1. INTRODUÇÃO AO PLANEJAMENTO DE EXPERIMENTOS
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- Lívia Castilho Botelho
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1 1. INTRODUÇÃO AO PLANEJAMENTO DE EXPERIMENTOS A metodologia conhecida como projeto de experimentos foi introduzida por Fischer em 1935 e inicialmente aplicada a experimentos de agricultura. Posteriormente, essa metodologia difundiu-se rapidamente em campos como Agronomia, Biologia, Engenharia Química, Engenharia Industrial e Engenharia da Qualidade. Atualmente, Projeto de Experimentos tem sido aplicado virtualmente em todas as áreas de conhecimentos. PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 1
2 1. INTRODUÇÃO AO PLANEJAMENTO DE EXPERIMENTOS Trata-se de uma metodologia apoiada fortemente em conceitos estatísticos, destinada a otimizar o planejamento, execução e análise de um experimento. O uso de Projeto de Experimentos permite que se estruture a seqüência de ensaios de forma a traduzir os objetivos preestabelecidos pelo pesquisador. A eficiência de experimentos projetos é superior em termos de informação a qualquer outra seqüência não estruturada de ensaios. PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 2
3 1. INTRODUÇÃO AO PLANEJAMENTO DE EXPERIMENTOS Na verdade, devido às decisões importantes que derivam dos resultados experimentais, e ao custo dos experimentos, não é recomendável buscar a solução de um determinado problema confiando apenas na intuição. A metodologia de Projeto de Experimentos é utilizada na Otimização de um sistema. Entende-se por sistema, qualquer produto, processo ou serviço. Um sistema é avaliado por indicadores de desempenho, ou seja, características de qualidade resultantes da operação do mesmo. PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 3
4 1. INTRODUÇÃO AO PLANEJAMENTO DE EXPERIMENTOS Por exemplo, as características de qualidade avaliadas em um sistema podem ser produtividade, custos, características dimensionais, entre outras. Em um sistema, existem parâmetros do sistema (do produto, do processo ou do serviço) que podem ser alterados durante sua execução. Por exemplo, em um produto pode-se alterar o tipo de material e suas características dimensionais, em um processo pode-se alterar a temperatura e a pressão e em um serviço pode-se alterar o número de funcionários e o layout. PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 4
5 1. INTRODUÇÃO AO PLANEJAMENTO DE EXPERIMENTOS A alteração desses parâmetros pode afetar as características de qualidade resultantes do sistema. Existem ainda os fatores de ruído, ou seja, fatores que podem influenciar o desempenho do sistema, no entanto não consegue-se controlá-los. Os fatores de ruído são, por exemplo, a temperatura e umidade do dia, o desgaste das ferramentas e a habilidade e cansaço do operador. PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 5
6 1. INTRODUÇÃO AO PLANEJAMENTO DE EXPERIMENTOS Avalia o desempenho do sistema Input SISTEMA Resposta Parâmetros do Sistema Fatores de Ruído PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 6
7 Projeto de Experimentos Projeto de Experimentos é uma atividade que em geral envolve o estudo sistêmico de diversos fatores que podem afetar uma ou mais características de qualidade. Apesar do título Projeto de Experimentos, essa é uma atividade que envolve: O planejamento do experimento. A sua execução. A análise dos resultados. A otimização do produto/processo em estudo. 7
8 Objetivo central do projeto de experimentos: Achar o ajuste ótimo dos parâmetros do sistema de forma a: Maximizar o desempenho do sistema Minimizar custos Tornar o desempenho do sistema pouco sensível ao efeito dos fatores de ruído PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 8
9 Fazer isso,... Definindo uma seqüência de ensaios econômica e eficiente Procedendo uma avaliação estatística dos resultados = Assegurar respaldo científico = Maximizar as informações obtidas PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 9
10 Combinações de todos os níveis dos fatores N = a x b = 2 x 2 = 4 m X X 2 = Concentração do catalisador m X 1% 0,6% (50 0 C,1%) Y = densidade do Biodiesel Objetivo atingir meta m (60 0 C,1%) 50 C 60 C (50 0 C,0,6%) (60 0 C,0,6%) X 1 = Temperatura m = X m = X
11 Fases do projeto de experimentos OUVIR A VOZ DO CLIENTE OUVIR A VOZ DO ESPECIALISTA PLANEJAMENTO FINAL E EXECUÇÃO ANÁLISE OTIMIZAÇÃO PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 11
12 Trabalho em equipe O trabalho em equipe exige: - Conhecimentos Mercadológicos, - Conhecimentos Técnicos, - Conhecimentos Estatísticos. PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 12
13 O que será visto: - Introdução ao Projeto de Experimentos Comparação de vários grupos Projetos fatoriais com dois fatores Generalização dos projetos fatoriais Blocos Aleatorizados e Quadrado Latino Projetos fatoriais do tipo 2 k Experimentos fatoriais confundidos em bloco Experimentos fatoriais fracionados Metodologia de Superfície Resposta PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 13
14 TERMINOLOGIA Características de Qualidade Todas as características do produto que o cliente percebe como importantes. Variáveis de resposta Aspectos do produto que podem ser medidos e que permitem quantificar as características de qualidade. PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 14
15 Características de qualidade do tipo nominal-émelhor (por exemplo, características dimensionais) tendem a apresentar uma distribuição de probabilidade aproximadamente simétrica, pois as causas de variabilidade geram valores que podem se afastar tanto para cima como para baixo do alvo. Elas apresentam tolerâncias bilaterais (LIE e LSE) LIE LSE
16 Características de qualidade do tipo maior-émelhor (por exemplo, resistência mecânica) tendem a apresentar uma distribuição de probabilidade assimétrica à esquerda, pois muitas vezes existem limitações tecnológicas que dificultam a obtenção de valores altos, enquanto que muitos causas de variabilidade podem gerar valores baixos. Elas apresentam apenas Limite inferior de especificação-lie LIE
17 Características de qualidade do tipo menor-émelhor (por exemplo, nível de ruído) tendem a apresentar uma distribuição de probabilidade assimétrica à direita, pois muitas vezes existem limitações tecnológicas dificultando a obtenção de valores baixos, enquanto que muitos causas de variabilidade podem gerar valores altos. Elas apresentam apenas Limite superior de especificação-lse LSE
18 Parâmetros do processo Todas as variáveis da linha de produção que podem ser alteradas e que talvez tenham um efeito sobre as variáveis de resposta. Fatores controlável São um subconjunto dos parâmetros do processo; são aqueles parâmetros do processo que foram elegidos para serem estudados a vários níveis no experimento. Fatores constantes São os parâmetros do processo que não entram no experimento e que são mantidos constantes durante o experimento. PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 18
19 Fatores não controláveis (Ruído) São as variáveis que não podem ser controladas pela equipe técnica. São responsáveis pelo erro experimental ou variabilidade residual ou variância do erro. Importante Se um fator (variável importante) não for considerado como um fator controlável (investigado a vários níveis) ou como um fator constante (fixo em um nível), ele irá se tornar um fator de ruído e inflacionar a variabilidade do erro tornando o experimento pouco sensível para a identificação de fatores significativos PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 19
20 Relação entre a demanda de qualidade (cliente) e as variáveis de resposta (ensaios) Voz do Cliente Características de Qualidade Aspectos que podem ser vagos Voz do Especialista Variáveis de Resposta Mensuráveis, quantitativas PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 20
21 Status dos parâmetros do processo dentro de um programa experimental: Parâmetros do Processo Fatores Controláveis Fatores mantidos constante Objeto de estudo PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 21
22 Relação entre os fatores controláveis e a resposta Input Processo ou Produto Variável de Resposta Definir o ajuste ótimo Parâmetros do Processo Fatores de Ruído Responsáveis pela variabilidade do erro PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 22
23 AS ETAPAS DE UM EXPERIMENTO 1. OUVIR A VOZ DO CLIENTE (O QUÊ) Pesquisa de Mercado Identificar as C.Q. de interesse Identificar a importância relativa dessas C.Q. PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 23
24 2. OUVIR A VOZ DO ENGENHEIRO (COMO) Definir variáveis de resposta associadas às C.Q. Identificar outras variáveis de resposta de interesse (em geral associadas a custos/produt) Identificar os parâmetros do processo, e Identificar o intervalo de variação dos P.P. PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 24
25 2. OUVIR A VOZ DO ENGENHEIRO- Identificar os fatores controláveis (F.C. = P.P. que podem afetar as V.R.) Definir o número de níveis para cada F.C. (geralmente de 2 a 5 níveis) Definir possíveis interações entre os FC Identificar as restrições experimentais Número máximo de ensaios Equipamento e RH disponíveis Tempo disponível, etc. Escolher o modelo estatístico do experimento PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 25
26 3. PLANEJAMENTO FINAL E EXECUÇÃO Escrever a matriz experimental Definir a ordem dos ensaios (aleatorização) Definir os procedimentos de ensaio (uniformização) Desenhar planilhas de coleta de dados Executar o experimento e anotar resultados PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 26
27 4. ANÁLISE Fazer a análise de variância Escrever uma tabela de médias Fazer gráficos dos efeitos dos fatores principais Fazer gráficos das interações significativas PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 27
28 5. OTIMIZAÇÃO Modelar individualmente cada Variável de Resposta V.R. = f (F.C.) Definir uma função objetivo: L = f1 (V.R.) --> L = f2 (F.C.) Otimizar, isto é, achar o ajuste dos F.C. que minimiza ou maximiza L. Verificar a consistência da solução PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 28
29 Exemplo: Estudo experimental em solados de borracha. 1. Ouvir a voz do cliente Pesquisa de Mercado O solado deve ser macio e durável. Características de Qualidade: Designação Tipo Importânci a Relativa Flexibilidade Maior-é-melhor 1 Durabilidade Maior-é-melhor 1 PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 29
30 2. Ouvir a voz do Engenheiro Variáveis de Resposta: Designação Tipo Importância Alvo Relativa Módulo de Elasticidade (kgf/cm2) Menor-é-melhor Dureza superficial (kgf) Maior-é-melhor 1 25 Resistência à tração (Kgf/cm2) Maior-é-melhor PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 30
31 Parâmetros do processo: Designação Intervalo de Unidade Variação Quantidade de Talco 2 a 5 g Quantidade de óleo 0.5 a 1 ml Quantidade de Asfalto 0.5 a 1 g Quantidade de Breu 2 a 4 u.v. Quantidade de Fluxtec 10 a 20 u.v. Tempo de mistura 30 a 60 min o Temperatura de mistura 60 a 80 C Tempo de resfriamento 30 a 120 min PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 31
32 Fatores Controláveis: - Quantidade de Breu - Quantidade de Fluxtec - Tempo de mistura - Temperatura de mistura Definição dos níveis dos fatores controláveis: Fator No. níveis Níveis Unidade Quantidade de Breu u.v. Quantidade de Fluxtec u.v. Tempo de mistura min o Temperatura de mistura C PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 32
33 Listar possíveis interações entre os fatores controláveis - Temperatura de mistura x Tempo de mistura - Temperatura de mistura x Quantidade de Fluxtec Listar restrições experimentais - Máximo 100 ensaios em função de tempo e $ - Máximo 20 ensaios por dia Definir o modelo estatístico -Um Projeto Fatorial Cruzado completo: N= 2 x 4 x 3 x 3 = 72 ensaios PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 33
34 3. Planejamento final e execução Matriz experimental e ordem dos ensaios Rodada Ordem Fator A Fator B Fator C Fator D Fator E Fator F : : : : : : : : : : : : PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 34
35 Procedimentos de ensaio - Aleatorizar a ordem dos ensaios - Fixar parâmetros do processo não incorporados no experimento - Observar sempre a mesma sistemática de ensaios, mesmas máquinas, operadores, etc PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 35
36 Planilha de coleta de dados: Ensaio: Data : Operador: Ensaio Fatores Controláveis Variáveis de Resposta Breu Fluxtec Tempo Mistura Temperatura Dureza Superf : : : : : : : : : : : : : : : Módulo de Elast. Resist. à Tração PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 36
37 3. Execução do experimento 4. Análise Será o objetivo principal do curso 5. Otimização Esse assunto será abordado freqüentemente PPGEP-UFRGS Projeto de Experimentos 37
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