Incubadoras Sociais: O Assistente Social contribuído na viabilização de uma nova economia.

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1 Incubadoras Sociais: O Assistente Social contribuído na viabilização de uma nova economia. Autores: Ana Claudia Carlos 1 Raquel Aparecida Celso 1 Autores e Orientadores: Caroline Goerck 2 Fabio Jardel Gaviraghi Graduanda Universidade Federal de Santa Maria 2 Professor (a) e orientador(a) da Universidade Federal de Santa Maria Introdução/Referencial Bibliográfico Este resumo tem por objetivo apresentar o trabalho desenvolvido pelos profissionais do Serviço Social nas incubadoras sociais, tendo por base as ações desenvolvidas na Incubadora Social da Universidade Federal de Santa Maria - UFSM. A Incubadora Social da UFSM, que é um programa de extensão, é concebida como um centro de apoio a empreendimentos sociais e visa através dos recursos e conhecimentos acumulados pela universidade, assessorar empreendimentos econômicos e solidários 1 que buscam gerar trabalho e renda de forma associativa e cooperativa. É por meio da prestação de assessoria técnica, administrativa e organizativa de forma integrada e contínua (EID, 2004), as incubadoras sociais universitárias possibilitam o fortalecimento local de comunidades, municípios e cidades, através da formação de empreendedores e da geração de empreendimentos com uso de tecnologia social (Instituto Gênesis, 2008, p. 1). As incubadoras, que para Lechat (2006), fomentam empreendimentos de geração de trabalho e renda e atuam no sentido de promover a cidadania, o trabalho e a inclusão social, tem entre os profissionais que compõe as equipes de incubação o profissional do Serviço Social, o qual participa dentro das suas especificidades, do processo de pré-incubação, incubação e pós incubação dos empreendimentos de geração de trabalho e renda. 1 Os grupos de geração de trabalho e renda, que se apresentam como uma alternativa ao desemprego e a pobreza extrema, se constituem como um jeito diferente de produzir, vender, comprar e trocar o que é preciso para viver, sendo uma inovadora forma de geração de trabalho e renda que favorece a inclusão social (MTE, 2013).

2 Na Incubadora Social da UFSM, os assistentes sociais 2 e as bolsistas do curso de Serviço Social da UFSM estão desenvolvendo as atividades da préincubação, elaborando inicialmente o diagnóstico inicial, o qual busca evidenciar o perfil dos integrantes dos sete 3 grupos que estão vinculados a incubadora já citada. Os dados iniciais apresentam que a grande maioria dos associados ingressaram no empreendimento como uma alternativa ao desemprego e como uma forma de ampliar a renda. São pequenos grupos, que na sua maioria estão se constituindo e por consequência são informais. Objetivos Este resumo tem por objetivo apresentar o trabalho do assistente social nas incubadoras sociais, com vistas a identificar a importância deste profissional nesse espaço. É necessário evidenciar também os objetivos da Incubadora Social da UFSM, que além de desenvolvier ações de incubação, centradas na perspectiva da sustentabilidade social, econômica e ambiental, tem como objetivo também a geração de tecnologias sociais por meio da inovação tendo como intencionalidade fortalecer os empreendimentos coletivos que serão incubados nas linhas de Economia Popular e Solidária, agroindústrias familiares e empreendimentos culturais. Referencial teórico e metodologia As últimas décadas do século XX foram marcadas por intensas transformações no processo de trabalho decorrente da reestruturação do capitalismo. Esta reestruturação foi marcada pelo desenvolvimento da robótica, automação e micro-eletrônica, criando uma massa de trabalhadores considerados sobrantes pelo capital, ou seja, desempregados e/ou precarizados. Frente a este contexto social e econômico, bem como cultural, emergem na década de oitenta do século XX, experiências coletivas e solidárias de geração de trabalho e renda denominados de Economia Popular Solidária, seguidas posteriormente pela criação das incubadoras universitárias. Os empreendimentos de Economia Popular e Solidária são originados especialmente como uma alternativa ao desemprego e a economia vigente, estes disponibilizam através da geração de trabalho e renda a inclusão social, sem distinção de gênero, idade e raça. 2 Os assistentes sociais que estão desenvolvendo as atividades iniciais na incubadora social são professores do curso de Serviço Social da Universidade Federal de Santa Maria. 3 Todos os grupos incubados estão localizados na cidade de Santa Maria no Rio Grande do Sul.

3 A centralidade da organização da economia solidária está na vida humana, no bem viver, assim, transforma a visão capitalista de trabalho como exploração, colocando a ideia do trabalho socialmente útil em que é realizada pelo coletivo e a autorrealização pelo trabalho, a economia solidária é formada por associações, cooperativas, grupo informais, empresas autogestionarias e entre outros. É constituída por empreendimentos em que a solidariedade, a cooperação, a partilha dos rendimentos, de conhecimentos e de informações entre seus integrantes e a autoajuda constitui-se em elementos norteadores dessas experiências (RAZETO, 1997). As incubadoras 4 visam incubar/assessorar os empreendimentos objetivando fortalecer e potencializar os grupos de geração de trabalho e renda de forma que adquiram autonomia social e viabilidade no mercado, contribuindo também ao desenvolvimento sustentável local e regional, desenvolvendo o trabalho de incubação na perspectiva de atender as demandas originadas pela questão social e a inserção dos sujeitos que estão a margem do mercado formal de trabalho. O profissional do Serviço Social faz parte nas equipes de incubação, sempre com a intencionalidade de incluir os sujeitos através das políticas sociais públicas que também são formas de resistência às manifestações da questão social. Faz-se necessário, no entanto, que o assistente social articule os empreendimentos de geração de trabalho e renda, com as ações que agregam a sua política social, bem como com as outras políticas públicas. O assistente social para desenvolver o seu trabalho, nas incubadoras ou em outros espaços socioocupacionais, utiliza-se de pesquisas, a qual para Iamamoto (2012) é considerada uma dimensão importante do exercício profissional, formulando respostas capazes de impulsionar a formulação de propostas profissionais, importantes para a transformação da realidade vivenciada pelos integrantes da grande maioria dos empreendimentos incubados. A contribuição dos assistentes sociais nos empreendimentos de geração de trabalho e renda está sendo realizada pelo processo de incubagem por meio de projetos de extensão vinculados a universidades e/ou por órgãos e políticas públicas, buscando informações nas comunidades que estão inseridas os grupos de geração de trabalho e renda. Neste contexto o assistente social entra em contato com uma 4 As incubadoras constituem espaço de produção de conhecimento, pois estudantes, pesquisadores, professores e técnicos desenvolvem estudos sobre os grupos incubados, suas comunidades, bem como sobre a economia solidária, a assessoria e metodologias de incubação a serem aplicadas.

4 situação social a ser descoberta, ou com os sujeitos nela envolvidos, ele intervém e produz modificações (MIOTO, 2001). Frente a esta realidade e pelo posicionamento ético-político do Serviço Social é que se pretende ressaltar a relevância desse tema para o Serviço Social, pois esses empreendimentos coletivos, mesmo estando inseridos no sistema capitalista, introduzem elementos que divergem da finalidade do capital, além de gerarem renda aos trabalhadores, entre outros aspectos. As informações foram coletadas através da técnica de entrevista, com questões abertas e fechadas, durante o período entre o mês de maio e junho com os 7 empreendimentos localizados em Santa Maria/RS e que estão em fase de pré incubação pela incubadora Social da UFSM. A análise dos dados foi feita através da técnica de análise de conteúdo. Resultados Alcançados, Público Envolvido e Discussão A partir dos dados coletados que compõem o perfil dos empreendimentos, foram selecionadas as seguintes informações: Mais da metade dos grupos que serão incubados ainda estão em formação (57%). Os demais estão em estágio inicial de formação/informal e um está constituído. Em apenas um dos sete grupos há predominância de integrantes do gênero masculino, nos grupos restantes a maioria dos participantes são do gênero feminino. Sobre o acesso a politicas públicas, constata-se que trabalhadores de cinco dos empreendimentos possuem o benefício bolsa família, os outros dois grupos ainda necessitam de encaminhamentos para a obtenção de benefícios sociais governamentais, dentro das possibilidades legais existentes. Constata-se também que a grande maioria dos participantes reside em locais distantes do centro da cidade. Residir distante do centro de Santa Maria não seria problema para a grande maioria dos associados dos grupos, entretanto, o nível de vulnerabilidade social de muitos dos integrantes não permite que estes se desloquem diariamente até a Incubadora Social utilizando transporte público em função do custo das passagens. A inserção dos integrantes ocorreu devido a viabilidade econômica do trabalho e a necessidade de geração de renda, ocasionada pelo desemprego. Os grupos são constituidos pela motivação da troca de conhecimentos, através do

5 trabalho coletivo, da solidariedade entre os integrantes e o aprimoramento de técnicas de produção. A grande maioria dos grupos trabalham ou trabalharão com atividades econômicas de produção e comercialização, porém as mesmas ainda não estão consolidadas. Apresentam também dificuldades como a falta de espaço físico ou infraestrutura para a fabricação dos produtos, carência de matérias primas, orçamentos e a necessidade de constituir empreendimento auto-suficiente, sendo que com isso poderão obter uma renda que possibilite a sua permanência no trabalho comunitário e a inclusão socioeconômica de mulheres em situação de vulnerabilidade social. Apresenta-se assim a importância da coleta de dados realizada pelos assistentes sociais, bem como, a sistematização dos mesmos, pois todos os profissionais envolvidos poderão viabilizar as suas atividades. A partir desses dados o assistente social poderá viabilizar o acesso a diferentes políticas públicas existentes no município, contribuindo no fortalecimento desses grupos que podem gerar renda para trabalhadores em inicio ou final da idade ativa para o trabalho, bem como para mulheres que historicamente foram excluídas do trabalho formal.

6 Referencias EID, Farid, Analise sobre processos de formação de incubadoras universitárias da Unitrabalho e metodologia de incubação de EES. In: PICANÇO, Iraci; TIRIBA, Lia(Orgs). Trabalho e Educação. Aparecida, SP: Idéias & Letras, p IAMAMOTO. Marilda Vilella. O Serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação profissional. São Paulo: Cortez, ed. INSTITUTO GÊNESIS. O que é a Incubadora Social? Disponível em: <http://www.genesis.puc-rio.br/genesis/main.asp?team=%7bc5d2b82e a ec6e49de%7d>. Acesso em: 23 dez LECHAT, Noëlle Marie Paule As raízes históricas da Economia Solidária e seu aparecimento no Brasil. Cadernos Unijuí, série Economia Solidária. Ijuí: Unijuí, M.GUTIÉRREZ, F. (Orgs.). Educação comunitária e economia popular. 2. ed. São Paulo: Cortez, MIOTO, Regina Célia Tamaso. Perícia Social: proposta de um percurso operativo. In: Revista Quadrimestral de Serviço Social & Sociedade, São Paulo: Cortez, n. 67, MTE. Ministério do Trabalho e Emprego. O que é Economia Solidária. O que é Economia Solidária. Disponível em: <http://www.mte.gov.br/ecosolidaria/ecosolidaria_oque.asp>. Acesso em 12 jun RAZETO, Luis. Economia de solidariedade e organização popular. In: GADOTTI.

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