a Constituição como fundamento de validade de todo o ordenamento jurídico. Numa relação de verticalidade hierárquica, todas as espécies normativas deveriam obedecer ao quanto disposto na Constituição. Esta ocupava o ápice da pirâmide normativa. E para explicar onde a Constituição buscava seu fundamento de validade, Kelsen distinguiu o sentido lógico-jurídico, do sentido jurídico-positivo de Constituição. Para ele, no sentido lógico-jurídico, Constituição nada mais seria do que a própria norma hipotética fundamental, cuja função é servir de fundamento lógico transcendental de validade da Constituição jurídico-positiva. Por ser hipotética, não se poderia ver essa norma. Ela situava-se no plano das ideias, no plano do suposto. Por sua vez, com o sentido jurídico-positivo, a Constituição era percebida como a própria norma positivada. Esta sim, situada não no plano do suposto, mas sim no plano do posto, palpável e visível. Essa divisão dos sentidos pode ser bem percebida na diagramação da pirâmide abaixo: Norma Hipotética Fundamental Constituição Federal Constituição Estadual Lei Estadual Decreto do Governador Res. do Secretário de Estado 36
6 Teoria da Constituição 2.4 SENTIDO CULTURAL, CULTURALISTA, TOTAL OU IDEAL (UMA CONEXÃO DOS SENTIDOS ANTERIORES) O sentido cultural também é chamado de sentido culturalista, sentido total ou sentido ideal de Constituição. Toda a doutrina sinaliza que essa concepção parte do pressuposto de que a Constituição é um produto da cultura, afinal, assim como o Direito, a cultura é resultado da atividade criativa humana. A ratio desse sentido reside na ideia de que todas as concepções anteriores possuem fundamento. O problema de cada uma daquelas visões é que elas foram estanques e se achavam bastante em si mesmas, não ensejando espaço para comunicação. Atenção: Nesse passo, tem-se que a melhor acepção é aquela que percebe a Constituição como realidade social, como decisão política fundamental e como norma suprema positivada. Por isso se fala aqui na ideia de uma Constituição total. Pois é um mesmo documento englobando, num único prisma, os mais variados aspectos e os mais diferentes valores, como por exemplo de ordem econômica, moral, sociológica, filosófica, jurídica etc. Comungando desse sentido é possível citar alguns doutrinadores e suas obras no direito alienígena, a exemplo de Konrad Hesse, com A força normativa da Constituição e de Peter Häberle, com Hermenêutica Constitucional. A sociedade aberta dos intérpretes da Constituição: contribuição para a interpretação pluralista e procedimental da Constituição. No Brasil, por todos, Paulo Bonavides. Em síntese, esse é o sentido segundo o qual a Constituição nada mais é do que produto de um fato cultural oriundo da sociedade e que tem direta influência sobre ela. 3. CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES Dentro da temática da classificação das Constituições, vários critérios foram apresentados pelos estudiosos do Direito com a finalidade em comento. De fato, inúmeros são os modelos classificatórios. Entretanto, dada a finalidade da obra, aqui serão apresentados os principais, aqueles que vêm sendo cobrados nos concursos públicos para tribunais. 3.1 QUANTO AO CONTEÚDO Quanto ao conteúdo uma Constituição pode ser classificada como: material ou formal. Material Material é a Constituição cujas normas devem versar sobre aquelas matérias indispensáveis à construção de um modelo de Estado. Ou seja, seria o conjunto de normas, escritas ou não escritas, que sintetizam apenas a decisões políticas fundamentais de um povo, é dizer, normas relacionadas à organização do Estado, à organização dos Poderes e aos direitos e garantias fundamentais. 37
7 Formal Edem Nápoli Já a Constituição formal, por sua vez, pode ser definida como o conjunto de normas necessariamente escritas que para serem consideradas constitucionais bastam aderir formalmente ao texto, independentemente do seu conteúdo. Aqui, como se percebe, a preocupação é com a forma, pouco importando o substrato material da norma. A Constituição brasileira de 1988 é formal, e um exemplo típico dessa identificação é o art. 242, 2º, segundo o qual O Colégio Pedro II, localizado na cidade do Rio de Janeiro, será mantido na órbita federal. Como se percebe, tem-se aí uma norma que é considerada constitucional pelo simples fato de ter aderido formalmente ao texto, já que é nítida a ausência de qualquer relevância constitucional em seu conteúdo. Vale lembrar que como característica desse tipo de Constituição, não há que se falar em hierarquia entre as próprias normas da Lei Fundamental. Isso porque, formalmente falando, todas aderiram ao texto. Assim, na trilha desse raciocínio, alguns concursos já questionaram se existe hierarquia entre as normas da própria Constituição. A resposta é negativa. Apesar das questões, normalmente, não especificarem a hierarquia a que se referem (se formal ou material), no silêncio, leia-se hierarquia formal. E formalmente falando, inexiste qualquer subordinação hierárquica. Nessa esteira, pode-se concluir que o princípio da dignidade da pessoa humana, insculpido no art. 1º, III, da Magna Carta, fundamento da República Federativa do Brasil, possui - do ponto de vista formal - a mesma posição hierárquica da norma do art. 242, 2º, da CF/88, que, como visto, versando sobre o Colégio Pedro II, é norma desprovida de qualquer relevância constitucional. Entretanto, como já alertado, caso a questão se refira à hierarquia material, aí não há dúvidas. De fato, do ponto de vista substancial, valorativo ou axiológico, existe, sim, hierarquia entre as normas da Constituição da República. Não há como negar que o substrato material das normas consagradoras de direitos e garantias fundamentais, por exemplo, superam (e muito!) a importância de outras normas de mera organização administrativa. Cabe alertar que essa regra segundo a qual a Constituição brasileira é formal começou a ser mitigada a partir da inserção do 3º ao art. 5º da Constituição Federal de É que, segundo esse dispositivo, os tratados e convenções internacionais, que versem sobre direitos humanos, se forem aprovados em cada casa do Congresso Nacional, através do mesmo procedimento das emendas constitucionais, serão equivalentes às mesmas. Ou seja, dessa forma, será possível a existência de uma norma que tem status constitucional, mesmo estando fora da Constituição, é dizer, mesmo não tendo aderido formalmente ao texto, seja por obra do poder constituinte originário, seja por obra do poder constituinte derivado reformador. 38
8 Teoria da Constituição Atenção Todavia, para provas objetivas, continuar com o posicionamento segundo o qual, quanto ao conteúdo, a Constituição brasileira se classifica como formal. 3.2 QUANTO À FORMA Quanto à forma, a Constituição pode ser classificada como: escrita ou não escrita. Lembrando que as Constituições escritas também podem ser chamadas de instrumentais, ao passo que as Constituições não escritas também podem ser chamadas de costumeiras ou consuetudinárias. Escrita A Constituição escrita, com o próprio nome sugere, seria o complexo de normas que estão disciplinadas formal e solenemente em um único documento exaustivo de todo o seu conteúdo. Assim, Constituição escrita é aquela cujas normas estão plasmadas em um documento único que as consolida e sistematiza. São exemplos de Constituições escritas a brasileira, a espanhola, a portuguesa etc. De mais a mais, do mesmo modo como foi advertido em relação à Constituição formal, é preciso perceber que o art. 5º, 3º, da CF/88, passou a permitir que tratados internacionais sobre direitos humanos, aprovados com o mesmo procedimento das emendas constitucionais, possuam o mesmo status que as normas da própria Constituição Federal, mesmo estando situados fora dela. Nesse sentido, doutrinadores como Paulo Bonavides já sinalizam a existência de uma Constituição legal, ou seja, uma Constituição escrita e que se apresenta esparsa ou fragmentada em textos. Atenção: Porém, para provas objetivas, adotar o posicionamento de que a Constituição brasileira é escrita, guardando o raciocínio esposado acima para possível questão de prova dissertativa. Além da brasileira, ainda como exemplos de Constituições escritas no direito comparado, podem ser citadas as duas primeiras: a Constituição norte-america (de 17 de setembro de 1787) e a Constituição francesa, de Lembrando que a norte-americana, à luz do escólio de Paulo Bonavides, voz autorizada na matéria, é uma constituição escrita, porém complementada pelos costumes e pela doutrina da revisão judicial (precedentes judiciais). Não escrita De outra banda, Constituição não escrita (costumeira ou consuetudinária), ao contrário do que o próprio nome pode sugerir, não significa a Constituição que não possui nenhuma passagem escrita. Chama-se de não escrita a Constituição que esta pautada em textos esparsos, usos, costumes, convenções, e na evolução da própria jurisprudência. 39
9 Edem Nápoli Assim, não restam dúvidas de que a Constituição não escrita possui, sim, partes escritas. Ocorre que essas partes escritas não estão dispostas formalmente em um único documento. Ao revés, podem ser encontradas em textos esparsos, dispersos e extravagantes. O exemplo mais ventilado de Constituição não escrita, no mundo, é a Constituição da Inglaterra, uma Constituição calcada, essencialmente, nos costumes. Advirta-se, entretanto, que, contemporaneamente, inexistem Constituições totalmente costumeiras, pautadas, apenas, na evolução da jurisprudência, nos usos e costumes. A Constituição inglesa possui, por exemplo, a Magna Carta (1215), o Petition of Rights (1628), o Habeas Corpus Act (1679), o Bill of Rights (1689), dentre outros diplomas normativos esparsos que, junto com os costumes e com a jurisprudência, formam, no conjunto global, a Constituição da Inglaterra. 3.3 QUANTO À ORIGEM Quanto à origem uma Constituição pode ser classificada como: promulgada, outorgada, cesarista ou pactuada. Promulgada Promulgada, também chamada de votada, popular, democrática, é aquela Constituição que conta com a participação popular no seu processo político de elaboração. No Brasil, como exemplos de Constituições promulgadas é possível citar: a Constituição Republicana, de 1891, a Constituição de 1934 (calcada na democracia social), a Constituição de 1946 (instituidora de um processo de redemocratização no Brasil) e a Constituição Cidadã de 1988, também fruto de uma Assembleia Nacional Constituinte. Outorgada Outorgada, também chamada de imposta ou carta política, é aquela Constituição que não conta com a participação popular no seu processo político de elaboração. São Constituições impostas unilateralmente pelo grupo, governante ou agente revolucionário. No Brasil, como exemplo de Constituições outorgadas tem-se: a Constituição Imperial, de 1824, a Constituição Polaca, de 1937, e as Constituições do regime militar, de 1967, juntamente com a EC n. 1/69, que formalmente era uma emenda, mas do ponto de vista material era uma constituição escancaradamente outorgada pela junta militar. 40 Já caiu! O concurso de Técnico Administrativo do TRE/ES, em 2011, com o Cespe, trouxe o seguinte enunciado. Denomina-se constituição outorgada a elaborada e estabelecida com a participação do povo, normalmente por meio de Assembleia Nacional Constituinte. Neste caso a assertiva está equivocada, pois o conceito apresentado na questão corresponde ao de Constituição promulgada. Cesarista Cesarista, por sua vez, seria aquela Constituição imposta por um ditador uma junta
10 Teoria da Constituição militar e submetida à posterior aprovação popular. Neste caso, a participação do povo não é democrática, afinal, visa apenas e tão-somente confirmar a vontade do detentor do poder. Os exemplos normalmente apontados pela doutrina são os de Augusto Pinochet, no Chile, e Napoleão Bonaparte, na França. Pactuada Finalmente, Constituição pactuada seria aquela constituição firmada por um pacto, um acordo entre duas forças políticas adversárias. Como exemplos de Constituições pactuadas a doutrina aponta as Constituições espanholas de 1845 e QUANTO À ESTABILIDADE, MUTABILIDADE, CONSISTÊNCIA OU ALTERABILIDADE Quanto à estabilidade, mutabilidade, consistência ou alterabilidade uma Constituição pode ser classificada como: imutável, fixa, rígida, semirrígida (também chamada de semiflexível) ou flexível. Imutável Imutável, como o próprio nome sugere, é aquela Constituição que não admite alteração no seu texto, por isso mesmo também são chamadas de permanentes, graníticas ou intocáveis. São aquelas Constituições que se pretendem eternas. Como as Constituições devem ser entendidas como organismos vivos, portanto, abertos às evoluções sociológicas, é possível concluir que as Constituições imutáveis estão fadadas ao insucesso. Fixa Fixa, por sua vez, é aquela Constituição cuja alteração depende da convocação do próprio poder constituinte originário. Também são chamadas de Constituições silenciosas pelo fato de não estabelecerem, de modo expresso, o seu trâmite de reforma. É uma espécie de Constituição também fadada ao insucesso, já que é inconcebível a ideia de convocação do próprio poder constituinte originário, toda vez que se quiser alterar a Constituição. Rígida Já sobre a Constituição rígida, a primeira coisa a ser dita é que, de fato, ela admite alteração no seu texto. Assim, rígida é aquela Constituição que pode ser alterada, mas cujo processo legislativo de alteração é mais formal, solene, complexo e dificultoso do que o processo de alteração das demais normas não constitucionais. Sobre essa espécie de Constituição, pode-se concluir que a maioria das Constituições do mundo são rígidas. Ainda, é correto afirmar que todas as Constituições brasileiras republicanas foram 41
11 42 Edem Nápoli rígidas, inclusive a atual Constituição da República de A única Constituição do Brasil que não seguiu a mesma trilha foi a Constituição Imperial de 1824, considerada semirrígida, como será explicado. A rigidez da Constituição brasileira de 1988 pode ser percebida à luz do seu art. 60, que traz as regras procedimentais para a apresentação e aprovação de uma PEC (proposta de emenda à Constituição). Uma dessas regras estabelece, por exemplo, a necessidade de aprovação pelo quórum de 3/5 dos membros de cada casa (Câmara dos Deputados e Senado Federal), em dois turnos, com votação separada e desde que não esteja em vigência intervenção federal, estado de defesa ou estado de sítio. Lembrando que este assunto será detalhado mais à frente. Já caiu! O concurso de Juiz do TJ/MS, em 2009, com o Cespe, trouxe o seguinte enunciado. Toda Constituição rígida é escrita. De fato, a assertiva está correta. Isso porque a noção de rigidez pressupõe uma Constituição escrita. Essa mesma prova trouxe outro enunciado. Já caiu! Nem toda Constituição escrita é rígida. Aqui o enunciado também está correto. Muito embora exista a regra segundo a qual as Constituições escritas são rígidas, não existe impedimento à existência de uma Constituição escrita e flexível. A questão da rigidez constitucional também já foi cobrada junto com o tema do controle de constitucionalidade. Já caiu! O Exame da OAB, em 2009, com o Cespe, trouxe o seguinte enunciado. Entre os pressupostos do controle de constitucionalidade, destacam-se a supremacia da CF e a rigidez constitucional. De fato, também aqui, a assertiva está correta. Para haver controle de constitucionalidade é preciso que haja uma Constituição formal, rígida (portanto suprema) e pelo menos um órgão com competência para o exercício do controle. Semirrígida ou semiflexível Semirrígida ou semiflexível é o tipo de Constituição que abarca, num só tempo, características da Constituição rígida, bem como características da Constituição flexível. Assim, semirrígida é aquela Constituição que possui uma parte que dispensa formalidade para alteração, e outra que reclama e exige esse formalismo. Parte dela pode ser alterada informalmente, do mesmo modo como se altera as demais normas não constitucionais, e outra parte só pode ser alterada por um processo mais solene, complexo e dificultoso.
12 Teoria da Constituição A doutrina sempre ventila como exemplo de Constituição semirrígida ou semiflexível a Constituição Imperial de 1824, notadamente em face do disposto no seu art Através deste dispositivo (substancialmente falando), separou-se a matéria constitucional (que exigia formalidade para alteração), da matéria não constitucional, (que, por sua vez, dispensava tal formalismo). Flexível Ainda, se diz flexível aquela Constituição cujas normas podem ser alteradas do mesmo modo como se alteram as normas infraconstitucionais, vale dizer, sem a necessidade de um processo formal, solene, complexo e dificultoso. Nesse passo, pelo menos formalmente falando, é possível perceber que não existe hierarquia entre as normas de uma Constituição flexível e as normas infraconstitucionais. Essa Constituição, portanto, não é dotada de supremacia formal. E essa ausência de supremacia conduz ao raciocínio de que as Constituições flexíveis, a rigor, não podem servir de parâmetro para controle de constitucionalidade. Por fim, ainda no quesito quanto à estabilidade, cabe alertar que alguns doutrinadores como Alexandre de Moraes classificam a Constituição brasileira como superrígida. Isso porque, como se não bastasse possuir um processo legislativo de alteração mais complexo e dificultoso do que o processo de modificação das demais normas infraconstitucionais, ainda possui um grupo de normas que se apresentam como imutáveis. São as chamadas cláusulas pétreas, previstas no art. 60, 4º, CF/88. Entretanto, necessário registrar que essa posição não vem prevalecendo nas provas e concursos. O motivo da não adoção pelas bancas é simples: o próprio Supremo Tribunal Federal vem sinalizando no sentido de que as normas que constituem cláusulas pétreas não podem é ser abolidas (ou ser objeto de emenda constitucional tendente à abolição). Ou seja, a CF/88 não disse que tais normas são imutáveis, ou mesmo que não podem ser objeto de restrição. Assim, a partir desse raciocínio, tem-se que é plenamente legítima a alteração para ampliação do alcance interpretativo das cláusulas, bem como sua eventual restrição, no caso concreto, a partir de uma ponderação de interesses pautada na razoabilidade e na proporcionalidade. 3.5 QUANTO À EXTENSÃO Quanto à extensão uma Constituição pode ser classificada como: sintética (também chamada de enxuta, concisa, breve, sumária, sucinta, básica), ou analítica (também chamada de prolixa, ampla, extensa, larga, longa, volumosa, inchada). Sintética Sintética seria a Constituição que não desce a pormenores nos assuntos, se limitando a tratar dos princípios básicos estruturantes do Estado. 43
Teoria da constituição
Teoria da constituição CAPÍTULO I Teoria da constituição Sumário: 1. Conceito de Constituição 2. Sentidos ou concepções de Constituição: 2.1. Sentido sociológico; 2.2. Sentido político; 2.3. Sentido jurídico;
DIREITO CONSTITUCIONAL
DIREITO CONSTITUCIONAL Aula Inaugural -Teoria Geral da Constituição Profº.. Francisco De Poli de Oliveira OBJETIVOS 1. Conhecer a Teoria Geral da Constituição; 2. Aplicar os conhecimentos aprendidos na
Sociológico Político Jurídico
A CONSTITUIÇÃO Sociológico Político Jurídico Ferdinand Lassalle; Soma dos fatores reais de poder; A Essência da Constituição / O Que é Constituição? Constituição escrita é uma simples folha de papel. Carl
Direito Público por excelência Normas fundamentais estruturantes do Estado
REDE JURIS DIREITO CONSTITUCIONAL PROFESSOR BRUNO PONTES DIREITO CONSTITUCIONAL E CONSTITUCIONALISMO DIREITO CONSTITUCIONAL CONCEITO E OBJETO Direito Público por excelência Normas fundamentais estruturantes
AULA 3 TEORIA GERAL DA CONSTITUIÇÃO
AULA 3 TEORIA GERAL DA CONSTITUIÇÃO ELEMENTOS DA CONSTITUIÇÃO Conceito A palavra constituição pode ser empregada sob vários aspectos. Conjunto dos elementos essenciais. Organização, formação. A lei fundamental
Direito Constitucional
Direito Constitucional Teoria Geral Direito Constitucional e uma subdivisão didática O Direito Constitucional sempre foi classificado como um ramo do Direito Público. Contudo, modernamente vem se afirmando
6. Poder Executivo Atribuições do Presidente da República e dos ministros de Estado. Exercícios de Fixação
SUMÁRIO 1. Constituição Conceito Classificações Princípios fundamentais 2. Direitos e garantias fundamentais Direitos e deveres individuais e coletivos Direitos sociais Nacionalidade Cidadania Direitos
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL
1. Contextualização - Posso torturar uma pessoa? - Posso montar uma associação de assistência às mulheres solteiras mal amadas e carentes? - Quem pode ser Presidente, Vereador? - Quem e como se cria leis?
Direito Constitucional Aspectos Gerais
Direito Constitucional Aspectos Gerais Constituição: Conceito, Classificação. Histórico das Constituições Brasileiras. Disciplina: Instituições de Direito Professora Doutora Emanuele Seicenti de Brito
OAB 1ª Fase Final de Semana. 1. A Constituição de determinado país veiculou os seguintes artigos:
Professora: Carolinne Brasil Assunto: Teoria Geral Questões: OAB 1ª Fase Final de Semana 1. A Constituição de determinado país veiculou os seguintes artigos: Art. X. As normas desta Constituição poderão
Dicas de Direito Constitucional
Dicas de Direito Constitucional Olá Concursando, Hoje vamos estudar um pouco de Direito Constitucional, passando pela Teoria do Direito Constitucional e abarcando também o art. 1º da Constituição Federal
Unidade I INSTITUIÇÕES DO DIREITO. Prof. Me. Edson Guedes
Unidade I INSTITUIÇÕES DO DIREITO Prof. Me. Edson Guedes 1. Introdução ao Direito 1.1 Origem do Direito: Conflitos humanos; Evitar a luta de todos contra todos; 1. Introdução ao Direito 1.2 Conceito de
PONTO 1: Poder Constituinte PONTO 2: Poder Reformador PONTO 3: Poder Constituinte Decorrente 1. PODER CONSTITUINTE NATUREZA DO PODER CONSTITUINTE:...
1 DIREITO CONSTITUCIONAL PONTO 1: Poder Constituinte PONTO 2: Poder Reformador PONTO 3: Poder Constituinte Decorrente Precedentes: RExt 466.343 RExt 349.703 HC 87.585 1. PODER CONSTITUINTE Poder de elaborar
Fontes do Direitos: Constituição, lei, costumes, jurisprudência, doutrina e contrato. A Constituição Federal e os tópicos da Economia
Fontes do Direitos: Constituição, lei, costumes, jurisprudência, doutrina e contrato. A Constituição Federal e os tópicos da Economia No Brasil, vigora o princípio da Supremacia da Constituição, segundo
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL 674 QUESTÕES DE PROVAS DE CONCURSOS DA FCC COM GABARITOS 1ª Edição JUL 2016 TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. É vedada a reprodução total ou parcial deste material, por qualquer
CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO: 1ª avaliação (30 pontos); 2ª avaliação (30 pontos); 3ª avaliação (40 pontos).
Facu Disciplina: Teoria da Constituição Curso: Direito Carga Horária: 60 Departamento: Direito Público Área: Direito Público PLANO DE ENSINO EMENTA: A disciplina Teoria da Constituição ; constitucionalismo;
Direito Constitucional
Direito Constitucional Aula 05 Os direitos desta obra foram cedidos à Universidade Nove de Julho Este material é parte integrante da disciplina oferecida pela UNINOVE. O acesso às atividades, conteúdos
FRACION SANTOS DIREITO CONSTITUCIONAL
FRACION SANTOS DIREITO CONSTITUCIONAL 1. (CESPE 2013 AGU Procurador Federal) Considerando o entendimento prevalecente na doutrina e na jurisprudência do STF sobre o preâmbulo constitucional e as disposições
Aula 1. Direito Constitucional MP/RJ. Direito Constitucional Teoria do Direito Constitucional e da Constituição Professor: Frederico Dias
Aula 1 Direito Constitucional Teoria do Direito Constitucional e da Constituição Professor: Frederico Dias 1 Bom dia! Seja bem-vindo(a) a esse nosso curso, por meio do qual iremos nos enfronhar no mundo
f ÅâÄtwÉ wx IED / V Çv t céä à vt `öüv t cxä áátü INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO CIÊNCIA POLÍTICA
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO CIÊNCIA POLÍTICA 01) Não se enquadra na subdivisão de "Público" o direito: a) Constitucional b) Administrativo. c) Judiciário / processual. d) Penal. e) Comercial. 02) Não
CURSO REGULAR DE DIREITO CONSTITUCIONAL PROFESSORES VICENTE PAULO E FREDERICO DIAS
Teoria Geral do Direito Constitucional Parte 1 Iniciaremos, hoje, para valer, o nosso curso on-line de Direito Constitucional! De nossa parte, é grande o entusiasmo e a expectativa de que, ao longo das
Processo Legislativo II. Prof. ª Bruna Vieira
Processo Legislativo II Prof. ª Bruna Vieira 1.4. Espécies normativas (art. 59 da CF) a) emendas à Constituição b) leis complementares c) leis ordinárias d) leis delegadas e) medidas provisórias f) decretos
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL 145 QUESTÕES DE PROVAS IBFC POR ASSUNTOS 06 QUESTÕES DE PROVAS FCC 24 QUESTÕES ELABORADAS PELO EMMENTAL Edição Maio 2017 TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. É vedada a reprodução
COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 33, DE 2011
COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 33, DE 2011 Altera a quantidade mínima de votos de membros de tribunais para declaração de inconstitucionalidade de
FONTES DO DIREITO. Prof. Thiago Gomes
Prof. Thiago Gomes 1. CONTEXTUALIZAÇÃO QUAL FONTE VOCÊ PRECISA? 2. CONSIDERAÇÕES INICIAIS Expressão designa todas as representações que, de fato, influenciam a função criadora e aplicadora do Direito.
1ª Fase PROVA OBJETIVA DIREITO CONSTITUCIONAL
1ª Fase PROVA OBJETIVA DIREITO CONSTITUCIONAL P á g i n a 1 QUESTÃO 1 - Em relação às emendas à constituição é verdadeiro: I. No sistema brasileiro cabe a sua propositura ao presidente da república, aos
LISTA DE ABREVIATURAS UTILIZADAS INTRODUÇÃO Capítulo 1 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO PROCESSO LEGISLATIVO... 25
SUMÁRIO LISTA DE ABREVIATURAS UTILIZADAS... 21 INTRODUÇÃO... 23 Capítulo 1 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO PROCESSO LEGISLATIVO... 25 1. Processo e procedimento... 25 1.1. Procedimentos legislativos... 26 2. Princípios
1 Direito processual constitucional, 7
1 Direito processual constitucional, 7 1.1 Esclarecimentos iniciais, 7 1.2 Direito processual constitucional: objeto de estudo, 8 1.3 Jurisdição, processo, ação e defesa, 10 1.4 Constituição e processo,
Hugo Goes Direito Previdenciário Módulo 02 Aula Direito Previdenciário para o Concurso do INSS
Hugo Goes Direito Previdenciário Módulo 02 Aula 001-005 Direito Previdenciário para o Concurso do INSS Fontes Hierarquia (ordem de graduação) Autonomia (entre os diversos ramos) Aplicação (conflitos entre
PLANO DE ENSINO EMENTA
PLANO DE ENSINO FACULDADE: Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais CURSO: Direito Período: 3 o DEPARTAMENTO: Ano: 2016 DISCIPLINA: Direito Constitucional (Teoria Geral da Constituição) CARGA HORÁRIA:
1. (CESPE/MMA/2009) No sentido sociológico defendido por Ferdinand Lassale, a Constituição é fruto de uma decisão política.
Sentidos das Constituições: 1. (CESPE/MMA/2009) No sentido sociológico defendido por Ferdinand Lassale, a Constituição é fruto de uma decisão política. 2. (CESPE/MMA/2009) No sentido jurídico, a Constituição
DIREITO CONSTITUCIONAL
DIREITO CONSTITUCIONAL PEÇA PROFISSIONAL Um contingente de servidores públicos do município A, inconformado com a política salarial adotada pelo governo municipal, decidiu, após ter realizado paralisação
1. Quanto às afirmações abaixo, marque a alternativa CORRETA : I O direito é autônomo, enquanto a moral é heterônoma.
P á g i n a 1 PROVA DAS DISCIPLINAS CORRELATAS TEORIA GERAL DO DIREITO 1. Quanto às afirmações abaixo, marque a alternativa CORRETA : I O direito é autônomo, enquanto a moral é heterônoma. II O valor jurídico
Noções de Direito Administrativo e Constitucional
Considerações iniciais Considera-se Direito como um sistema normativo do qual são extraídos imperativos de conduta. Embora seja único e indivisível, a subdivisão se torna uma prática importante para o
TEMAS INTRODUTÓRIOS Vídeo: Prisão Parte I do início até 1:29:58
AULA AO VIVO TEMAS INTRODUTÓRIOS Vídeo: Prisão Parte I do início até 1:29:58 Prisão: é a privação da liberdade de locomoção. Pode ser praticado por particular, pode ser provocada por vontade própria e
Parte II Espécies Normativas PROCESSO LEGISLATIVO
Parte II Espécies Normativas PROCESSO LEGISLATIVO I. EMENDAS CONSTITUCIONAIS LIMITAÇÕES Expressas Materiais Cláusulas pétreas CF, art. 60, 4º. Circunstanciais CF.art. 60, 1º. Formais Referentes ao processo
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL 1 Constituição. 1.1 Conceito, classificações, princípios fundamentais. 2 Direitos e garantias fundamentais. 2.1 Direitos e deveres individuais e coletivos, Direitos sociais,
SUMÁRIO. Capítulo I Teoria da Constituição...1
SUMÁRIO Capítulo I Teoria da Constituição...1 1. Constituição...1 1.1 Conceito...1 1.2. Classificação das Constituições...1 1.3. Interpretação das Normas Constitucionais...3 1.4. Preâmbulo Constitucional...5
Direito Constitucional
Direito Constitucional Aula 03 Os direitos desta obra foram cedidos à Universidade Nove de Julho Este material é parte integrante da disciplina oferecida pela UNINOVE. O acesso às atividades, conteúdos
Capítulo I TEORIA DA CONSTITUIÇÃO Conceito de Constituição e supremacia constitucional... 27
... 23 Capítulo I TEORIA DA CONSTITUIÇÃO... 27 1. Conceito de Constituição e supremacia constitucional... 27... 27 1.2. Constituição política... 27 1.3. Constituição jurídica... 28 1.4. Constituição culturalista...
DIREITOS COLETIVOS E CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE II. Professor Juliano Napoleão
DIREITOS COLETIVOS E CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE II Professor Juliano Napoleão UNIDADE 1 O controle de constitucionalidade no Brasil 1.1 Considerações iniciais: conceito, pressupostos e objetivos do
LISTA DE ABREVIATURAS UTILIZADAS INTRODUÇÃO Capítulo 1 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO PROCESSO LEGISLATIVO... 25
SUMÁRIO LISTA DE ABREVIATURAS UTILIZADAS... 21 INTRODUÇÃO... 23 Capítulo 1 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DO PROCESSO LEGISLATIVO... 25 1. Processo e procedimento... 25 1.1. Procedimentos legislativos... 26 2. Princípios
Organização Administrativa BOM DIA!!!
BOM DIA!!! 1. Introdução 2. Administração Pública 3. Órgão Público 4. Classificação dos Órgãos 5. Descentralização e Desconcentração 6. Função Pública 7. Cargo Público 8. Agente Público 1. Introdução Regime
Sumário CAPÍTULO I TEORIA DA CONSTITUIÇÃO E DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS... 13
Sumário 7 Sumário CAPÍTULO I TEORIA DA CONSTITUIÇÃO E DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS... 13 QUESTÕES... 13 I.1. Constitucionalismo e história das Constituições... 13 I.2. Conceito e concepções de Constituição...
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Competência De acordo com o art. 102, I, a, CR(Constituição da República Federativa do Brasil), compete ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar, originariamente,
Notas prévias à 12ª edição 7 Agradecimentos (1ª edição) 9 Abreviaturas 11 Prefácio (1ª edição) 15 Sumário 19 Notas introdutórias 21
Índice geral Notas prévias à 12ª edição 7 Agradecimentos (1ª edição) 9 Abreviaturas 11 Prefácio (1ª edição) 15 Sumário 19 Notas introdutórias 21 1ª P A R T E O Sistema dos Direitos Fundamentais na Constituição:
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988
Histórico das Constituições Brasileiras Constituições Período Tempo de Vigência 1824 25.03.1824 65 1891 24.02.1891 39 1934 16.07.1934 03 1937 10.11.1937 08 1946 18.09.1946 20 1967 24.01.1967 02 EC. nº
DIREITO CONSTITUCIONAL
DIREITO CONSTITUCIONAL PEÇA PROFISSIONAL O secretário de administração do estado-membro Y, com a finalidade de incentivar o aprimoramento profissional de certa categoria de servidores públicos, criou,
CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade difuso está presente no ordenamento jurídico
CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE O controle de constitucionalidade difuso está presente no ordenamento jurídico 1 brasileiro desde a Constituição Provisória da República de 1890, tendo como inspiração
II. Conceito de Direito Constitucional
DIREITO CONSTITUCIONAL I II. Conceito de Direito Constitucional José Afonso da Silva: É o ramo do Direito Público que expõe, interpreta e sistematiza os princípios e normas fundamentais do Estado. 1. Conteúdo
PROVA DAS DISCIPLINAS CORRELATAS DIREITO CONSTITUCIONAL
P á g i n a 1 PROVA DAS DISCIPLINAS CORRELATAS DIREITO CONSTITUCIONAL 1. Na Federação Brasileira, os Estados-Membros: I organizam-se e regem-se pelas respectivas Constituições, ainda que contrariem alguns
Sumário TEORIA DA CONSTITUIÇÃO TEORIA DA NORMA CONSTITUCIONAL Capítulo I
Sumário Capítulo I TEORIA DA CONSTITUIÇÃO... 17 1. Origem e conceito de Constituição... 17 2. Concepções sobre a Constituição... 17 2.1. A concepção sociológica... 18 2.2. A concepção política... 18 2.3.
AULA 03 TEORIA DA CONSTITUIÇÃO
1 AULA 03 TEORIA DA CONSTITUIÇÃO Movimento teórico de revalorização do direito constitucional, de uma nova abordagem do papel da constituição no sistema jurídico 2 Surgiu a partir da segunda metade do
Parecer PEC 241. Assim, buscando uma melhor compreensão do tema, procuramos estruturar o parecer no formato de perguntas e respostas.
Parecer PEC 241 Na qualidade de assessor jurídico da ADUSB, nos fora solicitado a emissão de um parecer contendo as nossas primeiras impressões sobre a PEC 241 que tramita no Congresso Nacional. Assim,
CAPÍTULO 1: NOTAS INTRODUTÓRIAS...1
Sumário CAPÍTULO 1: NOTAS INTRODUTÓRIAS...1 1. Introdução...1 2. Pressupostos Teóricos do Controle de Constitucionalidade...2 3. Supremacia Constitucional Fundamento do Mecanismo de Controle de Constitucionalidade...2
DIREITO CONSTITUCIONAL - AULÃO QUESTÕES MÓDULO 1
FGV POLÍCIA CIVIL/RJ OFICIAL DE CARTÓRIO 01. É elemento do Estado: a) Governo Soberano. b) Poder Judiciário. c) Democracia. d) Estado-membro da Federação. e) Administração Pública Direta. 2015 - CESPE
Disciplina: INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO. Nota: Nota por extenso: Docente: Assinatura:
Disciplina: INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO Data: 10/outubro/2011 Nota: Nota por extenso: Docente: Assinatura: 1. O que é interpretação autêntica da lei? Critique-a do ponto de vista hermenêutico. (0,5
Direito Constitucional PARA CONCURSO DE. Juiz do Trabalho
Direito Constitucional PARA CONCURSO DE Juiz do Trabalho Direito Constitucional PARA CONCURSO DE Juiz do Trabalho Janice Helena Ferreri Morbidelli con cursos Direito Constitucional para concurso de Juiz
Direito Constitucional. TÍTULO I - Dos Princípios Fundamentais art. 1º ao 4º
Direito Constitucional TÍTULO I - Dos Princípios Fundamentais art. 1º ao 4º Constituição A constituição determina a organização e funcionamento do Estado, estabelecendo sua estrutura, a organização de
Objetivos: Dar ao aluno noções gerais sobre o Estado e a ordem social e oferecer-lhe o pleno conhecimento da organização constitucional brasileira.
DISCIPLINA: CONSTITUCIONAL I CARGA HORÁRIA TOTAL: 60 CRÉDITOS: 04 CÓDIGO: DIR 02-07411 Dar ao aluno noções gerais sobre o Estado e a ordem social e oferecer-lhe o pleno conhecimento da organização constitucional
PODER CONSTITUINTE CF/1824; CF/1937; CF/1967; CF/1891; CF/1934; CF/1946; CF/1988.
Conceito e origem CURSO JURIS DIREITO CONSTITUICONAL PROFESSOR BRUNO PONTES PODER CONSTITUINTE Poder Constituinte é o poder permanente que o povo tem de criar, modificar ou implementar normas de força
CONSTITUCIONALISMO. Prof. Eduardo Casassanta
CONSTITUCIONALISMO Prof. Eduardo Casassanta Ementa Constituição. Conceito. Objeto. O movimento denominado Constitucionalismo. Evolução Histórica Neoconstitucionalismo Constituição Federal Constituição.
ARTIGO: O controle incidental e o controle abstrato de normas
ARTIGO: O controle incidental e o controle abstrato de normas Luís Fernando de Souza Pastana 1 RESUMO: Nosso ordenamento jurídico estabelece a supremacia da Constituição Federal e, para que esta supremacia
COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA
COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO N o 33, DE 2011 Altera a quantidade mínima de votos de membros de tribunais para declaração de inconstitucionalidade
PÁGINA 1-Teoria e Questões Comentadas Lista de Questões Gabarito 44
Aula 00: Teoria geral da Constituição: conceito, origens, conteúdo, estrutura e classificação. Interpretação da Constituição. Análise do princípio hierárquico das normas. Tipos de Constituição. Poder constituinte.
TÍTULO: PRINCIPAIS CLÁUSULAS DA CONVENÇÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS
16 TÍTULO: PRINCIPAIS CLÁUSULAS DA CONVENÇÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS CATEGORIA: EM ANDAMENTO ÁREA: CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS SUBÁREA: DIREITO INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE SANTA CECÍLIA AUTOR(ES):
Parte I Filosofia do Direito. Teoria Geral do Direito e da Política
S u m á r i o Parte I Filosofia do Direito. Teoria Geral do Direito e da Política CAPÍTULO I Filosofia do Direito I: O Conceito de Justiça, O Conceito de Direito, Equidade, Direito e Moral...3 I. O conceito
Classificação das Constituições: Entenda seus Detalhes e Saiba o Suficiente para Passar
Direito Constitucional :: Constituição :: Classificação das Constituições página 1 de 14 Esquemaria.com.br / Material exclusivo por email Classificação das Constituições: Entenda seus Detalhes e Saiba
Universidade Tuiuti do Paraná 3º Período Prof.ª Helena de Souza Rocha
Universidade Tuiuti do Paraná 3º Período Prof.ª Helena de Souza Rocha 1 A Teoria da Constituição, segundo José Joaquim Gomes Canotilho: é uma ciência que estuda a teoria política e científica da Constituição.
PROJETO DE PESQUISA A PROMOÇÃO E A TUTELA DA PESSOA HUMANA NO ORDENAMENTO BRASILEIRO: ESTUDO SOB A PERSPECTIVA CIVIL-CONSTITUCIONALISTA
PROJETO DE PESQUISA A PROMOÇÃO E A TUTELA DA PESSOA HUMANA NO ORDENAMENTO BRASILEIRO: ESTUDO SOB A PERSPECTIVA CIVIL-CONSTITUCIONALISTA FLAVIANO QUAGLIOZ CAMPOS, 2006 TEMA Proteção da Personalidade Humana
DIREITO CONSTITUCIONAL AVANÇADO E DIDÁTICO
DIREITO CONSTITUCIONAL AVANÇADO E DIDÁTICO Prof. GUSTAVO MACHADO Procurador do Distrito Federal Ex-Procurador do Estado de Goiás Pós-graduado em Direito Constitucional pelo Instituto Brasiliense de Direito
Organograma do exercício da Jurisdição no ordenamento pátrio segundo os parâmetros vigentes na Constituição Federal
BuscaLegis.ccj.ufsc.br Organograma do exercício da Jurisdição no ordenamento pátrio segundo os parâmetros vigentes na Constituição Federal João Fernando Vieira da Silva [email protected] O exercício
PARECER Nº, DE RELATORA: Senadora LÍDICE DA MATA I RELATÓRIO
PARECER Nº, DE 2013 Da COMISSÃO DE ASSUNTOS SOCIAIS, em decisão terminativa, sobre o Projeto de Lei do Senado (PLS) nº 61, de 2013, do Senador GIM, que dispõe sobre a estabilidade provisória da empregada
