TEORIA DA MEDIAÇÃO DE LEV VYGOTSKY
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- Brian Beltrão Barreiro
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1 TEORIA DA MEDIAÇÃO DE LEV VYGOTSKY Sérgio Choiti Yamazaki Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul Lev Semenovich Vygotsky ( ) estudou literatura na Universidade de Moscou, interessando-se primeiramente pelas criações artísticas. Contudo, após 1924, interessou-se por psicologia evolutiva, educação e psicopatologia, produzindo obras que ainda hoje são consideradas principais referências ao Construtivismo Social. Foi uma pessoa culta, leu e refletiu sobre assuntos os mais diversos. Devido à tuberculose, este gênio da psicologia, como o chama Nélson Jahr Garcia, faleceu muito cedo, aos 38 anos de idade. Quanto não poderia legar-nos se não tivesse partido tão jovem? (GARCIA, 2002). Em seu tempo de vida, o pensamento de Vygotsky, contudo, não era divulgado, e o mundo ocidental não o conhecia, como relata Garcia (2002): Devido a vários fatores, inclusive a tensão política entre os Estados Unidos e a União Soviética após a última guerra, o trabalho de Vygotsky permaneceu desconhecido a grande parte do mundo ocidental durante décadas. Quando a Guerra Fria acabou, este incrível patrimônio de conhecimento deixado por Vygotsky começou a ser revelado. O nome de Vygotsky hoje dificilmente deixa de aparecer em qualquer discussão séria sobre processos de aprendizado. Para Vygotsky, é através do contexto histórico, social e cultural que o desenvolvimento cognitivo deve ser explicado. De acordo com Vygotsky, todas as atividades cognitivas básicas do indivíduo ocorrem de acordo com sua história social e acabam se constituindo no produto do desenvolvimento histórico-social de sua comunidade (Luria, 1976). Portanto, as habilidades cognitivas e as formas de estruturar o pensamento do indivíduo não são determinadas por fatores congênitos. São, isto sim, resultados das atividades praticadas de acordo com os hábitos sociais da cultura em que o indivíduo se desenvolve. Conseqüentemente, a história da sociedade na
2 qual a criança se desenvolve e a história pessoal desta criança são fatores cruciais que vão determinar sua forma de pensar. Neste processo de desenvolvimento cognitivo, a linguagem tem papel crucial na determinação de como a criança vai aprender a pensar, uma vez que formas avançadas de pensamento são transmitidas à criança através de palavras (Murray Thomas, 1993). (Ibid) Vygotsky define desenvolvimento cognitivo como conversão de relações sociais em funções mentais (MOREIRA, 1999, p. 110). É preciso que o ensino, então, passe por um processo que vise planejar uma interação social. Garton (1992), conforme nos relata Moreira (1999), define interação social como um mínimo de duas pessoas intercambiando informações, onde diversas experiências e conhecimentos são compartilhados; ela se constitui, portanto, em uma troca de significados. Esta conversão, citada acima, se dá através da mediação; portanto, ela não se dá diretamente, mas é mediada pelo uso de instrumentos e signos. Instrumentos e signos são palavras-chave na teoria de Vygotsky e podem ser definidos da seguinte forma: Instrumento é qualquer objeto ou elemento que tem alguma utilidade prática. Por exemplo, garfo, colher, enxada etc. Esses tipos de instrumentos são chamados de instrumentos físicos. Signos são elementos que lembram ou simbolizam algo e, portanto, podem ser usados para significar alguma coisa que foi criada culturalmente, ou que a experiência lhe impõe, uma intuição. São também conhecidos como instrumentos simbólicos. Eles trazem algum significado implícito (SOARES, 2002). Por exemplo, fumaça indica fogo, é um dos tipos de signos, conhecido como indicador. Outro tipo de signo é o icônico; é a imagem ou desenho daquilo que significa. Por último, há os signos simbólicos, que são abstrações daquilo
3 que significam; por exemplo, palavras, números, equações, gestos. Assim, se signos são construções sociais, indivíduos de diferentes culturas, podem ter signos diferentes entre si, ou ainda, determinados signos para uns, não os são para outros, porque viveram em contextos diferentes ou porque não foram capazes de internalizá-los. Instrumentos e signos são criações sociais, portanto, são elementos historicamente e culturalmente construídos. Para Vygotsky, a fala é o principal sistema de signos para o desenvolvimento cognitivo, porque ela relaciona o concreto com o abstrato, o real com o simbólico, permitindo no decorrer do desenvolvimento, generalizar a variadas situações que não ocorreram durante a aprendizagem. Podemos pensar em um dos principais conceitos desenvolvidos por Vygotsky, entendendo que um indivíduo pode resolver determinadas problematizações através de uma das seguintes hipóteses: sozinho, ou seja, sem a ajuda de uma outra pessoa; ou consegue resolver somente se houver auxílio de uma outra pessoa. Na teoria de Vygotsky, a diferença entre a capacidade de revolver sozinho esse problema (nível real) e a capacidade em resolver somente com o auxílio de outro indivíduo mais experiente (nível potencial), é conhecida como Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP). Daí a importância dada às interações sociais. A ZDP mostra o potencial de aprendizagem de um sujeito e é nela que ocorre o desenvolvimento cognitivo. Entretanto, ela se encontra sempre em mudança, pois as pessoas estão sempre em desenvolvimento. Em decorrência desse estado dinâmico em que se encontra a ZDP, a interação entre pessoas diferentes passa a exercer papel central para que
4 tanto alunos menos experientes como aqueles mais experientes possam se desenvolver. Tal análise implica questões atuais: a primeira é a idéia de que a escola deve valorizar, sobretudo, as interações entre os diferentes. Sendo assim, a concepção de que salas de aula heterogêneas são preocupantes também se desfaz, pois interações heterogêneas implicam indivíduos com diferentes zonas de desenvolvimento proximal, interatuando uns na ZDP dos outros. O aluno menos experiente beneficia-se dessa interação, pois o outro pode ajudá-lo em elaborações que ele não consegue realizar individualmente; como também o mais experiente beneficia-se, pois, no momento em que ele procura ajudar o outro a desenvolver novos conceitos, isso implica uma organização e estruturação de suas próprias idéias, a fim de sistematizá-las e compartilhá-las com o outro, reestruturando e consolidando, assim, suas antigas concepções. (LIMA, 2000, p. 225) Assim, as interações sociais necessárias para que haja aprendizagem, devem acontecer dentro da ZDP. Há, portanto, em tese, dois limites identificados como o inferior e o superior. O inferior, que determina o nível real de desenvolvimento do estudante, e o superior, dentro do qual os métodos de ensino devem ser pensados e desenvolvidos. Por exemplo, metodologias baseadas em jogos podem ser importantes formas de desenvolver o potencial intrínseco ao limite superior. {Vygotsky] entende que, no jogo, a criança cria uma "zona de desenvolvimento proximal", e isto faz com que a criança esteja sempre acima de sua idade média, isto é, acima de sua conduta diária, uma vez que o jogo contém todas as tendências evolutivas de forma condensada, sendo, em si mesmo, uma considerável fonte de desenvolvimento. (NEGRINE, 1995, p. 16) Vygotsky sugere que, através das interações que ocorrem no meio social, na ZDP, haja desenvolvimento de funções mentais superiores
5 pensamento, linguagem, pensamento volitivo 1 e que para que isso ocorra, é preciso que o indivíduo se aproprie de instrumentos e de signos. Para Vygotsky, o ensino deve objetivar sempre um nível de desenvolvimento cognitivo superior àquele que o indivíduo já alcançou. Bibliografia GARCIA, Nelson Jahr. Apresentação da obra Pensamento e Linguagem de Levy Semenovich Vygotsky. In: BR&lr=&q=cache:UavlGclsnuAJ: _DIMENS_CIENCIA_EJA% /LIVROS%2520E %2520TEXTOS/pensamento_linguagem%2520livro.pdf+vygotsky, 22/01/2002. LIMA, Anna Paula Brito. A teoria socioistórica de Vygotsky e a educação: reflexões psicológicas. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Brasília, v. 81, n. 198, p , maio/ago MOREIRA, Marco Antonio. A teoria da mediação de Vygotsky. In: Teorias da Aprendizagem. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária, EPU, SOARES, Júlio Ribeiro. A concepção histórico-cultural do papel da educação no desenvolvimento das funções psicológicas superiores. Expressão, Mossoró, 32, p , jan.-dez., VYGOTSKY, Lev Semenovich. Pensamento e Linguagem. Edição eletrônica: Ed Ridendo Castigat Mores ( o desenvolvimento cognitivo é a conversão de relações sociais em funções mentais. Não é por meio do desenvolvimento cognitivo que o indivíduo se torna capaz de socializar, é na socialização que se dá o desenvolvimento dos processos mentais superiores (Driscoll, 1955, p. 229). (MOREIRA, 1999, p. 110).
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