Filosofia. Retórica e Democracia

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1 Filosofia. Retórica e Democracia Fatores Filosóficos Não se havia chegado a um sistema filosófico único aceitável para todos Os anteriores sistemas filosóficos de filosofia da natureza eram diversos e até opostos O último grande sistema de filosofia da natureza tinha sido o atomismo de Demócrito. A concepção atómica do real leva à questão: o Como chegar ao conhecimento das infinitas combinações de um número infinito de átomos movendo-se no vazio? o Ceticismo ( dúvidas acerca da capacidade de conhecer ) Fatores para o surgimento da Sofística o Relativismo ( não há verdade/conhecimento únicos e absolutos. Há pontos de vista/interpretações) O advento da prática política democrática trouxe uma mudança na natureza da liderança. Fatores Político-sociais As leis já não vinham dos deuses nem de um grupo de iluminados, de origem aristocrata. A linhagem já não bastava. A liderança passava pela capacidade de argumentação, aceitação e aprovação popular Numa sociedade em que as decisões são tomadas pelas assembleias populares e cujo objectivo máximo é triunfar há que estar preparado para tal, sendo essencial ter algum conhecimento de matérias como : Legislação Administração, Estado, Moral Oratória

2 Actividades dos sofistas Discutem questões que têm o homem e a sua condição como centro das atenções: o Origem das leis e costumes o Diferenças entre os homens o Natureza da virtude política ( o que é ser um cidadão?) Ensinam um conjunto de disciplinas de carácter humanístico: Direito, Moral, Política, Retórica A sua pedagogia assentava sobretudo na: Ideal de vida Ideal educativo Noção De felicidade Vida prática: cidadão interveniente na vida pública Aprendizagem de competências e técnicas discursivas que permitissem essa intervenção Sucesso social e político: poder, prazer e riqueza. o Retórica( aprender a falar bem) o Dialéctica ( impor-se por argumentos que destruam os do adversário ) Ideal de conhecimento Não a verdade, mas o conhecimento de técnicas de persuasão dos auditórios Técnicas mais usadas: o o diálogo,

3 o o o o a antilogia, o discurso, a sinonímia, a mnemónica Primeiros profissionais do ensino ( organizam cursos completos e fazem-se pagar bem ) Doutrinas filosóficas Metafísicas (acerca da natureza última do ser e da realidade) Gnosiológicas/epistemológicas ( acerca do que é e do que vale o conhecimento ) Fenomenismo ontológico: Não há uma realidade estável e permanente que subjaza às aparências Fenomenismo: só podemos conhecer as aparências Relativismo: não há uma verdade absoluta, cada qual tem apenas o seu ponto de vista Ceticismo: não há a possibilidade de conhecer verdade o o Não há uma verdade Devido à imperfeição e falibilidade das nossas capacidades cognitivas

4 Político-morais ( acerca da origem das leis e costumes e da organização da sociedade ) Convencionalismo: tanto as instituições políticas como as normas e ideias morais vigentes são o resultado de acordo e decisões humanas Ditos famosos de sofistas famosos O mais famoso de todos é a célebre expressão de relativismo de Protágoras de Abdera O homem é a medida de todas as coisas, das que são enquanto são e das que não são enquanto não são PROTÁGORAS Outra célebre frase que é uma desconcertante expressão de ceticismo é a seguinte de Górgias Não há ser. Se houvesse, não poderia ser conhecido. Se fosse conhecido não poderia ser comunicado GÓRGIAS o Declaração da incapacidade de conhecer o Declaração da desvinculação da linguagem relativamente à realidade ( a linguagem é incapaz de manifestar o real )

5 o A linguagem converte-se num instrumento de manipulação: o uma arma para con-vencer e impressionar as massas. o Um meio eficaz para se impôr aos outros se se dominar as técnicas apropriadas Diz por isso Górgias: A palavra é um poderoso tirano capaz de realizar as obras mais divinas, apesar de ser o mais pequeno e invisível dos corpos. Com efeito, é capaz de apaziguar a medo e eliminar a dor, de produzir a alegria e excitar a compaixão ( Elogia de Helena ) As posições de Górgias e Protágoras constituem uma rutura radical com a filosofia grega anterior e com a posterior ( Sócrates,Platão, Aristóteles) que defendem posições absolutamente diferentes: A realidade/ser existem A realidade/ser é racional A realidade/ser é possível de conhecer (cognoscível) O pensamento e a linguagem devem acomodar-se à realidade/ser e são capazes de expressá-la adequadamente O ideal de vida é o contemplativo ( teórico) O ideal educativo é educar para o bem e para a verdade A felicidade consiste no Bem e na Justiça Os Dois Usos da retórica LÓGICA formal e RETÓRICA

6 informal EFICÁCIA VALIDADE, SOLIDEZ COGÊNCIA DOS ARGUMENTOS Persuasão Racional Convencer DOS ARGUMENTOS DIMENSÃO PERSUASORA DOS ARGUMENTOS Persuasão não racional ou Manipulação Convencer Apelando à inteligência do outro. Respeitando o outro como ser racional Sem levar o outro a avaliar cuidadosamente as coisas por si. Sem apelar para à inteligência do outro Respeitando os seus interesses racionais Sinalizando com palavras as razões a favor disso. Tornando mais claros os argumentos Sem o respeitar como ser racional. Sem respeitar os seus interesses racionais Explorando (seduzindo) sentimentos, sonhos, fraquezas Usando palavras mais adequadas

7 Estratégias manipuladoras As falácias são argumentos que parecem bons pelo que poderão ser eficazes, mas como são maus argumentos são manipuladoras Não me digas que concordas com esses tontos que defendem que devemos ser vegetarianos para não fazer os animais sofrer! Com tanto sofrimento que há no mundo, mais vale pensar noutros problemas mais graves. Este argumento é manipulador de várias maneiras, mas todas com o mesmo fim: o Evitar que o interlocutor pense na questão de saber se os vegetarianos éticos têm ou não razãoo Quer que se aceite as ideias sem pensar muito. A) ESTRATÉGIA DE MANIPULAÇÃO A SUGESTÃO

8 SUGERIR RELAÇÕES (argumenta-se sobre uma relação, mas o argumento subjacente nunca é claramente formulado) Muitos dos argumentos do discurso manipulador se fossem claramente formulados ver-se-ia claramente que eram maus e não persuadiriram ninguém. Pessoas jovens Anúncio típico das bebidas:

9 Atraentes Alegres Em grupo Convivendo Isto faz com que as pessoas que vêem o anúncio associem à bebida a coisas agradáveis de modo a que comprem. Para ser eficaz o anúncio tem de sugerir uma relação que, nunca é claramente expressa porque seria ridículo se o fosse. Vamos formular claramente o argumento: As pessoas que bebem esta cerveja são jovens, alegres, atraentes, e têm amigos com quem convivem. Se eu beber esta cerveja, serei como eles Ora eu desejo ser como eles Logo vou comprar e beber esta cerveja Claramente formulado vemos que o argumento é mau porque beber uma determinada cerveja não nos torna jovens, alegres, atraentes e populares. B) ESTRATÉGIA DE MANIPULAÇÃO A OMISSÃO

10 O discurso manipulador tende a: Enfatizar os aspetos atraentes e supostamente positivos Suprimir problemas Iludir questões Porque quando estas são difíceis de resolver e quando a discussão é aberta isso poderia Comprometer a adesão do auditório

11 1-Nos anúncios de bebidas é comum: o Acentuar os aspetos sedutores nelas implicados ( sabor, sociabilidade, alegria, convívio, descontracção) o omitindo os problemas que podem advir do seu consumo ( Alterações de comportamento, acidentes) 2-Em muitos anúncios de automóveis acontece o mesmo, não é feita referência a o Outras características relevantes do produto que se está a tentar vender: o Preço, o Consumo o Garantias o Encargos com a manutenção C) ESTRATÉGIA DE MANIPULAÇÃO COLOCAR A TÓNICA NO PATHOS( EMOÇÃO) A persuasão ao contrário da argumentação real não se dirige à inteligência do outro, não tenta convencer com razões, mas atua de forma ardilosa explorando as fraquezas das pessoas ( sentimentos, sonhos )

12 D) ESTRATÉGIA DE MANIPULAÇÃO ( manipulação linguística: prolixidade, neologismos, ambiguidade, generalidade) Usar de uma linguagem prolixa e um vocabulário difícil, aparentemente, técnico e culto, querendo passar a ideia de que se sabe muito acerca do assunto e se está a dizer grandes verdades quando na verdade serve para esconder a ignorância acerca o assunto e a falta de ideias.

13 Podemos claramente ver que não há qualquer correspondência biunívoca entre cadeias lineares de significado ou de arqui-escrita, dependendo do autor, e esta catálise maquinal multirreferencial e multidimensional. A simetria de escala, a transversalidade, o carácter prático não discursivo da sua expansão: todas estas dimensões afastam-nos da lógica do terceiro excluído e reforçam-nos na nossa recusa do binarismo ontológico que criticámos previamente. Richard Dawkins Cavalheiro, Se, ( a + b n )/n=x, então Deus existe. Responda Leonhard Euler ( matemático alemão ) dirigindo-se ao ateu convicto Denis Diderot Se 2+2=5, então eu sou o Papa 1-2+2=5 hipótese 2- (2+2)-2= 5-2 1,substração 3-2=3 2,substração 4-3=2 3, Transposição 5-3-1=2-1 4,substração 6-2=1 5,substração 7- Papa e eu somos um 6 8- Eu sou o Papa 7

14 A propaganda política também é muitas vezes manipuladora utilizando o a linguagem, o a imagem o outros recursos no sentido que for mais conveniente para o manipulador sem qualquer respeito ou consideração pelo manipulado. A maior parte das pessoas é pouco inteligente, por isso a propaganda deve consistir em alguns pontos expressos em algumas palavras simples repetidas de novo e de novo até que mesmo os mais estúpidos as conheçam[ ] Toda a propaganda deve ser tão popular e de tal nível intelectual que mesmo os mais estúpidos de entre aqueles a que é dirigida a possam compreender. Portanto, o nível intelectual da propaganda deverá ser tanto mais baixo quanto maior for o número de pessoas que vão ser influenciadas por ela

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