NUTRIÇÃO EM PACIENTE CRÍTICO
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- Neuza Monteiro Ramires
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1 NUTRIÇÃO EM PACIENTE CRÍTICO A equipe de terapia de nutrição enteral e parenteral (EMTN) atua na prevenção e tratamento dos distúrbios nutricionais (agudos e crônicos) que estão associados à maior morbimortalidade, tempo de internação e ocorrência de complicações médicas, constituindo assistência de alta complexidade, fazendo parte do cuidado integral ao paciente, normatizada pelas Portarias SAS/MS 84/2007 e 120/2009. A terapia nutricional (TN) deve ser implementada segundo: Condições e estrutura organizacional do hospital, População assistida, tipo de atendimento e fonte pagadora, Disponibilidade de insumos, Equipamentos e pessoal qualificado. Definição: A TN refere-se a um conjunto de procedimentos visando reconstituir ou manter o estado nutricional de um indivíduo, por meio da oferta de alimentos ou nutrientes para fins especiais. Importante: Deve ser ressaltado que a imunodeficiência secundária a desnutrição pode ser prevenida com triagem do estado nutricional (??? Não consegui entender) até 72 horas após internação e deve estar associada à terapia nutricional adequada. Tipos de TN: Via digestiva Enteral, ou Via venosa (nutrição parenteral). Terapia Nutricional Enteral (TNE) Indicações: Sistema Digestório Tubo gastrointestinal íntegro Pacientes com ingestão oral insuficiente (<70% necessidades diárias) Dificuldades de acesso ao intestino normal alimentação produz dor e/ou desconforto Condições Clínicas Lesões do SNC; depressão; anorexia nervosa; caquexia cardíaca; câncer; trauma muscular; cirurgia ortopédica; queimaduras Lesão de face e mandíbula; Câncer de boca; hipofaringe cirurgia de esôfago; Deglutição comprometida de causa muscular/neurológica; Lesão obstrutiva inflamatória benigna ou fístula de jejuno. Anormalidades funcionais do intestino * Casos de disfunção do trato gastrointestinal. Doenças intestinais neonatais, obstrução crônica; Diminuição do esvaziamento gástrico; Fístula digestiva; Síndrome do intestino curto; Íleo gástrico colônico; Anormalidades metabólicas do intestino; Má absorção, alergia alimentar múltipla; Pancreatite, enterite por quimioterapia e radioterapia; Anorexia, câncer; Estados hipermetabólicos; Queimadura, infecção grave, trauma extenso;
2 hipertireoidismo. A terapia de nutrição enteral tem como benefícios: Reduzir o estresse metabólico, Melhorar o balanço nitrogenado e o controle glicêmico, Aumentar fluxo sanguíneo visceral, a resistência anastomótica e a síntese de proteínas viscerais, Melhorar a função da barreira da mucosa intestinal e Fornecer maior variedade de nutrientes. O fornecimento de nutrientes complexos como proteínas e fibras, além de estimular fatores hormonais tróficos, desenvolve atividades neuroendócrina e imunológica intestinal (IgA), reduz o crescimento bacteriano, mantem o ph e a microbiota intestinal normais. Ministrada com cuidado é mais segura que a NPT, particularmente pela redução de complicações infecciosas, já que os custos globais integrados são menores que os da NPT. A terapia nutricional enteral também pode ser realizada por via oral através da prescrição de suplementos nutricionais com densidade calórica aumentada, adicionados ou não de imunomoduladores ou específicos para situações especiais (doenças renais, hepáticas, câncer, diabetes, etc) que podem ser administrados complementando a alimentação diária. A terapia nutricional enteral precoce (até 72 horas) satisfaz as necessidades nutricionais, promove a integridade da mucosa intestinal, melhora a cicatrização de feridas, suprime a resposta hipermetabólica, reduz a incidência de infecções, sepse, translocação bacteriana e tempo de hospitalização o que efetivamente diminui os custos hospitalares beneficiando assim o paciente. A escolha da formulação enteral leva em consideração várias características da dieta: Densidade calórica, Relação de calorias não-protéica/g de nitrogênio, Osmolalidade/osmolaridade, Ddistribuição calórica percentual, Presença ou não de nutrientes específicos e forma de apresentação.
3 Complicações da TN enteral Diarréia - Muito comum, é considerada a mudança na freqüência, consistência e quantidade de fezes verificada por três ou mais evacuações ao dia através de dejeções líquidas e em quantidades maiores ou iguais a 500 ml de fezes por dois dias consecutivos. A diarréia pode ter diversas etiologias (tabela abaixo). ETIOLOGIA Infusão rápida da dieta Dieta muito fria RELACIONADO A TNE E DA FÓRMULA SOLUÇÃO Reduzir a infusão da dieta para ml/h, quando sonda posicionada em estômago; ml/h, quando posicionada em duodeno. Progredir criteriosamente. Suspender a dieta e aquecer até a temperatura ambiente. Contaminação bacteriana Sonda duodenal ou jejunal Dieta sem fibra Solução hiperosmolar Diarréia intensa e rebelde ao controle ETIOLOGIA Hipoalbuminemia Deficiência de lactase Má absorção de gordura Intolerância à soja Antiácidos e antibióticos Controlar regularmente o preparo e a quantidade bacteriológica da dieta. Se possível, reposicionar a sonda no nível gástrico. Trocar para fórmulas contendo fibras solúveis. Usar fórmulas isotônicas ou hipertônicas diluídas; Diminuir velocidade de infusão (40-50 ml/h ou menos); Aumentar densidade calórica com polímeros de glicose. Suspender a dieta por 12h, tentar reiniciar a 40/50mL/h ou menos; Usar antidiarréicos (loperamida, difemoxilato); Suspender por dois dias a medicação e monitorizar as evacuações RELACIONADO AO PACIENTE CONTROLE Administrar albumina exógena; Usar fórmulas isotônicas com infusão lenta; Concentrar gradualmente a dieta. Trocar a fórmula para outra sem lactose. Usar fórmulas com baixo teor de gordura; Prescrever enzimas pancreáticas para pacientes c/ insuficiência pancreática. Usar fórmulas sem soja. Suspender medicamentos à base de magnésio; Fazer uso de lactobacilos. VANTAGENS E DESVANTAGENS - GÁSTRICA X DUODENO/JEJUNAL Vantagens Localização Gástrica Maior tolerância a formulas variadas (proteínas intactas, proteínas isoladas, aminoácidos cristalinos) Boa aceitação de fórmulas hiperosmóticas Permite a progressão mais rápida para alcançar o Valor Calórico Total (VCT) ideal Devido à dilatação receptiva gástrica, permite introdução de grandes volumes em curto tempo Localização Duodenal/Jejunal Menor risco de aspiração Maior dificuldade de saída acidental da sonda Permite nutrição enteral quando a alimentação gástrica é inconveniente e inoportuna
4 Desvantagens Fácil posicionamento da sonda Alto risco de aspiração em pacientes com dificuldades neuromotoras de deglutição A ocorrência de tosse, náusea ou vômito favorece a saída acidental de sonda nasoenteral Risco de aspiração em pacientes que têm mobilidade gástrica alterada ou que são alimentados durante a noite Desalojamento acidental, podendo causar refluxo gástrico CONTRA INDICAÇÕES PARA A TERAPIA NUTRICIONAL ENTERAL Contra-Indicações de TNE e suas principais razões e condições Contra-Indicações Razões e Condições Doença Terminal Síndrome do Intestino Curto Obstrução Intestinal Mecânica ou Pseudo-obstrução Sangramento gastrintestinal Vômitos Diarréia Fístulas Intestinais Isquemia Gastrintestinal Íleo paralítico intestinal Inflamação do Trato Gastrintestinal Hiperêmese gravídica As complicações potenciais superam os benefícios Do tipo maciço ou em fase inicial de reabilitação intestinal Ausência de trânsito intestinal total ou localizado Requer intervenção armada, ocasiona náusea, vômito e melena ou enterorragia Dificultam a manutenção da sonda nasoenteral Avaliar a causa, considerar drogas, perdas hidroeletrolíticas Especialmente jejunais e de alto débito Doentes críticos, com sepse, disfunção de múltiplos órgãos, instabilidade cardiopulmonar evidente, síndromes de compressão ou oclusivas crônicas Peritonites, hemorragia intraperitoneal, perfuração intestinal, de causa sistêmica por uremia, diabetes grave, lesão nervosa central, hipocalemia Enterites graves por moléstia inflamatória grave dos cólons, enterite actínica intensa e por quimioterapia, pancreatite grave TERAPIA DE NUTRIÇÃO PARENTERAL Em geral, as indicações de nutrição parenteral seguem as categorias: 1. Pré-operatória: particularmente doentes portadores de desnutrição (perda de 15% do peso corpóreo) com doenças obstrutivas no trato gastrintestinal alto; 2. Complicações cirúrgicas pós-operatórias: fístulas intestinais, íleo prolongado e infecção peritoneal; 3. Pós-traumática: lesões múltiplas, queimaduras graves, infecção; 4. Desordens gastrintestinais: vômitos crônicos e doença intestinal infecciosa; 5. Moléstia inflamatória intestinal: colite ulcerativa e doença de Crohn; 6. Insuficiências orgânicas: insuficiências hepática e renal; 7. Condições pediátricas: prematuros, má formação congênita do trato gastrintestinal (atresia esofágica intestinal) gastrosquise, onfalocele e diarréia crônica intensa.
5 INDICAÇÕES (MANUAL DE NUTRIÇÃO PARENTERAL E ENTERAL DA AMERICAN SOCIETY FOR PARENTERAL AND ENTERAL NUTRITION (ASPEN): DOENÇA INDICAÇÃO Câncer Quando o tratamento causa toxicidade gastrintestinal, impedindo a ingestão oral por mais de uma semana NPT pré-operatório 7 a 10 dias antes da cirurgia - Pacientes gravemente desnutridos Doença inflamatória intestinal Facilita remissão de 60-80% dos pacientes com doença de Crohn Insuficiência renal Indicada para manter a ingestão calórica Pancreatite Na intolerância à nutrição enteral Pacientes críticos Quando é esperado que o hipermetabolismo se prolongue por 4 a 5 dias Síndrome do intestino curto Impossibilidade de absorção adequada de nutrientes por via oral ou enteral por tempo indeterminado, se houver menos de 60cm de intestino funcionante Fístulas digestivas Íleo paralítico prolongado Geralmente em trânsito e com alto débito Outras Distúrbios alimentares que levam à desnutrição grave VANTAGENS DA TERAPIA NUTRICIONAL PARENTERAL Fácil fornecimento; Seqüência no fornecimento; Dispensa função intestinal; Mantém peso e gordura corporal; Restabelece o pool de vitaminas e minerais. VANTAGENS DA NPT MISTURA 3 EM 1 A mistura 3 em 1 é considerada metabolicamente mais balanceada, visto que contém todos os nutrientes. Desta maneira, permite reduzir a oferta de glicose, tornando a solução melhor tolerada por pacientes diabéticos com elevada resistência periférica à insulina, reduzindo as complicações relativas ao excesso de glicose. Dentre as vantagens do uso de lípides como fonte energética, destacam-se: Densidade calórica alta (9 Kcal/g); A isotonicidade, o que favorece o uso em veia periférica. Com a mistura 3 em 1, pode ocorrer elevação moderada de colesterol e triglicérides, o que não implica em abandono do método. A adição de heparina à mistura 3 em 1 reduz a elevação do colesterol e triglicérides. As contra-indicações da mistura 3 em 1 são as dislipidemias, pancreatite aguda na fase hiperlipêmica e insuficiência hepática. CONTRA INDICAÇÕES DA TERAPIA NP Pacientes hemodinamicamente instáveis
6 Hipovolemia Choque cardíogênico ou séptico Edema agudo de pulmão Anúria sem diálise Graves distúrbios metabólicos e eletrolíticos Distrufia intestinal Hiperglicemia Imunossupressão Desequilíbrio em aminoácidos e lipídeos Trombose venosa Não impede a diminuição de massa magra e lipólise Síndrome da realimentação Considerar as contra-indicações ao acesso venoso profundo por punção CONTRA-INDICAÇÕES PARA O USO DE NP PERIFÉRICA História de alergia a ovos ou a emulsões lipídicas intravenosas; Disfunção hepática importante; Hipertrigliceridemia, hiperlipidemia; Infarto Agudo do Miocárdio; Veias periféricas inadequadas; Indicação definitiva para nutrição parenteral total central; Uso de alimentação enteral adequada e efetiva; Limitações de fluidos ( /24 horas). COMPLICAÇÕES DA NPT Complicações mecânicas: relacionadas ao cateter. Complicações metabólicas Síndromes relacionadas ao Metabolismo da Glicose: Coma hiperglicêmico hiperosmolar não-cetótico; Hipoglicemia; Hipoglicemia insulínica.
7 Hipercapnia; Sobrecarga de aminoácidos; Insuficiência de ácidos graxos essenciais; Síndrome do Roubo Celular; Complicações Gastrintestinais Da NPT Alterações hepáticas; Toxicidade direta da NPT no fígado; Deficiência hepática de algum nutriente (Taurina) ausente da NPT; Complicações relacionadas à falta de ingestão enteral e inadequado estímulo de circulação entero-hepática e função intestinal; doença óssea relacionada à NPT. MONITORAMENTO DA TERAPIA NUTRICIONAL Torna-se necessário para o melhor acompanhamento do paciente o registro diário da evolução clínico-nutricional do mesmo em protocolos pré-definidos pela EMTN, assim como reuniões para discussão e evolução dos casos acompanhados pela equipe. LEGISLAÇÃO RDC 63 de 6 de julho de 2000, ANVISA. Portaria nº 272 de 08 de abril de 1998, ANVISA. Portarias SAS/MS nº 84/2007 e SAS/MS nº 120/2009. BIBLIOGRAFIA 1. WAITZBERG, D. L. Nutrição oral, enteral e parenteral na prática clínica. 3ª ed, São Paulo: Atheneu, SOBOTKA, L. Bases da Nutrição clínica. 3ª ed, Rio de Janeiro: Rubio, CHEFIA DO SERVIÇO DE NUTRIÇÃO E DIETÉTICA EQUIPE DE TERAPIA DE NUTRIÇÃO ENTERAL E PARENTERAL (EMTN) A Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional (EMTN) do Hospital Municipal Miguel Couto localizada na sala da chefia do Serviço de Nutrição é formada por profissionais médicos (Dr.Nivaldo Gomes de Oliveira (nutrólogo), D ras Beatriz Castro Brandão (intensivista) e Maria Aparecida V. Ribeiro Leite (pediatra), nutricionistas (D ras Patricia de Matos Fernandes e Carla
8 Cury de Souza), enfermeiro (Sandro Telles de Souza Lima), farmacêutico e fonoaudióloga (Regina Coeli de Araújo Vasconcelos).
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