DISCIPLINA PARASITOLOGIA 2019
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- Júlio Klettenberg
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1 DISCIPLINA PARASITOLOGIA de fevereiro GIARDÍASE E CRIPTOSPORIDIOSE Docente: Profa. Dra. Juliana Q. Reimão
2 VÍDEO Surto de diarreia deixa 95 mortos em Pernambuco MATERIAL DE APOIO
3 PROTOZOÁRIOS INTESTINAIS Mais comuns em imunocompetentes Entamoeba histolytica e Giardia duodenalis Emergentes e Oportunistas Causam doença principalmente em imunocomprometidos Foram recentemente caracterizados como patógenos humanos Cryptosporidium parvum e C. hominis
4 GIARDÍASE
5 Giardíase Generalidades Infecção causada por parasitas flagelados que se prendem à parede do intestino delgado provocando diarreia e desconforto abdominal. Agente etiológico Giardia duodenalis (= Giardia lamblia e Giardia intestinalis) Parasita monoxênico eurixeno Exige apenas um hospedeiro Variedade de hospedeiros vertebrados Homem e alguns animais Mamíferos, aves e répteis Formas de vida Trofozoíto e cisto
6 Epidemiologia 200 milhões de indivíduos sintomáticos 500 mil casos/ano Distribuição mundial Parasita intestinal mais comum em países desenvolvidos Precárias condições de higiene, educação sanitária e alimentação
7 Morfologia Trofozoíto Corpo piriforme Simetria bilateral 2 núcleos 4 pares flagelo 1 disco suctorial Corpo basal = aparelho de Golgi Axóstilo = feixe de microtúbulos Flagelo Flagelo Flagelo Núcleo Disco suctorial Corpo basal Flagelo
8 Morfologia Trofozoíto Achatamento dorsoventral Disco suctorial Adesão ao epitélio intestinal Vista dorsal Vista lateral
9 Morfologia Cisto Oval Núcleo e corpo basais duplicados Cada cisto produz 2 trofozoítos Núcleos Forma de resistência Viáveis na água por até 3 meses Resistentes ao processo de cloração da água São eliminados nas fezes milhões/dia Corpo basal Parede cística
10 Ciclo de vida Cistos Trofozoítos
11 Ciclo de vida Cães e gatos podem ser fontes de infecção eliminam cistos! Sua importância como reservatórios não é clara
12 Aspectos clínicos Em imunocompetentes Em geral é assintomático Diarreia Manifestação mais comum (90% casos) 2 a 4 semanas Raramente contém sangue Esteatorreia Presença de gordura nas fezes Desconforto abdominal/cólicas Náuseas e vômitos Perda de peso Autolimitada ou recorrente Em imunodeprimidos A infecção pode ser grave, com longa duração (> 7 semanas)
13 Patogenia Efeito citotóxico Células epiteliais Destruição das vilosidades Contato com a margem dos discos suctoriais
14 Patogenia vilos cripta enterócito microvilosidades Atrofia de vilos e hiperplasia das criptas Mucosa normal Mucosa alterada
15 Patogenia Consequências do parasitismo Redução da produção de enzimas (ex. lactase) Redução da absorção de carboidratos, gorduras e vitaminas Inflamação da mucosa e apoptose dos enterócitos Aumento da secreção de cloretos acúmulo de líquidos no lúmen intestinal Disco suctorial Disco suctorial Vilosidades
16 Patogenia Virulência das cepas Número de cistos ingeridos Infecção assintomática Síndrome da má absorção Idade Estado imune do hospedeiro Exposição prévia ao parasito
17 Diagnóstico Parasitológico Exame de fezes (EPF) Sensibilidade 1 amostra: 60 a 80% 3 amostras: 90% Menos usados Aspiração intestinal Biópsia duodenal Sorológico ELISA, RIFI, hemaglutinação indireta Molecular PCR cisto trofozoíto
18 Reação de imunofluorescência indireta (RIFI) Teste imunoenzimático (ELISA) Teste de aglutinação PCR
19 Tratamento Nitroimidazóis Metronidazol secnidazol tinidazol metronidazol Medicamento Adulto Criança Secnidazol 2g, VO, dose única 30 mg/kg, dose única Tinidazol 2 g, VO, dose única - Metronidazol 250 mg, VO, 2 vezes ao dia por 5 dias 15 mg/kg/dia (máximo de 250 mg), VO, dividida em 2 tomadas, por 5 dias Controle de cura: 3 exame de fezes (1 por semana)
20 Prevenção e controle Principais veículos Água e alimentos crus Pessoas infectadas Vetores mecânicos Moscas e baratas Profilaxia Fervura da água Saneamento básico Educação sanitária Tratamento Manipuladores de alimentos Creches e asilos
21 CRIPTOSPORIDIOSE
22 VÍDEO Criptosporidíase: parasita ameaça gravidez de oito meses
23 Coccídios intestinais Generalidades Parasitas intracelulares obrigatórios Possuem semelhanças com os apicomplexos Parasitas monoxênicos Exigem apenas um hospedeiro Criptosporidiose Cryptosporidium hominis Cryptosporidium parvum Ciclosporíase Cyclospora cayetanensis Cistoisosporíase Cystoisospora belli
24 Prevalência (%) Importância Emergentes Recentemente descritos como patogênicos Avanço nas técnicas diagnósticas Globalização Alteração Do meio ambiente Dos hábitos alimentares HIV positivo HIV negativo Oportunistas Indivíduos imunossuprimidos Aumento crescente de incidência Cyclospora cayetanensis Cryptosporidium parvum Cystoisospora belli
25 Criptosporidiose Importância Segunda causa de morte por diarreia em crianças no mundo 30 a 50% das mortes até 5 anos de idade Consequências letais em imunodeprimidos
26 Epidemiologia Cosmopolita Mais frequente em países em desenvolvimento Prevalência de 0,5 a 10% subestimada Crianças 1 a 5 anos AIDS Em Fortaleza: uma pesquisa mostrou que todas as crianças avaliadas apresentavam anticorpos contra C. parvum exposição prévia ao parasito Prevalência de até 50% Surtos de transmissão hídrica Ex.: Milwaukee (EUA): 400 infectados e 100 mortes
27 Aspectos biológicos Parasito intracelular Apresenta fusão com a membrana do enterócito Forma um vacúolo parasitóforo Extracitoplasmático Se localiza fora do citoplasma da célula hospedeira Localização epicelular Sobrevive em biofilmes Ambiente aquático Habitat Intestino delgado
28 Ciclo de vida Ingestão ou inalação de oocistos RESERVATÓRIOS Cryptosporidium parvum Liberação de oocistos nas fezes Cryptosporidium hominis
29 Ciclo de vida Ingestão ou inalação Meio exterior Oocisto esporulado parede espessa Auto-infecção Esporozoíto Trofozoíto Merogonia Meronte tipo I Merozoíto Oocisto esporulado parede fina Microgameta Meronte tipo II Macrogameta Merozoítos Esporogonia Zigoto Gametogonia
30 Patogenia Alterações histológicas Invadem as células epiteliais do intestino Não atingem as camadas mais profundas da mucosa Causam atrofia das vilosidades e inflamação Redução da absorção Redução da produção de enzimas Diarreia Oocistos de Cryptosporidium sp. na mucosa intestinal
31 Aspectos clínicos Em imunocompetentes Sintomas ausentes ou autolimitados Diarreia aquosa Vômitos Dores abdominais Perda de peso Em imunocoprometidos Diarreia grave, com várias evacuações/dia Evolução crônica ou fulminante Perda diária de mais de 20 litros de líquido
32 Cryptosporidium sp. Diagnóstico laboratorial Exame parasitológico de fezes (EPF) Encontro de oocistos Visualização microscópica a fresco Coloração de Ziehl-Neelsen Maior sensibilidade EPF, coloração de Ziehl-Neelsen Outros exames Pesquisa de antígenos nas fezes PCR de fezes Biópsia ou aspiradao intestinal Biópsia intestinal
33 Tratamento Nitaxozanida Bem tolerado, com poucos efeitos colaterais Ação contra outros patógenos intestinais Pouco efetivo em imunocomprometidos Cuidados gerais Hidratação Tratamento sintomático Tratamento antiviral em pacientes HIV+ Restauração da imunidade
34 Prevenção Medidas de prevenção Saneamento básico Educação sanitária Filtração ou fervura da água Controle de contaminação ambiental com fezes Evitar contato direto com animais infectados Os oocistos São resistentes ao cloro e à maioria dos desinfetantes Evitar o consumo de moluscos bivalves crus (ex. ostras) Viáveis por vários meses no ambiente São sensíveis: À altas temperaturas (60 C) Ao congelamento e à dessecação Ao H 2 O 2
35 Curiosidades Se uma pessoa com criptosporidiose defeca na piscina: 50 milhões de oocistos por ml de fezes x 150 ml fezes = 7.5 bilhões de oocistos na piscina Em uma piscina padrão de 25 x 12 m (450 m 3 ) teria uma média de oocistos por litro = 20 oocistos/ml Uma criança de 6-18 anos em média ingere 37 ml da água da piscina = 740 oocistos Alto risco: Áreas recreacionais com contami- nação por esgoto humano ou animal Água de irrigação
36 Dúvidas?
37 Discussão de caso clínico Paciente com diarreia crônica
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