COLEÇÃO ABIA. Políticas Públicas 9. Apreensões de Medicamentos Genéricos em Portos Europeus e a Agenda Anticontrafação:

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "COLEÇÃO ABIA. Políticas Públicas 9. Apreensões de Medicamentos Genéricos em Portos Europeus e a Agenda Anticontrafação:"

Transcrição

1 COLEÇÃO ABIA Políticas Públicas 9 Apreensões de Medicamentos Genéricos em Portos Europeus e a Agenda Anticontrafação: implicações para o acesso a medicamentos JANAÍNA ELISA PATTI DE FARIA

2 COLEÇÃO ABIA Políticas Públicas 9 Apreensões de medicamentos genéricos em portos europeus e a agenda anticontrafação: implicações para o acesso a medicamentos JANAÍNA ELISA PATTI DE FARIA Rio de Janeiro, 2011

3 Esta obra foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Proibição de Obras Derivadas 3.0 Não Adaptada. Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA) Av. Presidente Vargas, 446/13º andar Centro CEP Rio de Janeiro RJ Brasil Tel./Fax: Site: Diretoria Presidente: Richard Parker Vice-presidente: Regina Maria Barbosa Secretário-geral: Kenneth Rochel de Camargo Jr. Tesoureiro: Francisco Inácio Pinkusfeld de Monteiro Bastos Conselho de curadores: Fernando Seffner, Jorge Beloqui, José Loureiro, Luis Felipe Rios, Michel Lotrowska, Miriam Ventura, Ruben Mattos, Simone Monteiro, Valdiléa Veloso e Vera Paiva Coordenação-geral: Veriano Terto Jr. e Maria Cristina Pimenta Revisão: Renata Reis, Marcela Fogaça Vieira e Pedro Villardi Capa: A 4 Mãos Comunicação e Design Ltda. Projeto gráfico: Wilma Ferraz e Juan Carlos Raxach Diagramação: Wilma Ferraz Apoio: Tiragem: 500 exemplares Impressão: Gráfica MEC CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE. SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ F234a Faria, Janaína Elisa Patti Apreensões de medicamentos genéricos em portos europeus e a agenda anticontrafação : implicações para o acesso a medicamentos / Janaína Elisa Patti Faria. - Rio de Janeiro : ABIA, p. (Coleção ABIA. Políticas públicas ; 9) ISBN Propriedade intelectual. 2. Ação de contrafação. 3. Medicamentos - Patentes. 4. Acesso a medicamentos. I. Título CDU: É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, desde que citada a fonte e a autoria.

4 Agradecimentos Em primeiro lugar, devo agradecer à Renata Reis (ABIA e GTPI/REBRIP), quem me convidou a fazer a pesquisa e redigir o documento que deu subsídios à petição enviada ao Tribunal Permanente dos Povos, embrião do presente livro. Agradeço à Renata por ter depositado enorme confiança no meu trabalho, fornecendo prontamente todo o apoio necessário. A realização desse trabalho só foi possível graças às enriquecedoras contribuições de muitas pessoas. Agradeço especialmente à Marcela Vieira (Conectas, ABIA e GTPI/REBRIP), Pedro Villardi (ABIA e GTPI/REBRIP) e Gabriela C. Chaves (MSF e GTPI/REBRIP) pelos materiais, sugestões, orientações e pela revisão cuidadosa das diferentes versões do texto. Gostaria de agradecer também ao Rohit Malpani (OXFAM) e à Sophie Bloemen (HAI) pelas entrevistas concedidas, bem como pelos documentos enviados. Somos especialmente gratos ao Juan Hernandez (Universidade do País Basco) e ao German Holguín (Fundación Misión Salud) pela redação dos prólogos.

5

6 Prólogos A falta de acesso regular aos medicamentos essenciais constitui uma das maiores violações aos direitos humanos que se comete hoje no mundo. Não só porque compromete o direito à saúde e à vida, o primeiro e mais precioso dos direitos, mas também porque afeta mais de 2,2 milhões de pessoas 1, das quais metade não dispõe desses bens necessários em quantidade suficiente quando deles necessita e a outra metade praticamente nem os conhece. Como consequência desse drama, anualmente morrem no mundo em desenvolvimento, que representa 70% da população do planeta 2, cerca de 28 milhões de seres humanos, a metade por causa de doenças infecciosas tratáveis e a outra metade por doenças não transmissíveis para as quais existem tratamentos, mas que por qualquer razão não chegam a essas pessoas 3. Isso equivale a uma população de 70 mil pessoas a cada dia. Segundo um estudo publicado pela revista médica britânica The Lancet 4, em 2008, faleceram no mundo 8,8 milhões de crianças menores de cinco anos, 99% delas viviam em países de pou- 1 SEUBA, Xavier; La protección de la salud ante la regulación internacional de los productos farmacéuticos, Marcial Pons, Edições Jurídicas y Sociales S.A., Madrid, 2010, p Segundo a OMS, a população dos países em desenvolvimento é de 4,8 milhões de habitantes, cifra equivalente a 70% da população mundial: < int/mediacentre/ news/releases/ 2010/>. 3 Carta de um grupo de congressistas dos Estados Unidos à Representante Comercial do seu país, Susan Schwab, Congresso de Estados Unidos, Washington D.C , 12/03/ Estudo sobre a evolução da mortalidade infantil entre 1970 e 2010, do Instituto de Métrica e Avaliação em Saúde (IHME, sigla em inglês) da Universidade de Washington, Estados Unidos, publicado pela revista médica The Lancet, maio < cos recursos. Há evidências de que 80% poderiam ter sido salvas com um acesso regular às campanhas de vacinação e prevenção, aos testes de diagnóstico e aos tratamentos existentes. Algo semelhante acontece com as mulheres. A OMS estima que em 2009 cerca de meio milhão de mulheres morreram de AIDS, outras tantas de tuberculose e quase 300 mil por causa de câncer de colo de útero, a maior parte devido a dificuldades que elas têm para obter assistência médica e sanitária nos países em desenvolvimento 5. Os homens também são, evidentemente, vítimas desta injustiça. Milhões falecem a cada ano nos países em desenvolvimento por causa de doenças infecciosas diagnosticáveis e tratáveis, entre elas o HIV-AIDS, a pneumonia, a tuberculose e as doenças negligenciadas. Além disso, nesses países, 80% dos falecimentos são por patologias não transmissíveis, como o câncer, problemas cardiovasculares, diabetes, entre outras 6. A América Latina não é exceção, já que nos vinte países onde existe seguro de saúde, este só cobre em média 45% da população, o que significa que mais da metade das pessoas, na sua imensa maioria pessoas vivendo em condições de pobreza e miséria, devem pagar pelos medicamentos com dinheiro do próprio bolso, o que com frequência é simplesmente impossível. Lamentavelmente, na região, o gasto médio per capita em fármacos é só a metade do gasto em produtos veterinários por cada vaca na Europa 7. 5 As mulheres e a saúde, informe da OMS 2009, citado por El Tiempo, 10 de novembro de 2009, p Oxfam International, Patentes contra pacientes: cinco anos depois da Declaração de Doha, novembro de Federico Tobar, Déficit de salud en América Latina, Tribuna i

7 Não é concebível uma transgressão mais grave ao direito fundamental à saúde e à vida, que está consagrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos e outros acordos internacionais complementares, entre eles: o Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC), que reconhece o direito de toda pessoa de usufruir do nível mais elevado possível de saúde física e mental ; a Convenção de Direitos da Criança de 1989, que traz o direito das crianças a desfrutar do mais alto nível de saúde possível; e a Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW), que obriga os Estados a tomarem medidas para garantir o acesso não discriminatório da mulher aos cuidados médicos. Ainda que a pobreza explique uma parte importante do drama da falta de acesso a medicamentos, há vários fatores que o acentuam, entre eles a falta de inovação farmacêutica para as doenças prevalentes no mundo em desenvolvimento, a concentração dos fármacos existentes por parte das nações ricas 8 e os preços proibitivos dos medicamentos sob monopólio. Mas o fator de maior incidência, e que pela sua capacidade de dano à saúde imprime ao quebra-cabeça características literalmente dantescas, é o que proponho denominar a guerra contra os genéricos. Esta guerra compreende um conjunto de medidas de propriedade intelectual, práticas comerciais e estratégias de diversas naturezas algumas legítimas e a maioria ilegítima usadas pelas grandes empresas farmacêuticas multinacionais (a Big Pharma), com a cumplicidade de seus governos de origem e dos governos dos países onde atuam, para bloquear e atrasar a oferta de genéricos. A finalidade é o domínio dos mercados farmacêuticos e a imposição de altos preços de monopólio, o que priva a maior parte da população dos medica- 8 Com relação à concentração, cabe aqui a conhecida equação do 80-20, que significa que 80% dos medicamentos são consumidos nos países desenvolvidos, que representam perto de 20% da população mundial. mentos necessários e, com isto, causa grande sofrimento e perda de milhões de vidas humanas. A presente publicação se ocupa da mais moderna destas práticas: a apreensão de genéricos em trânsito em portos europeus. Esta arma, fruto do talento inovador da Big Pharma em conluio com a União Europeia (EU) e seus Estados, foi inventada há apenas sete anos, quando o Regulamento CE 1383, de 2003, permitiu às autoridades alfandegárias dos países membros apreenderem medicamentos genéricos em trânsito pelos portos europeus, sob a simples suspeita de violação de patentes europeias. A aplicação desse Regulamento provocou entre 2008 e 2009 a apreensão arbitrária, nos portos europeus, de pelo menos 18 carregamentos de medicamentos genéricos legítimos provenientes da Índia e China e destinados a vários países em desenvolvimento, especialmente da América Latina. As cargas continham versões genéricas de medicamentos essenciais utilizados no tratamento de doenças coronárias, esquizofrenia, Alzheimer, colesterol, hipertensão e HIV- Aids, entre outras. Essas apreensões foram arbitrárias porque nenhum dos medicamentos apreendidos estava protegido por patentes nos países de origem nem nos de destino. Com elas a UE violou as regras de livre trânsito do comércio legítimo e a territorialidade das patentes, entre outros princípios do direito internacional, e também, é claro, o princípio da primazia da saúde e da vida sobre os direitos de propriedade intelectual. Segundo a avaliação das organizações denunciantes dessas violações perante o Tribunal Permanente dos Povos (TPP), é provável que os autores e seus cúmplices tenham tirado a vida de muitas pessoas. Tendo em consideração essa situação, o TPP, acolhendo uma demanda interposta pela sociedade civil dos países afetados, após um longo processo de pesquisa e audiências públicas, que abrangeu vários casos de violação de direitos humanos na América Latina por parte das empresas multinacionais (as multis ), reii

8 solveu denunciar perante a opinião mundial como imoral a atitude das multis envolvidas em tais violações, e a atitude da UE e seus Estados Membros por suas políticas de apoio incondicional a essas empresas e por não adotar as medidas que estão a seu alcance para modificar radicalmente o estado das coisas, o que os torna cúmplices dos abusos. Da mesma forma, condenou a atitude dos Estados receptores das atividades das multis por terem construído um marco jurídico que lhes permite violar os direitos humanos da sua própria população, o que também os converte em cúmplices. Nesse contexto, referindo-se especificamente ao caso das apreensões de genéricos, o TPP proferiu uma sentença importantíssima, cujo texto é o seguinte: O Tribunal Permanente dos Povos Pede às instituições da UE que reconheçam que o uso de medicamentos genéricos é uma necessidade fundamental para garantir o acesso a medicamentos para os mais pobres, que eliminem as patentes sobre medicamentos básicos e que cessem as práticas de apreender medicamentos em trânsito e de gerar confusão entre os medicamentos genéricos e os medicamentos de má qualidade (Ponto 10 da Sentença). A Missão Saúde e a Aliança-LAC Global pelo Acesso a Medicamentos (Misión Salud e Alianza LAC-Global por el Acceso a Medicamentos), cujas ações eu tenho a honra de coordenar, acolhem com alegria, esperança e espírito de compromisso esta sentença do TPP. Com alegria, porque, mesmo que se trate de uma sentença de caráter moral, não vinculante, o prestígio e o respeito bem merecidos do Tribunal que o profere e o fato de estar destinado a todos os participantes da Cúpula de Chefes de Estado e de Governo dos países da América Latina, Caribe e da União Europeia permitem presumir que será acatada em alguma medida tanto pelas multis causadoras das apreensões quanto pelos Estados que as praticaram. É de se esperar, então, o fim imediato das apreensões arbitrárias e a revogação do Regulamento CE 1383 de Com esperança, porque é a primeira vez que o TPP, em seus trinta anos de existência, emite uma condenação contra as multis e os Estados cúmplices por condutas que afetam negativamente o direito de acesso aos medicamentos genéricos, elemento essencial para o pleno exercício do direito fundamental à saúde e à vida nos países em desenvolvimento. Este precedente abre o caminho para futuras condenações por outras condutas dos mesmos autores com o mesmo fim idêntico fim, fato de ocorrência frequente no terceiro mundo. E com espírito de compromisso e isto é o mais importante da sentença porque o precedente nos anima a propor à comunidade internacional o debate sobre se a guerra contra os genéricos, considerada como um todo, pode ou não ser qualificada como crime contra a humanidade. Debate de cujas conclusões dependem os passos conducentes ao reconhecimento e julgamento do caso por parte do Tribunal Penal Internacional (TPI), a penalização dos protagonistas e seus cúmplices, e a reparação integral das vítimas. Para alimentar o bate, trago a tese de que o conjunto de armas utilizadas pelas multis farmacêuticas para a guerra contra os genéricos, ao privar os povos dos países em desenvolvimento dos medicamentos essenciais, reúne os requisitos estabelecidos pelo Estatuto de Roma para a tipificação dos crimes contra a humanidade, quais sejam: i) ato desumano ; ii) contra uma população civil ; iii) como parte de um ataque generalizado ou sistemático ; iv) de acordo com a política de um Estado ou uma organização ; v) que cause grandes sofrimentos ou afete gravemente a integridade física ou a saúde física ou mental ; e vi) com intenção de causar o dano. Entendo que há evidente ocorrência dos requisitos i, ii e v diante da evidência de que privar pessoas dos medicamentos com capacidade iii

9 para superar as doenças e evitar-lhes a morte é um ato desumano contra uma população civil e que atenta gravemente contra a saúde. Em relação aos outros requisitos, para aceitar a sua ocorrência é pertinente levar em consideração os seguintes esclarecimentos: sobre o requisito iii, que, segundo a doutrina, o termo ataque não denota uma agressão militar, mas é também aplicável às leis e a medidas empresariais, e o termo sistemático diz respeito a um sistema, isto é, a um conjunto organizado de normas e procedimentos dirigidos a atingir um propósito predeterminado, por exemplo, bloquear a oferta da concorrência. Sobre o requisito iv, que o termo organização é amplo, no sentido que cobre qualquer grupo de pessoas que tenham uma finalidade comum, público ou privado, legal ou ilegal, por exemplo, uma empresa farmacêutica ou um grupo empresarial. No que diz respeito ao requisito vi, de intencionalidade, que, de acordo com o artigo 30.2.b do Estatuto de Roma, entende-se que comete intencionalmente um crime quem atue com vontade de o cometer e conhecimento dos seus elementos materiais e relativamente a um efeito do crime, se propuser causá-lo ou estiver ciente de que ele terá lugar em uma ordem normal dos acontecimentos. É indiscutível que o objetivo de uma farmacêutica ao bloquear os genéricos em um determinado mercado não é causar dano à população, mas sim aumentar seus lucros; mas também é indiscutível que seus gestores estão cientes que o dano à saúde e à vida terá lugar em uma ordem normal dos acontecimentos. É provável que no curso do debate surja, entre muitas outras, a objeção de que, mesmo que se cumpram os seis requisitos, a tipificação da guerra conta os genéricos como crime contra a humanidade não é procedente porque não faz parte dos crimes aos quais o Estatuto de Roma atribui tal característica e, como é bem sabido, em matéria penal o princípio de legalidade e tipicidade proíbe a analogia. Nossa resposta é o artigo 7 do Estatuto, que após enumerar os crimes considerados como crimes contra a humanidade nas alíneas a a j, na alínea k reconhece a mesma qualidade para outros atos desumanos de caráter semelhante, que causem intencionalmente grande sofrimento, ou afetem gravemente a integridade física ou a saúde física ou mental. Ou seja, a analogia vigora neste caso por comando do próprio Estatuto. Haverá argumentos para aplicá-la ao assassinato, ao genocídio ou a tortura, por exemplo. Em todo caso, o importante é encontrar caminhos para por fim à impunidade dos autores da guerra contra os genéricos e contribuir assim para evitar que seus efeitos devastadores sobre os direitos dos povos se repitam no futuro. É inconcebível que em pleno século XXI sejam concedidas patentes de corso a condutas causadoras de grandes sofrimentos e graves violações do direito humano à saúde e à vida de milhões de seres humanos e nada aconteça porque são vistas por alguns como naturais e até necessárias para o desenvolvimento econômico dos países. Tem que existir um Tribunal competente para julgar os supostos responsáveis, penalizar os culpados e ressarcir as vítimas. E se para que o TPI o seja for necessário adicionar uma alínea adicional ao artigo 7 de seu Estatuto, que ele seja adicionado. Não se pode continuar negando para sempre a condição de pessoa com dignidade e com direitos às milhões de vítimas desta guerra. Não se pode continuar condenado-as à invisibilidade. À inexistência inclusive como vítimas. A dignidade humana é inviolável. Muito obrigado pela sentença do TPP aqui publicada e pela iniciativa de quem em boa hora apresentou o caso ao tribunal, o debate está aberto. Que seja para benefício de toda a humanidade! Bogotá - Colômbia, 13 de Julho de Germán Holguin Diretor Geral Missão Saúde iv

10 A publicação que você tem em mãos é um trabalho rigoroso e comprometido com o controle das corporações transnacionais. Em suas páginas, é analisado um dos casos emblemáticos apresentados perante o Tribunal Permanente dos Povos (TPP) na sua sessão de Madrid e a sentença desse mesmo tribunal. Nele são descritas ideias essenciais para a construção de redes contra hegemônicas transnacionais. O caso trata da violação do direito à saúde e à vida na América Latina pela União Europeia e se adapta perfeitamente às condições nas quais foi articulada a acusação ao TPP (A União Europeia e as Empresas Transnacionais na América Latina: Políticas, instrumentos e atores cúmplices de violações dos Direitos dos Povos). A hipótese geral inicial refere-se à forma como o poder político, econômico e jurídico de- tido pelas empresas transnacionais lhes permite atuar com um alto grau de impunidade, sendo seu controle normativo muito desigual, já que os seus direitos são protegidos por uma nova Lex Mercatoria integrada por um conjunto de contratos, regras comerciais e de investimento de caráter multilateral, regional e bilateral e pelas decisões dos tribunais arbitrais e Sistema de Solução de Controvérsias da Organização Mundial do Comércio. No entanto, as suas obrigações são volta- das para as legislações nacionais dos países de destino, submetidos a políticas neoliberais de desregulamentação, privatização e redução do Estado em políticas públicas e fortalecimento do aparelhamento militar e do controle social. Isto é, são criadas leis ad hoc para defender os interesses das transnacionais. Por outro lado, o Direito Internacional dos Direitos Humanos e o Direito Internacional do Trabalho apresentam uma clara fraqueza para a proteção dos direitos das maiorias sociais. Nos contornos das realidades jurídicas mencionadas, surge a Responsabilidade Social Corporativa e os códigos de conduta como uma espécie de Soft Law para limitar o poder das empresas transnacionais. Em suma, os direitos das empresas transnacionais são protegidos por um ordenamento jurídico global baseado em regras de comércio e de investimentos que são obrigatórias, coercitivas e executivas, enquanto as suas obrigações se remetem a jurisdições nacionais sujeitas à lógica neoliberal, a um Direito Internacional dos Direitos Humanos claramente frágil e a uma Responsabilidade Social Corporativa voluntária, unilateral e sem exigibilidade jurídica. A assimetria de regulamentação é evidente. O conteúdo da sentença do TPP transitou em torno das ideias apresentadas. No entanto, gostaria de destacar duas questões relacionadas a violação do direito humano à saúde e à vida dos cidadãos do Brasil, Colômbia e Equador. Primeiro, a sentença considera que os casos relacionados com a política europeia de direitos de propriedade intelectual e regulamentos aduaneiros teriam dificultado o acesso dos povos latino-americanos aos medicamentos genéricos, o que implica uma violação grave dos direitos dos povos. A retenção de 18 carregamentos de genéricos em portos europeus levaram homens e mulheres de países latino-americanos, os beneficiários desses medicamentos, a ficarem, por falta de recursos econômicos, sem tratamento médico e, portanto, com o risco da doença e morte. A ganância desenfreada da indústria farmacêutica e a cumplicidade dos governos e instituições da União Europeia podem levar a comportamentos que deveriam ser caracterizados como crimes contra a humanidade. v

11 Em segundo lugar, o TPP entendeu que a lógica que expressa o modus operandi das transnacionais faz com que as pessoas afetadas sejam condenados à invisibilidade e à inexistência, até mesmo como vítimas. O relatório anual do Relator Especial sobre o direito à saúde, o Sr. Anand Grover, que foi apresentado na 11ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU em março de 2009, mostrou a existência real e dramática das vítimas. Ele ressaltou que mais de dois bilhões de pessoas não tem acesso a medicamentos essenciais, principalmente devido ao seu preço e, neste contexto, constatou que as doenças da pobreza causam cerca de 50% das mortes nos países pobres, dez vezes mais do que em países ricos. Mais de cem milhões de pessoas caem para a pobreza a cada ano, porque tem que pagar os seus cuidados de saúde. Nos países pobres, os doentes têm de pagar entre 50% e 90% do custo de medicamentos essenciais. A invisibilidade das vítimas está ligada também à manipulação e mercantilização da ética realizada por empresas transnacionais e que é refletida nos relatórios de Responsabilidade Social Corporativa. Nem uma única página, nem uma única linha, refere-se às vítimas dessas práticas. As transnacionais farmacêuticas atuam com o uso contínuo de padrões morais duplos, discursos em que os valores empresariais são verificados e se expressam as pseudo regras dos códigos de conduta. Não nos esqueçamos, genéricos são retidos ainda que homens e mulheres não possam pagar pelos medicamentos protegidos por patentes, uma vez que o lucro e a ganância ilimitados, estão acima dos direitos humanos. O ápice da pirâmide do direito internacional, nomeadamente a protecção dos interesses de empresas farmacêuticas multinacionais, deve ser substituído pelos direitos da maioria mais vulnerável da humanidade. O acesso aos medicamentos deve ser universal e financiado pelos poderes públicos nacionais e internacionais. O caso descrito apresenta, por sua vez, muito claramente algumas ideias-chave que sustentam o sistema capitalista. A concentração ilimitada da riqueza em poucas mãos gera o empobrecimento das maiorias sociais do planeta, e tudo sob a máxima de poder transformar em mercadoria o que são direitos universais, como saúde e acesso aos medicamentos. O Relator Especial sobre direito à saúde denunciou o domínio das empresas farmacêuticas por meio das patentes. Considerou que os direitos de propriedade intelectual afetam o direito à saúde, já que impactam diretamente no custo dos medicamentos. Também entendeu que a saúde está ligada à pobreza. Não há dúvida de que o sistema capitalista e, no caso em questão, a expressão jurídica em torno da propriedade intelectual e das patentes, permite o controle oligopolista das grandes empresas sobre os medicamentos. Além disso, os interesses privados prejudicam a saúde pública e o lobby farmacêutico exerce pressão sobre as instituições públicas e governos dos quais obtém benefícios económicos, tais como incentivos fiscais, políticos e normativos. A rede público-privada, incluindo a maioria das universidades e centros de pesquisa, servem mais aos interesses privados das empresas farmacêuticas do que à saúde das maiorias sociais. Não podemos esquecer que a sua rentabilidade depende muito da experiência de seus pesquisadores e da rapidez e sigilo com que estas alcançam resultados comercializáveis e, portanto, protegidos por patentes. Por outro lado, a própria estrutura jurídica da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre propriedade intelectual, o Acordo TRIPS (sigla em inglês), foi reinterpretada continuamente e de forma unilateral em favor dos interesses das empresas farmacêuticas. A literalidade do Acordo e os consensos alcançados em 2001 em Doha, foram bloqueados pelos Estados Unidos com uma proposta apresentada em 16 de dezembro de As exceções ao regime de patentes por razões de saúde pública, que permitem a importação de medicamentos provenientes de vi

12 países que os produzem mais baratos e autorizam aos governos a produção de medicamentos genéricos, foram re-interpretadas de forma restritiva ao limitarem-se a três pandemias e outras 19 doenças transmissíveis. O resultado final foi a inaplicabilidade das exceções por causa da pressão das empresas farmacêuticas e o surgimento de inúmeras ações judiciais. Foi daí que as classes dominantes inventaram e ativaram princípios tais como o dos vasos comunicantes entre as regras comerciais e de investimento e entre as instituições e governos, isto é, o que não é alcançado no âmbito da OMC será obtido por meio de tratados ou acordos comerciais ou de investimento de caráter bilateral ou regional. No caso em questão, foram criadas regras TRIPS-plus, ou seja, se incorporaram aos tratados as interpretações mais restritivas, se blindaram os direitos de propriedade sobre patentes e se esvaziaram de conteúdo as exceções acima referidas. Além disso, os períodos de transição e as flexibilidades na aplicação das patentes para os países pobres, previstos no texto original do TRIPS, ficaram sem efeito após a ratificação desses tratados e acordos sobre o comércio ou investimento. Mas o poder das empresas farmacêuticas se estende também no aumento no período de 20 anos de patentes, através das chamadas inovações incrementais, que não envolvem mais do que pequenas alterações, ou pior, na comercialização de novos medicamentos cujos efeitos secundários não foram suficientemente comprovados. Finalmente, a desterritorialização que a legislação da UE promove, com a aplicação de um regulamento comunitário e aprovado exclusivamente pelo e para o território europeu, se materializa na apreensão de medicamentos genéricos legais em trânsito. No entanto, de acordo com a lei do país de origem e do país de destino e pelas regras multilaterais de comércio internacional e de proteção à propriedade intelectual, os genéricos estão em plena conformidade com a lei. As autoridades da UE justificaram a medida alegando suposta violação de patentes, mas falta acrescentar que essa alegação é feita pela União Europeia em defesa das empresas transnacionais europeias. Além disso, a apreensão não se justifica em qualquer caso, por estarem os genéricos em trânsito, não poderia haver qualquer dano comercial sobre os interesses das empresas transnacionais. É uma medida unilateral que estabelece claramente os contornos de um novo imperialismo jurídico. Esta legislação extraterritorial em favor dos interesses das transnacionais se choca com a recusa das instituições da UE em adotar um marco normativo no qual as empresas transnacionais europeias sejam obrigadas a respeitar os direitos humanos em todos os lugares e países onde operam, caso contrário, poderiam ser convoca- das perante os tribunais europeus. A assimetria é evidente, desterritorializam a proteção dos seus direitos e se opõem a das suas obrigações. Além disso, em ambos os casos se quebram os princípios da hierarquia normativa e do Estado de Direito, já que o Direito Internacional dos Direitos Humanos está no topo das normas internacionais. E nos contornos de ambas as interpretações, o direito universal à saúde e aos medicamentos fica sujeito à capacidade econômica para adquiri-los. Finalmente, além de avaliações legais, a sessão do TPP de Madrid e a gravidade dos casos apresentados ratificou uma ideia: a construção de redes transnacionais contra-hegemônica e a utilização de instrumentos legítimos e legais são necessários para reverter a pirâmide normativa e colocar os interesses das empresas farmacêuticas a serviço das maiorias sociais. A saúde é um direito universal, independentemente de quaisquer leis de propriedade intelectual e patentes. Bilbao, 14 de junho de 2010 País Basco Juan Hernández Zubizarreta Professor da Universidad del País Basco vii

13

14 Lista de Siglas e Abreviaturas ABIA Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS ACTA Anti-Counterfeiting Trade Agreement (Acordo Comercial Anticontrafação) AIDS Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA, sigla em português) AMS Assembléia Mundial de Saúde BPF Boas Práticas de Fabricação CAFTA Central American Free Trade Agreement (Tratado de Livre Comércio da América Central) CUP Convenção da União de Paris DH Direitos Humanos DPIs Direitos de Propriedade Intelectual EFPIA European Federation of Pharmaceutical Industries and Associations (Federação Europeia de Associações e Indústrias Farmacêuticas) EUA Estados Unidos da América FMI Fundo Monetário Internacional GATT General Agreement on Tariffs and Trade (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio) GSK GlaxoSmithKline GTPI Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual HAI Health Action International (Ação Saúde Internacional) HIV Vírus da Imunodeficiência Humana IFPMA International Federation of Pharmaceutical Manufacturers and Associations (Federação Internacional de Associações e Produtores Farmacêuticos) IMPACT International Medical Products Anti- Counterfeiting Taskforce (Força-Tarefa Internacional Anticontrafação de Produtos Médicos) INTERPOL International Criminal Police Organization (Organização Internacional de Polícia Criminal) KEI Knowledge Ecology International (Ecologia do Conhecimento Internacional) LOS Lei Orgânica da Saúde MERCOSUL Mercado Comum do Sul MRE Ministério das Relações Exteriores MS Ministério da Saúde MSD Merck Sharp & Dohme MSF Médicos Sem Fronteiras NAFTA North American Free Trade Agreement (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio) OCDE Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico ODM Objetivos de Desenvolvimento do Milênio OEA Organização dos Estados Americanos OMA Organização Mundial de Aduanas OMC Organização Mundial do Comércio OMPI Organização Mundial de Propriedade Intelectual OMS Organização Mundial de Saúde ONG Organização Não-Governamental ONU Organização das Nações Unidas OXFAM Oxford Committee for Famine Relief (Comitê de Oxford de Combate à Fome)

15 P&D Pesquisa e Desenvolvimento PhRMA Pharmaceutical Research and Manufacturers of America REBRIP Rede Brasileira pela Integração dos Povos

16 Sumário Introdução O Direito Humano à Saúde, o impacto do Sistema Internacional de Propriedade Intelectual para o acesso a medicamentos e os mecanismos de proteção à Saúde Pública Apreensões de medicamentos em portos europeus: a confusão deliberada entre contrafação e genéricos A qualidade e legitimidade de medicamentos Contrafação, medicamento falso e medicamento de baixa qualidade: esclarecendo conceitos O Regulamento CE nº 1383/2003 da União Europeia A apreensão em portos europeus de medicamentos genéricos em trânsito A ilegitimidade do Regulamento CE nº 1383/2003 da União Europeia O questionamento brasileiro frente às apreensões na OMS e OMC Tribunal Permanente dos Povos condena a União Europeia A Consulta Pública sobre o Regulamento CE nº 1383/2003 da União Europeia A legislação europeia e a agenda internacional de enforcement dos DPIs IMPACT/OMS Os Tratados de Livre Comércio (TLCs) ACTA Outras Iniciativas promovidas pela União Europeia Considerações Finais Referências Bibliográficas... 41

17

18 Apreensões de medicamentos genéricos em portos europeus e a agenda anticontrafação: implicações para o acesso a medicamentos JANAÍNA ELISA PATTI DE FARIA Introdução As sistemáticas apreensões de medicamentos em trânsito executadas por autoridades aduaneiras da União Europeia (UE) entre 2008 e 2009 têm sido objeto de polêmico debate. A UE alegou que os medicamentos foram detidos em seus portos pela suspeita de infração de Direitos de Propriedade Intelectual (DPIs), com base em seu Regulamento CE nº 1383 de 22 de Julho de 2003 relativo à intervenção das autoridades aduaneiras em relação às mercadorias suspeitas de violarem certos direitos de propriedade intelectual e as medidas contra mercadorias que violem esses direitos1. A polêmica se dá porque o Regulamento permite a apreensão de mercadorias cujas patentes ou outros DPIs, embora válidos na Europa, não encontram lastro de proteção nem no país de origem nem no país de destino da mercadoria. Em conformidade com as leis do país exportador e importador, bem como com os acordos multilaterais que regem o comércio in- 1 Regulamento disponível em: < LexUriServ/LexUriServ.do?uri=OJ:L:2003:196:0007:0014:PT: PDF>. ternacional, medicamentos genéricos legítimos provenientes da Índia e da China em rota para países da América Latina, África e Oceania foram confiscados em portos europeus, e, em alguns casos, destruídos. A questão tem sido discutida em diversos foros internacionais, como a Organização Mundial de Comércio (OMC) e Organização Mundial de Saúde (OMS), bem como por grupos da sociedade civil organizada. O Regulamento CE nº 1383/2003 da UE tem como objetivo central combater violações de Direitos de Propriedade Intelectual, incluindo a contrafação, popularmente difundida como pirataria. O uso do termo contrafação tem sido estrategicamente associado aos medicamentos genéricos para equivocadamente indicar falta de qualidade e falsificação, enquanto, na realidade, o termo designa violação de Direitos de Propriedade Intelectual, o que não tem relação com qualidade de medicamentos. Medicamentos genéricos não são contrafeitos, mas bens fundamentais para expandir o acesso à assistência farmacêutica. O direito de patente é um Direito de Propriedade Intelectual que confere ao seu titular o monopólio de vinte anos de exploração do produto, conforme estabelecido pelo Acordo so- 9

19 bre os Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual relacionados ao Comércio (Trade- Related Aspects of Intellectual Property Rights TRIPS ou ADPIC) da OMC. Estudos (COMISSÃO EUROPEIA, 2009d) indicam que as patentes vêm sendo utilizadas pela indústria farmacêutica para impedir a entrada de versões genéricas no mercado, que, devido à concorrência, são comercializados a preços significativamente mais baixos. Os medicamentos são um componente fundamental para a garantia do direito humano inalienável à saúde e à vida, devendo estar acessíveis a todos que deles necessitam. No entanto, estimativas da OMS revelam que apenas 15% da população mundial consome mais de 90% da produção mundial de medicamentos, em termos de valor (OMS, 2004a, p. 2). A OMS calcula ainda que a morte de 18 milhões de pessoas, um terço do total de mortes humanas no mundo por ano, é decorrente de condições de saúde para as quais há tratamento (OMS, 2004b, p. 95). Ainda que fatores como infraestrutura sanitária e suporte profissional desempenhem um papel importante, a promoção do acesso a medicamentos essenciais, especialmente nos países em desenvolvimento e menos desenvolvidos, é um fatorchave para reverter a situação. Contudo, os altos preços praticados pela indústria farmacêutica transnacional e o abuso de seus direitos criam graves barreiras ao acesso aos medicamentos, colocando em xeque, em última instância, a vida das pessoas. Os medicamentos detidos pela UE seriam utilizados no tratamento de pacientes de países em desenvolvimento e menos desenvolvidos vivendo com HIV/AIDS, esquizofrenia, Alzheimer e hipertensão, entre outras doenças. As apreensões foram realizadas sob justificativas legais infundadas ao acusar empresas produtoras de genéricos de infringir patentes, quando na verdade os medicamentos estavam sob patente em países da Europa, mas não nos países de origem e de destino dos medicamentos. A UE declarou que sua atuação tem contribuído para salvar vidas 2. O presente trabalho é fruto da indignação da sociedade civil organizada em relação à política da União Europeia que ilegitimamente impede que medicamentos alcancem pacientes de outros países, sob o falso pretexto de combate à contrafação. O estudo teve início como preparação do caso levado ao IV Tribunal Permanente dos Povos (TPP), realizado em Madrid em maio de 2010, por organizações da sociedade civil da América Latina e sob coordenação da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA). O primeiro capítulo introduz os principais tratados internacionais que garantem o Direito Humano à Saúde como direito fundamental, discute o impacto do atual sistema internacional de DPIs para o acesso a medicamentos e identifica os tratados e documentos internacionais que estabelecem a primazia do Direito à Saúde sobre os direitos patentários da indústria farmacêutica no cenário pós-trips. O segundo capítulo examina detalhadamente a política da União Europeia de apreensão de medicamentos em trânsito sob acusação de contrafação. O uso vulgar do termo simultaneamente designa violação de DPIs, falta de qualidade e falsificação, promovendo uma confusão conceitual proposital com vistas a dificultar a produção e comercialização de drogas genéricas legítimas. Buscamos primeiramente esclarecer os conceitos com o intuito de combater a confusão promovida pelo uso político, mascarado de caráter técnico, do termo contrafação. Em seguida, pontuamos as inconsistências legais do Regulamento CE nº 1383/2003, 2 Ver pronunciamento da UE na reunião do Conselho TRIPS de junho de 2009: < O documento também pode ser acessado aqui: < 10

20 os embates políticos internacionais acarretados pelas apreensões de genéricos em trânsito pelos portos europeus e suas consequências para a saúde pública. Por fim, o terceiro capítulo mostra como a política europeia de apreensão de medicamentos genéricos está inserida numa agenda internacional de Enforcement dos DPIs que está sendo imposta em diversas instâncias como Organização Mundial da Saúde (OMC), em negociações de Tratados de Livre Comércio (TLCs) e no Acordo Comercial Anticontrafação (Anti-Counterfeiting Trade Agreement ACTA). 1. O dieito humano à saúde, o impacto do sistema internacional de propriedade Intelectual para o acesso a medicamentos e os mecanismos de proteção à saúde pública A legislação internacional de Direitos Humanos (DH) é um conjunto de normas legais que os Estados acordaram com o propósito de promover e proteger tais direitos. Os tratados internacionais não somente proíbem violações diretas aos direitos humanos, mas também atribuem aos governos a responsabilidade de assegurar às pessoas as condições necessárias para a realização plena de seus direitos. No caso do direito humano à saúde, os países são responsáveis pela prevenção, tratamento e controle de doenças, bem como a criação de condições que assegurem o acesso a serviços e bens de saúde (BRAVEMAN & GRUSKIN, 2003, p. 540). Entre os documentos internacionais que estabelecem o direito à saúde como um direito humano fundamental e inalienável destacamos a Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948 e o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais de 1966, ambos assinados no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU). Apresentamos a seguir os artigos desses documentos relativos ao direito à saúde. Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948 Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais de 1966 Artigo XXV. Todo homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e à sua família saúde e bem estar. Artigo 2.1. Os Estados-Partes do presente Pacto reconhecem o direito de toda pessoa de desfrutar do mais elevado nível possível de saúde física e mental. A maioria dos países do continente americano conta ainda com o sistema regional de proteção da Organização dos Estados Americanos (OEA), que inclui a Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem de 1948 e a Convenção Americana de Direitos Humanos de Em 1988, foi aprovado o Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Humanos em matéria de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, também conhecido por Protocolo de San Salvador. O direito à saúde é igualmente garantido no âmbito da OEA, tal como exposto no quadro a seguir. Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem de 1948 Convenção Americana sobre Direitos Humanos / Protocolo de San Salvador de 1988 Artigo XI. Toda pessoa tem direito a que sua saúde seja resguardada por medidas sanitárias e sociais relativas à alimentação, roupas, habitação e cuidados médicos correspondentes ao nível permitido pelos recursos públicos e os da coletividade. Artigo Toda pessoa tem direito à saúde, entendida como o gozo do mais alto nível de bem-estar físico, mental e social. 11

21 O Brasil, além de ter ratificado os tratados supracitados, reconhece em sua Constituição Federal de 1988 o direito humano à saúde como um direito social (artigo 6), estabelecendo-o como um direito de todos e dever do Estado (artigo 196). A Constituição brasileira prevê ainda a garantia de atendimento integral a saúde, que inclui o acesso dos cidadãos a tratamento médico adequado, inclusive a assistência farmacêutica (artigo 198). Os dispositivos constitucionais referentes ao direito fundamental à saúde foram também regulamentados pela legislação brasileira infraconstitucional, em especial a Lei nº 8.080/90, conhecida por Lei Orgânica da Saúde (LOS). Segundo Braveman & Gruskin (2003, p. 539 e 542), ainda que muitos considerem o direito à saúde como um conceito abstrato com pouca aplicação prática, sua realização depende da operacionalização de políticas concretas em todos os setores que afetam a saúde. Entre essas políticas, promover o acesso a medicamentos essenciais é prioritário, especialmente nos países em desenvolvimento e menos desenvolvidos, em que uma parcela considerável da população vive marginalizada. De acordo com o relatório do Projeto do Milênio das Nações Unidas (2005, p. 1), a falta de acesso a medicamentos que salvam e prolongam vidas para um número estimado de 2 bilhões de pessoas pobres é uma contradição direta com princípio fundamental da saúde como um direito humano. Ainda que fatores como infraestrutura e suporte profissional desempenhem um papel importante, os altos preços dos medicamentos cobrados pela indústria farmacêutica representam verdadeiras barreiras à formulação e execução de políticas públicas de saúde que visam à realização do direito humano à saúde. É de crucial relevância ressaltar que os elevados preços dos medicamentos se devem, em grande medida, ao monopólio de exploração conferido pelos Direitos de Propriedade Intelectual (DPIs), sendo que as patentes representam a principal forma de proteção para medicamentos. Atualmente, o padrão internacional de DPIs é regido pelo Acordo sobre os Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual relacionados ao Comércio (Trade-Related Aspects od Intellectual Property Rights TRIPS) da Organização Mundial de Comércio (OMC). Assinado em 1994, o Acordo estabeleceu para os países-membros da OMC um padrão mínimo de DPIs. Antes da assinatura do Acordo, as relações internacionais relativas à propriedade intelectual eram administradas por regras mais flexíveis, estabelecidas pela Convenção da União de Paris (CUP), firmada em Os países signatários, dentre eles o Brasil, tinham maior liberdade para definir seus sistemas de DPIs, estabelecendo o que era patenteável conforme seus interesses nacionais. A flexibilidade legislativa no campo da propriedade industrial permitia aos países, de acordo com o nível de desenvolvimento de cada setor tecnológico, optar por proteger ou não os inventos relacionados a cada campo do conhecimento. Dessa forma, havia grande heterogeneidade entre as legislações de DPIs dos diferentes países, apesar de uma harmonização em relação às regras básicas estabelecida pela CUP (CORIAT & ORSI, 2006, p ). Em 1970, os temas relacionados à propriedade intelectual passaram a ser tratados pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), a qual se tornou organismo especializado das Nações Unidas em O papel da OMPI no sistema internacional de propriedade intelectual começou a dar sinais de enfraquecimento quando o tema dos DPIs passou a ser discutido no âmbito do comércio internacional, durante a chamada Rodada Uruguai do Acordo Geral Sobre Tarifas e Comércio (General Agreement on Tariffs and Trade GATT), que ocorreu entre 1986 e Esta Rodada culminou na criação da OMC e a assinatura de acordos multilaterais como o GATT 1994, o qual inclui, em seu Anexo 1C, o Acordo TRIPS (CHAVES et al., 2007, p ). O fato de o Acordo da OMC ter sido negociado como um pacote único facilitou a tarefa 12

22 de convencer os países em desenvolvimento a aceitarem regras mais rígidas de DPIs em troca de promessas de compensações em outras áreas comerciais, como a agrícola. É importante observar ainda que a inclusão no âmbito da OMC permite aos países-membros recorrer ao Órgão de Solução de Controvérsia (CORREA & MU- SUNGU, 2002, p. 15). A obrigação de reconhecimento de patentes para produtos e processos farmacêuticos estabelecida pelo TRIPS modificou a natureza jurídica que regula o acesso a medicamentos e assistência médica, pois garante o monopólio de produção e comercialização do fármaco patenteado por um período mínimo de vinte anos. Destaca-se que, quando as negociações comerciais da Rodada Uruguai se iniciaram em 1986, mais de 50 países não concediam patentes para fármacos (MSF, 2003, p. 5). A preocupação com a radical ruptura que a assinatura e a implementação do TRIPS representariam com a submissão de invenções claramente de interesse social a regimes rígidos de patentes é expressa no Artigo 8 do Acordo, que estabelece que: Os Membros ao formular ou emendar suas leis e regulamentos, podem adotar medidas necessárias para proteger a saúde e a nutrição públicas e para promover o interesse público em setores de vital importância para o seu desenvolvimento sócio-econômico e tecnológico, desde que estas medidas sejam compatíveis com o disposto neste Acordo. Estas medidas, conhecidas pelo termo flexibilidades antecipando que o novo sistema de DPIs a ser instituído produziria um impacto desproporcional nos países, em prejuízo das nações em desenvolvimento e menos desenvolvidas visam mitigar os efeitos perversos dos direitos de monopólio conferidos aos titulares de DPIs. Vale lembrar que, para fazerem uso das flexibilidades, os países devem incorporá-las a suas legislações nacionais. Algumas flexibilidades de interesse para a saúde pública previstas no TRIPS são: Períodos de Transição (artigos 65 e 66); Licenciamento Compulsório (artigo 31); Importação Paralela (artigo 6); Uso experimental e Exceção Bolar (artigo 30) (CHAVES et al., 2007, p ). É sabido que a implementação do Acordo TRIPS gerou um impacto negativo para as políticas de saúde pública, pois o monopólio patentário eleva o preço dos medicamentos a um patamar inacessível para a maioria da população, como enfatiza Velasquez (2003): Ora, estes preços impedem a maior parte das pessoas que têm necessidade deles de conseguir estes novos produtos. Se é preciso preservar a pesquisa e o desenvolvimento de novos medicamentos 3, é também essencial que eles possam salvar as vidas a partir do momento de sua descoberta e não 20 anos depois. Segundo a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF), a produção de medicamentos genéricos é a resposta mais eficaz e sustentável para lidar com os altos preços dos medicamentos sob patente, pois rompe com o monopólio e promove a competição no mercado entre diferentes produtores (MSF, 2009a). Nesse sentido, o uso do licenciamento compulsório 4 pelos países em desenvolvimento, flexibilidade assegurada pelo TRIPS, é de importância inestimável. 3 Sobre a relação entre patentes e inovação no setor farmacêutico, ver: ANGELL (2007) e HELLER & EISENBER (1998). 4 O licenciamento compulsório está previsto no Artigo 31 e é a flexibilidade mais polêmica do TRIPS. Trata-se de uma autorização concedida pelo Estado para produção, uso ou venda da invenção patenteada sem a permissão do detentor da patente. As condições estabelecidas pelo TRIPS para a emissão da licença compulsória são: falta de exploração da patente, interesse público, situações de emergência nacional e extrema urgência, para remediar práticas anticompetitivas e de concorrência desleal, e na existência de patentes dependentes. Mesmo com o licenciamento compulsório, o pagamento de royalties para o detentor da patente é garantido pelo TRIPS (alínea h do Artigo 31) (CHAVES et al., 2007, p.261). 13

23 Em junho de 2009, o Relator Especial de Direitos Humanos da ONU, Anand Grover, em pronunciamento acerca de seu relatório sobre acesso a medicamentos e leis de propriedade intelectual, expressou sua preocupação com o fim do período para a adequação ao TRIPS pelos países em desenvolvimento, em especial os produtores de genéricos. Segundo Grover, a produção de medicamentos genéricos já teria ajudado a reduzir em mais de 99% o preço de medicamentos antiretrovirais de primeira geração, promovendo a competitividade no setor farmacêutico e contribuindo efetivamente para o acesso a medicamentos. Nas palavras de Grover (CONSELHO DE DIREITOS HUMANOS DAS NA- ÇÕES UNIDAS, 2009): A competição dos genéricos no campo de fármacos tem o potencial de diminuir significativamente os preços e aumentar o acesso. [...] Na realidade, a disponibilidade de medicamentos genéricos oriundos de países como Brasil, Índia, África do Sul e Tailândia tem exercido uma pressão para queda nos preços e aumentado a variedade de opções de baixo custo para programas nacionais de tratamento. Grover recomenda em seu relatório que os países em desenvolvimento e menos desenvolvidos incorporem em suas legislações as flexibilidades do TRIPS para que possam utilizar plenamente os mecanismos de proteção de saúde pública previstos no Acordo. Entretanto, a inclusão nas legislações nacionais e a utilização das flexibilidades do TRIPS pelos países em desenvolvimento e menos desenvolvidos têm sido bastante limitadas devido a pressões exercidas diretamente pela indústria farmacêutica 5 bem como por governos 6 que agem 5 Cita-se o caso da transnacional Abbott, que em 2007 ameaçou retirar os pedidos de registro sanitário de sete medicamentos na Tailândia como retaliação da concessão de licença compulsória do antirretroviral Kaletra no país. Ver: ZAMISKA (2007). 6 A partir de informações fornecidas pelo setor privado seguindo os interesses dessa indústria. Além disso, muitos países desenvolvidos têm pressionado países em desenvolvimento para a adoção de regras de DPIs mais rigorosas conhecidas como dispositivos TRIPS-plus sobretudo por meio de Tratados de Livre Comércio (TLCs). Para contornar o problema, várias resoluções vêm sendo aprovadas em âmbito internacional que reafirmam a importância da implementação das flexibilidades do TRIPS de interesse para saúde, de modo a minimizar os efeitos negativos decorrentes do sistema de patentes. No âmbito da OMC, a principal delas é a Declaração Ministerial Sobre o Acordo TRIPS e a Saúde Pública, amplamente conhecida como Declaração de Doha, adotada na IV Conferência Ministerial da OMC de novembro de 2001, em Doha, Qatar, após três dias de discussão sobre a questão específica dos DPIs e o acesso a medicamentos. A Declaração de Doha reconhece formalmente a ameaça que o TRIPS representa para a Saúde Pública e enfatiza a possibilidade de os países-membros de se utilizarem dos dispositivos previstos no Acordo para protegerem a saúde pública (CHAVES et al., 2007, p. 262). Os seguintes termos estão presentes na Declaração: 1. Nós reconhecemos a gravidade dos problemas de saúde pública que afligem muitos países em desenvolvimento e países menos desenvolvidos, especialmente aqueles que resultam do HIV/AIDS, da tuberculose, da malária e de outras epidemias. 4. Nós concordamos que o Acordo TRIPS não deve e não pode prevenir os países membros de adotar medidas para proteger a saúde pública. Consequentemente, enquanto reiteramos nosso compromisso com o Acordo TRIPS, nós norte-americano (indústria farmacêutica, de software, cinematográfica, editorial, fonográfica, entre outras), o Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) publica todos os anos um relatório contendo listas de países (Special 301) que, na visão dos EUA, não oferecem adequada e efetiva proteção à propriedade intelectual, mesmo que as legislações desses países estejam de acordo com as prerrogativas do TRIPS. 14

AS NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS E A AGRICULTURA FAMILIAR. Lic. Andrés Bancalari

AS NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS E A AGRICULTURA FAMILIAR. Lic. Andrés Bancalari AS NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS E A AGRICULTURA FAMILIAR Lic. Andrés Bancalari AGENDA PRIMEIRA PARTE: ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO SEGUNDA PARTE: OS ACORDOS DE LIVRE COMÉRCIO(ALCouTLC)EOMERCOSUL TERCEIRA

Leia mais

COMÉRCIO INTERNACIONAL

COMÉRCIO INTERNACIONAL COMÉRCIO INTERNACIONAL ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO (OMC): textos legais, estrutura, funcionamento. 2.1. O Acordo Geral Sobre Tarifas e Comércio (GATT-1994); princípios básicos e objetivos. 2.2. O Acordo

Leia mais

COMÉRCIO INTERNACIONAL

COMÉRCIO INTERNACIONAL COMÉRCIO INTERNACIONAL PRÁTICAS DESLEAIS DE COMÉRCIO: Defesa comercial. Medidas Antidumping, medidas compensatórias e salvaguardas comerciais Ponto 6 do programa AFRFB Prof.Nelson Guerra CONCEITOS No Brasil,

Leia mais

ACESSO A MEDICAMENTOS: DIREITO OU UTOPIA?

ACESSO A MEDICAMENTOS: DIREITO OU UTOPIA? DOI: http://dx.doi.org/10.11606/issn.2316-9044.v16i2p253-257 Resenha Resenha por: Marco Aurélio Antas Torronteguy 1 ACESSO A MEDICAMENTOS: DIREITO OU UTOPIA? Jorge Bermudez, E-papers, 2014 1 Universidade

Leia mais

Patentes pipeline: implicações para a saúde pública e a ADI 4234

Patentes pipeline: implicações para a saúde pública e a ADI 4234 SAÚDE, PROPRIEDADE INTELECTUAL E MÍDIA Patentes pipeline: implicações para a saúde pública e a ADI 4234 Marcela Vieira Conectas Direitos Humanos GTPI/REBRIP Patentes pipeline 1996 Brasil mudou sua legislação

Leia mais

OMC e CEE 27/05/2019 1

OMC e CEE 27/05/2019 1 OMC e CEE 27/05/2019 1 O Multilateralismo Além dos acordos bilaterais e da constituição de blocos regionais, a liberalização do comércio é alcançada por tratados internacionais envolvendo a participação

Leia mais

IBES. Disciplina: Geopolítica Professora: Fernanda Tapioca Ministrada dia INTEGRAÇÃO ECONOMICA

IBES. Disciplina: Geopolítica Professora: Fernanda Tapioca Ministrada dia INTEGRAÇÃO ECONOMICA IBES Disciplina: Geopolítica Professora: Fernanda Tapioca Ministrada dia 08.04.14 INTEGRAÇÃO ECONOMICA Sumário: 1. Conceito/ Significado 2. Espécies: nacional, internacional e mundial 3. Integração econômica

Leia mais

XXXVI Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul Cúpula Extraordinária da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) 16 Dezembro 2008 Itamaraty

XXXVI Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul Cúpula Extraordinária da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) 16 Dezembro 2008 Itamaraty XXXVI Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul Cúpula Extraordinária da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) 16 Dezembro 2008 Itamaraty Cúpula Extraordinária da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL)-Costa

Leia mais

CONVENÇÃO SOBRE A PARTICIPAÇÃO DE ESTRANGEIROS NA VIDA PÚBLICA A NÍVEL LOCAL

CONVENÇÃO SOBRE A PARTICIPAÇÃO DE ESTRANGEIROS NA VIDA PÚBLICA A NÍVEL LOCAL CONVENÇÃO SOBRE A PARTICIPAÇÃO DE ESTRANGEIROS NA VIDA PÚBLICA A NÍVEL LOCAL Aberta à assinatura em Estrasburgo, a 5 de fevereiro de 1992 (Série de Tratados Europeus, n.º 144). Entrada em vigor na ordem

Leia mais

DIREITOS HUMANOS. Estatuto de Roma e o Tribunal Penal Internacional Parte 1. Profª. Liz Rodrigues

DIREITOS HUMANOS. Estatuto de Roma e o Tribunal Penal Internacional Parte 1. Profª. Liz Rodrigues DIREITOS HUMANOS Estatuto de Roma e o Tribunal Penal Internacional Parte 1. Profª. Liz Rodrigues - A Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio (1948) já previa a criação de um tribunal

Leia mais

A GLOBALIZAÇÃO. Esse processo se torna mais forte a partir de 1989 com o fim do socialismo na URSS.

A GLOBALIZAÇÃO. Esse processo se torna mais forte a partir de 1989 com o fim do socialismo na URSS. A A A globalização é um fenômeno pelo qual ocorre uma influência estrangeira nos hábitos de consumo, na vida social, econômica, serviços e informações. Esse processo se torna mais forte a partir de 1989

Leia mais

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS Há uma divergência doutrinária sobre a natureza jurídica da DUDH: 1) Parte da doutrina entende que, por não ser tratado/convenção/acordo/ pacto, ela não gera obrigação.

Leia mais

BARREIRAS COMERCIAIS

BARREIRAS COMERCIAIS International Business Centers Brazilian Network BARREIRAS COMERCIAIS Abertura Esta cartilha faz parte de um conjunto de materiais de apoio ao empreendedor brasileiro desenvolvido pela Confederação Nacional

Leia mais

Nesse sentido, o caso do Timor Leste seria considerado um caso de intervenção humanitária de acordo com os dois elementos citados acima (agente

Nesse sentido, o caso do Timor Leste seria considerado um caso de intervenção humanitária de acordo com os dois elementos citados acima (agente 5 Conclusão O conceito de intervenção humanitária tem estado presente na agenda internacional no período pós-guerra Fria. Contudo, o que constitui tal prática permanece uma questão em aberto, tendo em

Leia mais

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO - OMC

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO - OMC ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO - OMC Bretton Woods 1944: Ainda antes do final da Segunda Guerra Mundial, chefes de governo resolveram se reunir buscando negociar a redução tarifária de produtos e serviços.

Leia mais

C 244/4 PT Jornal Oficial da União Europeia

C 244/4 PT Jornal Oficial da União Europeia C 244/4 PT Jornal Oficial da União Europeia 5.7.2016 Comunicação da Comissão relativa ao controlo, pelas autoridades aduaneiras, do respeito dos direitos de propriedade intelectual em relação às mercadorias

Leia mais

QUESTIONÁRIO RELATÓRIO TEMÁTICO EMPRESAS E DIREITOS HUMANOS PARÂMETROS INTERAMERICANOS

QUESTIONÁRIO RELATÓRIO TEMÁTICO EMPRESAS E DIREITOS HUMANOS PARÂMETROS INTERAMERICANOS 1. APRESENTAÇÃO E OBJETIVO QUESTIONÁRIO RELATÓRIO TEMÁTICO EMPRESAS E DIREITOS HUMANOS PARÂMETROS INTERAMERICANOS A Relatoria Especial sobre Direitos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (REDESCA)

Leia mais

CARTA DE BRASÍLIA DO ENFRENTAMENTO À EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES PARA FINS COMERCIAIS.

CARTA DE BRASÍLIA DO ENFRENTAMENTO À EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES PARA FINS COMERCIAIS. CARTA DE BRASÍLIA DO ENFRENTAMENTO À EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES PARA FINS COMERCIAIS. A. PREÂMBULO I CONSIDERANDO que o Brasil é signatário da Declaração dos Direitos da Criança, adotada

Leia mais

OAB 1ª Fase Direitos Humanos Emilly Albuquerque

OAB 1ª Fase Direitos Humanos Emilly Albuquerque OAB 1ª Fase Direitos Humanos Emilly Albuquerque 2012 Copyright. Curso Agora eu Passo - Todos os direitos reservados ao autor. CONVENÇÃO PARA A PREVENÇÃO E A REPRESSÃO DO CRIME DE GENOCÍDIO (1948) 1) Objetivo:

Leia mais

Conferência Internacional do Trabalho

Conferência Internacional do Trabalho Conferência Internacional do Trabalho PROTOCOLO À CONVENÇÃO 29 PROTOCOLO À CONVENÇÃO SOBRE TRABALHO FORÇADO, 1930, ADOTADA PELA CONFERÊNCIA EM SUA CENTÉSIMA TERCEIRA SESSÃO, GENEBRA, 11 DE JUNHO DE 2014

Leia mais

IDH e Globalização. Uma longa viagem começa com um único passo (Lao Tsé).

IDH e Globalização. Uma longa viagem começa com um único passo (Lao Tsé). IDH e Globalização. Uma longa viagem começa com um único passo (Lao Tsé). O termo está vinculado à situação econômica e social das nações ricas ; Para atingir este estado, um país precisa de: 1. Controle

Leia mais

Direitos de propriedade intelectual nos acordos de comércio

Direitos de propriedade intelectual nos acordos de comércio Direitos de propriedade intelectual nos acordos de comércio Fabrizio Panzini Gerente de Negociações Internacionais Gerência Executiva de Assuntos Internacionais Agenda Internacional da Indústria: guia

Leia mais

11) A população do Quilombo da Cachoeira e da Pedreira é surpreendida com o lançamento do Centro de Lançamento de Foguetes da Cachoeira e da Pedreira

11) A população do Quilombo da Cachoeira e da Pedreira é surpreendida com o lançamento do Centro de Lançamento de Foguetes da Cachoeira e da Pedreira 11) A população do Quilombo da Cachoeira e da Pedreira é surpreendida com o lançamento do Centro de Lançamento de Foguetes da Cachoeira e da Pedreira e pelo consequente processo de desapropriação do local

Leia mais

SUMÁRIO DIREITO CONSTITUCIONAL

SUMÁRIO DIREITO CONSTITUCIONAL SUMÁRIO DIREITO CONSTITUCIONAL LEI Nº 6.001, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1973 Dispõe sobre o Estatuto do Índio... 21 LEI Nº 12.527, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2011 Regula o acesso a informações previsto no inciso XXXIII

Leia mais

CÓDIGO DE CONDUTA PARA OS FUNCIONÁRIOS RESPONSÁVEIS PELA APLICAÇÃO DA LEI. Artigo 1.º

CÓDIGO DE CONDUTA PARA OS FUNCIONÁRIOS RESPONSÁVEIS PELA APLICAÇÃO DA LEI. Artigo 1.º CÓDIGO DE CONDUTA PARA OS FUNCIONÁRIOS RESPONSÁVEIS PELA APLICAÇÃO DA LEI Adotado pela Assembleia Geral das Nações Unidas na sua resolução 34/169, de 17 de dezembro de 1979 CÓDIGO DE CONDUTA PARA OS FUNCIONÁRIOS

Leia mais

ACESSO AO CONHECIMENTO. e os Testes dos Três Passos dos Direitos de Autor, de Marca, de Patente e de Desenho Industrial

ACESSO AO CONHECIMENTO. e os Testes dos Três Passos dos Direitos de Autor, de Marca, de Patente e de Desenho Industrial Edson Beas Rodrigues Jr. ACESSO AO CONHECIMENTO e os Testes dos Três Passos dos Direitos de Autor, de Marca, de Patente e de Desenho Industrial São Paulo 2013 Sumário Agradecimentos... 7 Lista de Figuras

Leia mais

» Cacildo Baptista Palhares Júnior Advogado em Araçatuba (SP) Questões comentadas de Direitos Humanos da prova objetiva do concurso de 2009 para Defensor do Pará 81. A Declaração Universal de Direitos

Leia mais

COMITÊ INTERAMERICANO CONTRA O TERRORISMO (CICTE)

COMITÊ INTERAMERICANO CONTRA O TERRORISMO (CICTE) COMITÊ INTERAMERICANO CONTRA O TERRORISMO (CICTE) DÉCIMO PRIMEIRO PERÍODO ORDINÁRIO DE SESSÕES OEA/Ser.L/X.2.11 17 de março de 2011 CICTE/DEC.1/11 Washington, D.C. 21 março 2011 Original: inglês DECLARAÇÃO

Leia mais

Direito Internacional Público

Direito Internacional Público Direito Internacional Público 2012 Plano de Aula A Organização das Nações Unidas A Organização das Nações Unidas, assim como sua antecessora- Sociedade das Nações (1919-1939), tem como objetivo principal

Leia mais

CONVENÇÃO PARA A PREVENÇÃO E REPRESSÃO DO CRIME DE GENOCÍDIO, DE 9 DE DEZEMBRO DE 1948

CONVENÇÃO PARA A PREVENÇÃO E REPRESSÃO DO CRIME DE GENOCÍDIO, DE 9 DE DEZEMBRO DE 1948 Resolução da Assembleia da República n.º 37/98 Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio, adoptada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 9 de Dezembro de 1948 Aprova, para Ratificação,

Leia mais

POLÍTICA DE LIVRE CONCORRÊNCIA

POLÍTICA DE LIVRE CONCORRÊNCIA POLÍTICA DE LIVRE CONCORRÊNCIA Proprietário Gerência Jurídica e Compliance Número do Documento 010766 Aplicável à Todas as atividades CEPTIS Válido a partir de 28 Fevereiro 2018 Sumário Sumário... 1 Referência...

Leia mais

Oferecimento Fábrica de Camisas Grande Negão

Oferecimento Fábrica de Camisas Grande Negão Oferecimento Fábrica de Camisas Grande Negão ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS PROFº CLAUDIO F GALDINO GEOGRAFIA Organização Internacional J São instituições criadas por países (estados soberanos), regidas por

Leia mais

Direito Internacional Público. D. Freire e Almeida

Direito Internacional Público. D. Freire e Almeida Direito Internacional Público 2011 D. Freire e Almeida A Organização das Nações Unidas A Organização das Nações Unidas, assim como sua antecessora- Sociedade das Nações (1919-1939), tem como objetivo

Leia mais

DIREITOS HUMANOS Professor Luis Alberto

DIREITOS HUMANOS Professor Luis Alberto DIREITOS HUMANOS Professor Luis Alberto Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos 1966 1976 1992 Criado em 16/12/1966 Entrou em vigor em 26/03/1976, após obter 35 ratificações. Ratificado pelo

Leia mais

Sumário. Capítulo I INTRODUÇÃO AO DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO... 17

Sumário. Capítulo I INTRODUÇÃO AO DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO... 17 Sumário Capítulo I INTRODUÇÃO AO DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO... 17 1. Conceito de Direito Internacional Público.... 17 2. Objeto do Direito Internacional Público.... 17 3. Características do Direito

Leia mais

B. IMPLANTAÇÃO DA ESTRATÉGIA MUNDIAL E DO PLANO DE AÇÃO SOBRE SAÚDE PÚBLICA, INOVAÇÃO E PROPRIEDADE INTELECTUAL

B. IMPLANTAÇÃO DA ESTRATÉGIA MUNDIAL E DO PLANO DE AÇÃO SOBRE SAÚDE PÚBLICA, INOVAÇÃO E PROPRIEDADE INTELECTUAL Página 6 B. IMPLANTAÇÃO DA ESTRATÉGIA MUNDIAL E DO PLANO DE AÇÃO SOBRE SAÚDE PÚBLICA, INOVAÇÃO E PROPRIEDADE INTELECTUAL 17. Neste relatório de progresso se destina a oferecer uma visão integral da maneira

Leia mais

DIREITOS HUMANOS. Sistema Global de Proteção dos Direitos Humanos: Instrumentos Normativos. Convenção sobre os Direitos da Criança

DIREITOS HUMANOS. Sistema Global de Proteção dos Direitos Humanos: Instrumentos Normativos. Convenção sobre os Direitos da Criança DIREITOS HUMANOS Sistema Global de Proteção dos Direitos Humanos: Instrumentos Normativos Convenção sobre os Direitos da Criança Profª. Liz Rodrigues - Aberta às ratificações em 1989 e ratificada pelo

Leia mais

RESOLUÇÃO DA ABPI Nº 87 PROJETO DE LEI N 139/99 E SEUS APENSOS, QUE ALTERAM O SISTEMA DE PATENTE E AS LICENÇAS COMPULSÓRIAS

RESOLUÇÃO DA ABPI Nº 87 PROJETO DE LEI N 139/99 E SEUS APENSOS, QUE ALTERAM O SISTEMA DE PATENTE E AS LICENÇAS COMPULSÓRIAS Em 29 de outubro de 2015, o Comitê Executivo e Conselho Diretor da ABPI, com a colaboração da Comissão de Estudos de Patentes, aprovaram a presente Resolução. RESOLUÇÃO DA ABPI Nº 87 PROJETO DE LEI N 139/99

Leia mais

PROPOSTA DE RESOLUÇÃO

PROPOSTA DE RESOLUÇÃO PARLAMENTO EUROPEU 2009-2014 Documento de sessão 24.9.2009 B7-0000/2009 PROPOSTA DE RESOLUÇÃO apresentada na sequência das perguntas com pedido de resposta oral B7-0000/2009 e B7-0000/2009 nos termos do

Leia mais

DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Mercosul 1ª parte Prof.ª Raquel Perrota 1. Noções preliminares - Surgido no contexto de redemocratização e reaproximação dos países da América Latina ao final da década de

Leia mais

PROTEÇÃO INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS

PROTEÇÃO INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS PROTEÇÃO INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS Aula 02 REALMENTE VALE TUDO EM NOME DO PODER? 1 CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES A construção dos direitos humanos está associada em sua origem ao reconhecimento da

Leia mais

10729/4/16 REV 4 ADD 1 jc/mpm/jc 1 DRI

10729/4/16 REV 4 ADD 1 jc/mpm/jc 1 DRI Conselho da União Europeia Bruxelas, 7 de março de 2017 (OR. en) Dossiê interinstitucional: 2012/0267 (COD) 10729/4/16 REV 4 ADD 1 NOTA JUSTIFICATIVA DO CONSELHO Assunto: PHARM 44 SAN 285 MI 479 COMPET

Leia mais

COMISSÃO EUROPEIA DIREÇÃO-GERAL DAS REDES DE COMUNICAÇÃO, CONTEÚDOS E TECNOLOGIAS. Bruxelas, 28 de março de 2018 Rev1 AVISO ÀS PARTES INTERESSADAS

COMISSÃO EUROPEIA DIREÇÃO-GERAL DAS REDES DE COMUNICAÇÃO, CONTEÚDOS E TECNOLOGIAS. Bruxelas, 28 de março de 2018 Rev1 AVISO ÀS PARTES INTERESSADAS COMISSÃO EUROPEIA DIREÇÃO-GERAL DAS REDES DE COMUNICAÇÃO, CONTEÚDOS E TECNOLOGIAS Bruxelas, 28 de março de 2018 Rev1 AVISO ÀS PARTES INTERESSADAS SAÍDA DO REINO UNIDO E NORMAS DA UE NO DOMÍNIO DOS DIREITOS

Leia mais

DECLARAÇÃO SOBRE O DIREITO AO DESENVOLVIMENTO

DECLARAÇÃO SOBRE O DIREITO AO DESENVOLVIMENTO DECLARAÇÃO SOBRE O DIREITO AO DESENVOLVIMENTO Adotada pela resolução 41/128 da Assembleia Geral das Nações Unidas, de 4 de dezembro de 1986. DECLARAÇÃO SOBRE O DIREITO AO DESENVOLVIMENTO A Assembleia Geral,

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br BuscaLegis.ccj.ufsc.Br Características e comentários sobre a Lei 8.884/94 Adriana Giacomazzi* Lei 8.884/1994 Importância e Necessidade da Legislação Antitruste no Brasil Será que os países em desenvolvimento

Leia mais

CONVENÇÃO PARA A PREVENÇÃO E REPRESSÃO DO CRIME DE GENOCÍDIO, DE 9 DE DEZEMBRO DE 1948

CONVENÇÃO PARA A PREVENÇÃO E REPRESSÃO DO CRIME DE GENOCÍDIO, DE 9 DE DEZEMBRO DE 1948 CONVENÇÃO PARA A PREVENÇÃO E REPRESSÃO DO CRIME DE GENOCÍDIO, DE 9 DE As Partes Contratantes: DEZEMBRO DE 1948 Considerando que a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, na sua Resolução n.º

Leia mais

COMPROMISSOS DE ACELERAÇÃO DA RESPOSTA PARA ACABAR COM A EPIDEMIA DE AIDS ATÉ 2030

COMPROMISSOS DE ACELERAÇÃO DA RESPOSTA PARA ACABAR COM A EPIDEMIA DE AIDS ATÉ 2030 COMPROMISSOS DE ACELERAÇÃO DA RESPOSTA PARA ACABAR COM A EPIDEMIA DE AIDS ATÉ 2030 COMPROMISSOS DE ACELERAÇÃO DA RESPOSTA PARA ACABAR COM A EPIDEMIA DE AIDS ATÉ 2030 1 2 3 4 5 Garantir que 30 milhões de

Leia mais

Direito à Cidade e Justiça Ambiental

Direito à Cidade e Justiça Ambiental Direito à Cidade e Justiça Ambiental Marcio Pontual Analista de Políticas - Objetivos de Desenvolvimento do Milênio Londrina 10 de junho de 2015 Centro RIO+ www.riopluscentre.org Legado da Rio +20 Criado

Leia mais

O Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Cooperativista da Guiana (doravante denominados Partes ),

O Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Cooperativista da Guiana (doravante denominados Partes ), ACORDO DE ALCANCE PARCIAL DE COMPLEMENTAÇÃO ECONÔMICA N 38, SUBCRITO AO AMPARO DO ARTIGO 25 DO TRATADO DE MONTEVIDÉU 1980, ENTRE A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E A REPÚBLICA COOPERATIVISTA DA GUIANA

Leia mais

Centro de Direitos Humanos Faculdade de Direito Universidade de Coimbra. Direito à Educação. Federal Ministry for Foreign Affairs of Austria

Centro de Direitos Humanos Faculdade de Direito Universidade de Coimbra. Direito à Educação. Federal Ministry for Foreign Affairs of Austria 2013 Federal Ministry for Foreign Affairs of Austria 2013 A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos humanos e das liberdades fundamentais [...] Artigo 26º,

Leia mais

CONTATO DO DE LUCA Facebook: profguilhermedeluca Whatsapp: (18)

CONTATO DO DE LUCA   Facebook: profguilhermedeluca Whatsapp: (18) CONTATO DO DE LUCA E-mail: guilhermeddeluca@gmail.com Facebook: profguilhermedeluca Instagram: @profguilherme Whatsapp: (18) 9 9783 5953 DIREITO INTERNACIONAL DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO EXISTE OU NÃO?

Leia mais

ESTATUTO DO COMITÊ INTERAMERICANO CONTRA O TERRORISMO (CICTE) Capítulo I NATUREZA, PRINCÍPIOS E PROPÓSITOS

ESTATUTO DO COMITÊ INTERAMERICANO CONTRA O TERRORISMO (CICTE) Capítulo I NATUREZA, PRINCÍPIOS E PROPÓSITOS ESTATUTO DO COMITÊ INTERAMERICANO CONTRA O TERRORISMO (CICTE) Capítulo I NATUREZA, PRINCÍPIOS E PROPÓSITOS Artigo 1 O Comitê Interamericano contra o Terrorismo (doravante CICTE ou o Comitê ), é uma entidade

Leia mais

Proposta de DECISÃO DO CONSELHO

Proposta de DECISÃO DO CONSELHO COMISSÃO EUROPEIA Bruxelas, 27.5.2013 COM(2013) 309 final 2013/0161 (NLE) Proposta de DECISÃO DO CONSELHO que estabelece a posição da União Europeia no Conselho TRIPS da Organização Mundial do Comércio

Leia mais

SUMÁRIO EXECUTIVO. 2. Órgão internacional: Comissão Interamericana de Direitos Humanos

SUMÁRIO EXECUTIVO. 2. Órgão internacional: Comissão Interamericana de Direitos Humanos Fortaleza, Brasil, 03 de março de 2015. SUMÁRIO EXECUTIVO Petição internacional contra o Estado Brasileiro: Denúncia de violações de direitos de adolescentes privados de liberdade no estado do Ceará 1.

Leia mais

Recomendação de políticas Acesso governamental aos dados

Recomendação de políticas Acesso governamental aos dados Recomendação de políticas A oportunidade As tecnologias de nuvem oferecem um enorme potencial, não apenas para estimular a inovação e a eficiência, mas também para servir como um local seguro para armazenar

Leia mais

DIREITOS HUMANOS. Sistema Global de Proteção dos Direitos Humanos: Instrumentos Normativos

DIREITOS HUMANOS. Sistema Global de Proteção dos Direitos Humanos: Instrumentos Normativos DIREITOS HUMANOS Sistema Global de Proteção dos Direitos Humanos: Instrumentos Normativos Profª. Liz Rodrigues - Criada em 2006 e ratificada pelo Brasil em 2007, nos termos da Convenção entende-se por

Leia mais

10728/4/16 REV 4 ADD 1 jc/mpm/jc 1 DRI

10728/4/16 REV 4 ADD 1 jc/mpm/jc 1 DRI Conselho da União Europeia Bruxelas, 7 de março de 2017 (OR. en) Dossiê interinstitucional: 2012/0266 (COD) 10728/4/16 REV 4 ADD 1 NOTA JUSTIFICATIVA DO CONSELHO Assunto: PHARM 43 SAN 284 MI 478 COMPET

Leia mais

Definição Compreende-se por o processo de integração e interdependência entre países em seus aspectos comerciais, financeiros, culturais e sociais. A

Definição Compreende-se por o processo de integração e interdependência entre países em seus aspectos comerciais, financeiros, culturais e sociais. A Definição Compreende-se por o processo de integração e interdependência entre países em seus aspectos comerciais, financeiros, culturais e sociais. A globalização surgiu por necessidade primária do e na

Leia mais

POLÍTICA PARA A PREVENÇÃO DE DELITOS 19 de julho de 2018.

POLÍTICA PARA A PREVENÇÃO DE DELITOS 19 de julho de 2018. 1 POLÍTICA PARA A PREVENÇÃO DE DELITOS 19 de julho de 2018. O Conselho de Administração da NEOENERGIA S.A. ("NEOENERGIA" ou Companhia ) tem a responsabilidade de formular a estratégia e aprovar as Políticas

Leia mais

55 o CONSELHO DIRETOR

55 o CONSELHO DIRETOR 55 o CONSELHO DIRETOR 68 a SESSÃO DO COMITÊ REGIONAL DA OMS PARA AS AMÉRICAS Washington, D.C., EUA, 26 a 30 de setembro de 2016 CD55.R12 Original: inglês RESOLUCÃO CD55.R12 ACESSO E USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS

Leia mais

DIREITOS HUMANOS. Sistema Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos: Instrumentos Normativos. Convenção Americana sobre Direitos Humanos Parte 1

DIREITOS HUMANOS. Sistema Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos: Instrumentos Normativos. Convenção Americana sobre Direitos Humanos Parte 1 DIREITOS HUMANOS Sistema Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos: Instrumentos Normativos Convenção Americana sobre Direitos Humanos Parte 1 Profª. Liz Rodrigues - Convenção Americana sobre Direitos

Leia mais

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 554, DE

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 554, DE SENADO FEDERAL PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 554, DE 2011 Altera o 1 o do art. 306 do Decreto-Lei n o 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), para determinar o prazo de vinte e quatro

Leia mais

DECLARAÇÃO. Tendo em conta o supracitado e, Reconhecendo:

DECLARAÇÃO. Tendo em conta o supracitado e, Reconhecendo: DECLARAÇÃO 4ª Reunião da Rede Parlamento Aberto Além das paredes do parlamento: fortalecendo o controle político Quito, Equador 12 a 14 de Março de 2019 Parlamentares representando 26 países das Américas

Leia mais

PARLAMENTO EUROPEU Documento de sessão ADENDA. ao relatório

PARLAMENTO EUROPEU Documento de sessão ADENDA. ao relatório PARLAMENTO EUROPEU 2014-2019 Documento de sessão 12.12.2014 A8-0056/2014/err01 ADENDA ao relatório sobre a proposta de regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho relativo ao tratamento pautal para

Leia mais

Contrafacção: Uma forma de crime farmacêutico

Contrafacção: Uma forma de crime farmacêutico Contrafacção: Uma forma de crime farmacêutico Ana Miranda Departamento de Inspecção e Licenciamentos 17 de Outubro de 2006 Sumário Definição da OMS de Medicamento Contrafeito Formas de Contrafacção e Detecção

Leia mais

Mecanismo de monitorização. Convenção do Conselho da Europa relativa à Luta contra o Tráfico de Seres Humanos

Mecanismo de monitorização. Convenção do Conselho da Europa relativa à Luta contra o Tráfico de Seres Humanos Mecanismo de monitorização Convenção do Conselho da Europa relativa à Luta contra o Tráfico de Seres Humanos Quais são os objetivos da convenção? A Convenção do Conselho da Europa relativa à Luta contra

Leia mais

Ministério da Integração Nacional

Ministério da Integração Nacional Protocolo Conjunto para Proteção Integral a Crianças e Adolescentes, Pessoas Idosas e Pessoas com Deficiência em Situação de Riscos e Desastres Portaria Interministerial Nº 02 de 06 de Dezembro de 2012

Leia mais

PROJETO DE LEI N.º 366/XII/2.ª GARANTE O DIREITO DE ACESSO AOS BENS DE PRIMEIRA NECESSIDADE ÁGUA E ENERGIA

PROJETO DE LEI N.º 366/XII/2.ª GARANTE O DIREITO DE ACESSO AOS BENS DE PRIMEIRA NECESSIDADE ÁGUA E ENERGIA Grupo Parlamentar PROJETO DE LEI N.º 366/XII/2.ª GARANTE O DIREITO DE ACESSO AOS BENS DE PRIMEIRA NECESSIDADE ÁGUA E ENERGIA (SEXTA ALTERAÇÃO À LEI N.º 23/96, DE 26 DE JULHO - LEI DOS SERVIÇOS PÚBLICOS

Leia mais

25 a CONFERÊNCIA SANITÁRIA PAN-AMERICANA 50 a SESSÃO DO COMITÊ REGIONAL

25 a CONFERÊNCIA SANITÁRIA PAN-AMERICANA 50 a SESSÃO DO COMITÊ REGIONAL ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE 25 a CONFERÊNCIA SANITÁRIA PAN-AMERICANA 50 a SESSÃO DO COMITÊ REGIONAL Washington, D.C., 21 A 25 de setembro de 1998 Tema 4.11 da Agenda

Leia mais

ANEXO VII OBSTÁCULOS TÉCNICOS AO COMÉRCIO

ANEXO VII OBSTÁCULOS TÉCNICOS AO COMÉRCIO ANEXO VII OBSTÁCULOS TÉCNICOS AO COMÉRCIO 1451 1452 ANEXO VII OBSTÁCULOS TÉCNICOS AO COMÉRCIO Disposições Gerais Artigo 1.- As disposições do presente Anexo têm como objetivo evitar que as normas técnicas,

Leia mais

PROPOSTA DE RESOLUÇÃO

PROPOSTA DE RESOLUÇÃO PARLAMENTO EUROPEU 2009-2014 Documento de sessão 5.9.2013 B7-0000/2013 PROPOSTA DE RESOLUÇÃO apresentada na sequência da pergunta com pedido de resposta oral B7-0000/2013 nos termos do artigo 115.º, n.º

Leia mais

Desafios para a realização do Direito à Alimentação no Hemisfério

Desafios para a realização do Direito à Alimentação no Hemisfério Desafios para a realização do Direito à Alimentação no Hemisfério San José de Costa Rica, 22 Agosto 2013 Ricardo Rapallo Oficial de Segurança Alimentar do Escritório Regional para a América Latina e o

Leia mais

Saúde Coletiva - Pactos Pela Vida, em Defesa do SUS e de Gestão.

Saúde Coletiva - Pactos Pela Vida, em Defesa do SUS e de Gestão. Saúde Coletiva - Pactos Pela Vida, em Defesa do SUS e de Gestão. PROFESSOR EDUARDO ARRUDA A OMS: Estatística com mais de 100 indicadores nos 193 estados-membros; O relatório (2011): doenças crônicas (diabetes,

Leia mais

Cobertura Universal de Saúde

Cobertura Universal de Saúde Cobertura Universal de Saúde Uma Estratégia Eficaz no Combate ao VIH e SIDA Apresentado por: Dr.ª Hellen Magutu Amakobe, Ponto Focal para o VIH e SIDA, OIT Quénia Síntese Definição Visão geral Elementos

Leia mais

GUIA PARA A CONDUTA E O COMPORTAMENTO DA POLÍCIA SERVIR E PROTEGER FOLHETO

GUIA PARA A CONDUTA E O COMPORTAMENTO DA POLÍCIA SERVIR E PROTEGER FOLHETO GUIA PARA A CONDUTA E O COMPORTAMENTO DA POLÍCIA SERVIR E PROTEGER FOLHETO Comitê Internacional da Cruz Vermelha 19, avenue de la Paix 1202 Genebra, Suíça T +41 22 734 60 01 F +41 22 733 20 57 Email: shop@icrc.org

Leia mais

O que são Direitos Humanos? DIREITOS HUMANOS Profa. Rosana Carneiro Tavares. Principal instrumento legal

O que são Direitos Humanos? DIREITOS HUMANOS Profa. Rosana Carneiro Tavares. Principal instrumento legal O que são Direitos Humanos? Direitos essenciais a todos os seres humanos, sem discriminação por raça, cor, gênero, idioma, nacionalidade, religião e opinião política. DIREITOS HUMANOS Profa. Rosana Carneiro

Leia mais

PRINCÍPIOS BÁSICOS RELATIVOS À INDEPENDÊNCIA DA MAGISTRATURA. Princípios Básicos Relativos à Independência da Magistratura

PRINCÍPIOS BÁSICOS RELATIVOS À INDEPENDÊNCIA DA MAGISTRATURA. Princípios Básicos Relativos à Independência da Magistratura PRINCÍPIOS BÁSICOS RELATIVOS À INDEPENDÊNCIA DA MAGISTRATURA Adotados pelo Sétimo Congresso das Nações Unidas para a Prevenção do Crime e o Tratamento dos Delinquentes, realizado em Milão de 26 de agosto

Leia mais

STJ JOÃO ALBERTO ALVES AMORIM. , Direito das. uas. o Regime Jurídico da Água Doce no Direito Internacional e no Direito Brasileiro

STJ JOÃO ALBERTO ALVES AMORIM. , Direito das. uas. o Regime Jurídico da Água Doce no Direito Internacional e no Direito Brasileiro JOÃO ALBERTO ALVES AMORIM, Direito das uas o Regime Jurídico da Água Doce no Direito Internacional e no Direito Brasileiro 2 ã Edição Revista e Ampliada SÃO PAULO EDITORA ATLAS S.A. - 2015 2014 by Editora

Leia mais

Uma plataforma sustentável para promover coalizões que impulsionem a realização progressiva do direito à saúde

Uma plataforma sustentável para promover coalizões que impulsionem a realização progressiva do direito à saúde Iniciativa regional sobre priorização, equidade e mandatos constitucionais em saúde Uma plataforma sustentável para promover coalizões que impulsionem a realização progressiva do direito à saúde Antecedentes

Leia mais

Roménia. Condições Legais de Acesso ao Mercado

Roménia. Condições Legais de Acesso ao Mercado Roménia Condições Legais de Acesso ao Mercado Outubro 2007 Índice 1. Regime Geral de Importação 2 2. Regime de Investimento Estrangeiro 3 3. Quadro Legal 4 1 1. Regime Geral de Importação Com a entrada

Leia mais

Prova de direitos humanos

Prova de direitos humanos Prova de direitos humanos No Brasil, é responsável por proteger os direitos fundamentais, prevenindo ou corrigindo as violações praticadas pelo administrador: a. O Poder Judiciário. b. O Ministério Público.

Leia mais

GATT, OMC, Acordos Bilaterais e Acordos Multilaterais

GATT, OMC, Acordos Bilaterais e Acordos Multilaterais GATT, OMC, Acordos Bilaterais e Acordos Multilaterais GATT ² General Agreement on Tariffs and Trade GATT: Estabelecido em 1947; De início, foram 22 países a assinar o acordo: África do Sul, Austrália,

Leia mais

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA GABINETE DE SEGURANÇA INSTITUCIONAL. Segurança cibernética: onde estamos e onde deveríamos estar?

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA GABINETE DE SEGURANÇA INSTITUCIONAL. Segurança cibernética: onde estamos e onde deveríamos estar? PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA GABINETE DE SEGURANÇA INSTITUCIONAL Segurança cibernética: onde estamos e onde deveríamos estar? Lei nº 13.502, de 1 de novembro maio de 2017. Art. 10. Ao Gabinete de Segurança

Leia mais

ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA. Comissão de Educação, Ciência e Cultura. Relatório

ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA. Comissão de Educação, Ciência e Cultura. Relatório Relatório sobre a Comunicação da Comissão Europa Global: Competir a nível mundial. Uma contribuição para a Estratégia do Crescimento e do Emprego COM (2006) 567 dirigido à Comissão dos Assuntos Europeus

Leia mais

AGUIAR CÓDIGO DE CONDUTA

AGUIAR CÓDIGO DE CONDUTA COMISSARIA de Despachos Ltda. CÓDIGO DE CONDUTA COMISSARIA de Despachos Ltda. INTRODUÇÃO Aguiar COMISSÁRIA de Despachos Ltda., presta serviços de despachos aduaneiros junto a alfândega brasileira desde

Leia mais

Estatutos do Comitê Internacional da Cruz Vermelha

Estatutos do Comitê Internacional da Cruz Vermelha Estatutos do Comitê Internacional da Cruz Vermelha Artigo 01 DE JANEIRO DE 2018 Adotados em 21 de dezembro de 2017 e em vigor desde 1º de janeiro de 2018. Faça o download dos Estatutos do CICV O Comitê

Leia mais

CARTA DE MISSÃO Direção-Geral das Atividades Económicas

CARTA DE MISSÃO Direção-Geral das Atividades Económicas CARTA DE MISSÃO Direção-Geral das Atividades Económicas CARACTERIZAÇÃO GERAL Ministério: Economia Serviço/Organismo: Direção-Geral das Atividades Económicas Cargo: Diretor-Geral Período de comissão de

Leia mais

Módulo 8: Colocando em prática. Formação em Direito Humano à Alimentação Adequada no contexto da Segurança Alimentar e Nutricional

Módulo 8: Colocando em prática. Formação em Direito Humano à Alimentação Adequada no contexto da Segurança Alimentar e Nutricional Módulo 8: Colocando em prática Formação em Direito Humano à Alimentação Adequada no contexto da Segurança Alimentar e Nutricional Realização: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome MÓDULO

Leia mais

PARLAMENTO EUROPEU Comissão do Comércio Internacional PROJETO DE PARECER

PARLAMENTO EUROPEU Comissão do Comércio Internacional PROJETO DE PARECER PARLAMENTO EUROPEU 2014-2019 Comissão do Comércio Internacional 20.3.2015 2013/0433(COD) PROJETO DE PARECER da Comissão do Comércio Internacional dirigido à Comissão do Ambiente, da Saúde Pública e da

Leia mais

Apoio: PATENT TENTES

Apoio: PATENT TENTES PA PATENT TENTES capa_folder_gtpi.ai 29/6/07 11:40:26 Apoio: C M Y CM MY CY CMY K 2a_3a_capa.indd 1 29/6/07 13:03:47 Por que o Brasil paga mais por medicamentos importantes para a saúde pública? miolo_folder_gtpi.indd

Leia mais

natureza jurídica da DUDH:

natureza jurídica da DUDH: Natureza jurídica da DUDH Há uma divergência doutrinária sobre a natureza jurídica da DUDH: 1) Parte da doutrina entende que por não ser tratado/convenção/acordo/pacto ela não gera obrigação. Isso significa

Leia mais

Direito Internacional Humanitário (DIH) e Direito Penal Internacional (DPI) Profa. Najla Nassif Palma

Direito Internacional Humanitário (DIH) e Direito Penal Internacional (DPI) Profa. Najla Nassif Palma Direito Internacional Humanitário (DIH) e Direito Penal Internacional (DPI) Profa. Najla Nassif Palma Direito Internacional Humanitário (DIH) e Direito Penal Internacional (DPI) O que é? Como é aplicado?

Leia mais

Direito Empresarial II. Foed Saliba Smaka Jr. Curso de Direito ISEPE Guaratuba 2015/2

Direito Empresarial II. Foed Saliba Smaka Jr. Curso de Direito ISEPE Guaratuba 2015/2 Direito Empresarial II Foed Saliba Smaka Jr. Curso de Direito ISEPE Guaratuba 2015/2 Aula 04 Atividade Correção: A sociedade empresária Princesa Comércio de Veículos Ltda. foi constituída com os sócios

Leia mais

CÓDIGO DE CONDUTA P ARA OS FUNCI ONÁ RIOS RESP ONSÁ VEI S P ELA AP LICAÇÃO DA LEI

CÓDIGO DE CONDUTA P ARA OS FUNCI ONÁ RIOS RESP ONSÁ VEI S P ELA AP LICAÇÃO DA LEI CÓDIGO DE CONDUTA P ARA OS FUNCI ONÁ RIOS RESP ONSÁ VEI S P ELA AP LICAÇÃO DA LEI I ntrodução Um Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela aplicação da lei estabelecendo que todos aqueles

Leia mais

MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES SECRETARIA DE PLANEJAMENTO DIPLOMÁTICO REPERTÓRIO DE POLÍTICA EXTERNA: POSIÇÕES DO BRASIL

MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES SECRETARIA DE PLANEJAMENTO DIPLOMÁTICO REPERTÓRIO DE POLÍTICA EXTERNA: POSIÇÕES DO BRASIL MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES SECRETARIA DE PLANEJAMENTO DIPLOMÁTICO REPERTÓRIO DE POLÍTICA EXTERNA: POSIÇÕES DO BRASIL BRASÍLIA, 2007 Copyright Ministério das Relações Exteriores Brasil. Ministério

Leia mais

Sessão de Esclarecimento Póvoa de Lanhoso. 07 de Fevereiro de 2014

Sessão de Esclarecimento Póvoa de Lanhoso. 07 de Fevereiro de 2014 Sessão de Esclarecimento Póvoa de Lanhoso 07 de Fevereiro de 2014 Plano Estratégico de Desenvolvimento Intermunicipal O Plano Estratégico de Desenvolvimento do Ave 2014-2020 (PEDI AVE) deve assumir-se

Leia mais

2º. A ação de Vigilância Epidemiológica será efetuada pelo conjunto dos serviços de saúde, públicos e privados, devidamente habilitados para tal fim.

2º. A ação de Vigilância Epidemiológica será efetuada pelo conjunto dos serviços de saúde, públicos e privados, devidamente habilitados para tal fim. LEI Nº 6.259, DE 30 DE OUTUBRO DE 1975 Dispõe sobre a organização das ações de Vigilância Epidemiológica, sobre o Programa Nacional de Imunizações, estabelece normas relativas à notificação compulsória

Leia mais

Responsabilidade Social e Ambiental - Política Global do Grupo Santander -

Responsabilidade Social e Ambiental - Política Global do Grupo Santander - Responsabilidade Social e Ambiental - Política Global do Grupo Santander - I.- Introdução O Grupo Santander, através do seu Plano de Responsabilidade Social Corporativa, assumiu, de forma voluntária, uma

Leia mais

Direito da Segurança

Direito da Segurança Direito da Segurança Direito Constitucional, Internacional, Europeu, Legal e Regulamentar I DIREITO CONSTITUCIONAL DA SEGURANÇA 1. Constituição da República Portuguesa (artigos) - Artigo 7º - Relações

Leia mais

TABELA 1 Protocolos do Mercosul

TABELA 1 Protocolos do Mercosul Protocolo Protocolo para Solução de Controvérsias Protocolo de Brasília (promulgado no Brasil pelo Decreto n. 922, publicado em 13-09-1993) Protocolo de Cooperação Jurisdicional em Matéria Civil, Comercial,

Leia mais